A Lenda do Clã dos Pokémons Lasanha
6 Segredo
Os demônios se encontravam no castelo do submundo. Satanás encontrava-se sentado em seu trono feito de ossos com uma expressão fria estampada em seu rosto, encarava um garoto de aproximadamente 11 anos, mas sua face estava encoberta por sombras de modo que não era possível ver seu rosto.
— Você me desapontou, alguém fraco como você não é digno de herdar este trono – falou Satanás com uma voz tão fria quanto sua face.
O menino continuava chorando, suas mãos tentavam inutilmente limpar as lágrimas que corriam pelo seu rosto.
— Pai, por favor – olhava desesperado para os seus irmão à procura de auxílio, mas estes permaneciam calmos como se não se importassem com ele, e de fato não se importavam. – Reconsidere!
— Um pirralho que derrama lágrimas não pode carregar meu sangue nas veias e muito menos carregar o nome do Clã Demônio.
Em um único instante tudo desapareceu, coberto por uma névoa espessa.
— Acordou? – indagou Larissa quando Matheus abriu os olhos.
— Isso foi... um sonho? – perguntou a si mesmo sem perceber que havia dito em voz alta.
— Sonho?
— Esquece, não foi nada – levantou depressa olhando ao seu redor.
Não se encontravam mais na cidade, estavam em um imenso campo, não lembravam de como haviam chegado lá ou onde ficava aquele lugar.
— Alguém sabe onde estamos? – perguntou Arthur ao resto do grupo, recebendo apenas um aceno negativo de cabeça dos demais. – Como viemos parar aqui.
— Isahia – respondeu Matheus no segundo seguinte. – Ele não é conhecido como Senhor do Espaço à toa! Seus poderes permitem que ele viaje por diferentes espaços. Cidades, países, planetas e até mesmo dimensões diferentes em segundos, ele pode até mesmo enviar objetos ou seres vivos para outros lugares, como fez conosco.
— O que faremos? – foi a vez de César perguntar.
— Primeiro vamos desfazer nossas transformações, não é algo muito comum as pessoas verem uma fada voando por aí, muito menos um adolescente com asas e escamas, depois vamos descobrir mais sobre onde estamos. Como eu disse, podemos estar tanto em outro país quanto em outra dimensão.
— Acha que Isahia pode estar nos observando?
— Duvido muito, ele não iria se dar a este trabalho, pelo contrário, se nos considera-se um incômodo, já teria nos matado quando teve a chance – apontou para um pequena estrada de terra, desfazendo a roupa de sombras que usava, assim como seus amigos. – Vamos seguir a estrada, deve nos levar para alguma cidade.
Mesmo famintos e com sede, o grupo caminhou exaustivamente pela estrada na esperança de encontrar alguma cidade, seus esforços foram recompensados, porém levou cerca de duas horas até encontrarem a cidade que almejavam.
As casas era todas simples feitas de madeira, não havia chão asfaltado nem carros, apenas carruagens e pessoas vestidas com roupas camponesas.
— Não acha que podemos ter voltado no tempo, ou acha? – cochichou Gabriela para Matheus, mas este negou com a cabeça.
— Não! Isahia não tem poderes sobre o tempo. Esperem um minuto.
O castanho correu em direção à uma velha senhora sentada em uma cadeira de balanço e iniciou uma conversa que não pode ser ouvida pelos demais, depois de 5 minutos se despediu da senhora com um aceno de mão e um sorriso e voltou para os amigos.
— O que você pediu? – começou Gabi quando o amigo chegou perto do grupo.
— Perguntei a ela onde estamos e se teria algum lugar em que forasteiros poderiam passar a noite.
— E o que ela disse?
— O nome desse vilarejo é Vila de Santa Unihda e estamos no ano 3001, há um templo na periferia na qual mora um certo monge, ela disse que podemos nos hospedar lá o tempo que for necessário.
O espanto dos demais com as palavras era perceptível.
— Como assim ano 3001? Você não disse que ele não podia controlar o tempo? – indagou Gabi.
— Falei, mas isso não quer dizer que o tempo passe aqui da mesma maneira que em nosso mundo, estamos, definitivamente, em outra dimensão.
— Como vamos fazer para voltar? – pediu Amanda entrosando na conversa.
— Não sei, por hora vamos ao templo, depois vamos pensar no que fazer.
Não fora difícil achar o tal templo, escadas enormes levavam até a entrada coberta de folhas. Assim que chegaram ao topo uma pequena cordinha com um sino pendia, Victor a pegou e chacoalhou, fazendo o sino tocar e logo um monge idoso de cabelos brancos abriu uma das enormes portas de madeira.
— Olá, em que posso ajuda-los?
— Somos viajantes e nos disseram que poderíamos ficar por aqui o tempo que precisássemos, se não houver problema gostaríamos de ficar um tempo aqui – anunciou Matheus.
O velho monge sorriu um pouco.
— Não há problema algum, por favor entrem – ele se pôs ao lado da porta para dar passagens aos visitante. – Podem ficar o tempo que precisarem – fechou a porta após a entrada de todos e apontou para um dos lados do templo. – Desse lado ficam os quartos, podem escolher os seus, vou preparar algo para comerem, parecem famintos.
Agradecendo a gentileza, dirigiram-se aos quartos que, notando logo de cara, eram feitos para apenas uma única pessoa, então ficariam separados.
No almoço o monge serviu alguns grão laranja fraco, eram moles lembrando vagamente gelatina em pequenos potes de porcelana.
— Vocês vieram de algum lugar distante, estou certo? – perguntou em uma tentativa de iniciar uma conversa. – O que vieram fazer aqui?
Foi Rafaela quem respondeu.
— Estamos procurando um jeito de voltar para casa, mas não sabemos como.
— De onde são?
— Vai por mim, o senhor não acreditaria se eu lhe dissesse.
— De um mundo distante eu suponho.
A comoção foi geral e o homem apenas riu divertidamente.
— Como sabe? – indagou Cecilia.
— Suas roupas são diferentes demais e a energia que transborda de vocês é diferente da que transborda do resto das pessoas. A propósito, meu nome é Fan.
— Hã... prazer. Como assim energia? – perguntou Victor.
— Toda pessoa tem um tipo de energia que transborda através do seu corpo, alma e mente. Eu posso enxergar essa energia com a visão sagrada.
— Visão sagrada?
— Monges e sacerdotes têm o que chamamos de Energia Sagrada, um presente concedido por Deus a poucas pessoas que tornam-se seus seguidores e como direi... – pensou um pouco nas próximas palavras –... elo com a humanidade. Eu sou um desses, e é por isso que posso ver essa energia. Ela é fraca e quase imperceptível, mas a de vocês é forte e parece viva. E a sua – apontou para César – é incrível, nunca vi uma Energia Sagrada tão forte quanto a sua.
— Eu possuo Energia Sagrada? Como é possível?
— Aqueles que portam a Energia Sagrada possuem uma energia branca ao redor de si, porém posso estar enganado, pois as coisas podem significar algo totalmente contrário em seu mundo.
— Viemos de outra dimensão – explicou Victor. – Tem alguma ideia de como podemos voltar?
— Infelizmente, não posso fazer nada a respeito... – a esperança que se acendeu ali logo morreu com tal resposta, apenas para acender-se novamente com as próximas palavras de Fan –... mas existe alguém que pode, uma feiticeira que vive em um casebre em meio a floresta, ela pode ajudá-los, mas tomem cuidado.
— Tomaremos, muito obrigada senhor Fan! – agradeceu Manu.
Conforme cada um ia terminando seu almoço deixou a “sala” para ajeitar seu quarto e descansar, Matheus foi o último e quando estava prestes a sair a voz do velho monge o chamou.
— Espere um minuto! – o garoto se livrou para ele – Quem é você realmente? Sua energia é diferente de tudo o que eu já vi, é de um preto realmente intenso. Você é... – Matheus o interrompeu antes de continuar.
— Sou! Mas é incrível o modo como você deduziu isso apenas pela cor da minha energia. Agora a questão é: o que você vai fazer? Vai me expulsar? Me matar?
Um sorriso gentil brotou nos lábios do velho senhor.
— Não! Não há razão para isso. Você não parece ser alguém ruim. Seus amigos sabem?
— Não! Apenas Victor. E é melhor que seja assim. Não acho que aconteceria algo de bom se eu contasse para eles.
— Será mesmo? – o olhar de Fan era de compreensão e tentava passar o máximo de confiança para o menino. – Você nunca vai saber se não contar.
Após essas palavras Matheus saiu do aposento e seguiu para fora do templo. O vento gelado bateu contra seu rosto.
Começou a caminhar chegando a um jardim que ficava atrás do templo. Havia uma enorme árvore em um canto e várias espécies de flores eram cultivadas ali. O cheiro delas era intoxicante e demasiadamente forte.
Será que deveria contar?
Essa pergunta ficava ressoando em sua cabeça e nem notou a aproximação do amigo, percebendo sua presença apenas quando este lhe dirigiu a palavra.
— O que você está fazendo aqui? – era Victor que fizera a pergunta.
— Conversei com Fan. Estou pensando em dizer para os outros que eu sou... bom, você sabe – respondeu sem encarar o amigo.
— Tem certeza que é isso que você quer? – indagou preocupado.
— Tenho! Se vamos continuar com essa história de derrotar Satanás e os guardas demoníacos, então eles devem saber – pela primeira vez desde o início da conversa ele se virou para encarar o amigo. – Mas eu queria pensar sobre isso mais um pouco.
— Entendo! Vou deixar você sozinho então – se virou e foi embora por onde viera.
Matheus se deitou no jardim deixando-se intoxicar pelo perfume das flores que ali havia.
Milhares de perguntas surgiam em sua mente e, antes que se desse conta havia pego no sono.
— Ainda está vivo?
Matheus abriu os olhos e se deparou com Larissa encarando-o de cima. Colocou-se sentado e logo após se levantou. Notou que o céu estava escuro.
— Você dormiu o dia inteiro!
— Desculpa! Estava cansado e peguei no sono sem perceber – sua expressão mudou de sonolenta para séria. – Vamos entrar! Tem algo que eu preciso falar para vocês.
Larissa silenciou-se ao ver a seriedade das palavras do amigo e entram juntos no templo, onde Fan servia algo que, provavelmente, deveria ser o jantar. Larissa sentou com os outros em uma cadeira que havia ao redor da enorme mesa que se encontrava na frente do cômodo.
— Pessoal! – Matheus falou um pouco alto para atrair a atenção de todos que estavam no local. – Tenho algo para contar.
A curiosidade atiçou os rostos dos presentes deixando Matheus com um desconforto evidente.
— Matheus, se você não quiser falar não precisa – falou Victor.
— Mas eu tenho.
— Tem certeza de que é isso que quer?
— Tenho! – o amigo se calou com a resposta e Matheus continuou. – Bom, não existe um jeito fácil de falar isso.
— Apenas fale – disse Gabriela.
— Eu conheço o Clã Demônio, não só porque ajudei a selá-los no passado, é mais profundo que isso. Eu sou parte do Clã Demônio e sou o décimo primeiro filho de Satanás e herdeiro do trono do submundo. Eu sou um demônio!
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