A Lenda de Luttern

12 Capítulo 12 - Queda Livre


Notas iniciais
Eles finalmente entram na dimensão do ar, onde o inimigo os aguarda...

A sensação de queda livre era incrível e ao mesmo tempo apavorante. Bem mais apavorante do que incrível, para falar a verdade.

É incrível como em momentos de desespero nossos sentidos ficam perdidos. Tudo o que Avy sabia é que estavam caindo, gritando, e que se ninguém ou algum milagre acontecesse eles iam chocar o chão(que por sinal estava demorando a aparecer).

Quando ela abriu os olhos e sentiu-se sobre algo sólido novamente, percebeu que estava sobre um dragão.

Matt.

— Obrigada — disse ela, ofegante — onde estão Violet e Andy? — ela se perguntou, vendo que não estavam ao seu redor.

Um dragão acinzentado, com olhos vermelhos e grandes asas com um toque de azul turquesa surgiu em sua frente, saindo de trás de uma nuvem.

Em suas costas estavam Violet e Andy.

— Valeu, Lunna. — agradeceu Violet — estava com saudades.

Avy fez careta.

— Conhece um dragão?

— Ela é minha. Minha mascote — respondeu Violet, em seu tom sempre amargo.

Eles começaram a voar em círculos, e depois para baixo, em direção ao solo distante de Windstein, a floresta morta.

Windstein era o lugar mais incrivelmente incrível que Avy já estivera. Exatamente como era sua dedução da vida após a morte no céu. Ou paraíso.

Uma dimensão nas alturas, formada por nuvens em tons pastéis, pássaros exóticos e lindos passavam por eles, borboletas douradas, e grupos de pégasos felizes se divertindo entre as nuvens. Era possível ver o pico de altas montanhas embaçadas por trás das nuvens, que se tornavam coloridas dependendo da luz do sol.

Distante de onde estavam, observava-se a silhueta de um castelo em cima de uma rocha flutuante.

O Palácio de Windstein.

Como era possível dizer que aquela dimensão fantástica em que estavam havia causado a tempestade do dia anterior?

Tudo lá parecia tão mágico e equilibrado, sem sinal de que a pedra que a mantinha em equilíbrio havia sido roubada.

Porém, quanto mais desciam em direção ao distante solo, mais evidências apareciam.

— O lado sombrio de Windstein está dominando — disse Andy.

A dimensão do ar era dividida, como uma rocha no meio do oceano. O que você vê é apenas uma parte iluminada do que realmente é, nas profundezas das águas, a rocha é escura e perigosa.

Assim como Windstein.

— Como assim? — perguntou Avy, ainda não entendendo direito.

— A parte sombria era apenas uma fração mínima da dimensão, apenas a área bem próxima ao solo — ele estendeu o braço, gesticulando a área onde estavam voando — Não estamos tão próximos ao solo. Mas o que vemos é escuridão e sombras.

Era verdade, haviam descido apenas poucos metros, mal era possível ver o solo, mas toda a claridade e graça das nuvens alegres e aconchegantes da "superfície" já haviam sumido.

No momento eles passavam por duas montanhas escuras quase coladas uma à outra, dando passagem desconfortável à apenas um dragão por vez.

Tudo estava tão silencioso e apavorante.

— Isso quer dizer que se a pedra não for recuperada logo, a sombra dominará toda a dimensão — explicou Violet.

Eles continuaram descendo, a vista foi escurecendo, mas o solo foi tornando-se visível.

Os alunos pousaram.

O solo era arenoso em um tom acinzentado, mais pareciam-se cinzas. As árvores eram completamente secas e alguns corvos aproveitam-se de seus galhos frágeis. Uma leve névoa reinava no ar, mas nada grande demais.

De qualquer maneira, era um lugar sombrio.

Matt transformou-se em humano novamente, e Violet se despediu de Lunna, sua dragão de estimação. Eles a viram voar para o alto até sumir da vista.

— Certo — disse Andy — e então, para que lado é a casa dos Silverstrow?

Violet parou ereta e respirou fundo, fechando os olhos. Seu braço estendeu-se para o noroeste — Para lá.

Avy arqueou as sobrancelhas.

— Como tem certeza de que é para lá? Quer dizer, parece tudo igual para mim.

Violet balançou a cabeça.

— É difícil explicar, eu simplesmente sei... Deve ser algum tipo de conexão entre Silverstrows. Sentir que o outro está por perto.

— Isso quer dizer que ele também sabe que você está aqui — falou Andy — e pode vir atacar a qualquer momento.

Violet assentiu.

— Provavelmente.

—--

— E quanto aquele amuleto que abriu o portal, onde o encontrou? — perguntou Matt, curioso, enquanto andavam pela floresta morta.

Avy balançou a cabeça.

— Acho que ele me encontrou. Na casa abandonada. Estava no meio das cinzas da lareira.

O garoto fez careta, ajeitando os óculos.

— O que ele estava fazendo lá?

— Não faço ideia.

Na frente deles, Violet revirou os olhos.

— Não deveria pegar coisas que acha jogadas por aí — disse ela — existem muitos objetos amaldiçoados nesse mundo, como armadilhas certeiras.

Avy apenas respirou fundo e resolveu ignorar o comentário, mesmo sabendo que ela poderia estar certa.

— Posso vê-lo novamente? — perguntou Matt, depois de um tempo, referindo-se ao amuleto.

— Ahm...claro.

Avy estava o tirando da bolsa, quando a mão de Violet a impediu bruscamente.

— Você ficou louca, Amy?

— É Avy! – a garota a corrigiu.

— Ninguém se importa.

Avy revirou os olhos.

—Estamos no território do Silverstrow – disse ela – quer mesmo mostrar para ele que você tem um amuleto poderoso com você?

Avy suspirou, para evitar fazer pior com Violet.

— Matt – ela chamou – olhe dentro da mochila.

Matt pegou o celular e usou a tela para iluminar dentro da bolsa.

— Exatamente igual – disse ele, observando o objeto.

Violet arqueou uma sobrancelha.

— Por que precisa tanto vê-lo agora?

— Eu tenho quase certeza de que já vi essa Lua com essa pedra em algum lugar. Algum livro, sei lá – ele balançou a cabeça – preciso falar com a Becky.

Andy lançou uma expressão confusa a Avy.

Logo, Matt já estava com o celular falando com Becky por meio de vídeo.

A garota estava com um jaleco branco, trabalhando no laboratório com Meredith. Seus olhos azuis pareciam cansados.

— Eu sei – foi a primeira coisa que ela disse – estou acabada. Estou trabalhando nessa barreira química de proteção ao castelo desde que vocês saíram. Estou sem dormir há dois dias inteiros.

— Não pode descansar um pouco? – perguntou Avy.

— Humpf! Descansar?! HÁ HÁ e Há ! Depois que vocês saíram, foram três ataques que sofremos! EU DISSE TRÊS! Já viram aranhas gigantes?! Elas não são legais.

— Eu vi — falou Violet de algum lugar.

— Ou seja — continuou Becky, meio histérica — isso quer dizer que se essa barreira não ficar pronta logo, o castelo estará tomado por monstros quando voltarem, o que quer dizer que NÃO! NÃO PODEMOS DESCANSAR! SERÁ QUE DÁ PRA ENTENDER AGOR- Ela fez uma pausa — Ah, me desculpe... Eu não queria... Talvez eu preciso mesmo de um descanso, mesmo que não o consiga. Vou tentar buscar técnicas rápidas de meditação com o avô de Kin, ou sei lá — Becky respirou fundo — E então, o que aconteceu?

Matt desconfortou-se de um jeito engraçado.

— Provavelmente agora você vai querer me bater depois do que eu te disser. Ou me espancar.

Becky lançou um olhar raivoso.

— É, provavelmente Matt.

Ele deu um sorriso para tentar aliviar a raiva de Becky.

Matt abriu a mochila de Avy e mostrou o amuleto, discretamente.

— Se lembra disso? — ele perguntou.

Becky apertou os grandes olhos azuis.

— Não me é estranho, talvez... Ei! Lembra, Matt? É daquele livro com escrita estranha que achamos embaixo da prateleira. Ele tinha esse símbolo de Lua.

Matt arqueou as sobrancelhas, arregalando os olhos e ajeitando os óculos.

— Isso — ele exclamou — claro! Ótimo! Sabia que já tinha visto.

— Era por essa pergunta que achou que eu ia te espancar?! — estranhou Becky.

Matt coçou a cabeça.

— Ahm... Não exatamente. Eu ia te pedir para encontrá-lo de novo e ver se consegue descobrir algo mais, mas está ocupada com algo importante, eu mesmo faço isso depois.

— Ótimo Matt, ótimo.

— Bom, Avy — ele disse — já temos uma boa pista agora.

A garota assentiu.

Do fundo do vídeo, ouviu-se Meredith chamando Becky para a ajudar.

— Bem, gente... Eu acho que tenho mais coisas para fazer. Além dos ataques, o roubo da pedra de Verídion está começando a ter graves consequências. As árvores e toda a vegetação por aqui está morrendo, e vocês sabem, sem vegetação, os alunos da dimensão da terra enfraquecem. Matt, tem sorte de ser de Verídion e possuir poderes da fauna, assim você demora mais tempo para sentir as consequências da falta do verde, mas se não consertarmos isso logo, já, já, quem sofrerá é você. Por isso estamos tentando desenvolver qualquer coisa que ajude as plantas a ficarem mais fortes. Mas até agora não consegui...

Um som cortando o vento soou.

Quando perceberam, Violet havia parado no ar várias lanças que exalavam fumaça negra.

Os encontraram.

Todos estavam tensos. Um Silverstrow poderia estar ali em qualquer lugar, disfarçando-se com sua capacidade de invisibilidade.

O silêncio foi quebrado por Andy.

— Avy, atrás de você! — ele gritou.

Notas finais
Então esse foi o capítulo e até terça! xoxo
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.