A Lenda dos Guerreiros de Centurian
6 Capítulo 6 - Oppal e as Sereianas
Após vencer os Goblins em Tópaz numa batalha sangrenta, o nome Morphilus foi associado ao guerreiro implacável, detentor dos poderes das trevas e que utilizava a Espada Negra para subjugar seus inimigos. E assim, ele formou seu exército de desesperançados, homens, mulheres e até mesmo crianças que necessitavam de um líder forte para sobreviver.
Por dois longos anos, ele lutou para restabelecer a ordem nos desertos e o fato de que nenhum lugar prosperar sem água fê-lo dar imediata atenção para o Reino de Nereid. Ele aguardou uma ocasião ideal para seguir seus planos e a espera foi bem sucedida, pois a oportunidade de conquistar Oppal surgiu através da própria natureza traiçoeira do povo das águas.
As sereianas são seres aquáticos governados por um regime matriarcal e controlavam todos os rios, lagos e mares de Centurian. As fêmeas, seres mágicos chamados de sereias possuíam o poder de iludir e por isso sua forma real sempre foi um mistério, elas tomavam a forma mais bela para atrair seres do sexo oposto e levá-los para a cidade submersa com o objetivo de acasalar e procriar.
Os sereios eram homens trazidos de vários povos durante a primavera e transformados em machos da espécie. Durante o verão, eles se empenhavam para demonstrar suas capacidades de acasalamento, mas infelizmente para eles essa transformação não era eterna e o preço para desfrutar dos prazeres de uma sereia sempre foi à morte.
No outono, somente as sereias mais fortes ficam prenhas e garantiam a sobrevivência de sua espécie, as que não conseguem procriar tornam-se escravas durante todo o inverno até terem uma nova chance na primavera seguinte. Somente a soberana tem o seu direito garantido, pois podia ter vários concubinos e escolher dentre os melhores de qualquer raça.
Nereid Marmeid, soberana das sereianas, era um ser de temperamento inconstante e governava seu reino movido pelo estado de seus sentimentos. Podia-se dizer que a maior parte das desavenças entre os povos havia se originado de um ato egocêntrico, mas antes que a culpa recaísse em seus ombros, o julgamento por seus atos impensados partiu de um concubino desencantado, um elfo chamado Ithbaeless que a matou motivado pelo ódio.
A traição causou um distúrbio interno entre as sereias deflagrando uma carnificina pelo posto de sucessora ao trono. A cidade submersa encontrava-se nas profundezas dos mares, ao sul de Centurian e ao contrário dos boatos, a realidade era bem crua, a cidade não era bela e nem possuía um castelo formado de corais ou conchas marinhas, em seu lugar existiam apenas uma colônia formada por cavernas sombrias.
Morphilus utilizou somente a força do exército feminino neste empreendimento, a vulnerabilidade gritante facilitou a obtenção do Reino das Águas. Ele ordenou a morte das sereias mais ardilosas para evitar uma insurreição e conteve a relutância das mais fracas, oprimindo-as pelo uso do poder das trevas e assim, tornou-se o primeiro homem a assentar no trono.
A partir dessa vitória, ele passou a ser denominado, o usurpador, temido como Senhor das Trevas e controlador do líquido da vida, seu plano para conquistar Zahfir concretizava-se aos poucos, pois controlaria cada pequeno povoado de Centurian e seus reinos, ele fecharia cada portal de comunicação com a cidadela dos céus para deixá-la isolada.
A vingança realmente era um prato que se comia frio, quanto mais lenta a derrocada do inimigo mais doce à vitória, era isso que pensava e agora tudo não fazia mais sentido.
- Meu senhor! Está tudo conforme o previsto – disse o jovem guardião – quais serão suas novas ordens?
- Aproxime-se Hugo – baixou seu olhar penetrante para o jovem ajoelhado a sua frente. — Vejo que as missões no deserto e nas montanhas tornaram-no um homem. Pode deixar as formalidades, eu o criei como a um filho.
- Obrigado, Mestre – o jovem agradeceu ficando de pé.
- Tenho uma missão especial, quero que encontre uma certa jovem para mim – movimentou os pulsos e o Espelho da Verdade mostrou quem ele deveria procurar. – No momento ela está indo a Oppal, quero que vigie cada passo e me informe sobre suas ações.
O jovem guardião manteve-se frio e distante enquanto olhava para a imagem da bela, encontrá-la seria muito fácil, aquele rosto delicado era inconfundível e apareceria até em seus sonhos, mas o que o intrigava era que seu Zagard jamais se interessou por nenhuma mulher e assim, apenas tentava imaginar o por quê do súbito interesse.
- É o único para quem confio este serviço – olhou-o com firmeza – não me desaponte.
- Darei o melhor de mim, senhor – cumprimentou-o virando-se para sair, porém antes de fechar a porta viu de relance, que o espelho refletia a mesma mulher já mais velha.
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