A Life Time
28 Natal, um encontro?
Notas iniciais
Dediquei-me muito para escrever rápido, mas com qualidade...
Estamos chegando ao fim pessoal...
Tam-Tam-Tam-Tam....
(Não esqueça de deixar o lindo Review! *.*)
No dia seguinte eu não fiz nada, eu não sai de casa, eu não busquei por Ciel, eu não fiz nada. Fiquei trancada em meu quarto esperando que aquela dor em meu peito me consumisse por completo, e finalmente permitisse que eu morresse, para não poder sentir mais nada, nem agonias, nem tristezas e muito menos, saudade. Isadora não me serviu almoço nem jantar. Mas me colocou para dormir. Vendo por meus olhos inchados que eu havia chorado a tarde inteira, assentiu diferente dos dias anteriores.
– Ele está aqui Jovem Mestra. De tempo ao tempo. – Ela estava séria me fitando com seus enormes olhos roxos.
– Eu sei disso, mas me canso de esperar, nem que seja um segundo. – Eu falei essas palavras, com mais uma lágrima em meu rosto. Então virando de lado fechei os olhos.
– Tudo está indo como deveria Jovem Mestra. Ele disse que vocês, juntos, se esforçando dariam um jeito.
– Eu não tenho motivo para viver. Minha alma não tem sentido. Por que, afinal me escolheu? – Eu estava sendo totalmente transparente com ela, pela primeira vez.
– Sua alma tem mais apreço do que todas as outras milhões por aí. Há cem anos, existia apenas outra pessoa com a mesma alma. – Imediatamente, Ciel surgiu em minha mente, ele com certeza valia muito mais do que eu.
– Então porque não leva a minha alma logo de uma vez? – Perguntei, já alegando que havia dado por concluída a missão de Isadora.
– Esta não é minha missão. – Ela fez uma pausa longa antes de completar. – E muito menos o seu destino.
– Destino, que coisa mais trivial... – Eu completei caindo no sono.
Quando acordei, no dia seguinte, finalmente me toquei que tudo aquilo era verdade, eu Lucy Willian, tinha voltado para o meu presente, e nem mesmo chorar até dormir alteraria isso... Hoje é dia vinte e quatro de dezembro, é quase natal, a época que mais gosto. Mas nem mesmo a sensação me deixava feliz.
–Senhorita levante. – Disse Isadora adentrando meu quarto azul. Jamais entenderia por que eu havia pintado meu quarto de tal cor, cor que me lembrava de Ciel, tudo lembrava ele, até mesmo eu mesma. – Hoje teremos o jantar da família Willian, todos os seus amigos e parentes serão convidados. Entendeu?
– Sim. Você irá me preparar, certo? – Eu perguntei lendo a uma manchete do jornal de hoje.
– Sim jovem mestra... Você entendeu? Todos. – Ela sorria, parecia extremamente feliz, se comparada ao dia anterior.
– Está bem. – Eu assenti, quando li à seguinte manchete “O cão da Rainha volta de mais uma viajem de acordos”. – Cão da Rainha... – Sussurrei, tentando absorver mais e mais daquela manchete. Infelizmente não havia nenhuma foto. Não, não era possível. Eu não permitiria que meu coração fosse novamente estilhaçado, eu pensei enquanto entregava o jornal lido para Isadora e pedia – Jogue fora. – Meus olhos estavam frios, e eu só queria acabar logo com tudo aquilo.
– Prepare meu banho para as quatorze horas, me arrume às quatro.
– Sim Jovem Mestra... – Isadora assentiu saindo do recinto.
Quando percebi que estava sozinha, sentei na cabeceira onde encontrava um caderno muito antigo, e como não demoraria muito tempo para o almoço, não havia nada que eu gostaria de fazer. Peguei o pequeno caderno infantil e abri. Encontrei muitos recados, alguns escritos por mim quando pequena, e não sei como, eles possuíam respostas... De alguém que assinava como CP... Seria possível? Curiosa, e tentando distrair minha cabeça de meus próprios problemas, eu peguei o caderno, e sentando na cama comecei a ler.
11/2/2002
“Obrigada por sempre me proteger!” – LW (essa provavelmente sou eu.)
“Não há o que agradecer. Eu sou um pervertido, que gosta de uma menina de 6 anos.” – CP
12/2/2002
“O que significa pervertido? E quem é essa garota?” — LW
“Você é realmente muito fofa. Um dia nos conheceremos e você saberá.” – CP
É verdade, agora eu me lembro. Eu escrevia as mensagens para a pessoa que me defendeu quando eu fui marcada pela Rainha. Era Ciel, certo? Mas como isso é possível? Ele era apenas um humano, não deveria estar morto? Bom... Vamos ver o que mais eu escrevi aqui.
13/04/2006
“Como foi seu dia? Sinto sua falta... Estava lendo as mensagens anteriores. Quem é aquela garota que você gostava?” – LW
“Você é tão inocente... Mas... Diga, está tudo bem com você?” – CP
14/04/2006
“Sim... PS: Eu percebi que você mudou de assunto” – LW
“...” “Não minta para mim. Eu vi você chorando na escola... Não se preocupe. Já dei um jeito no garoto que te bateu.” – CP
15/04/2006
“Obrigada por sempre tomar conta de mim.” – LW
19/09/2010
“Eu passei no teste para a nova escola. Por que não me diz onde você estuda? Queria estar lá com você.” – LW
“Meus parabéns. Você está sempre comigo. Sempre cuidarei de você.” – CP
20/09/2010
“Obrigada, novamente. Queria te conhecer...” — LW
“Você já conhece...” – CP
21/09/2010
“Quem é você?” – LW
“...” – CP
Depois dessa mensagem, ele nunca respondeu mais nenhuma que eu escrevera e deixara na janela. Era verdade, que eu escrevia para ele, achando que ele era meu príncipe encantado, e não sei como, ele vinha até minha janela e respondia às mensagens sem nem mesmo me acordar. Mas um dia ele parou de responder. E eu parei de acreditar...
– Senhorita, seu banho está pronto... – Isadora assentiu pela porta.
– Estou indo. – Fechei o caderno e sai do quarto quase chorando. Eu havia me distraído... Mas com algo dele. Como ele podia fazer parte de tudo na minha vida? Afinal de contas... Qual era o motivo? Depois do banho Isadora sem nenhuma palavra, me arrumou e contra a minha vontade me vestiu com um lindo vestido tomara que caia azul, cheio de rosas feitas pela renda acima do forro. Não era chique, era um vestido curto, mas mesmo assim muito apropriado para a ocasião.
Entramos em meu carro e o motorista nos levou até a casa de minha tia, onde normalmente ocorriam todas as festas. Vieram me cumprimentar toda minha família, inclusive duas primas... Eliana e Tânia, elas eram tão parecidas com Elina e Tanina.
– Você se lembra da gente. Estou tão feliz. – Eliana disse, vendo em meu olhar que as reconhecera. Seu cabelo continuava ruivo, e suas sardinhas, estavam cobertas com um pouco de maquiagem, mas ainda eram visíveis.
– Jamais me esqueceria de vocês... – Respondi para as duas sorrindo, embora não estivesse feliz. Todos haviam vindo para me encontrar em meu tempo. Então por que Ele não teria vindo?
– Agora sim estou feliz... – Disse Tânia com a mesma carinha de fantasminha fofo que sempre tivera... Eu deveria estar contente também, não?
Vendo que cumprimentara a todos, sentei em uma poltrona de veludo, avermelhada que era quente graças à lareira ao seu lado. Sentei lá como se fosse uma velha rancorosa, e olhando pela janela agarrei o tapa-olho que havia trazido em minha bolsa. Eu sabia que estava deixando isso tomar conta de mim, mas... eu nunca sentira algo tão profundo por ninguém, e quando senti... ter essa pessoa retirada de você tão rapidamente, machuca e é difícil curar. Ainda estava pensando nisso quando a porta de entrada se abriu e uma voz masculina passou por ela dizendo:
– Vocês quem estão adiantados, pois eu não me atraso. — Juntamente com outro jovem, este entrou no recinto cumprimentando a toda a minha família, eu estava na sala e com preguiça de me levantar esperei que ele se aproximasse mais para cumprimentá-lo. Eu estava de costas para ele, mas foi só me virar, que lágrimas começaram a escorrer por meu rosto. – Eu disse que sempre daria um jeito não disse? Quando eu digo sempre, é sempre. – Um par de olhos azuis, juntamente com um sorriso desafiador, mas delicioso fitou os meus olhos. Não podia ser!
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