A Lenda de Luttern

11 Capítulo 11 - Gruta


Notas iniciais
A gruta de passagem para a dimensão do ar escondia truques a mais...

— Você e Avy ficaram conversando ontem à noite, não ficaram? — perguntou Violet, pouco antes do trem chegar ao destino.

O dia amanheceu cinzento e ainda havia neve no chão, e o frio continuava igual ao dia anterior. As árvores estavam perdendo a cor, parte por conta do tempo, parte por conta da pedra roubada de Verídion.

Todos se esforçaram para acordar cedo, quanto antes chegassem, melhor seria.

Andy apertou os olhos azuis. Haviam olheiras fortes da noite mal dormida que se destacavam por conta da palidez de sua pele.

— Achei que estivesse dormindo... Como soube?

— Eu sei das coisas, Andy. — Respondeu Violet, de braços cruzados.

Ele balançou a cabeça.

— Vá em frente! Me julgue, diga que o que eu estava fazendo é errado. Que não posso nem conversar ou ter amigas além de você. Mostre que não confia nada em mim.

Ela respirou fundo e fechou os olhos.

— Está tudo bem.

Andy tomou uma expressão confusa.

— Quê?

Violet revirou os olhos.

— Eu disse que está tudo bem, que entendo que pode ter amigas desde que sejam APENAS isso. Ouvi você falando sobre como eu estava agindo e me senti mal.

— Como faz isso?!

— Eu vou repetir: Eu sei das coisas.

Ele balançou novamente a cabeça, se aproximando dela, que estava encostada na parede ao lado da porta de um vagão para o outro.

— Acho que nunca vou conhecer seus poderes completamente.

— Nem eu conheço — ela deu meio sorriso, sem mostrar os dentes, sua expressão suavizou — Confio em você.

Ele deu um rápido beijo nela, que teria durado mais se o trem não tivesse parado, e Avy e Matt não tivessem entrado.

Avy viu a cena.

— Já temos tudo pronto para sairmos — disse Matt.

Avy mais cedo tentara voltar ao assunto que havia deixado Matt estranho no dia anterior, mas ele desviava o tempo todo.

O trem parara em frente a uma grande gruta, a nascente do rio Shellstter, que se entendia para fora, com águas ainda calmas no início, mas que tomavam velocidade e força durante a extensão. O redor da caverna era preenchido por árvores com neve acumulada.

O sol estava nascendo em meio ao céu cinzento do tempo frio.

Eles caminharam com lanternas até a gruta escura. Era alta e ecoava.

— O portal vai se encontrar aqui? — perguntou Avy, olhando em volta, havia água pingando na fina faixa de água da nascente ao canto. Sua voz percorreu toda a gruta.

— Esperamos que sim — disse Andy — com os cristais, os portais naturais se tornaram praticamente inativos.

Eles continuaram adentrando na gruta sem dizer nada por um tempo.

— Pessoal — começou Matt — tomem cuidado por que alguns portais podem conter armadi... — uma flecha veio contra as costas de Matt, mas em questão de milésimos Violet conseguiu a parar com a mente, estendendo o braço e abrindo a mão — ...lhas — completou Matt, assustado — Obrigado.

Violet ia dizer algo, mas Andy a empurrou.

— Abaixem! — gritou ele.

Dezenas de flechas começaram a ser laçadas das paredes da gruta

— São muitas para poder controlá-las — gritou Violet.

— Tive uma ideia. — falou Andy. Ele pegou seu arco e atirou a flecha de gelo nos pontos da parede de onde eram lançadas as flechas. Uma por uma elas foram se congelando e parando de atirar, até que eles conseguiram sair.

Eles iam continuar andando, até que Violet estendeu o braço para que parassem.

— Esperem — ela ordenou — tem mais coisa aqui.

Com isso ela pegou uma pedrinha do chão da gruta e a atirou. Lanças tão rápidas que mal foram vistas só provaram que estavam ali por terem cortado a pequena pedra em três partes.

Mais para trás, duas grandes lanças se balançavam como um balanço, prontas para decapitar alguém.

— Quem quer ser o primeiro? — perguntou Matt.

— Não posso congelá-las ainda — disse Andy — não consigo ver de onde as lanças estão saindo.

Violet respirou fundo.

— Eu vou. Não tem como elas me pegarem. É só uma ilusão.

Ela avançou, eles viram sua imagem esfumaçada ser cortada várias vezes, até perceberem que não eram lanças, e sim fios de lazer.

Violet passou por eles, aparecendo inteira do outro lado, mas sem dar nenhum passo para frente, ou ativaria alguma outra armadilha.

Avy pegou um pouco de poeira do chão e assoprou em sua frente, revelando os finos fios de laser mortal.

— É bom sermos elásticos — comentou Andy — não tem como congelar isto.

— Para trás — alertou Avy, transformando os anéis nas duas espadas. Colocou uma delas na linha do laser, ele refletiu para a parede da gruta.

— Pode funcionar como um espelho — disse ela. Temos como usar isso ao nosso favor. — O laser era muito forte, e já começava a derreter um pouco da espada — rápido.

Matt se transformou em um corvo enquanto Avy controlava as espadas no laser, deixando que refletissem em algum lugar que não apresentasse perigo, dando passagem aos poucos para eles.

Eles chegaram onde Violet estava.

— No chão! — gritou Matt. Raízes que os prendiam começaram a surgir, os obrigando a ir para frente, ativando as lanças que eram lançadas nas paredes.

Uma lança cortou o braço de Avy. A dor era forte e ardida, mas tinha de ser suportada.

As raízes não pararam de sair do chão, e eles tiveram que abaixar para não serem cortados, as plantas se enrolavam nos braços e pernas. Avy ia cortando algumas com a espada mas elas nasciam a cada segundo.

O corvo conseguiu escapar desviando agilmente das lanças, depois transformou-se em um tigre e arrastando-se, rasgava algumas plantas que também enrolavam nele, era parte do planejado: atraí-las nele para depois se transformar em algum inseto e fugir. Estava funcionando até certo ponto.

Andy lançou uma flecha de gelo com o arco onde as lanças eram lançadas. Infelizmente, não funcionou como da primeira vez, ao invés pará-las, o gelo as penetrou, tornando-se lanças de gelo.

Ouviu-se ele resmungar alguma coisa.

As raízes enrolavam o tigre por inteiro.

Violet tentou se concentrar, e com muita força, conseguiu com a mente desviar as lanças de direção, todas elas, lanças voaram por toda a gruta, quebrando o local de onde eram lançadas, e acertando as lanças gigantes que balançavam, as congelando.

Todos ficaram impressionados.

— Essa foi boa — parabenizou Avy, esquecendo-se de que não gostava tanto de Violet.

O tigre que estava coberto de raízes transformou-se em uma mosca e escapou numa boa, voltando a ser Matt, ajeitando os óculos.

Ouviu-se um estalar nas lanças, sinal de que o gelo não aguentaria mais por muito tempo.

— Rápido — disse Andy, correndo para atravessar a armadilha.

Todos foram atrás, quando Violet foi atravessar por último, o gelo cedeu, cortando sua imagem.

Eles ficaram em choque por um segundo.

— Estou bem — ela surgi ao lado deles, ofegante.

Percebeu-se um alívio no ar.

— Passaram na inspeção de segurança — comentou Andy.

O cenário agora era de uma continuação na gruta que acabava em uma parede de pedra, tendo que continuar à direita.

— Podem ter mais armadilhas — falou Violet.

— Eu checo — colaborou Matt, transformando-se em um inseto e voando adiante, até parar ileso na continuação à direita da gruta.

— Sem armadilhas — concluiu Avy.

— Ahm... Pessoal — chamou Matt, do outro lado — acho que temos algo interessante aqui.

Eles o seguiram.

Era um corredor estreito de pedra com uma grande porta dupla de mármore. No centro havia um botão redondo com um furacão, símbolo de Windstein.

Violet olhou para os outros esperando que alguém protestasse em apertá-lo, como ada aconteceu, ela o pressionou.

O símbolo ganhou um brilho acinzentado, e as portas abriram com um estrondo.

— Uau... — disse Matt, ao ver o local.

Havia uma curta escadaria que descia à uma grande sala redonda de mármore, nas paredes haviam tochas de fogo preto.

— Chama negra — disse Andy — o fogo que nunca se apaga e 500 vezes mais fatal que o fogo normal.

— Devemos estar em um local muito antigo — completou Matt — A chama negra é extinta nos dias de hoje. Achei que não existisse mais.

Eles assentiram.

No centro do salão havia um pedestal de pedra com um círculo no meio.

Violet se aproximou. Dentro do círculo estava o símbolo da dimensão do ar..

— Droga! — reclamou Violet — precisamos da pedra de Windstein para passarmos.

Sentiu-se um ar de decepção.

— Não temos isso — disse Andy — tem alguma outra solução?

Algo na bolsa de Avy começou a brilhar. O amuleto.

— Não sei — respondeu Violet — Não era assim antigamente. Eles devem ter aumentado a segurança após a volta de Joseph. — ela suspirou — Precisamos entrar na dimensão. Não viemos aqui a toa.

— Talvez podemos tentar outro portal, é bem mais distante e perderemos um pouco de tempo, mas é melhor do que nada — falou Andy.

— Ou não — Avy tirou o amuleto brilhando da bolsa — preciso tentar algo.

Ela andou até o pedestal.

— Onde encontrou isso? — perguntou Violet.

— Acho que ele me encontrou — A garota respondeu, o colocando sobre o círculo.

O colar brilhou ainda mais e o pedestal desceu, tornando-se parte do chão. Quando o encostou, o portal começou a abrir-se no piso. Teria engolido Avy, se Andy não tivesse a puxado para trás.

O portal emitia uma forte luz acinzentada, e os sugava fortemente, os obrigando a tentarem se segurar em qualquer coisa.

Violet foi a primeira a pular, seguida por Andy, Matt e por último Avy.

A típica sensação boa e horrível de passar por portais a invadiu de novo.

Eles foram jogados no interminável céu de Windstein. Repleto de nuvens densas nas cores violeta, cinza e azul.

Mas eles estavam caindo.

Notas finais
Hey gente! Espero que tenham gostado, e, ah, desculpe pela demora, minhas férias acabaram, então agora não posso mais garantir que os capítulos saíram todos as terças e sextas às 15h :( De qualquer forma, vou estar programando a postagem e espero que estejam gostando! xoxo