— Quando Isahia disse que vocês estavam voltando eu não acreditei, mas parece que nós os subestimamos – falou um garoto que aparentava ter 15 anos, seus cabelos curtos eram cinza assim como seus olhos, usava sandálias marrom e uma bermuda e uma camiseta manga longa da mesma cor de seus olhos e cabelos.

Eles não estavam no meio da cidade como quando desapareceram, agora se encontravam no que parecia ser uma floresta ou mata, à direita havia um enorme lago, estavam em um pequeno espaço vazio sem árvores, apenas grama e algumas flores, mas ao redor tudo o que se via eram árvores e mais árvores.

— Abel, o Porteiro do Tempo! – exclamou Matheus. – Pessoal, não os subestimem.

Em menos de um minuto Victor mostrava suas escamas prateadas assim como suas enormes asas e olhos amarelados. Matheus, César, Emanuele e Larissa agora também usavam as roupas da última luta e Gabriela também se transformara exibindo seus vestido branco e enormes asas. Rafaela correu em direção ao lago e pulou dentro dele, suas roupas começaram a flutuar na água e logo suas pernas foram substituídas por uma cauda, as escamas variavam de cor entre o azul, o verde, o lilás e o rosa.

A roupa de Amanda se transformou em um gás acinzentado até tomar a forma de um collan, em sua cintura encontrava-se um V na forma de um raio na cor amarela, abaixo da cintura um azul escuro enquanto acima era apenas um cinza forte.

A roupa de Cecilia havia dado lugar a uma armadura vermelha e uma espada pendia em sua cintura guardada na bainha, enquanto Arthur vestia agora um traje que lembrava um kimono, a calça era preta diferente da parte superior da roupa, que era branca, em seus pés havia um parte de sandálias antigas feitas de madeira.

Quando olharam novamente para o demônio notaram que não estava sozinho, haviam mais cinco demônios com ele incluindo Katára. Uma mulher loira que aparentava estar na faixa dos 20 deu um passo à frente revelando estar usando uma saia uma camiseta laranja.

— Podemos mata-los de uma vez? – perguntou com tédio para Abel e virando-se para o grupo a sua frente com tom ameaçador na voz. – Meu nome é Lizian, a Torturadora do Inferno, se lembrem dele pois será o nome de quem os matará em breve.

— Dante, o Metamorfo do Elísio, esse é o nome daquele que os matará. Não roube as minhas presas, Lizian! – declarou um menino que parecia ter no máximo 11 anos, seu cabelo era verde, usava uma calça jeans e uma camiseta xadrez nas cores branco e bege.

— Tomem cuidado! – avisou Matheus. – Abel tem poder sobre o tempo, Lizian pode esticar seu corpo feito uma borracha, Dante possui a habilidade de moldar seu corpo à sua vontade de forma que possa se parecer com qualquer coisa ou qualquer pessoa, Reina – indicou uma garota de longos cabelos rosados que estava vestindo um kimono com desenhos de cerejeiras e sandálias como as de Arthur – é conhecida como a Personificação da Morte, não cheguem perto dela não importa o que aconteça e...

— E meu nome é Eniel, o Olho Onisciente – falou um garoto de 14 anos de cabelos castanhos, vestia um terno e uma faixa de cor branca estava amarada em sua testa, em apenas um segundo encontrava-se para ao lado de Arthur – Prazer em conhecê-los!

Ele abriu sua mão lançando Arthur, César e Gabriela para longe. Cecilia se lançou em cima dele fazendo-o recuar junto aos outros.

Emanuele usou as árvores próximas para atacar o grupo composto por seis demônios, Abel com um estalar de dedos fez com que elas apodrecessem, Lizian se lançou no grupo socando Cecilia e em seguida a jogando em cima de Manu, Victor pegou seu braço e um raio de luz vermelha o teria atingido no rosto se não fosse por uma sombra que o bloqueou a centímetros de sua face, a loira aproveitou esse momento de distração e chutou seu estômago o jogando para o alto.

Larissa pegou um pequeno martelo feito de madeira que pouco depois aumentou de tamanho ficando 2 vezes maior que ela e o usou para atacar Lizian que recebeu o golpe e acabou caindo no lago.

Katára correu em direção a Emanuele e Cecilia que estavam atordoadas devido ao golpe que receberam, mas Amanda se postou diante dela. Lady do Furacão usou sua mão nua para atravessar a barriga da oponente o que resultou em uma corrente elétrica de alta voltagem passando pelo seu corpo, quando estava prestes a retirar sua mão de onde se encontrava, Amanda transformou seu corpo em uma nuvem acinzentada e encurralou o corpo de Katára impedindo que o choque cessasse a fazendo cair atordoada no chão. Quando esta já não se levantava a Irmã da Tempestade partiu para auxiliar as amigas.

Rafaela manipulava a água de forma a tentar afogar Lizian, mas ela se debatia o que tornava o processo complicado. Em um ato quase desesperado a mulher esticou seu braço e pegou a cabeça da sereia e a bateu na borda do lago, quando as águas se acalmaram usou as mãos para chegar até a superfície, completamente encharcada. A Sereia dos Corais agora se encontrava inconsciente no fundo do lago.

César solidificou a luz para formar um chicote e o usou contra Eniel que o segurou e o usou para fazer o menino vir de encontro ao chão logo depois o chutando contra uma árvore distante a fazendo rachar com o impacto. Matheus tentou usar as sombras, mas antes que pudesse fazer qualquer coisas o demônios estendeu a mão lhe lançando um raio de energia vermelha que o jogou metros para trás de costas no chão.

Katára começava a se levantar quando Larissa a atacou com seu martelo, antes que fosse atingida usou o vento para lançar a Juíza do Purgatório no chão.

Emanuele, que já havia se recuperado do impacto, usou novamente os galhos das árvores para atacar os demônios, mas assim como anteriormente, Abel fez com que apodrecessem em um piscar de olhos.

Cecilia atacava Lizian com diversos golpes até ser jogada para cima com um chute da loira que, em seguida, nocauteou Victor que viera ajuda-la.

Manu atacou usando as árvores próximas novamente e, desta vez, obteve resultados. O ataque viera subitamente rápido pegando Lizian e Katára de surpresa, causando-lhes um corte superficial na coxa e no ombro, respectivamente.

— Essa garota já está me irritando – sibilou Abel. – Livrem-se dela! – ordenou.

Com um aceno afirmativo de cabeça, Eniel pegou a mão de Dante que se transformou em uma foice afiada e se lançou na direção de Manu em linha reta. Matheus e César usaram seus poderes para tentar protege-la, Matheus com uma barreira de sombras e César com um escudo de luz, porém Abel estendeu a mão e estalou os dedos fazendo as com que as proteções desaparecessem.

Sem nada para defende-la, Manu gritou de dor ao sentir a foice cortando-lhe o estômago. O corte em si não era fundo e muito menos mortal, mas era suficiente para causar-lhe uma boa dor e uma grande perda de sangue.

Manu ainda estava em pé, apesar da dor que sentia.

Reina apareceu atrás dela sem que os amigos percebessem, entrando pela primeira vez na luta. Ela passou os dedos lentamente pelo corte de Manu e com a outra mão tapava levemente sua boca e nariz. Em menos de cinco segundos Emanuele vomitou e recuou alguns passos para trás sentindo um enjoo e uma tontura repentina. No instante seguinte a Ninfa Celeste se encontrava caída no chão, seu sangue manchava seu vestido e a grama abaixo de si.

Reina havia retornado para junto dos outros demônios antes que qualquer coisa pudesse ser feita.

Enquanto alguns choravam, outros estavam em choque não mostrando reação alguma. Mas também havia aquele que queriam partir para cima de Eniel e parti-lo ao meio, como Cecilia, mas Victor a parou.

— Se você for lá desse jeito não vai acabar em uma situação muito melhor, e acredite, ela não ia querer isso.

Porém o que mais surpreendia os amigos não era Emanuele, era Matheus. O garoto estava postado um pouco à frente dos amigos, as sombras ao redor de seus pés pareciam dançar lentamente enquanto se levantavam do chão, seus punhos estavam cerrados, o mais estranho, porém, era que ele ria. Ria como nunca. Era uma risada fria e medonha sem previsão de término.

Victor se postou ao seu lado com uma mão em seu ombro.

— O que você está...? – quando o amigo se virou para encará-lo sua risada cessou, mas a mudança em sua fisionomia agora era notável.

Seus olhos adquiriram novamente um lilás vivo, suas pupilas agora estavam na vertical como as de uma cobra, suas unhas e dentes ficaram afiados e pontiagudos e seu cabelo que antes era castanho agora era preto.

— Eu vou mata-los! Vou matar eles um por um até não sobrar mais nada – sussurrou Matheus.

— Isso é loucura! Nem você pode fazer isso, não com sua força atual.

Matheus riu novamente e um brilho em seus olhos fez com que Victor reconsiderasse suas palavras.

— Droga! – se voltou para os amigos. – Se afastem um pouco! – ordenou.

— Por que? – indagou Gabriela.

— Não importa agora, apenas se afastem se não quiserem ser envolvidos – respondeu Victor simplesmente.

A atenção de todos no grupo se voltaram para Matheus, que cambaleava em direção aos demônios.

— Eu... vou... matar... vocês!

— Ridículo! – exclamou Katára. – É você quem vai morrer!

Katára se aproximou rapidamente dele com a mão coberta por uma enorme quantidade de ar comprimida que girava em alta velocidade. Ela se preparava para matar.

Quando chegou perto o suficiente desferiu o soco em direção ao rosto garoto, mas este o segurou como se ela fosse uma criança e contra golpeou, sua mão foi em direção ao seu peito atravessando-o e, em seguida, várias estacas de sombras atravessaram seu corpo de dentro pra fora manchando a grama com seu sangue.

As estacas se desfizeram e o corpo de Katára caiu no chão, sem vida.

Matheus olhou para o resto dos demônios que observavam a cena estupefatos, assim como os amigos, e lhes dirigiu a palavra.

— Espero que não tenham se esquecido... do porquê... nosso pai ter me escolhido para herdar o trono do submundo. Não que isso importe, afinal, logo vocês estarão mortos.

— Seu pirralho insolente, não se ache tanto! – bradou Dante se transformando em um pterodátilo.

Dante voou em direção a Matheus ainda transformado, quando chegou perto uma sombra enorme saiu do chão e perfurou sua cabeça. O demônio caiu no chão e seu corpo voltou à sua forma real, estava morto também.

Reina surgiu por trás do rapaz e o socou, porém este desviou e desferiu um soco em suas costas que fez com que ela caísse no chão e o impacto fez com que uma cratera se formasse à sua volta. Antes que pudesse se dar conta do que havia ocorrido, uma sombra cortou seu pescoço rapidamente separando a cabeça do corpo fazendo eu sangue escorrer pelo buraco.

Eniel atirava em Matheus repetidas vezes, sem resultados, pois o Príncipe do Submundo desviava de todos como se fosse uma brincadeira simples. Com sua mão retirou a faixa que cobria sua testa mostrando, para o espanto geral, um terceiro olho.

— A brincadeira acabou, irmãozinho – Eniel sorria divertido.

Uma corrente vermelha brilhante saiu de seu olho recém revelado, ela corria rapidamente pelo chão derretendo tudo que tocava até se enrolar no braço de Matheus.

— Acabou! Morra! – gritou Eniel, esperando que o braço do oponente derretesse, o que não aconteceu.

Matheus pegou a corrente com uma das mão e a puxou tirando Eniel do chão e o trazendo em sua direção rapidamente. Antes que chegasse e 5 metro, uma sombra partiu seu corpo verticalmente em dois. Matheus recuou para o lado evitando que o corpo e o sangue de Eniel caísse sobre si.

Lizian usou seu braço para enrolar Matheus que usou as sombras para parti-lo. A mulher gritou de dor enquanto recuava para trás. No instante seguinte sombras vieram por diversas direções partindo seu corpo em dezenas de pedaços.

O garoto levantou o rosto para frente revelando um sorriso insano, se preparando para matar Abel, mas ele já havia fugido. Se virou e começou a caminhar em direção os amigos que, por sua vez, o encaram atenuados, com uma expressão mista de terror e incredulidade, estavam tensos, pois não sabiam o que Matheus faria a seguir. Uma de suas mãos estava coberta de sangue, seus olhos lilás mostravam um brilho insano e, se ainda estivesse sorrindo, com certeza se notaria dentes tão pontiagudos e afiados quanto suas unhas.

Quando chegou perto o suficiente, Matheus simplesmente desmaiou de costas para cima, seu cabelo e suas unhas começaram a voltar ao normal.