A Lenda de Asa

1 Capítulo 1: Valentões São Ogros


Notas iniciais
Esse é o primeiro capítulo da fic, comentem se você gostarem, e favoritem também. Quanto mais comentários, mais chances de eu continuar a fic, tudo bem? Boa leitura!

Eu estou escrevendo aqui porque preciso contar essa história para o máximo de pessoas possíveis. A primeira coisa que tenho para contar aqui (ou segunda, interpretem do jeito que quiserem) é essa: os valentões são ogros. Literalmente, ogros.

O.K., vamos por partes.

Eu me chamo Asa. É, eu sei, “Asa” não é lá um nome muito comum. Mas eu gosto até. Tenho 14 anos (na época desses acontecimentos), sou branco, meu cabelo é preto, meus olhos são azuis e, longe de ser narcisista, são lindos.

A minha vida era comum… Tá bom, era muito chata. Sempre a mesma rotina. Estava sempre enjoado. A única coisa que podia quebrar a rotina era o Danniel… O que não era bom.

Ele não era meu amigo ou coisa do tipo. Era um valentão. Devia ter uns 16 anos, eu acho. Era musculoso, alto e loiro. As meninas da escola o chamavam de “Brad Pitt”. Era um apelido vago. Quero dizer, ele não parecia nada com o Brad Pitt. Mas, claro, as meninas continuavam chamando ele assim.

E também tinha um detalhe importante. Havia um garoto, devia ter uns 12 anos, mais ou menos. Ele vivia no meu pé (não literalmente. Você me entendeu). Eu sempre o notava me espionando. Algumas vezes, eu ia no cinema ver algum filme, e lá estava ele. Isso era irritante. Não sabia o motivo, e nunca conseguia descobrir, o que era, de certo modo, frustrante. Mas ele me intrigava. Quer dizer, ele era parecido comigo, com exceção de seus olhos. Eles não pareciam ser castanhos, e nem pareciam ser âmbar. Eram brilhantes, quase como se fossem dourados, mas mesmo assim, não eram. E isso era muito curioso, não acha?

Fora isso, minha vida era comum. Eu queria uma mudança radical.

E então, parece que alguém realmente me ouviu e tentou realizar o meu pedido.

No dia em questão, havia ficado na minha escola para arrumas as salas de aula das sextas séries. Sempre me oferecia para isso, pois gostava de ajudar a escola. Então, como os funcionários já tinham arrumado as outras salas, estava sozinho naquela ala.

Além das salas serem grandes e terem caixas para livros – sendo que os livros estavam por todo lado – a última aula havia sido uma aula vaga, ou seja, eles tinham feito uma bagunça bem grande.

Mas eu não ligava para isso. Ajudaria de bom grado, da mesma forma.

Até ele aparecer.

Sim, estou falando de Danniel. Ele apareceu do nada e começou a me encarar pela porta.

-A empregadinha ainda não acabou o serviço?

-O que você quer? – bufei.

-Nada. Só a sua morte.

Ele já tinha brincado com isso antes. Não estava nem um pouco surpreso.

-Algo mais? Por favor, pegar senha e aguardar na fila.

-Vai querer continuar com palhaçadas, é? Eu não faria isso se fosse você.

O encarei.

-Cara, eu tenho trabalho. – disse – Será que daria para me deixar terminar isso daqui primeiro?

-Nope. Tenho um mandado para você.

-Um… Mandado?

-De morte.

Ri.

-Vai continuar com isso até quando?

Ele deu um sorriso sarcástico.

-Eu queria poder ter te matado antes. Mas não podia. Um Feiticeiro classe E como você é uma grande ameaça. Mas ele não quis.

-Eu não sou um feiticeiro.

Ele sorriu mais ainda.

-Vai continuar com esse joguinho até quando?

-Eu quem digo.

Ele levantou a mão direita fechada, como se quisesse me dar um soco mesmo naquela distância.

-Talvez queira um exemplo do meu poder.

-Seu poder? Cara, você está bem?

Ele sorriu novamente. Abriu sua mão rapidamente. Não. Aquilo não era uma mão. Pelo menos, não uma mão humana.

A pele estava verde. A mão estava maior. Parecia ter mais músculos. Suas unhas cresceram também. Deviam ter uns 5 centímetros, mais ou menos. Quando a vi, acabei recuando e, quase que simultaneamente, tropeçando e caindo sentado.

-O que você…?

-Legal, né? Esse é o meu poder.

Ele deu um peteleco em uma carteira, que se quebrou no meio.

-Esse é o poder de um Ogro.

Viu? Eu te disse que tinha falado literalmente que todos os valentões eram ogros. Bem, talvez não todos, mas uma grande maioria.

-O poder de um…

-De um ogro. Caramba, eu achei que você ia parar de gracinha quando percebesse que está a um passo da morte.

-Mas eu não estou com brincadeiras! Eu de fato não sei o que está acontecendo aqui! Eu… Eu estou louco. Ou estou sonhando. É. Vou acreditar que estou sonhando.

-Hã? O Vermelhinho não me falou que você nem começou o treinamento ainda. E pensar que você é um Feiticeiro Classe E. Você tem mesmo que ser eliminado. Me desculpe, eu queria poder ter mais tempo para te espancar. Mas você já era.

Então, ele se transformou. Sua pele ficou verde, ele deve ter ficado com pouco mais de três metros de altura e seus cabelos ficaram grisalhos. Suas unhas viraram garras, seus dentes amarelaram e seus caninos viraram presas de javali. Sua roupa se transformou em um tipo de armadura feita de couro. Em sua mão, surgiu um tacape com espinhos, que pareceu ter vindo do nada.

-O que… O que diabos…

-Rapaz, você tá pior do que eu pensava. – disse, com uma voz monstruosa, porém ainda com traços humanos – Simplificando, eu vou te matar por ordens do Vermelhinho.

-De quem? Me matar por quê? E o que diabos você é?

Danniel – ou o que quer que ele fosse – bufou e revirou os olhos.

-Só fique parado e não me dê problemas.

Ele avançou, com o porrete levantado, e o desceu em um movimento rápido e grotesco. Por sorte, impulso ou reflexo, pulei para a direita pouco antes do porrete acertar no chão, abrindo um enorme buraco.

-HEY! – gritou – Eu disse para ficar parado!

-Não sou louco!

Ele bufou novamente e tentou me acertar com o porrete, mas consegui me abaixar antes do porrete passar zunindo pela minha cabeça. Corri em direção a porta, e ouvi um estrondo atrás de mim.

-Fique quieto, verme! Não posso te esmagar e comer seus restos assim.

-Eu não vou ficar parado. Não entendeu ainda?

Ele soltou um tipo de ruido – talvez de frustração, talvez de raiva – e avançou novamente. Esquivei-me para a direita. Mas ele não queria me acertar. Bem, pelo menos, esse não era o motivo principal. Ele passou correndo por mim e ficou na frente da porta. Queria me encurralar.

-Agora, você não sai mais. A única saída era pela porta.

-É, mas agora, o que você pretende fazer? Não pode sair dai para me pegar, afinal.

Sim, mesmo depois de quase ser morto e ver uma pessoa se transformar em um monstro, estava assustadoramente calmo quando disse aquilo. Não é bom ficar irritando e intimidando um monstro – principalmente se ele pode te matar facilmente – mas isso pareceu ter afetado ele.

-Mas eu tenho uma arma.

-E…?

Ele ficou vermelho de raiva. Ou talvez, de frustação. Ou ambos.

-Ora essa, eu vou…

Seja o que for que ele fosse falar, foi interrompido. Algo bateu nele, lançando-o, até que batesse na parede, quebrando ela.

Quando olhei para a porta, me surpreendi em ver o garoto que me perseguia parado lá, como quem analisa algo com extremo cuidado.

-Você?

Ele pareceu ter se irritado.

-Alguém normal teria falado “obrigado”.

-Mas…

O monstro rugiu e se levantou. Lançou um olhar mortal para o garoto, mas ele não mudou sua expressão.

-Feiticeiro.

-Javali fedorento.

Ele rugiu novamente.

-Eu sou um ogro.

-Mas não deixa de ser um javali fedorento.

Ele pegou o tacape e tacou na direção do garoto. Ele, por sua vez, simplesmente levantou a mão e fez o tacape parar a sua frente.

-Francamente. Vocês nunca aprendem?

Ele fez um movimento com a sua mão, como se lançasse alguma coisa sem mover o braço, somente sua mão, e o tacape voou de volta no ogro, o acertando na cara. Mas o monstro simplesmente pegou o tacape e sorriu.

-Vocês nunca aprendem que a pele de um ogro não pode ser perfurada por metais.

-Bah. Tanto faz.

Ele abaixou a mão uns 4 centímetros, e um pedaço do teto caiu e acertou o ogro, fazendo com que o monstro caísse novamente. Mas como na última vez, o ogro somente se levantou.

-Não vai me matar com isso.

O garoto o encarou.

-Então tá, sua vez.

Ele deu três passos e então parou, logo em seguida se virou para mim.

-Bem… Eu posso matar ele.

O garoto deu os ombros.

-É uma tentativa válida.

Eu encarei o garoto.

-Ótimo! – o mostro disse – Venha aqui, e vou lhe mostrar qual é o gosto da morte!

-Não, obrigado.

O ogro começou a correr em minha direção. Eu achei que estava morto. Bem, eu pensei isso por um tempo, até que um pedaço do chão onde o ogro estava se soltou e levantou com monstro e tudo, fazendo com que Danniel – ou o Ogro — batesse a cabeça no teto, e em seguida cair bruscamente no chão. E ainda por cima, o teto caiu em cima dele (não é somente eu que tem azar)

O monstro ficou tonto por um tempo, então se lembrou que queria me matar, e avançou novamente. Dessa vez, ele foi cercado por um grande círculo feito de fogo.

-Por causa de suas carcaças fedorentas, não podem ser feridos por materiais simples. – o garoto disse – Mas podem ser feridos por fogo.

O ogro olhou para ele, muito nervoso, e então riu.

-Tudo bem, então. Se acha que pode me vencer, só tente.

O garoto foi até mais perto do ogro.

-Com prazer.

Ele estralou os dedos, e o círculo se fechou. O monstro começou a pegar fogo e a gritar. Ele começou a correr, não em minha direção, mas sim randomizadamente, gritando.

-Te mostrei agora o motivo de que não pode interferir em assuntos meus? – ele focou diretamente nos olhos do monstro – Entendeu, Escarlate?

O monstro segurou a cabeça com força, como se ela fosse explodir, e então caiu de joelhos.

-Maldito caçador. Eu te amaldiçoo, Ender!

Após dizer isso, caiu deitado, porém ainda vivo.

-Eu não sou um caçador. — ele olhou para a face do monstro com um olhar taciturno – Não mais.

Em um rápido movimento, o jovem pisou na cabeça do mostro, que parou de gritar e explodiu em uma nuvem de pó, que se dissolveu no vento, junto com o fogo.

O garoto então olhou para mim. Eu recuei e quase cai novamente.

-Eu não vou te machucar. — disse, vindo em minha direção – Me chamo Ender.

-O… O que aconteceu aqui?

-É uma história muito longa. Resumindo, você foi atacado por esse ogro aqui. Ele foi mandado por alguém que provavelmente já conhece o seu potencial.

-“O meu” o quê?

-O seu potencial. Mesmo sem ter treinado, você já é um Feiticeiro Classe E. Isso é muito avançado. E existem pessoas que não gostam disso. Como ele.

-“Ele”? “Ele” quem?

-Ninguém sabe o seu nome. Por isso, todos o chamam por seu nome de guerra: Morte Escarlate.

-E ele quer me matar por quê…?

-Porque você tem potencial de sobra. Só por isso. Estava dormindo, é?

-Então, Ender… — esperei para confirmar se esse era realmente o nome dele – Quer dizer que eu serei um feiticeiro?

-Você já é um feiticeiro. Mas, claro, precisa de treinamento. E suponho que, com toda essa bagunça, as coisas logo, logo irão se agitar aqui. Portanto, acho uma boa ideia sairmos daqui.

-E irmos para onde?

-Ora essa, para a sua casa.

Ele saiu andando pacificamente, como se tudo não passasse de uma brincadeira. Naquele momento, percebi que minha vida mudaria bastante. E que minha mãe surtaria.

Notas finais
Bem, é isso, espero que tenham gostado, e comentem se querem continuação!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.