A Lenda Do Death Knight Vampire

6 Capítulo Cinco: Transformação


A Lenda do Death Knight Vampire

Capítulo Cinco: Transformação



POV Isie

Quando Edward e eu chegamos em casa e Caleb não se encontrava lá, sabíamos que algo não estava certo. Ele nunca saía de casa sem nos avisar.

Ligamos para nossos amigos e parentes, mas nenhum sabia nada sobre ele. Saímos pela cidade para procurá-lo e, alguns minutos depois, Emmet nos ligou dizendo que as câmeras da cidade haviam capturado a saída de Caleb.

Ele havia ido até um galpão nos limites da cidade. Imediatamente nos dirigimos até lá.

O carro de Caleb estava parado logo na entrada. Ouvimos barulhos lá dentro e nos esgueiramos pela porta entreaberta silenciosamente, sem querer anunciar nossa chegada.

A cena que encontramos fez com que paralisássemos no lugar. A tal Lily estava caída no chão, os olhos abertos e fixados no nada, claramente morta. E Caleb...

Caleb se encontrava de pé sobre ela, os lábios manchados de sangue e os olhos... Seus olhos estavam em chamas. Literalmente podiam-se ver chamas brilhando dentro de seus olhos.

O que aconteceu em seguida foi uma carnificina.

Vários homens cercavam meu filho. Ao ver a transformação que ocorria com ele, correram imediatamente para atacá-lo. Eu me preparei para ir ao seu auxílio, mas Edward me segurou no lugar, apenas observando. Fiz o mesmo.

Caleb, naquele estado de transe em que se encontrava, dançou entre seus atacantes. Ele se desviou do primeiro que se aproximou, passando pelo lado da espada do atacante e enfiando o punho no peito do mesmo, arrancando seu coração em um único golpe.

O outro teve a cabeça arrancada com um movimento dos pulsos de Caleb. E os outros depois deles tiveram destinos semelhantes. Quando perceberam que estavam lutando uma batalha perdida, alguns tentaram fugir. E foi aí que Edward e eu entramos, destruindo todos com nossas espadas.

Havia dois homens, no entanto, que não pareciam ter intenção de se mover. E eu os reconhecia.

Quando todos os guardas foram aniquilados, eu me dirigi a eles. Caleb havia parado de se mover, ficando de pé no meio do aposento, parado como uma estátua.

– Por que vocês atacaram o meu filho? Você... Nós confiamos em você. É o diretor da Academia, foi você que lançou o feitiço que juntou Edward e eu. O que deu em você? – Eu perguntei.

O homem era James Philips, o diretor da Academia de Guardiões. Fora a ele que havíamos pedido conselhos sobre o futuro de Caleb, fora ele que dissera que Caleb nunca seria ou teria um Guardião. O outro era seu guardião e vice-diretor, Michael Dickenson.

– O seu filho é uma aberração, Isabella. Assim como você e seu mestre também o são. Mas ele é a aberração mais perigosa de todas. Quase totalmente invencível. Pode ser o fim do nosso mundo. Cuidaremos de vocês dois depois que tirarmos o monstrinho do caminho. – Philips falou.

Quase totalmente invencível? – Edward perguntou nervosamente.

– Sim, quase. Ele tem apenas uma fraqueza. – Philips apontou para uma espada coberta de sangue que Dickenson segurava. – O sangue de sua amada na espada, a espada perfurando-o direto no coração. Será seu fim.

– Você não pode fazer isso! – Exclamei.

– Claro que posso. – Ele disse sorrindo levemente.

– Mas por quê? – Edward quis saber.

– Uma sociedade secreta foi formada, séculos atrás, para prevenir que monstros exatamente como esse seu filho existissem. Achamos que estávamos a salvo quando o feitiço que impedia o nascimento de vampiros mestiços foi lançado, mas então veio aquela profecia... Mas precisávamos de vocês para nos livrar daquela praga de Vampiros Vermelhos e de Marcus Cullen, que já deveria estar morto há séculos atrás. Mas depois que se livraram dele, precisávamos destruir o perigo totalmente. – Philips contou. – Demorou algum tempo para rastrear a Lily. Alguns feitiços e livros muito, mas muito antigos nos levaram até ela. Aquela que estava destinada a amar essa aberração.

“A pobre infeliz vivia em um orfanato caindo aos pedaços. As crianças seriam todas movidas para outros abrigos e separadas em alguns meses. Há até um que é meio doentio, por quem ela tem um apego especial. Foi fácil prometer a ela que daríamos dinheiro para reparar o orfanato e manter todos os seus irmãos órfãos juntos, além de cuidar do tratamento do tal menino. Ela amava muito aqueles pirralhos melequentos, por isso concordou em espionar o Caleb por nós, sem saber quem ele realmente era. Mas no fim a idiota realmente se apaixonou pelo monstro e acabou morrendo para protegê-lo.”

– O único monstro aqui é você. – Eu cuspi, o ódio me preenchendo.

Philips não respondeu. Ao invés disso Dickenson atacou Caleb, enquanto ele vinha para cima de Edward e eu. Tentei ir até Caleb, mas ele me parou. Não era diretor à toa. Era muito forte, mas não o suficiente.

Eu era uma Death Knight. E meu filho era um Death Knight Vampire. Eu girava ao redor de mim mesma, com Edward ao meu lado. Aparávamos todos os golpes de Philips e, em pouco tempo, atravessei minha espada em seu pescoço.

Edward e eu nos voltamos na direção de Caleb. O meu filho estava desarmado. Ele segurava a espada do oponente com as mãos. Dickenson girou a cabeça em câmera lenta enquanto seu mestre virava cinza. Ele gritou, e no segundo seguinte também desapareceu.

Caleb caiu de joelhos, aquelas chamas hipnotizantes em seus olhos sumindo. Corri até ele, ajoelhando-me ao seu lado. Larguei a minha espada e agarrei seu rosto com as duas mãos, virando-o para mim.

– Caleb... Caleb, meu filho... Você está bem? – Eu perguntei. Ele piscou lentamente para mim, seu rosto se contorcendo.

– Lily... – Ele sussurrou. – Ela... Ela...

– Eu sei, meu filho. Sinto muito. – Edward disse. Puxei Caleb para um abraço, apertando-o com tanta força que se ele fosse humano teria explodido em mil pedacinhos. Eu ainda estava agarrada ao meu filho quando uma sombra caiu sobre nós.

–– Ao seu dispor, mestre. – Lily falou, ajoelhando-se ao nosso lado, os olhos negros como piche.

Caleb se afastou de mim, seus olhos arregalados. Lily estava viva. E tinha um ouroboros tatuado no pescoço.



~~



POV Caleb

– Lily! – Gritei, tão incrédulo quanto feliz. Corri até ela, caindo de joelhos ao seu lado e a abraçando.

Ela pareceu despertar de um transe. Seus olhos voltaram ao castanho de sempre e ela balançou a cabeça, confusa.

– O que houve? – Ela perguntou com a voz fraca.

– Não faço ideia. – Eu disse sorrindo largamente.

– Eu... – Ela começou. Então, assustada, tocou o peito, onde a espada havia atravessado havia sobrado apenas uma mancha de sangue gigante e um buraco na roupa. – Eu morri.

– Você não morreu. – Minha mãe disse. Ela se ajoelhou ao nosso lado, bem como meu pai. – Posso?

Minha mãe estendeu a mão para o buraco onde a espada havia atravessado a roupa de Lily. Rasgou um pouco mais o lugar e mostrou a todos nós o Ankh que havia sido tatuado a fogo sobre o coração de Lily.

– Você apenas é uma Death Knight, como eu. – Minha mãe desabotoou sua camisa, nos mostrando a mesma marca sobre seu peito. Eu já havia visto a foto nos livros, mas nunca realmente havia visto a marca na pele dela.

– O... O q-que? – Lily perguntou, confusa.

– Você é a Guardiã do Caleb, Lily. Estão presos pela eternidade. – Minha mãe falou. Olhei para Lily, meio feliz, meio confuso. Mas quando ela me encarou, tudo o que eu podia ver eram seus olhos castanhos. E nada mais importava.

– Vamos, vamos para casa. Há pessoas preocupadas com você. – Meu pai disse. Ajudei Lily a levantar e todos nós fomos para casa.

Lá, todos os meus tios se encontravam, nos esperando. Quando nos viram chegando sujos de sangue e fuligem, lançaram perguntas como que de uma metralhadora.

– Fiquem quietos! – Meu tio Emmet mandou. Não era á toa que ele era o Rei. Então olhou para nós. – O que houve?

Contamos tudo o que aconteceu, na medida do possível. Eu não sabia o que havia acontecido desde o momento em que eu achava que Lily havia morrido e quando a minha mãe havia me abraçado, mas meus pais contaram essa parte. Eles contaram como meus olhos pareciam fogo, como eu havia entrado em transe. Como eu havia virado uma máquina de matar.

Eu lembrava que eu havia sentido ódio, muito ódio. E todo o resto era um borrão. Cinzas, sangue e espadas.

Eu mal podia acreditar que havia mesmo feito aquelas coisas.

– Então Philips mentiu. Ele apenas queria que Caleb estivesse sozinho, sem um Guardião para protegê-lo quando chegasse a hora. – Tio Jasper falou.

– Sim. Mas não deu muito certo. – Minha mãe sorriu para Lily. Fiquei sinceramente surpreendido com aquele gesto. – As profecias nunca nos decepcionam.

– Profecias? Aquela de quando eu era bebê? – Perguntei. Os adultos presentes na sala se entreolharam. Estreitei os olhos, desconfiado. – Que profecia?

Então tia Alice recitou para mim:



O híbrido imortal terá apenas uma fraqueza,

A dona de uma arma e de grande beleza.

Dentro de sua vida ele permitirá entrar

Aquela que tem o poder de com ela acabar.


Aquela à qual seu coração pertencer

Terá que tomar uma decisão

Capaz causar-lhe a destruição.



– E vocês me esconderam isso por quanto tempo? – Eu quis saber, chocado.

– Algum tempo. – Minha mãe falou constrangida.

– Por isso você odiava todas as garotas que se aproximavam de mim? – Eu perguntei, finalmente entendendo tudo.

– Isso já não importa. O que importa é que Lily fez a sua escolha. Ela deu própria vida pela sua, e foi isso que salvou a ambos. – Meu pai disse, olhando com carinho para Lily, que estivera encolhida num canto e silenciosa todo este tempo.

– Mas fui eu que espionei o Caleb. Eu que o chamei até lá. – Ela murmurou.

– Sim, mas você teve os seus motivos. E mais, no fim, você pôde redimir os seus erros. – Tia Nessie falou, sorrindo calmamente para Lily.

– E não se preocupe com o seu orfanato. Cuidaremos dele. – Tio Emmet prometeu. Lily se voltou para ele com os olhos brilhando.

– De verdade? – Ela quis saber.

– Claro. – Tio Emmet sorriu.

– Obrigada. Muito obrigada mesmo. Eu passei a minha vida inteira lá. Aquelas crianças são como irmãos. Eu não podia deixar que nos separassem. E o Lucas... Ele não é muito saudável... – Lily falou com os olhos marejados.

– Sabemos disso, Lily, não se preocupe. – Meu pai afirmou. – O que importa agora é que precisamos achar um novo diretor para a Academia antes de mandarmos você e Caleb para lá. E obviamente teremos que simular o Pacto. Vocês terão que se colocar lá como todos os outros, fingindo que você foi escolhida lá.

– Eu? Guardiã? – Lily balançou a cabeça, incrédula.

– Mas como isso aconteceu? A Lily estava lá, morta... Como ela se transformou em minha Guardiã? – Óbvio que eu estava feliz por Lily não estar morta, e mais ainda por ela ser minha Guardiã, mas alguma coisa não estava fazendo sentido.

– É verdade. A escolha de um Guardião é um pacto, acima de tudo, de sangue. Só é selado quando o vampiro bebe do sangue de seu escolhido. O que aconteceu com Lily e Caleb não faz sentido. – Tia Nessie falou.

– Hmm... – Eu fiz, lembrando-me de algo. – Bom...

– O que foi? – Minha mãe insistiu. Corei levemente.

– A Lily estava lá, deitada no chão, cuspindo sangue. Ela... Ela disse que me amava... Então a beijei. Eu pude sentir o sabor do seu sangue na boca. – Expliquei constrangido.

– Um tanto incomum... – Meu pai disse, pigarreando.

– Mas explica alguma coisa. Nada sobre Caleb é normal. Talvez o diretor estivesse falando a verdade. Talvez nenhum feitiço realmente pudesse invocar um Guardião para o Caleb. O laço que Lily e Caleb formaram, mesmo antes de estarem ligados, foi muito mais forte do que qualquer feitiço. E o sangue apenas serviu para selar o contrato. – Tia Alice ponderou.

– Você pode estar certa, Alice. – Tio Emmet disse.

– Mas agora Lily precisa de um banho. Caleb, leve a Lily para cima. Vamos tentar encontrar um jeito de encobrir isso. – Minha mãe mandou.

Fiz como ela dizia e levei Lily até o meu quarto para tomar um banho. Sozinhos, Lily me olhou timidamente.

– Sinto muito pelo que eu causei, Caleb. – Ela disse.

– Shh... Já está tudo acabado. – Eu disse, puxando-a para os meus braços pela cintura. – O que importa agora é que estamos juntos.

– Sim, por toda a eternidade. – Lily sorriu. Seus lábios vieram parar nos meus em um beijo cheio de significados. Teríamos mil vidas pela frente, mas o que importava era o agora.



~~



Lily e eu passamos o resto do ano escolar fingindo que nada havia acontecido. Muitos apenas achavam que estávamos namorando, o que não deixava de ser uma verdade. Agora estávamos mais próximos do que nunca, mas ela sempre escondia a tatuagem no pescoço com maquiagem.

Eu acabei conhecendo todas as crianças e os funcionários do orfanato onde Lily crescera. Meu tio renovou os fundos para o orfanato e o reformou, mantendo todas as crianças juntas.

Lucas era um garotinho pequeno e enfraquecido, mas com o tratamento certo, podia ter uma vida normal.

Ao fim daquele ano, quando as pessoas foram convocadas para a Academia de Guardiões, meu tio Emmet arranjou tudo para que Lily e eu estivéssemos na lista. O novo diretor nada sabia sobre a nossa situação e era melhor que continuasse assim.

A cerimônia correu como todas as outras. E quando ele mandou que os vampiros seguissem o aroma de seu escolhido, eu meramente me dirigi a Lily, sorrindo-lhe antes de cravar minhas presas em seu pescoço.

Depois da cerimônia, minha mãe e meu pai se aproximaram de nós para se despedirem.

– E então? Estão prontos pra isso? – Minha mãe perguntou.

– Mais do que prontos. – Eu afirmei, empolgado. Lily fez careta.

– Fale por você. Nunca fui muito boa em atividades físicas. – Ela resmungou.

– Tudo bem. Você vai descobrir que possui mais habilidades do que imagina. – Papai afirmou.

– Vou sentir a sua falta, filho. – Mamãe disse, me puxando para seus braços de forma possessiva.

– São apenas seis meses até eu poder sair da academia, mãe. – Falei revirando os olhos.

– Mesmo assim. – Ela resmungou. Limitei-me a sorrir e abraçá-la. Depois foi a vez do meu pai.

– Eu sei que eu não preciso realmente dizer isso, mas seja bom com a sua Guardiã, filho. Um dia você vai perceber que ela é a coisa mais preciosa que você tem. – Ele murmurou em meu ouvido. Acenei que sim com a cabeça, e sorri para ambos.

– Boa sorte, Lily. – Mamãe disse, acenando enquanto nos afastávamos. Ela nunca chorava, mas eu podia jurar que tinha visto uma lágrima escorrer de seus olhos.

Lily e eu nos viramos e nos deparamos com Kate e Sam parados logo mais à frente, nos esperando.

– E no fim, você acabou se tornando mesmo um Guardião... – Eu resmunguei.

– Parece que sim. – Sam falou entre constrangido e incrédulo. – Logo eu.

– Você será ótimo. – Kate afirmou. Sam sorriu e corou.

– Então? Vamos? – Eu perguntei. E nós quatro nos dirigimos à escadaria.

Durante muito tempo eu achara que não me encaixava em lugar algum. Agora aqui estava eu, com novos amigos e tudo o que eu sempre quis: alguém com quem partilhar a eternidade.


Notas finais
Eu sei que a fic foi curtinha, mas o meu objetivo com era que vocês vissem esse momento da vida do Caleb, como tudo se arranjou para ele e tals.
Amanhã posto o epílogo.
Espero que tenham gostado.
Bj, bj