A Lenda Do Death Knight Vampire
2 Capítulo Um: O Novo Cullen
Notas iniciais
A Lenda do Death Knight Vampire
Capítulo Um: O Novo Cullen
Dezessete anos depois...
– Eu não entendo por que você quer fazer isso, Caleb. Não faz sentido! – Minha mãe disse, irritada. Eu não gostava de vê-la com raiva, ela ficava extremamente assustadora.
– Claro que não, mãe. Você é normal! – Eu disse, ficando também irritado.
– Normal? Você se esqueceu do que eu sou? – Ela perguntou, sorrindo ironicamente.
– Não foi isso que eu quis dizer. Você tem o papai, você tem amigos. Você cresceu como uma pessoa normal. Eu cresci mais rápido do que qualquer um que eu conheço e quando eu finalmente poderia fazer alguns amigos, eles estão se preparando para invocar seus guardiões e ir para a escola, para treinar. – Eu deixei que todas as minhas frustrações escapassem, sem ter ideia do porquê. – Eu já estou treinado e não tenho mais nada que eu queira fazer na vida. Não há mais perigo do qual tenhamos que proteger os humanos, não há mais nada. Eu só quero conhecer pessoas, fazer amigos.
– Mas na escola humana, meu filho? – Meu pai perguntou. Ele era mais calmo e razoável do que a mamãe, mas também era contra os meus desejos.
– Onde mais? Eu não posso invocar um guardião, por que aparentemente não sou um vampiro completo. Também não posso ser guardião de alguém, por que não sou humano. O que mais posso fazer? Vocês têm um ao outro, mas eu passarei a eternidade sozinho. – Desabafei, frustrado.
Os dois se entreolharam, parecendo abalados.
– Eu sinto tanto, filho. – Minha mãe falou, sentando-se ao meu lado e me abraçando pelos ombros. – Você não sabe o que eu daria para que você pudesse ser como nós.
– Eu sei. – Falei.
Não podia descontar os meus problemas neles. Nenhum de nós tinha culpa pelo que éramos. Era o nosso destino e nada podia mudar isso.
– Muitos vampiros frequentam a escola humana hoje em dia, já que estamos em tempos de paz. E como a escola noturna tem tanto alunos humanos quanto vampiros, eu vou conseguir me misturar muito bem. Eu só queria saber como é ter uma vida normal. – Finalizei, derrotado.
– Você sabe que ninguém pode saber o que você é, não sabe? – Meu pai falou. Ergui os olhos, sem acreditar no que ouvia.
– Sim, eu sei. – Concordei.
– Ninguém, a não ser a nossa família, sabe da existência de um Death Knight e de um híbrido. Seria perigoso para qualquer um de nós. Ninguém é totalmente imortal, Caleb. Seria contra a natureza. Todos têm uma fraqueza e eu não quero testar a sua. – Meu pai falou seriamente. Eu não sabia do que ele estava falando, já que eu não tinha nenhuma fraqueza, mas concordei.
– Edward, você não vai permitir isso, vai? – Minha mãe perguntou incrédula.
– Deixe o garoto se divertir um pouco, Isie. Ele é um bom menino, nunca deu trabalho. Será bom para ele conhecer novas pessoas. – Meu pai argumentou.
– Mas e se ele... – Mamãe tentou.
– Nós não podemos prendê-lo para sempre, Isie. – Papai finalizou. Não entendi os olhares que eles trocaram, mas minha mãe suspirou derrotada.
– Vamos fazer um acordo, então. – Ela disse estreitando os olhos. Desconfiei imediatamente. Quando a minha mãe fazia aquela cara, coisa boa não queria dizer.
– Que acordo? – Perguntei relutantemente.
– Ora, nada demais, apenas uma luta. Você e eu no tatame. Se você vencer, pode fazer o que quiser. – Ela disse. Gemi.
Ela e sua mania de disputar por qualquer coisa. Ela sempre me fazia ganhar tudo na base da luta. E eu sempre perdia.
– Isso não é justo! – Eu reclamei.
– Isabella! – Meu pai a repreendeu.
– É uma aposta. – Ela falou sorrindo presunçosamente para ele. Então se voltou para mim. – Se você quiser mesmo ir, terá de me vencer.
Aquilo era o que eu mais queria. Tinha que pelo menos tentar.
– Tudo bem. — Concordei.
Fomos até a sala de treinamento que ficava aos fundos da casa. Minha mãe possuía um Daisho decorado em couro vermelho que já estava gasto, mas muito bem cuidado. Era o xodó dela.
Eu, coincidentemente, havia escolhido as mesmas armas dos meus pais. O meu Daisho tinha punhos de couro negro, com uma safira no topo de cada espada. Minha mãe dizia que combinava com os meus olhos azuis, como os do meu pai.
Empunhamos as nossas armas e nos posicionamos no centro da sala. Usaríamos apenas as Katanas. Meu pai parou perto da porta, observando tudo atentamente. Ele deu o sinal e começamos.
Minha mãe foi a primeira a atacar, mas eu aparei seu golpe com a minha espada. Afastamos-nos e ela girou em torno de si mesma, golpeando do meu lado esquerdo, que ela sabia ser o mais fraco, mas consegui me defender.
Eu nunca havia visto a minha mãe lutar de verdade depois de crescido, apenas quando era um bebê e não lembrava direito, mas eu ouvia as histórias que os meus tios contavam sobre os tempos de guerra e de como ela era assustadora. Apesar de ela ser sempre amável comigo, eu podia facilmente imaginar como ela poderia ser impiedosa com os seus inimigos.
Quando ela lutava, era como se mais nada no mundo importasse. Eu, na verdade, havia herdado aquilo dela. Era uma paixão. Tudo virava um borrão quando eu tinha minhas espadas na mão e um inimigo para enfrentar.
E agora eu tinha um objetivo.
Por isso lutei com todas as minhas forças. Defendi-me de todos os golpes que ela me deu. Esperei pacientemente.
Eu nunca a havia vencido em uma luta e ela sabia disso. Por isso ela havia proposto aquele desafio e estava tão confiante, certa de que ia ganhar. Eu havia aprendido com ela mesma que quando um inimigo estava confiante demais, ele se tornava mais fraco e susceptível a erros.
E ela finalmente me deu uma brecha.
Minha mãe desferiu um golpe alto, na direção de minha cabeça, sem prestar atenção em se defender. Aparei o seu golpe e, rapidamente, me abaixei e dei-lhe uma rasteira.
Ela desabou no chão, com a espada voando para longe. Posicionei a ponta de minha Katana em seu pescoço e meus olhos encontraram os seus.
Incrivelmente, ela sorriu.
Estendi-lhe a mão e ajudei-a a se levantar. Ela me abraçou fortemente.
– Você foi ótimo, meu amor. – Ela falou, sorrindo para mim.
– Você vai me deixar mesmo me matricular? – Eu perguntei quase sem acreditar.
– Sim, eu vou. Precisava apenas saber o quanto você queria isso. E pelo visto você quer muito. – Ela falou.
Meu pai aproximou-se de nós, sorrindo.
– Obrigado! – Falei, abraçando os dois. Então sai correndo porta afora para falar contar ao meu avô. Minha mãe, meu pai e eu morávamos a duas casas de distancia de Charlie.
Eu sempre havia admirado o meu avô, que era totalmente humano. Um homem comum, mas que salvava vidas todos os dias. O meu avô Carlisle e a minha avó Esme também salvavam vidas, mas era diferente. Principalmente agora que estávamos em paz. E não era como se eu pudesse ser como eles mesmo que eu quisesse.
Os vampiros tinham regras nas quais eu não me encaixava. Era no mundo humano que eu procurava uma brecha.
A maioria dos vampiros continuava com as tradições. Quando atingiam a maioridade, iam para a Escola de Guardiões e treinavam para entrar para o exército, mesmo que agora já não houvesse guerra. Havia, no entanto, alguns Vampiros Vermelhos que se recusavam a usar os bancos de sangue. Eles gostavam de matar e eram foras da lei. O exército estava ali para proteger a sociedade desse perigo, embora não houvesse muitos mais.
Outros vampiros, no entanto, procuravam outras ocupações. Eles e seus guardiões se misturavam aos humanos, assumindo profissões que eram exclusivas deles. E o meu desejo era ser um médico, como o meu avô Charlie.
Minha mãe, meu pai, meu tio Jacob e minha tia Renesme haviam me treinado desde criança como um guerreiro e eu até que era muito bom nisso. Mas não havia lugar no exército para um meio vampiro, onde seriam feitas perguntas que eu não poderia responder. Por que eu não tinha um Guardião? Por que mesmo depois de ter atingido a maioridade eu não tinha sede de sangue? Por que nada podia me matar?
Meu crescimento havia diminuído aos poucos. Mesmo eu já tendo a aparência que eu tinha hoje há algum tempo, apenas no fim deste ano eu completaria dezessete anos de vida.
Eu era meio vampiro, por isso eu podia me alimentar de sangue se quisesse. Mas a comida humana era suficiente para mim. Fui recusado na Academia de Guardiões. Depois de me analisar com cuidado, o diretor, que jurara segredo sobre mim, afirmara que não havia magia que ele conhecesse capaz de invocar um Guardião para um ser como eu.
Aquilo havia me deixado perdido, desolado por um tempo. Então eu havia tomado a minha decisão. Se não havia lugar para mim entre os vampiros, talvez eu encontrasse abrigo entre os humanos.
Foi aí que me surgiu a ideia de frequentar a escola normal.
Há algum tempo já havia as escolas noturnas, onde vampiros podiam estudar como humanos normais. E a maioria dos humanos que se matriculavam nela eram aqueles que tinham desejo de se candidatar a Guardiões um dia.
Eu poderia me misturar facilmente, precisava apenas fingir que era normal. Era muito difícil determinar quantos anos um vampiro tinha, por isso ninguém ia desconfiar.
~~
O mais difícil havia sido convencer os meus pais. Depois que essa batalha foi vencida (literalmente) o resto foi fácil. Eles fizeram a minha matricula na escola local, eu comprei os materiais escolares que eu não possuía, e, por fim, fui ter o meu primeiro dia de aula do ensino médio. Mais precisamente, da minha vida inteira.
Cheguei ao estacionamento com o carro que meu pai havia me dado de presente. O carro havia sido dele e quando ele resolvera comprar um novo, ele havia me dado o antigo. Era um volvo prateado.
Logo que parei no estacionamento iluminado por refletores gigantescos, percebi que muitas cabeças se viraram na minha direção. Não sabia se era por que eu era novo ou por que eu realmente estava tão deslocado quanto eu me sentia.
Resolvi fingir que não via nada e fui andando até o corredor principal da escola. Tinha que ir até a Secretaria para pegar o meu horário de aulas, mas não tinha a mínima ideia de onde seria.
– Oi, tudo bem? Você está com cara de perdido. – Uma garota perguntou, sorrindo para mim.
– E eu estou mesmo. Você sabe onde fica a Secretaria? – Eu perguntei meio constrangido.
– É só virar à esquerda no fim do corredor, segunda porta. – Ela disse.
– Obrigado. – Agradeci e já ia me afastar quando ela segurou o meu braço.
– Você não vai me dizer o seu nome? – Ela perguntou.
– Hmm, sou Caleb. Caleb Cullen. – Falei.
– Kate Denali, prazer. – Ela estendeu a mão. Kate tinha cabelos loiros e olhos verdes, corpo bem delineado e um rosto bonito. Quando apertei a sua mão, percebi o que ela era.
– Você é uma vampira. – Afirmei.
– Sim, e você também. E pelo sobrenome, não apenas um vampiro, mas o filho do vampiro. – Ela disse sorrindo largamente. Suspirei.
Havia esquecido o quanto os meus pais eram famosos.
A maioria das pessoas os idolatrava, por serem os heróis que haviam ajudado a acabar com a guerra. Todos conheciam o meu sobrenome.
– Err, bom, sim. – Confessei.
– Eu vou fazer dezessete no ano que vem, e você? – Ela quis saber.
– No fim desse ano. – Falei sem querer.
– Legal, acho que estaremos na academia ao mesmo tempo! – Ela exclamou feliz.
– Hmm, bom, eu vou indo. – Eu disse, querendo sair logo de perto dela. Eu já havia falado demais.
– A gente se vê. – Ela disse.
Segui suas instruções e fui até a secretaria.
A mulher que estava atrás do balcão ergueu a cabeça e quando me viu, imediatamente sorriu.
– Ah, você é o Caleb Cullen, o novo aluno. Vi sua foto no arquivo de matricula. – Ela foi logo dizendo. Era uma quarentona um pouco acima do peso, com seios fartos que saltavam pelo decote. Ela inclinou-se sobre o balcão, piscando os olhos docemente. Não sei se foi meramente a minha imaginação, mas me pareceu que ela estava flertando comigo. Argh!
– Sou eu sim. – Eu disse, meio constrangido.
– Sou Lucy, a secretária. Aqui estão o seu horário e o mapa do colégio. – Ela falou, me entregando um envelope, fazendo questão de pegar na minha mão. – Qualquer coisa que precisar, qualquer coisa mesmo, pode me procurar.
– Obrigado.
Apressei-me a ir embora, querendo fugir daquela mulher. Estava tão ansioso em sair da secretaria que esbarrei em uma garota que ia entrar, derrubando tudo que ela carregava.
– Ah, me desculpe. Eu não estava olhando aonde ia. – Eu disse, abaixando-me para ajudá-la a pegar as suas coisas.
– Pois seja mais cuidadoso. – Ela falou irritada.
A garota tinha incríveis olhos amendoados que agora me olhavam com descontentamento. Seus cabelos eram longos e caiam em cachos castanhos por suas costas. Ela era linda.
– Eu sinto muito. – Falei, entregando o ultimo livro a ela.
Ela se levantou e eu a imitei, ainda encarando-a hipnotizado.
– O quê? – Ela perguntou, incomodada.
– Nada. – Eu respondi, constrangido. Estava encarando a garota como um idiota.
– Então você poderia sair do meu caminho? – Ela perguntou com cara de que realmente me achava um idiota. Saí da frente dela e observei enquanto ela entrava na secretaria. Parecia que ela era nova na escola também.
Pela janela de vidro que havia na porta, percebi que ela não foi tão bem recebida quanto eu. Suspirei e comecei a procurar a sala da minha primeira aula.
O início da noite correu bem. Bom, tão bem quanto poderia ser. Ao fim da primeira aula, todos já estavam sabendo que um Cullen havia se matriculado na escola. Sempre que eu passava pelos corredores, todas as cabeças se viravam para dar uma espiada em mim.
Era extremamente desconfortável.
Eu não havia previsto que a minha identidade iria chamar tanto a atenção das pessoas, até por que durante todos esses anos, nunca havia convivido muito com pessoas fora do círculo de amizades dos meus pais e da minha família, e estes já estavam acostumados conosco.
A última aula antes do intervalo era biologia. Quando entrei na sala, vi que os alunos estavam divididos em duplas. Apenas dois lugares ainda estavam vagos. Um era ao lado de Kate, que acenou assim que me viu, e o outro ao lado da garota em quem havia esbarrado mais cedo.
Acenei de volta para Kate, dando um sorrisinho amarelo, e fui me sentar ao lado da garota morena.
– Oi. – Falei. Ela me deu uma rápida olhada apenas.
– Olá. – Ela disse.
– Sou Caleb...
– Cullen, eu sei. Todos estão falando de você. – Ela resmungou, a atenção pregada no livro de biologia.
– Todos? – Gemi, desgostoso. A garota me olhou com atenção.
– Bom, é. Achei que gostasse da atenção. – Ela falou.
– Por que eu gostaria de ter um monte de gente apontando e falando de mim? – Eu perguntei confuso. Ela sorriu e deu de ombros.
– Tem gente que gosta. Bom, sou Lily Becker. – Ela se apresentou.
– Muito prazer. – Eu disse e em seguida apertamos as mãos um do outro.
Não sei bem o que aconteceu, mas aquele simples toque de pele fez um arrepio me percorrer a coluna. Lily soltou a minha mão rapidamente, me fazendo pensar ela também sentira algo.
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