A Lenda dos Guerreiros de Centurian
12 Capítulo 12 - Thor e o Poder da Terra
A vida era um peso para aqueles que tinham a eternidade em suas veias e aquele momento era ínfimo em relação ao tempo dos Elfos, mas era uma passagem crucial, a iniciação para conviver com alguns mortais e encaminhá-los ao seu destino.
Ele entrou na caverna e a escuridão cobriu-o como um manto noturno, segurou os passos até acostumar sua visão ao breu, seus instintos se aguçavam como um radar e o que não podia identificar através da visão, tentou distinguir pela audição.
Ouviu o som de algo ser acionado, ele deveria ter pisado em algum piso falso, estava num grande corredor de lâminas afiadas, que iam e vinham, deu um passo enquanto sentia um vento cortar a sua costa e a sua frente, não parecia ser difícil sair dali, mas precisou sincronizar o passo entre uma lâmina e outra.
Prosseguiu com certo alívio ao ver uma luz ao longe e ao sair da armadilha das lâminas apressou o passo em sua direção, mas sua alegria durou pouco, a claridade vinha de archotes colocados estrategicamente, um precipício o aguardava e cair não parecia uma boa idéia, pois não podia ver o fundo.
O pior ainda estava por vir, tudo indicava que era preciso subir, olhou ao redor procurando um meio para isso, havia algumas pedras que poderiam servir de degrau, mas estas se encontravam bastante afastadas uma da outra, nem mesmo um elfo seria capaz de transpor aquela distância.
Percebeu uma alavanca, mas depois da sessão de lâminas cortantes estava cauteloso, porém não demorou muito para decidir, que o melhor era prosseguir do que remediar, ele acionou a alavanca e para sua surpresa as pedras começaram a movimentar como elevadores.
Alguns se movimentavam na vertical e outros na horizontal, formando o tão desejado degrau, ficou a observar o mecanismo e assim que focalizou o que precisava fazer, iniciou a subida pulando de uma pedra a outra.
Thor pensava numa forma de sair daquela situação, havia chegado no último patamar sem ver o topo quando uma forte luz incidiu sobre ele cegando-o por alguns momentos, protegeu os olhos com o braço e uma gema de cor verde surgiu flutuando no ar, intrigado estendeu a mão para tocá-lo.
Ao sentir a pedra em seus dedos, soube que ela estava destinada para si e uma súbita compreensão do que ocorria perpassou em sua mente. Ele tinha o dom da premonição, mas nunca previu tão claramente quanto neste momento, precisava encontrar as duas garotas no topo da montanha.
Quando saiu do transe seus trajes estavam transformados, a pedra havia se alojado em seu bracelete e seu arco parecia ter ganhado outra forma e mais força, mas onde estavam as flechas? Movimentou a corda do arco e um feixe de luz surgiu no formato de uma flecha.
Ele experimentou lançá-la, fazendo o feixe disparar em velocidade e explodir a parede da caverna. A fumaça ainda saia dos escombros quando ouviu um esgar medonho, havia acordado algum monstro ou talvez o demônio.
- Quem ousa perturbar meu sono? – o monstro era um dragão todo vermelho e muito zangado. – O seu cérebro funciona ou só está aí de enfeite?
- Ele funciona bem onde está – estaria louco? Não só compreendia como estava tendo um diálogo com um dragão – E o seu faz jus ao tamanho que tem?
- Unf! – o dragão bufou – Pelo menos tem senso de humor! Seki é o meu nome – fitou-o de alto a baixo – qual é o seu?
- Thor! – e acrescentou orgulhoso de sua origem — filho de Aelfis e Tylanna.
- Muito bem! Thor, filho de Aelfis e Tylanna – planou próximo dele – pule e subiremos ao topo da montanha.
Ele obedeceu, mal segurou acomodando-se nela e Seki subiu numa velocidade alucinada, a vertigem não era nada se comparada a alegria que sentiu em voar sem ser um Essthi, a sensação de liberdade era fantástica e em poucos minutos estavam no topo.
Seki pousou na montanha íngreme, estatelou o corpo pesado nas rochas e fitou a céu, parecia estar à espera de algo, duas sombras pequenas foram tomando forma.
- São eles! – respondeu soltando as chamas de suas ventas – Aquele miserável me deve uma aposta. Estão atrasados!
- Eles? – indagou sem ter resposta, um feixe de luz saiu de seu bracelete indicando o caminho onde eles estavam – Pensei que fosse encontrar duas garotas, mas são mais dois dragões.
- E tem razão! – fitou o jovem elfo de forma enigmática – Você possui o dom da premonição.
- Parece-me que sim! – sorriu feliz – Espero que nos seja útil, só não sei se serei capaz de prever sempre.
- Por certo que será! – Seki saudou seus amigos de longa data – Íris e Seres! É um prazer vê-los novamente.
- Faz muito tempo! – Íris pousou suavemente e respondeu – Esta é minha guerreira, Eólia Dragonnis.
- Droga! – Seres bufou ao aterrizar – Perdi uma aposta! E esta é minha guerreira, Serena Marmeid.
- Por certo que perdeu! – soltou um esgar de satisfação – E este é meu guerreiro, Thor filho de Aelfis e Tylanna.
- HUM! – o jovem elfo pigarreou – Thor apenas!
- Que seja – Seki fitou-o de soslaio – Thor APENAS!
As garotas riram enquanto desciam do dorso de seus companheiros de viagem.
- Você não tem um sobrenome? – Eólia indagou curiosa.
- Thor de Vandreis! – Ele disse pensando um pouco – Seria muito complicado explicá-los para os mortais.
- Todos os elfos são imortais? – Serena também estava curiosa ao notar suas semelhanças características – Você conhece Desmond? É o nome do meu pai.
Thor olhou para aquela garota com traços élficos, mas havia algo muito diferente nela, apesar de criança sentiu uma forte atração e se dizia filha de Desmond, o antigo Rei.
- A noite está chegando! – precisava levar aquela garota até Esmerald – Será melhor partimos pela manhã. Serão todos bem-vindos!
- Sim! Será ótimo estar num lugar seguro. – Serena bufou – em Miramar não pudemos pregar o olho.
- É verdade! – Eólia riu de forma encantadora – Quantas vezes Manta tentou nos roubar?
- Aquele segurança que contratamos... – o rosto de Serena demonstrou desagrado – foi pago para não fazer nada.
- Indique-nos o caminho, Thor! – reservou para si, as opiniões sobre Hugo e estendeu a mão para o jovem elfo – eu preciso realmente de toda ajuda que puder.
- Todos nós precisamos! – ele disse gentil ao cumprimentá-la.
Eólia estendeu a mão para Serena e Thor fez o mesmo selando um compromisso de amizade para uma grande jornada de vida e morte.
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