A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
19 Inveja
Victor e Rafaela estavam atônitos ao ouvir o nome dos sete pecados capitais, principalmente ao ser mencionado com tamanha casualidade.
— Estou com fome! – falou Matheus se levantando e indo até a cozinha. – Tem comida? – perguntou ao abrir a geladeira.
— Também quero comida – falou Larissa seguindo o amigo.
Rafaela encarou os dois como se pudesse fuzilá-los, não acreditando na atitude descontraída de ambos.
— Os sete pecados capitais estão atrás de nós e vocês agem como se fosse uma coisa qualquer – disse a garota com desdém.
— Na verdade – falou Victor –, eles não são exatamente nossos inimigos, não sabemos o que eles querem e seja o que for parece que conseguiram. Estão indo embora, Rafaela.
— Exato – concordou Matheus. – Não há necessidade de irmos atrás deles. Primeiro porque não sabemos para onde vão e, segundo, porque não parece que isso vai nos afetar de alguma forma.
O caso estava praticamente encerrado até Arthur fazer a pergunta da qual ninguém havia se tocado até então.
— Quem é Katie? Matheus só me falou da Karen e do Pedro.
Imediatamente todos ficaram curiosos, pois era a primeira, na verdade segunda, vez que ouviam o nome, mas não sabiam de quem se tratava. Quatro pares de olhos se voltaram para Larissa, esperando a resposta da mesma.
— Ela também é um dos pecados, Emanuele me falou dela. Elas lutaram e Katie venceu, mas parece que ela está bem – fez uma pausa para que os outros pudessem digerir a notícia. – E ela mandou eu dizer pra vocês dois – falou apontando Matheus e Victor – que ela quer ir atrás deles e que se não concordarem ela vai sozinha de um jeito ou de outro e todos nós sabemos que ela não tem a menor chance contra eles, porém também sabemos como aquela criatura é teimosa.
Os outros quatro acenaram afirmativamente, concordando com a amiga quanto a teimosia estúpida da outra. O pior é que ela realmente tinha razão, Emanuele iria atrás dos pecados de qualquer jeito e sabiam que se a deixassem sozinha a garota iria acabar morta. Nem ao menos sabiam se a ninfa já havia partido atrás deles, mas duvidavam disso, provavelmente ela ainda estaria esperando uma resposta.
— Entendo, faz sentido – murmurou Victor. – Parece que não temos escolha.
— Porém não vai ser necessário levar todos. Deixo você escolher que vai – disse Matheus o de óculos que concordou.
— Bem, então vamos eu, você, a Emanuele, Larissa – apesar de todos os outros serem boas escolhas todos concordariam que seria uma péssima ideia escolher aleatoriamente –, César, Gabriela e Amanda. O que acha?
— Sem problemas, avise os outros então, vamos partir amanhã de manhã – conclui deixando o local, assim como o demais, deixando Victor sozinho para avisar aos outros.
—
— Sério isso? – perguntou Amanda quando chegou na casa de Victor às onze da manhã, seus cabelos totalmente desarrumados. Fulminava Victor, Matheus, Larissa e Gabriela com os olhos. – Mal tive tempo de me arrumar – falou como se não fosse óbvio – e ainda estou morrendo de sono.
Victor havia avisado os amigos e marcado de se encontrar com os mesmos em frente a sua casa e Amanda havia sido a última a chegar, grande parte disso em função de ter ficado acordada até madrugada dançando funk e seu celular não ter despertado.
— Será que podemos ir buscar os outros? – perguntou Larissa ignorando o drama da outra dirigindo a palavra para Matheus, esperando que ele abrisse um de seus portais sinistros e obscuros.
Matheus não disse nada, apenas suspirou e estalou os dedos fazendo um portal se abrir na frente dos demais, por onde todos entraram.
—
A mata era densa, o sol forte e os insetos persistentes demais.
— Que lugar é esse? É aqui que os pecados estão? – perguntou César.
Larissa estava com Victor um pouco mais a frente do grupo, ela o respondeu em encará-lo.
— Mais ou menos, é em algum lugar por aqui, mas não sei dizer a localização exata, temos que procurar. E aqui é na África, a Floresta do Congo. Sério, sempre fico impressionada como os portais do Matheus podem nos levar para qualquer lugar.
Gabriela era a mais afastada do grupo, estava atrás de todos caminhando lentamente, examinava o local minuciosamente com os olhos, procurando qualquer coisa útil. Larissa havia comentado algo sobre uma porta enorme e a garota sabia do que se tratava, pelo menos tinha uma pequena ideia. Porém ela estava escondida e só havia um único jeito de encontrá-la, a fada realmente não sabia o que fazer em tal situação. Queria ajudar os amigos e o pior é que sabia como e podia, mas não queria, pois seria perigoso demais para ela, não queria ser encontrada por elas e muito menos caçada novamente.
Os grilos e pássaros cantavam fortemente no meio das árvores e a vegetação densa causava uma certa coceira incômoda.
Gabriela já podia sentir e se quisesse poderia levar os outros imediatamente para a chave, a sensação que ela emanava era forte, porém ainda não sabia o que fazer. Estava confusa e com dúvida. Sem perceber havia parado e usado uma árvore como apoio, cansada demais para continuar.
— Tudo bem aí?
A voz a havia arrancado de seus pensamentos fazendo-a procurar assustada pela origem do som. César! O garoto a havia chamado e a olhava com preocupação, assim como os demais. Nem havia notado a aproximação dos outros. César se aproximou ainda mais.
— Sabe de alguma coisa? – indagou ele e, após a ausência de resposta, constatou que estava certo. – Pode nos levar até seja lá onde estiver a porta gigante sagrada de sei-lá-o-que?
Gabriela desviou o olhar.
— Sinto muito, não posso – falou em sussurro.
Apenas essas quatro palavras e o tom usado pela garota fez surgir a preocupação dos demais.
— Olha, se tiver algum problema com isso pode nos contar – disse em uma tentativa de tranquiliza-la. – Vamos estar com você, vamos ajuda-la no que for necessário.
A fada o olhou diretamente, o garoto pode notar um leve brilho sem seus olhos. Ela queria confirmação do que ele havia dito, queria perguntar se era verdade, se ele prometia. Sabia que podia confiar neles, porém não sabiam de nada, nada sobre o que aconteceria depois. Eles eram seus amigos e a ajudariam com o que pudessem, isso era fato, mas não podia ignorar as consequências do que estava prestes a fazer.
Com um suspiro longo ela respirou fundo algumas vezes, tomando coragem para fazer o que queria. Ela se virou acenando para os outros a seguirem, ato que não foi questionado. Ela podia sentir a magia cada vez mais forte, mais perto a medida que andavam. Alguns minutos se passaram e as roupas que usava já deram lugar a algo mais confortável ao se transformar, deixando suas longas asas livres.
Conforme iam se aproximando as árvores se abriam em um círculo até em um espaço vazio, exceto por uma pedra branca cravada no chão rodeada por inscrições. Os seis ficaram mais atrás deixando Gabriela se aproximar. Quando a garota chegou perto ajoelhou-se e tocou delicadamente a pedra, suas asas abriram-se violentamente. Um cântico começou a ser proferido e um vento forte, praticamente uma ventania, começou a rodeá-la agitando seus longos cabelos.
Os olhos de todos se abriram quanto os ventos se calmaram e finalmente cessaram, Gabriela juntou-se a eles.
Em poucos segundos a pedra começou a brilhar e a fada voltou-se contra ela, uma luz branca começou a reluzir do objeto e foi se expandindo e intensificando até engolir todos os presentes no local, forçando-os a fechar os olhos.
Ao abri-los novamente estavam em outro lugar. Todos estavam confusos com o que havia acabado de ocorrer e viraram-se para Gabriela que, deduzindo a intenção dos amigos, começou a explicar o que aconteceu.
— As portas gigantes de sei-lá-o-que são protegidas por uma magia de camuflagem, a pedra, eu a desfiz e agora nós, e apenas nós, podemos ver elas – concluiu apontando algo atrás dos companheiros que se viraram para ver o que era.
Não havia dúvidas de que era aquilo que eles procuravam. Dois portões enormes de aproximadamente 20 metros, feitos aparentemente de mármore branco com uma joia de tamanho considerável, também branca e polida, no meio deles contendo algumas escrituras ao seus redor. O tempo também encarregou-se de seu trabalho no designer: as matas o envolviam de forma quase protetora, cipós e musgo podiam ser notados em quase toda sua extensão.
— Incrível, vocês realmente chegaram até aqui – disse uma voz feminina que atraiu a atenção do pequeno grupo.
Manu franziu o cenho ao ver a garota que estava para acima deles: Katie!
Ela não estava sozinha, atrás dela se podia ver mais uma garota morena de cabelos negros e Pedro.
Os sete olharam ao redor procurando pelos outro quatro pecados restantes, alguns metros atrás de Gabriela um som denunciou que algo se movia por lá, três pessoas saíram de lá: Karen acompanhada de mais dois garotos, um de cabelos ruivos ondulados e olhos verdes e outro de cabelos loiros lisos e olhos azuis.
— Estava duvidando se realmente viriam, mas conhecendo essa coisinha irritada eu sabia que não a deixariam vir sozinha – a voz desconhecida falava de Emanuele obviamente, a questão era como sabia disso. Victor olhou para cima assim como os outros, havia uma garota de longos cabelos ruivos, olhos castanhos e algumas sardas de pé em cima do portão.
— Elena da Inveja! – sibilou Emanuele com um ódio mortal na voz.
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