Victor, Gabriela, Larissa, César e Amanda corriam e voavam apressados até o local onde a porta gigante quase matara Matheus. Emanuele simplesmente desaparecera e era quase certo que estava voltando pra enfrentar os sete pecados, o que a mataria logo se não se apressassem. Porém mesmo que chegassem estariam em desvantagem, pois deixaram o amigo aos cuidados de Hanna.

A elfa ainda foi útil o suficiente ao ponto de lhes dar informações sobre o inimigo, como ela sabia disso ainda era um mistério. Karen podia atrair e afastar qualquer objeto de seu corpo, Elena se tele transportava, Pedro podia copiar os poderes e técnicas de seus oponentes, Jéssica absorvia os ataques inimigos, Tiago possuía enorme força e velocidade considerável, Katie podia transformar objetos ao seu redor e o próprio corpo em pó e Lucas tinha força física considerável e uma enorme resistência e agilidade.

Árvores, árvores e mais árvores era tudo pelo qual passavam, podiam ver o portão enorme ao longe, mas parecia que nunca o alcançariam. O pior era que também não passavam pela ninfa, o que significa que ela partira muito antes de se darem conte de sua falta, o que não era uma coisa muito boa.

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Matheus abriu seus olhos devagar, os mesmos teimavam em ficar fechados e a tentação era forte. Ao lembrar-se dos amigos, pôs-se sentado rapidamente o que lhe causou uma tontura temporária. Analisou o local na qual se encontrava não reconhecendo-o de imediato. Não se lembrava de como chegara ali.

— Finalmente acordou – falou Hanna encarando-o com um olhar materno. – Como está se sentindo?

Matheus a encarou durante alguns segundos esperando a visão se focar em algo.

— Aham. Como cheguei aqui? – olhando ao redor percebeu que estava sozinho com a senhora. – E onde estão meus amigos.

A velha elfa o deitou novamente.

— Resumindo: vocês estavam lutando contra os pecados, você desmaiou, eu estava por perto e os trouxe para cá e tratei de suas feridas, sua amiga suicida sumiu e seus amigos foram atrás dela. – ela fez uma pequena pausa esperando o outro absorver as palavras. – Mas já faz muito tempo desde a última vez que nos vimos. Você cresceu.

Um sorriso percorreu a face do menino.

— Faz mesmo. Senti saudades, Hanna. Obrigado por cuidar de mim, de novo. Fico feliz em ver que não mudou nos últimos anos, continua a mesma.

— Com cabelos brancos, rugas e dores nas costas – comentou a elfa fazendo o outro sorrir. – Você por outro lado continua praticamente o mesmo, cresceu um pouco, mas além disso não parece que mudou muita coisa. E foram 2.000 anos.

— Eu sei – respondeu com voz triste.

Nenhum dos dois continuou a conversa, deixaram o silêncio pairar, cada um perdido em seus próprios pensamentos. Após alguns minutos Hanna levantou a cabeça e quando falou, sua voz estava diferente, não continha o tom divertido e amigável de antes, dessa vez estava totalmente séria.

— Eu soube sobre sua recente luta com os demônios, e antes que pergunte, as notícias voam, não dá pra manter algo desse tipo em segredo por muito tempo. Enfim, você precisou se transformar para derrota-los. Isso foi perigoso!

— Eu sei.

— Entendo que você tenha selado seu poder com medo dele, mas se ele fugir do controle novamente, você pode machucar seus amigos e talvez a si mesmo, isso se não matar algum deles. Precisa controla-lo novamente.

— Infelizmente, não sei como fazer isso, e mesmo que soubesse, não sei se conseguiria.

— Eu posso ajuda-lo – falou a mulher encarando seus olhos. – Conheço uma pessoa, que com certeza pode ajudar você. Porém vamos precisar de tempo. Sabe o que isso significa, não sabe?

Matheus sabia o que aquilo significava, mas não tinha certeza se possuía a convicção para fazê-lo. Era o melhor para todos e ela sabia disso, porém ainda hesitava. Não queria que os amigos lhe odiassem por isso, esperava que entendessem, mesmo que ele não pudesse explicar no momento. Sabia também que seria mais seguro dessa maneira. Seus olhos que antes demonstravam incerteza olharam para Hanna com enorme confiança.

— Sei! E farei o que for preciso! – declarou.

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Emanuele fugira do local na qual estava com os amigos e voltara para o gigante portão branco feito de ela-não-sabia-o-que. Infelizmente, eles notaram sua ausência e estavam vindo atrás dela. Sabia disso pois as árvores lhe avisaram. Devia ter dez, no máximo quinze, minutos antes deles a alcançarem, mas não estava preocupada, estava perto.

Ela botou a mão direita em uma árvores se apoiando e dando um passo frente, vendo agora com perfeição o portão que quase fritou o demônio. Havia algo mais e ela notou de imediato. Estava quieto demais.

Seus olhos procuraram ao redor por sinal de vida, mas o que viu a chocou, encontrou exatamente o contrário do que queria.

No topo do portão havia uma enorme mancha vermelha, o líquido era fresco e ainda escorria, porém o que mais chamou sua atenção foi o corpo da representante do pecado da gula, Jéssica, que parecia ser a origem daquilo.

Alguns metros adiante havia uma pequena cratera, que certamente não estava ali antes. Ao olhar para dentro dela pode ver os corpos de Katie e Pedro banhados no próprio sangue. Visão que a deixou enjoada.

De repente suas pernas não conseguiam mantê-la em pé. Sua mente verificou rapidamente o espaço ao seu redor.

Uma pedra estava em cima de Lucas, ela sem dúvida esmagara o corpo do garoto brutalmente. Nos galhos logo acima estava o corpo de Tiago, um galho perfurava seu peito passando pelo coração, seu sengue escorria caindo na pedra que esmagava o companheiro. Karen por sua vez estava caída no meio do local, um corte profundo se estendia desde seu ombro até a cintura, seu sangue se espalhava ao redor do corpo.

— Por favor, me ajuda!

Manu olhava a seu redor, procurando que havia falado. Viu Elena arrastando-se, uma de suas mãos encontrava-se na barriga que provavelmente sangrava, pois havia sangue no chão de onde viera.

Nesse instante todo seu choque desapareceu. Tudo o que queria era matar a garota a sua frente.

Ao seu comando, cipós desceram das árvores e agarraram a menina pelos braço e pernas, deixando o corte em sua barriga a mostra. Mas a curiosidade impediu a ninfa de matá-la imediatamente.

— Quem fez isso com vocês?

Elena a encarou sem demonstrar nada.

— Não posso dizer.

— Diga! Se me disser talvez eu não a mate.

— Não!

— Interessante! Você é corajosa! Não tem medo de mim mesmo eu estando com sua vida nas mãos – ao dizer isso um quinto cipó se desprendeu das árvores próximas e se enrolou no pescoço de Elena. Seu sangue pingava no chão.

— Não é que eu não tenha medo. Apenas tenho mais medo dele do que de você. Nós duas sabemos que você me mataria mesmo se eu dissesse. Vamos logo, você sabe que quer.

— É – respondeu Emanuele com calma. – Quero muito! – o cipó que prendia seu pescoço começou a estrangulá-la. Elena se debatia de dor pela falta de ar, porém a ninfa não esboçava qualquer reação. No instante seguinte a representante do pecado da inveja estava morta.

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Gabriela e os outros finalmente chegaram ao seu destino. Sua amiga, felizmente, não estava morta, porém a visão não era muito bonita. Os sete pecados estraçalhados e Emanuele de pé, olhando para o corpo sem vida de Elena. Não era tão diferente da matança que Matheus fez com os demônios alguns meses atrás, mas aquilo também não foi uma visão muito divertida.

Nenhum deles acreditou que a outra havia matado os sete sozinha, porém não havia nada, absolutamente nada, que provasse o contrário. Gabriela tomou a iniciativa.

— Manu, foi você que... – a pergunta morreu, a fada não conseguira termina-la.

— Que matou os sete? – indagou Larissa, completando a questão da amiga e colega de escola.

— Não! – disse ela simplesmente ao se virar para encará-los. – Eles estavam assim quando cheguei, Elena também estava à beira da morte, tudo que fiz foi terminar o que alguém começou, matando-a.

— Acho melhor irmos embora – sugeriu Amanda, sua voz demonstrava o quanto estava incrédula e ansiosa para sair dali. – Não temos mais motivos para ficar aqui, viemos para enfrentar os pecados, ou quase isso, mas não tem mais como fazermos isso.

Sua sugestão foi apoiada pelos outros com um aceno positivo, nada de palavras.

— Nesse caso – começou Victor –, vamos voltar, Matheus é o único que pode abrir um portal e nos mandar de volta, e o deixamos com Hanna.

— Não vai precisar. Já estou aqui.

Quando se viraram, Matheus estava ali de pé, já com o portal aberto. Ele mandou que entrassem logo, evitando as possíveis perguntas, estranhamente apressado para retornarem. Ninguém discutiu.

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— Está pronto? – indagou uma mulher negra usando roupas típicas de ciganos, seu nome era Tainá.

— Estou! – respondeu o jovem.

Estavam em um pequeno templo no meio da floresta, próximo a uma cidades africana. Encontravam-se ali três pessoas: Tainá, Matheus e Hanna.

Matheus havia deixado os amigos em suas casas em suas respectivas cidades. Céus, por que eles tinham que morar em cidades diferentes mesmo? Isso só dava mais trabalho. Victor ao notar que Matheus não fechara o portal perguntou aonde ele iria, Matheus apenas respondeu que tinha algumas coisas a resolver e desapareceu junto do portal, impedindo o dragão de fazer mais perguntas.

Tainá apontou um círculo vermelho com inscrições, que pareciam indígenas, no chão, indicando para o garoto posicionar-se em cima dela.

— Agora você só voltará quando tiver obtido sucesso. Se conseguir – avisou a cigana botando ênfase no “se”.

— Sei disso! – falou Matheus já dentro do círculo. – Prossiga!

Com um gesto de mão e algumas palavras proferidas por Tainá, o círculo emitiu uma coluna de luz que envolveu o garoto, sumindo com o mesmo.

—

Victor entrou em sua casa, quando ligou a luz notou que havia um pedaço de papel na mesma, aproximou-se e viu tratar-se de um bilhete. Pegou o mesmo com as mãos, abriu e começou a ler.

Oi Victor, não vou perder tempo e dizer logo o que tenho que falar, afinal isso é um papelzinho e não tenho motivos para enrolar. Estou deixando o Clã!

Aconteceram algumas coisas e tenho que resolver. Mas um dia ainda pretendo voltar, só não sei quando, pode ser amanhã, semana que vem, daqui um mês ou daqui há dez anos.

Por favor, me perdoa! Sei que pode parecer egoísta, mas infelizmente não posso explicar agora, mas preciso ter certeza de uma coisa. E acredite, não estaria deixando vocês sozinhos se não fosse extremamente necessário.

Para compensar tenho uma “surpresa” pra vocês. Um amigo meu quer se juntar a vocês, ele estava um pouco receoso com isso, mas acabei convencendo ele de que seria uma boa ideia.

Ele é um feiticeiro, ele possui o título de “Feiticeiro Milenar”. Cuidem bem dele, okay?

Ass: Matheus, o Príncipe do Submundo

Era sério isso? Ele simplesmente se foi sem mais nem menos? Victor queria mais que tudo no momento socar aquela cara de demônio, mas não teve muito tempo para sentir raiva. A campainha tocou.

Ele caminhou até a porta, já era de madrugada e ninguém seria normal de ir na casa de alguém nesse horário. Quando abriu a porta, viu um garoto pardo de cabelos pretos, menor que ele na porta.

— Oi, desculpa vir nesse horário. Sou João, o Feiticeiro Milenar! Um amigo disse para vir até aqui, quero fazer parte do Clã dos Pokémons Lasanha – disse ele estendendo a mão.