A Lenda de Luttern
3 Capítulo 3 - Um Portal para Verídion
Notas iniciais
– Tá legal — disse Avy — Eu tenho tantas perguntas que eu não faço nem ideia de onde eu começo.
Avy e Matt estavam sentados na varanda velha da casa. Laureen estava dentro arrumando algumas coisas para quando fossem dormir. De longe, se transformando em tudo que era animal, Matt parecia superficial, mas de perto ele era só um garoto de óculos inteligente. Eles tinham a mesma idade.
– Pode começar perguntando sobre as quatro dimensões, que são meio que a base de tudo.
– Quatro o quê?
– Quatro dimensões. Uma de cada elemento. Os alunos de Verídion cada um deles possui um único poder. Cada poder provém de uma dimensão, e elas são Firety, a dimensão do fogo, Windstein, a dimensão do ar, Verídion, a dimensão da terra, e Aquarius, a dimensão da água.
– Seu poder é se transformar em animais?
– Não só animais comuns, criaturas mitológicas também. Pertenço a Verídion, assim como tudo que provém da fauna e flora.
– E como... Como se ganha poderes? Você nasce com eles?
– Alguns nascem, mas só aqueles que os poderes já estão no sangue da família, ou os que são destinados a terem poderes. Outros adquirem, por acidente. Seja qual for o caso, sou eu que tenho que buscá-los, na Terra, pelo menos. Seja onde quer que você more, será encontrado.pelo nosso rastreador. Eles sempre me escolhem, porque é mais fácil você ser vigiada discretamente por um animal do que por um ser humano.
– Que tipo de acidente se ganha um poder?
– Há vários casos. Minha amiga ganhou poder do gelo quando foi acertada, sem querer, pela força de seu irmão. No caso dele ele foi destinado.
Eles fizeram uma pausa.
– Eu não sei... Está tudo acontecendo muito rápido. — disse a garota — Não parece real. Um dia estou em casa e no outro estou em outro universo. Não acho que estou pronta para ir. Não me parece certo.
– Ninguém nunca está pronto para ir — explicou Matt — sempre é inesperado e sempre parece loucura. Mas é o certo a se fazer.
Ela assentiu.
Um vento de chuva soprou e alguns relâmpagos clarearam a noite sem estrelas. Depois de um tempo Laureen os chamou e eles foram dormir. Haviam algumas camas pelo casarão com colchões empoeirados e velhos, mas que eram melhor do que nada. Matt ficou em um quarto separado enquanto Laureen e a caçula dormiam no mesmo ao lado.
– Laureen...
Ela lançou o olhar.
– Por que deixou aquele baú nesta casa? Porque quando nos mudamos para Nova York, você não o levou? E porque não vendeu esse lugar? Isso deve custar uma boa grana que teria nos tirado de apuros! E se fosse pela lembrança da sua infância aqui, tudo bem, mas se gostasse tanto daqui você viria sempre, e eu sei que você não é de guardar tristeza... O que essa casa tem?
Laureen apenas continuou deitada olhando para o teto, parecia perdida em pensamentos, tentando achar a melhor forma de responder a pergunta.
– Eu não sei, para falar a verdade. A mamãe sempre foi muito misteriosa. Não me espanto tanto em ela ter tido um passado literalmente em outro universo. Eu nunca soube praticamente nada sobre sua vida antes da gente. Quanto à casa... Ela tinha alguma coisa com esse lugar. Um cuidado extremo. Poucos dias antes de ela sumir, ela me disse que não importasse o que acontecesse, não deveríamos nunca vender essa casa, mas que também não era seguro estarmos sempre aqui.
Avy balançou a cabeça.
– Isso é muito confuso... Você acha que a mamãe tinha poderes?
– Não na nossa frente, pelo menos.
Avy pegou no sono imaginando se o pai delas sabia sobre a verdade sobre a mãe. Ela nunca o conheceu, apenas quando era muito pequena, talvez. Ele pelo menos, ela tinha certeza de que morrera em um acidente. Havia provas em jornal. Às vezes ela gosttava de tentar imaginar os dois juntos. Laureen costumava falar quando pequena que eles se gostavam muito, e que a mãe delas quase entrou em depressão quando ele partiu.
–--
Avy sentiu algo gelado em sua mão caída do colchão.
Ela a puxou de volta rapidamente e sentiu o estômago revirar. Havia algo debaixo da cama, Literalmente.
A princesinha está com medo? Uma voz áspera sibilou.
Fumaça negra começou a sair debaixo da cama.
– O que está acontecendo?! — ela gritou e ficou de pé enquanto mais fumaça saía.
Então, quando ela menos esperava, algo forte a empurrou da cama, a fazendo rolar no chão frio. Quando abriu os olhos, um enorme monstro estava bem a sua frente. Era preto, com um rosto quase humano, mas aterrorizante: Olhos vermelhos e cruéis. Tinha o corpo parecido com o de um lobo sem pelo, porém umas 5x maior, Garras enormes como o de um personagem de quadrinhos, e asas rasgadas maior que o corpo.
Uma gárgula em carne e osso.
O monstro abriu a boca para a devorar, mas Avy foi mais rápida e conseguiu escapar por baixo do monstro, o vendo abocanhar o chão.
Ela correu, tentando desviar de sombras, desviou de uma, de duas, até que na terceira, a própria sombra a jogou contra a parede, e Avy sentiu seus ossos estourarem. A parede agora estava como uma barreira de fumaça negra e fria que a prendia. Voando furiosamente, o monstro avançou com tudo, e Avy soube que não sobreviveria para chegar em Verídion.
Porém, o monstro parou a milésimos dela e foi jogado contra a parede ao lado. De trás de onde ele estivera, um velociraptor gigante surgiu, com as garras sujas com uma espécie de sangue preto e gosmento.
Matt.
Enquanto Matt avançava contra a gárgula, a única coisa que Avy conseguira pensar foi na faca que havia levado na mochila. Depois de monstros começarem a aparecer, ela achou melhor andar sempre preparada.
O mais engraçado na cena era Laureen; A irmã nem sequer se mexeu. Ela dormia tranquilamente como se nada estivesse acontecendo. Talvez assim como os animais, apenas pessoas com ligações místicas tinham o poder de ver, ouvir e sentir monstros.
Avy revirou a mochila bruscamente, observando as sombras se aproximarem, quando sentiu a faca a puxou com tudo, quando se virou uma outra gárgula havia se formado de pequenas sombras.
Esta avançou com as garras, com um gesto rápido, a garota desviou delas e enfiou a faca no peito da criatura que cambaleou para trás, a dando tempo de cercá-la.
O monstro virou-se e Avy teve de desviar das asas que quase a mataram, mas ainda assim deixaram um corte feio no braço ardente.
Ela gritou. A menina juntou forças e desviando de ataques acabou conseguindo cortar fora a cabeça do monstro.
Ela olhou em volta e percebeu que Matt já havia acabado com uma gárgula, e no mesmo instante ouviu-se o rasgo das garras de um pássaro gigante no peito do monstro.
Apesar das criaturas terem sido destruídas, a fumaça continuou nas paredes e no chão.
– Pegue suas coisas, Avy — disse Matt eufórico, mexendo nos bolsos do jeans, já transformado na sua forma humana — Temos que partir para Verídion agora.
– Mas... e a Laureen? Não posso sair sem me despedir dela... porque ela não acorda?
– Laureen está bem... Mortais comum não podem sentir os monstros. Não dá tempo, está vendo essa fumaça negra no chão? Quer dizer que não acabou. O portal para gárgulas e sombras ainda está aberto, elas aparecerão se virem que você ainda está aqui. Elas querem você.
– Por...
Uma sombra maior foi crescendo do chão e ganhando a estrutura de uma nova gárgula.
– Explico depois — Matt a puxou pelo braço e eles saíram correndo do quarto, fechando a porta bem na cara da criatura, gritando.
Descendo as escadas apressado, Matt retirou uma um cristal verde esmeralda com um símbolo que lembrava uma muda de planta, e a entregou.
– Quando chegarmos lá fora, jogue isso no chão e grite Verídion fisctrean .
Antes dela argumentar Matt transformou-se em dragão e a jogou para cima dele, abrindo as grandes asas.
A gárgula escapara e agora voava atrás deles, na saída da porta, a fumaça negra dominava.
Matt encolheu as asas, Avy agarrou ainda mais forte, e em movimento giratório eles passaram pelas sombras.
Atrás deles, a gárgula não teve a mesma sorte e acabou batendo na saída, porém sombras passaram a persegui-los.
– Verídion Fisctrean! — gritou Avy e jogou o cristal no chão, como mágica, um portal luminoso surgiu.
Deixando tudo para trás, eles entraram.
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