Notas iniciais
Boa leitura!

Na casa de Touro...

Gabe e Mabel raspavam a vasilha de brigadeiro.

– Sheila você é uma cozinheira de mão cheia. — disse Gabe. — está uma delicia.

– Concordo. — disse Aiolos, raspando a outra vasilha. — poderia fazer todos os dias.

– Faço... — disse nas nuvens, pois recebera um elogio do grego.

– Aldebaran obrigado pelo almoço. — disse Shion. – se me der licença ainda tenho muitas coisas para resolver.

– Obrigado pela presença mestre.

O ariano despediu-se de todos, saindo. Paula só esperou um pouco para ir atrás.

Aioria que estava do lado irmão, discretamente sentou ao lado de Marin.

– O que vai fazer agora? — indagou baixinho.

– Preciso terminar alguns relatórios. Agora não dá.

– Que pena... a noite?

– Te aviso se der.

Aioria franziu o cenho, mas não disse nada. Às vezes achava que Marin tinha responsabilidade demais. Pensava em algo para fazer quando olhou para Gabe.

– "O desenho!"

Levantou indo se sentar perto da garota.

– Lembra-se do que me prometeu?

– O que?

– Meu desenho.

– Ah... eu vou fazer.

– Pode fazer agora?

– Agora? — assustou. — mas nem trouxe meus materiais.

– Nós vamos ao templo e pegamos. Por favor. — fez cara de leão abandonado.

Gabe faltou soltar um suspiro diante da expressão dele.

– Vá Gabe. Aproveite e trace o leão. — disse Jules abafando o sorriso.

Ela a fitou imediatamente completamente vermelha.

– Quero um traço bem bonito. — disse o leão sem entender a frase duvidosa.

Jules queria rir.

– Vamos Aioria. — Gabe levantou antes que Jules soltasse mais uma das suas.

Ele saiu todo sorridente, arrancando uma sobrancelha arqueada de Marin.

– Você deve ser o braço direito do Shion. — disse Fernando.

– Eu cuido mais da parte administrativa. As burocráticas. Aiolos ainda não está a par do funcionamento do santuário então eu ajudo.

– Aiolos será mesmo o grande mestre?

– Sim. Deveria ser ele como grande mestre e Saga como auxiliar, mas o geminiano não quis.

– O passado dele?

– Exato. — Marin olhou as horas. — preciso ir. — lembrou que tinha que mudar os arquivos antigos de lugar e não destacara nenhum soldado para ajuda-la e pedir ajuda para Aioria seria o mesmo que não fazer o serviço.

– Até mais Marin.

– Fernando... está ocupado agora?

– Não...

– Será que poderia me ajudar?

– Claro.

– Prometo que será rápido.

– "Por mim poderia ser eternamente." — pensou.

Os dois despediram de Aldebaran tomando o rumo do alojamento dos aspirantes.

– Eu já vou indo. — disse Shaka levantando.

– Vou também. — disse Dohko. — vem também Juliana?

Shaka, Jules e ela ficaram surpresos pela pergunta.

– Sim... vem também Jules? — olhou para a amiga toda sem graça.

– Claro!

Os quatro despediram-se do taurino, saindo.

– Vou indo também. — disse Rodrigo, vendo que tinha sobrado apenas casais. — Obrigado Aldebaran.

– As ordens.

O baiano fechou a porta que dava no salão de Touro. Olhou em direção a entrada.

– "Vou andar por aí."

Tomou rumo da casa de Áries.

Mabel e Deba recolheram mais alguns pratos indo para a cozinha, deixando Sheila e Aiolos sozinhos. A brasileira estava apreensiva, pois não sabia o que dizer para o Sagitariano. Ele, contudo a olhava fixamente, com uma colher na boca, sentindo os últimos resquícios de brigadeiro. Sem querer, Sheila o olhou, achando muito fofo a expressão dele.

– "Que vontade de colocar no colo!" — pensou.

– Poderia ir a minha casa?

– Pra que??? — indagou assustada e já pensando besteira.

– Fazer brigadeiro para mim.

– Ah... é isso... — suspirou aliviada.

– Pensou que era o que? — a expressão estava séria, mas por dentro, queria rir.

– Nada! Pensei em nada.

– Então vamos. — levantou. – Deba, estamos indo! Obrigado! — gritou.

Sheila levantou e quando deu um passo, acabou tropeçando numa almofada. Só não foi ao chão, pois Aiolos a segurou.

– Alguém te disse que é estabanada?

– Sempre. — sorriu sem graça.

– Sorte sua que estou sempre por perto. — disse sério.

– Pois é... ainda bem. — queria sumir, tamanha vergonha. — prometo que serei mais cuidadosa e não te atrapalhar tanto.

Aiolos arqueou a sobrancelha, para depois sorrir, ela era do tipo de pessoa que teria que ser direto para ser entendido.

– "Interessante..."

O.o.O.o.O

Shion já estava entre Câncer e Leão, quando percebeu que Paula estava pouco atrás dele. Ele parou para que ela o alcançasse.

– Como conseguem subir isso todos os dias? — quase colocou o coração para fora.

– Costume.

– Atena deveria colocar um teleférico aqui. — disse enfiando a mão no bolso. — seria muito mais prático. — pegou o maço e o isqueiro.

Shion assim que viu arregalou os olhos.

– Você fuma??

– As vezes. — acendeu o cigarro, tragando.

– É uma dentista e fuma?

– Não entendi. — o fitou.

– Tabaco estraga os dentes, deveria saber melhor do ninguém.

– Eu sei...

– Desculpe senhorita Paula, mas devo adverti-la que é proibido fumar nas dependências do santuário.

– Mas estou em ar livre.

– Em qualquer parte. — disse enfático. — são as regras desse lugar.

Paula o fitou torto, mas apagou o cigarro.

– Está bem.

– Não deveria fumar. — disse voltando a andar. — a mulher perde o charme com o cigarro.

– Eu não acho. — rebateu.

– Eu acho. — a fitou seriamente. — principalmente fica exalando cheiro de nicotina.

Ela ficou calada. Por mais que as palavras fossem de Shion, não pararia de fumar.

– Prometo que não fumo aqui.

– Agradeço.

Continuaram a andar em silêncio e foi assim até Sagitário.

– Essa dança que você faz... tem muito tempo?

– Sim. Faço parte de um grupo.

– E gosta?

– Muito! — disse empolgada. — se pudesse largaria a minha profissão para dançar.

– Vejo que gosta. — sorriu.

– É minha paixão. Sinto-me muito bem quando estou dançando. Esqueço do mundo, só existindo os movimentos, as melodias. Como se fosse num mundo a parte.

– Entendo.

– Qualquer dia mostro uma apresentação minha.

– Adoraria ver.

Os dois se olharam, ficando um pouco constrangidos.

– E você? — indagou a paraense desviando o olhar. — tem algum hobby?

– Não sei se pode chamar de hobby, mas gosto muito de música clássica. Quando preciso relaxar, coloco um cd e ouço, mas ultimamente não ando tendo muito tempo.

– Assuntos do santuário.

– Sim. Além de comandar tudo, ainda preciso treinar o Aiolos. Ele ainda está um pouco relutante em se tornar o Grande Mestre.

– E o Saga? Apesar dos apesares...

– Ele não quer. Pensei em fazê-lo auxiliar de Aiolos, mas nem isso quer.

Paula o fitou. Como ele conseguia ficar com aquele manto naquele calor?

– Você não sente calor? Com esse tanto de roupa.

– Costume. Anos e anos que acho estranho quando uso outra roupa.

– Se pelo menos fosse branco...

– O grande mestre tem duas vestimentas oficiais, uma preta e outra branca. Eu gosto da preta, pois me lembra do Sage.

Continuaram a conversar até chegarem ao templo.

– Obrigado pela companhia. — disse.

– Eu que agradeço. — sorriu, apesar do fato do cigarro, Shion era uma ótima companhia.

– Preciso mandar muitos e-mails... — murmurou. — como odeio computador...

– Mas não facilita na administração?

– Facilita e muito, mas não tenho muita paciência.

– Se quiser posso te ajudar. – ofereceu.

– Sério mesmo? — os olhos brilharam de alivio.

– Claro.

– Salvou a minha vida. — sorriu. — obrigado.

Os dois seguiram para o escritório de Shion.

O.o.O.o.O

Gabe e Aioria subiam conversando, mas pelo ritmo da caminhada, não chegariam nunca no templo.

– Gabe.

– Sim?

– Segure-se. — O grego a pegou no colo.

– O que vai fazer??

– Vamos subir na velocidade da luz, segure-se.

– Mas eu sou pesada...

– Não é nada.

Gabe não teve nem tempo de articular nada, quando se deu conta estava na porta do templo.

– Meu Deus! — os olhos estavam arregalados. — o que foi isso?

– Não foi mais rápido? — a desceu. — pegue suas coisas de desenho, vou te esperar aqui.

Ainda atordoada pela "viagem", Gabe foi até o quarto pegando suas coisas, voltou rapidamente.

– Peguei tudo.

– Venha. — a pegou no colo de novo. Gabe ficou vermelha. — vamos descer.

– Poderia ser normalmente.... — murmurou, pois assim aproveitaria mais o colo do dourado.

– O que disse?

– Nada. Vamos?

Como num passe de mágica os dois estavam no pátio de Leão.

– Por que vocês não fazem isso, ao invés de subir degrau por degrau.

– Não podemos usar o cosmo de forma leviana. Só em situações de emergências.

– Como agora? — riu.

– Sim. — sorriu.

Aioria a colocou no chão, entrado em casa. A garota ficou impressionada. Na sala de estar, dois sofás de dois e um lugar. No centro um tapete bem felpudo nas cores laranja, ocre, marrom e amarelo bebê. Sobre ele uma mesinha de vidro, com pés em madeira. Na parede um rack em madeira clara com uma televisão de 50 polegadas e na repartição de cima, várias máscaras tribais africanas em madeira. A sala de jantar era composta por uma mesa de tampo branco e cadeiras de madeiras com o estofado num material que parecia palha. Um quadro médio com motivos africanos. Por causa da claridade que entrava pela janela, os cômodos pareciam ser pintados de dourado.

– Sua casa é linda!

– Eu tenho bom gosto.

– Olha só o tamanho da TV!!

– A minha é a maior entre as doze casas. — disse com orgulho. — vamos ao desenho. Como quer que eu pose?

– "De preferência nu" — pensou ficando vermelha.

– Gabe?

– Do jeito que quiser!

– Sempre quis um retrato como a estatua de Rodin, o Pensador, pode ser?

– Claro.

Aioria sentou no sofá fazendo a pose. Gabe deu a volta sentando no tapete. Usaria a mesinha do centro.

– Tem que ficar quieto.

– Ok.

Ela o fitou, ele estava de perfil para ela, mas o rosto em qualquer angulo era lindo. Não conseguiria desenhar, com uma perfeição daquela na sua frente.

– "Concentre-se Gabe!" — respirou fundo, começando a desenhar.

Gabe iniciou os primeiros traços.

– Já acabou?

– Não...

Aioria ficou calado. Um minuto depois...

– Já acabou?

– Não.

Mais um minuto.

– Já acabou?

– Acabei de começar Aioria!

– Ah...

Outro minuto....

– Já acabou?

– Se quiser só isso, acabei. — mostrou o papel, com apenas traços.

– Mas são só rabiscos.

– Então aguente!

O leonino ficou calado e por um bom tempo causando estranheza na brasileira. Ela o fitou. Ele estava compenetrado fitando um ponto qualquer.

– "Sossegou." — pensou.

Ela voltou a desenhar.

– Gabe.

– Hum... — não tirou o olhar do desenho.

– Quero ir ao banheiro.

– Aguenta.

Um minuto calado.

– Eu preciso ir ao banheiro.

– Segura.

Outro minuto.

– Mas eu estou apertado. — a fitou.

Gabe soltou um suspiro desanimado. Ele só tinha tamanho.

– Vai.

Saiu correndo indo para o banheiro.

O.o.O.o.O

Marin e Fernando passaram por Áries, ganhando o caminho que levava até o alojamento dos aspirantes.

– Espero não está ocupando seu tempo. — disse a amazona.

– Que nada, estou de "férias" mesmo.

Os dois sorriram.

– Marin, notei que tem poucos soldados, na série parecia ter mais.

– Realmente na época da invasão do Seiya, o santuário era bem diferente. Havia muitos soldados, aspirantes, servos, cavaleiros. A batalha de Hades foi um golpe muito forte.

– Mas pelo tempo que se passou não deveria ter voltado ao normal?

– Até poderia, se Kurumada não tivesse passado pela barreira. Esse acontecimento paralisou um pouco a retomada do santuário. Atena ficou com medo que nós fôssemos mostrados ao mundo e por isso ela fechou as "portas" do santuário. Somado a isso as mortes ocorridas nas batalhas.

– E Rodorio?

– Passou pelo mesmo problema. A população da cidade diminuiu um pouco, mas os moradores não deixaram de ter a assistência que sempre tiveram ao longo dos séculos. Eles não pagam o aluguel e contribuem com uma quantia simbólica pela água e luz. As pessoas que trabalham ou estudam em Athenas, tem ônibus fretado.

– Eles podem passar pela barreira?

– Podem. — o fitou.

– E nós?

– Rodorio tem estado sobre a proteção de Atena por séculos, os moradores por nascerem aqui, recebem desde pequenos a energia da barreira, o que os habilita a passarem por ela sem maiores problemas.

– Nunca imaginaria isso... e quanto a segurança? Como ela faz para manter tudo escondido já que eles podem sair.

– Fidelidade. Já está embutido, nos moradores de Rodorio a lealdade a Atena. Os moradores, assim como os cavaleiros, podem ir e vir livremente, mas sob pena de alta traição caso o assunto santuário caia no mundo. Atena tem uma personalidade gentil, mas é extremamente rigorosa nesse aspecto. Ninguém que ter a ira de Atena sobre si.

– Ninguém em sã consciência.

– Para o final do ano, está previsto a chegada de novos aspirantes, para ocuparem as armaduras de prata e de ouro.

– Os cavaleiros de ouro vão passar o cargo?

– Kamus, Dohko, Aiolos e Mu já têm substitutos. Os demais terão que ser treinados. Os cavaleiros ainda ficarão por cinco ou seis anos no cargo, que é o tempo para uma aspirante tornar-se candidato a uma armadura de ouro. O santuário ficará bastante movimentado, principalmente pela chegada de aspirantes mulheres.

– Como? — o mineiro a fitou na hora.

Marin sorriu diante da expressão que ele fez.

– Algumas regras veem mudado ao longo dos anos, uma delas é o uso da máscara. — apontou para o próprio rosto. — a outra é a inclusão de mais amazonas. Pode guardar segredo?

– Minha boca é um túmulo.

– Atena quer que entre a elite dourada tenha duas mulheres. Shion quase enfartou por causa disso, tradicional do jeito que é, mas o Aiolos aceitou bem a ideia, até gostou. Diante disso Shion teve que aceitar já que sagitário será o novo mestre.

– E os cavaleiros?

– Ninguém sabe disso. Apenas Atena, Shion, Aiolos, Saga e eu.

– Imagino que alguns não vão gostar da ideia....

– Por isso é segredo.

– Já sabem quais armaduras seriam de uma amazona?

– Só Atena sabe.

– Tem algum palpite?

Marin olhou para os lados para ver se não tinha ninguém por perto. Aproximou de Fernando, segurando o braço dele como quando se quer confidenciar algo e ninguém pode escutar. Por causa do salto que ela usava, estavam do mesmo tamanho.

– Pelo amor a Atena isso tem que ficar entre nós. É um segredo nosso. Nem contei para Aioria, pois ele é muito linguarudo.

Fernando nem ligou pela menção ao leonino, pois a expressão da amazona, era de alguém que confiava plenamente na outra e seria incapaz de traí-la em todos os sentidos.

– Eu desconfio que o Afrodite saiba quem vai ocupar essas armaduras. — disse em tom de confidência. — já tem alguns meses, ele vem treinando comigo, meio do nada e as vezes dá uns sorrisos enigmáticos. Todo mundo sabe que quando o Gustavv solta seus sorrisos enigmáticos é por que está escondendo alguma coisa. Aquele peixe é uma cobra! Nada fica escondido dele.

– Você acha que ele vai escolher você para substituí-lo? — indagou.

– Não sei ao certo... mas sou de Peixes.

– Será uma bela promoção.

– Ou uma bela furada.

– Por quê? — o olhar desviou dos olhos azuis, para as pintinhas que ela tinha nas bochechas.

– Uma coisa é os cavaleiros me conhecerem por Marin de Águia, outra bem diferente é ser Marin de Peixes.

– Isso é verdade. — Fernando ficou pensando em como seria as fics se Marin se tornasse amazona de ouro, hentai entre ela e Mask? — e a outra armadura?

– Não faço ideia.

– Shina?

– Ela é de Áries.

– Hum...

– Promete que não vai contar para ninguém, ninguém mesmo? — o fitou diretamente.

– Tem a minha palavra.

– Se contar eu acabo com você. — disse séria.

– Não vou correr o risco.

– É brincadeira. — sorriu. — sei que não contará.

– Eu seria incapaz de traí-la Marin.

A amazona ficou surpresa com a frase dele.

– Obrigada.

A japonesa desviou o olhar.

– Já chegamos.

Fernando voltou o olhar para a construção que se erguia logo a frente. Era um prédio aos moldes grego, comprido e de três andares.

O.o.O.o.O

Juliana e Dohko seguiam na frente conversando. Shaka estava atrás, mas com os ouvidos ligados na conversa. Jules pouco atrás também olhava os dois. Ela voltou a atenção para o indiano. Ele era alto e a cabeleira loira estava presa num coque bem no alto da cabeça. Queria perguntar como era possível um indiano loiro. Apertou o passo, passando a andar ao lado dele, mas não tinha coragem de perguntar. Shaka notou os olhares.

– Fale.

– Não é muito comum indianos loiros...

– Sou descendente de ingleses. — disse seco e sem olha-la.

– Hum... o que sua família acha, já que na Índia a religião é a hindu e você é budista e segue uma deusa grega.

– Eu não tenho família.

– Ah...e você é mesmo a reencarnação de Buda?

– Sim.

– Não deveria está no oriente guiando seus devotos?

Shaka a fitou, mas sem abrir os olhos.

– É só curiosidade...

– Sidartha já deixou os ensinamentos. Minha missão hoje é outra.

– Naquelas fanfics, uma amiga minha.. — preferiu não citar nomes. — o retratou como reencarnação de Vishnu já que Buda foi considerado um dos seus avatares.

O indiano deu um fino sorriso.

– Vocês tem imaginação.

– É... — calou-se. Era melhor não perguntar mais nada. Perguntar não, mas fazer inferninho podia. Deu um sorriso igual ao gato do filme "Alice nos país das maravilhas". — os dois deram super bem.

– Quem?

– A Ju e o Dohko. Parecem que tem gostos semelhantes.

– Dohko só está sendo gentil.

– Põe gentileza nisso. — abafou o sorriso. — acho que ele gostou dela.

Shaka a fitou na hora.

– Claro que não.

– Olha só para os dois. — apontou.

O cavaleiro olhou para o "casal" justamente na hora que Dohko brincou com os cabelos de Juliana. Ele fechou a cara.

– Só o Dohko mesmo para fazer a Ju ficar tão a vontade, ela sempre é tão tímida.

A expressão contrariada de Shaka suavizou. Claro que ela ficaria mais a vontade com Dohko, ele era muito extrovertido e fazia amizade fácil, o que era o contrário dele.

– "Bobagem." — pensou. Não era um exemplo de sociabilidade, mas também não se importava. Como desde cedo o tratavam de forma superior, não aprendeu sobre esses laços e hoje depois de tantos anos, não fazia questão de aprender. Só tinha que ser cortez e nada mais. Não seria diferente com aquela menina, ainda mais por tê-lo confundido com um empregado.

Enquanto Shaka fazia suas observações, Jules o observava.

O restante do caminho até Virgem foi feito em silêncio por parte de Jules e do indiano.

– Até mais Shaka. — disse Dohko.

O virginiano não disse nada entrando.

– Ele é educado hein? — disse Jules, aproximando dos dois.

– Shaka sempre foi mais arredio. Desde pequeno.

– Ele ficou com raiva de mim. — disse Juliana.

– Por quê? — o libriano a fitou.

– Eu o confundi com um empregado.

O chinês franziu o cenho.

– Pode ter certeza que ele ficou.

– Eu não fiz por mal...

– Eu sei, mas o Shaka é meio difícil sabe? Um excelente cavaleiro, mas com pouco, ou melhor, nenhum traquejo social. Com ele você deve dar tempo ao tempo.

– Entendi.

Os três seguiram. Em Libra, Dohko se despediu e as duas Ju's seguiram o caminho.

O.o.O.o.O

O brasileiro passou pelo salão de Áries, chegando a entrada. Pensava em alguma coisa para fazer, quando viu Atena apontar na escadaria. Ela trazia uma sombrinha numa das mãos e na outra uma pasta executiva.

Mais que depressa, Rodrigo correu até ela.

– Oi Atena.

– Olá Rodrigo.

– Com licença. — pegou a sombrinha e a pasta. Cobrindo-a do sol e aliviando o peso.

– Obrigada.

– A senhorita vai subir tudo isso?

– Pode me chamar de você.

– Você, vai subir isso tudo? Não pode usar a telecinese?

– Normalmente eu não subo por aqui. Tem um templo atrás da estátua, que tem um elevador que me deixa na base da montanha, de lá pego o carro. Mas o transito de Athenas anda caótico, achei melhor vir por aqui.

– Mas pode usar seu poder para subir?

– Tenho que dar o exemplo. Se proibido a todos, não justifica eu descumprir.

– Então terei o prazer de escolta-la até o templo. — sorriu.

– Obrigada. Disse que trabalha como Design?

– Sim. Eu sou funcionário público e atuo na área.

– E gosta?

– Sim.

– As vezes gostaria de ter essa liberdade.

– Não gosta de administrar sua empresa?

– Gosto, mas é complicado tomar conta da empresa e do santuário. — sorriu.

– Deve ser mesmo.

– Conto com Shion e com a Marin, mas mesmo assim é muita coisa.

– Posso imaginar.

– Por se interessou por nossa história?

– Não tem um motivo especifico. Comecei a assistir e desde então acompanho tudo que sai sobre a série.

– E gosta do Shaka.

– Gosto. No bom sentido.

– Eu sei. — riu.

– Ele é um cavaleiro muito forte e extremamente responsável. Tudo que ele fez na saga de Hades me fez admira-lo ainda mais.

– Ele gostou de saber. Shaka tem uma personalidade impar. — sorriu. — tem família?

– Sim, eu sou...

A conversa continuou animada.

O.o.O.o.O

Sheila respondia as perguntas de Aiolos, olhando para o chão para não tropeçar. Foi assim desde Touro até Escorpião.

– Você não vai cair Sheila.

– Força do hábito. — olhou para o próximo degrau.

– Não falei que te seguro Sheilinha? Posso te chamar assim? — a fitou sorrindo por vê-la de cabeça baixa.

– Pode... — o fitou.

– Seu "pode" saiu muito indeciso. — ergueu as sobrancelhas, pensando.

– Minhas amigas me chamam de Margarida. — Sheila foi contar a história do apelido. — aí adotei o apelido.

– Margarida vem do grego Margarítes que significa pérola. — disse pensativo. — pérola. — a fitou.

– Como? — Sheila não entendeu.

– Pérola. — falou mais uma vez olhando para ela, na tentativa de associar o apelido a pessoa. — ficou muito estranho... pérola pode vir aqui por favor, Bom dia pérola, boa noite pérola. — falava sozinho.

Sheila o fitava sem entender.

– Meg pode vir aqui? Bom dia Meg, boa noite Meg... — voltou a andar.

A brasileira arqueou a sobrancelha não entendo nada. Pelo que se lembrava o doido ficava algumas casas abaixo. Aiolos continuava a pensar num apelido para Sheila e tentou até chegar em Sagitário.

– Pode me chamar de Margarida ou Sheilinha... não me importo....

– Mas eu importo. — a fitou. — eu posso criar um apelido para você não posso?

– Claro... " você pode tudo!" — pensou.

– Vamos fazer o brigadeiro, até lá eu penso num apelido.

Ele abriu à porta que ligava o salão a área interna. Mais cedo, não tinha reparado bem na casa de Aiolos. A sala de estar era conjugada com a sala de jantar. Na primeira parte, o piso era branco, assim como o sofá de três lugares com almofadas em cinza claro. Na parede um mural de madeira clara, onde estava uma TV e um rack em madeira branca. Na segunda parte, uma mesa de tampa de vidro com pés em inox, assim como as cadeiras, num estilo bem moderno. Uma lâmpada florescente segurada por dois cabos de aço fazia a iluminação. As paredes eram brancas com os rodapés em madeira clara. Vasos dos mais diversos tamanhos e cores faziam a vez da decoração, assim como quadros pequenos. Ao fundo do cômodo uma porta ligava ao restante da casa.

– Vamos para a cozinha.

Quando Sheila chegou a cozinha abriu a boca espantada.

– Que cozinha linda...

As paredes e o chão eram claros, mas não brancos. Todos os armários eram negros com detalhes em inox. Assim como os eletrodomésticos típicos de cozinha. No meio dela uma bancada negra com a tampa do fogão de cinco bocas. Um exaustor em aço bem moderno estava sobre o fogão.

– Juro que pensava que as doze casas eram antigas, tudo em pedra...

– Ao longo do tempo as casas sofreram adequações. — foi até o armário dos copos. — Antes de eu morrer da primeira vez, — a fitou. — nossas casas ainda conservam as coisas do passado, mas depois que Atena nos trouxe a vida, todas passaram por uma grande reforma. — colocou o copo no compartimento da água da geladeira. — aceita água?

– Não, obrigada. Que bela reforma! Ela deve ter gastado uma nota!

– Ela disse que merecíamos a casa do jeito que queríamos por tudo que passamos.

– E quem cuidou dessa parte? Decoração, cores...

– Adivinha? — a olhou divertido, começando a beber a água.

– Afrodite. — o nome veio logo a cabeça.

– Ele quando decide fazer algo é obstinado e persuasivo. Meio que entrevistou todo mundo, para saber os gostos, depois desenhou como os moveis estariam dispostos e fez todo o projeto. Atena só passou o cartão. Se ele não fosse cavaleiro seria um excelente arquiteto, design e tudo que está relacionado a essa área.

– Shion deixou? Ele me parece bem tradicionalista.

– Teve que deixar. Shion andou engolindo muita coisa. — riu. — antes de fazer o brigadeiro venha ver meu quarto.

– O que??

– Meu quarto. — repetiu. — ele ficou bem bonito.

Sheila ficou sem graça, como iria ao quarto do Sagitário? De duas uma, ou daria uma de louca e o agarraria, ou desmaiaria.

– Vamos?

– Ah sim...

Ele a conduziu até a segunda porta do corredor, fazendo sinal para que ela abrisse a porta. Respirando fundo a brasileira abriu, ficando encantada. Deu alguns passos a frente. O teto era branco e piso marrom claro. A sua esquerda viu um grande guarda roupa todo em madeira branca com espelhos no lugar das portas de correr. A direita, pregado na parede um rack com alguns objetos e uma TV pregada na parede. Na outra parede, a única, pintada por marrom escuro um quadro. A cama era de casal e estava impecável, com várias almofadas num verde militar. Na frente dois pufes brancos. Sheila ficou com vontade de deitar, o colchão parecia tão macio...

– Seu quarto é lindo.

– Gostou mesmo?

– Muito.

– Veja o banheiro.

A brasileira caminhou até a porta branca que ficava no fundo do quarto. Quase soltou um assobio. Era todo em granito marrom, tanto o piso quanto as paredes. Um box, a pia era branca e quadrada e um espelho ocupava toda a extensão da pia que ia desde a porta até o box.

– Que lindo.

– Achou mesmo?

Sheila não assustou com a pergunta e sim com a aproximação do cavaleiro. Ela estava entre o marco da porta e ele. Aiolos trazia a atenção voltada para o interior do banheiro.

– A-chei...

– Sempre que quiser, estará a sua disposição. — a fitou seriamente. — isso inclui a minha cama. — aproximou ainda mais o rosto.

Sheila ficou vermelha na hora. O olhar de anjo dele desaparecera completamente, nem parecia o casto cavaleiro de Sagitário. A franja encobria parte da bandana vermelha, alias, ela era encantada por aquele pedaço de pano. Nos seus mais loucos sonhos imaginou Aiolos apenas usando aquela bandana.

– Eu agra-de-ço. — gaguejou.

Ele apenas sorriu.

– Vamos fazer o brigadeiro? — indagou saindo de perto dela.

– Cla-ro. — respondeu ainda um pouco atordoada.

O.o.O.o.O

Mabel recolheu os últimos pratos levando-os para a cozinha. E por falar nela, o teto era branco. O piso num porcelanato branco, trazia uma faixa preta por toda extensão. Havia uma mesa de quatro lugares com o tampo em vidro e pés e cadeiras em aço com estofado branco. Os armários eram em madeira clara, com os puxadores em inox. A bancada do fogão e da pia em mármore negro. Geladeira, micro-ondas, etc eram inox.

Deba na pia, já começava a lava-los.

– Deba não era eu que iria lavar?

– Você é visita.

– Mas eu quero ajudar.

– Enxuga. Tem panos limpos naquele armário.

A brasileira foi até o móvel e pegou um pano.

– Você sempre cozinha? — indagou parando ao lado dele no balcão começando a enxugar alguns pratos.

– Sim. As vezes almoço ou janto nas outras casas, mas normalmente como por aqui mesmo.

– Entendi.

– Gostou da comida?

– Sim. Você cozinha muito bem.

– Tive que aprender. — riu.

– Alias você é muito bom nos quesitos domésticos. Sua casa é brilho.

– O crédito não é só meu, temos servas que limpam, mas eu procuro deixar as coisas organizadas e no seu devido lugar. Detesto bagunça.

– Eu sei como é.. — sorriu. — meu pai é militar então...

– Entende bem de disciplina.

– E como.

Os dois riram. Mabel ficando sem graça pelo olhar que o taurino lhe dirigia, passou a mão na pilha de pratos que já estavam secos, indo coloca-los no seu devido lugar.

– Por quanto tempo se permanece como cavaleiro?

– Não tem um tempo determinado... no nosso caso, acho que vamos ficar por mais alguns anos.

– Posso fazer uma pergunta pessoal?

– Claro.

– Entre os alguns cavaleiros, na vida real, não diferem muito do anime. Por que você ficou diferente fisicamente? Seus olhos são lindos e seu cabelo é um máximo.

Aldebaran parou o que está fazendo, soltando um longo suspiro. Mabel percebeu que tocara num assunto delicado.

– Desculpe se fui indiscreta.

– Não foi Mabel. — a fitou. — tem uma razão de ser.

– E qual é? — voltou para junto dele para secar o restante dos pratos.

– Tivemos uma briga.

– Briga?

– Depois te contar toda a história para Kurumada, Seiya apresentou um a um a ele. Na minha vez ele soltou uma piada inconveniente.

– Que piada? — quis logo saber.

– Deixa para lá. Nós tivemos uma briga e como "vingança" ele me "fez" daquele jeito. Claro que não me importei com a aparência, afinal o meu cabelo ficou grande e bom, se é que entende. — riu. — desculpe o comentário. — Mabel riu. — mas não deixei de ficar chateado.

– "Filh @#$& como pôde magoar o Deba?" — pensou.

– Mas são águas passadas. Morto e enterrado.

– Ele fez isso de ciúme por você ser alto, forte e com esses olhos azuis. É inveja. Recalque!

O taurino gargalhou.

– Você é muito engraçada Bel, posso te chamar assim?

– Claro. Ele ficou inveja, por você ser bonito por fora, por dentro e ser querido por todos.

– Você me acha assim?

– Todos acham! Como diz a minha mãe: é o genro que toda mãe quer.

– Desse jeito vou ficar convencido.

– Pode ficar.

– Até merece brigadeiro.

– Mas não sobrou.

– Claro que sobrou. — foi até a geladeira. — acha que levei tudo para eles? Não conhece o estomago dos cavaleiros de ouro, não tem fundo! Guardei uma tigela. — tirou mostrando-a. — sei lá se a Sheila vai poder fazer de novo. Preveni é melhor que remediar. — deu uma piscadinha.

– Com certeza.

As horas avançaram...

Em Aquário, Isa estava sentada no sofá compenetrada na pesquisa. Kamus tinha pedido licença cerca de dez minutos atrás. Trocaria a lente pelos óculos.

– Desculpe por deixa-la sozinha.

– Não tem.... — parou de falar ao ver o aquariano usando óculos. — você usa óculos?

– Para leitura. — disse seco e sem render. — pensou naquela hipótese? Se for por ela esse livro é melhor. — indicou o que ela estava lendo.

– Acha? — o fitou não muito convicta.

– Sim.

– Posso tirar xerox? — indagou convencida.

– A vontade.

Isa foi até a mesa, era como qualquer multifuncional, mas resolveu perguntar antes de usar.

– Como faço para tirar xerox?

– É fácil. Aperta esse e aquele botão.

A paulista seguiu as orientações, realizando o trabalho.

– Você não sabe o quanto está me ajudando. — olhava para a cópia que saia. — vai adiantar meses de pesquisa.

– É sempre gratificante ajudar quem se interessa pela cultura.

Os dois se olharam por alguns minutos. Isa queria sorrir, pois parecia um sonho está ao lado de Kamus e envolvidos na sua linha de pesquisa, mas tinha que conte-se para não espanta-lo. O francês a olhava fixamente. Ela tinha um belo rosto, mas o que o atraiu foi a inteligência. Pelas conversas tidas sobre a pesquisa, percebeu que era uma pessoa séria e dedicada aos estudos. Qualidades que sempre colocou em primeiro lugar.

– Você tem namorado Isabel?

Não esperava pela pergunta.

– Não. O meu jeito de ser não é o convencional.

– Como assim?

Ela abaixou o olhar. Se contasse a ele como era na verdade, certamente seria olhada com outros olhos. Nunca se importou com que as pessoas achavam de si, mas com Kamus temia que ele se afastasse.

– Como assim Isabel? — indagou novamente.

– Eu tenho um estilo de vida próprio. — não tirou os olhos das folhas que saiam. — já me encheram muita a paciência por eu não comer carne, ser nerd e seguir a Wicca como religião...

– Se é por isso, também sou "anormal" sigo uma deusa grega...

– Mas é diferente... além do mais eu... — temia a reação dele. — eu sou...

– É o que? — segurou o queixo dela, fazendo-a encara-lo.

– Sou bi.

Disse e ficou esperando a reação dele, que não veio. Seu rosto continuou sem expressão alguma.

– E qual o problema em ser bi? — indagou.

Isa piscou várias vezes, não acreditando no que tinha escutado.

– Você não se importa? — o fitou perplexa.

– Me importaria se fosse mau caráter. Coisa que você não é. Eu não julgo as pessoas pela orientação sexual e sim pelo caráter.

– Se todo mundo pensasse assim...

– Infelizmente o mundo é mais cruel.

A impressora apitou, indicando que a bandeja estava sem papel. Os dois foram ao mesmo tempo puxar a gaveta, as mãos se tocaram.

– Desculpe. — só de tocar na mão do aquariano a sua esfriou.

– A culpa foi minha Isa.

Sem dizer mais nada, ele abriu a última gaveta da mesa pegando folhas em branco.

– O seu estilo de viver não te diminui perante a mim, pelo contrário, — a fitou. — seu gosto por Marselha fez ganhar pontos comigo.

Isa sorriu.

O.o.O.o.O

Heluane ainda sentia os lábios de Giovanni sobre os seus, contudo a claridade que provinha do ambiente a fez abrir os olhos. Ficou assustada ao se ver diante da casa de Câncer. Tinha sido um sonho?

– "Não foi um sonho..." — ainda sentia calafrios. Nunca tinha sentido tanto medo da vida, realmente pensou que Mask a mataria. O punho ainda ardia, fora o roxo que ficara devido a força que ele empregara.

Os olhos marejaram e ficou com medo, pois teria que passar por Câncer.

– Não mesmo.

Lembrando-se que Isa tinha lhe contado sobre um caminho que ligava a arena menor ao templo preferiu dar a volta. Seria uma longa caminhada, mas não passaria de jeito nenhum por Câncer. Deu meia volta.

Escondido atrás de uma pilastra, Giovanni olhava a brasileira. Tinha dado uma boa lição nela e se não fosse suficiente arranjaria um jeito de fazê-la visitar o Yomotsu. Lembrou-se do beijo, não podia negar que fora bom.

– "Esse é só o começo." — deu um sorriso maldoso.

O.o.O.o.O

No lago, Miro contava sobre seu treinamento, mas hora ou outra bocejava.

– Que sono hein? — Marcela brincou.

– Só um pouco. — disse, sabendo que era efeito do remédio. — não quer ir a minha casa? — deu um sorriso safado.

– Você só pensa em bobagem.

– E tem coisa melhor?

– Não presta mesmo.

– Presto sim... — aproximou seu rosto do dela. — presto tanto que minha roupa principal é dourada.

– É muito convencido isso sim. — Marcela sentiu a mão dele em sua cintura. — e pode tirar a mão. — segurou a dele retirando-a.

– Vai me negar um mísero beijo? — fez cara de desolado. — um beijo casto.

Marcela riu.

– Castidade vindo de você?

– Eu tenho as melhores intenções. — levou uma das mãos ao rosto dela. — um beijo e não peço nada mais.

– Promete?

– Palavra de cavaleiro.

– Feche os olhos então.

Ele fechou. Marcela deu apenas um selinho.

– Pronto.

– Isso não conta. Eu quero algo com mais sustança.

– Disse que não pediria mais.

Miro levantou a outra mão mostrando os dedos cruzados.

– Mentira.

Sem que ela esperasse, ele a beijou. Marcela deixou se levar.

– "Put @$%&! Ele beija muito bem!" — pensou.

Também pensou que ele fosse se aproveitar e apalpar partes indevidas, contudo suas mãos permaneceram em lugares neutros. E o ato acabou pela falta de ar.

– Nossa... — murmurou a brasileira.

– Vamos para a minha casa.

Miro a pegou no colo e usando a velocidade da luz em instantes estavam em Escorpião, Marcela ficou encantada com a decoração. Um sofá branco e retangular de três lugares, com várias almofadas em vermelho púrpuro. Na parede da porta quadrados de madeira formavam um mosaico e pendurado nesses mosaicos uma TV, abaixo um home theater. Um tapete branco e felpudo terminava a decoração da sala de estar. A de jantar uma mesa redonda num material cinza, com pés em metal e cadeiras de estofado púrpura. O piso era branco, a parede onde ficava outro mosaico era verde militar e o restante delas brancas. Na parede que fazia esquina com a porta um grande espelho.

– Queria ter um espelho assim em casa.

– Ele é bem útil. — a colocou no chão.

– Posso deitar nesse tapete?

– A vontade.

Marcela deitou se sentindo no paraíso.

– Que macio... — passava as mãos por entre os fios felpudos. — dá até para dormir.

– Ele é gostoso mesmo. — sentou, pegando algumas almofadas para servirem de encosto.

– Quando eu passar pelo vértice pode leva-lo? — o fitou rindo.

– Se Atena deixar... vem cá.

A puxou, lascando outro beijo nela. Esse foi bem mais envolvente.

– Não era só um...?

– Mudei de ideia. — sorriu.

– Homem sem palavra. — deitou a cabeça no peito dele.

– Para certas coisas sou mesmo. Agora me conte essa história de falar francês. Kamus vai ficar insuportável quando souber disso.

– Morei em Montreal e foi uma experiência...

Começou a contar, Miro começou a prestar atenção, mas com o tempo os olhos insistiam em fechar e acabaram fechando. O remédio ainda fazia efeito.

– E agora eu pretendo... — notou que o escorpião estava silencioso demais, além de sentir sua respiração mais pesada. — Miro? — o fitou.

O escorpião dormia profundamente.

– Não acredito que me deixou falando sozinha. — a vontade que tinha era pegar aquelas almofadas e bater nele, contudo olhou para a expressão do rosto que era serena. — que vontade de por no colo... — disse derretida. — tão lindo dormindo...

Não fazendo movimentos bruscos, soltou-se dos braços dele. Ele balbuciou alguma coisa, mas não acordou.

Andando sem fazer barulho, a brasileira foi embora.

O.o.O.o.O

A paulista analisava todos os detalhes da estátua. Shura escorado na parede, não dizia nada.

– Uma obra prima. — disse.

Shura voltou a atenção para a janela que ficava no alto, quase não entrava a luz do sol.

– Está na hora de ir embora.

– Tem razão. — Julia o fitou. — obrigada por permitir a visita.

– Está com fome?

– Um pouco... — sorriu sem graça.

– Venha.

O espanhol a conduziu de volta a casa, indo direto para a cozinha.

– Sente-se.

Julia sentou a mesa. O cavaleiro abriu a geladeira pegando uma jarra de suco e depois no armário pegando um pacote de biscoito. Em outro pegou copos e uma vasilha redonda de vidro. Julia acompanhava a movimentação e Esdras tinha ciência disso o que o deixava um pouco incomodado. Depois de arrumado levou tudo numa bandeja.

– Espero que goste.

– Obrigada.

Levou um biscoito a boca, achando o saboroso.

– É muito bom.

– Miro adora e como são do mesmo signo supôs que gostaria.

– São deliciosos... Posso perguntar uma coisa?

– Diga.

– Como é o inferno? — imaginava como era, pois viu na série, mas queria escutar a versão dele.

O rosto dele contraiu, dando um claro sinal que não gostara da pergunta.

– O próprio nome já diz. — disse seco.

– Mas tem aquelas prisões?

– Sim. É melhor comer.

Julia entendeu o recado, ficando calada.

O restante do lanche foi feito em silêncio e ao final Shura a conduziu até a sala.

– É só seguir em linha reta. Não tem erro.

– Tudo bem.

– Espere.

O cavaleiro foi até a cozinha e voltou trazendo o pacote de biscoito nas mãos.

– Pode levar.

– Mas é seu...

– Leve.

Pegou para não contraria-lo.

– Obrigada. Até mais.

– Até.

Fechou a porta assim que ela saiu, soltando um suspiro aliviado por ela ter ido embora. Não porque era uma pessoa desagradável, apenas porque não sabia como trata-la.

Do lado de fora Julia soltou um suspiro desanimado. Havia uma grande barreira entre ela e Shura.

– "Até parece ser a muralha de cristal..." — pensou indo embora.

O.o.O.o.O

Depois do primeiro encontro equivocado, Kanon tratava Suellen com mais cortesia, oferecendo até um lanche. Estavam sentados na mesa de jantar, com o marina contando sobre o fundo do mar.

– É um lugar bonito, mas aqui é mais. Só não é pelo calor.

– E Poseidon te liberou na boa?

– Liberou, ele não está pensando em guerrear e também porque eu pedi. Queria ficar perto do Saga, ele precisa de alguém que fique de olho nele.

– Mas o Saga é tão certinho! Não tem cara de aprontar.

– Não é isso... — deu um meio sorriso. — o meu irmão passa por muitas dificuldades. Ele precisa de alguém vigiando-o por vinte e quatro horas.

– Que tipo de dificuldades? — ficou curiosa.

– Que isso fique aqui.

– Tudo bem.

– Ele tem problemas psicológicos.

– Mas isso todo mundo já sabe. A série deixou bem claro.

– A série mostrou apenas uma parte. A situação dele é bem pior.

Kanon começou a narrar a história de Saga, a medida que Suellen ouvia ficava perplexa.

– E mesmo com o tratamento, ele pode surtar a qualquer momento.

– Nunca pensei que pudesse ser tão sério.

– Mas é... não comente nada, por favor.

– Não vou dizer nada.

– É por isso que pedi a Poseidon para me liberar, eu preciso cuidar dele.

– Você gosta mesmo dele.

– É a única família que tenho. — sorriu. — apesar de às vezes ele ser um chato, gosto muito dele.

– Ele quem vai suceder Shion?

– É o Aiolos. Saga seria o auxiliar, mas ele não quer de jeito nenhum.

– Ainda deve se culpar por tudo que aconteceu.

– Também acho, mas devo respeitar a vontade dele.

– Mudando de assunto, esses biscoitos são uma delicia.

– Sou viciado neles. Pode comer a vontade.

Os dois ficaram conversando mais um pouco, já era tarde quando Suellen decidiu ir embora. Kanon foi até a saída de Gêmeos com ela.

– Volte sempre Suellen.

– Obrigada e mais uma vez desculpe pelo nome.

– É passado. Posso te perguntar uma coisa?

– Se eu souber...

– Qual é o cavaleiro favorito da Cristiane?

– Ela gosta de todos... — tentou ser evasiva.

– Mas tem um que ela gosta mais.

Suellen ficou calada, não poderia falar, pois cairia rapidinho nos ouvidos de Saga.

– Isso vai ficar entre nós Suellen.

– Promete?

– Prometo. — disse sério.

– Posso confiar mesmo? — indagou desconfiada.

– Quero saber por uma boa causa. Não vou dar de cima dela.

– Certeza? — ainda não estava convicta.

– Absoluta.

A brasileira ainda pensou mais um pouco.

– Você não soube disso por mim. — aproximou.

– Pode deixar.

– É do seu irmão.

Kanon esboçou um sorriso e Suellen não gostou nada.

– "Ela vai me matar por ter contado."

– Obrigado pela informação, foi muito útil.

– Não vá contar para ninguém! — tinha a leve sensação que ele contaria.

– Prometo.

O.o.O.o.O

Depois da conversa com Saga, a brasileira foi direto para o quarto. Estava vazio. Deitou na cama, pensando no problema do geminiano.

– Por que eu só arrumo gente problemática...

Notas finais
Agradecendo a todos que acompanham a fic! Beijos!