A Lenda dos Jumis
3 A chama da dor
Notas iniciais
Capítulo 3 – A chama da dor
Uma semana havia se passado desde aquela estranha aventura. Zeeny estava em seu jardim, treinando algumas de suas habilidades de luta. Treinava o dobro agora, pois se considerava muito fraca ainda. Afinal, segundo ela, foi uma humilhação o que aconteceu na caverna Mekiv. Por um descuido bobo, quase morrera. E isso era totalmente inaceitável.
Mas, esse não era seu único motivo. Por mais que quisesse negar e esquecer, o guerreiro de Lápis Lazúli – Elazul – não saía de sua cabeça. Ela nunca havia estado tão próxima de alguém assim. Ele era tão forte, corajoso, bonito...
-Não!!! Eu tenho que esquecê-lo. – disse Zeeny balançando freneticamente a cabeça. – Ele é passado agora. E depois, ele já tem a Pearl. Ele está muito bem acompanhado. – ao terminar, lançou com uma força incrível uma lança que estava em sua mão.
-Aaaaaah!!! Tá maluca?! Você quase me acertou. – gritou Lisa.
-Hã?! Desculpe-me. Eu não tinha te visto. – lamentou a guerreira.
-Humph! Tudo bem. Mas essa foi por pouco. – a menina se aproximou mais e começou a encarar Zeeny. – Sabe, você anda bem distraída ultimamente. Não é mais a mesma. Desde que você voltou daquela caverna e conheceu aquele garoto, você está assim. Por mais que tente esquecê-lo se distraindo com treinamentos extremamente rigorosos, você jamais conseguirá tal proeza.
Zeeny corou. Sabia que aquilo era a verdade. Mas, o que poderia fazer?
-Você... está apaixonada por ele? – continuou a bruxinha.
-O quê?! Não diga bobagens! – indignou-se Zeeny. – Principalmente porque, não tem como eu gostar de um cara grosso como aquele. Além do mais, ele me detesta. E eu também o odeio.
-Diga o que quiser. Eu te conheço muito bem. Você está amando!! – e ao dizer isso, saiu correndo, enquanto continuava a falar. – Está amando! Está amando!
-Ora, sua pirralha! É a última vez que eu te conto o que acontece enquanto eu estou fora. Volte aqui agora! – gritou a guerreira. Em seguida, saiu correndo atrás de sua irmãzinha. Queria dizer umas poucas e boas para ela. – Amando... Que ridículo.
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O outono se aproximava. Diversas vezes, fortes correntes de ar carregavam consigo as poucas folhas que restavam das árvores. O Festival do Vento logo seria celebrada na Gruta do Gatto, uma cidade modesta, porém muito rica graças aos minérios encontrados em suas inúmeras cavernas.
Pessoas de diversas partes do mundo se dirigiam para a cidade para contemplar o festival. Os comerciantes locais se aproveitavam do grande movimento para lucrarem, pois afinal, raramente momentos como esse aconteciam. E depois, a Gruta do Gatto era uma cidade essencialmente religiosa, então não havia muitas pessoas ricas morando lá, apenas fiéis do Templo Sagrado do Vento e da Água, sacerdotisas e Sproutlings.
Em questão de dias, o festival iniciara e a cidade logo já estava cheia de gente. Zeeny e seus irmãozinhos também resolveram tirar uns dias de descanso para se divertirem no festival. Tudo estava indo muito bem até Bud puxar a blusa de Lisa e apontar para um casal que estava sentado em uma mesa à frente.
-Ei mana, aqueles ali não são os caras estranhos que a Zeeny conheceu em Mekiv? — perguntou Bud curioso.
-São sim!! — respondeu Lisa – Não me admira que ela tenha se apaixonado pelo cara. Ele é lindo mesmo.
-Ei, do que é que vocês estão falan... — disse Zeeny, que até então estava de costas verificando o preço de uma adaga, mas não pôde terminar de dizer, pois ao se virar e ver Elazul e Pearl havia perdido a voz.
-Não disse? Zeeny parece outra pessoa quando se trata desse homem — ao dizer isso, Lisa começa a rir e Bud mesmo sem entender muito bem, riu junto.
-Ora, vocês dois!!! Parem com isso!! Não sejam impertinentes!! — retrucou Zeeny, zangada. E teria dado um sermão se não fosse alguém a chamando. Era Pearl.
-Ei Zeeny, venha cá! — gritava Pearl muito alegre. Para não fazer uma desfeita, a guerreira foi até eles, mas por dentro se sentia um pouco incomodada devido à presença de Elazul. Ela apresentou seus irmãos aos dois, evitando olhar para o rapaz. O que ela mais desejava naquele momento era ir embora logo, porém o destino estava contra ela.
Em meio às risadas e à música, um grito pôde ser ouvido. Havia acontecido um ataque. As pessoas começaram a correr desesperadas e uma gritaria enorme iniciou-se. Elazul e Zeeny sacaram suas armas (hoje ela estava com um longo bastão feito de aço cujas pontas eram mais afiadas que muitas espadas). Lisa e Bud também se prepararam.
-O que foi isso? — perguntou Elazul, sério.
-Eu não sei, mas boa coisa não foi. Veio da direção do templo. — respondeu Zeeny, segurando com muita força seu bastão.
-Elazul... — começou Pearl.
-Você fica aqui Pearl. Pode ser muito perigoso. — disse Elazul bruscamente. — Ei garota, cuide dela enquanto eu vou verificar o que aconteceu.
-Não mesmo. Seja o que for, você não poderá ir sozinho. Lisa, Bud, cuidem de Pearl está bem? Levem-na para um lugar seguro. Conto com vocês.
-Certo mana. — disseram os dois juntos.
-E meu nome é Zeeny, seu chato!! — disse a guerreira virando-se para Elazul e mostrando-lhe a língua. Sem esperar pela reação do rapaz, ela saiu correndo em direção ao templo.
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O Templo Sagrado do Vento e da Água localizava-se no alto da Montanha Sagrada ao norte da cidade. Pelo visto, Zeeny e Elazul eram os únicos que haviam se manifestado para ver o que era, pois o resto da cidade fugia. Enquanto subiam, os gritos iam se tornando mais intensos. Estavam próximos.
De repente, a garota viu em uma das trilhas que a montanha possuía um rapaz tão alto quanto Elazul: ele vestia roupas vermelhas e seu cabelo ruivo era todo bagunçado. Ele andava tranquilamente, indiferente a tudo o que estava acontecendo.
“Quem será aquele homem?” pensou Zeeny. Mas agora não era hora de ela se preocupar com isso. Alguém estava em perigo e ela precisava ajudar.
Ao chegarem ao templo se depararam com uma cena desagradável: quatro sacerdotisas estavam desacordadas no chão e ensanguentadas; várias Sproutlings estavam também inconscientes. Eles se aproximaram dos corpos, mas apenas Zeeny se abaixou para examiná-los, enquanto Elazul continuava em alerta.
-Graças a Deus. Elas estão vivas. — dizia a garota, aliviada. — Mas quem será o monstro que fez isso a elas? Elas são apenas sacerdotisas.
-Isso é verdade. Porém detêm muitas riquezas no templo. Talvez quisessem roubá-las.
-Não, o objetivo de quem fez isso não era roubo. Tudo está intacto. Nada foi roubado. — disse uma voz suave que vinha da porta do templo. Os dois guerreiros se viraram um pouco assustados e depararam-se como uma noviça que estava encostada na porta a ponto de desmaiar. Elazul correu para ampará-la. Era uma moça muito bonita, possuía olhos bem claros e pele igualmente clara. Mostrava-se muito fraca. No entanto, ao cair nos braços de Elazul, ela sentiu um poder estranho, desejado, e disfarçou um sorriso.
-Senhorita, quem fez isso? Você viu? — perguntou Zeeny.
-Um homem... Um homem alto, ruivo, de vestes vermelhas.
-Não pode ser. Aquele cara. — disse a guerreira se lembrando do homem que vira minutos antes. — Isso não vai ficar assim! — ela fez menção de sair correndo, mas foi impedida por outra voz. A Grã-Sacerdotisa do Templo, uma velha senhora de cabelos grisalhos, apareceu na porta. Estava pálida devido ao choque do ataque.
-Vocês parecem ser boas pessoas... Posso sentir. Por favor, venham comigo. — e entrou novamente no Templo.
-Mas... — Zeeny queria muito ir atrás do culpado por tamanha maldade, porém calou-se e acompanhou a senhora. Elazul foi logo atrás dela, deixando a noviça cuidadosamente em um banco para que descansasse.
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Dirigiram-se até o altar, onde a Grã-Sacerdotisa demorou-se longos minutos fitando com devoção a imagem de Mana, a Deusa da Luz, e de Mizu e Kaze, respectivos Deuses da Água e do Vento. Após algum tempo, Elazul perguntou:
-O que realmente aconteceu aqui?
-Não tenho a resposta para a sua pergunta. Estávamos apenas realizando nossas atividades diárias quando de repente, fomos atacadas. Não sei quem era ou o porquê. Quando recobrei a consciência, estava tudo intacto aqui dentro, como se nada tivesse acontecido.
-Foi aquele homem de vermelho. — disse Zeeny, zangada – Ele estava em uma trilha, calmo até demais. Tenho certeza de que ele ouviu o grito. Todos da cidade ouviram.
-O Rubens? Não... Ele é um bom homem. Um tanto arrogante, mas bom. Ele é o responsável em acender todas as tochas da montanha. Ele seria incapaz de fazer isso.
-Ela está certa. Não foi ele. — disse uma voz enérgica e grossa atrás deles. Um homem baixinho e gordo, fumando um cachimbo, olhava-os intrigado. — Meu nome é Niccolo. Detetive Niccolo. E a responsável por esses ataques chama-se Sandra.
-Sandra? — disseram Elazul e Zeeny juntos.
-Sim. Uma mestra em disfarces. Estou atrás dela há meses. Recentemente recebi informações de que ela estaria aqui, atrás de uma pedra preciosa conhecida como a Chama da Esperança.
-Uma pedra preciosa... — Zeeny estava absorta em seus pensamentos – O que será que está acontecendo...?
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Zeeny e Elazul saíram do Templo e já estavam descendo a montanha. O detetive Niccolo havia ido na frente para prosseguir com suas investigações.
A guerreira não parava de pensar naquela história. Por que atacar um Templo? Qual seria a razão daquilo tudo? Seu cérebro estava a mil, cada hora vinham mais e mais idéias, até que sua atenção é desviada: no alto de um penhasco, estava o tal homem chamado Rubens, observando tranqüilamente a paisagem. Zeeny não pensou duas vezes e foi correndo até o encontro dele.
-Mas o que você pensa que tá fazendo? — gritou Elazul quando viu a garota sair em disparada em uma trilha secundária. — Mulheres... — sem querer ficar para trás, ele a seguiu.
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A Montanha Sagrada possuía inúmeras trilhas – era uma montanha de grande extensão e vários de seus caminhos só serviam para enganar ladrões e desavisados. Dentre esses caminhos “falsos” havia um que dava direto para um gigante precipício. A vista era maravilhosa, mas quem não tomasse cuidado e caísse certamente teria uma morte instantânea antes mesmo de atingir o chão.
Ao chegarem nesse precipício, Zeeny e Elazul tiveram uma surpresa: viram Rubens conversando com a noviça que horas atrás, mal se aguentava de pé. Mas agora, ela parecia perfeitamente bem.
-Bem, você não quer reviver sua amada que está petrificada? — disse com desdém a noviça.
-Sim, mas... — respondeu Rubens, com certo receio. — Eu não quero machucar ninguém.
-Então, você não pode proteger ninguém. Você é tão fraco!
-...- Rubens apertou seus punhos com força, sem palavras para continuar.
-A vida é como essa montanha... — continuou a noviça, afastando-se dele. — Constroem-se várias trilhas entre as rochas para se fazer atalhos, mas ainda sim... Não podemos chegar ao topo sem uma chama de esperança... Não acha? — e foi embora.
Zeeny sentiu um calafrio quando a noviça passou por ela. Elazul se manifestou primeiro e se aproximou de Rubens, fazendo com que sua Lápis Lazúli começasse a brilhar.
-Com licença...
-Você é um... Jumi? — perguntou Rubens quando sua pedra, um lindo Rubi, começou a brilhar também.
-Eu sou Elazul, o Cavaleiro do coração de Lápis Lazúli. Você é um Jumi do Rubi, não é?
-Jumi? — intrometeu-se Zeeny, curiosa – Vocês são os lendários Jumis? Aqueles cujo coração é feito de uma pedra preciosa? — seus olhos brilhavam de alegria pela descoberta única. Uma vez, seu pai havia lhe contado sobre um povo especial, que viva afastado de todas as outras nações devido às suas riquezas. Toda a sua cidade – Bejeweled City – bem como seus cidadãos, possuía infinitas e raras pedras preciosas. No entanto, há cem anos, ocorreu um genocídio que destruiu a cidade e seu povo, e tudo o que se sabe, é que houveram poucos sobreviventes.
-Fale baixo! Não deixe que os outros saibam que você é um Jumi! — bradou Rubens ao perceber a presença de Zeeny.
-Desculpe-me, mas... Eu estou buscando outros Jumis. — continuou Elazul, ignorando a presença da garota. — Por que você não vem comigo?
-E o que você irá fazer com os outros Jumis?
-Viver juntos novamente. Essa não seria a coisa certa a fazer?
-Que estúpido!!
-Quê? — disse Elazul, indignado.
-Você não sabe por que a cidade dos Jumis caiu em ruínas, sabe? Um traidor entre nós fez isso.
-Um traídor?!
-Sim, um traidor. Eu parei de acreditar em qualquer um.
-Se você não pode confiar nos Jumis, então em quem você confiará? Nos humanos? Eles nos vêem como jóias ambulantes, como se não tivéssemos sentimentos.
-Eu não acredito em ninguém. Absolutamente ninguém.
-Rubens, você não tem fé em mais ninguém mesmo? — interferiu novamente Zeeny, preocupada com toda aquela história.
-Não! Que droga... Já terminaram? — ao dizer isso, virou-se de costas para os guerreiros.
-Sim... Estamos indo. — respondeu Elazul e deu meia volta para ir embora. — Vamos garo... — mas parou de falar ao ver aquela noviça alguns metros adiante. — Você!
Repentinamente, ela atacou Elazul, derrubando-o no chão. Zangada, Zeeny tentou reagir e atacou sua nova adversária com seu bastão, mas a noviça foi mais rápida e deu-lhe um soco certeiro em seu estômago, tomando-lhe o ar. Sem cerimônias, a noviça empurrou a guerreira com força, deixando-a cair no precipício.
-NÃÃÃO!!! — gritou Elazul desesperado, ao ver sua amiga caindo. — Como você pôde fazer isso com ela, seu monstro?!!
-Hahaha!! A morte é pouco para aquela intrometida. — e ao dizer isso, ela criou uma esfera de energia negra e jogou no rapaz, derrubando-o no chão.
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Rubens observou aquela cena com indiferença. Permaneceu onde estava, sem mover um só dedo.
-Não vai ajudá-los? — indagou a noviça, aproximando-se lentamente dele.
-Isso não é da minha conta.
-Que generoso! Então você não se importa com o que pode acontecer com eles ou com seu amor em Geo?
-Como você sabe onde ela está? — perguntou, começando a ficar nervoso.
-Boa pergunta. — respondeu a mulher com ironia.
-Não brinque comigo!
-Você não liga para o que pode acontecer a ninguém, nem mesmo com sua namorada?
-Olha, eu não gosto de interferir na vida de ninguém, e muito menos que interfiram na minha. Apenas me deixe em paz.
-Nunca!! — ao chegar suficientemente perto, a noviça tirou de dentro de sua batina uma adaga, e cravou no Rubi que estava no peito de Rubens. — Pedras que perdem seu brilham devem ser punidas!
Com esforço, Elazul se levantou. Seus olhos se arregalaram ao ver aquela cena. Rubens estava completamente pálido e fatalmente ferido.
-Ugh... Como você...
-Rubens!! — Elazul sacou sua espada e estava pronto para atacar. — Não me importa se você é uma sacerdotisa ou o que seja... O que você fez não tem nome!
-Se você chegar mais perto, eu mato ele!
-Droga!! Sua cobra!!
-Você não pode fazer nada garoto. Faça o que eu digo e eu não tomarei seu coração.
-O que... você... quer? — falou Rubens, com muito esforço.
-Eu quero ver algumas lágrimas! Chore como um bebê e implore por sua vida.
Tanto Rubens como Elazul ficaram chocados ao ouvir isso. Um Jumi chorar? Impossível!
-Bem... Onde estão suas lágrimas?
-Mas... Eu não... posso...
-Isso é realmente ruim... Adeus Cavaleiro Rubi! — e dizendo isso, a noviça tirou o Rubi que estava no peito de Rubens. Seu coração.
Seu peito começou a jorrar sangue e a cor havia sumido de sua pele. Ele caiu no chão, quase morto.
-Ainda vivo? Os Jumis da Corte Real são mais formidáveis do que imaginava. — segurando o Rubi em sua mão, ela sorriu. — Como eu te disse antes, estou pegando a sua “Chama da Esperança”.
-Como você... — começou Elazul, furioso.
-Oh... Não fique tão zangado... Ele era só um pedaço de rocha.
-Não somos só pedaços de rochas!!!
-É mesmo? — um sorriso maléfico brincava nos lábios daquela falsa noviça.
-Eu vou fazer você pagar por isso!
-Irei esperar ansiosamente por isso... — ao dizer isso, tirou seu disfarce, revelando sua verdadeira identidade. — Meu nome é Sandra. Não se esqueça disso. — e desapareceu.
Elazul ficou espantado. Ela era a mesma mulher que estava na caverna Mekiv. Então... Ela era Sandra, a famosa Mestra dos Disfarces?
“O que faço agora?” pensava Elazul. Quando ele finalmente havia encontrado um Jumi como ele, aquele é friamente assassinado na sua frente.
-E aquela garota ainda por cima...
-EU JÁ DISSE QUE MEU NOME É ZEENY!!!!!! — gritou a guerreira.
Surpreso, o rapaz correu até à beira do precipício e sentiu um enorme alívio ao ver aquela intrometida viva ainda, utilizando o resto de suas forças para não cair.
-Pensei que você...
-É, É... Eu sei... Agora será que você pode me tirar daqui?
Elazul segurou os braços de Zeeny e a ajudou a sair do precipício. Mais um pouco, e seria tarde demais.
-Ungh... — ouviu-se um gemido. Era Rubens. — Ela... zul... Diga a... Di... que eu... sinto muito...
-Quem é ela? Quem você quer que eu avise?
-Cidade dos... Jumis... Nós... estaremos... juntos... novamente...... — após essas últimas palavras, Rubens faleceu, e seu corpo desapareceu em um forte brilho.
-Droga!
Zeeny, embora estivesse em uma situação de risco, pôde ouvir toda a conversa. Jumis, Sandra, pedras preciosas, lágrimas... Seu peito doía, e uma grande tristeza tomou conta de seu ser. Ela tinha vontade de chorar, e teria o feito se Elazul não tivesse impedido.
-Não chore... Não demonstre fraqueza agora...
A guerreira apenas afirmou com a cabeça, e com o rosto vermelho encarou o céu. Os últimos raios de sol enfeitavam aquela tarde triste. Uma tarde que se despedia com o pôr-do-sol, e deixava um rastro de dor. A chama que outrora ardia com a força da fé, da esperança, agora apagava-se.
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