A Life Time

22 Início de uma parceria? Ou quase...


“Não... Pare com isso! Não quero...” – Ouvia à minha própria voz, entoando em minha cabeça. “AHHHHHHHHHHHH...” Eu gritava, algo me machucava, algo ardia em meu corpo, mas o quê? Automaticamente observei meu ombro, mas não havia nada. Nem a marca de Izadora. E muito menos um machucado. O que era aquilo que sentia. Uma figura minha, quando pequena, surgiu em plena escuridão. Se aquela era eu... O que estaria me machucando.

Um estrondo seguiu a minha imagem, e eu vi uma batida de carro, eram meus pais, lágrimas corriam por minha face sem que eu permitisse. Por que eu estava vendo àquilo? Eu não queria lembrar. Meu passado, o que me constitui. De repente a dor que eu não sabia de onde vinha, retornou com maior intensidade. E ao em vez de me concentrar no ombro, olhei em direção à minha bacia, aquela marca, que vinha sendo passada de geração em geração em minha família, queimava. Como foi que eu a fiz? A dor agora diminuía e novamente eu me via quando pequena, em uma fila, junto com outras crianças. Uma delas possuía enormes olhos azuis, e o cabelo negro. Ciel? Poderia ser?

Naquela fila, uma por vez entrava em uma sala, e era marcada com um sinal. Agora me lembrei de onde vinha aquele sinal, era a marca para o trabalho no submundo, não somos pessoas normais. Temos um trabalho a cumprir para com a rainha. Temos que cuidar dos casos, não tão comuns que ocorrem na Inglaterra. Era verdade tudo aquilo era verdade. Aquela imagem de mim quando pequena, ficara congelada em minha mente. Tão inocente, logo Izadora surgiria na minha vida. Era tudo real...

- Jovem Mestra! – Chamou uma voz doce, que me despertou. Ao erguer a cabeça, vi que havia lágrimas em meu rosto, que haviam escorrido no sonho. Aquilo tudo fora real? – Temos um caso importante hoje. Por isso, vestiremos roupas mais simples.

- Ainda bem. – Disse distraída, ainda tentando entender o que fora aquele sonho.

- E a noite, Renold virá te visitar.

-Quem? – Perguntei ainda cansada enquanto ela me vestia com um vestido esverdeado, e um belo chapéu, como sempre o decote era grande demais, e meu cabelo deveria tentar cobrir minha marca.

-Seu noivo senhorita. – Meu noivo? Há sim! É verdade... Eu e Ciel temos um casamento já marcado. Que coisa mais ridícula. Foi tudo que pensei. Enquanto, antes de sair, aproximava-me da cômoda, e guardava o tapa-olho, em uma gaveta, nem Izadora deveria tocá-lo. Era um presente particular. Pensei enquanto olhava às belas flores que Ciel me dera, ao lado de minha cama.

Concordei com a cabeça, antes que ela pudesse me falar qualquer outra coisa. Será que ele era uma pessoa gentil? Perguntava-me enquanto saímos rapidamente de casa, para investigar os assassinatos que estão ocorrendo em Londres. Quando chegamos na cena do crime, o corpo já não estava lá, mas ainda havia sangue por todos os lados.

- Curioso. – Disse em voz alta.

- Realmente, — respondeu uma voz masculina, contra a porta, que me assustou e fez-me virar rapidamente. – como vai senhorita Willian? – Disse a voz de Ciel novamente para mim, ele usava a bengala que eu dera a ele de presente. Combinava muito com sua pessoa. Seu olhar hoje estava difícil de decifrar como sempre, mas ele parecia intrigado. Mas ao mesmo tempo, um pouco triste.

Assenti com a cabeça ao seu cumprimento. – Bom dia senhor Phantomhive. Como passou o resto da noite de ontem? – Perguntei enquanto analisava mais algumas rajadas de sangue.

Ele sorriu e tentou fazer uma piada. – Com dor de ouvido graças aos gritos que abalavam a serenidade de minha casa. – Ele ficou sério novamente, analisando minha expressão, será que ele entendia que eu não gostava de seu relacionamento? Fora isso, sua noiva era um tanto... Escandalosa, frufru, irritante?

Eu sorri para ele novamente, e ambos ficamos em silêncio. Ao encontrarmos um bisturi médico no chão. Falamos ao mesmo tempo, cada um com seu mordomo.

- Pesquise, descubra quem poderia ter feito isso. – e eu completei sozinha. – Não é trabalho de humano, dedique-se a ver quem mais teria ligações com o outro mundo. – E Ciel na sua vez completou. – A temporada está no fim, teremos uma chance se atrairmos todos para um baile. – Um baile? Pensei comigo mesma. É isso! Brilhante ideia!

- Ciel, posso conversar com você? – Pedi quando saímos daquela casa, que já cheirava à podridão.

- O que deseja? – ele perguntou. – Sabe que trabalho sozinho. – Ele assentiu sorrindo para mim, e se aproximando, um pouco demais. A ponto da saia do meu vestido bater em sua mão, o que estava acontecendo com ele?

- As coisas estão mudando, não? – Eu sorri, aproximando-me dele também. A ponto de que nossas bocas ficassem a menos de quinze centímetros de distancia, estávamos nos desafiando, ao mesmo tempo em que queríamos apenas olhar um para o outro, e permanecer na serenidade, meus olhos tremiam, eu estava hesitante. Não tinha certeza se faria o que era certo.

- O que você me propõe? – Ele perguntou, fitando meus olhos que tremiam levemente. Seu olhar era sério, mas calmo. Ele parecia sustentar o meu, acalmando-me.

- Meu noivo virá aqui hoje, ele é o príncipe da França, como sempre, um baile fora organizado. Poderíamos usar isso como pretexto e tentar capturar o culpado. – Eu sorria tristemente para ele, percebi que suas mãos se apertaram contra a bengala, e ele que permanecia sério, seu olhar, com aquela ponta de tristeza que possuía parecia ter aumentado, e sua calma, deu lugar à preocupação que realmente cobria seus sentimentos. Ele se afastou e concordou com a cabeça.

- Nos vemos à noite. – Ele não me olhava mais nos olhos, e isso me afligia.

- Sabe... – Comecei, tentando animá-lo, tentando fazer com que ele me olhasse pelo menos por mais alguns minutos. – O baile será na casa do Conde de Freminsteu, você sabe de seu passado não sabe? – Ele concordou, e saiu. Izadora se aproximou enquanto Ciel se distanciava. – Você sabe o que fazer. – Eu disse para Izadora que logo desapareceu. Alguns minutos depois, Tanina e Elina surgiram em uma carruagem para me buscar. Logo que entrei elas sorriram para mim, não retribui. Sentia-me solitária, e preocupada. O que houve com Ciel. Aquele olhar? O que ele estaria pensando?

- Senhorita anime-se, nós a deixaremos linda para seu noivo. – Elas sorriam.

- Mal o conheço, não é necessário.

- Então a deixaremos linda para Ciel... – Elas agora me olhavam maliciosamente, o que elas estavam pensando. Suas carinhas inocentes, e aqueles sorrisos me fizeram rir. E sem mais palavras, fomos para casa. Quando entramos, sorrindo. Izadora nos cumprimentou, e com um sorriso, concordei. Estava orgulhosa de seu trabalho árduo.

- Senhorita, descobri algumas informações que serão uteis para nós.

- Sim Izadora, eu devo me aproximar de Freminsteu, não?

- Sim. Deve. Ele é o mais apto a ter feito tais serviços. Mas ainda há outra opção.

- Quem? – Perguntei tentando definir qual deles seria mais apto.

- Veremos está noite, tudo ira se solucionar. – Ela sorriu, mas era um sorriso diferente. O que queria dizer com aquilo?

Notas finais
Conhecendo os personagens:
- Nome: Renold Frazandrie
- Idade: 19 anos
- Altura: 1,75 metros.
- Função: Príncipe da França.
- Informações extras:
Muito conhecido por ser dedicado ao trabalho, e pouco atencioso. Só se importa com si mesmo. Não se interessa por nada além de alianças, e por isso escolheu se casar com a dama mais rica e influente de Londres, Lucy Willian.