A Lenda Sem o Avatar. (Livro 1 Agua)
17 XVII- Chegada
Notas iniciais
O navio era pequeno, mas assustava como se fosse o maior deles.
Isto por que eles nunca haviam presenciado tal afronta em suas terras.
Não eram alienados e sabiam muito bem o que aquela coloração significava, porem estavam livres de suas investidas a anos, tendo completa noção de sua barragens e sempre investindo em suas defesas.
A embarcação vinha cortando pelo gelo, o quebrando como um monstro arremessando seus fragmentos longe e passando assim pelas portas abertas. Porem veloz, não pode frear e é detido e abatido pelos próprios dobradores de gelo.
–--- O que significa isso? ---- irritado o senhor de face árdua e cabelos platinados deixa seu posto indo ate a entrada da cidade se deparando com a embarcação, que só não afundava pôs estava sendo sustentada por fincas de gelo. De costumeira pele morena, olhos azuis e cabelos castanhos, mantinha os cabelos longos e presos em maneira a demonstrar seus status de líder da tribo.
–--- Sinto muito. ---- um rapaz salta de dentro da embarcação e levanta os braços, rendendo-se. As vestes maltrapilhas e a pele morena de olhos claros e cabelos grossos não deixam duvidas. Era um dos irmãos da carta.
E rapidamente todos os seus tripulantes são acolhidos e o navio retirado da entrada.
"A princesa apenas admira de longe a coragem do jovem ao descer da embarcação sozinho, e se mostrar perante os guerreiros de sua tribo. Ele estava desarmado e parecia fraco e desnutrido."
Não demora e todos são acolhidos e levados para se banharem e trocarem de roupas, vestindo algo mais confortável de acordo com o clima ardo. E enquanto Suki acha graça os guerreiros da liberdade estranham as grosas e pesadas vestes que dificultava e muito os movimentos.
–--- Como vocês seguram as coisas com estas luvas? ---- garota se exalta já irritada. Smellerbee conseguia ser menos feminina que qualquer uma que o jovem moreno tentasse a comparar, a julgava ate mesmo mais "macho" que ele próprio. ---- Não da nem pra sentir a onde eu toco. E não tem movimentos nos dedos. ---- ela exemplifica sua reclamação ao erguer o braço e mostrar o objeto de sua repulsa. Uma simples luva que de costura simples possuía apenas uma divisória sendo esta para o polegar, mantendo o restante unido.
–--- Prefere perder os dedos? ---- o jovem moreno, sem paciência, já a responde de atravessado deixando-os terminar de se trocar e saindo do estabelecimento, abandonando a irmã que apenas achava graça das dificuldades de adaptação dos amigos. ---- Fala serio só sabem reclamar a viagem toda... ---- murmura ele sozinho no largo corredor de gelo. ---- Por que eles tem de morar em um lugar tão distante? Mas que nojo eu não vou comer peixe! Não da pra alguém morar em um lugar tão frio, eles são idiotas? Arrrg!!! Da vontade de... ---- ele gesticulava e imitava cada um como se dançasse no corredor enquanto repetia os comentários que mais o irritava durante a viagem, parando assim que se depara com uma moça a sorrir timidamente de seu desabafo em forma de monologo. ----- An... errr...
–--- Esta tudo bem. ---- a jovem de alvos cabelos afiram entre risos tímidos, ao ver o rapaz corar e perder a fala. ---- Sou Yue, você deve ser o guerreiro do sul. ---- ainda a segurar o riso ela se esforça a manter as lembranças da dança que acabara de ver.
–--- S-sou S-Sókkah! ---- a vós ecoa como um grito após a gagueira repentina, a beleza exótica da moça o abalava e estremecia. ---- Eu vim... ---- tentava inutilmente prosseguir com um assunto, porem o nervoso o traia e a jovem, nem tão ingênua, percebe suas nítidas intenções.
–--- Quer conhecer a cidade? ---- ela questiona se virando e partindo; também almejava esconder o nervosismo. ---- Como era a sua tribo?
–--- Ann... ---- ele demora a responder, não pelo nervosismo anterior, mas sim um novo o tomava. Não dava para comparar de modo algum as duas tribos, esta esplendorosa moldada em gelo e imensa cobria por completo sua pequena tribo de poucas cabanas feitas de pele de animais. ---- Eu fui praticamente criado em um cubo de gelo. ---- a honestidade lhe escapa por entre os lábios, e os dois riem. ---- Não é exatamente um nicho cultural. ---- termina por fazer graça, gostando de ver as perolas que a princesa tímida tentava esconder entre os lábios.
–--- Você é muito engraçado... ---- ela corresponde entre risos; o modo de ele se mover enquanto falava e gesticular desenhando no ar e exemplificar era único. Alegre e animado apesar do que deveria ter passado. Ela apenas poderia imaginar o horror que era do lado de fora dos muros, coisa que sempre a manteve dentro. ---- Sokka... como é o mundo lá fora? É tão horrível quanto dizem?
O jovem para de gesticular e se tranca em silencio, buscava em sua mente qualquer coisa que pudesse falar. Porem ate mesmo as coisas mais leves lhe vinham como lembranças dolorosas.
–--- O mar... A água é salgada. {ele se lembra de que não podiam beber, mesmo morrendo de sede e alguns adoeceram ou ate faleceram} Tem muitas pessoas diferentes. {desta vez se lembrava dos escravos que libertaram} Vários povos com culturas, musicas e ate modos de pensar, {indo a se recordar de varias pequenas vilas devastadas pela guerra}. Os dias são curtos, o sol vem e vai em algumas horas. {voltava à mente a seu cárcere a onde tudo possuía horário, desde as surras aos abusos}.
–--- Parece bem diferente. Outro mundo. ---- ela pontua vendo que ele não revelava exatamente o que pensava. Podia notar um certo horror em seu olhar, e sentia saudades do sorriso. Do sorriso bobo e da dança engraçada. ---- Gosta de carne? Vamos fazer um banquete para vocês. Podem escolher o que quiserem!
Os olhos azuis se iluminam como fogos de artificio e ele salta de alegria a abraçando na empolgação. –--- Carne! Você disse carne? ---- já fazia anos que não comia seu alimento predileto com prazer; mas ele logo se da conta do que havia feito. ---- Desculpa. ---- ele a solta envergonhado.
–--- Esta tudo bem... ---- ela corresponde com um tímido sorriso o levando de volta ao palácio. Estava feliz de ver o sorriso novamente.
E durante a ceia os jovens tem a chance de poderem se explicar.
Apesar do rei os forrar de perguntas desconfortáveis.
–--- Então vocês não vão me dizer como chegaram vivos ate aqui? ---- depois de mais uma mudança de assunto ele finalmente se toca, e afirma.
Os dois irmãos se encaram e depois fazem que sim com a cabeça, permanecendo em silencio, e o homem só pode esboçar um suspiro de desanimo; voltando–se aos guerreiros da liberdade que encaravam os alimentos como algo estranho e ate nojento.
Jet é quem se toca dos olhares fuzilantes do rei e começa a relatar como haviam conseguido a embarcação e navegado ate este ponto. Fora isto ele não narra mais nada; ate por que ele não sabia.
–--- Sua irmã esta radiante. ---- a jovem guerreira de cabelos escuros avermelhados se aproxima de Sokka, ele era o único a inda devorar os pratos de carne enquanto os demais conversavam. ---- Ter o irmão de volta, voltar para casa...
–--- Esta não é a nossa casa. ---- ele rebate ainda de boca cheia. ---- Nossa casa foi destruída.
A jovem então não sabe o que responder e se cala, e ele por sua vês a ignora continuando a se esbanjar com os fartos alimentos que sentia tanta saudades.
–--- Vocês nunca vão conversar não é. ---- ela teima e afirma, observando Katara que conversava amigavelmente com a princesa de cabelos alvos. E ele finalmente para de comer e a encara, demonstrando que esta tinha conseguido roubar sua atenção. ---- Ela esta preocupada com você e você esta com ela. Mas nenhum dos dois quer que o outro saiba o que passou. ---- ela finalmente se vira e o fita profundamente ate que este desviasse o olhar tentando evitar uma maior analise. ---- Esta na cara.
–--- Quando isso for passado... e as feridas se tornarem cicatriz... ---- ele volta a comer. ---- ...conversaremos.
–--- Sokka! ---- a jovem de madeixas onduladas vem ate o irmão saltitante como uma criança que recebera um presente. ---- Yue disse que tem algo especial para nos mostrar! Quer vir ver?
–--- To comendo! ---- ele reclama sem olhar para a irmã, completamente desinteressado no assunto.
–--- Você come mais tarde! ---- a jovem guerreira o ergue da cadeira e a irmã afasta seu prato enquanto a princesa apenas observa e ri de tudo. ---- Da um tempo para seu estomago digerir.
–--- Saaaco... ---- desanimado ele se ergue seguindo as três moças pelo corredor, olhando para trás com tom de despedida para seu prato abandonado. Chegando assim ate uma área reservada. ---- O que tem de mais nisso? ---- a pequena porta circular o irrita e ele não tirava a mente do prato que deixara para traz.
–--- Não acredito que você preferia ficar no saguão comendo do que conhecer este lugar incrível. ---- a jovem de cabelos curtos questiona incrédula ao ver o semblante desgostoso na face do companheiro.
–--- Isso por que você não me conhece. ---- corresponde ele ainda desanimado, ao passar pela estreita porta circular as seguindo.
O local se tratava de um pequeno bosque verde e com um pequeno lago em seu centro, bem ornamentado possuía muitas flores e ate mesmo um Torii (portal japonês).
Mas ao ver a empolgação das moças ele se afasta das mesmas e se põe a olhar o pequeno laguinho, as deixando conversar ainda desinteressado em tudo aquilo. Nele havia apenas dois peixes e ele em primeira mão acha aquilo ridículo. Pra que um lago deste tamanho para dois bichos que não saem de perto um do outro? Mas voltar e ficar ouvindo papo de garotas era ainda pior.
Os peixes era um preto e o outro branco, possuindo cara um uma mancha circular da cor oposta, nadando sempre na mesma freqüência hipnotizante; e aos poucos aquela dança eterna vai o envolvendo e o sedando.
A dança hibrida dos seres era de um tom espiritual abrangedor e notório para os nativos, mas não para ele. O jovem sempre se manteve bastante desinteressado no que não dizia respeito a sua fome ou conforto pessoal; não era egoísta, e sim apenas uma pessoa simples e tranquila.
Mas desta vez ele estava próximo de algo realmente poderoso estando fragilizado e sem defesas ou conhecimento de como se defender. Chega ver sobre a água sua mãe e seu pai, todos aqueles que perdera nestes curtos anos de sua vida; toda dor e junto dela aqueles que o causaram.
Vê também o homem covarde que não se mexeu do lugar ao tirar a vida de todos, e o vê em um navio ao se aproximar de onde estavam.
Um nó se faz em sua garganta de imediato, lhe roubando todo ar dos pulmões, e de repente ter voltado a "sentir" torna-se um fardo pesado de mais, pôs tudo retorna a sua mente: a dor, o medo, desespero e frustação. Tudo com a imagem deste local de paz, completamente destruído.
Sente o chão faltar.
O mundo ser destroçado.
E sua paz se esvair de deu corpo.
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