A Life Full Of Mystery

1 Capítulo 1 - Reféns


Notas iniciais
Espero que gostem, é a minha primeira Fic.

Dei um abraço em minha mãe, um abraço de despedida. Ela iria viajar esta manha.

Atravessamos a rua e entramos no banco, minha mãe foi para o caixa sacar. Olhei para fora e hoje o sol estava forte, e brilhava acima dos prédios grandes de Miami. Essa era a segunda viaje dela em uma semana, eu sentia sua falta.

Em questão de segundo, o céu ficou totalmente escuro e o sol que brilhava, ficou coberto por nuvens carregadas. Eu me vi paralisada tentando compreender, tomei um susto quando cinco homens encapuzados invadiram o banco fortemente armados.

Neste mesmo segundo tudo voltou ao normal como se nada tivesse acontecido. O sol ainda brilhava, e o banco estava seguro.

Olho pra minha mãe e ela esta me observando, então sorrio.

Com as imagens ainda rondando em minha mente, olho freneticamente para a porta.

“Calma Anne, é só cafeína, certo? Você tomou duas dozes, né!”

Disse tentando me convencer disso.

Mas tinha algo estranho, e de repente senti uma necessidade de sair correndo dali.

Olhei para a minha mãe novamente, mas dessa vez ela já não olhava mais pra mim, e sim para o céu. E só então percebi que todos no banco também olhavam.

Automaticamente me virei para olhar também.

Não!

O céu estava escuro, mas como?

Fiquei paralisada já sabendo o que viria em seguida.

Eu tenho que correr. Eu tenho que sair daqui agora, talvez ainda de tempo.

Minha mente ia de uma possibilidade a outra, mas meu corpo não obedecia a nenhuma. E então já era tarde demais.

Cinco homens encapuzados e armados invadiram o banco.

Minha mãe correu e se pôs em minha frente, como que pra me proteger. Como aquilo acabaria eu não sabia, mas não seria bem. Eu sentia isso.

E então o maior homem entre os cinco atirou em um segurança que estava bem ao meu lado. Quase cai pra traz, mas por sorte minha mãe estava com a mãe em minhas costas.

Fui sentindo o pânico crescer em mim, mas me contive.

Os homens encapuzados já estavam com o dinheiro, mas ainda não saíram ao invés disso se sentaram e mandaram todo mundo deitar no chão. Só então percebi que eles não eram só assaltantes, mas também terroristas. Isso definitivamente não podia estar acontecendo comigo.

Fui me deitando devagar. Não sei por quanto tempo fiquei deitada mais foi o suficiente pra minha perna ficar levemente dormente.

Eles mandaram fazer fila pra trocarmos de roupa. Nesse momento o pânico em mim já era visível, e então entrei em uma crise de asma. Fui sentindo meu corpo mole e a falta de ar era eminente. Vi que todos me encaravam, minha mãe como que por reflexo começou a mexer na bolsa em busca da minha bombinha.

E então ouvi um disparo.

Ela foi baleada na barriga!

Seu corpo caiu ao chão.

Ajoelhei-me e vi que em sua mao estava a minha bombinha. Comecei a chorar.

“mãe!”

Ela sorriu como que se desculpasse.

“oh, filha...”

Ela disse com os olhos marejados.

“toma o seu remédio, a mamãe vai ficar bem”

Tomei a bombinha sem tirar os olhos dela por nem um segundo. Ela ainda respirava, mas fraco.

“mãe respira!”

“mamãe te ama viu?”

“não fala isso, você vai ficar bem”

Parece que por algum milagre os cinco homens estavam respeitando esse momento.

A respiração dela foi ficando mais pesada, e o meu coração foi apertando.

“uma...” ela disse num sussurro.

Ela deu uma pausa como que pra respirar.

“uma maleta...”

“uma maleta? O que você esta falando mãe?”

“uma maleta no escritório”

“que maleta?”

“você vai achar”

“eu te amo mãe”

Ela deu um sorriso franco e então parou de respirar.

Chorei. Chorei como nunca chorei na vida. E então fechei seus olhos.

Senti alguém me arrastar, mas não sei dizer quem, pois já não conseguia pensar em mais nada.

Só voltei a mim quando me vi em um lugar escuro.

Ouvi um barulho. Eu não estava sozinha.

“não tenha medo, eu não vou te machucar”

E então uma luz acende.

Prendi a respiração quando eu o vi parado me olhando. Era um dos homens de capuz.

“você esta bem?”

Ele me perguntou e eu demorei um pouco para responder devido ao choque.

“s-sim... eu acho”

Ele tirou o capuz revelando um sorriso tímido. Os olhos eram de uma cor de mel esverdeado, o cabelo castanho.

Ele deixou a arma em cima da mesa ao seu lado.

“eu sinto muito pela sua mãe”

“sente?” perguntei surpresa.

“sinto. Era só um assalto simples. Mas ele foi longe demais. Fazer reféns? Matar uma mulher inocente? Isso não estava nos planos” ele disse mais pra ele do que pra mim. Fiquei ouvindo sem dizer nem uma palavra.

“você esta com sede?”

Balancei a cabeça e disse não.

Ele sorriu, pegou uma garrafa de água dentro de uma bolsa e colocou na minha frente.

É claro que eu queria pegar, eu já devia estar La por umas três horas, mas eu devia?

Ouvi passos. O sorriso que estava estampado em seu rosto se transformou em uma careta.

“o que você pensa que esta fazendo?”

“o que você acha que eu estou fazendo? Estou cuidando da filha da mulher que você acabou de matar”

Era ele. O homem alto. Ele que matou minha mãe. Senti meu sangue ferver.

Ele gargalhou sem humor.

“você vai voltar pra La agora, que o Jeremy esta precisando de você”

“já estou indo”

“eu acho que você não me ouviu moleque, eu disse agora”

O homem alto disse seco e saiu.

Fiquei encarando aqueles olhos ate que ele quebrou o silencio.

“preciso ir”

Eu não disse nada e ele saiu porta a fora.

Senti-me sozinha. Todos esses anos eu tenho evitado ficar sozinha. Eu costumo pensar muito quando estou só. Minha mãe sempre me ajudava. Pensei e só depois me dei conta de que agora eu estava sozinha. Meu pai se divorciou da minha mãe há alguns anos, e fugiu para morar com outra mulher. Nós éramos muito próximos. Ele era das forcas armadas e estava sempre me ensinado defesa pessoal. Depois que ele foi embora, nunca mais soube dele e nem treinei.

Sacudi a cabeça pra tirar esses pensamentos da cabeça e me concentrei no que minha mãe tinha dito antes de morrer. Morrer. Senti um aperto no coração só de pensar na palavra e as lagrimas rolaram pelo meu rosto sem permissão, as limpei imediatamente. Eu tinha que ser forte, ela ia querer isso.

Tentei novamente me concentrar, mas foi em vão. Meus pensamentos iam sempre para minha mãe. Finalmente resolvi beber a água para me acalmar, e realmente fiquei mais calma.

Mexi-me na cadeira e senti algo no meu bolso, tirei e vi que era meu MP3 player. Coloquei os fones e adormeci com a música.

‘A maleta...

A voz dela ecoava em minha mente com uma voz de fundo, eu não conseguia entender. O que tinha essa maleta?

Então me vi no escritório e comecei a procurar, mas foi em vão. Não tinha nada. ’

Acordei com um barulho de cadeira arrastada. E vi ele.

“desculpe, eu não queria te acordar” ele deu um sorriso.

“tudo bem”

Eu disse me ajeitando sobre a cadeira. E só então me lembrei que estava com meu MP3 player e olhei de relance para ele. Ele seguiu meu olhar e disse:
“tudo bem, eu não conto nada pra eles” ele disse sorrindo.

Eu sorri.

“você bebeu a água”

Ele tinha percebido.

“é”

“você não é de falar muito, não é?”

“não quando sou mantida reféns”

Ele fez uma careta.

“já disse que não vou te machucar”

Ele respirou fundo e tornou a falar.

“qual o seu nome?” hesitei em responder.

“Anne”

“gosto de Anne”

Senti minhas bochechas queimarem.

“e o seu?”

Arrependi-me da pergunta logo quando seu sorriso se desfez.

“desculpe, não precisa responder”

“não, é que eu não sei se posso confiar em você. Pelo o que eu sei você pode ser uma policial”

Ele tentou fazer graça, mas eu sabia que ele falava serio.

“vou dar um nome pra você”

Eu disse sem pensar.

“ah e? e você já pensou em algum?”

Ele disse com o sorriso mais lindo no rosto, e eu disse a primeira coisa que me veio na cabeça.

“sorriso? Por quê?”

“é que... gosto do seu sorriso”

Senti minhas bochechas pegarem fogo.

“sorriso é uma boa. Gostei”

Eu sorri.

“então, você faz faculdade?” ele perguntou.

“não”

“mas devia, não? Quantos anos você tem?”

“16” respondi.

“então, e por que não estuda?” ele perguntou parecendo bastante interessado.

“é que eu estou sempre me mudando”

“ah”

“e você?” perguntei.

“eu o que?”

“quantos anos você tem?”

“18” ele respondeu.

Fez-se um silencio mortal na pequena sala. E mais uma vez, foi ele quem quebrou o silencio.

“esta com fome?”

Eu disse não, mas logo me arrependi quando minha barriga roncou.

Ele sorriu como se soubesse que eu estava mentindo e pegou um sanduíche natural de dentro de uma bolsa e me entregou.

Dei uma mordida e estava muito bom.

“gostou?”

“aham” respondi.

“minha mãe que fez”

“jura? A minha mãe tamb...”

Eu parei assim que percebi o que eu ia dizer. Minha mãe também fazia. Engoli o choro e corrigi a frase.

“a minha mãe também fazia”

Ele percebeu, e por um momento eu podia jurar que vi alguma brilhar em seus olhos, mas quando olhei de novo já não tinha mais nada.

Continuei comendo.

“por quanto tempo pretendem me manter aqui?”

“só ate amanha”

Balancei a cabeça e continuei comendo e quando acabei ele perguntou:
“quer ir ao banheiro?”

“sim”

Ele levantou e disse pra eu segui-lo em silencio.

Nós passamos por um corredor e só então percebi que nós estávamos dentro do cofre.

“aqui” ele apontou para a porta escrita ‘feminino’.

Eu entrei e usei o banheiro. Olhei-me no espelho e lavei meu rosto e então sai.

Ele me esperava do lado de fora encostado na parede. Assim que sai ele me olhou e sorriu. Nós voltamos para o cofre, mas ele não entrou comigo.

“durma”

Eu não entendi o porquê, mas sacudi a cabeça.

“sim”

Entrei e vi um sofá. Com certeza algum dos outros la fora o havia colocado La enquanto eu estava no banheiro. Deitei-me, mas não consegui dormir.

Fiquei pensando o que eu faria depois que fosse embora dali e se eu veria sorriso de novo. Sorri com esse pensamento. Eu queria vê-lo novamente.

Peguei mês fones de dentro do bolso e coloquei uma musica calma, mas ainda não consegui dormir.

Eu estava sozinha de novo e logo me lembrei da minha mãe e então me entreguei as lagrimas. Deixei que elas rolassem pelo o meu rosto.

Logo em seguida vieram os soluços, tentei abafá-los colocando meu rosto contra o sofá, mas não melhorou muito. Chorei por uns minutos ate sentir uma mao em meu ombro, e isso só me fez chorar mais. Só me fez perceber que tudo era real. Que minha mãe tinha mesmo morrido.

Ele me abraçou e eu enterrei meu rosto em seu ombro.

Ele não disse nada.

Fui parando de chorar aos poucos e eu me senti bem por tirar toda aquela tristeza de dentro de mim.

“acabou?” ele perguntou passando a mao no alto da minha cabeça.

“acho que sim”

Minha voz saiu mais manhosa do que eu queria. E ele riu baixo, e eu sorri com isso. Só o sorriso pra me fazer sorrir mesmo.

Fiquei mais algum tempo nos braços dele, eu precisava daquilo. Eu precisava me sentir segura.

Dei um abraço em minha mãe, um abraço de despedida. Ela iria viajar esta manha.

Atravessamos a rua e entramos no banco, minha mãe foi para o caixa sacar. Olhei para fora e hoje o sol estava forte, e brilhava acima dos prédios grandes de Miami. Essa era a segunda viaje dela em uma semana, eu sentia sua falta.

Em questão de segundo, o céu ficou totalmente escuro e o sol que brilhava, ficou coberto por nuvens carregadas. Eu me vi paralisada tentando compreender, tomei um susto quando cinco homens encapuzados invadiram o banco fortemente armados.

Neste mesmo segundo tudo voltou ao normal como se nada tivesse acontecido. O sol ainda brilhava, e o banco estava seguro.

Olho pra minha mãe e ela esta me observando, então sorrio.

Com as imagens ainda rondando em minha mente, olho freneticamente para a porta.

“Calma Anne, é só cafeína, certo? Você tomou duas dozes, né!”

Disse tentando me convencer disso.

Mas tinha algo estranho, e de repente senti uma necessidade de sair correndo dali.

Olhei para a minha mãe novamente, mas dessa vez ela já não olhava mais pra mim, e sim para o céu. E só então percebi que todos no banco também olhavam.

Automaticamente me virei para olhar também.

Não!

O céu estava escuro, mas como?

Fiquei paralisada já sabendo o que viria em seguida.

Eu tenho que correr. Eu tenho que sair daqui agora, talvez ainda de tempo.

Minha mente ia de uma possibilidade a outra, mas meu corpo não obedecia a nenhuma. E então já era tarde demais.

Cinco homens encapuzados e armados invadiram o banco.

Minha mãe correu e se pôs em minha frente, como que pra me proteger. Como aquilo acabaria eu não sabia, mas não seria bem. Eu sentia isso.

E então o maior homem entre os cinco atirou em um segurança que estava bem ao meu lado. Quase cai pra traz, mas por sorte minha mãe estava com a mãe em minhas costas.

Fui sentindo o pânico crescer em mim, mas me contive.

Os homens encapuzados já estavam com o dinheiro, mas ainda não saíram ao invés disso se sentaram e mandaram todo mundo deitar no chão. Só então percebi que eles não eram só assaltantes, mas também terroristas. Isso definitivamente não podia estar acontecendo comigo.

Fui me deitando devagar. Não sei por quanto tempo fiquei deitada mais foi o suficiente pra minha perna ficar levemente dormente.

Eles mandaram fazer fila pra trocarmos de roupa. Nesse momento o pânico em mim já era visível, e então entrei em uma crise de asma. Fui sentindo meu corpo mole e a falta de ar era eminente. Vi que todos me encaravam, minha mãe como que por reflexo começou a mexer na bolsa em busca da minha bombinha.

E então ouvi um disparo.

Ela foi baleada na barriga!

Seu corpo caiu ao chão.

Ajoelhei-me e vi que em sua mao estava a minha bombinha. Comecei a chorar.

“mãe!”

Ela sorriu como que se desculpasse.

“oh, filha...”

Ela disse com os olhos marejados.

“toma o seu remédio, a mamãe vai ficar bem”

Tomei a bombinha sem tirar os olhos dela por nem um segundo. Ela ainda respirava, mas fraco.

“mãe respira!”

“mamãe te ama viu?”

“não fala isso, você vai ficar bem”

Parece que por algum milagre os cinco homens estavam respeitando esse momento.

A respiração dela foi ficando mais pesada, e o meu coração foi apertando.

“uma...” ela disse num sussurro.

Ela deu uma pausa como que pra respirar.

“uma maleta...”

“uma maleta? O que você esta falando mãe?”

“uma maleta no escritório”

“que maleta?”

“você vai achar”

“eu te amo mãe”

Ela deu um sorriso franco e então parou de respirar.

Chorei. Chorei como nunca chorei na vida. E então fechei seus olhos.

Senti alguém me arrastar, mas não sei dizer quem, pois já não conseguia pensar em mais nada.

Só voltei a mim quando me vi em um lugar escuro.

Ouvi um barulho. Eu não estava sozinha.

“não tenha medo, eu não vou te machucar”

E então uma luz acende.

Prendi a respiração quando eu o vi parado me olhando. Era um dos homens de capuz.

“você esta bem?”

Ele me perguntou e eu demorei um pouco para responder devido ao choque.

“s-sim... eu acho”

Ele tirou o capuz revelando um sorriso tímido. Os olhos eram de uma cor de mel esverdeado, o cabelo castanho.

Ele deixou a arma em cima da mesa ao seu lado.

“eu sinto muito pela sua mãe”

“sente?” perguntei surpresa.

“sinto. Era só um assalto simples. Mas ele foi longe demais. Fazer reféns? Matar uma mulher inocente? Isso não estava nos planos” ele disse mais pra ele do que pra mim. Fiquei ouvindo sem dizer nem uma palavra.

“você esta com sede?”

Balancei a cabeça e disse não.

Ele sorriu, pegou uma garrafa de água dentro de uma bolsa e colocou na minha frente.

É claro que eu queria pegar, eu já devia estar La por umas três horas, mas eu devia?

Ouvi passos. O sorriso que estava estampado em seu rosto se transformou em uma careta.

“o que você pensa que esta fazendo?”

“o que você acha que eu estou fazendo? Estou cuidando da filha da mulher que você acabou de matar”

Era ele. O homem alto. Ele que matou minha mãe. Senti meu sangue ferver.

Ele gargalhou sem humor.

“você vai voltar pra La agora, que o Jeremy esta precisando de você”

“já estou indo”

“eu acho que você não me ouviu moleque, eu disse agora”

O homem alto disse seco e saiu.

Fiquei encarando aqueles olhos ate que ele quebrou o silencio.

“preciso ir”

Eu não disse nada e ele saiu porta a fora.

Senti-me sozinha. Todos esses anos eu tenho evitado ficar sozinha. Eu costumo pensar muito quando estou só. Minha mãe sempre me ajudava. Pensei e só depois me dei conta de que agora eu estava sozinha. Meu pai se divorciou da minha mãe há alguns anos, e fugiu para morar com outra mulher. Nós éramos muito próximos. Ele era das forcas armadas e estava sempre me ensinado defesa pessoal. Depois que ele foi embora, nunca mais soube dele e nem treinei.

Sacudi a cabeça pra tirar esses pensamentos da cabeça e me concentrei no que minha mãe tinha dito antes de morrer. Morrer. Senti um aperto no coração só de pensar na palavra e as lagrimas rolaram pelo meu rosto sem permissão, as limpei imediatamente. Eu tinha que ser forte, ela ia querer isso.

Tentei novamente me concentrar, mas foi em vão. Meus pensamentos iam sempre para minha mãe. Finalmente resolvi beber a água para me acalmar, e realmente fiquei mais calma.

Mexi-me na cadeira e senti algo no meu bolso, tirei e vi que era meu MP3 player. Coloquei os fones e adormeci com a música.

‘A maleta...

A voz dela ecoava em minha mente com uma voz de fundo, eu não conseguia entender. O que tinha essa maleta?

Então me vi no escritório e comecei a procurar, mas foi em vão. Não tinha nada. ’

Acordei com um barulho de cadeira arrastada. E vi ele.

“desculpe, eu não queria te acordar” ele deu um sorriso.

“tudo bem”

Eu disse me ajeitando sobre a cadeira. E só então me lembrei que estava com meu MP3 player e olhei de relance para ele. Ele seguiu meu olhar e disse:
“tudo bem, eu não conto nada pra eles” ele disse sorrindo.

Eu sorri.

“você bebeu a água”

Ele tinha percebido.

“é”

“você não é de falar muito, não é?”

“não quando sou mantida reféns”

Ele fez uma careta.

“já disse que não vou te machucar”

Ele respirou fundo e tornou a falar.

“qual o seu nome?” hesitei em responder.

“Anne”

“gosto de Anne”

Senti minhas bochechas queimarem.

“e o seu?”

Arrependi-me da pergunta logo quando seu sorriso se desfez.

“desculpe, não precisa responder”

“não, é que eu não sei se posso confiar em você. Pelo o que eu sei você pode ser uma policial”

Ele tentou fazer graça, mas eu sabia que ele falava serio.

“vou dar um nome pra você”

Eu disse sem pensar.

“ah e? e você já pensou em algum?”

Ele disse com o sorriso mais lindo no rosto, e eu disse a primeira coisa que me veio na cabeça.

“sorriso? Por quê?”

“é que... gosto do seu sorriso”

Senti minhas bochechas pegarem fogo.

“sorriso é uma boa. Gostei”

Eu sorri.

“então, você faz faculdade?” ele perguntou.

“não”

“mas devia, não? Quantos anos você tem?”

“16” respondi.

“então, e por que não estuda?” ele perguntou parecendo bastante interessado.

“é que eu estou sempre me mudando”

“ah”

“e você?” perguntei.

“eu o que?”

“quantos anos você tem?”

“18” ele respondeu.

Fez-se um silencio mortal na pequena sala. E mais uma vez, foi ele quem quebrou o silencio.

“esta com fome?”

Eu disse não, mas logo me arrependi quando minha barriga roncou.

Ele sorriu como se soubesse que eu estava mentindo e pegou um sanduíche natural de dentro de uma bolsa e me entregou.

Dei uma mordida e estava muito bom.

“gostou?”

“aham” respondi.

“minha mãe que fez”

“jura? A minha mãe tamb...”

Eu parei assim que percebi o que eu ia dizer. Minha mãe também fazia. Engoli o choro e corrigi a frase.

“a minha mãe também fazia”

Ele percebeu, e por um momento eu podia jurar que vi alguma brilhar em seus olhos, mas quando olhei de novo já não tinha mais nada.

Continuei comendo.

“por quanto tempo pretendem me manter aqui?”

“só ate amanha”

Balancei a cabeça e continuei comendo e quando acabei ele perguntou:
“quer ir ao banheiro?”

“sim”

Ele levantou e disse pra eu segui-lo em silencio.

Nós passamos por um corredor e só então percebi que nós estávamos dentro do cofre.

“aqui” ele apontou para a porta escrita ‘feminino’.

Eu entrei e usei o banheiro. Olhei-me no espelho e lavei meu rosto e então sai.

Ele me esperava do lado de fora encostado na parede. Assim que sai ele me olhou e sorriu. Nós voltamos para o cofre, mas ele não entrou comigo.

“durma”

Eu não entendi o porquê, mas sacudi a cabeça.

“sim”

Entrei e vi um sofá. Com certeza algum dos outros la fora o havia colocado La enquanto eu estava no banheiro. Deitei-me, mas não consegui dormir.

Fiquei pensando o que eu faria depois que fosse embora dali e se eu veria sorriso de novo. Sorri com esse pensamento. Eu queria vê-lo novamente.

Peguei mês fones de dentro do bolso e coloquei uma musica calma, mas ainda não consegui dormir.

Eu estava sozinha de novo e logo me lembrei da minha mãe e então me entreguei as lagrimas. Deixei que elas rolassem pelo o meu rosto.

Logo em seguida vieram os soluços, tentei abafá-los colocando meu rosto contra o sofá, mas não melhorou muito. Chorei por uns minutos ate sentir uma mao em meu ombro, e isso só me fez chorar mais. Só me fez perceber que tudo era real. Que minha mãe tinha mesmo morrido.

Ele me abraçou e eu enterrei meu rosto em seu ombro.

Ele não disse nada.

Fui parando de chorar aos poucos e eu me senti bem por tirar toda aquela tristeza de dentro de mim.

“acabou?” ele perguntou passando a mao no alto da minha cabeça.

“acho que sim”

Minha voz saiu mais manhosa do que eu queria. E ele riu baixo, e eu sorri com isso. Só o sorriso pra me fazer sorrir mesmo.

Fiquei mais algum tempo nos braços dele, eu precisava daquilo. Eu precisava me sentir segura.

Notas finais
Comentem por favor, preciso saber se gostaram...