A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
15 Alunos Transferidos
Emanuele estava no intervalo da aula, seus amigos não vieram então a garota estava comendo sozinha em uma mesa mais afastada, debaixo da sombra de uma árvore. Porém sua atenção não estava concentrada na comida à sua frente e sim na aluna nova.
Uma menina alta e esbelta um ano mais velha, de cabelo loiro curto que batia no pescoço e olhos azuis. Porém como uma única garota podia ser tão irritante? Talvez o problema fosse em na própria Emanuele, afinal foi a única da turma que não conseguiu gostar da nova colega, tanto que metade da turma estava reunida ao redor da loira.
A coisa mais estranha para a ninfa era a própria transferência. Que tipo de pessoa muda de escola no meio de novembro? Mesmo tentando se convencer de que era algo normal, alguma coisa dentro de si dizia que algo estava acontecendo.
Victor! Será que devia falar com o garoto sobre isso? Provavelmente não! Não devia ter nada demais e ela não iria perturbar o menino com algo tão pequeno.
Manu deu uma mordida na maça e jogou o resto no lixo. Estava cansada de ficar observando a loira, devia ter coisa melhor para se fazer, mesmo sozinha. Se levantou e começou a dar voltas pela escola, pensando no que faria à noite.
Quando passou novamente pelo grupo percebeu que a outra havia ganhado novos servos. Ao vê-la a loira abriu um sorriso e acenou para ela, Manu devolveu o comprimento apenas por educação.
Um minuto depois o sinal bateu, o pátio que antes estava cheio começou a ficar vazio. Os professores chegavam pouco a pouco em suas salas.
O restante da aula pareceu o próprio inferno para Emanuele, tanto que a garota quase preferia enfrentar algum demônio. Quase.
Havia se esquecido do outro motivo pela qual detestava tanto a loira, que se não falhava sua memória se chamava Katie, era de que até mesmo os professores pareciam adorá-la, porém de forma extremamente exagerada. Katie estava ali a apenas quatro dias e já parecia ser o centro do mundo.
Os professores deram diversos presentes para ela sem discrição nenhuma e cada vez que a menina falava eles pareciam encantados como se ela fosse um ídolo que sempre admiraram a vida toda e finalmente tiveram a chance de conhecer. Era surpreendente o fato de que ainda não tinham rasgado um pedaço da blusa dela, cortado um pedaço de cabelo ou pedido um autógrafo. “Okay, talvez eu esteja exagerando um pouco” pensou a de cabelos castanho escuro, porém notou que estava certa ao ver o professor de português pedir a Katie um autógrafo no início da aula.
Por Deus! Que tipo de professor pedia autógrafo de alunas? O pior é ele nem tentou esconder isso, havia se ajoelhado no chão e praticamente implorado.
Estava prestes a ir embora quando ouviu uma voz lhe chamar. “Aquela” voz.
— Ei, Ema! – a garota se virou e encarou a pessoa que havia lhe chamado.
— Ema? – indagou.
— É! Seu nome é Emanuele, então encurtei para Ema. Espero que não se importe.
— Prefiro que me chame pelo meu nome – disse rispidamente. – O que quer?
Katie pareceu ofendida pelo tom da menina, mesmo não demonstrando, em vez disso ela se virou e deixou a outra encarar algumas caixas de presentes. Presentes dos seus colegas que estava ganhando desde o segundo dia de aula. Era uma quantidade absurda.
— Pode me ajudar a carregar isso até o portão da escola? Alguns são um pouco pesados e não vou conseguir levar tudo sozinha.
— Posso – apesar de dizer isso queria muito acrescentar um “mas não vou”, porém achou melhor não fazer alguma inimizade com Katie. Por enquanto pelo menos.
Ambas pegaram as caixas e começaram a andar, o lado bom era que esta seria a única viagem, pois haviam conseguido, com muito esforço, colocar tudo em suas mãos e braços.
— A propósito, ainda não recebi nenhum presente seu. Quando vou ganhar um? – perguntou Katie rindo perto do portão, recebendo um olhar confuso da outra.
— Nunca! Por que eu deveria te dar um presente?
Uma expressão de surpresa tomou conta da face da outra, mas sumiu tão rápido quanto surgiu.
— Não sei! Mas gostei de você. Te achei bem... interessante! – disse quando ambas largaram os presentes.
— Olha só! Eu te ajudei a carregar esse troços – apontou para as caixas –, mas não vamos nos tornar melhores amigas ou coisa do tipo – conclui enquanto saía do local, deixando a loira sozinha.
—
Já era noite e Victor estava esparramado no sofá da sala. Ainda não havia falado para ninguém, mas também estava tendo problemas com uma garota nova na escola. Uma menina alta de longos cabelos pretos, olhos verdes e seios fartos. Porém o que mais o incomodava era a atitude da garota.
Decidiu que falaria com alguém sobre isso, mesmo achando que esse “alguém” iria rir bastante dele.
Com muito esforço levantou do sofá, sentiu uma tontura pelo movimento repentino, mas logo se acostumou e foi até o telefone. Discou um número e esperou o telefone tocar algumas vezes, quando ia desligar a pessoa do outro lado da linha atendeu.
— Alô?
— Matheus?
— Ah, Victor! Eu mesmo, esperava quem? A Lady Gaga?
— Sem gracinhas! Quero te falar uma coisa. Alguns dias atrás uma garota chamada Karen se transferiu de escola e agora é minha colega. O problema é que ela é um pouquinho... diferente, e é isso que tem me incomodado. Quando estou perto dela me sinto diferente, mas não sei o que é. Parece que ela tem algum tipo de energia ou algo parecido.
— Ai meu demônio! Não vai me dizer que está apaixonado! – Gritou ele do outro lado da linha. – Ela é bonita?
— Fisicamente sim, mas o problema é a atitude dela.
— Que atitude?
— Ela age como uma... puta. Acho que é isso. Espera, é isso aí. Fica se mostrando e o pior é que o povo está se jogando geral em cima dela.
Matheus não respondeu e Victor ficou ouvindo o silêncio do outro lado da linha, fora a televisão ligada.
— Matheus? – perguntou depois de alguns segundos. – Ainda está aí?
— Ah, estou sim! Desculpa, é que me distraí um pouco. Fora isso adoraria conhecer essa garota.
— Sério? – perguntou Victor descrente.
— Claro! Não é todo dia que você chama alguém de puta, afinal. Na verdade... não, esquece. Não é nada!
— Fala!
— Okay, você venceu. A verdade é que o Arthur me ligou ontem e disse uma coisa parecida. Ele falou que um garoto riquinho e metido também se transferiu, porém o caso dele é exatamente o contrário do seu, parece que todo mundo detesta ele. Acho que ele me disse que o menino se chama Pedro, ou quase isso. Enfim, pouco depois que ele chegou algumas coisas mudaram lá.
— Coisas?
— É, coisas... – disse suspirando. – Alguns grupos de amigos se separaram, o pessoal começou a ficar um pouco violento. O Arthur mencionou alguma coisa de energia ou vibração no cara, não entendi muito bem. Não sei se é importante, mas...
— Também não sei. Mais alguém te falou alguma coisa?
— Não. Mas acho que vou dar uma olhada nisso, não custa nada.
— Certo então. Até mais!
— Tchau! – disse Matheus antes de ouvir a ligação cair.
—
Matheus sentou-se em uma cadeira e deitou o rosto na mesa, ignorando o barulho da televisão ligada. Seus cabelos suados grudavam na testa.
Alunos transferidos. Energias. Vibrações. Putas. Riquinhos.
Ele tinha a impressão de que estava deixando passar algo. Alguma coisa importante da qual estava se esquecendo. Por que não conseguia lembrar do que era?
Não importava agora! Amanhã iria dar uma olhada e ver se havia algo com que se preocupar. Se houvesse, ótimo! Ele e seus amigos dariam um jeito! Se não houvesse, ótimo também! Não precisariam fazer nada, o lado ruim é que o garoto teria perdido seu tempo.
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