A Lenda dos Santos de Atena
42 Abatimento
Notas iniciais
Saga foi levado para seu quarto, sendo vigiado de perto por Aioria e Kanon.
Faltando poucos minutos para as sete da noite, o geminiano estava na porta da primeira casa, acompanhando por Shaka, Kanon, Kamus, Giovanni e Aiolos.
– Se eu notar que está faltando alguma coisa dou um jeito de mandar. — disse Kanon, tentando transparecer despreocupação, mas por dentro...
– Obrigado Kanon.
– Cuide-se Saga.
– Pode deixar Aioria.
O leonino deu lhe um abraço, tomando rumo da sua casa.
– Vamos cuidar de tudo, não se preocupe. — disse Kamus.
– Sim.
O francês apertou o ombro do amigo, voltando para sua casa.
– Faça tudo que eles mandarem Saga. — Kanon o olhou. — mesmo se for injeção. — tentou sorrir.
– Está certo. — Saga não tinha coragem de fita-lo, tamanha culpa que sentia.
– Vou indo. — aproximou abraçando-o. — cuide-se está bem? Quando puder vou te visitar.
– Sim.
Aos poucos Kanon foi soltando-o, passando a fita-lo diretamente.
– Não quer que diga nada?
– Não. — respondeu já sabendo o motivo da pergunta. — será melhor assim. Só...
– Tomarei conta dela. — nem precisava da frase ser completada.
– Obrigado.
Kanon seguiu seu caminho. Aiolos que acompanhava a despedida, até então não manifestara.
– Te acompanho até a entrada do santuário. — pegou a mala do geminiano que não disse nada.
O caminho foi feito em cinco minutos num profundo silêncio por parte de todos. Um pouco mais afastado um carro da Mitsui o aguardava.
– Boa sorte amigo. — Aiolos o abraçou. — e juízo. Não faça nada que possa se arrepender.
– Como se "Ares" arrependesse das coisas que fez e faz.
– Não estou falando dele e sim de você. — o fitou seriamente. — não vai fazer besteira, por favor.
– Não vou fazer. — esboçou um sorriso. — fique sossegado.
– Realmente não quer dizer nada a ela?
Saga voltou à atenção para o alto da montanha.
– O que adianta dizer alguma coisa, se não vai apagar o que eu fiz?
– Não foi você Saga. — disse o italiano.
– Eu não pude contê-lo, portanto sou culpado.
– Ela ficou muito preocupada com você Saga. — disse Shaka.
– Eu tentei mata-la. — a voz saiu amargurada.
Ficaram calados, não adiantaria argumentar com ele. Todos esses anos Aiolos, principalmente, tentou fazer o amigo entender que deveria seguir sua vida, enfrentando seu problema de frente, mas ele parecia não ouvir.
– Está bem Saga. — disse o sagitariano. — Faça como achar melhor.
– Aiolos me entenda...
– Não adianta, não consigo. Mas você sabe o que é melhor para você. — entregou-lhe a mala. — boa sorte e cuide-se.
– Obrigado.
– Agora vá.
Mask sentou no banco do carona e Saga e Shaka atrás.
Aiolos via o carro se afastar, rezava para que dessa vez o tratamento funcionasse, pois senão a vida do geminiano estaria seriamente ameaçada.
Soltou um suspiro dando meia volta. Quando ergueu o rosto...
– O que...?
A barreira estava amarelada.
– Por que está assim?
O brilho amarelo durou por alguns segundos antes de desaparecer.
– Shion precisa saber sobre isso.
O.o.O.o.O
Heluane deixou o corpo cair sobre a cama. Que dia tinha sido aquele.
– Algum problema Helu? — Paula saia do banheiro.
– Não. Só descansando.
– E a Cris?
– Resolveu ter bom senso e foi descansar. Ela precisa repousar. — notou a roupa da amiga. — aonde vai?
– Fazer uma caminhada, aproveitar que o restinho do sol. — Paula usava uma regata, short e tênis. — quer me acompanhar?
– Quero é dormir.
– Da caminhada vou direto para a minha suíte. — sorriu.
– Vai aproveitando, logo quem vai ser dona daquilo tudo será a Sheila.
– Até lá vou divando. — caminhou para a porta. — beijo.
A fluminense acenou, virando o corpo de lado. Descansaria um pouco.
O.o.O.o.O
Aiolos esperava Shion em seu escritório. O ariano caminhava para o cômodo quando encontrou com Paula no corredor.
– Aonde vai?
– Caminhar um pouco. — deu um selinho.
– Não demore.
– Os ânimos estão meio exaltados com as meninas importa-se se eu dormir no meu quarto?
– Não... — importava sim, mas...
– Antes de dormir eu passo lá. — Paula abafou o sorriso, aquilo era uma desculpa para Shion. Com toda tensão do dia, pensou em preparar um banho relaxante para ele.
– Tudo bem. Cuide-se. – disse sentindo um pressentimento ruim. Será que Saga fizera algo ainda no caminho?
– Não demoro. — o beijou. — fui.
Shion a via afastar sentindo um aperto no peito. Ligaria para Giovanni.
O.o.O.o.O
O caminho do santuário até a clínica que ficava nos arredores de Athenas não foi diferente do da primeira casa. Foi em silêncio. O carro estacionou no pátio em frente a um prédio de quatro andares.
Na recepção Shaka assinava os papeis enquanto Saga aguardava. Olhava para o local. Já era a quinta vez que voltava a aquele lugar.
– Está tudo pronto Saga. — Shaka aproximou.
– Obrigado.
– Juízo. — disse Giovanni.
– Eu terei.
Um médico o aguardava. Saga despediu dos amigos seguindo com ele. Primeiro faria alguns exames antes de ser conduzido ao local que ficaria.
O.o.O.o.O
– Ótimo Giovanni. Eu avisarei a todos. — Aiolos desligou o telefone.
Shion entrou.
– Saga já está na clinica mestre.
– Que alivio. — disse, mas a sensação ruim não tinha acabado.
– Mestre eu queria conversar com o senhor.
– Eu também. Sente-se.
Aiolos sentou num sofá, Shion ao lado dele.
– Aiolos, como novo grande mestre, precisa saber de alguns assuntos restritos, como por exemplo, em relação ao Saga.
– Tipo o que?
– Atena não quis dizer ao Kanon e a Cristiane para não preocupa-los, mas ela pretende internar Saga por um longo período.
– Quanto tempo?
– No mínimo seis meses.
– Isso tudo?? É realmente necessário mestre?
– Sim. Não é apenas por Ares. Em pouco menos de quinze dias, Saga tentou se matar duas vezes. Aiolos, Saga precisa de um tratamento mais forte.
– E contarão quando ao Kanon?
– Daqui uns dias. Quando ele poderá receber visitas.
– E a Cristiane?
– Sei que é duro o que vou dizer, mas eles não irão se ver mais.
– Não??
– Não. — levantou. — a barreira vai abrir antes do dia da visita.
– Mestre, por que não me disse isso antes? Eu teria levado a Cris para despedir dele.
– Kanon me contou que ele não quis despedir dela. — o fitou.
Aiolos ficou calado. Claro que ele não queria, pois não sabia que nunca mais vão se ver.
– Aiolos, seus pensamentos agora deverão ser pragmáticos. Será o responsável pelo santuário e muitas das vezes as decisões que irá tomar serão frias e calculistas.
O sagitariano não concordava com aquilo.
– Ainda é novo para entender, mas me dará razão no futuro. Qual assunto queria tratar?
– A barreira... — aquele assunto o desestabilizou. Ficaria mal se fosse separado de Sheila sem ao menos uma despedida. — agora a tarde ela emitiu um brilho estranho.
– Não é por causa do pôr do sol? — Shion olhou pela janela, o sol se punha.
– Talvez...
– Com o tempo vai aprender a detectar anomalias na barreira.
– Sim senhor. Posso ir?
– Sim. E Aiolos... nem uma palavra a ninguém sobre Saga.
– Está bem.
O.o.O.o.O
Paula tomou o rumo da Arena dourada passando pelo caminho que levava o Templo a ela. Passaria pela fonte, a Arena dourada, enfermaria, voltando pelo mesmo trajeto.
Caminhava distraidamente, pelo acesso ao destruído alojamento dos aspirantes quando notou algo brilhando no chão.
– O que é isso?
Abaixou, vendo que era um anel. Muito bonito por sinal.
– Atena deve ter muitos para ficar perdendo desse jeito. — pegou o objeto. — eu merecia ficar com ele por ter perdido. — pôs no dedo. — ficou certinho. — sorriu. — na volta entrego para ela.
Paula seguiu seu trajeto.
O evento ocorrido com Saga mexeu com os nervos de todos no santuário. O clima antes festivo da consagração de Aiolos dera lugar a um clima de apreensão. Shion ordenou que todos ficassem em suas casas a noite, o que foi prontamente atendido. As meninas seguiram para a casa de seus golds e apenas Cristiane, Paula, e Juliana ainda permaneciam no templo. A mineira porque queria descansar, a paraense por que reclamou de dor de cabeça. Antes de seguir para o quarto encontrou com Juliana que se aprontava para ir a Virgem.
– O que foi Paula? – indagou diante da expressão dela.
– Minha cabeça dói. Vou deitar mais cedo.
– Claro.
– Pode me fazer um favor? – tirou do dedo um anel. – entrega para a Atena. Acho que ela perdeu, ou pode ser de alguma das meninas.
– Tudo bem. — colocou o anel no bolso. — Melhoras.
– Obrigada.
Paula foi para o quarto.
A oriental antes de seguir para sexta casa, passou pela cozinha. Não tinha comido muito e parece que o pouco que tinha se alimentado não lhe fez bem.
– “Passando mal desse jeito não tem como ir a Virgem...” – pensou. – “mas como vou avisa-lo.”
Lembrou-se de Gustavv e como a casa dele era a mais perto, dirigiu-se para lá. Explicou o motivo da visita, dizendo que ficaria fazendo companhia a mineira. Não queria dizer a verdade, para não preocupar o pisciano e o namorado. Dite atendeu ao pedido e Shaka não achou ruim, claro que queria a companhia dela, mas o motivo era nobre.
Juliana voltou ao templo, pediu um sal de fruta e tomou, indo recolher-se para a dor passar.
O céu estava particularmente estrelado naquela noite. Aiolos em Star Hill olhava para elas. Ainda não tinha conhecimento suficiente, mas algo dentro de si estava incomodando. Talvez as estrelas pudessem mostrar a resposta.
Os olhos verdes estavam concentrados nelas. As doze constelações brilhavam intensamente dentro da normalidade.
– Estou ficando neurótico igual ao Shion. — sorriu. – isso pega... – mal acabou de dizer... — o que?
A constelação de Gêmeos começou a brilhar em vermelho, em seguida as demais. O brilhou não durou por mais de alguns segundos, voltando a coloração normal.
– O que significa isso?
Aiolos forçou a visão. Novamente a constelação de Gêmeos ficou avermelhada. Deixando-o atordoado as estrelas que a compunham foram apagando uma a uma.
– O que...
O grego sentiu uma forte dor de cabeça, indo de joelhos ao chão. O olhar estava arregalado enquanto imagens passavam por sua mente...
... via as meninas reunidas... Saga com a armadura de Gêmeos... Atena chorando... Aldebaran bastante ferido... Shura com o braço sangrando...
As imagens cessaram. Respirava pesadamente.
– O que foi isso?
Olhou para o céu. As estrelas estavam normais...
O.o.O.o.O
Depois dos vários exames e algumas medicações Saga foi levado para o seu quarto. Desceu um nível, pois ficaria num quarto restrito. O geminiano observa o local, já estivera na clinica antes, mas era a primeira vez naquele andar. Andou calmamente até o quarto 32.
– Ficará aqui essa noite senhor Myles por conta da medicação. Ela pode ter efeito reverso.
– Tudo bem.
A porta foi aberta. Saga sentiu um aperto no peito ao ver seu quarto. Ele era todo acolchoado. Paredes, teto e chão. Num canto uma espécie de cama box, um lençol e uma colcha, tudo branco. Não havia uma janela sequer, mas sentia que a sala era fresca.
– Deve ficar em jejum para os exames de amanhã.
– Certo.
– Sei que deve está se perguntando por que esse quarto, mas nessas primeiras vinte e quatro horas é o melhor. A senhorita Mitsui nos comunicou sua tentativa de suicídio e nos pediu para que deixasse-o nesse quarto.
– Não tem problema.
– O interruptor está a sua direita e ao lado dele uma companhia caso precise chamar uma enfermeira.
Saga entrou no recinto. Usava uma calça e blusa brancos sem costura, elásticos ou qualquer coisa que pudesse ser arrancado. Andou até a cama, deitando. Sentiu falta de sua casa, mas tinha que acostumar que aquele local seria seu lar por muitos meses.
O.o.O.o.O
Sheila na cozinha preparava algo para o jantar. O cavaleiro havia dito que resolveria algumas coisas, mas que não demoraria.
– Será que pensou melhor sobre as fics? Tô perdida...
Notou uma presença na porta.
– Aiolos?
O cavaleiro caminhou lentamente até a mesa, sentando.
– O que foi Aiolos?
– Nada... — tentou sorrir. — só preocupações.
– Fiz o jantar.
A brasileira serviu aos dois e a refeição começou em silêncio.
– Tem noticias do Saga?
– Está bem. Telefonei antes de vir. — depois da visão em Star Hill, Aiolos telefonou para a clinica para saber sobre o geminiano. Felizmente ele estava bem.
– A Cris não vê a hora de ir visita-lo.
Aiolos abaixou o rosto.
– O que está acontecendo Aiolos? Está muito estranho.
– Promete que não conta para ninguém?
– Prometo.
– A Cris não vai ver mais o Saga.
– Como assim?
– A internação dele será prolongada e mais dura. Nem Kanon poderá ir vê-lo.
– Ele não poderá receber visitas?
– Poderá, só daqui um mês e ate lá a barreira...
Sheila ficou em silêncio. Quando Cris soubesse disso...
– Sheila não pode contar para ninguém. É um assunto privado entre Atena e o grande mestre. Na condição de futuro tenho que ter sigilo, só te contei, pois não quero ter segredos com você. — ficou em silêncio, se fosse assim teria que contar sobre as estrelas... — "foi apenas imaginação minha... é a neurose do Shion pegando em mim." — promete que não dirá nada?
– Prometo.
– Obrigado. — pegou na mão dela. — vou tomar um banho e dormir. O dia foi cheio.
– Vou arrumar a cozinha e já vou.
A expressão abatida de Aiolos era palpável e Sheila ficou preocupada.
Quando a brasileira foi para o quarto, o sagitariano já estava deitado, segurando o braço machucado, as vezes fazendo careta.
– Aiolos...
– Deita aqui. — deu um meio sorriso.
Deitou ao lado dele tocando no braço...
– Ai. — o cavaleiro soltou um gemido.
– Está doendo?
– Um pouco. — o grego sentia as marcas queimarem, como no dia da destruição do muro.
– Quer tomar alguma coisa? — ficou agoniada.
– Não precisa. Só fica aqui pertinho de mim.
Sheila aconchegou-se ao peito dele. Aiolos a envolveu com o outro braço.
– Sheila.
– Sim?
– Ficaria comigo, como a Meg ficou com meu eu naquela história? Em que sou rei? Abandonaria sua vida para ficar comigo? – estava com medo. A separação para sempre dos geminianos, a barreira que ainda poderia tirar Sheila dele, a visão em Star Hill. Tudo aquilo o deixava receoso.
– Aiolos o que está acontecendo?
– Responde.
– Sim... — disse evasivamente, pois não tinha certeza da resposta. Deixar sua vida em São Paulo?
– Que bom. — a envolveu mais.
Sheila sentiu que ele tremia.
– Aiolos o que está acontecendo? — o fitou. — está tremendo!
– Não é nada. Só fica aqui comigo, por favor.
Ele a tocou com o braço que continha a cicatriz, Sheila sentiu um ardor.
– Seu braço está fervendo. — ficou muito preocupada. — tem algum antitérmico?
– Remédios não funcionam para isso. Só fica aqui comigo. — as imagens de Star Hill voltaram. — não me deixe sozinho.
– Estou aqui. — Sheila o envolveu totalmente penalizada. O que tinha acontecido para deixa-lo daquele jeito? — vou estar sempre aqui. Agora descanse, amanhã será um novo dia.
O.o.O.o.O
Fernando seguia para o alojamento. Depois da conversa com Marin sobre as fics, não tinha a visto mais devido o surto de Saga. A amazona tinha ajudado Atena nos preparativos da internação do cavaleiro, quase não tendo tempo.
Deu duas batidas.
– Entre!
Abriu a porta lentamente. A amazona estava em sua mesa trabalhando.
– Oi. Posso entrar?
– Sim.
Fechou a porta, indo para a mesa.
– Eu trouxe algo para você comer. — colocou o embrulho sobre ela. — deve está com fome.
– Para ser sincera estou sem apetite. — esticou os braços para relaxar. — tudo que aconteceu hoje... — lembrou-se subitamente do brilho da barreira. O que poderia ter sido?
– Tinha muito tempo que Ares não se manifestava? — sentou no sofá.
– Tinha. Eu não sei como ele não foi atrás de Atena. Sei que não devo dizer isso, mas foi providencial a Cristiane estar lá. Ela o parou. E como ela está?
– Dormindo. Se não tivesse visto os machucados não imaginaria as atitudes de Ares.
– Se demorasse mais um pouco ela estaria morta. — Marin levantou para esticar as pernas. — estava tudo tão bem e agora isso...
– Não quer ir para sua casa? Você precisa descansar.
– Eu não posso, tenho muita coisa para fazer.
– Mas cansada assim não conseguirá ser produtiva.
– Tem razão. — não estava cansada apenas fisicamente. — espero que Saga supere tudo isso.
– Atena deve intensificar o tratamento dele, ele vai melhorar.
– Assim espero.
– Vamos antes que esfrie. — aproximou abraçando-a.
– O que seria de mim sem você?
– O que seria de mim sem você.
– Tadinho do meu Nando. — acariciou o rosto dele. — jogado no canto.
– Triste e abandonado.
– Precisando do consolo de duas amazonas. — lembrou-se da fic. — vamos. — disse seco.
– É só uma história Marin.
– Sei...
– Está com ciúmes da Yuzuhira? Ele está morta.
– E se não estivesse ficaria com as duas...
– Claro que não!
– Se eu suspeitar que anda pulando a cerca, vou cumprir a lei das amazonas.
– Que lei? — engoliu a seco. Marin brava era de dar medo.
– Você viu minha face, ou te amo ou te mato. Nesse caso te mato.
– Eu sou um santo!
– Imagine se não fosse.
Marin saiu pisando duro. Enquanto trabalhava entrou no link que Dite havia mandado lendo a fic por completo. Quase mandou o computador longe ao ler o namorado se esfregando na outra.
O.o.O.o.O
Shura trazia o olhar vago. Julia na beirada do fogão cozinhava algo para o jantar.
– Acabei. — desligou as panelas.
O espanhol levantou com o prato nas mãos indo se servir. A paulista acompanhava o gesto.
– Está tudo bem Shura?
– Está. — voltou para a mesa, colocando a primeira colherada na boca. — hum... que delicia.
– Achou mesmo? — indagou toda animada.
– Sim. Obrigado Julia. — a fitou.
Julia apenas sorriu toda derretida por ter recebido um elogio dele. Colocou seu prato indo se sentar perto dele. Logo após o elogio o jantar seguiu em silêncio. Julia o observava. Shura estava com o rosto tenso, mas testemunhou uma cena curiosa. Esdras havia praticamente limpado o prato, não deixando um grão para trás.
– Não precisa raspar o prato, tem mais.
– Eu sei. — sorriu. — guarde para amanhã.
– Pensei que queria mais já que limpou o prato.
– Quem passa fome aprende o valor da comida e tem horror ao desperdício. — levantou, colocando o prato dentro da pia.
Julia deu um suspiro maravilhada. Shura era perfeito.
– Vou ver um pouco de TV.
– Vai indo, depois que arrumar isso aqui eu vou.
O cavaleiro sentou no sofá, ligando o aparelho. Passou os canais a procura de algo interessante, mas a verdade é que nada conseguia prender sua atenção. A cada momento pensava em Saga. Talvez fosse melhor manter a mineira longe dele. Os pensamentos foram interrompido pela dor no ombro lesionado.
– Achou algo interessante?
Julia sentou ao lado dele, depositando a cabeça justamente no ombro dolorido.
– Não... — Esdras afastou um pouco.
– O que foi?
– Nada. Só arrumando uma posição.
– Não está mesmo mais com raiva por causa das fics?
– Ainda bem que soube depois que ficamos juntos.
– Se fosse antes não ficaria comigo? — arregalou os olhos.
– Não, pois acharia que queria o Giovanni.
– Se eu o quisesse já teria ficado com ele. Escuta. — sentou no colo dele, passando uma das pernas. — tanto a Red quanto a Julia gostam apenas do espanhol de olhos negros.
– Verdad?
– Sí. — brincava com os cabelos negros.
– Muy bien.
Shura foi para toca-la com o braço lesionado, mas sentiu uma forte dor. Fez uma careta.
– O que foi?
– Meu ombro. As vezes ele dói.
– Toma algum remédio?
– Com esse tipo de dor não fazem efeitos.
– Isso deve ser a tensão do dia de hoje. — saiu de cima dele. — vá para cama vou levar um chá para você.
– Eu não gosto de chá. — fez careta por causa da bebida.
– Mas vai tomar. — seguiu para a cozinha.
Shura foi para o quarto, deitando na cama. A dor aumentou. Cinco minutos depois Julia apareceu trazendo uma xícara.
– É de erva doce.
– Odeio erva doce.
– Mas vai beber. Senta.
– Ah não Julia... chá não...
– Abra a boca Shura.
– Eu não quero...
– Vou soprar pois está quente. Depois vai beber.
Julia soprou e em seguida entregou a xícara para o cavaleiro. Shura bebeu numa golada só fazendo uma grande careta.
– Isso é horrível.
– Mas vai te ajudar a sentir melhor. Agora deita como um bom menino.
O espanhol acomodou-se na cama. Julia deu a volta deitando.
– Eu mereço uma recompensa por ter tomado aquela porcaria.
– Chantagista.
– No mínimo dormir juntinho...
– É o máximo que vai conseguir. — aproximou. — agora trate de dormir.
O.o.O.o.O
O cavaleiro de Áries fazia sua refeição em silencio, ora ou outra Ester o fitava.
– "Está tudo bem Mu?" — usava a mente, pois o tablete ficara no templo.
– Sim. Só estou preocupado com o Saga. — a fitou. — ele tentou se matar por duas vezes praticamente consecutivas.
– "Na clinica ele receberá um bom tratamento."
– Espero que sim. Ontem, há essa hora, estávamos nos divertindo e agora...
– "Ele vai ficar bem e aquela atmosfera de paz vai voltar". — pegou na mão dele. — "tenho certeza."
– Obrigado. — deu um beijo terno. — vai ficar aqui essa noite?
– "Se quiser minha presença." — fez charme.
– "Claro que quero sua presença."
– "Fico lisonjeada e..."
Ester sentiu um zumbido forte dentro da sua cabeça, cessando a comunicação.
– Ester o que foi?
Não houve resposta, Mu sentiu o mesmo zumbido. Pratos e talheres começaram a tremer sobre a mesa. O tremor foi aumentando, espalhando pela sala de jantar e de estar. O cavaleiro abaixou a cabeça colocando-a entre as mãos.
– "Mu."
Ester tentou comunicar pela mente, mas ela parecia bloqueada.
Tudo que a brasileira escutou foram os vidros das janelas espatifarem. A expressão dela foi de terror. Os objetos que antes tremiam começaram a flutuar e girar.
– Ester... — a cabeça doía, mas teve força para afasta-la da mesa e criar em torno dela a muralha de cristal.
– "Mu!" — tentou sair.
Os objetos começaram a girar velozmente, o cavaleiro ainda estava sentado, sentia uma forte dor na cabeça. Numa fração de segundos os objetos: pratos, talhares, almofadas, vasos ficaram suspensos no ar, parados. Mu ergueu a cabeça, vendo os objetos. Dentro da barreira Ester também acompanhava a cena. Estava aliviada pela crise ter passado, mas não passou...
– Ah! — Mu soltou um grito de dor.
Os objetos recomeçaram a girar, ainda mais velozes, batendo violentamente contra a barreira assustando a carioca. O lustre da sala espatifou-se e agora o sofá, mesa e cadeiras começavam a voar. Parecia que um tornado estava dentro da casa de Áries. O ariano sentia uma forte dor na cabeça. Sabia que sua telecinese estava sem controle.
Subitamente os itens foram arremessados para cima e grudados no teto. Dentro da barreira, Ester mantinha a respiração suspensa, até sentir o próprio corpo ergue-se.
– Ester...- o lemuriano a fitou, a dor era imensa, mas seu maior temor era as coisas começarem a evaporar, o que não tardou... tudo que estava "grudado" ao teto, desprendeu permanecendo a certa altura inclusive Ester. A primeira coisa a sumir foi uma almofada. — Ester! — olhou para barreira, aquilo deveria proteger a brasileira, contudo... — não é possível...
A barreira começou a desintegrar.
– "Mu!" — Ester afastou-se dela apavorada. Olhou para as demais coisas, tudo estava desaparecendo.
– Ester!
Tentando controlar ao menos uma parte de seu poder, Mu a teletransportou para fora de Áries...
Ester piscou os olhos várias vezes. Onde estava? Olhou para cima, vendo o céu estrelado. Para os lados, via os telhados das doze casas mais as luzes de Athenas. Voltou a atenção para baixo. Era o telhado de Áries...
– "O que..."
Sentiu uma força puxa-la para baixo e ia de encontro ao telhado...
– "Ah!!!!!"
No momento que acertaria as telhas, seu corpo sumiu novamente. Não sentindo o impacto abriu os olhos, estava deitada na cama de Mu.
– Ester?!!! — o ariano apareceu na porta.
Ela levantou as pressas correndo até ele.
– "O que foi isso?"
– "Perdi o controle. Me perdoe, eu não queria, eu não..."
– "Está tudo bem." — o abraçou mais forte. — "foi só uma crise."
– "É melhor você não dormir aqui hoje..." — a soltou. — "minha crise pode voltar."
– "Vou ficar sim." — disse decidida. — " vou ficar cuidando de você. E de toda forma se vamos ficar juntos eu preciso lidar com isso."
– "É perigoso..."
– "Não importa, vou ficar aqui com você."
O.o.O.o.O
Heluane olhava para o teto. No dia anterior estava bebendo a melhor garrafa de vinho e hoje estava sozinha. As meninas tinham corrido para seus golds, Cristiane dormindo depois de alguns calmantes e Paula pela dor de cabeça.
O pensamento foi até Câncer, na certa Giovanni não faria o tratamento. Era um italiano teimoso.
– Se ele é teimoso, eu sou burra por me preocupar com ele.
Levantou saindo.
O cavaleiro estava sentado no sofá, vestindo apenas uma short velho e com um copo de uísque na mão. Os pensamentos estavam perdidos, estava preocupado com Saga. Começou a tossir e olhar volveu para o aparelho encostado num canto.
Tinha que admitir que depois do tratamento, respirava muito melhor.
– Caspita! — colocou o copo numa mesinha e levantou para pegar o aparelho. Ficaria algumas horas usando aquilo.
Giovanni o levou para o quarto, colocando-o ao lado da cama. Olhou a mangueira e as válvulas.
– Como liga isso?
Mexeu, mexeu e nada. Xingou até a última geração de quem havia inventado algo tão complexo!
– Não acredito que vou ter que chama-la. — a mangueira estava embolada.
Realmente pensou na possibilidade, mas parou no último momento. Não era uma boa ideia, principalmente depois de tudo que aconteceu.
– Me viro.
Disse, mas a situação só piorou...
... Heluane entrou em Câncer, como sempre aquele local estava às escuras e não foi muito diferente quando entrou na ala intima. Um pequeno abajur fazia a iluminação da sala e uma luz mais forte vindo do corredor.
O italiano estava nervoso, prestes a mandar o cilindro pela janela.
– Ah! — enfezou. — quer saber vou fumar!
– Não vai não!
O cavaleiro deu um salto assustado.
– Heluane??? — o coração estava disparado.
– Se eu te ver fumando conto para o Shion. — estava parada na porta.
– Put#%&! Me assustou!
– Se assustou é por que estava fazendo coisa errada.
– Estava não! Só tentando mexer nessa droga! — apontou para o aparelho.
A brasileira ficou surpresa. Ele seguiria com o tratamento?
– Eu te ajudo. — sentou na beirada da cama. — como conseguiu enrolar a mangueira desse jeito?
– Ela enroscou...
Helu deu um suspiro desanimado, passando a mexer na mangueira e com isso alguns minutos de silêncio. Fitou-o, parando o olhar nos cabelos platinados que estavam menos revoltos. A franja caia sob a tez morena.
– Acha que o Saga vai ficar bem? — indagou.
– Tenho minhas dúvidas... — o cavaleiro cruzou as pernas sobre a cama. — quero muito acreditar numa melhora, mas não sei... e a Cristiane?
– Está dormindo.
– Ela teve muita sorte. Era para estar morta agora. Ares não perdoa. Conheço bem essa face...
– Acha que Atena fará de Kanon cavaleiro de gêmeos?
– Creio que não. Kanon é um marina e além do mais Saga é muito mais forte que ele. Têm também as condições de Kanon, o cosmo dele diminuiu.
– Mas no passado Kanon poderia ter sido um cavaleiro?
– Até poderia, mas Saga tinha algo a mais.
– E você? Qual é o seu algo a mais?
– Não é obvio?
– Não.
– Meu golpe principal é mandar as almas para o inferno, logo eu preciso vê-las.
– Você... — engoliu seco. — vê... espíritos...?
– Sim.
– Desde quando? — Helu sentiu calafrios.
– Desde pequeno. Só minha mãe sabia.
– Com que frequência os vê?
– O tempo todo.
Helu arregalou os olhos.
– O tempo todo? — a voz saiu num fiapo.
– Sim, inclusive tem um do seu lado. — apontou o dedo.
A brasileira deu um salto.
– Ah!!!!! — foi parar do outro lado do quarto. Olhava para os lados a "procura"
– Ele está alisando seu cabelo.
– Sai!!!!!!!!!! — berrou, fazendo a cruz com os dedos.
Giovanni começou a rir, na verdade a gargalhar.
– Pare de rir, caralho!!! E faça algo!!!! Lança seu golpe nele!!!!
– Eu não posso. Esqueceu? — não parava de rir.
– Socorro!!!!
Subiu em cima da cama, abraçando o canceriano por trás.
– Você é tão valentona com algumas coisas e tão covarde em outras....
– Gosto de ver o inimigo. — olhava para os lados.
– Não tem espírito nenhum. Estava brincando.
Ela o fitou incrédula.
– Não tem?
– Não. A área intima de Câncer é isolada, pelos mantras do Shaka. Subsolo, a área das lutas, etc não são. Eu só os vejo fora a área intima.
Suspirou aliviada.
– Seu idiota!!!! — dava tapas. — me assustou.
– Brincadeira. — tentava se defender. — eu não resistir.
– Caralho! — levantou. — eu deveria ir embora!
– Nãooo! — Gio levantou. — foi brincadeira, precisa me ajudar com isso. Eu realmente me senti melhor depois de usar esse treco. Por favor.
Helu voltou ao trabalho, acabando de desenrolar a mangueira. Gio ficou calado, com medo de fazê-la desistir de ajuda-lo.
– Deite, já terminei.
Obedeceu. Helu colocou a máscara nele.
– Fique assim por duas horas. — sentou na poltrona do lado. — e nem um pio!
– Tudo bem...
E o tratamento iniciou sem os dois perceberem que Giovanni não sofria com as dores, influenciadas pelo contato próximo de Heluane.
O.o.O.o.O
Miro e Marcela terminaram o jantar indo para o quarto. A paulista vestiu uma camisa velha do grego indo para a cama. Miro fez o mesmo, mas em silêncio.
– Está tudo bem?
– Está, não é nada. — deu um meio sorriso.
– Vem cá. Vou fazer você dormir.
Ela posicionou-se na cama. Miro sabia que daquela vez seria inútil, mas para não preocupa-la, deitou.
– Vai dormir como ontem a noite.
– Espero que sim... — disse evasivamente.
– Está tudo bem mesmo?
– Só um pouco preocupado com o Saga. Deveria me acostumar, já que isso ocorre com certa frequência...
– Ele vai ficar bom. — brincava com as mexas azuis. — agora feche os olhos.
Fechou para abri-los imediatamente, pois escutara os gritos.
– Vou beber água. — levantou.
– Ok...
Miro foi a cozinha, bebeu água para em seguida andar de um lado para o outro. Os gritos não dariam sossego a ele. Só com remédios e não queria tomar. Com Saga internado, precisava ficar em alerta caso algo acontecesse.
Voltou para o quarto.
– Deita aqui.
– Não dá. — resolveu abrir o jogo. — esses malditos gritos não me deixam em paz.
– Está escutando novamente?
– Sim... — foi para a cama. — vem cá.
Marcela aconchegou nos braços dele.
– Vou ficar aqui até você dormir.
– E você Miro?
– Não se preocupe comigo. — deu um beijo na testa. — agora durma.
– Mas...
– Precisa descansar.
Para pelo menos distraí-lo Marcela contava casos de sua família. Estava funcionando, mas depois vencida pelo cansaço acabou adormecendo.
Miro a ajeitou melhor, saindo do quarto. Veria televisão.
O.o.O.o.O
O indiano fechava a porta do quarto. Depois da noticia de Gustavv sobre Juliana, tinha resolvido ir meditar, mas seus pensamentos além de estarem na oriental, estavam também no amigo. Sempre esteve presente nas várias crises do geminiano, mas as duas últimas foram as mais penosas. Se Atena não tivesse dado a ordem para a internação dele, a terceira casa logo perderia seu defensor. Pensava no que poderia fazer por ele, mas infelizmente a recuperação dele só dependia do próprio. Com tantas preocupações não conseguiu meditar indo para o quarto. Antes de deitar, pegou no guarda-roupa um frasquinho de comprimidos brancos. Era os florais que usava para aplacar a dor, resultado da estadia em Hades. Há dias não sentia dores pelo corpo, mas naquele noite elas apareceram.
O.o.O.o.O
O jantar foi feito em silencio. Juliane vez ou outra olhava para o namorado, que comia a refeição no automático.
– Está tudo bem Hian? — indagou, diante da seriedade do rosto dele.
– Sim... – deu um meio sorriso. – está uma delicia. – apontou para o prato.
– Obrigada...
Hian voltou a atenção para o prato. A verdade é que tentava transparecer que estava tudo bem, contudo sua cabeça doía e para não preocupar a brasileira preferiu o silencio.
Ao final, ele recolheu os pratos, colocando-os dentro da pia.
– Vou dormir.
– Só vou limpar aqui e já estou indo. – disse a brasileira amarrando o avental.
Ele apenas sorriu, indo para o quarto.
Apagou a luz, deixando o corpo cair sobre a cama, a cabeça parecia que ia estourar. Não estava conseguindo ficar com os olhos abertos, pois via pontos brilhantes diante deles. Depois de limpar a cozinha, Jules foi para o aposento. Acendeu a luz. O libriano sentiu na hora a claridade, mas não quis dizer nada para não preocupa-la.
Juliane trocou de roupa, estranhando o silencio dele.
– Está tudo bem Dohko?
– Está...
– É sua cabeça não é? – conhecia aquela expressão.
– Sim...
Rapidamente Jules acendeu a luz do abajur, apagando a principal.
– Por que não falou antes?
– Não queria preocupa-la. – respondeu sem abrir os olhos.
– Coloque a cabeça no meu colo.
– Vou ao banheiro primeiro. – sentou na cama, a dor ficou mais intensa.
Mal o libriano levantou, sentiu tudo rodar. Foi fração de segundos entre a vertigem e a queda. Jules ainda tentou segurá-lo, mas o cavaleiro era mais forte. Desabou sobre ela.
– Hian! – sentiu o peso. – Hian o que foi?
Foi com dificuldade que ela o retirou de cima de si e o colocou na cama.
– Hian! Hian! Oh meu Deus... Hian! – os olhos marejaram.
Os chamados não duraram por mais de dois minutos, mas o suficiente para deixa-la em pânico. Muito lentamente o chinês abriu os olhos, mesmo assim eles pareciam nevoados.
– Hian! – berrou.
O olhar dirigiu-se para ela.
– Como dói...
– Vou chamar Atena. – já era a segunda vez que isso acontecia.
– É de Hades... ela não pode fazer nada.
– Mas pode aliviar. Vou chama-la.
– Não Jules. — segurou a mão dela. — a dor vai passar. Só fique aqui.
Não sabia o que fazer. Foi como da outra vez, com o agravante que Dohko tinha desmaiado, aquilo tinha sido um desmaio.
– Tá... — disse só para agrada-lo. — deite melhor então.
Ajudou-a deitar. Jules apagou a luz, deitando a lado dele. Esperaria por uma hora, se a dor não passasse procuraria Atena.
O.o.O.o.O
Isa estava à mesa, esperando ser servida por Kamus, que insistira em fazer o jantar. Conversavam e o assunto era sobre Saga.
– E fica longe?
– Não. — respondeu o aquariano, desligando o fogão. — no centro de Athenas. Ele ficou lá das outras vezes.
– Ficará por quanto tempo?
– Muito tempo. — levou as travessas. — espero que goste. -a serviu.
– Obrigada. — sentiu o cheiro delicioso. — por mais de um mês?
– Provavelmente. — sentou. — Atena vai mantê-lo lá até a barreira abrir.
– Ah..
Kamus não disse mais nada, permanecendo o tempo todo em silêncio.
– Eu arrumo a cozinha. — disse Isa, vendo que ele tinha terminado.
– Tudo bem. — levantou saindo.
A paulista franziu o cenho, o que tinha dado nele?
Kamus foi para o banheiro, se trancando. Os olhos ardiam e com muito custo tirou as lentes. Olhou-se no espelho, percebendo que não estava enxergando quase nada com o olho esquerdo e que o direito estava embaçado. Lavou o rosto, indo para o quarto. Pegou seus óculos e um livro para ler. Acomodou-se na cama, pondo-se a ler, contudo não enxergava uma linha.
Isabel entrou no quarto, tirando logo a blusa. Kamus a fitou, ou pelo menos tentou, já que apenas enxergou o vulto.
– O que está lendo?
– Marselha.
– Hum... — deitou ao lado dele. — vai me emprestar esse livro também?
– Esse não.
– Então me passa o nome, talvez tenha na biblioteca da faculdade. Alias passa todos os nomes, pois vou precisar.
– Você quer mesmo fazer esse mestrado.
– Claro. Lutei muito para conseguir.
– Entendo. — fechou o livro num rompante.
– O que foi? — notou que a expressão mudou. — Kamus o que está acontecendo?
– Não anda acontecendo nada Isabel Catanio.
Isa arqueou uma sobrancelha. Kamus só dizia o nome todo dela quando estava com raiva.
– Está acontecendo algo sim e quero que me diga. É por causa do Saga?
– Não.
– É sobre as fics?
– Não.
– Então é o que?
– Qual é o seu maior sonho Isabel? — a fitou, vendo o rosto disforme.
– Meu sonho...? — estranhou a pergunta. — não sei... talvez o maior seja terminar o meu mestrado.
Kamus deu um sorriso desdenhoso.
– Não sei por que perguntei... — voltou a abrir o livro, fingindo ler. — se já sei a resposta.
– Kamus eu não estou entendo.
– Pois eu entendi. E espero sinceramente que a barreira abra o mais rápido possível para que possa realizar seu objetivo.
Agora que não tinha entendido mesmo. Kamus queria que a barreira abrisse?
– Mas se a barreira abrir, eu...
– Vai voltar para o Brasil. Isso não é o mais importante para você? Pois então. Quem sou eu para impedir.
– Do jeito que fala parece que esses dias estão sendo superficiais.
– E não são para você? — a fitou seriamente.
– Claro que não.
– Claro que sim Isabel. — levantou. — você só está pensando no seu mestrado. Hora alguma me colocou nos seus planos. Toda hora escuto as meninas dizerem que queriam ficar e você hora alguma me disse isso.
Isa arregalou os olhos.
– Parece que eu não significo nada para você. Sou apenas o cavaleiro de aquário...
– Não é verdade.
– É verdade sim. Sei que Atena nunca permitiria, mas eu gostaria que nosso relacionamento continuasse... gostaria muito.
A paulista estava sem palavras. Jamais passara por sua mente, aquelas dúvidas de Kamus. Logo ele que parecia tão racional e objetivo. Ele queria ficar com ela?
– Kamus...
– Você só enxerga seu mestrado. Não tem nem a loucura em cogitar minha ida para o Brasil.
– Não queria criar falsas esperanças. — e se apegava a isso.
– Mas eu queria... — a fitou entristecido. – até então nunca tinha pensado em ter um relacionamento duradouro, em ter uma família e... — a visão do olho esquerdo ficou turva. Enxergava vagamente com o direito. Sabia que se pensasse em seguir com Isabel para o Brasil depois de deixar a armadura para Hyoga, seria apenas um estorvo, por conta da sua cegueira, mas mesmo assim queria ficar ao lado dela. — é melhor você ir. A Cristiane pode está precisando de algo.
– Kamus.
– Vai Isa. Eu preciso dormir. O dia foi cheio.
A paulista sentiu os olhos marejarem.
– Está bem. — caminhou até ele e ficando nas pontas dos pés beijou-lhe na testa. — durma bem.
Pegou sua blusa e saiu. Kamus foi para a cama. Tudo que queria era dormir e esquecer o dia de hoje.
O.o.O.o.O
Mabel e Ricardo jantavam conversando sobre as ultimas crises de Saga. O taurino contava como foi difícil conter o geminiano na ultima vez que Ares deu as caras.
– Ele ficou dois meses internado.
– Que situação. — disse a brasileira. — então ele ficará por esse tempo?
– Provavelmente.
– Mas... — Bel fez as contas. Certamente em dois meses a barreira... — quando ele voltar a Cris não estará aqui...
– Sim. — disse sério, pois se Cris não estiver Bel também... — sei o que vou dizer parece frio, mas talvez não seja melhor?
– Como assim?
– A relação dos dois vai mudar depois disso. Saga não a matou por milagre. É uma situação delicada Bel. Mesmo se a Cris perdoa-lo, não sentirá medo de aproximar dele? A mente de Ester não bloqueou a do Mu? E olha que o evento foi menor.
– Não tinha pensado nisso.
– Isso sem falar do Saga. Ele não chegará perto dela, com medo de fazer algo. Não duvido nada ele pedir a Atena que o deixe o máximo de tempo na clinica.
– Então a história dos dois acabou? — ficou triste. — vão ficar separados?
– Infelizmente sim. — Deba tentou pegar algo com a mão direita, mas sentiu dor.
– O que foi?
– Minha mão resolveu doer, não é nada.
– Que situação. — levantou recolhendo os pratos. — estavam tão felizes ontem na festa e agora isso.
– É... — ajudou na tarefa. — ainda tem Kanon. Na nossa frente parece ser forte, mas é fingimento. Ele está no limite.
– Ele me parece tão centrado.
– Fachada. Os demais dourados e eu fingimos que acreditamos na fortaleza dele, para evitar maiores transtornos, mas sabemos que Kanon está no limite. Uma hora ele surta.
Mabel pensou nas amigas Su e Cris. Que difícil era a situação das duas.
O.o.O.o.O
Depois do jantar, Gabe e Aioria sentaram na sala para ver um pouco de TV. Ainda era cedo e estavam sem sono. A brasileira, que queria puxar assunto, pois durante a refeição o grego não dissera nada, viu sobre o rack o desenho que tinha feito.
– Gostou mesmo. — apontou para o porta-retrato.
– Muito. Você retratou bem a obra-prima que sou.
– O velho ego inflado...
– Foi só para descontrair, depois de tudo que aconteceu...
– E agora? — o fitou. — como vai ser?
– Saga internado, como já aconteceu tantas vezes...
– Acha que agora ele melhora?
– Não sei te responder isso Gabe. — brincou com as madeixas femininas. — só o tempo.
– Sinto muito por todos. Pelo Saga, pela Cris, pelo Kanon.. queria poder fazer alguma coisa.
– Você pode. — a abraçou. — rezar que tudo termine bem. — Aioria tossiu. — desculpe.
– Vou fazer isso.
O cavaleiro acariciou a face dela para interromper o movimento devido a tosse repentina.
– Está tudo bem?
O grego balançou a cabeça de forma afirmativa, mas a tosse não parou. Ele levantou indo para o banheiro. Dentro do recinto, o leonino tossiu mais e mais forte, começando a perder o fôlego.
Na sala Gabe ouvia o barulho da tosse.
– Aioria. — foi atrás. — Aioria??
O dono da casa tentava aspirar o ar.
– Calma Aioria. Concentre-se na sua respiração.
Aioria puxava desesperadamente o ar. Gabe fechou a tampa do vaso, guiando-o para sentar.
– Aioria. — parou na frente dele. — concentre-se. Respire devagar.
Ele ainda puxava o ar, mas não da forma afoita de antes.
– Isso... devagar... devagar...
Aos poucos foi serenando...
– Obrigado...
– Não fale ainda. — acariciou o rosto.
Concordou, passando a fitar o rosto da paulista. O que seria dele sem ela? Do rosto, a caricia passou para os cabelos loiros, mais precisamente no alto da cabeça, deixando o leonino bem mais calmo. Até fechou os olhos.
Gabe sorriu.
– "Igualzinho um gato." Está se sentindo melhor?
– Sim...
– Então posso parar.
– Não! Continua... — pegou a mão dela, colocando sobre a cabeça.
– Folgado... vamos dormir. — foi saindo.
– Sacanagem... — fez bico.
– Para quem estava quase sufocando, está bem serelepe. — rumou para o quarto.
– Sou um felino, gosto de carinho na cabeça.
– Aioria...
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