No capitulo anterior...

– Espero que não exista a possibilidade dessas pessoas aparecerem no santuário. — disse Shion.

– Mestre.... — Rodrigo o fitou, não poderia esconder a verdade de todos. O olhar cruzou com os das meninas, mais Fernando, para voltar em seguida para o ariano — essa possibilidade não está totalmente errada...

– O que quer dizer Rodrigo? — indagou Atena.

– O que não está errado? — Shion até levantou. — vocês conhecem esse grupo?

– De certa forma sim Shion... — disse Paula.

Ester respirou fundo, tocando no braço de Mu.

Eu sou a Estely.

– O que??? — arregalou os olhos.

– E eu a Helly. — a voz de Mabel saiu baixa.

Aldebaran a fitou pasmo.

– Drika.

Saga a fitou imediatamente.

– Elly. — Suellen a mão.

– Como que é??? — Kanon virou-se para ela imediatamente. — Então você fica escrevendo coisas sobre o Poseidon??

– Fico...

– Eu sou a The-chan. — disse Helu na tentativa de salvar a amiga, mas...

Mask arqueou a sobrancelha.

– Eu sou a FenrirForever...

Aioria que tomava algo, cuspiu o liquido ao escutar.

– Você o que???

– É o meu apelido...

– Como pode gostar daquele pirralho??? — indagou revoltado. — pensei que gostava de mim!!!

– Eu gosto Aioria, mas o Fenrir...

– Fil @$%#! Ele tem sorte por estar morto!

Shaka olhou para Juliana.

– Qual o seu nome? — torcia para que ela não fosse escritora de yaoi.

– É Kari. — abaixou o rosto.

O indiano deu um suspiro aliviado.

– Sou a Ju Santorini.

Dohko a fitou.

– Sério???

– Sim.

– E você Marcela? — indagou Miro.

– Celly.

– Hum... gostei das nossas cenas.

– Sou a Meg... — disse Sheila.

– O QUE?!!! — exclamaram todos os cavaleiros.

– Você é a escritora que pegou todos os dourados? — Dite a fitou.

– De certa forma... — sorriu sem graça.

Aiolos estava com uma sobrancelha arqueada. Aquilo explicava muitas coisas.

– Red.

– Você? — Shura ficou assustado.

– Eu vi uma história minha e sua... — Mask deu um sorrisinho. — então gosta de mim também...

– É que...

– Eu sou a Charlie. — disse Paula.

Shion a olhou descrente, como poderia ser ela? Justamente ela?

– Sou a Aurora. — Isa veio em socorro da amiga.

– O QUE?????????

Os dourados ficaram pasmos! Kamus a fitou incrédulo.

– Você que escreve história minha com o Kanon? Pô Isa, assim estraga a amizade! — disse Miro. — eu queria matar a Aurora!

– Imaginei...

– Você escreve aquilo mesmo? — Kamus não acreditava.

– Sim...

– Ainda bem que estou livre dessa... — murmurou Aioria. — não achei nenhum yaoi meu.

– Bom... — Sheila tomou a palavra. — eu escrevi um seu com o Shura.

– COMO??? — berrou. — Ficou louca???

Shura balançou a cabeça negativamente...

– Foi mais forte do que eu...

– Escreveu yaoi do seu cunhado???

Atena fitou o baiano, se as meninas eram do tal grupo então Rodrigo...

– Qual o seu apelido?

– É R.o.d, Atena. Eu sou o R.o.d

– Então você... — Marin fitou o mineiro. — Silver?

– Sou eu... desculpe pela fic, apesar dela não ser minha... — disse sem graça. — eu pedi para Red, quer dizer a Julia fazer para mim.

– Espera aí... — Shaka fitou Jules. — naquele dia que me perguntou se eu era a reencarnação de Buda e disse que alguém tinha feito uma história que eu era Vishnu. É uma fanfic?

– Sim. A Drika que escreveu.

– É... fui eu... — a mineira disse sem graça. — foi mal...

Shion sentou lentamente na cadeira. Não sabia se ficava bravo ou aliviado. Se as meninas eram as escritoras o estrago seria menor... mas elas eram as escritoras!

Seguiu alguns minutos em silêncio, com os dourados surpresos com a novidade.

– Confesso que não imaginaria que fossem vocês... — disse Atena, ainda impressionada.

Sei que deveríamos ter contando Atena,– Ester a fitou. — mas não queríamos trazer mais problemas.

– Tudo bem Ester.

O restante do almoço foi em silêncio. O grupo ficou sem graça por algumas fanfics e imaginavam como eles estavam se sentido. Se uma biografia já dava o que falar imagine uma história alternativa...

Ao final do almoço o primeiro a pedir licença foi Giovanni. Helu o olhou de rabo de olho. Ele não estava saindo por causa da fics e pela enorme vontade de tossir. A brasileira tinha notado isso.

– Com licença Atena. — Aioria levantou. — já estou indo. Vamos Gabrielle. — a voz saiu seca.

A paulista suspirou... até explicar tudo...

– Nós também já vamos não é Suellen? — Kanon a fitou friamente.

– Claro. Obrigada Atena. — forçou um sorriso.

Os quatro saíram.

– Eu preciso ir. — Atena olhou para o relógio. — tenho uma reunião agora. — com licença.

Rodrigo só esperou ela passar pela porta para ir atrás.

– Vou até o toalete. — Helu aproveitou a deixa.

Logo após a saída de Heluane, os casais foram levantando...

O.o.O.o.O

O leonino saia pisando duro em direção a entrada do templo.

– Aioria...

– O Fenrir Gabe? — a fitou com raiva.

– Eu não tenho culpa de gostar dele também... é só um desenho...

– Então também sou apenas um desenho!

Virou as costas, continuando a andar.

– Vai ficar com raiva de mim por causa dele?

– E se ele estivesse vivo?! — parou. — ficaria com ele!

Saiu batendo a porta do templo.

– Dai-me paciência....

Gabrielle foi atrás. No meio do caminho segurou o braço do leonino.

– Admito que o Fenrir é um dos meus personagens favoritos, mas eu gosto é de você!! Mesmo que ele aparecesse na minha frente, eu ficaria com você! Estou sendo sincera.

Aioria respirou fundo.

– Ainda bem que ele está morto... — murmurou.

– Se isso o deixa feliz, quando eu voltar eu troco o meu nick. Coloco AioriaForever. Não tem problema.

O grego sentiu um nó garganta. Gabrielle voltaria para o Brasil e Fenrir faria parte da vida dela novamente. Ficaria com raiva dela, com o risco da barreira abrir a qualquer momento? De jeito nenhum. Ele a abraçou, deixando-a surpresa.

– Não se preocupe com isso. Me desculpe... — a fitou.

Gabe o fitou desconfiada, a fera acalmou de repente?

– Sério?

– Sim. Não quero brigar com você por coisa pequena. Queria matar a Sheila, mas a minha raiva já passou. Tem um quarteto em pior situação. — riu. — Vamos jogar? — sorriu de forma marota.

A brasileira arqueou a sobrancelha. Ele estava prestes a explodir de ciúmes e de repente tudo bem?

– Tem certeza que não está mais com raiva? — será que tinha algo na comida?

– Tenho. É sério. Vamos?

– Sim...

Seguiu ainda desconfiada.

O.o.O.o.O

Suellen seguia em silêncio atrás de Kanon. O geminiano tomou rumo da fonte de Atena.

– Não vai falar comigo?

– O que viu em Poseidon?

– Ele é bonito.

Kanon a fitou atravessado.

– Confesso, eu gosto do Poseidon, mas não da maneira que está pensando. Eu amo você Kanon.

– Sei....Se não bastasse ele, ainda faço par com o Miro... Ridículo! A Isabel tem um pino solto! Eu deveria processa-la! Danos morais!

Suellen ouvia a reclamação entediada.

– Deveria processar você também!

– Por que???

– Propaganda enganosa! Fala que gosta de mim, mas se Poseidon fosse mais determinado tinha ficado com ele.

– Sem dramas. — apelou. — Fiz fic dele como faria de qualquer um. Vou trocar de roupa pois estou com calor e quero que me leve até o lago, agora. — as vezes com Kanon tinha que falar grosso.

– Tudo bem... — o cavaleiro franziu o cenho.

O.o.O.o.O

Atena dirigiu-se para seu escritório. O baiano foi atrás.

– Saori.

– Estou ocupada. — parou na porta.

– Ficou com raiva por causa das fics?

– Não ficaria se fizesse aquele tipo de história sobre você?

– Ficaria... elas não fizemos por mal. Nós pensávamos que Saint Seiya fosse apenas fantasia...

Ela ficou em silencio.... pensando...

– Espera aí! — arregalou os olhos. — queria ficar com a Shivani??? Uma personagem??

Rodrigo engoliu a seco.

– Ér... só uma personagem Saori...

Tudo que viu foi a porta batendo na cara.

– Saori... — bateu na porta. — a Shivani é só uma personagem. Eu sempre gostei de você.

– Mentira! — gritou lá de dentro.

Soltou um suspiro. Atena demoraria a perdoa-lo.

O.o.O.o.O

Mask depois que saiu tinha ido para o jardim das rosas, ali ninguém o escutaria tossir.

Heluane o procurou pelo templo todo. Obteve com uma serva, informações do rumo do canceriano. Encontrou-o sentado num banco, com o rosto baixo. Antes de aproximar, teve o cuidado de tirar o anel, pondo-o no bolso.

– Eu não falei para procurar um médico. — aproximou.

– Não foi nada. — levantou na hora assustado.

– Claro que é. Vem comigo, agora. — pegou na mão dele, arrastando-o.

– Me solta. — puxou a mão.

– Não estou usando o anel. Alias como ele veio parar no meu dedo?

– Não sei do que está falando.... — virou o rosto.

– Italiano teimoso. Venha agora.

Pegou no braço dele arrastando-o. Giovanni deixou-se levar.

O.o.O.o.O

Dite recolheu seu computador e sumiu das vistas de todos. Do jeito que o clima estava era bem capaz de sobrar para ele.

O.o.O.o.O

Mu e Ester, Deba e Mabel tomaram o rumo de suas casas.

– Se vocês não contassem não imaginaria quem seriam. — disse o ariano.

– Algumas histórias são legais, mas aquelas yaois... — Deba fechou a cara. — péssimo gosto.

– Não vou negar que gosto... — Bel fitou o esposo.

– Gos-ta??

– Sim... é por isso que fiquei calada...

– Tudo bem Bel. De toda essa história, fico feliz em saber que mesmo no virtual sou seu favorito.

– Sempre Deba.

Eu vi a aliança que fez para eles Mu. A Estely vai ganhar uma igual?– Ester o fitou divertida.

– Ela quer? — o cavaleiro sorriu.

Se possível...

– O que acha Deba, — fitou o amigo. — a Estely merece um anel?

– Tão quanto a Helly mereceu. Elas são travessas, mas merecem.

– Diga a ela que pensarei no assunto. — Mu abraçou Ester. — pois ela tem uma concorrente fortíssima.

Pode deixar que direi.

Os quatro riram.

O.o.O.o.O

Shion deixou o recinto, indo para seu quarto. Paula foi atrás para apaziguar a fera.

– São só histórias Shion...

– De muito mal gosto por sinal. — parou num degrau.

– Como adivinharíamos que vocês existiam? Se eu soubesse disso antes, já tinha vindo para cá.

– E a tal história com o Saga?

– Como você mesmo disse é apenas uma história. As que você é meu par não contam? — fez charme. — nem um pouquinho?

O grande mestre a fitou.

– Sempre gostou de mim mesmo? — a olhou desconfiado.

– Sim. E se achar não merecedor... — subiu dois degraus para ficar perto dele. Carinhosamente ajeitava a gola da camisa polo. — posso escrever algo sobre nós dois. Bem picante.

– Ana Paula...

– Falo sério. Um hentai. — sorriu. — tenho até um titulo: O pianista e a dançarina. Acho que em cima do piano seria interessante...

– Não desvie o assunto. — até corou ao imaginar a cena. — essas fics são perigosas.

– Vamos discutir sobre isso lá em cima. Na piscina? O cenário pode ser debaixo d'agua.

– Pare de tirar a minha atenção. O assunto é sério.

– Não estou tirando.... — passou o braço pelo peito dele. — vamos discutir sobre as fics na piscina.

Shion bufou, Paula conseguia manipula-lo direitinho.

O.o.O.o.O

Miro estava de bom humor ao sair do templo em direção a sua casa, na companhia de Marcela.

– Não está com raiva por causa dos yaois que a Isa fez? — estranhou. — você era o passivo de todos os casais... Ao invés de dar a dedada, você que levava. — a paulista não aguentou, começando a rir.

O grego a fitou atravessado.

– Brincadeira!

– De muito mal gosto, mas saber que ela é a Aurora amenizou a minha raiva. Cunhados.... E saber que você é a Chelly me deixou ligado. — deu um sorriso perve.

– Só pensa em besteira.

– De onde tirou esse apelido?

– Do meu nome. Acha que o Kamus está zangado?

– Muito. Mas Isa tem talento de fazer o que quiser com ele.

– Como?

– Não dou cinco minutos para os dois se acertarem.

O.o.O.o.O

Kamus seguiu para a biblioteca. Isa deu uns cinco minutos para ir atrás.

O cavaleiro sentou no sofá fingindo ler um livro. Estava de bico. Isabel parou na porta, tentando não sorrir com o bico que ele fazia. Kamus não tinha ideia de como ficava sexy com a cara amarrada.

– Desculpe por ter feito aquelas fics... mas eu não sabia que vocês existiam.

– De onde tirou a ideia de Saga e eu sermos um casal? — a fitou. -eu???

– Imaginação de escritora. — sentou do lado dele. — está com raiva?

– Estou. — o bico aumentou.

– Para de fazer bico!

– Eu não estou fazendo!

– Está sim! Toda vez que fica com raiva faz esse bico. E sabe que penso besteira toda vez que vejo.

O francês ficou em silêncio.

– Por que Aurora?

– Por causa do seu golpe. É uma homenagem a você.

– Você escreve bem. — não a fitou. — apesar do péssimo conteúdo das histórias.

– Leu mesmo?

– Sim. — a fitou.

Isa sorriu. O cavaleiro a encarava seriamente. Queria muito poder ler a pesquisa dela depois de pronta, pena que não poderia.

– O que foi? — a expressão dele estava séria.

– Nada. — levantou. — vamos para casa.

– Não está com raiva? — piscou surpresa pela súbita mudança na expressão dele.

– Passou. Vem. — esticou a mão para ela.

O.o.O.o.O

Shaka saiu de forma silenciosa e Juliana atrás pensava que um manual seria útil naquela ocasião.

– Você já escreveu história minha com outro homem? — a fitou.

– Não.

– Certeza?

– Sim. Eu não curto muito esse tipo de fic.

– Por que eu?

– Como assim?

– Por que sempre me escolhia? Por que não outro cavaleiro?

– O fato de gostar de você não é um bom motivo? — sorriu.

– É um ótimo motivo. — pegou na mão dela. — senhorita Kari. — deu um beijo no dorso.

– Não está com raiva?

– Ainda estou por causa das yaoi, mas não de você.

– Ah... — temperamental do jeito que ele era, ficaria com raiva por dias.

O.o.O.o.O

Julia sabia que teria que se explicar muito. Shura descia rumo a Capricórnio com a expressão fechada. E ele estava com raiva mesmo. Por que ela tinha que gostar do italiano?

– Não sei o que vê naquele idiota!

– O Giovanni é uma boa pessoa...

– No anime isso não é mostrado... — disse com ironia.

– A gente não escolhe de quem se gosta. Simpatizei com ele e pronto.

– E aquela sua personagem que contracena com ele na fic dos dragões?

– Bom... ah Shura eu gosto do Gio, você tem aceitar isso. Mas o meu gostar é diferente de você! Se fosse assim não teria ficado com você.

– Mas na fic dos demônios, queria ficar com os dois! Eu li os tais reviews que você deixou.

Julia ficou calada, o que mais ele tinha lido?

– Bom... ah Shura! São só histórias! O importante é que estou com você!

– Mas se pudesse ficaria com o Giovanni também!

A paulista bufou. Latinos são tão dramáticos...

– Não ficaria está bem? — indagou impaciente.

Shura a fitou.

– Gosta só de mim mesmo?

Ela riu, os cavaleiros eram muito inseguros!

– Gosto. O que sinto pelo Gio é apenas amizade. Com você é muito diferente. Queria ter uma família com você. — calou-se, tinha dito demais.

Esdras ficou surpreso.

– Sério mesmo?

– Érr... sim... — ficou sem graça. Mal tinha conseguido avançar um passo e já estava falando em casamento... o que o espanhol pensaria?

– Quem sabe... — aproximou abraçando-a. — você, eu e uma chica.

Foi a vez de Julia fita-lo com surpresa.

– Sonhar não custa. — sorriu.

O.o.O.o.O

Dohko e Jules rumo a Libra, conversavam sobre as fics.

– Esse tanto de sites? — ficou impressionado.

– Sim Hian. Já disse são uma febre no Brasil.

– Virei uma celebridade.

– De certa forma sim. — riu. — o que Dite mostrou é apenas dez por cento de tudo.

– A nossa história ganhou grande proporções.

– Só não gostei da parte que faço par com o Shion. Eu sou espada!

– Eu sei que esse tigre, — passou os braços pelo pescoço dele. — não é tigresa. E a sortuda aqui, tem o prazer de andar de mãos dadas com o mestre ancião.

– Apenas essa sortuda. — deu-lhe um abraço. — tem o amor do cavaleiro de Libra.

O.o.O.o.O

Saga caminhava em direção ao salão principal do templo. Sentou nos degraus do trono. Cris sentou ao seu lado.

– Por que me retratava daquela forma?

– Porque sempre achei que tinha um problema e não que era mal por natureza. Hoje vejo que estava certa.

– Não sou como as fics. Não tenho essa força que acha que eu tenho.

– Tem sim, só não se dá conta. Quando começar o tratamento vai ver como vai reagir bem a ele.

– Queria ter essa certeza que você tem. Desculpe pela raiva gratuita contra a "Drika."

– Tudo bem. Quer dar uma volta?

– Vamos.

O.o.O.o.O

Marin estava com a cara fechada. Fernando sabia que nada que dissesse livraria sua barra.

– Sei que as fics yaoi te deixaram chateada... — tentou entrar no assunto.

– Não estou brava por conta delas.

– Não? — estanhou.

– Estou brava por querer ficar comigo e com a Grow. Um relacionamento a três!

– Confesso que fui que pedi para a Julia fazer uma fic assim. Mas eu não sabia que voce existia! Se soubesse tinha sido diferente.

– Sei...

– Quando falo que gosto de você é sério Marin. Pode olhar nas outras fics...

– A Yuzu... — disse com deboche. — está sempre presente.

– Mas é você que eu amo!

– Posso acreditar nisso? — o fitou atravessada.

– Pode. Só amo você.

O.o.O.o.O

Aiolos olhava fixamente para a parede a frente. Sheila do seu lado estava num profundo silêncio. A insegurança do sagitariano voltaria depois disso. Logo agora que tinha conseguido algo.

– Aiolos...

– Meg... — murmurou sem olha-la. — eu tinha pensado nesse apelido para você.

– Eu lembro. Eu posso explicar.

– Não precisa.

– Não??? — o fitou ressabiada. Aiolos colocaria um fim na história dos dois.

– Não. — a fitou.

– Mas Aiolos.... eu...

– Agora entendo o por quê de querer ficar com o Afrodite ou com o Sorento.

– Entende...? — viria bomba.

– Por que sentia mais segurança neles do que em mim.

– Ãhn...? — não era nada disso, a verdade é queria "experimentar" todos os personagens, mas fingiria que era. — é isso mesmo! Era sua insegurança. — Aiolos era tão ingênuo a esse ponto? — hoje vejo as coisas de forma diferente. Não está chateado por causa das fics?

– Não.

– Certeza? — o fitou desconfiada.

– Sim. São só histórias e o que importa é que está aqui comigo não é?

– É... — tinha sido fácil demais.

– Vamos para Sagitário? Antes que Shion venha atrás de mim com algum plano de acabar com as fics.

– Ele quer fazer isso?

– Quer. — levantou. — está inconformado por Atena não fazer nada.

– Sério?

Sheila levantou num rompante e sem querer puxou o forro da mesa, alguns copos e pratos foram ao chão.

– Era a louça favorita de Atena. — Aiolos coçou a cabeça vendo o estrago.

– Era??? Ai meu Deus! — ficou vermelha.

– É melhor limpar, depois me desculpo com ela. — agachou para apanhar os cacos.

– Não, eu tenho que pedir. A culpa foi minha. — agachou.

– Não somos um casal? Divido a metade da culpa com você. — sorriu, com a cara de anjo que só ele conseguia fazer.

Sheila sorriu. A insegurança dele era compensada por esses momentos.

O.o.O.o.O

Heluane viu despontar o prédio da enfermaria. O cavaleiro deixava ser guiado pela brasileira. Vez ou outra olhava as mãos unidas. Helu o conduziu até o quarto, onde um dia antes, era ocupado por Saga.

– Sente-se.

– Eu estou bem só foi uma tosse.

– Está tossindo desde o dia do incêndio, isso não é normal Giovanni. — abriu o armário.

– Mas estou bem.

– Senta logo!

Não tendo alternativa, sentou.

– Tem sorte que Atena tem essa enfermaria bem equipada. Deite na cama.

– Como??

– Deita logo Mask. — Helu trazia consigo um aparelho para a oxigenoterapia*.

– O que vai fazer?

– Lembra que ontem falei da fumaça? Isso vai ajudar seus pulmões. Se não melhorar vamos precisar chamar um médico. — ligou o aparelho. — ficará assim por algumas horas.

– Horas? — indagou incrédulo.

– Sim. — fitou seriamente. — isso é sério Giovanni, seu quadro pode agravar.

– Por que está fazendo isso por mim?

– Sou enfermeira, preciso fazer o que é o certo.

A brasileira colocou a máscara nele, ligando o oxigênio. Algumas horas no aparelho melhoraria a situação do canceriano. Rumou para um sofá próximo.

– Vai ficar aqui?

– Certificar que não vai fugir. Se quiser pode até dormir.

– Mas...

– Faça silêncio.

Calou-se.

Algumas horas tinham passado desde então. No templo Atena tinha convocado Dohko, Shion, Aiolos, Shaka, Kamus e Mu para uma reunião. Os demais cavaleiros estavam em suas casas ou espalhados pelo santuário. Fernando estava em Rodorio com Marin.

Na enfermaria...

Mask tinha feito silêncio, a pedido de Helu, mas depois de horas a falta de som o incomodava. Olhou para o lado, ficando surpreso por vê-la dormir. Lembrou-se do dia anterior, mais precisamente do beijo.

Nunca tinha sentido aquilo durante um beijo. Ficou preocupado, pois um sentimento diferente estava em seu coração.

– "Só estou confuso, é isso." — fingiu uma tosse para ver se ela acordava. Funcionou.

– Ficou por duas horas. — olhou para o relógio, caminhando até ele. — como se sente?

– Melhor. Posso tirar isso?

– Pode. Eu te ajudo.

Helu aproximou um pouco mais, ficando receosa, com o olhar fixo dele nela.

– Não vou falar nada com a Atena, mas quero que leve esse aparelho para sua casa. Use-o durante a noite.

– Para que?

– Terminar seu tratamento. Deixa de ser teimoso! Aspirou fumaça.

– Sou um cavaleiro de ouro.

– Que tem um corpo mortal. — o fitou.

– Você venceu. — sentou na cama.

– Estou falando sério quando digo isso Giovanni. Seu estado pode agravar.

Ele não disse, apenas olhava-a.

– Por que me escolheu para ser vilão da sua fic?

– Por que é mal, um grosso, sem educação, arrogante e outros adjetivos.

Mask franziu o cenho.

– Então por que em outras eu sou seu par?

– Por que não se importa com a opinião alheia, é forte e sarcástico.

Arqueou as sobrancelhas.

– Se diz... — ficou ressabiado, mas a atenção foi alterada ao se lembrar de que não sentia dores. — Por que não está com o anel?

– Não tem necessidade, ou tem?

– Não... — desviou o olhar. — posso ir embora?

– Sim. Se tiver dificuldade com o aparelho me chame.

– Está bem... obrigado pelo o que está fazendo por mim...

– Tudo bem.

Mask pegou o aparelho saindo, Helu foi atrás. Como seguiriam para locais diferentes o caminho seria em separado.

– Mais uma vez obrigado.

– De nada.

Começaram a andar, contudo pararam.

– Heluane. — a chamou.

– Sim?

Ficou em silêncio. Queria saber se ela lembrava da noite anterior, mas tinha medo de perguntar.

– Não é nada... — ele abaixou o rosto.

– Ah... — murmurou. — vou indo então...

Deram as costas, mas pararam novamente.

– Giovanni.

– Sim?

Ela pensava sobre o mesmo assunto. Mask não estava bêbado, portanto ele se lembrava de tudo que aconteceu. O beijo fora intencional?

– Diga. — estava ansioso pelo o que poderia ser.

– Use o aparelho. — não tinha coragem de perguntar.

– Ah... — a voz saiu desapontada. — usarei. Bom... até mais.

– Até...

Tomaram rumos distintos.

O.o.O.o.O

Marin em seu escritório no alojamento, cuidava dos assuntos administrativos do santuário. Fernando estava sentado num sofá em silêncio. Pela expressão da amazona a raiva não tinha passado, mesmo com a declaração de amor.

– Marin...

– Depois. — disse seca, sem tirar o olhar dos papéis.

O mineiro soltou um suspiro.

Seguiu alguns minutos de silêncio, quando ouviram batidas a porta.

– Entre! — gritou a japonesa.

– Atrapalho? — Dite abriu um pouco a porta.

– Não. Entra.

O pisciano franziu o cenho, indo para perto de Fernando.

– O que ela tem? — sussurrou.

– A fic. Ela ficou com raiva. — usou o mesmo tom de voz. — culpa sua.

– Minha não, da Julia.

– Precisa de alguma coisa Afrodite? — indagou fitando-o.

Os dois engoliram seco. O sueco sabia o quanto Marin era brava.

– Sim. Agora que é oficial que será a nova amazona de Peixes, precisa intensificar o treinamento.

– Vou aumentar a minha sessão de treinos.

– Não é apenas isso Marin. — puxou uma cadeira. — os cavaleiros de Peixes usam o poder das rosas como força de combate. E elas são venenosas. O treinamento a partir de agora é para que seu corpo acostume com o veneno, senão não poderá lutar.

Marin parou o que estava fazendo.

– Acho que não vou conseguir. Precisa de anos para acostumar com a essência delas.

– Não vou mentir com relação a isso. Seu treinamento deverá ser mais intenso e seu corpo pode não aguentar.

– Ela pode morrer? — indagou Fernando entrando na conversa.

– Pode. — Dite o fitou. — faz parte em ser um defensor de Atena. Qualquer um de nós está sujeito a morte. — voltou a atenção para ela. — a partir de amanhã vamos começar. Primeiro ficará um minuto com o perfume. Vamos ver como seu corpo vai reagir. E a cada semana vamos aumentar o tempo.

– Entendi. Prometo não decepciona-lo.

– Eu sei que não querida.

O mineiro ficou preocupado pelo que poderia acontecer.

O.o.O.o.O

Cristiane descia em direção a Gêmeos. Ela tinha ficado para trocar de roupa, enquanto geminiano avisou que tomaria seu remédio, pois estava no horário. Parou na saída da terceira casa. Tinha fé que tudo seria diferente.

Quando entrou, não notou nada de diferente, até que as paredes começaram a se mexer.

– O que está acontecendo...?

Já tinha andado por muito tempo, mas nada de encontrar a porta que dava para o interior do templo.

– O labirinto.... — murmurou ao se lembrar que Kanon havia dito que quando o labirinto estava ativo, dificilmente conseguiria sair. — estou presa....

Soltou um suspiro desanimado contudo alegrou-se quando viu a porta que dava acesso a parte intima.

– Ainda bem....

Rapidamente caminhou abrindo a porta lentamente.

– Saga...?

Ficou temerosa por ver a sala toda revirada. Objetos no chão quebrados, quadros fora do lugar. Foi até a segunda sala e o estado era o mesmo e não era apenas lá, a cozinha, a sala de jantar, o quarto de Saga, estava tudo revirado.

– Saga?

Foi até o quarto de Kanon. A porta estava entre aberta. Ela a abriu lentamente, notando que aquele cômodo também estava revirado. A passos lentos caminhou ate o banheiro, ficando temerosa ao ver Saga sentado no chão, com as costas apoiadas no azulejo e rosto baixo. O cabelo encobria boa parte dele.

– Saga?

Aproximou ficando de joelhos de a frente ele.

– Saga.

O cavaleiro ergueu o rosto, o olhar estava diferente assim como o sorriso sarcástico na boca.

– Ora se não é a brasileirinha...

–--- Flashback------

Em itálico e entre “” Ares em pensamento ( obs: se quiser ter música de fundo, o tema do Ares é Depeche Mode — It's no good.)

Voltava com um sorriso nos lábios, nunca tinha se sentido tão bem. Tudo estava conspirando ao seu favor. O santuário estava em paz, Aiolos seria o grande mestre, Kanon tinha encontrado alguém e ele tinha o amor da brasileira. Enquanto atravessava o pátio que conduzia aos fundos de sua casa ficou pensando se merecia tanto. Logo ele, carregado de pecados, desfrutar de uma vida de alegria?

– “Realmente se acha merecedor? Depois de tudo que fez?” – a voz de Ares soou na sua mente. – você não vai mais atrapalhar a minha vida! “ Não vou?” Vou voltar para o meu tratamento. “Acha que é mais forte do que eu Saga? Leve engano. Eu assumirei o meu lugar por direito! Matarei a todos inclusive Cristiane.” Não vou permitir. “Não se trata de permissão.”

Saga sentiu uma dor fortíssima na cabeça e teve que escorar numa pilastra para não ir ao chão. A dor abrandou e arrastando-se foi para a área intima da casa, tendo o cuidado de criar o labirinto para que ninguém o visse daquele jeito. Ao pisar na sala, a dor voltou ainda mais forte. O coração começou a bater de forma descompensada, o suor escorria pela face.

“Não tente resistir Saga é inútil!” Não!!!

Bateu com força nos objetos de decoração em cima das mesinhas, não se contentado jogou abaixo os objetos do rack. Foi de joelhos ao chão, levando as mãos a cabeça, ela parecia que ia explodir.

– “É inútil Saga.” Não vai me dominar... “veremos”.

O geminiano soltou um urro de dor, a cabeça parecia que ia explodir.

“Vamos Saga! Se entregue!” NÃO!!!

Saga completamente descontrolado começou a quebrar tudo que estava na frente. Não se contentou apenas com a sala, colocando tudo abaixo, na sala de jantar, cozinha e em seu quarto. Seguiu para o de Kanon.

– “Não vai conseguir resistir por muito tempo Saga e quando isso acontecer eu vou mata-la.” Não se aproxime dela! – vociferou. – eu acabo com você! “Acaba?” – Ares riu.

Novamente a dor, e levou o cavaleiro ao chão.

– Cris... Cris... “isso chame-a, vai ser mais fácil mata-la.”

Saga fechou os olhos, via-se no pátio da estátua, tendo a brasileira ao lado. Ela o fitou sorrindo, contudo o sorriso foi morrendo dando o lugar a uma expressão de dor. Quando Saga deu por si, viu que trazia nas mãos a adaga dourada, manchada de sangue. Voltou a atenção para a brasileira, o vestido que ela usou na noite anterior estava com uma enorme mancha vermelha na altura do peito. O cavaleiro ainda tentou fazer alguma coisa, mas ela estava morta.

– NÃO!!!!!! NÃO!!!! — gritou desesperado. – “Sim Saga. É o que vai fazer a ela, você vai mata-la.” NÃO!

Levantou as pressas, indo até o banheiro, deu um soco no boxe quebrando-o. Sentou no chão. Os cabelos encobriam seu rosto...

–--- fim do flashback------

– Saga...? — teve um mau pressentimento.

– Como vai?

Ele ergueu o corpo em direção a ela, fazendo com que ela caísse sentada no chão. Ao colocar a mão para apoiar, acabou se cortando com os cacos de vidros do boxe.

– Saga o que você tem?

– Hum... Saga.... — sorriu. — ele foi dar uma volta e vai demorar a voltar.

Cristiane entendeu na hora, arregalando os olhos.

– Pensou que eu ficava de cabelo cinza e olhos vermelhos como o japa descreveu? Seria interessante, mas não mudo fisicamente.

Ela não sabia o que dizer, nem o que fazer.

– Mas uma coisa legal ele criou: o nome. Gostei de Ares. Deus da guerra, nome forte. Um nome para o governador da Terra, se Saga não tivesse feito aquela besteira.... — deu um sorriso entediado. — pode me chamar de Ares se quiser.

A garota continuou em silencio.

– Estou vendo que você fala pouco. — segurou o rosto dela. — sabe que Saga não tem dormido muito bem ultimamente e que você é a culpada? Alias ele nunca dormiu bem, mas agora... — apertou um pouco mais forte.

– Me solta... — murmurou.

Ele sorriu, mas não a soltou. Desviou o olhar para o corpo dela.

– Eu achava que as brasileiras tinham um quadril maior e peitos também, mas Saga deve ter visto algo a mais em você, ele tem cada sonho... — gargalhou.

– O que quer comigo?

– Por enquanto...

O cavaleiro aproximou e a beijou de forma agressiva. Cristiane tentava desviar o rosto, mas ele a segurava com muita força. Saga/Ares, colocando mais força, a forçava a deitar.

– Me solta!

– Te soltar? — o cavaleiro subiu em cima dela, mobilizando seus braços. — agora que a diversão vai começar.

– Eu vou gritar!

– Grite a vontade, ninguém vai escuta-la.

Cris sentiu os olhos marejarem. O olhar outrora carinhoso dera lugar a um olhar cruel, quase satânico. Lembrou-se que Saga lhe dissera que ele cometera muitas monstruosidades enquanto estava como "Ares".

– Se comportar direitinho não vai te acontecer nada. — sorriu cinicamente.

Ela fez a única coisa que passou por sua mente, ergueu o joelho num rompante, acertando uma meia joelhada nele. Não foi forte o bastante, mas o suficiente para ele se afastar. Não pensou duas vezes arrastando-se para trás e levantando as pressas.

– Danadinha.... — doera pouco. — quer brincar de gato e rato? — sentou. — será interessante dentro do labirinto... — gargalhou.

Cristiane correu, alcançando rapidamente a saída. Ela fechou a porta atrás de si, olhando para um lado e para o outro. Aldebaran deveria estar em casa. Pediria ajuda para ele. Correu e correu, contudo dez minutos depois parou cansada.

– Ele deve ter ativado o labirinto...

Recuperou fôlego, correndo mais um pouco. Ate aquele momento a iluminação era boa, contudo a medida que avançava a luz diminuía. Corria tão afoita que foi ao chão, com o impacto o óculos voou longe.

– Ai. — sentiu o joelho arder. — droga cadê?

Começou a tatear o chão a procura de seus óculos, ate que os encontrou. Quando levantou, viu algo brilhar mais a frente.

– A saída.... — sorriu aliviada.

Correu, mas na metade do caminho a saída sumiu.

– Droga!

A saída voltou a aparecer. Ela então ficou na duvida. Era realmente o poder de Saga enfraquecendo ou era uma brincadeira por parte de Ares?

– Cansou de correr?

Levou um susto ao escutar a voz atrás dela. Ares a olhava de forma cínica.

– Não se aproxime. — recuou.

– Está presa nesse lugar Cristiane. — disse sério. — só poderá sair quando eu quiser.

– Saga, por favor, volte ao normal.

– Mas eu estou no meu normal. — gargalhou. — não vejo a hora de sair daqui e brincar com o mundo lá fora.

Rapidamente o cavaleiro a imobilizou e usando sua força a arrastou até uma pilastra.

– Me solta Saga!

– Só depois de brincarmos... — rasgou uma parte do vestido. — e vou avisando, as vezes perco o controle. — sorriu. — se bem que antes... podíamos brincar de algo diferente — levou a mão até as costas, para depois voltar com um revolver.

Usando seu poder de ilusão criou uma arma, mas Cristiane achou que era de verdade.

– Tem uma arma???

– Tenho, ilógico não? Já que possuo cosmo. Tenho para emergências, como esta. Se eu te matar usando o cosmo, logo logo os capachos de Atena virão, mas se eu te matar com isso, posso jogar seu corpo fora da barreira e todos pensarão que foi assalto.

Cris gelou ao escutar aquilo, os olhos marejaram na hora.

– Já ouviu falar de roleta russa? — brincava com a arma. — tenho uma bala, que será minha ou sua.

– Para Saga...

– Agora que vai ficar divertido? — sorriu debochado. — primeiro as damas.

Saga colocou o cano da arma na cabeça da brasileira e puxou o gatilho. A arma apenas emitiu o som do compartimento vazio. Ela gritou.

– Lá foi o primeiro. Agora... — levou a arma a cabeça.

– Para Saga, por favor! — desesperou.

– Eu quero brincar.

Puxou o gatilho. A brasileira fechou os olhos assustada, mas nada aconteceu.

–Vazio...- olhou para o orifício do cano. — agora sua vez.

Novamente o barulho. Cris chorava.

– Para, por favor...

– Você não disse que ficaria comigo em todos os momentos? — levou a arma a cabeça. — está na hora de provar.

– Não! Para!!!!

– Não grite comigo! — gritou, desfazendo a arma. — não grite! Fique quieta...

alias... — deu um sorriso erguendo o indicador direito. — vou fazer o que quiser de você... vou te controlar...Satã Imperial. — tocou na testa dela.

Cris piscou algumas vezes, sem entender. Ares franziu o cenho ao ver que a coloração dos olhos dela continuaram escuros.

– Pensei que funcionaria... mas isso é o de menos.

O sorriso aos poucos foi morrendo. O rosto ficou sério e depois preocupado, a soltou levando a mão a cabeça. (escrita normal: Ares, itálico: Saga)

– Como dói...

– Saga...

Sai daqui...– a voz saiu baixa. — a porta para o templo está atrás de você... — ele começou a respirar ofegante. — siga pela cozinha... a porta é usada pelas servas... e...

– Saga. — deu um passo.

Não se aproxime...– recuou. – vai...

O labirinto se desfez. Cris olhou para o lado vendo a porta de madeira.

– Vai...– levou a outra mão a cabeça, ela parecia que iria estourar.

Não pensou duas vezes, indo até a porta, contudo não seguiu para cozinha e sim para o quarto do geminiano. Começou a revirar o que já estava revirado. Saga tinha uma medicação para o caso de uma crise acontecer. Na última gaveta que estava meia aberta encontrou a caixinha de usopor. Destampou vendo um vidrinho de cor amarelada e uma seringa. Com as mãos tremendo abriu o vidro, despejando o conteúdo no compartimento da seringa. Nunca tinha preparado uma injeção na vida, ainda mais sob aquela circunstancia. Rezava para que desse certo.

Em Rodorio

Kanon que andava abraçado a Suellen parou.

– O que foi? — indagou.

– Um péssimo pressentimento... — Kanon sentia o coração apertado.

– Com o que...? — Suellen ficou temerosa ao fitar a expressão preocupada do cavaleiro.

– Vamos voltar, quero que vá direito para o templo, passe por fora das casas e procure por Atena.

– Kanon está me assustando.

– Se encontrar com seus amigos pelo caminho leve-os para o templo. Principalmente a Cristiane.

– Me fala o que está acontecendo. — estava assustada.

– Uma visita indesejável...

Suellen a principio não entendeu, mas depois arregalou os olhos.

Casa de Gêmeos

Depois da seringa pronta rumou para sala. Parou no meio dela, ao ver Saga parado olhando-a. Lentamente ela colocou a mão que trazia o objeto para trás.

– Deveria ter fugido enquanto teve tempo. — o geminiano brincava com uma faca.

– Eu não vou deixar Saga sozinho.

– Hum... quanta consideração. — sorriu. — ele é um fraco. Não merece solidariedade de sua parte.

– E você merece?

Cris engoliu a seco ao ver o rosto dele transformar-se. Deveria ter ficado calada.

– NÃO DEVERIA ME DESAFIAR GAROTA! — deu um tapa, no que tinha restado de uma mesinha de canto. O objeto virou um amontoado de madeira. — posso ser bonzinho, mas sabe que esse meu outro lado é bem mais forte. — sorriu de maneira vil. — viu o que posso fazer na história do japa, mas a realidade é bem pior. — fechou o punho.

A brasileira segurou forte a seringa, só teria uma chance e talvez a última, porque se Saga aproximasse dela, com certeza iria apanhar e muito. Ficou apavorada, pois poderia morrer.

– Não precisa ficar com medo. Não tenho a intenção de te matar, pelo menos não por agora. Só quero que seja meu brinquedinho se é que me entende. — cravou a faca no que tinha restado do sofá.

Começou a andar ate ela, que paralisada pelo que tinha que ser feito ou pelo medo, não se mexeu.

– E então? — parou bem próximo a ela. — vai colaborar ou terá que ser a força?

Deixou uma lagrima escapar.

– Prometo que tentarei ser gentil... se bem que prometi a mesma coisa para aquelas servas no entanto...

– Tu-do bem... eu não vou fazer nada...

– Boa menina. — aproximou ainda mais, encostando o rosto na curva do pescoço dela. — vou ser gentil, mas a minha maneira.

Saga deu um empurrão nela, que com o impacto fez a seringa sair rolando, mas não muito longe, parando debaixo de alguns pedaços do sofá.

Cristiane arrastou-se, conseguindo pega-la escondendo-a debaixo de si.

Saga subiu em cima dela.

– Primeiro quero um beijo.

O cavaleiro abaixou o rosto, beijando com volúpia, Cris tentava se soltar, mas a força do grego era maior.

– Me solta...

– Soltar? — ergueu o queixo com violência, os olhos verdes chegavam a brilhar. — vou fazer o que quiser com seu corpo. Está aqui para me servir. Vamos até abrilhantar a festa.

O cavaleiro esticou o braço, a faca que estava no sofá foi parar na mão dele.

– Gosto de ver a dor nos olhos das minhas putas.

Pegou a faca passando no braço da brasileira. Cris sentiu uma dor fina e em seguida o quente do sangue. Lembrou imediatamente do sonho.

– No outro também... — Saga passou a faca novamente fazendo um corte horizontal de uns três centímetros.

– Ai... — as lágrimas vieram.

– Está doendo? Mas nem comecei. Mais um...

Dessa vez o corte foi na altura do peito.

– Que divertido... acho que vou cortar seu corpo inteiro... — o olhar era satânico.

A brasileira temeu por sua vida. Saga iria mata-la e talvez nem tomaria conhecimento disso.

– Que tal cortar seu pescoço? — encostou a lamina na garganta. — macular o santuário da idiota com sangue inocente. O sangue da amada de Saga. Pensou que cena impactante? Seu corpo bem no meio da casa de gêmeos?

– Saga... — voltou a chorar. — para...

Não era apenas ela que chorava, as lágrimas começaram a escorreu pelo rosto de Saga.

– Acho que esses cortes podem ser aumentados....

O cavaleiro encostou a ponta da faca, no corte já aberto, provocando ainda mais dor na brasileira. Passou a lamina na coxa direita dela e em outras partes do corpo. A mineira tinha sangue pelo corpo inteiro. Enquanto seus lábios estavam curvados num sorriso, as lágrimas não paravam de cair.

– Ai... — gemeu. — para, por favor...

– São só cortes... — usando a faca cortou mais uma tira do vestido, se é que aquilo ainda poderia ser um vestido. — agora vai me proporcionar prazer. — o sorriso foi cínico.

O cavaleiro ergueu um pouco o corpo e Cris usou aquela brecha para pegar a seringa. Foi por impulso que o braço se mexeu e ela pôde espetar a seringa no braço dele. Não injetou todo o liquido, mas foi pouco mais que a metade.

– O que é isso sua vadia?! — jogou a seringa longe.

– Saga me disse que tinha esse remédio se tivesse uma crise.

– CRETINA. — segurou o pescoço dela. — EU VOU MATAR VOCE! — vociferou.

De posse da faca Saga ergueu seu braço.

– Diga adeus Cristiane.

O braço desceu com força e acertaria o peito dela. Cris fechou os olhos, mas abriu-os ao não sentir nada, voltando a atenção para o cavaleiro, viu que a mão esquerda dele segurava a lamina da faca, fazendo o sangue do grego pingar sobre o vestido dela.

– Saga...

Sai daqui Cris...

– Não me atrapalhe idiota! Pensa que vai salva-la?

Saga abandonou o punhal tomando novamente o pescoço dela. Apertou com força, quando a dor de cabeça voltou.

A essas horas, Cris só aguardava o desfecho, o remédio não tinha funcionado e agora estava a mercê dele.

– Para... Saga...

– Não vou parar até te matar. — deu um sorriso cínico, apertando ainda mais o pescoço.

– Sa-ga... — a voz quase não saia e sentia a respiração esvair. — Sa-ga..

– Vou matar você. — colocou mais força.

– "Nunca pensei que fosse morrer pelas mãos do Saga..."

Fechou os olhos, sentindo a pressão no pescoço. Abriu-os, o olhar de Saga era satânico, ele realmente iria mata-la. A pressão fazia efeito, fechou os olhos, pois não conseguia respirar...Abriu-os novamente Saga suava e respirava ofegante.

– Saga...

Eu...– a voz saiu baixa quase num sussurro. — não vai conseguir me deter com esses remédios! — vociferou. — Cris..– novamente uma voz mais suave. — vou ter o prazer de mata-la. -a fitou.

A expressão facial dele alterava.

– Saga.

Afaste-se de mim...– recomeçou a chorar. — eu vou mata-la vadia... — dizia em meio ao pranto. — vai pagar por isso.

Cris estava no limite, a força que ele a segurava foi tirando os sentidos dela... a brasileira fechou os olhos...

Aos poucos, o remédio fazia efeito. Os batimentos cardíacos e a respiração voltavam ao normal. O suor diminuía.

– Cris!

Levantou de cima dela imediatamente, os olhos estavam arregalados, o coração voltou a bater descompassado ao ver a brasileira deitada no chão com os olhos fechados e coberta de ferimentos.

– Por Atena... o que eu fiz... — agachou diante dela. — Cristiane! Cristiane! — A tomou nos braços. — Cristiane! Eu matei... — começou a chorar. — eu a matei... eu matei.. eu matei... — olhou para mão ensanguentada. — eu matei... eu matei... não... não.... não... — levou as mãos a cabeça. — não... volta... volta...

– Saga! — gritou Kanon que acabava de chegar.

Saga levantou as pressas, afastando-se dela. Estava transtornado, seu cosmo elevava e diminuía em grande velocidade. Por conta disso, a casa sofria com rachaduras.

– Saga! — berrou Kanon quando viu a brasileira caída no chão, toda machucada e com manchas de sangue no peito. — o que você fez???!!!!

O marina correu até a mineira.

– Cris! Cris! — Ele tocou no pescoço dela, vendo que respirava. — Cristiane!

Ela abriu os olhos lentamente, sentia várias dores. Voltou a atenção para a pessoa a sua frente, no primeiro momento achando ser Saga, mas...

– Kanon...

– Você está bem? — a ajudou a sentar.

– Estou...

– Consegue levantar?

– Sim....

Saga trazia o olhar estático na brasileira. Vendo que ela estava bem, Kanon foi até o irmão que sequer se mexeu.

– Saga. — tocou no ombro do irmão, mas ele tinha os olhos fixos na brasileira.

Saga olhava fixamente para ela. Ele havia manifestado seu outro "eu" na frente dela e lembrava-se de tudo que havia dito e feito. Tudo! Não queria apenas violenta-la, como também tentara contra sua vida... contra ela. Foi por muito pouco que não a matou.

– Tira ela daqui Kanon.... — abaixou o rosto.

– Eu não vou embora. — Cris deu um passo.

– SAI DAQUI! — gritou. — SAI!!! — berrou.

Tanto Kanon quanto ela assustaram com o grito.

– Saga, mas ela... — não entendeu o pedido do irmão. — ela...

– Leve-a...

O marina ficou surpreso ao ver algumas lágrimas escorrerem pelo rosto dele.

– Por favor... — pediu num sussurro.

Agora ele entendera. Sempre se perguntava por que o irmão tinha que sofrer tanto, depois de tudo, ele merecia uma vida tranquila e feliz e não uma vida de remédios e isolamento. Pelo estado dele, da casa e dela, percebeu que ele tinha surtado novamente e era um milagre ela está viva.

– Vai Cris. Depois conversamos. — disse Kanon. — precisa cuidar desses ferimentos.

– Mas...

– Vai. -a fitou.

A brasileira engoliu o choro, concordando. Ainda olhou mais uma vez para Saga, este trazia o rosto baixo. Deu meia volta saindo correndo, antes que começasse a chorar. Ao vê-la fechar a porta, Saga foi de joelhos ao chão, recomeçando a chorar.

– Saga... — Kanon ajoelhou ao lado dele.

– Eu quero morrer... — disse em meio ao pranto. — eu não aguento mais isso... não aguento... mais... — o choro intensificou. — eu quero morrer... — a voz saiu num misto de desespero e pedido. — me mate Kanon... me mate....por favor...

Os olhos do marina encheram de água ao escutar aquilo.

– Estou aqui Saga. — o abraçou bem forte. — não está sozinho. Estou aqui com você. — o acolheu ainda mais. — sempre.

A brasileira só parou de correr quando alcançou a saída de Gêmeos a Câncer. Sentou num cantinho e escondendo o rosto entre as pernas começou a chorar.

Saga chorou ate apagar no colo do irmão. Kanon o levou para o quarto, onde o deitou, cuidado do ferimento da mão. Sabia que quando ele tomava aquela medicação dormiria por um tempo. A dose era muito forte e nem sabia como o corpo dele aguentava aquilo. O dragão marinho parou no meio da sala, olhando o estado dela, viu a faca ensanguentada no chão. Derramou algumas lágrimas prontamente enxugadas, ele não poderia se permitir ficar abalado ou entrar em desespero, Saga precisava de alguém forte perto dele.