A Lenda Do Death Knight Vampire

5 Capítulo Quatro: Escolhas e Sacrifícios


Notas iniciais
LEIAM A NOTA NO FINAL!!!!!

A Lenda do Death Knight Vampire

Capítulo Quatro: Escolhas e Sacrifícios


– O que estamos mesmo fazendo aqui? – Eu perguntei pela milésima vez.

– Temos que pegar algumas dessas plantas para fazer o experimento de biologia, lembra? – Lily explicou novamente, revirando os olhos.

– Sim, isso eu sei, mas por que não podemos simplesmente comprar esse tipo de coisa em algum lugar? – Eu quis saber.

– Por que não se vende isso, Caleb. Deixe de ser reclamão, nem parece um vampiro! – Ela disse divertida. Empertiguei-me e continuei a procurar. Lily apontava a lanterna para tudo com cuidado, não querendo deixar nada passar. Já eu não precisava de lanterna, podia ver tudo muito bem como se fosse dia. Apesar de eu não saber como é o dia.

Estávamos no meio do parque que havia na cidade, na parte onde havia mais árvores. Era sábado e tínhamos bastante tempo, já que não tinha escola hoje, por isso estávamos procurando pequenas folhas e cogumelos venenosos, para fazer o experimento de biologia.

A semana havia passado normalmente, com gente apontando para mim e cochichando descaradamente. Eu havia aprendido facilmente a ignorá-los, principalmente quando estava com Lily e Sam, que eu já considerava serem meus melhores amigos.

Depois de um tempo, Lily se jogou no gramado, numa área bem iluminada, contando quantas plantas havíamos achado e separando-as em saquinhos transparentes.

– Temos tudo que precisamos. – Ela declarou por fim. Suspirou. – Estou com fome.

– Eu também. – Falei.

Com isso, Lily tirou alguns sanduíches da bolsa e uma garrafa térmica com refrigerante geladinho.

– Valeu! – Falei, aceitando o sanduíche que ela me passava.

– E então? Como isso funciona? Esse lance da comida e do sangue? – Lily perguntou enquanto comíamos.

– Antes de completar dezessete anos um vampiro pode se alimentar apenas de comida humana. Mas depois a sede de sangue se manifesta e precisamos dos Guardiões. – Expliquei.

– Hmm... Acho que talvez eu me inscreva para a Academia. – Lily falou baixinho, olhando para o seu sanduíche.

– Não, você não pode. – Eu disse logo.

– Por que não? – Ela perguntou. Então corou e me olhou desafiadora. – Você não acha que eu tenho capacidade?

– Não é isso. – Resmunguei, olhando para longe.

– O que é? Você sabe que pode me contar tudo. – Lily falou, inclinando-se na minha direção.

Olhei para ela, na dúvida.

Se minha mãe soubesse que eu, se quer, estava cogitando essa possibilidade, ela me esfolaria vivo, bem devagar e com bastante dor.

Mas eu não gostava de mentir, apesar de ser preciso às vezes, sendo quem eu era. E agora que tinha amigos, estava ficando cada vez mais difícil. Não queria mentir para eles.

Não queria mentir para Lily.

– Lily... – Resmunguei, me empertigando no lugar. – Eu não sou... Bem, não sou um vampiro normal.

– Como assim? – Lily perguntou parecendo confusa.

– Eu sou algo a mais, algo raro. – Então comecei a explicar a lenda sobre o Death Knight Vampire e como haviam tentado me matar quando eu era apenas um bebê recém-nascido. No fim, seus olhos estavam tão arregalados que pareciam querer saltar de seu rosto.

– Caleb, isso é... – Ela começou.

– Bizarro, eu sei. – Comentei conformado.

– Não era bem isso. Quero dizer, você deve ser o vampiro mais poderoso de todos os tempos... Isso é maravilhoso! – Ela disse sorrindo.

– Não é tão maravilhoso quando se tem que passar a eternidade sozinho. Eu daria todo esse poder para ser um vampiro normal. – Resmunguei, olhando para a Lua. Ela estava bem grande no céu. Provavelmente amanhã seria lua cheia.

– Eu sinto muito. – Ela disse em voz baixa. – Mas talvez haja um jeito, não? Usando alguma magia ou algo do tipo...

– Não há. – Olhei para ela, triste. – Você acha que nós já não nos certificamos disso? O que me resta agora é tentar me encaixar no mundo humano, enquanto vejo todos os amigos que fizer envelhecerem e morrerem bem diante dos meus olhos.

Lily apertou os lábios, os olhos muito brilhantes.

Então se ergueu nos joelhos e me abraçou. Ela me abraçou com força, com muita força.

– Eu sinto muito mesmo. Queria poder fazer algo por você. – Lily disse, seu rosto ainda apertado contra o meu pescoço. Acariciei as suas costas, seus cabelos macios.

– Obrigado. – Eu disse apenas. Mesmo ela não podendo fazer nada, seu gesto me deixava feliz.

Ela se afastou e me olhou longamente. Então suspirou e olhou ao redor.

– Meu Deus! Já está tarde, logo vai amanhecer. – Ela disse parecendo assustada. – Eu nem se quer vi o tempo passar.

– Nem eu. – Falei enquanto a ajudava a guardar as coisas e a levantar. – Lily...

– O que foi? – Ele me olhou, limpando a grama da roupa.

– Você sabe que isso que eu te falei é o maior segredo que eu tenho, não é? Absolutamente ninguém pode saber. Ninguém mesmo. – Eu disse duvidosamente.

– Eu sei, Caleb. E eu prometo não contar a ninguém. – Ela disse. Eu sorri.

– Obrigado.

Depois disso fomos embora. Eu queria levar Lily de carro, mas ela disse que a casa dela era perto e que iria andando. Como a vida noturna da cidade era tão movimentada como a diurna, não me opus, apesar de preferir passar mais tempo com ela.

Minha mãe e meu pai não estavam e casa, tinham deveres para com o exército. Cheguei e fui direto para a cama exausto, mas feliz. Pelo menos agora não precisava mentir para Lily.



~~



Lily Becker chegou ao ponto de encontro sentindo um arrepio na espinha. Ela não gostava de se encontrar com o homem. Ele sempre preferia locais com pouca luz, sombrios.

Desta vez encontrou-o no armazém perto do orfanato.

– Boa noite Lily. – Ele disse daquele seu jeito amável, mas que a deixava com calafrios.

– Boa noite, senhor. – Ela disse educadamente.

– E então? O que tem pra mim hoje? – O homem quis saber.

– Hmm... – Ela titubeou. – O mesmo de sempre. Como hoje não teve escola, fomos procurar plantas para o trabalho de ciências naquele...

– Não seja ridícula. – Ele acrescentou azedamente. Lily se encolheu. – Eu quero saber se descobriu algo importante.

– N-não, nada. – Ela gaguejou. Não podia ver o rosto do homem no escuro, mas aquele silêncio causou-lhe um mal pressentimento..

– Você está mentindo para mim. – Ele afirmou. Lily abriu a boca, tentando negar, mas sabia que era inútil, por isso apenas ficou em silêncio. – Ele contou a você, não contou?

– O quê? – Ela se fez de desentendida.

– Você está esgotando a minha paciência. – O homem murmurou. – Ele contou a você quem ele é. Ou melhor, o que ele é.

– O que... Você sabe? – Lily perguntou sem entender.

– Claro que eu sei, sua burrinha. – Ele riu.

– Então por que me mandou para espionar o Caleb? Se já sabe de tudo, por que fez esse acordo comigo? – Ela quis saber.

– Eu tenho um serviçinho que apenas você pode fazer, querida. – O homem riu mais uma vez.

– E o que seria isso? – Ela perguntou desconfiada.

– Você vai trazer o Caleb até nós. – Ele disse.

– Não. – Ela disse logo. Depois, engolindo em seco. – O que vocês querem com ele?

– Não é da sua conta, apenas faça a sua parte. – O homem mandou, indiferente.

– Vocês vão machucá-lo. – Ela falou assustada.

– Oh, meu bem. – Ele disse, dando um passo à frente. – O seu amiguinho é o vampiro mais poderoso da face da Terra. Duplamente imortal. O que pessoas como nós poderíamos fazer a ele?

A voz do homem soava com inocência, mas Lily podia ouvir a maldade que havia por trás.

– Eu não vou fazer isso. – Ela disse, enchendo-se de coragem.

– Não vai? Esqueceu-se do nosso acordo? – Ele lembrou-lhe. Lily engoliu em seco.

– Não foi isso o que combinamos. Eu precisava apenas me aproximar dele, ser sua amiga e lhe contar o que descobrisse. Meu trabalho acaba aqui. – Lily falou, determinada.

– Ora, muito bem. Mas acho que você se esqueceu do porquê de ter feito esse acordo, no fim das contas. Preciso lhe lembrar de todos que dependem de você? Eu detestaria vê-los machucados. – O homem sussurrou. A ameaça estava explícita em sua voz sedosa.

– Você não pode machucá-los! Você prometeu... – Ela começou.

– Apenas faça o que é pedido e terá tudo o que precisar. O resto é por nossa conta. Amanhã. Amanhã, traga o garoto aqui, antes da meia noite. E se ele não estiver aqui a essa hora... Bom, nunca se sabe o que pode acontecer. – Com isso, o homem desapareceu nas sombras, deixando Lily no frio, sozinha. E com lágrimas varrendo seu rosto pálido à luz da lua crescente.

Algum tempo depois a garota saiu para o ar puro da noite, caminhando até o orfanato.

– Onde você estava? – A diretora, a Sra. Mason perguntou, parecendo cansada.

– Saí com um amigo da escola para fazer o trabalho. Todos estão dormindo? – Lily quis saber.

– Sim. Mas o Lucas perguntou por você. – A mulher falou.

– Vou vê-lo agora. – Lily disse. Então subiu as escadas até o quarto dos meninos menores. Entrou e foi até a cama de Lucas. Tocou na testa do garoto e viu que a febre parecia estar melhor.

– Lily? É você? – O menino sussurrou com a voz sonolenta.

– Sim, desculpe ter acordado você. Apenas volte a dormir. – Ela pediu.

– Boa noite Lily. – O menino disse, puxando-a para baixo e dando-lhe um beijo na bochecha.

– Boa note, meu anjo. – Ela disse. E então, no escuro do quarto, voltou a chorar.

Não podia deixar que seu lar fosse destruído. Não podia deixar que seus irmãos e irmãs de criação fossem machucados. Havia apenas uma escolha a ser feita.



~~



Não podia crer que eu sentia tanta falta da escola. Nem tanto da escola, especificamente. Dos meus amigos. De Lily.

Hoje era domingo, a noite mal havia começado e eu já estava entediado. Fui até a sala de treinamento e comecei a treinar boxe. Meus pais não estavam em casa mais uma vez, embora hoje eles chegassem mais cedo do forte.

Fiquei atacando o saco de areia por algum tempo, até que meu celular tocou. Quando atendi, era Lily. Estava tão feliz por ouvir a voz dela que poderia ter pulado.

– Oi Caleb. – Ela disse.

– Oi Lily. Tudo bem? – Perguntei.

– Tudo sim. Quer dizer... Aconteceu uma coisa... – Sua voz estava fraca, partida. Fiquei nervoso.

– O que foi? – Eu quis saber.

– Hmm... S-será que você poderia... Poderia vir me encontrar? Eu... Eu preciso muito falar com v-você. – Ela respondeu. Eu podia sentir a tensão em sua voz como uma massa palpável acima de minha cabeça.

– Claro. É só me dizer onde. – Concordei. Ela pareceu ainda mais nervosa e atrapalhada enquanto tentava me passar o endereço.

Larguei tudo que estava fazendo, tomei um banho rápido para tirar o suor e peguei o carro. O endereço que Lily me dera era de um galpão abandonado na periferia da cidade.

Fiquei ainda mais nervoso, imaginando o que ela estaria fazendo em um lugar assim. Estacionei na frente do galpão e desci imediatamente, entrando no lugar. Estava escuro, mas para os meus olhos isso não era problema. Logo vi Lily parada perto da porta por onde eu havia entrado.

– Lily! – Chamei.

Ela olhou para mim, apertando os olhos. Então andou rapidamente em minha direção, agarrando a frente da minha camisa com as duas mãos.

– Caleb... – Ela sussurrou, as pupilas muito dilatadas. Ela tremia da cabeça aos pés, os olhos marejados.

– O que houve? – Eu perguntei, agora definitivamente com medo.

– Me perdoe... – Ela disse.

– Ah, o nosso convidado chegou. – Um homem apareceu no meio do galpão. Ele tinha olhos e cabelos muito pretos e poucas linhas faciais. Seu rosto me deixou inquieto.

– O que está acontecendo aqui? – Eu perguntei, me colocando à frente de Lily.

– Nada, meu querido Caleb. Estamos apenas reunidos para conhecer você melhor. O ser mais poderoso que já passou pela face da Terra. E ainda assim caiu em um truque tão bobo. – O homem disse sem emoção. Por um momento pensei reconhecê-lo, mas então o choque me percorreu. Ele sabia quem eu era.

Virei meu rosto para Lily atrás de mim.

– Você contou a ele? – Perguntei, de certa forma decepcionado.

– Não... – Ela sussurrou. – Ele já sabia.

Olhei para o homem, observando-o melhor, tentando descobrir quem ele era.

– E o que você quer comigo? – Eu quis saber.

– Por enquanto, apenas conversar. Diga, garoto, a lenda é verdadeira? O vampiro que beber o seu sangue, na lua cheia, se tornará invencível? – O homem quis saber. Foi então que percebi algo.

– E por que você quer saber, se nem ao menos é um vampiro. É um Guardião. Onde está o seu mestre? – Eu perguntei astutamente. Ele apertou os lábios.

– Apenas responda a pergunta. – O homem disse.

– Bom, você deveria perguntar ao meu tio Marcus. Ele bebeu do meu sangue e olhe que bem isso fez a ele. – Eu disse dando de ombros. Olhei ao redor. Parecia que apenas aquele homem, Lily e eu estávamos naquele galpão. Seria fácil vencer aquele cara e fugir.

– É uma pena. – O homem falou suspirando.

– Já cansei dessa conversa idiota. Vamos embora, Lily. – Falei, pegando-a pela mão e dando um passo atrás.

– Não tão rápido. – O homem disse.

Então umas duas dúzias de pessoas surgiram das sombras. Não pude analisar todas, mas tinha certeza de que eram vampiros e guardiões.

– Você não vai sair daqui vivo hoje, rapaz. – Outro homem havia se aproximado do primeiro. Esse era um vampiro. E ele eu sabia quem era.

– Você? – Eu perguntei confuso. E foi então que tudo aconteceu.

Um dos homens que nos cercavam se moveu com a espada em punho. Eu estava desarmado, por isso podia apenas ter esperanças de lutar com as mãos desnudas e vencer. Mas não foi preciso.

Quando o atacante se aproximou o suficiente eu ainda me preparava para atacar. Lily gritou e entrou no caminho, entre a espada e eu. A arma a atravessou direto no peito, e quando o homem puxou a espada de seu corpo, ela desabou no chão.



First kiss kara hajimaru futari no koi no History

Kono unmei ni mahou kaketa Kimi ga totsuzen arawareta

A história do nosso amor começou com o nosso primeiro beijo

Invoquei esta magia para o destino quando você apareceu de repente



Tsuki ga futatsu kienai sora

Arienai koto da yo ne

Um céu onde duas luas não desaparecem

É algo inacreditável, não é?



Eu gritei, agarrando-a antes que batesse no chão. Seu corpo estava mole. Lily tossiu e sangue encheu a sua boca.

– Me perdoe, Caleb. – Ela sussurrou. – Isso é tudo culpa minha.

– Não... – Murmurei de volta. E então gritando. – NÃO! Lily aguente. Você vai ficar bem.



Hajimete da yo! Konna kimochi

Yake ni koko ga kokochi yoku natte yuku

Foi a primeira vez que senti isso

O desespero que está dentro de mim frequentemente torna-se algo prazeroso



Moshi kimi ga... Tsumazuite ochikonde mo

Boku ga gyutto! Kimi o zutto! Dakishimete ageru

Mesmo se você escorregar e ficar triste

Sempre estarei lá para te dar um forte abraço



– Não, não vou. – Ela disse. Então sorriu levemente. – Caleb... Eu acho... Eu amo você.

– Eu também te amo. – Eu disse com meus olhos ardendo. Abaixei meus lábios sobre os seus, em nosso primeiro beijo, e senti o gosto de sangue na boca, doce, delicioso.

Então não vi mais nada.



Sweet kiss mada samenai ano hi deaeta Story

Hora Kimi no mahou kakete Negai wa kitto kanau kara

Não acordei da história daquele dia em que nos conhecemos até o seu doce beijo

Veja, se eu invocar sua magia, os desejos certamente se realizarão



First kiss kara hajimaru futari no koi no History

Kono unmei ni mahou kaketa Kimi ga totsuzen arawareta

A história do nosso amor começou com o nosso primeiro beijo

Invoquei esta magia para o destino quando você apareceu de repente


Notas finais
Eu sei que vai parecer de repente para algumas de vcs, mas desde o começo eu disse que essa seria uma short e logo que comecei a postar eu disse que teriam cinco capítulos, fora o prólogo e o epílogo.
Bom, então é isso... ESSE É O PENÚLTIMO CAPÍTULO. O próximo SERÁ O ULTIMO. Então teremos o epílogo. hehehe
Espero que vocês tenham gostado do cap. Descobriram o segredo da Lily, viram ela se sacrificar pelo Caleb... Próximo capítulo teremos algumas revelações... hehehehe
Bjus