A Lenda Sem o Avatar. (Livro 1 Agua)
8 VIII- Cárcere
Notas iniciais
Seu mundo era diferente... Ela não via como os outros.
Na verdade ela não via nada.
Ela era cega.
Completamente cega.
Mas podia ver muito mais que você ou eu.
Podia ver mais que qualquer um.
Não estou filosofando. Ela podia mesmo ver. Não como eu ou você. Mas ela de fato via. Ou melhor sentia.
Nascida cega; ela podia sentir em seus pés a vibração da terra e tudo o que nela havia. Desde atrozes paquidermes a vermes dengosos. Ela não podia ver expressões, mas sentia as emoções.
E naquele dia ela sentia o terror nas veias de seus pais. Algo muito ruim se aproximava. E eles estavam desesperados...
Sua virtuosa casa era forrada de vários empregados, que estavam prontos a todo o momento para servi-la. Mas ninguém ali sabia o seu segredo. Qual, você quer saber? Que ela, uma moça cega, pequena e meiga; não era nada frágil. De fato ela apostava sua vida em ringues de luta clandestina todas as noites ao fugir de sua vigília. Tudo para ter um pouco mais de emoção. De liberdade.
Mas justo aquela noite todos estava em polvorosa. Havia algo de muito errado. E como sempre ela não havia sido informada de nada. Se irritava e se frustrava com o modo no qual era tratada. Mas nada poderia fazer.
Sabia que seus pais jamais a veriam diferente de uma frágil boneca de porcelana. Mesmo ela sendo forjada de aço.
Pode ouvir carroças cruéis se aproximarem. E logo é levada ate um quarto distante para ser "novamente" protegida.
Ela sente o aço descer da carruagem luxuosa. Aço em forma humana. As armaduras da nação do fogo estavam a sua porta.
Uma silhueta formosa como de uma dama sobe as escadas e ela pode sentir a temperatura de seu lar diminuir, apenas pelo medo comunitário.
A moça era jovem e muito bela. Podia sentir com suas passadas firmes no solo, a silhueta bem formada de seu corpo. Sente ate um pouco de inveja... A mulher agora estava em sua casa a falar com seu pai. E o amedrontava muito.
De nome importante sua família era conhecia por vastos locais. Bei Fong era um nome associado a marca do javali voador. Seu emblema de família. E eles possuíam varias terras e contatos. Mas ate hoje haviam mantido este poder apenas com suas terras e dotes.
Mas agora a nação do fogo estava sua porta exigindo que se curvassem. E ele se curvariam.
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As palavras do jovem a sua frente não a abalam como ela esperava. Ela apenas se cala. Agradece e parte. Já estava anestesiada. Já estava esperando o pior.
Ele a estava devendo por telo salvo então a diz a onde poderia encontrar seu desvirtuado irmão. Seguindo seu próprio caminho. Estava focado em reencontrar seu estimado tio, e revelar que estava bem; entre outros assuntos que ansiava em resolver.
Mal sabia ele que aquele inoportuno encontro não seria o ultimo.
A jovem por sua vez parte apressada.
Possuía um objetivo de extrema urgência. Ela não sabia há quanto tempo seu irmão estava sofrendo nas mãos dos demônios. Imaginava o que poderiam estar fazendo com ele. Mas sabia que nem a pior de suas fantasias poderia se assemelhar a mais tenra doçura ou momento de paz que ele estava vivendo.
Ela segue incansável; não demora para que logo ela se encontre no conhecido Refugio da Vila. Um lindo e glamourozo oásis de abundancia em flores e rosas.
Em cada canto havia um local para relaxar e toda a ilha era forrada de spas e casas de banho caras e luxuosas.
Era uma área da nação do fogo a onde seus membros mais importantes vinham para relaxar.
Mas ali naquele local que poderia ser facilmente comparado com os Campos Elísios, tarde da noite se convertia no próprio Tártaro; a onde se era negociado a venda de belos jovens para servirem de escravos de todo tipo.
Seu sangue ferve ao presenciar entre as frestas uma jovem ser obrigada a servir a mais de um homem. O dia ainda raiava, mas ela podia sentir seu poder como se fosse noite.
Não poderia salva-la.
Não antes de descobrir a onde estava seu irmão.
Com dor na alma ela a deixa para traz. Seus gritos e suplicas iriam assombra-la para sempre.
A noite chega e mais gritos de suplica se juntam ao coro. Ela não sabia nada de seu irmão. E não poderia ir contra tantos guardas. Teria que abandonar todos a este destino... Por que? Se seu irmão estivesse com sigo já teria bolado um plano facilmente. Mas sua mente estava vazia.
Suas mãos tremiam ao ver que tipo de crueldade e depravação fazia os demônios felizes. Ela então se lembra de quando estava presa. Do velho que a entregou pão, e da jovem que lhe tomara das mãos.
Ela respira fundo e volta a fitar o mar. Ela “era” uma dobradora d”água! O que mais ela estava precisando? Nesta hora ela se recorda de seu presente divino. O pergaminho de dobra d”água.
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Os grilhões apertavam o seu pescoço lhe roubando o ar. As correntes cortavam seus pulsos e tornozelos de tanto tentar fugir. Em sua volta olhos vazios de esperança o cercava.
Seu cabelo raspado em um corte que gostava de chamar de “lobo guerreiro” estava maltratado e maltrapilho jogado sobre seu rosto. Enfraquecido pela falta de alimento ele raspava suas correntes sem termino em uma madeira. Coisa que deixava todos com muita raiva.
–--- Para com isso moleque dos infernos! Já não estamos em uma situação muito ruim!?! ---- reclama uma jovem. Bela e de longos cabelos vermelhos. Mas é completamente ignorada. Como das ultimas sete vezes.
Sua mente estava em outro local. Já havia deixado este corpo há muito tempo. Havia se esquecido da fome, da dor e de toda humilhação que sofrera ate então.
Uma próxima surra ou um abuso já não faria mais diferença em sua alma já anestesiada.
Ele continua a raspar as correntes entre as madeiras da carroça apertada. Uma se solta ele volta a raspar em outro local. Incessante. Irritante. Logo a carroça para. Um homem bronco, rude e pomposo abre aporta furioso e o pega pelas correntes o forçando a descer. Todos vêem quando ele cai ao chão áspero de pedras ponte-agudas, não tinha como evitar acorrentado daquele modo.
Entediado ou apenas com vontade de descontar e mostrar o seu poder, o homem saca um chicote de couro com arames e se põe a castigar a pele morena do pobre rapaz. Suas vestes já em farrapos, esfarela.
Ele não grita, nem chora.
Estava longe da li.
Longe de seu corpo.
Frustrado por não receber uma única reação, o homem o pega pelos grilhões em seu pescoço afim de sufoca-lo. Tinha capacidade de ergue-lo com apenas um único braço.
Assim ele desperta de seu mantra sendo forçado a retornar ao corpo. O homem sorri e o solta ao chão; voltando a castigar seu coro jovem e o arremessa de volta a carruagem, a onde o jovem imediatamente volta a raspar as correntes. Teimoso.
Mas um tempo depois a cena se repete.
E de novo.
E novamente.
Mas ele não muda. Não desiste. Enquanto todos naquela pequena carroça pareciam estremecer a cada sura que ele levava, ele próprio parecia não se importar.
Em seus olhos azuis como as mais inexploradas e profundas águas do oceano; era possível ver vida. Olhos vibrantes e ousados, que encaravam seu carneireiro com desdém; olhos que possuíam um plano.
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