A Lenda do Dragão

2 Meu jardim da tranquilidade


Notas iniciais
O início de uma nova vida

Uma luz contagiante, um leve reflexo em meus olhos, um grande brilho, perco levemente o foco das coisas, até, que ao concentrar novamente vejo, em um lugar jamais visto, um jardim com as mais belas flores que meu coração poderia pedir, ando vagamente por esse espaço encantado por sua beleza, a calma atravessa rapidamente minha alma sendo seguida pelo enorme vazio que me entristece, uma jovem garota surge entre aquela luz, um leve abraço e as seguintes palavras “Um mundo lindo não é o que você procura, encontre, antes que a escuridão o consuma por completo”, de repente, tudo se envolve em um mundo rodeado por frio e tristeza, será esse o reflexo do meu pequeno mundo? Ou apenas uma leve lembrança de como tudo poderia ter sido?

Caminho lentamente por aquele espaço até me deparar com uma linda flor, encolhida, retraída, lutando para sobreviver aquele imenso gélido.

Acordo na manhã seguinte a mudança de endereço, impossível não ser levemente abalado pelas minhas lagrimas, outra vez esse sonho? Em 2 anos o mesmo retorna a cada manhã me mostrando o quanto vazio eu me tornei, me arrumo rapidamente, desço em direção a cozinha de minha casa e sou atacado pela lança de frieza de meu pai, quando o fracasso bateu a minha porta após aquele dia trouxe junto o rancor do meu antigo maior apoiador, ele acabou se unindo a tantos que ignoraram minha existência:

— Um garoto ferir tantas pessoas em um jogo de futebol é inaceitável! Descarregar sua fúria em pessoas inocentes? É isso o que eu te ensinei? — Duras palavras para se ouvir!

Tentando ignorar a pressão que me sufocava em casa saí rapidamente em direção a nova escola.

Entrei rapidamente, selecionando um dos últimos lugares ao fundo, não sou conhecido aqui, ninguém sabe do jovem dragão, ninguém sabe o que sou eu e nesse momento nada, aliado com a velocidade que o dia passou, poderia ser mais gratificante.

Após a aula, aproveito para dar uma volta na cidade e desvendar a bela paisagem que vi de madrugada, aproveitando para dar uma olhada no grande shopping do centro, nele, encontro alguns colegas de classe, que, apesar de não estar muito familiarizado com a língua local, me chamam para conversar. Nesse momento sinto um pouco de inveja, tão tranquilos, calmos, felizes, sem nenhuma tristeza aparente, mostram o que eu queria ter tido, ter sido, ter crescido dessa forma... rapidamente me despeço, não consegui me sentir à vontade, tudo que aconteceu me fez ter medo!

Retorno para minha casa pensativo sobre o que vi no shopping, será que um ia terei a oportunidade de ser assim? É o que peço em minha oração antes de dormir

No dia seguinte começamos com a aula de educação física, ironicamente com futebol, fico tenso! Mesmo sendo apenas uma aula como qualquer outra não consigo entrar em campo, aos pedidos de meu professor, tento, tento mais uma vez, mas, cada vez que me aproximo da bola, tudo aquilo vem em mente novamente, me desespero, o que gera minha primeira ida a direção da escola.

Apenas aceitei a reclamação por parte da diretora, ao ser perguntado pelo motivo apenas dei de ombros, seria um caos se eu dissesse o motivo e após isso os dias passam tranquilamente.... Ou era o que eu pensava.

Meu primeiro empecilho, trabalho em dupla, tirando o fato que eu não conseguia me comunicar com as pessoas da sala estava tudo bem, fui indo de mesa em mesa, verificando as pessoas que estavam sem parceiro, mas, sem sucesso. Até que, em um piscar de olhos surge um garoto, atrasado e vem em minha direção e diz:

— Acho que só sobrou nós dois, quer fazer junto comigo? -

Minha vontade era de dizer não, mas, como não tinha a possibilidade de fazer sozinho, tive que aceitar.

Durante a atividade reparei que era um dos garotos no shopping dias atrás, seu nome é Marco Santos, digamos que, ele demorou mais tempo para me explicar que o nome é escrito do nome para o sobrenome do que para fazermos a atividade.

Conversamos sobre alguns assuntos aleatórios, e, até que gostei de poder fazer isso, será uma oportunidade que estou ganhando de ter amigos? Aparentemente sim.

Em uma de nossas conversas ele citou que era jogador do time da escola, o que realmente me incomodou, mas, acho que não terei problema, afinal são mais de 18000 km e não creio que o acidente tenha se espalhado tanto assim, não terei problema ao menos que venha alguém de lá.

Ao termino do dia retornei para casa, será meu primeiro fim de semana na nova cidade, finalizei qualquer matéria extra para ter um bom tempo livre e, ao pegar algumas dicas com Marco sobre a cidade, a alguns lugares para visitar.

Começando sábado de manhã, visitei alguns cafés no centro da cidade e até uma pequena praça que dá acesso a uma estação de metrô e é próxima do mar, fiquei deslumbrado como a cidade pode ser pequena, mas mesmo assim tão bela, acabei perdendo noção do tempo ao me deparar com o pôr do sol.

Aquilo me encheu de esperança, um pequeno pôr-do-sol, uma paisagem linda e deslumbrante seguida pelo leve escurecimento da cidade. Penso que se ficar na minha tudo será mais fácil, meus traumas irão sumir junto com o jovem promissor que já fui um dia, retorno para casa com essa convicção em mente.

Até que...

Ao adentrar a escola na segunda de manhã me deparo com uma cena...

Marco sendo jogado no chão, junto com todos os seus livros e anotações, vou em direção ao local me preparando para perder a cabeça, sinto a mesma energia de 2 anos atrás, até que o inacreditável acontece... Iria ver ali, uma pessoa que mudaria minha vida para sempre...

Notas finais
Quem será?