A Lenda do Tesouro Marciano
1 Capítulo Único
Notas iniciais
A humanidade cansou-se de demasiados ataques alienígenas. Muito estranhos por sinal. Crateras e mais crateras abertas por todo o globo. Quase todos os garimpos destruídos e saqueados. Joalherias, idem. Enormes cercos escavados em torno das pirâmides egípcias e, nas paredes da tumba do Faraó Tutancâmon, escritos em latim repetidas vezes: “Reddite nostris aurum!” (Devolvam nosso ouro!)
Sabe-se que Akhenaton, pai de Tutancâmon, é visto como a primeira encarnação de Cristo; que almejava as riquezas do clero dedicado ao deus Amon; que é considerado o criador do Monoteísmo, pois contestou Amon, privilegiou o culto ao deus Aton e autodenominou-se o único sacerdote e profeta; que sofria da Síndrome de Marfan, caracterizada pelo alargamento das feições e do crâneo e afeminação corporal, no que o consideravam um andrógeno; que foi um ótimo Faraó egípcio, pois trouxe tempos de paz para seus povos... Mas ninguém sabe o porquê exatamente ele destituiu o deus Amon e mudou drasticamente a então religião politeísta.
Centenas de centros de pesquisa universitários de todo o planeta reuniram-se para discutir o caso da frase “Reddite nostris aurum!”. Chegaram à conclusão de que todos aqueles ataques nada mais eram do que uma busca alienígena pelo ouro.
— Logo após a Grande Explosão, cada planeta que surgiu era formado de apenas um ou dois componentes. Mercúrio foi inicialmente formado por mercúrio – por isso o nome. Vênus, por magnésio. A Terra, por ferro. Marte, por água e ouro. Júpiter, por hidrogênio. Saturno, por hélio. – explicava o homem alto, magro e elegante, com um ar de especialista no assunto. – Urano era constituído apenas por metano e Netuno por alguns hidrocarbonetos. Todos os planetas, asteroides, estrelas e etc. eram constituídos dessa maneira e, ao passar dos milhões de anos, um se chocou com o outro, transferindo seus componentes e aumentando a diversidade da vida bacteriana, animal, vegetal, protozoária... – explicou Dione, professor e astrônomo, numa convenção de cérebros.
Logo após, subiu ao palco um egiptólogo, historiador e teólogo, Cronos:
— Akhenaton é tido como um faraó alienígena. Mais especificamente um marciano. Os deuses egípcios eram marcianos, e Akhenaton era filho de Aton, irmão de Amon, o Deus Sol, que foi traído pelo próprio sobrinho, que privilegiou o pai, fugindo de Marte por teletransporte ao planeta Terra com o intuito de trazer sua crença atoniana, e não mais amoniana. – Cronos falava rapidamente, quase sem pausas, causando certa lassidão na plateia. – E nesse teletransporte, Akhenaton trouxe consigo todo o ouro marciano, representando sua riqueza material e espiritual, espalhando por todos os cantos da Terra por volta de 1000a.C.. No teletransporte, Akhenaton tornou-se um semideus. Com a fuga de seu sobrinho e o sumiço do ouro de seu mundo, Amon ficou furioso e começou uma busca implacável por toda a Via Láctea, encontrando fragmentos de ouro por quase todos os planetas, mas apenas fragmentos. Até que, recentemente, eles encontraram um enorme foco de ouro no nosso mundo, por isso a invasão alienígena. Eles querem o nosso ouro! Aliás, o ouro deles, que pensamos ser nosso, quando na realidade Akhenaton roubou de seu próprio povo.
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Todos os dias, os alienígenas adentram pelos buracos norte e sul da camada de ozônio e desembocam nos picos de ouro, utilizando um equipamento extremamente sofisticado e de última geração de detecção de metal, podendo, assim, saber em quais locais há quais tipos de metal. Todavia, o que lhes interessam é tão, apenas e somente o ouro.
Os marcianos se dividiram em grupos, todos liderados pelo Deus Amon – o traído pelo sobrinho –, e se separaram por todos os continentes da Terra. Cerca de dez mil membros na Ásia e nas Américas, quinze mil na África, cinco mil na Europa e quinze mil na Oceania. Todos equipados com o detector e com outros aparatos jamais vistos e inimagináveis por qualquer ser humano.
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Demétrio, um dos membros da convenção, resolveu tomar uma atitude.
Assim como os marcianos, Demétrio mobilizou cinco grupos para dialogar com os invasores. Um para cada continente.
Ainda na convenção, ele subiu ao palco e demonstrou sua ideia:
— Meus queridos, temos de parar com tal barbárie. Sabemos o motivo dos ataques. “Ataques” – e ressaltou fazendo o sinal de aspas com os dedos. Eles estão apenas recuperando o que foi roubado deles.
“Há poucos minutos ouvi no telejornal que a múmia de Tutancâmon, de Akhenaton e de Ramsés III sumiram! Não estão em nenhum museu, nenhum sarcófago, nenhuma exposição. Simplesmente sumiu. Ou seja, Amon realmente está furioso com seu sobrinho até hoje! Aproximadamente três mil anos se passaram. Akhenaton, como um semideus, ao morrer, logo voltou à sua forma divina. E como os outros dois faraós também tinham uma forte ligação com o ouro e com a ostentação do tal, os extraterrestres também o condenaram, assim como toda a nossa humanidade. Um sétimo da população foi arrasada! E dois sétimos estão sem moradia, pois as casas e prédios estão sendo invadidos por toda essa raça, que não faz ideia do mal que está causando em nosso planeta.”
“Precisamos dialogar com eles! Separemos grupos. Cinco no total. E cada um irá para cada continente. Os marcianos são cinquenta vezes mais evoluídos do que nós. Muitas naves deles já pousaram aqui, mas, assim como nós, foi para explorar formas de vida, o que encontraram muito facilmente. E, nessas viagens, não faziam ideia da quantidade de metal marciano que temos. Nem imaginavam que aqui estava toda a riqueza deles.”
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Aton e Amon tornaram-se inimigos mortais um do outro. Quando Akhenaton desencarnou sua forma humana, retornou à Marte, mas não cogitou em momento algum para onde foi. Seu pai e seu tio sabiam de seu sumiço, sabiam do roubo, mas Aton nada fez, pois tudo aquilo foi em prol dele mesmo. De fato, Akhenaton impôs à sociedade, com o seu poder absoluto e incontestável, o culto ao seu pai, o Deus Aton. In continenti, Aton de nada fez. Calou-se. Contentou-se e admirou-se pelo filho que, ao fugir, havia contado que pregaria sua fé.
Contudo, Amon desconfiava da traição de Aton e Akhenaton e declarou guerra a todos que pregassem seu irmão, o que explica os demasiados ataques ao planeta Terra.
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Com uma audácia extraordinária, Demétrio entra na linha de frente europeia, que vai em direção às tropas marcianas, pacificamente. Ao chegar de encontro com um dos alienígenas – um ser bastante semelhante aos humanos, mas com o crânio alongado, queixo pontudo, olhos cerrados e sem lábios, com os dentes e gengivas protuberantes. – debate sobre a situação que até então os terráqueos não se defenderam por reconheceram o ato. Ao discutir com o marciano, ambos vão embora e o et dá-lhe um prazo de um dia para a resposta da proposta.
No dia seguinte, ambos se reencontram e, por alguma razão, não houve nenhuma perfuração no solo, nenhuma explosão e nenhum saque.
— Conversei com meu chefe e ele aceitou sua proposta. Pedimos desculpas pelo dano que lhes causamos em nome do nosso Mundo. – disse o et, com uma voz soando eletrizada. – Faremos uma “faxina” por onde passamos e tentaremos, no menor período de tempo possível, reconstruir o máximo de casas e prédios destruídos. E, como a seu pedido, Demétrio, traremos água doce periodicamente ao seu planeta.
E assim foi feito. Os terráqueos garimpavam o ouro e reservavam para os marcianos, enquanto eles tratavam a água e reservavam para os humanos.
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Akhenaton foi expulso de Marte. Aton e Amon distanciaram-se para sempre, transferindo seus poderes para o nome Rei e Deus dos Marcianos, Akron.
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