A Lenda do Vagante Rosto
1 O nascimento da maldição
Notas iniciais
Desculpe os erros, estou tentando melhorar sempre.
Espero que gostem, e boa leitura.
Era mais um dia nublado, comum nessa época do ano. Temporada de chuva, logo viria a colheita e as plantações abarrotariam e pessoas de todas as partes do reino viriam para aquela pequena vila. Um vilarejo pacato, mas que carrega uma marca de sangue e destruição em sua história.
Em uma taverna local.
—Fala cara, como ta indo? – diz um homem sentado em um banco no balcão do bar.
—Está tudo naquelas, acabou a cerveja da minha caneca. – respondeu um homem que estava ao seu lado, ao que parecia, eram amigos. – E você, por que não está em casa com sua esposa?
—Ela viajou à negócios com a coroa. – a expressão no rosto do homem mudara para mais seria a rígida. Sua pele clara e limpa o denunciava como alguém rico da região. –Mas amigo, deixa eu te perguntar uma coisa. Você conhece algum homem... como posso dizer, diferente?
—Como assim diferente?
—Vamos, venha comigo para um local. – disse o homem de cabelos grisalhos, indicando uma mesa reservada em um canto pouco iluminado do local. –Precisamos de privacidade.
—O que aconteceu, homem?
—Então, eu estou com alguns problemas com bárbaros invadindo minhas plantações, preciso de alguém para resolver esse assunto para mim, entende? – disse o homem ao se sentar na mesa.
—Você quer dizer um assassino de aluguel? – o amigo pareceu assustado.
—Sim, mas não se assuste, são homem horríveis, não inocentes.
—Não é esse o meu receio. – o amigo apreensivo. –Não sabe das histórias que rondam essas terras?
—Não, eu cheguei aqui a 4 anos, pouco tempo.
—Bom, acomode-se, a história é longa. – amigo fez sinal para a garçonete trazer mais duas cervejas.
O mundo pareceu parar nesse momento, o silencio tomou conta, o movimento intenso na rua acalmou, os cachorros que estavam latindo, cessaram, era como se a cidade antes cheia de vida, se tornará uma cidade fantasmas, apenas com os dois amigos conversando na taverna abandonada.
Em tempos distantes, havia um mago renegado que andava aqui e ali, certa vez, em uma estrada que levava até um grande reino, o mago viu uma família simples, não tinham comida, bebida, não tinham se quer um teto para abrigar seus filhos, foi então que ele tomou uma decisão, levantou seu cajado e como por vontade própria, as arvores ergueram-se perante eles ali elas se formaram em casa, ruas e tavernas, plantações cheias e animais saudáveis e daquele dia em diante, o pedaço de terra de chamaria blonyville. Desse dia em diante, o velho jurou ajudar e acolher a todos aqueles que viessem a seu encontro.
—Está é a casa dos necessitados e nela abriga a paz e a bondade.
Com o passar dos anos, a história de um vilarejo magico, criado do zero, se espalhou pelos reinos dos homens e do elfos, em algum tempo, todos os lugares já sabiam desse feito magnifico e muitos migraram para o local, mas, embora o mago fosse poderoso, estava ficando longe do seu alcance ajudar a todos.
Em um tempo de crise, depois de uma guerra devastadora entre os dois reinos próximo, o rei Haziel, O vaidoso, anexou a vila à seu reino e prometeu que abasteceria a cidade e os trataria como seus legítimos súditos. A notícia foi recebida com festa pelos moradores de blony, porém, ali começava o pesadelo do mago vagante.
Certo dia, o rei convocou o mago para a corte, pediu para o velho jurasse lealdade a coroa, o velho recusou.
—Não posso meu senhor, jurei nunca mais me ajoelhar perante qualquer coroa. – o velho esbanjava simplicidade. –Me perdoe, mas foi um juramento que fiz a meu antigo mestre e amigo, não posso quebrar tal laço, está além dos meus poderes.
Então o rei, indignado com a petulância do velho, pediu que lhe concedesse o artefato magico mais poderoso que tinha, algo que o transformasse em uma máquina de matar. Algo que concedesse a habilidade de um assassino, rápido e silencioso. Algo que ninguém jamais havia visto.
Mas novamente o velho sábio se recusou.
—Perdão senhor, mas não posso fazer armas para realeza, elas os corrompe e a ganancia aflora em seus corações, fazendo com que fiquem cegos para a verdade. – embora calmo, o velho se mantinha firme. –Pode ser um perigo não só para o portador, mas também para aquele à sua volta. Usar um artefato magico sem entender seu real poder, pode levar a loucura.
O rei ficou furioso, se sentiu desafiado –E quem é esse velho imundo para desafiar sua majestade? Tomado pelo ódio e rancor, ordenou que prendessem o velho mago em uma sela a prova de magia, era uma sela com inscrições rúnicas das primeiras magias, alto tão poderoso que nem mesmo o velho com todo o seu poder, poderia escapar.
Durante dias, o velho permaneceu preso, depois de um tempo lhe cortaram o pão e água, mas o homem se mantinha firme. Algumas semanas depois começaram as torturas, o rei chegou ao ponto de contratar um necromante para usar de suas habilidades malignas para atormentar a mente do velho, ninguém, nem mesmo um mago poderoso resistiria por tanto tempo, estava fraco e debilitado. Depois de meses de crueldade, o velho aceita a condição do rei.
—Então velho, o que vai ser? Jurar lealdade a mim ou forjar uma arma poderosa? – o rei disse em tom de deboche. –Ou então prefere conhecer seus novos amigos nas prisões?
—Eu irei fazer a arma que me pediu –a voz do homem já estava rouca e fraca, quase como um sussurro.
O rei encheu o peito de orgulho, orgulho esse, que iria ser o seu fim.
O velho trabalhou dia e noite, foram lhe dadas as melhores ferramentas do reino, as melhores matérias primas, mas ele dispensou tudo, a única coisa que pediu foi um anel que estava no cemitério dos magos ascendentes, uma pedra negra do alto da montanha dos anões do norte e o livro que escondeu quando jovem na floresta sombria. Milhares de soldados morreram buscando esses itens, mas o rei não mediu esforços para consegui-los. Uma vez reunidos, foi preciso um ritual de poderes inimagináveis e finalmente estava pronta a tão aclamada arma do rei.
Ao recebe-la, o rei ficou maravilhado com o tamanho poder que o objeto emanava, sua aura era de pura energia arcana, uma magia tão antiga quanto seu reino.
—Era exatamente isso que eu queria, velho. Obrigado, pode ir para seu vilarejo. – o rei deu sinal aos seus guardas. –Ordenarei que paguem muito bem por seus serviços.
E assim, o velho voltou a sua casa e o rei satisfeito.
Alguns meses após a arma ser concebida, as tensões com o reino vizinho aumentaram, o rei daquelas terra havia sido assassinado e sua filha assumiu o trono, acusando Haziel de ter tramado tudo. Como era de se esperar, O rei vaidoso não deixou barato aqueles insultos, então, em uma noite fria de primavera, invadiu e tomou uma pequena vila na fronteira. Estava declarada tempos de guerra.
Foram anos a fim de guerra, mas a arma tão poderosa, por algum motivo foi deixada de lado. Talvez o rei tivesse receio que tal poder caísse nas mãos do inimigo. Mas nada estava a favor de Haziel, perdeu muito soldados, muito território e os inimigos embora em menor número, era detentores de uma bravura sobrenatural, sobe o comando de sua rainha a força dos homens aumentavam em 100 vezes, não tinha como o exército de Haziel vencer. Ao se ver encurralado, reuniu-se com seus melhores soldados em sua tenda.
—Homens, reuni vocês aqui para uma última cartada. – sua expressão sempre esnobe, deu lugar a preocupação. –Como todos sabem, nossas tropas estão perdendo cada vez mais território, os homens do inimigos são monstros e nossas tropas não tem chance de vencer soldados como aqueles. Tivemos noticias de infiltrados que existe um feiticeiro ajudando os exércitos da rainha Ray. Então homens, combateremos fogo contra fogo, eu irei usar o anel e assassinar esse feiticeiro.
Com medo de questionar seu rei, todos ficaram em silencio, embora sabiam que era uma missão suicida.
Ao colocar o anel em seu dedo, uma máscara branca, sem rosto, sem vida, se formou em seu rosto, sua velocidade aumentou e seus passos ficaram silenciosos, sua visão agora aguaça via traços de rastros no chão, o mundo ao redor ficou mais lento. Sentia-se um verdadeiro mestre dos assassinatos, o velho havia feito um ótimo trabalho. Mal sabia Haziel que seu inferno começaria ali.
O Assassinato do mago foi um sucesso, os exércitos inimigos seriam massacrados sem a ajuda da magia, porém, ao retornar a seu exército, foi recebido como um estranho.
—Alto lá, quem é você? – disse um soltado que estava de guarda nos portões do acampamento.
—Sou Haziel, seu rei.
—Nosso rei? – os risos tomaram conta dos soltados a volta. –Nosso rei foi morto! Se sacrificou para nossa vitória. Não use seu nome em vão, forasteiro inútil.
—Quem é inútil? Seu soltado insolente, vou te mostrar quem é inútil.
Em apenas um movimento, Haziel sacou sua espada, a Flagelo da dor, e desferiu um corte limpo no pescoço do soltado, tão rápido que o homem não tem a chance de se defender. Alarme foi tocado, um inimigo nos portões, aquele homem que um dia foi rei, hoje é um homem sem nada.
Ao ouvir tamanha história, os amigos na taverna retornaram a si, viram as pessoas ao redor, o tempo passar, guerreiros bebendo e um anão cantando. O mundo voltou a girar.
—Que loucura cara, mas onde você quer chegar com isso? – o velho grisalho já estava perdendo a paciência. –Eu preciso de um assassino, não de uma história para assustar crianças.
—Mas é isso mesmo que essa história oferece. – o amigo deu mais um gole na cerveja. –Dizem por ai que quando você precisa de uma assassino, ele aparece.
—O rei esquecido?
—Não, dizem que a maldição do vagante sem nome passa para quem matou o anterior. Diz as lendas que ele firma o pacto com uma moeda antiga, uma adaga e uma cabeça, isso que seria o cara ou coroa, se ele a jogar e você pegar, esta firmado o acordo. Mas os preços costumam ser altos, cada vagante teve seu próprio preço, uns buscavam riquezas, outro objetos raros, alguéns pediram os corpos dos assassinados como pagamento. Esteja ciente disso quando ele o encontrar.
Nesse momento, um cara de capuz que estava sentado na mesa atrás dos homens, levanta-se e joga ao dourado em cima do homem grisalho. Uma moeda. Com um leve susto, o homem pega o objeto antes de cair na mesa.
—Ei amigo... – ao olhar, não havia ninguém por ali. Ao examinar bem o objeto, virou as marcas únicas e uma adaga desenhada. –Pelos espíritos antigos!
Soube naquele momento que não teria mais volta, o pacto está feito e o serviço será cumprido. Qual seria o pagamento? Só o tempo diria.
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