A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
24 Plano
— Tem certeza de que ela está bem? – perguntou uma voz abafada.
— Pela milésima vez, tenho sim. O corpo dela está exausto – falou uma voz feminina.
— Meu feitiço ajudou, mas não consegui sondar a mente dela para descobrir o que houve – disse outra voz masculina, dessa vez mais jovial que a primeira. – Por acaso ela é uma telepata ou algo assim?
— Mais ou menos, mas ela é usuária do plano mental, sua mente é protegida ou coisa parecida. Talvez devêssemos levá-la ao hospital.
— Não! – disse a voz feminina. – Não sabemos o que houve, se fizermos isso ela pode piorar.
Larissa abriu os olhos, mas sua visão estava embaçada, assim como sua memória.
— Shito! Ela está acordando.
Depois de piscar mais algumas vezes, ela viu um teto de madeira, só então notou que estava deitada. Virou a cabeça para um lado e viu três vultos, que identificou como sendo João, Rafaela e Victor.
— Onde estou?
— Na minha casa – respondeu Rafaela. – Achei você desmaiada na periferia da cidade – ela olhou para os outros dois, querendo saber se devia falar o resto, depois de um aceno positivo de cabeça ela continuou. – Isso foi há três dias.
Larissa coçou a cabeça, tentando interpretar as palavras da outra, quando conseguiu pulou da cama em que estava e gritou.
— COMO ASSIM TRÊS DIAS? E A GABI? CADE ELA?
— Na verdade – começou a loira –, eu só achei você. Ela estava lá? O que houve?
Larissa começou a contar sua história. Desde como ela e Gabriela saíram juntas para procurar Matheus ao redor da cidade, passaram horas sem obter resultados e como estava ficando tarde resolveram voltar. O modo como foram abordadas/atacadas por quatro fadas desconhecidas, como uma delas fez surgir uma gaiola prateada e Gabriela entrou nela sem resistência. Como ela tentou lutar, mas falhara pois mal conseguia se manter em pé, como as fadas levaram a outra enquanto ela desmaiava.
O mais estranho, porém era o motivo pelo qual foram atacadas sem aviso, o objetivo daquelas fadas era desconhecidos. Victor também não fazia ideia do por que.
— Hã... eu não faço ideia do motivo, mas acho que sei como a encontraram – disse João atraindo a tenção dos demais. – Larissa, você me disse que quando foram para a África atrás dos pecados capitais Gabriela desfez um feitiço que ocultava um portão branco, certo? – Larissa assentiu.
A garota havia lhe contado um mês depois que entrou no grupo sobre suas recentes atividades. Os demônios, os pecados e o sumiço de Matheus sem explicação. Não haviam tido sucesso em sua busca e o garoto sugeriu um feitiço de localização, porém também não funcionou. Era como se o demônio houvesse sumido da face da Terra.
João explicou sua teoria, o que fazia sentido. De acordo com ela as fadas estavam procurando pela outra havia muito tempo. O feitiço que ocultava o portão fora feito por fadas, e quando Gabriela o desfez isso alertou as mesmas de sua localização. Ao chegarem no local e constatarem que a garota não estava lá, vinham perseguindo-a por meses até finalmente encontrá-la. E Gabriela sabia disso, esperava por isso, por esse motivo não mostrara resistência às suas sequestradoras.
— O problema é que não sabemos para onde elas foram – disse a sereia.
— Provavelmente para Aldea, o reino das fadas, porém é um pouquinho longe – informou João.
— Onde fica?
— Atualmente fica próximo a Charleston na Carolina do Sul.
— Que ótimo! – exclamou Victor. – O desgraçado do Matheus é o único que consegue abrir portais, sem ele temos que ir voando. Sem ele demoraremos horas para chegar lá.
— Eu também posso abrir portais – Victor abriu a boca, mas João continuou a falar antes que ele tivesse chance. – Mas não posso fazer isso com um lugar em que eu nunca fui, Charleston ou Aldea por exemplo. Porém eu tenho uma ideia – disse ele sorrindo. Quando Larissa perguntou do que se tratava, o sorriso do menino aumentou ainda mais. – Que bom que perguntou.
O guri não contou seu plano, ao menos não por inteiro, de acordo com ele para fazer mistério e suspense. Para essa missão ele planejava levar apenas os membros do grupo que podiam voar, que no caso era composto por: João, Victor, Amanda e César. Larissa tentou argumentar dizendo que era loucura, que seriam quatro pessoas contra um clã inteiro, mas João insistiu tanto que ela cansou de argumentar e decidiu apenas deixa-lo continuar falando.
— A Amanda é fácil trazer pra cá – falou Victor –, já que mora nessa cidade, o difícil vai ser trazer o César.
— Eu abro um portal até ele, posso usar você já que provavelmente já foi na casa dele ou coisa parecida, mesmo que por um portal do Matheus, se você tiver uma imagem na cabeça de como o lugar é não vai ter problema.
— Então se é assim porque não me usa para abrir um portal para Charleston ou Aldea? – indagou o de óculos como se tudo estivesse resolvido.
— E por acaso você já esteve lá? – Victor não respondeu, em vez disse virou o rosto que ficou vermelho, sem dúvida de vergonha. João sentiu vontade de dar risada dele, mas se conteve. – Foi o que imaginei– ele se virou para Larissa. – Acha que consegue usar seus poderes? – a garota fez um sinal de “mais ou menos” com a cabeça. – Ótimo! Vou precisar de você.
Era meio de tarde. Rafaela, a pedido de João, ligou para Amanda e pedira para que a menina os encontrasse na praça às oito da manhã do dia seguinte, quando soube da situação de Gabriela prontamente disse que estaria lá.
Ninguém dava o menor sinal de que iria embora, mesmo já tendo planejado o que iriam fazer. Rafaela ofereceu a casa para passarem a noite, principalmente para João que estava longe de sua cidade. Ela dormiria em sua cama, obviamente, o único outro quarto que dispunha de uma cama estava sendo ocupado por Larissa desde que a loura a restara, João dormiria no sofá da sala e Victor poderia escolher onde dormir, no chão frio de algum cômodo ou na casa de cachorro, que a menina nunca chegara a ter, do lado de fora.
Amanhã seria um dia cheio para eles.
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