A Linha Tênue Entre Nós
11 Capítulo 10 – Entre a Razão e o Desejo
Notas iniciais
Na pousada, a luz tênue da lâmpada de mesa projeta sombras dançantes sobre o caos espalhado na cama de Emily: fotografias de símbolos ritualísticos, mapas de Ravenbrook marcados com círculos vermelhos — e, em destaque, o bilhete ameaçador. Suas palavras, em tinta vermelha pulsante, gritavam: “Ele já fez você queimar por dentro. Agora é a minha vez.”
O aviso de Hotch pairava como um véu de chumbo: “Não deixem o desejo ofuscar a razão.”
Emily estava sentada na beirada da cama, caneca de café frio nas mãos, observando Reid se curvar sobre um desenho. A luz esculpia a concentração feroz em seu rosto; a tensão na sala era um campo de força, onde o profissional colidia com o íntimo. A proximidade era um tormento: o perfume de sândalo de Emily, misturado a algo indefinivelmente seu, se entrelaçava ao café requentado e ao cheiro de papel velho. Reid sentiu um tremor nas mãos, fechando-as em punhos, as unhas cravando-se nas palmas. A razão gritava: Distância. Protocolo. O assassino observa. Cada falha é vulnerabilidade. Proteja-a. Proteja a equipe.
“A lógica diz que devemos nos afastar”, murmurou, olhos presos à curva de seu lábio. “A razão exige isso. É o seguro. O certo.”
Emily virou-se lentamente. “E o desejo, Spencer?” A pergunta foi um sopro, um desafio. Seu dedo frio tocou sua mão fechada — um contato mínimo, mas um choque elétrico.
Ele não respondeu. Seu braço se moveu por impulso: dedos trêmulos tocaram seu rosto, traçando a mandíbula, sentindo o tremor em sua pele. “Não devia”, sussurrou, voz baixa e agonizante.
“Mas quer”, retrucou ela, se inclinando.
O beijo foi uma rendição mútua: suave, de confirmação, até que o sabor dela — café amargo e doce — abafou o último alerta da razão. Ela gemeu, e a contenção desmoronou: onda quebrando dique, desesperado, faminto. Sua mão se enterrou em seus cabelos, os braços dela envolveram seu pescoço, corpos colando-se entre os papéis. Suas línguas dançaram em guerra e entrega.
Reid a rolou para baixo, corpo se acomodando sobre o dela. O peso quente fez ela arquejar. “Spencer…” — aviso, súplica, incentivo.
Seus lábios desceram ao pescoço, beijando, lambendo, mordiscando. Mãos habituadas a decifrar símbolos antigos desceram com urgência, rasgando um botão da blusa, abrindo o sutiã de renda. Ao ver seus seios à luz fraca, a razão tentou retornar — mas ela arqueou as costas, e o desejo venceu. Ele tomou um mamilo em sua boca, e ela gritou, dedos se enterrando em seus cabelos. Ondas de fogo percorreram seu núcleo; seu quadril se esfregou na rigidez que pressionava sua coxa. “Por favor”, gemeu, voz quebrada.
Reid se levantou, olhando para ela nua, ofegante. A ponta de sua ereção roçou sua entrada molhada — ambos estremeceram.
Foi então que a sirene ecoou, áspera, profissional. Emily empurrou-o, olhos arregalados de alarme. A razão voltou com força. Eles se separaram rapidamente, cobrindo-se, ofegantes, em silêncio pesado de vergonha e desejo não saciado.
“Temos que continuar”, disse ela, voz rouca mas firme, recolhendo papéis com mãos trêmulas.
Reid acenou, limpando os lábios. A razão retomava o controle, mas o desejo estava solto, faminto. “A próxima lua cheia é em três dias”, disse, com falsa seriedade profissional.
Emily, já vestida, apontou para o mapa: “Os símbolos apontam para o antigo cemitério de Ravenbrook — a parte abandonada há século.”
Saíram para a noite gelada. O silêncio no carro vibrava com memórias do toque, da promessa interrompida.
No cemitério, Reid levou-a a um canto remoto; a lanterna iluminou uma lápide de pedra escura, com o símbolo gravado recentemente. “Ele está aqui. Este é o altar.”
Um ruído veio atrás — eles se viraram, mãos nas armas, mas só havia vento. Reid encontrou um papel aos pés da lápide. Tinta vermelha brilhava: A razão não vai salvar vocês.
Ela olhou para ele, medo e teimosia nos olhos. Ele guardou o papel, estendeu a mão — seus dedos se entrelaçaram. “Jamais”, prometeu, mente e coração alinhados na luta pela sobrevivência.
Ao voltar ao carro, mãos ainda unidas, sabiam: a batalha contra o monstro lá fora começava — e também contra o que haviam despertado dentro de si mesmos.
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