Notas iniciais
Não sei se alguém lera isso, kkkkkkk. Mas se alguma alma ler,

Ainda me falha a memória quando tento recordar sobre quando recebi a missão de narrar os feitos de uma lenda. Isso não tem a menor importância. Estou aqui apenas para uma coisa.

Contar os atos de Gazolis.

Os feitos de um ser que deixou sua marca registrada.

E é assim que se começa sua história.

No ano de 3492 do Planeta de Zitron, um garoto aparece em meio a uma multidão. Sua estrutura é larga, porém, ele não é alto. Está amedrontado por todas as pessoas que passam por ele, sem notá-lo.

As espécies tão... Diferentes.

Ora, para alguém que simplesmente surgiu da Terra a um planeta desconhecido e, convenhamos, esquisito, sua reação foi até plausível. Muitas vezes os terráqueos gritavam, esperneavam, choravam, e até chamavam a mãe.

Porém, eles não tinham alternativa.

Quando os zitronianos localizavam alguém com um potencial extraordinário em algum planeta, eles simplesmente o teletransportavam até Zitron.

Por que eles faziam isso? Para conseguirem conquistar todos os mundos, e, consequentemente, todas as galáxias.

E, eles conseguiriam, se não fosse por... Ele.

Pulemos para o ano de 3505.

O ano onde o caos começou.

A mulher de túnica roxa entrara na sala. Ela dava passos largos e, mesmo assim, não aparentava estar com pressa. Apenas, talvez, irritada.

A capitã do Primeiro e do Segundo batalhão de tropas Zitronianas era conhecida por ser, como na Terra chamam, o demônio em pessoa. Todos evitavam deixá-la furiosa. Mas, incrivelmente, ela conseguia se estressar com mínimos detalhes.

Os guardas das mais variadas espécies faziam lhe reverências ao vê-la. Ela olhava fixamente para seu alvo. A porta feita de ouro não fora aberta.

- Estão esperando o quê? Abram! – rosnou.

Os soldados, desesperados, se aglomeraram tentando puxar as portas, em vão.

A ruiva suspirou.

- Incompetentes. – murmurou, e então abriu a porta com um chute.

Sim, Sayumi M. era assim.

Ela esperou os guardas fecharem a porta para deixá-la a sós com o mago. A porta fez todo o cômodo estremecer. Sayumi cruzou os braços. Ela esperou o mago surgir de alguma das imensas pilhas de livros e poções. Detestava aquele cara. Sempre tão calmo e positivo.

- Você não vai aparecer por bem, Yore? – gritou Sayumi. Sua voz ecoou.

Apenas o silêncio.

Sayumi suspirou e socou uma prateleira. A prateleira começou a cair e formar um dominó. Antes que todos os livros e poções fossem para o chão, o movimento parou.

Tudo voltou a seu devido lugar em questão de segundos. Sayumi riu.

- Um idiota como você tem apreço por algo? – perguntou.

- Por que é tão irritada? – sussurrou alguém em seu ouvido. Sayumi sacou a espada e por pouco não acertou o mago. Ele voltou a se materializar, bem na sua frente.

O mago que Sayumi tanto detestava era Yore, que possuía tanta fama quanto ela. E também, tanto poder quanto. Os dois vivenciavam uma rixa eterna. Quem é o melhor?

Yore usava roupas velhas e largas, típicas de alguém que não tem vaidade. Sua pele era morena e seus olhos eram misteriosos. A ruiva sabia que ele poderia passar-lhe a perna a qualquer hora e em qualquer lugar.

Isso a deixava irritada.

- Acredito que seja irritada, pois tenho que lidar com um inseto como você. – esbravejou.

O mago riu, divertindo-se da raiva da capitã.

- Não seja assim tão mal humorada. – Ele parou por um instante para analisá-la. Ela odiava quando ele fazia isso. Ele conseguia enxergar até a alma dela. – É estranho vê-la de alguma outra coisa que não seja uma armadura. Estamos comemorando algo?

Sayumi fez uma careta. Aquele tonto.

- É óbvio que não. Conseguimos aniquilar Glusichikei ontem, mas isso é apenas o começo. Estou usando essa túnica, pois farei patrulha. – disse orgulhosa.

Yore começou a mexer em algumas poções, distraído.

- Se me permite o intrometimento, mas onde fará patrulha?

A ruiva mexeu nos cabelos longos, duvidosa. Deveria contar? Ele era de um nível elevado. Por fim, deu de ombros e disse:

- Iremos para o planeta mais próximo. Nós infiltramos espiões e conseguimos localizar os rebeldes. – Sayumi sorriu.

Yore deixou sua poção cair. O líquido gosmento e verde manchou o chão. Sayumi se aproximou mais da gosma e depois encarou o mago. Ele já havia tornado a usar sua face calma e serena de sempre. Mas ela vira algo lampejar em seus olhos. Algo que vira apenas poucas vezes.

Preocupação.

Sayumi se aproximou mais de Yore.

- Dessa vez, eu deixarei que escape ileso. – murmurou. – Mas, se eu desconfiar novamente de você, Yore, não pensarei duas vezes antes de decepá-lo.

O homem sorriu. Sayumi se afastou, evitando pisar na gosma.

- Eu vou exterminá-los. – disse ela, antes de fechar a porta.

Sayumi se encontrou novamente com seus soldados, que estavam trêmulos. Ela sorriu.

- Vamos! Avante a dominação! – gritou. Todos os soldados aplaudiram.

Sayumi, a Sanguinária, iria provar sua devoção por seu planeta.

***

O garoto aguardava embaixo da cerejeira. Será que Nualla viria? Ele a impressionaria com seus novos golpes? Com a sua evolução?

Os cabelos castanhos do garoto dançavam com o vento. Ele sentiu o cheiro dela. Nualla estava cada vez mais perto dele. Podia sentir.

- Você está atrasada. – murmurou ele. Deu um sorriso pequeno.

- Ah, calado. – reclamou. Ele finalmente a olhou. Ela estava radiante como sempre. O cabelo curto e preto desarrumado. Os olhos ônix desafiadores. A roupa, um vestido preto e branco, um pouco curto demais.

Ela estirou a língua antes de se sentar ao lado de Gazolis. Respirava rapidamente, como se houvesse corrido por horas a fio.

- Por que me chamou aqui? – perguntou ele, rápido e ágil.

- Você se lembra que meu planeta natal foi deserdado por Zitron, não lembra? – começou. Ela olhava para as mãos. Estavam trêmulas.

- Sim. – respondeu. Não era uma mentira. Ele se lembrava vagamente de algo assim, mas não deu muita importância, já que não fazia nem ideia de qual era seu planeta natal.

Nualla respirou fundo antes de continuar.

- Não posso mais viver aqui. Não suporto o que eles fazem. Não vou mais tolerar isso. – Nualla realmente tremia de raiva. Gazolis se afastou um pouco. Nunca a vira assim.

- E o que fará?

- Eu vou destruir tudo isso aqui. – murmurou. Nualla se colocou de pé. – Zitron virá a ruína quando alcançar meu poder máximo.

- Isso é loucura. – retrucou Gazolis, levantando-se também.

- Eu realmente não me importo nem um pouco se é loucura.

Nualla tirou da bolsa um pequeno frasco com um líquido azul.

- Isso é – começou Gazolis.

- Magia de teleporte. – terminou Nualla. Ela abriu o frasco lentamente.

- Onde arranjou isso? – questionou Gazolis. Poções de teleporte estavam em total controle apenas dos superiores de Zitron.

- Eu conheço algumas pessoas. – Nualla despejou todo o líquido na boca. Ela engoliu em golfadas. Depois tossiu algumas vezes. – Isso é horrível.

O corpo de Nualla começou a brilhar e ficar transparente. Gazolis tentou tocá-la, mas sua mão atravessou o braço de Nualla.

- Nualla! – gritou.

Nualla foi ficando cada vez mais transparente.

- Não me procure. – gritou ela. – E diga pro Yore que eu voltarei para ajudá-lo.

E então, ela desapareceu.

Foi isso. Essa foi a despedida que os dois tiveram.

Uma frase sem sentido algum. Como o mago conheceria Nualla?

Gazolis desabou no chão.

Precisava encontrá-la. E precisava fazê-lo agora.

***

Yore estava desesperado. Se a Sanguinária achasse o esconderijo dos outros, todo o plano e toda a preparação estariam perdidos. Tentou fazer contato, sem sucesso.

A porta de ouro foi aberta novamente e Yore quase pulou de susto.

- Sir Yore, eu preciso da sua ajuda.

Notas finais
Espero que alguém leia (e comente).
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.