A Life Reason

7 Piração Interna


Notas iniciais
Meio confuso, complicado, e mais um monte de coisas não boas.
Acho que passei muito de mim para a personagem, como a facilidade para o drama mental, e a fragilidade, ou seja, como estou no momento interfere na história. Enjoy!

Inferno, palavra que descrevia uma vida, a minha. Depois daquele hospital eu achava que nada poderia ser pior, é e estava errada. Minha mãe me cuidava como se eu fosse eu bebe, nada era mais insuportável que aquilo, não, havia pior. A escola, eu já havia há muito tempo desistido, na época minha mãe ficara com muita raiva, mas com o tempo ela aprendeu a relevar. E nada mais era suficiente, eu me sentia entrando em depressão, de castigo, sem sair de casa, sem ver ninguém. Até mesmo Rebecca teve que se afastar. Meus amigos já tinham me largado, mas ela sempre esteve do meu lado, mas agora nem mesmo minha mãe eu tinha.

Insuportável, nada me satisfazia. Minhas contas, as milhares, que tinha para me conectar com o resto do mundo há muito já haviam sido excluídas, remexia minhas memórias procurando as brechas do meu passado, como a palavra pai que era um peso pra mim. Sem muito que fazer pensar não era uma boa solução, não me faria bem nenhum lembrar daquele que só me fazia sofrer. Ninguém me convidava pra sair, nem mesmo a família. Eu era só mais uma largada, uma parte morta na vida de cada pessoa.

Eu acompanhava sem entender as imagens passando na televisão, os sons eram apenas ruídos que me mantinham acordada, pensando. Não posso dormir sem ter pesadelos, nada me faz esquecê-los, as imagens felizes daquele com quem eu passei cujo nome não fazia questão de lembrar. Cada lágrima é um lamento, um dia eu acabaria morrendo, amaria que fosse por minhas próprias mãos. A coragem sumira de minhas veias, a adrenalina também já não era mais suficiente, minha vida é repleta de lamentos, mas por enquanto não consigo dar um basta. Vontade de jogar tudo pro alto não me falta, mas o sofrimento era uma parte boa, eu gostava daquilo já que não largava essa vida. Meu coração se apertava toda vez que pensava nele, mas hoje em dia não consigo segurar meus gritos de dor, algo pior que ter o amor da sua vida entregue as drogas é você sentir vontade de se entregar também. Uma vontade que vinha e ia, fortalecia e tornara-se fraca, precisava de algo para sarar a dor, me fazer esquecer. Queria esquecer por uns segundos quem eu era, pelo que eu passei, esquecer os planos que um dia eu tive para o futuro. Esquecer que minha vida era repleta de abandono de todos os lados. Esquecer o que era chorar todas as noites ate dormir. Mas o que eu poderia fazer trancada em casa, mas não, eu não me entregaria as drogas, pelo menos não por enquanto. Não é o que eu quero, eu só peço a morte.

Why do we like to hurt so much?

Why do we like to hurt so much?

That’s what you get when you let your heart win, whoooa.

Quem eu sou afinal? Eu busquei em todos os cantos as repostas para todas as minhas perguntas, mas não encontrava em lugar algum dentro de mim. Só havia dor, um mar de dor, noites de sono perdidas, que jamais seriam recuperadas, um passado que jamais voltaria. Algum dia eu serei como você, bem desse jeitinho, mas por enquanto fico com minhas noites sozinha, implorando por você, respirando você, vivendo por você, afinal você e o motivo pelo qual me sinto viva.

Em uma das minhas orações eu senti brotar algo em meu peito que se chamava determinação, a vontade de acabar logo com isso, mas não você é tão viciante, pior do que qualquer droga, e disso eu tinha certeza. Mas não foi por isso que resolvi sair do meu quarto.

Minha mãe parecia aliviada, ela me olhou de cima a baixo notando o quanto eu havia emagrecido, minha mãe estava tentando esconder uma expressão assustada, mas não conseguira, eu parecia morta, mas não estava burra. A olhei de cima a baixo também a deixando desconfortável, afinal qualquer um se sentiria mal sendo observado por uma pessoa morta viva. Quase pior que isso, mas estava definitivamente mais morta do que viva isso por dentro, não me faça lembrar por fora. Minha mãe continuou calada, sentei-me à mesa também calada, com os olhos fechados tentando lembrar-me de como era a luz do sol. Algo é colocado à minha frente, abro os olhos e vejo um farto prato de comida, estava com fome por dia, com um tempo minha mãe parou de me tentar fazer sorrir, sei que não era fácil pra ela, mas facilitar a ela não facilitaria para mim, afinal o sofrimento era todo meu. Embora ela parecesse carinhosa e prestativa no hospital, não deixara de me repreender, lá ou aqui em casa.

Olhei para o prato, mas algo me impedia de comer, era ela olhando pra mim. Mas algo mais do que isso estava me deixando em total defesa do mundo externo, ou em total frustrada tentativa de me proteger dele. Quando vi que ela ia começar a falar peguei a colher e coloquei para dentro da minha boca, tentava não sentir o gosto não estava a fim de comer e já estava fazendo um grande esforço, eu não iria forçar-me mais.

Minha vida pareia um monologo interno, palavras estavam presas em minha cabeça, não precisavam sair, eu não queria que elas saíssem.

O rosto de minha mãe parecia mais satisfeito depois que empurrei comida que mais parecia algo morto. Fui para meu quarto deixando para trás um sussurro de ‘eu te amo’ que me fez sorrir, eu apenas parecia abandonada, mas eu tinha alguém que eu amava que me amava também, afinal depois e antes de tudo ela era a minha mãe, nunca me abandonou, percebi então que nada poderia ser feito por mim sem machucá-la.

Morte seria bom para mim, mas não para ela. Decidi então parecer um pouco mais viva, e disfarçar minha dor na frente dela, afinal ela não ia querer isso pra mim, ela bem que tentou, mas algo me faz acreditar que eu ainda posso dar uma chance de ser feliz ao Filiph, eu o queria feliz longe das drogas e minha mãe me queria feliz longe dele.

De hoje em diante eu daria mais valor ao único amor que vale a pena nesse mundo, o amor de minha mãe.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.