A Lenda dos Guerreiros de Centurian
14 Capítulo 14 - A Missão de Paz
Eles chegaram montados em seus dragões até o limite da floresta e caminharam para o centro rumo a cidadela. Emerald ficava no meio da Floresta Encantada, os guardiões elfos sabiam defender seu Reino contra os invasores, mas eram obrigados a receber os homens de Morphilus sempre que solicitado.
Aelfis e Tylanna receberam seu filho de volta, o orgulho estampado no rosto de ambos quando Thor mostrou o bracelete com a gema incrustada. Ele apresentou suas companheiras e elas foram enviadas aos seus aposentos para se refrescarem e repousarem antes do jantar.
Serena tomava banho e chapinhava a água com sua calda, pois quando ela entrava na água tomava a forma de sereia e não perdia sua forma elfa. No início, Eólia ficou surpresa, mas aos poucos se acostumou com a presença alegre e extrovertida, ela era como uma irmã mais nova.
- Eu sei que você sente saudade do mar... – disse ao jogar a toalha – mas, se você não sair ficará sem jantar.
- E eu estou morrendo de fome! – Riu ao ouvir a barriga de Serena roncar – já estou saindo!
Serena se enxugou e vestiu a roupa que as elfas vestiam, o tecido diáfano de cor verde, os cabelos vermelhos e encaracolados, se não a conhecesse, Eólia diria que era uma elfa e lembrou-se do que ela havia dito, ser filha de Desmond e esse nome não lhe era estranho.
Ouviu a porta bater e como as criadas entravam sem fazer cerimônia, supôs que era alguém incumbido de levá-las ao Grande Salão, abriu a porta e deparou-se com Thor, o jovem elfo se vestia a caráter, os traços eram parecidos com as de Serena, exceto pelos cabelos loiros e olhos de uma tonalidade imprecisa, pois o castanho-terra tornava-se quase vermelho.
- Entre Thor! – sorriu-lhe gentil – Estamos prontas, mas... – tocou-lhe levemente – antes gostaria de agradecer pela acolhida.
- O Reino de Zaphir sempre foi nosso aliado – Thor disse sincero. – Lan sempre foi um grande amigo, sua mãe Lyan sempre perpetuou essa amizade e por isso, Eólia você será sempre bem-vinda em nossos domínios.
- Eu agradeço também! – Serena saiu da casa de banho esbaforida. – Eu sei que as Sereianas não são bem-vindas!
- Ao contrário Serena!– Thor pareceu pensativo antes de continuar – Há muito tempo sua Rainha Nereid Marmeid agraciou-nos com as águas potáveis que temos hoje e assim, a Floresta Encantada pôde sobreviver às intempéries desta guerra.
- Minha mãe, fez isso? – Serena disse assombrada – Nunca ouvi nada de bom relacionado a minha mãe e nada sei sobre meu pai – os olhos se iluminaram. –Thor você descobriu quem é Desmond? Ele está aqui? Eu gostaria de conhecê-lo.
- Você está muito linda Serena – ele mudou de assunto propositadamente. – Aliás, devo confessar que estou honrado em acompanhar duas amas formosas.
- Sei! – sorriu por saber que Thor não conseguia tirar os olhos da amiga – Estou em segundo plano, mas isso não importa.
- Então, é melhor irmos! – Serena corava. – Segundo Eólia, a boa etiqueta manda que sejamos pontuais ao jantar – e bufou ingênua – apesar de não saber de quem se trata essa Etiqueta e porque ela manda em nós.
Eles caminharam pelos corredores do palácio, as paredes eram verdes e produziam um efeito misterioso sob a luz dos archotes, dois guardas os aguardavam abrindo o grande portão e eles se viram diante de um grande salão.
As trombetas anunciaram a presença deles, Thor às conduziu para uma grande mesa e os monarcas se levantaram para recebê-los. Isso era muito incomum chamando a atenção dos demais convidados. Eólia foi deixada em seu lugar enquanto o jovem elfo levou Serena até a cabeceira, ao lado direito da Rainha Tylanna. O Rei Aelfis aguardou todos se acomodarem para iniciar o seu discurso.
- Hoje tenho a honra de receber a visita de um representante de Zahfir, filha da Rainha Lyan e neta de um grande amigo Rei Lan – o Rei Aelfis fez uma pausa – porém, o que torna este dia uma celebridade é a presença de uma bela sereiana – fitou Serena que surpresa corava – esta jovem tem sangue elfo e é descendente de Desmnond.
A surpresa se estampou nos rostos de todos os convidados e não foi possível evitar o falatório até o Rei Aelfis se pronunciar.
- Eu a saúdo Eólia Dragonnis! – Três vivas foram dados pelos convidados. – Eu a saúdo Serena Marmeid, filha de Onbaeless de Vandreis e Nereid Marmeid e que a paz esteja conosco, depois dessa noite velhas rixas serão postas de lado para que elfos e Essthis possam se unir novamente.
Eólia fitou Serena com preocupação, ela não parecia estar entendendo nada, então Desmond era o antigo Rei de Vandreis desaparecido, Thor teria que explicar muita coisa, mas elas teriam que esperar o jantar terminar.
Mais tarde, deixando-as no aposento Thor se despedia.
- Desculpe, Serena! – Thor disse sem jeito – Meus pais pediram silêncio!
- Eu entendo... – a mágoa era visível quando a fitou num mudo pedido de auxílio – dormir será um bom remédio.
A pequena sereia caminhou direto para seus aposentos sem se despedir de ninguém.
- Dê-lhe tempo! – não teve palavras para consolar o jovem elfo – Ela precisa refletir sobre tudo que acabou de saber – abriu a porta despachando-o – boa noite, Thor!
- Boa noite! – ele disse contrariado enquanto via a porta fechar – Partiremos amanhã ao amanhecer.
Eólia entrou nos aposentos a procura de Serena e seguiu para a porta aberta da varanda, encontrou-a sentando com o olhar perdido no vazio.
- Quer conversar? – sentou-se ao seu lado segurando-lhe a mão – Talvez seja melhor dar voz aos seus temores.
- Agora que sabe que é de minha natureza ser traiçoeira... – ela disse com pesar – como confiará em mim?
- Você não é igual a Nereid apesar de carregar o fardo de ter seu nome – fitou-a com seriedade – não foi você quem desistiu de voltar para Oppal para cuidar dos pequenos? – Abraçou-a com carinho – Ensinou a eles o que é amar.
- Eu não sabia que o que estava fazendo era amar – ela encostou-se em seu colo – só descobri estando com você.
- Eu entregaria a minha vida – fitou-a olhando bem dentro de seus olhos verdes. – Você não é só uma companheira, é uma amiga querida... E amigos confiam um no outro.
- O que terá acontecido com meu pai? – suspirou desolada. – Ele não está aqui, eu preciso descobrir.
- Assim, que encontramos o último guerreiro... – Eólia disse pensativa — nós iremos até Oppal verificar, eu prometo.
- Sim – suspirou – E agora devemos dormir. Partiremos cedo.
- Boa noite, Serena. – despediu-se.
- Boa noite.
Um sopro de vento correu pela varanda enquanto a pequena sereia voltava os olhos para o céu estrelado sentindo saudades do mar.
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