A Lenda dos Guerreiros de Centurian

23 Capítulo 23 - O Amor é a Esperança


Morphilus espionava os jovens guerreiros através do Espelho da Verdade, enquanto Lyan buscava o chá da tarde, porém ela havia voltado mais rápido do que ele previu, quando sentiu seu perfume era tarde demais para parar as imagens.

- Seu perfume a denuncia apesar dos passos leves.

- O que está olhando?

- Diga-me o que está vendo.

- Aquele jovem guerreiro é seu soldado? O que aconteceu ao Esthi?

- O Esthi morreu ao cair no abismo. Eu não consegui segurar a gema, quase perdi o braço ao alterar-lhe a memória para esconder o fato de que ele se feriu neste castelo, era minha intenção que Hugo o trouxesse para mim e não torná-lo um guerreiro. Você tem idéia de por que a gema o escolheu como substituto?

- Ele teria que ter uma ligação muito forte com algum dos outros guerreiros.

- Um forte ligação? Parece-me que meu jovem oficial nutre algo especial por Eólia e a prova disso é que ele acaba de contar a verdade para nossa filha, mas creio que ela não está bem. Isto nos soa tão familiar, não? Gostaria de aparecer para confortá-la?

- Você me deixaria? – os olhos de Lyan brilhavam de esperança.

- O que conseguiria recusar quando nada mais importa que o pouco tempo que temos? Preciso resolver um problema, esteja à vontade.

- Não deveria sair, não está de todo recuperado.

- Não se preocupe, voltarei antes que sinta minha falta.

Morphilus abriu um vórtice e desapareceu dentro dele, enquanto Lyan girou os pulsos para que o espelho mostrasse sua filha. Eólia abraçava as pernas, seu coração ficou apertado ao ver-lhe o sofrimento, a gema da espada jogada ao seu lado brilhou através do espelho envolvendo-a numa luz suave que a levava até Eólia.

Ela pôde aparecer como um fantasma, uma imagem translúcida a princípio, Lyan sentou-se ao lado da filha, envolvendo-a num carinhoso abraço e Eólia sentiu sua presença finalmente.

- Mamãe! É você mesma?

- Sim, mas não tão real quanto gostaria.

- É verdade? O Senhor das Trevas é meu pai?

- Nem sempre ele foi o Senhor das Trevas e nem sempre eu fui a Senhora da Luz... – disse entristecida – houve uma época em que éramos apenas dois jovens apaixonados, uma época em que não importava se eu era a princesa Lyan e nem ele, o jovem Guardião Mórphilus.

- O que houve? Por que não estão juntos?

- Um desencontro entre dois jovens tolos e orgulhosos.

- Por que a gema me escolheu para ser uma Guerreira? Tenho mesmo que lutar contra ele? Como posso seguir com isso... Destruir meu próprio pai?

- A gema escolheu quem tem uma forte ligação com Mor... Digo, seu pai. Quisera ter todas as respostas, mas também não tenho. Você deve encontrar as próprias respostas e decidir o que é melhor.

- Mamãe! Você ainda o ama?

- Sim.

- E ele?

- Não estou sendo mantida a força. Eu poderia ter partido se quisesse, mas optei por ficar.

- Não foi isso que perguntei – disse zangada para após acrescentar suavemente. — Eu preciso saber... Por favor...

- Certas coisas não mudam nem com o passar dos anos, a profecia dos guerreiros para destruir o Senhor das Trevas é uma prova disso... Nosso amor é assim... Não há como mudar o fato de que nossa família está em lados opostos.

- Mãe! O que aconteceu ao Esthi? Hugo o matou?

- Consulte seu coração... Acredita nisso?

- Não! – disse categórica – Então... Foi ele?

- Então Morphilus estava certo... Você está apaixonada! Tenho essa mesma certeza que você tem, se puder siga o conselho de sua mãe, não esqueça que o amor vence tudo e que ambos precisam desejar a mesma coisa. Fortaleça seu coração e não minta para si mesma, reconheça sua alma e aceite-o. É tudo que posso lhe dizer...

- Só mais uma pergunta... Por que Arthur Dragonnis não está enterrado aqui?

- Por que está no túmulo do cemitério, aqui no Castelo Negro, não me pergunte onde fica o castelo porque eu mesmo não sei, mas sinto que estamos bem perto uma da outra. Ele... Seu pai voltou. Preciso ir...

Mãe e filha se despediram com um forte abraço.

- Amo você!

- Eu também, mãe, Senhora da Luz. – Ajoelhou-se para saudá-la antes de sua imagem desaparecer e a última coisa que sentiu foi o afago de sua mãe em seus cabelos.