A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
3 Selo Quebrado
Não era exatamente uma volta ao lar, pois Matheus há muito tempo não considerava esse lugar sua casa.
O chão era negro e continha imensas rachaduras e o céu era de um roxo escuro, dando um ar sombrio ao local, como era de se esperar que fosse.
Estava caminhando em direção a um imenso castelo feito de mármore preto, o vento congelante soprava balançando os curtos cabelos do garoto, o caminho estava vazio fora alguns espectros, que viviam nesta área.
Bom, era assim que o submundo deveria ser. É assim que o submundo é.
Depois de alguns minutos de caminhada, Matheus finalmente chegou ao castelo e parou diante do imenso portão que ali havia e, antes que precisasse fazer qualquer coisa que fosse, o portão foi aberto por dentro, revelando ser uma fúria que o abriu que, ao ver quem estava do lado de fora, se pôs de lado para dar passagem ao garoto de cabelos castanho.
— Seja bem-vindo, mestre! – disse fazendo um reverência em seguida.
— Obrigado! – disse com um pequeno sorriso no rosto.
O jovem passou os olhos pelo primeiro andar do castelo, alguma coisa como uma “sala”, assim que avistou o trono começou a andar em direção a ele e o analisou de perto. Era realmente grande, lembrava vagamente o trono de um rei, pela pequena diferença de que esse era duas vezes maior e era feito de crânios. Sem pensar duas vezes, ele sentou e dispensou a fúria que o observava.
Qual seria o problema de sentar aí? Pensava Matheus. Se esse trono era feito para o rei, então não havia nenhum problema em sentar nele, afinal ele era o príncipe.
Seus olhos castanhos olharam para o centro da “sala”, onde uma pedra negra enorme jazia, mas continha alguns detalhes em um vermelho ou laranja vivo, ela parecia um vulcão preto com rachaduras por onde o magma saía. Também possuía um pequeno pedaço de papel velho de um dos lados contendo um símbolo estranho.
Um ruído tirou Matheus de seus pensamentos o colocando para analisar o local. Ele se levantou e começou a andar procurando a fonte do som. Em menos de dois minutos ele avistou uma pessoa que, mesmo de longe, podia-se notar que se tratava de um homem, um adolescente mais especificamente. Mas como ele havia chegado ali? Não devia ser possível os humanos chegarem sozinhos ao submundo, principalmente vivos.
— Ei! O que está fazendo aqui? – abordou o estranho indo em sua direção.
O tal adolescente nada respondeu, mas seus cabelos loiros e olhos verdes não foram despercebidos e ele estava se aproximando cada vez mais da pedra.
Ao perceber qual era a intenção do jovem, Matheus rapidamente o impediu. Ele levantou um tipo de chicote de sombras vindos da pedra e com ele jogou o adolescente de cabelos loiros para longe da pedra e o jovem caiu perto de onde este se encontrava.
Parece que no fim das contas, foi bom ele ter retornado, seu pressentimento estava certo afinal. Se o loiro tivesse tirado o papel da pedra, o castanho jamais se perdoaria por permitir tal ato. Ao menos tudo havia acabado e o papel ainda estava na pedra e era isso que importava. Ou, pelo menos, era assim que ele pensava.
Olhou para o garoto que estava caído perto de seus pés, estava imóvel. Não estava morto, apenas inconsciente, a força usada não fora suficiente para matar alguém, no máximo ficaria algum hematoma.
Uma luz branca surgiu de trás de Matheus que, ao se virar, notou que vinha da enorme pedra. Uma garota ruiva, provavelmente em torno de 13 anos, havia removido o papel, ou melhor, o selo que estava nela. Como ele não percebeu isso antes? O loiro havia sido apenas uma distração. Ele foi descuidado.
Quase instantaneamente, o castanho estendeu a mão para o chão e as sombras cobriram seu corpo, substituindo a roupa. Agora ele estava com uma roupa totalmente preta e justa, dos pés ao pescoço, uma capa, também preta, pendia em suas costas junto a um capuz de mesma cor. Essas vestes eram feitas com as mais puras sombras.
O mais rapidamente possível, ele pegou o corpo do adolescente que ainda estava em seus pés pela gola da camiseta e voou em direção a garota ruiva, a pegando pela cintura e a jogando no chão junto ao loiro, ergueu uma sombra do chão e com ela cobriu os três. Um escudo de sombras.
Poucos instantes depois, a pedra explodiu em pequenos fragmentos e voou em todas as direções. Alguns caíram no chão, outros foram em direção ao teto e paredes e muitos dos fragmentos da pedra ficaram presos neles, não chegaram a quebrar, mas ainda assim seria trabalhoso consertar a bagunça que haviam feito. As sombras protegeram os três, sem ela não teriam saído dessa sem, no mínimo, alguns corte e arranhões.
Porém, o mais impressionante, foram as formas que saíram de dentro da pedra. Fazia realmente muito tempo que o castanho não via seus rostos, mas podia continuar um bom tempo sem vê-los novamente. Se possível, gostaria de nunca mais tornar a vê-los.
— Desgraçados! – falou Matheus.
Eles olharam para o garoto vestido de preto e o analisaram por um momento. Por fim, um deles, um adolescente, alto, magro e de longos cabelos ruivos, sorriu sem emoção para ele e disse:
— Ora, ora! Quem diria? E pensar que você ainda estaria vivo – sua voz era inexpressiva.
Sem perder tempo o ruivo pulou em direção a Matheus, que estava à aproximadamente, 50 metros de distância, e o socou no rosto fazendo-o voar em direção à uma das paredes do castelo, que rachou pela força do impacto.
— Parece que estou sem prática – comentou com si mesmo, com a mesma voz inexpressiva.
Matheus se levantou do meio dos escombros com certa dificuldade. Ele usara a sombra sobre seu rosto para se proteger da força do soco, mas havia sido forte demais, mesmo com a ajuda da sombra. O ruivo o encarou, demonstrando uma leve surpresa em seu rosto pelo outro ter sido capaz de se levantar.
— Ainda consegue ficar de pé? – perguntou.
Ele andou lentamente em direção ao castanho, que mal conseguia se mexer. Todas as suas energias estavam sendo usadas para mantê-lo em pé, tudo o que podia fazer era olhar, pois seu corpo doía em todos os lugares possíveis.
Um chute foi dado em seu corpo, dessa vez na lateral. Não foi tão forte quanto o soco, mas foi forte o bastante para atirá-lo a alguns metros de distância, fazendo-o rolar no chão.
Com muita dor e dificuldade, Matheus levantou o rosto e encarou o ruivo, logo após direcionou o seu olhar para os outros que haviam saído da pedra.
— Vocês... – antes que conseguisse completar o que quer que fosse dizer, Matheus perdeu a consciência.
—
— Estou ficando preocupada com ele, sabe de alguma coisa? – perguntou Amanda para Victor.
Ambos estavam na sala da casa da garota. Victor, preocupado com seu amigo, foi até lá para saber se a amiga sabia de alguma coisa, porém pelo que pode perceber, ela sabia tanto quanto ele, menos até.
— Bom... a última vez que o vi foi no dia que fugimos da sorveteria, eu o encontrei na praça mais tarde, mas ele foi para o submundo.
— Mas isso foi há cinco dias, não é possível que ele ainda não tenha voltado. Com certeza aconteceu alguma coisa – sua voz era de pura preocupação.
— Espere um pouco, ele sabe se cuidar, além disso ele é o Príncipe do Submundo, ele conhece aquele lugar como a palma da mão – falou tentando tranquiliza-la.
— Pode ser, mas ele quase nunca fica mais de dois dias lá e quando fica avisa. Se ao menos a gente tivesse uma forma de ir pra lá também.
— Não adianta ficar se remoendo dessa maneira, se eu souber de qualquer coisa você vai ser a primeira pessoa a saber.
Depois de dizer essas palavras ele se levantou e saiu, foi para sua casa correndo antes que começasse a chover. Assim que entrou uma chuva grossa não tardou a cair.
Um ruído despertou a atenção de Victor que procurou a origem do som, olhando ao seu redor, ele percebeu que não estava sozinho.
Fale com o autor