A Lenda dos Santos de Atena
24 Amores & Bebidas...
Shion não demorou no banho, ficando apenas de calça de moletom preta. Olhou-se no espelho observando as cicatrizes provocadas pelo uso da Surplice, eram pequenos cortes, mas vários e profundos, não apenas no peito, como nas costas. Fora as marcas nos pescoço devido as correntes na hora da tortura. O que Liz acharia delas? Caminhou até o frigobar que tinha no escritório pegando uma garrafa de vinho e uma taça. Abriu a garrafa enchendo o copo até a metade. Sentou ao piano, começando a dedilha-lo.
Paula certificando-se que não tinha sido vista subiu correndo rumo ao quarto de Shion, deu um sorriso ao ver a luz acesa por debaixo da porta.
– "Preciso de uma desculpa... — pensou. — já sei!"
Enchendo o peito de ar bateu a porta.
O ariano parou de tocar, caminhando até a porta. Quem seria?
– Paula?? — levou um susto.
A brasileira ficou estática, fitando o dorso de Shion. Como ele conseguia ser tão lindo, apesar das cicatrizes?
– Desculpe... — disse por fim. — é que me pediram para avisar que estamos no jardim das rosas...
– Tudo bem. — ficou corado, ao perceber que estava sem camisa. — obrigado.
– De nada... bom... vou indo...
– Espera. — a voz saiu de uma vez. — não quer tomar vinho comigo?
– Posso? – se conteve para não sorrir demais.
– Sim. Entre...
Ele deu lhe passagem. Paula entrou mirando a garrafa sobre o piano. Nem percebeu que Shion foi até o quarto vestir uma camisa. Voltou trazendo uma taça.
Paula sentou num sofá próximo, enquanto era servida.
– Um pouco de música? — indagou o ariano.
– Por favor.
As mãos de Shion deslizavam pelas teclas. De olhos fechados Paula ouvia. Boa música, bom vinho e boa companhia, o que mais poderia esperar?
O grande mestre dividia a atenção entre o teclado e a brasileira. Como seria bom se todo o dia pudesse tocar para ela.
A música acabou.
– Bravo. — Paula aplaudiu. — você toca divinamente. — levantou parando ao lado do piano.
– Obrigado. Liz dizia que eu levava jeito. — saiu sem perceber.
– Liz?
Shion ficou branco.
– Era alguém próximo a você? — Paula queria esganar essa tal de Liz, mas preferiu adotar outra tática.
O ariano analisou as feições da brasileira. Elas não diziam nada.
– Era...
– Sua namorada?
– Pode se dizer que sim... – abaixou o rosto fitando o teclado.
– E o que houve? – indagou com a voz mais cometida para esconder a curiosidade.
– Ela foi embora... eu era o grande mestre e ela uma serva... as funções de grande mestre são muito severas...
– Você a amava?
O cavaleiro ergueu o rosto.
– Sim.
– Ainda a ama? — essa era pergunta crucial.
Shion foi pego de surpresa.
– Acho que sim... foi há tantos séculos e interrompido de maneira tão brusca... — silenciou. — desculpe, não deveria falar dessas coisas. Eu sempre tão decidido e agora pareço um fraco....
– Não é fraco Shion, ao contrário, mostra que tem sentimentos. — segurou nas mãos dele.
– Sou fraco sim, pois tenho medo de sofrer de novo. — puxou sua mão, caminhando até a janela.
– Sofrer de novo? – o fitou sem entender.
– Você vai embora...
O.o.O.o.O
A conversa entre Rodrigo e Atena continuava animada. O brasileiro tinha percebido que Atena assumira a palestra.
– Não tem vontade de voltar a morar lá?
– Sinceridade? Não. Acostumei tanto a vida dos humanos que não sei se conseguiria viver lá.
– Os humanos realmente conquistaram o coração de Atena. – sorriu.
– Conquistaram. Por isso quero tanto protege-los.
– Se eu tivesse cosmo seria seu cavaleiro com prazer. Não hesitaria em arriscar a minha vida por você.
– Está dizendo a verdade? — indagou surpresa.
– Estou. — virou-se completamente para ela. — eu gosto de você. Sempre tive uma feição maior pela Saori Mitsui, mas agora descubro que gosto também do lado imortal.
Atena ficou em silêncio, pois não conseguia formular coisa alguma. Seu coração batia depressa e sentia a face esquentar.
– E o que sente pela Cristiane? — precisava saber. — pode ser sincero, não vou fazer nada.
– Como te disse mais cedo somos apenas amigos.
– Só amigos?
– Eu gosto de você Atena. — disse calmamente. — só você tem um lugar aqui. — apontou para o peito.
Ela sorriu. Rodrigo levantou indo até ela ajoelhando na sua frente.
– Serei seu eterno cavaleiro.
O sorriso abriu ainda mais. O jovem levou a mão até o rosto dela acariciando, aos poucos foi aproximando tocando levemente seus lábios vermelhos. A deusa correspondeu ao gesto, iniciando um terno beijo. Vendo que era correspondido, Rodrigo aprofundou o contato, que foi parado por um gemido, não de prazer, mas de dor. O brasileiro sentiu as mãos de Atena apertarem com força seus ombros.
– O que foi Atena?
Ela não respondeu, o rosto estava pálido, os olhos fechados.
– Atena!
– Dói... — murmurou. — dói muito... — duas lágrimas rolaram pela face dela.
– Onde dói? — ficou temeroso. — são aquelas dores?
– Sim...
– Eu já volto...
Ele a deitou, saindo correndo até a biblioteca buscar os comprimidos e água. Rapidamente voltou.
– Tome.
Atena ingeriu três comprimidos de uma vez.
– Sente-se melhor? — estava muito preocupado.
– Sim...
– É melhor você deitar. — a pegou no colo.
Rodrigo a levou para o quarto, deitando-a na cama de forma delicada. Tirou-lhe os sapatos e a cobriu.
– Ainda está sentindo dor?
– Não. Passou...
– Descanse.
Pegou na mão dela e de repente sentiu um forte aperto, o rosto de Saori contraiu todo.
– Atena! — desesperou. — vou chamar alguém.
– Não! — segurou a mão dele. — vou ficar bem, só fique aqui comigo, por favor.
– Fico. — puxou uma cadeira colocando-a ao lado da cama. — vou ficar aqui o tempo que for preciso.
– Obrigada... — esboçou um sorriso.
– Agora durma. — deu lhe um beijo na testa. — vou ficar aqui.
Não demorou muito para a deusa dormir, Rodrigo continuou ao seu lado.
O.o.O.o.O
Paula o fitou fixamente. O que ele queria dizer com "você vai embora"?
– Você não quer que eu vá?
– Não... — ele não a olhou. — mas devo fazer o certo. Para o bem do santuário você deve ir.
– Novamente vai colocar o santuário na frente? Primeiro com a Liz e agora comigo? — o tom de voz aumentou.
– Sou o grande mestre. Não posso simplesmente colocar minhas vontades acima do meu dever. — a voz saiu autoritária.
– Eu não represento nada para você?
– Não é isso. — a fitou. — não posso agir de forma leviana Paula, nem com o santuário, nem com você, apesar de que vai se esquecer de mim quando passar pela barreira.
– Não vou.
– Vai sim. — virou-se completamente para ela. — a memória de vocês serão apagadas.
– E isso termina assim? O que sentimos um pelo outro, não conta? Por que conta para Mu, Ricardo e Dohko e não conta para nós?
– Eles não carregam o título de grande mestre.
Ele deu um passo, Paula recuou dois.
– Mesmo que você ficasse. — iniciou. — o que posso oferecer? Esse corpo está ficando velho rapidamente. Como posso te dar um futuro assim?
– Queria ter um futuro comigo? — aquela última frase lhe deu ânimo.
Shion silenciou-se.
– É melhor você ir Paula. — abaixou o rosto. — lute por alguém que valha a pena, não por mim. — virou as costas.
A brasileira caminhou até ele, tocando-lhe no braço.
– Se tivermos um futuro, você pode tocar e eu dançar. — sorriu. — rende uns trocados.
O cavaleiro arregalou os olhos surpreso.
– Pense nisso. — ficou nas pontas dos pés, dando lhe um beijo na bochecha. — eu quero muito tentar, mesmo que dure pouco. E acho que deveria também. Boa noite.
Paula saia, mas antes de chegar a porta Shion a chamou.
– Sim...?
Ele caminhou até ela. Delicadamente tocou-lhe no rosto. Aos poucos o cavaleiro foi inclinando o rosto até tocar em seus lábios. Começou terno, mas foi se tornando lascivo. Shion aprofundou o contato e Paula passou as mãos pelas madeixas verdes, segurando a nuca do cavaleiro. O ariano abandonou os lábios dela, passando a explorar o pescoço e o colo. Paula puxou a camisa dele retirando-a rapidamente. Os dois trocaram olhares ardentes, a paraense deslizava os dedos pelas cicatrizes, dando em seguida pequenos beijos em cada uma delas, como tiveram coragem de macular um corpo daquele? Shion sentia arrepios a cada toque dela. Não aguentando mais a pegou no colo, levando-a para o seu quarto.
A paraense sentiu a colcha macia nas costas, mas que não se comparava ao toque do ariano. A cada toque um arrepio, ele sabia muito bem como despertar desejo com um simples toque. Shion tirou suas calças e a blusa dela. No instante seguinte livrou-se do soutian, passando a língua em torno dos mamilos, aos poucos foi descendo e Paula segurou forte a colcha ao sentir a língua de Shion na sua feminilidade.
– Shion...
O cavaleiro parou o movimento, tirando sua cueca. Paula deu um grande sorriso. Shion era perfeito. Ele roçou seu membro na entrada, fazendo movimentos circulares, deixando-a em estado de alerta.
– Vamos Shion...
Ele sorriu diante do pedido dela. Aos poucos foi inclinando, até tomar-lhe os lábios de forma possessiva.
– Realmente quer algo? — indagou sem afastar seu rosto do dela.
Paula fitou as íris arroxeadas e pouco acima delas as pintas lemurianas. Aquele belo rosto seria só dela? Aquele corpo escultural seria somente dela? Sorriu.
– Não imagina o quanto. — inclinou o corpo ficando de joelhos na cama.
Ela tomou lhe os lábios abruptamente, deslizando sua mão até o membro dele, que estava quente e duro, Shion soltou um gemido ao senti-la ali.
– Você me quer? — disse dando beijinhos nos lábios dele, enquanto sua mão massageada a masculinidade dele.
– Muito... — a voz saiu num sussurro.
– O que está esperando? — deu um sorriso sacana.
Com o peso de seu corpo, foi inclinando a brasileira até vê-la deitada, roçou novamente seu membro, na cavidade e penetrou lentamente para não causar qualquer tipo de desconforto. Aos poucos foi aumentando o ritmo... Paula chegou ao êxtase primeiro, seguido pelo ariano.
Shion deitou sobre ela, tendo o cuidado para pressiona-la com seu peso.
– Quer realmente algo comigo? — a fitava fixamente.
– Muito. — acariciou o rosto. — muito.
Ele sorriu, envolvendo-a num abraço. Paula aconchegou a cabeça no peitoral dele. Era tão pequena perto dele, que ele parecia um casulo.
– Então teremos. — dava pequenos beijos nos cabelos negros.
O.o.O.o.O
Shaka e Juliana ao chegarem ao jardim tomaram rumos distintos. Ela foi se juntar a Mabel e Ester, enquanto ele a Mu e Deba.
– Onde esteve? — indagou o ariano.
– Por aí. Só tem bebida alcoólica?
– Sim. Era para ser uma comemoração, mas pelo jeito... até Aioria sumiu.
– O que é isso que está bebendo?
– Vinho.
– E o treino de amanha?
– Só uma taça.
Shaka procurou por um copo, pedindo para Shura servi-lo.
– Vai beber? — indagou surpreso.
– Vou.
Shura não disse mais nada servindo o indiano. Shaka só tomara algo alcoólico uma única vez, há muitos anos. Quando a bebida chegou a garganta, sentiu-a queimar. Logo o rosto ficou vermelho.
– Devagar Shaka.
– Enche o copo.
O espanhol arregalou os olhos.
– Melhor me dar essa garrafa. — tomou a garrafa. — vou sentar ali.
Saiu sobre o olhar espantado de Esdras.
– O que deu nele...?
Perto dali Mu trazia os olhos arregalados ao ver o indiano saindo com uma garrafa. Deba também tinha visto.
– Shaka vai beber? — o taurino estava surpreso.
– Se for, amanha vai passar muito mal. Lembra-se daquela vez?
– Não tem como esquecer, ele vomitou no meu pé. — riu.
Mu sorriu, voltando a atenção para onde Ester estava. Encheu seu copo e foi atrás dela.
Helu e Marcela arranjaram uma garrafa só para elas, fazendo apostas de quem virava mais rápido.
Julia depois de deixar Shura foi atrás de Miro, chamou-o num canto.
– Preciso de um favor. — desde a hora do jantar estava decidida a fazer algo.
– Que favor?
– Promete que não vai contar a ninguém?
– Prometo.
– Pode me levar até o Mask?
– Como? Ficou doida?
– Por favor Miro. Só posso pedir isso a você.
– Atena me mata se descobre. Além do mais ele pode machuca-la.
– Não mais que o Shura... — disse evasivamente.
– Shura machucou você? — arregalou os olhos. — como ele teve coragem de bater em você??
– Ele não me bateu Miro, não nesse sentido... — deu um suspiro. — afinal vai me ajudar ou não? Por favor, eu preciso falar com ele.
O escorpião franziu o cenho.
– Sei não...
– Por favor, Miro. — impôs as mãos. — é importante.
– Estou vendo que vou me ferrar... vá para a porta da cozinha, vou em cinco minutos.
– Obrigada! — o abraçou.
– Vai... — sorriu.
Julia fingiu que olharia as outras rosas, saindo de fininho das vistas dos demais, contudo um par de olhos negros a vigiava e notou quando Miro tomou a mesma direção. Esdras os seguiu.
Mu aproximou de Ester parando do lado dela.
– Vou pegar mais bebida, vem comigo Ju? — indagou Mabel sorrindo.
– Claro.
As duas acenaram.
– Oi. (A conversa é por telepatia.)
– Oi.
– Vamos sentar ali atrás?
Os dois fizeram uma rápida caminhada, sentando num banco de madeira. Sentaram bem juntinhos com o ariano passando o braço pelo ombro dela. Ester aproveitou para aconchegar no peitoral dele.
– Deba não está com a cara muito boa. — acariciava o braço dele.
– Ele ainda está com raiva.
– Mas não tem motivo.
– Mas a cabeça dele é dura Ester. É um touro teimoso.
– Mabel está magoada com ele.
– Eu disse, mas não me escuta... não vamos falar dele. — a fitou. — nem tivemos prazo de ficarmos juntos... — deu vários beijinhos na boca.
– O santuário é agitado e vai ficar ainda mais com um casamento.
– Queria que fosse o nosso. — ficou vermelho.
– Está falando sério?
– Sim... pela primeira vez comecei a sonhar com uma família... — desviou o olhar. — mas tenho medo...
– De que?
– Ah... é um sonho quase impossível... tem a barreira... não gosto de pensar nisso, mas é algo presente... você pode ir a qualquer momento. — a fitou tocando lhe no rosto. — e eu não queria que fosse...
– Se tivéssemos uma família iríamos morar aqui?
– Talvez... Kiki ainda tem que crescer antes de ter a armadura...
– Sério que pensa em nós como uma família?
– Penso... — sorriu envergonhado. — pareço um bobo, não é? Sei que no mundo lá fora, as coisas não funcionam assim. Duas pessoas que se conhecem a poucos dias e já pensando em casamento... sei que te assusto.
– Claro que não. — Ester segurou o rosto dele entre as suas. — você está sendo sincero comigo e para falar a verdade, também penso assim sobre nós. Nunca tinha pensando em casar, essas coisas, mas com você... — passou a mão de forma delicada nas pintas lemurianas.
– Se pudesse ficar, ficaria comigo?
– Sim.
Ele sorriu.
– Gostei de saber senhora Slaviero.
– Slaviero?
– É o sobrenome da minha mãe. Ouviu falar da Yuzuhira?
– Sim.
– Sou descendente do clã dela. Alguns membros sobreviveram ao ataque de Tokusa, refugiando-se no interior da Itália.
– Itália? — indagou surpresa.
– Meio longe de Jamiel... — sorriu. — mas perto suficiente para Sage, Hakurei e Shion tomarem conta. Nossa raça pode viver muitos anos e já na velhice meu pai conheceu a minha mãe.
– Como eles se chamavam?
– Minha mãe era Anna e meu pai Samaras. Antes de morrer ele pediu para voltar para Jamiel, pois queria ver nossa terra natal, minha mãe já estava grávida, mas acatou o pedido. Ficaram por alguns meses e antes de eu nascer, resolveram voltar. Só que meu pai morreu. Minha mãe teve um parto difícil e aí... fui criado por Shion. Ele quis homenagear os dois colocando Mu Slaviero. Mu por significar Lemuria e Slaviero por minha mãe.
– Eles devem ter muito orgulho de você. — tocou as pintinhas.
– Acho que sim.
– Então se tivermos filhos eles serão lemurianos?
– Talvez. Eu já tenho metade do sangue "humano".
– E o Kiki?
– É do clã de Shion. Também é mestiço. O único que tem sangue "puro" é o meu mestre.
– Eu queria que nossos filhos tivessem essas marcas. São lindas.
Mu sorriu.
– O que foi?
– Você me fazendo sonhar. Nossos filhos... não tinha perspectiva alguma de ter família, alias de viver tanto tempo e agora Atena me deu a oportunidade de continuar vivendo e você, de ter uma família... — segurou o rosto dela. — obrigado Ester. Mesmo que isso não se concretize, obrigado por me fazer sonhar.
– Nosso sonho pode ser possível... — deu lhe um selinho. — você permitiu que eu pudesse escutar um "som", se eu puder realizar esse seu sonho ficarei muito feliz.
Mu tocou o rosto dela com carinho. Aproximou dando um beijo apaixonado.
O.o.O.o.O
Gabe escutava Jules contar sobre a cueca de Dohko. Estava feliz pela amiga, mas não queria escutar. Seria falsa se dissesse que estava bem. Ver aquele colar no pescoço de Marin doeu. Pediu licença dizendo que ia ao banheiro, mas na verdade queria sentar longe dali, para digerir a ideia de que Aioria seria de Marin. Estava tão preocupada em não ser vista que não viu que estava indo para a mesma direção que o leonino tinha ido.
O grego estava sentado debaixo de um arbusto, tomando uma garrafa de vinho.
Gabe parou no meio do jardim soltando um suspiro.
– Queria espairecer?
Ela assustou-se com a voz olhando para o lado.
– Aioria?? Desculpe... eu... estou indo embora.
– Fica... — o rosto já estava corado por conta do álcool. A resistência dele era mínima.
A brasileira caminhou ate ele sentando ao lado, mas um pouco afastado.
– Não deveria está com a Marin?
– Deveria... mas ela tem afazeres...
– Parabéns. — estendeu-lhe a mão esboçando um sorriso. — desejo toda a felicidade do mundo.
Aioria a fitou, pelas bochechas Gabe percebeu que ele tinha bebido uma quantidade boa de vinho.
– Minha felicidade não está ao lado dela. — disse, voltando a atenção para a paisagem.
– Esta, só que ainda não percebeu. É a Marin que você ama Aioria.
– Me perdoe pelo que fiz. Não deveria ter te beijado.
– São águas passadas... sei que será feliz com ela e vai se lembrar dos beijos com humor.
– Enquanto você nem vai se lembrar de mim. Vai passar por aquela barreira e vai se esquecer de mim.
– Não é o melhor? Para todos? — o fitou.
Aioria a olhou.
– Talvez seja... — abaixou o rosto. — mas eu não lembrarei de nós com humor e sim como uma lembrança boa. Eu gosto de você Gabrielle.
Ela ficou em silêncio. Por que ele estava dizendo aquilo se não era verdade.
– Também gosto de você Aioria. — disse, naquela altura do campeonato nada iria mudar.
Num movimento rápido o grego a tomou nos braços. Gabe ficou tensa, Aioria estava muito próximo e aquilo era perigoso.
– Me solta Aioria...
Ele não disse nada.
– Por favor Aioria me solta... é da Marin que você gosta... me solta por favor...
Parecia não ouvi-la pois ao invés de afastar, aproximou ainda mais tocando os lábios dela. O beijo começou com volúpia, mas depois foi ficando carinhoso. Aioria sabia que se a beijasse estava destruindo seu futuro com Marin, mas o que sentia por Gabe era mais forte. A paulista não queria se deixar levar pelo contato, mas o grego exercia uma forte influência sobre ela. O contato acabou pela falta de ar, de Aioria.
– Me desculpe. — levantou as pressas, sentindo a cabeça rodar. — eu preciso ir.
Saiu com passos pouco precisos. Gabe percebeu que ele não estava bem e que naquele estado seria perigoso, foi atrás.
Aioria andava cambaleando, ao chegar perto das escadas que levavam a Peixes, parou, pois uma crise dava inicio. Buscava de forma desesperada pelo ar.
– Aioria.
Ele a fitou, sem conseguir dizer nada.
– Fique calmo. Agora devagar... respira....
Ele puxava o ar desesperadamente, Gabe tentava não mostrar nervosismo, mas estava aflita.
Ainda passou vários minutos até a respiração voltar ao normal.
– Sente-se melhor? — suspirou aliviada.
– Sim...
– Vou te levar embora.
– Não precisa, vou ficar em Sagitário.
– Precisa sim. Vem.
Aioria apoiou-se em Gabe e dois seguiram para a nona casa.
O.o.O.o.O
Sheila e Fernando já estavam na segunda taça. O brasileiro, resolveu parar pois sabia que era fraco para bebidas.
– Já tomei minha cota Sheila.
– Que isso Fê? Ainda temos meia garrafa e do vinho dos bons! — a paulista estava com as bochechas vermelhas. — vamos entornar todas!
– Não acho que seja uma boa ideia...
– Meus caros amigos, champanhe? — Dite apareceu com uma garrafa.
– Não Afrodite, já encerrei por hoje. — disse Fernando.
– Pois eu não! Enche o copo Dite! — exclamou animada.
– Temos uma animada no grupo. — encheu o copo sem dó.
De longe Aiolos a fitava, pelo jeito da conversa que Sheila estava tendo com Fernando e pelo estado dela era bem capaz dos dois acabar juntos no final da noite.
– Sheila, será que posso roubar o Fernando um pouquinho?
– Você o quer? — arregalou os olhos. — Dite que pegar o Fê!
– Sheila.... — murmurou Fernando desanimado.
– Não Sheila, a chave está virada para o feminino, quem que eu quero atende pelo nome de Mabel.
– Quero te desanimar não Dite... mas a Mabel gosta do Ricardo. É amor antigo.
– Posso reverter o quadro. Pode vir comigo? — olhou para o mineiro.
– Sim.
– E você fique aqui. E não beba muito. — o sueco a fitou divertida.
– Pode deixar.
Dite arrastou Fernando para um canto.
– Tome. — entregou-lhe uma chave.
O mineiro não entendeu.
– Marin está na minha casa.
– E o que tem haver comigo? — indagou assustado.
– Não se faça de sonso. Está falando com Afrodite de Peixes, esse nome não é atoa. — a voz saiu seca. — Se gosta da Marin lute por ela.
– Está enganado...
– Sei muito bem o que estou dizendo. Você gosta dela não gosta?
– Ela vai se casar...
– Ela ainda não casou.
– Não sei se devo Gustavv, não quero atrapalhar a vida dela. Aioria é muito mais partido do que eu.
– Se tem uma coisa que odeio é homem frouxo. As únicas duas coisas que pode impedir de você ficar com ela é a barreira e você. Com a barreira não tem muito que fazer, já o fator "você" precisa se empenhar mais.
Fernando pegou a chave.
– Marin é minha pequena ruiva e quero vê-la feliz com você ou com Aioria, mas se um dois a fizer sofrer, não fique achando só porque é um homem comum que não acabo com você. Agora vá.
Dite praticamente o empurrou. Desde que Marin contara a ele sobre o envolvimento com o brasileiro, achou que a situação tinha se resolvido, no entanto só complicou. Se Marin tinha dúvidas na união, dias atrás, era claro que as dúvidas só tinham a aumentar e a resolução daquele conflito deveria ser rápida, para que os quatro sofressem menos.
O.o.O.o.O
Não demorou muito para Miro encontrar com Julia. Os dois seguiram em silêncio em direção ao caminho que levava o templo a arena dourada. A certa distancia Shura os seguia, ocultando seu cosmo.
Passaram pelo alojamento das servas, pela fonte, até atingir a Arena Dourada. Durante o trajeto o espanhol ficou imaginando onde o pervertido escorpião iria levar Julia, quando eles tomaram o rumo da Arena ficou alarmado. De certo Miro a levaria até Mask.
– Espere aqui. — disse Miro. — vou distrair o guarda.
Ela concordou escondendo atrás de uma árvore. Miro foi até a entrada das masmorras que ficava atrás da Arena Dourada. Conversou rapidamente com o guarda, fazendo uma troca de favores. Cerca de cinco minutos depois voltou.
– Caminho está livre.
– E o guarda?
– Arrumei um encontro dele com a Shina. — sorriu.
– Ela vai te matar.
– Eu sei. Por isso o preço que vou cobrar de você será alto. — o grego segurou o queixo da paulista.
– Ter a minha amizade é mais que suficiente. — devolveu o sorriso.
– Mas eu não quero apenas amizade, quero algo mais profundo.
– Pois vai ficar na vontade... — como aquele homem era cara de pau!
– Mask não é ciumento.
– Mask?
– Não é dele que gosta?
– Ele só é meu amigo.
– Amigo... — a soltou. — sei...
– Pois é a verdade. Gosto mesmo do... — calou-se.
– Só vai ver o Mask se me contar de quem gosta.
– Miro, por favor...
– Fale Ju. — cruzou os braços sobre o peito.
– Do Shura... — a voz sai bem baixa.
– De tantos cavaleiros logo ele?
– Para você ver... — saiu ainda mais desanimada.
– Está gostando do cara mais problemático do santuário e olha que o Saga tem problema.
– Problemático? — ficou interessada.
– Tem sério problema com relacionamentos... um dia ele te conta. — deu nos ombros.
– Ah não Miro me conta agora.
– Vá ver o Mask. — a empurrou.
De onde estava Shura não pôde escutar, mas ao julgar pelos gestos do grego sabia que ele tinha segundas intenções com Julia. O sangue ferveu.
Pararam em frente ao portão.
– A descida é íngreme e escura, então tome cuidado. Ao descer siga pelo corredor, tem muitas celas, mas o único que esta preso é o Gio. Vou te esperar aqui.
– O guarda não vai voltar?
– Não.
– Pode ir então. Eles vão dar por sua falta.
– Tem certeza?
– Tenho. Eu volto sozinha.
– Tome cuidado. — deu um beijo na testa.
– Obrigada Miro.
O escorpião tomou o rumo da Arena, Julia segurou firme a tocha que o grego lhe dera, já que a iluminação naquele lugar era feito por tochas. Respirando fundo começou a descer. Assim que Miro passou por Shura, o espanhol aproximou-se mais da entrada, ficando escondido.
O.o.O.o.O
Shaka estava do outro lado do jardim. As faces estavam vermelhas e o vinho já não descia com tanta dificuldade. Sabia que no dia seguinte sentiria muito mal e até poderia levar uma advertência por causa do abuso do álcool, mas como Giovanni dizia, a bebida ajudava a esquecer os problemas e o maior problema de Shaka atendia-se pelo nome de Juliana. As explicações dos outros golds a respeito de relacionamentos e sentimentos haviam confundido ainda mais a mente do indiano. Levou a garrafa a boca, precisava meditar sobre isso.
O.o.O.o.O
Kamus indicou a Isa um banco mais afastado. Sentaram admirando a bebida e a vista.
– Não imaginava que soubessem nossas falas.
– Sabemos muitas outras. O que eu ainda não sei é sobre sua irmã.
O francês pegou a garrafa que estava num canto, enchendo o copo de Isa.
– Esse chá rendeu... — deu um sorriso.
– Não imagina o quanto.
Isa sorriu deixando o aquariano intrigado, será que tinha acontecido algo a mais que um simples chá?
– Ela se chama Claire e mora em Marselha. Tenho dois sobrinhos.
– E seus pais?
– Morreram quando eu era pequeno. Tínhamos uma tia, mas ela não tinha condição de cuidar de nós dois. Ela ficou com Claire enquanto eu fui trazido para cá. Acabei perdendo o contato com ela, só quando voltei a vida é que fui procura-la. Ela já estava casada e com dois filhos. Como eu fui dado como desaparecido as propriedades que eram dos meus pais passaram para ela.
– E como ela é?
– Seus cabelos são mais alaranjados e olhos azuis. Ela é muito bonita e se parece muito com a nossa mãe.
– Tem muito tempo que não há vê?
– Meses. Passei o último natal lá.
– Eu gostaria de conhecê-la.
– Quem sabe um dia... — Kamus deu um sorriso enigmático
– É quem sabe...
– Boa noite. — Aiolos chegou com um sorriso nos lábios, fazendo com que Kamus fechasse a cara.
– Oi Aiolos, sente conosco. — Isa arredou para que o sagitariano sentasse entre ela e Kamus.
– Estou procurando o meu irmão alguém o viu? — sentou.
– Deve está comemorando por aí. — disse Isa mais séria, lembrando-se de Gabe.
– Espero que ele não beba muito.
– Por que não vai atrás dele? — indagou Kamus de forma fria.
– Quer ajuda? — ela ofereceu apenas para ter certeza que o leonino não tinha ido atrás de Gabe.
– Quero. — levantou. — agradeço muito.
Sentiram a temperatura cair de repente.
– Nossa... esfriou.... — a paulista envolveu os braços.
– Posso arranjar um agasalho para você.
– Vou querer mesmo.
A temperatura caiu ainda mais, quando Isa fitou o aquariano, viu a expressão fechada dele. O olhar de Kamus era glacial.
Ele levantou de repente.
– Vá procurar seu irmão sozinho. — praticamente empurrou Aiolos. — vem.
Pegou a mão da paulista praticamente a arrastando para fora dali.
O.o.O.o.O
Jules, Dohko, Mabel, Cris e Suellen brindavam.
– Também quero. — Kanon chegou. — um brinde a nós, pois o dono da festa já sumiu.
– A nós! — levantaram as taças.
Saga estava sentado num canto. Esdras e Shaka tinham sumido, Kamus estava com Isa e Deba com cara de poucos amigos.
No grupo apostavam que virava de uma vez e Saga acompanhava a brasileira tomar uma taça de vinho de uma vez.
– Não vai lá no Saga? — indagou Su.
– Eu não.
– Deixe o meu irmão no vácuo mesmo, vê se ele aprende. Mais uma rodada!
O geminiano fechou ainda mais o rosto, quando viu Kanon encher o copo dela.
– "Que se dane." — pensou, tomando o rumo da saída.
Viram a saída dele, mas não disseram nada.
O.o.O.o.O
Juliana que procurava por Gabe notou a bebedeira de Sheila, que já tinha virado praticamente uma garrafa de vinho sozinha.
– Sheila não bebeu muito?
– Eu? — apontou para si. — estou ótima!
– Oi. — Aiolos aproximou. — viram o meu... — parou de falar ao notar as bochechas vermelhas de Sheila. — quanto já bebeu?
– Muito. E não me amole!
– Cadê o Fernando? — o mataria por deixa-la beber tanto.
– Foi ser feliz. — sorriu. — tem certeza que não quer Ju?
– Não...
– Já bebeu o suficiente Sheila. — tomou a garrafa. — vou te levar embora.
– Não toca em mim! — afastou-se. — não tem o direito de colocar a mão em mim.
Juliana ficou preocupada, pelo estado da amiga, daqui a pouco ela jogaria algumas verdades na cara do grego.
– É melhor irmos Sheila, já está tarde. — a oriental tentou fazer algo.
– Eu não quero dormir agora.
– Pode deixar Ju eu cuido dela.
– Não preciso de babá! Ainda mais de um pirralho como você!
– O quarto dela é o de Gêmeos. — disse. — qualquer coisa me chame. — tirou o dela da reta.
– Tudo bem.
Ju saiu de fininho.
– Vou te levar embora Sheila. — pegou no braço dela.
– Já falei para não me tocar. — puxou o braço. — só homens podem tocar em mim e você é um garoto! Cadê o Afrodite? Ele é um homem de verdade.
– Então acha que ele é um homem de verdade? — o olhar ficou frio.
– Sim, ele pelo menos sabe o que quer, não é como alguns cavaleiros... quer que eu dê exemplos?
Tudo que Sheila sentiu foi ser puxada pelo grego, que a beijou.
– Nossa... — ela recuou. — agora senti firmeza. Provou ser homem... agora quero vê-lo só usando essa faixa.
– Minha faixa?
– Eu tenho uma tara por sua faixa... fica tão sexy. — deu uma piscadinha.
– Se quiser eu empresto para o Afrodite ou para o Fernando. — disse contrariado.
– Não é a mesma coisa. — tocou no peito dele. — minha fantasia é com você usando só a faixa... com outros não tem graça.
Aiolos arregalou os olhos. Sheila estava completamente fora de si.
– Vou te levar embora agora.
Passou a mão no braço dela arrastando-a.
O.o.O.o.O
Mabel saiu do grupo indo para perto da fonte, colocar a garrafa num canto.
– Será que podemos conversar? — Aldebaran parou do lado.
– Diga.
– Vem comigo.
Foram para um local um pouco afastando, mas dentro dos limites do jardim.
– Fale. — Mabel cruzou os braços sobre o peito.
– Sobre hoje a tarde. Sei que exagerei um pouco.
– Pouco?
– Muito... não deveria ter destruído suas rosas...
– Eu jamais esperaria isso de você.
– Eu sei... é que... eu sou ciumento... e quando te vi carregando as flores de Afrodite.... ele quer te roubar de mim.
– Sabe que isso não é possível. — a voz saia bem séria. — porque eu gostava de você. — usou o verbo no passado de propósito.
– Gostava? — recuou assustado. — quer dizer que... — passou a mão pelo cabelo de forma nervosa. — não quer mais ficar comigo?
– Seus ciúmes são infundados Deba. Quando me perguntou se eu queria ser sua namorada, por acaso eu hesitei em responder?
– Não... — abaixou o rosto.
– Precisava ter confiado nisso.
– Mabel... é que.... eu...
– Já tive namorados ciumentos e deu tudo errado. Não quero passar por isso de novo. Sempre deixei claro meus sentimentos por você, não confiou neles.
– Me desculpe... prometo que não faço mais nada. Prometo por Atena.
– Não a envolva. — advertiu. — isso é entre nós dois.
– Se eu pedir desculpas para o Gustavv, você me perdoa? Eu faço isso agora.
– Tem que pedir desculpas não é porque eu quero e sim porque você reconheceu que errou. — deu um suspiro. — eu vou dormir, depois a gente conversa.
– Mabel, por favor. — segurou o braço dela. — me perdoa.
– Está perdoado.
– Sério? — abriu um grande sorriso.
– Está. Eu vou dormir.
O sorriso morreu na hora.
– Vai dormir? E nós?
– Que nós? Apenas te perdoei pelo que fez, mas não significou que voltamos.
– Não me quer nunca mais?
– Nunca é uma palavra muito forte. Não te quero temporariamente, pelo menos ate eu pensar.
Deba recuou dois passos. Mabel só estava sendo delicada em dizer temporariamente. O certo é que estava terminando com ele.
– Está bem Mabel. — recuperou a postura séria. — faça como achar melhor. Boa noite.
O cavaleiro passou por ela, indo embora. Mabel soltou um suspiro.
– Homem teimoso...
O.o.O.o.O
Depois de deixar Sheila, Ju juntou-se ao grupo, contudo ficou preocupada por não ver o indiano. Disse que recolheria os copos, mas na verdade saiu a procura dele.
Shaka tinha acabado a garrafa, jogando-a de lado. O rosto estava em brasas e o estomago... sentia tudo rodar.
A brasileira passou por entre arbustos, vendo o indiano sentado na relva.
– Shaka? — chamou.
Ele abriu os olhos, que estavam bem moles. Ju viu a garrafa do lado.
– Você bebeu? Tudo?
– Sim... — mal a enxergava. — pode me ajudar a levantar?
E que dificuldade foi, ela com seu um metro e meio tentando erguer um metro e oitenta dois de altura, ainda mais tonto.
Mal suspendeu a cabeça, Shaka virou de lado, vomitando.
– Não deveria ter bebido. — ficou preocupada.
– Eu sei... me desculpe pelo constrangimento...
– Segure em mim.
Além de escorar na paulista, Shaka teve que apoiar num arbusto. A cabeça rodou e a ânsia de vomito voltou.
– Vou te levar para casa.
– Não precisa. Vou andando.
– Como? Mal consegue ficar de pé.
Ele a fitou e por pouco Ju não corou. Apesar da situação Shaka estava lindo, o rosto corado e os olhos azuis moles. Os fios loiros estavam totalmente soltos.
– Vem.
A passos lentos seguiram para Virgem.
O.o.O.o.O
Gabe acendeu a luz e seguindo as orientações levou o cavaleiro até o quarto de hospedes de Sagitário, até o ajudou a deitar.
– Tem certeza que está bem?
– Tenho. Obrigado... — ajeitou na cama.
– Não quer que eu chame o Aiolos? Ou a Marin?
– Eu não quero a Marin. — disse seco. — ninguém pode aliviar o que sinto aqui. Ninguém...
– Você só está confuso, mas no fundo sabe quem deve ficar do seu lado. Bebeu e o álcool faz isso.
– Já me sentia assim antes. — a fitou. — você destruiu o meu mundo perfeito.
– Ai-oria? — recuou assustada.
– Eu era feliz... — sentou na cama. — aí você destruiu tudo. Roubou minha paz e o amor que eu sentia pela Marin. Você! — gritou.
Os olhos de Gabe encheram de água.
– Devolve o que eu sentia pela Marin! — levantou. — devolve!
– Aioria... — as lágrimas desciam.
– Devolve! — parou a pouco dela, os olhos já marejados. — devolve meu mundo de antes!
– Me desculpe... eu não queria atrapalhar a sua vida.... juro que não queria...
– Mas atrapalhou. Roubou o que eu sentia por ela para você.... — os olhos marejados, derramaram as primeiras lágrimas. Aquilo era culpa, muita culpa. — eu... gosto é de você...
– Me desculpe... — agora as lágrimas desciam. — não queria... não queria...
– Gabe... — foi de joelhos ao chão. — eu... eu gosto é de você, não dela.... é de você...
– Não Aioria. Está errado. — limpava o rosto. — é da Marin que gosta. São anos e anos, não pode jogar isso fora por achar que gosta de mim. Não é justo com ela. Está de casamento marcado esqueceu? A barreira pode abri a qualquer momento e eu vou embora. Eu vou embora.
Ele a fitou.
– Só está confuso. — segurou o rosto dele. — mas no fundo é ela que você ama, não eu.
– Gabe...
Ele a abraçou com força.
– Tudo vai se resolver. — acariciava os cabelos loiros. — agora deita, amanha tem treino cedo.
Ele não a soltou.
– Vai Aioria. — teve que empurra-lo.
O leonino limpou as lágrimas levantando.
– Amanhã vai acordar decidido. — beijou-lhe na testa. — boa noite.
A resposta dele foi beija-la de forma ardente. Gabe teve que se afastar para interromper o contato. Saiu do quarto sem olhar para trás.
O.o.O.o.O
Mabel sentou num banco próximo. Esqueceram-se de avisar que não estava vivendo um conto de fadas. Podia ser a gata borralheira, ter seu palácio, seu príncipe, o amor dele, mas tinha que ter o ciúme no meio.
–Uma rosa por seus pensamentos.
A brasileira levou um susto ao ver Afrodite ao seu lado trazendo nas mãos uma rosa branca.
– Só estava pensando na vida....
– Atrapalho?
– Não. Senta aí.
O cavaleiro sentou a uma distancia relativa.
– Eu vi que o Ricardo saiu pisando duro.
– Não nos entendemos... — abaixou o rosto.
– Ele as vezes é um pouco turrão.
– Quem dera se fosse pouco...
– Posso perguntar uma coisa? Não tem haver com o assunto, mas queria que fosse sincera.
– Diga. — o fitou.
– De quem a Gabe gosta?
– De ninguém. — respondeu até rápido diante da pergunta.
– Claro que ela gosta de alguém. — sorriu. — pode não ser tão claro como a Ester, Jules e a Cris, mas ela gosta de algum dourado.
Mabel ficou em silêncio, brincando com a rosa.
– Estou perguntando por quê... — Dite contou suas suspeitas, mas apenas do lado de Aioria e Gabe. Com relação a Marin e Fernando ficou em silencio. — só preciso ter certeza disso.
– Por que vai fazer alguma coisa? Foi por isso que sugeriu a Gabe ser a madrinha?
– Sim. Esse casamento já vai começar errado, só ele não vê!
– A Gabe gosta dele. — disse, talvez pudesse ajudar a amiga.
– Sabia. Aioria não está sendo justo nem com ele, nem com elas.
– Ele não gosta da Marin?
– Gosta, mas não há ponto de dar um passo tão importante. Eu o conheci na época que era apaixonado por Marin, se fosse hoje, ele estaria dando pulos de alegria por ela ter aceitado e não foi o que vimos no jantar.
– Tem razão. Tenho pena das duas.
– Tenha pena da Gabe, que está no meio disso tudo. É muito mais fácil a Marin superar do que a Gabrielle.
– Acha?
– Tenho certeza.
– Mesmo estando brigada com Deba, estou em melhor situação que a Gabe...
– Você gosta dele. — disse sério.
– Não quero te dar falsas esperanças Dite. — o fitou. — pois eu sempre gostei do Deba.
– Percebi...
– Você está apenas equivocado comigo. Olhe para mim, em que posso tê-lo atraído?
– É encantadora Bel.
– Eu?
– Não se menospreze. — tocou no rosto dela, para depois afastar. — qualquer homem pode se apaixonar por você, comigo não seria diferente.
A brasileira nem tinha o que falar. Era o conto de fadas mais doido! Dois homens lindos disputando a amor dela? Fala sério, tinha algo errado.
– Já está tarde.
– Posso te levar até o templo? — deu um sorriso de cachorro abandonado.
– Sim. — sorriu. Afrodite sabia ser envolvente.
Os dois seguiram conversando outros assuntos. A "entrega" acabou se estendendo até a porta do quarto da brasileira.
– Obrigada Dite. Pode deixar que eu não comento nada sobre os dois.
– É melhor assim, se ninguém percebeu deixa quieto.
– Os outros golds devem ter percebido.
– Ah minha cara... — sorriu. — em se tratando de sentimentos, os cavaleiros de ouro são uma perdição, não enxergam um palmo na frente deles.
Ela riu.
– Boa noite Dite.
– Mabel... — o cavaleiro aproximou, dando-lhe um abraço. — eu sei que você gosta do Ricardo, — disse ao pé do ouvido. — mas eu não vou desistir de você. Tentarei até conseguir ter ao menos um pouco do seu amor.
A brasileira ouvia estática.
– Durma com os anjos. — deu lhe um beijo na testa. — boa noite.
Mabel ainda ficou um bom tempo, parada na porta. Definitivamente era um conto de fadas maluco!
O.o.O.o.O
Cris e Kanon brindaram mais um copo de champanhe.
– Já bebi minha cota. — a mineira virou o copo. — será que consigo ir embora?
– Nós te levamos. — disse Su, que não tinha bebido.
– Não precisa. Vou devagar, qualquer coisa eu grito. — sorriu. — boa noite.
– Boa noite cunhada. — Kanon brincou.
– Boa noite Cris.
A mineira acenou tomando o rumo do templo.
– Meu irmão é muito estúpido mesmo.
– Desculpa, mas tenho que admitir. — a brasileira colocou os copos num canto. — está pisando na bola com a Cris.
– Eu não entendo. — virou o copo. — ele está ferrando com sua própria vida. Poderia está tendo um lance legal com ela e fica agindo como um idiota.
– Não adianta você falar Kanon. Saga tem que perceber isso.
– Tem razão. Pelo menos o Aioria vai se dar bem.
– Nunca pensei que fosse ver um casamento de um cavaleiro. Deve ser lindo. — sorriu. — tenho certeza que vou chorar.
– Por que? — a fitou sem entender.
– Sempre me emociono em casamentos. Queria muito ver Jules e Dohko no altar. Eles se dão tão bem.
– O chinês gosta dela. — lembrou-se do beijo. — assim como a Ester e o Mu. Quem diria que veria os santos apaixonados. O santuário está mudando.
– Que bom. Melhor do que guerras.
– Sem dúvida. Não terminará muitos solteirões.
– Estou com sono. — Suellen abriu a boca.
– Te levo.
Durante o trajeto...
– Nunca pensou em ter uma família? — Su indagou de forma descontraída para não parecer uma pergunta tendenciosa.
– Algumas vezes... mas minha época já passou... já sou quarentão.
– Está um quarentão enxuto, claro que cheio de cabelos brancos, mas.. — riu.
– Cabelos brancos?? Onde??? Tem quinze dias que eu pintei!!
– Então pinta o cabelo... — sorriu.
Kanon ficou vermelho.
– Pinto... Só porque estou velho, tenho que ficar andando com os cabelos brancos?
– Está certo.
– Está vendo cabelo branco? — apontou para as madeixas azuis esverdeadas.
– Deixa eu ver.
Suellen ficou nas pontas dos pés, para olhar a franja de Kanon.
– Está vendo algum?
– Vários.
– Como??? — arregalou os olhos.
– Brincadeira Kanon. — tocou no ombro dele. — está sem um fio sequer. Você está um coroão enxuto! Nem essas rugas ao redor dos olhos, o deixou velho.
– Eu não tenho rugas!
– Claro que tem. Não tem espelho na sua casa não?
O cavaleiro ficou em silêncio passando a mão ao redor dos olhos.
– Sério mesmo?
Suellen desatou a rir.
– Se preocupa demais.
– Não achei graça. — fechou a cara.
– Coloca uma coisa nessa cabeçinha. — deu um cutucão de leve nele. — você era lindo com 28 anos e continua lindo com 40.
– Mas eu sei que sou bonito. — disse convencido.
– Se sabe, para de neuras.Você é lindo.
Pararam na porta do quarto dela.
– Está dizendo isso apenas para me agradar?
– Estou sendo sincera. — levou a mão ao rosto dele acariciando. — bonito por fora e por dentro. — sorriu.
– Agora deixou o meu ego inflado.
Os dois sorriram. Kanon lembrou-se dos dizeres de Shaka: " você vive atrás dela." Pensando friamente, o indiano estava certo, não havia um único momento em que não estava junto dela, mas aquilo era amizade não era? Os dois tinham dado certo, pois tinham gostos semelhantes e não por algo a mais. Então por que a beijou? Indagou sua mente. "Coisa de momento, eu estava carente, só isso." Respondeu a si mesmo.
– Bom senhorita Suellen. — pegou a mão dela que acariciava seu rosto. — está na hora de dormir.
– Está mesmo.
– Boa noite. — beijou-lhe uma das mãos.
– Igualmente. — sorriu.
Ele a esperou entrar, ficando ainda por um tempo diante da porta dela.
– "Não estou apaixonado."
O.o.O.o.O
Dohko e Jules estavam sentados perto da fonte. Conversavam, colocando de lado a garrafa de vinho deixada por Dite.
O cavaleiro apoiou os braços no joelho, envolvendo o rosto com as mãos.
– O que foi Hian?
– Nada...
– Como nada? É sua cabeça não é?
– É... voltou a doer.
– Vem cá.
Jules apoiou as costas no encosto do banco, fazendo com que o libriano deitasse no colo dela.
– Está bom assim? — brincava com os fios castanhos.
– Está. — sorriu. — desse jeito vai me deixar desacostumado.
– E qual o problema? — inclinou para dar-lhe um selinho.
– O problema que vou querer todo dia... — tentou sorrir, mas sentiu uma fincada.
– É melhor irmos embora. Você precisa dormir. — notou a expressão do rosto dele.
– Vou avisar os outros. — sentou.
– Nem precisa, parece que todo mundo sumiu.
– E era para ser uma comemoração... — coçou a cabeça. — vamos?
O.o.O.o.O
Helu e Marcela tinham terminado a garrafa, passando a jogar conversa fora.
– Não está muito silencioso? — a paulista olhou para trás. — o povo foi embora?
– Ou estão bêbados demais. — Helu sorriu. — acho que vou ficar com esse anel. — olhou para o objeto. — muito bonito.
– Bonito mesmo. Atena não vai se importar.
– Se importar com o que?
Marcela revirou os olhos ao ouvir a voz. Miro.
– Chegou o intrometido.
– Boa noite Marcela, boa noite Heluane.
– Oi Miro.
– Champanhe? — ofereceu a fluminense.
– Por favor.
– Posso sentar ao seu lado?
– Claro. — nem ligou para o olhar assassino da amiga. — pensei que estivesse ido embora.
– Só fui resolver uns assuntos.
– Sexuais?
Miro gargalhou.
– Não. Ainda não me recuperei do chute. — fitou Marcela.
– Deveria ter dado dois.
– Se tivesse, teria assinado sua sentença de morte. Todas as servas viriam atrás de você.
– Você se acha!
– Eu não me acho eu sou. — disse firme.
Helu só acompanhava a discussão tomando sua champanhe.
– Aposto que estava com alguma mulher.
– Estava sim, mas não fazendo o que está pensando. — voltou a atenção para Heluane. — ouvi dizer que as praias cariocas são lindas.
– São mesmo. Precisa visitar o Rio.
– Posso ficar na sua casa?
– Até no meu quarto se quiser.
– Vou adorar. — deu uma piscadinha.
Marcela ouvia tudo puta.
– Seria um prazer conhecer as praias do Rio ao seu lado. — segurou delicadamente o queixo de Helu, encarando-a fixamente.
– O prazer seria todo meu.
Marcela respirou fundo, ele só estava fazendo aquilo para irrita-la. Pois devolveria na mesma moeda.
– Então poderemos sair em quatro. — disse tranquilamente. — Afrodite também me fez o mesmo pedido.
– Fez as contas erradas então. — ele a olhou com um sorriso cínico nos lábios. — seremos cinco. Dite estando no Brasil vai andar com a Mabel, não com você. — e voltando a atenção para Helu. — dizem que Búzios é lindo.
– É uma praia bonita.
– Tudo que eu preciso, uma praia bonita, uma taça de champanhe e uma bela garota do lado.
– Está me cantando? — indagou incrédula.
– Estou.
Helu franziu o cenho e nem ousou olhar para Marcela.
– Não quer ir num lugar mais reservado? — aproximou do rosto dela. — minha casa quem sabe.
Quando a fluminense foi para abrir a boca, sentiu uma mão puxa-la.
– Vamos embora. — Marcela a puxava.
– Por que essa cena? — o escorpião fez cara de irritado. — a fila não anda? Pelo menos para mim anda.
A resposta da paulista foi um olhar assassino e uma vontade enorme de chuta-lo novamente.
– Tchau Miro.... — Helu tentava acompanhar os passos apressados da amiga.
– Helu meu convite está de pé, qualquer hora é hora. — deu uma piscadinha.
Quando as duas saíram das vistas, o sorriso do Escorpião aumentou. E com esse sorriso foi para sua casa.
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