A Lenda

9 O primeiro dia


Olá pessoal, quero agradecer carinhosamente os reviews, fico sempre contente com eles, estou postando a fic mais cedo, pois vou viajar esse final de semana e não dará para postar no domingo.

Não consegui revisar o capítulo com precisão devido a falta de tempo, então desculpem os erros de gramática, ok...

Espero que gostem e estarei esperando ansiosamente os reviews.... bjussss


Capítulo 9 – O primeiro dia


Os dedos finos e longos estavam entrelaçados embaixo de seu queixo enquanto os olhos negros observavam o menino dormindo tranquilamente na cama de dosséis, o lençol negro cobria apenas o seu quadril e uma perna deixando o restante do corpo jovem exposto ao homem. Harry dormia tão tranquilamente que seria até mesmo pecado acordá-lo, um sorriso leve dançava em seus lábios vermelhos enquanto um leve rubor manchava seu rosto evidenciando os possíveis sonhos com que sua mente o presenteava. Seus cabelos rebeldes espetavam para todos os lados e derramavam-se no travesseiro branco, sua pequena mão estava estendida no colchão como se procurasse a pessoa que deveria estar ao seu lado dormindo e aproveitando seus carinhos inconscientes, mas não havia mais ninguém na cama, pois Severus Snape estava sentado em uma cadeira ao lado olhando o menino dormir.

Em sua mente Snape tentava se lembrar das últimas horas antes do crepúsculo aparecer e trazer a noite em seu encalço. Era difícil distinguir as imagens, pareciam apenas borrões naquele momento, mas ele sabia que havia tomado o menino mais uma vez, talvez duas, na cozinha antes do almoço e novamente no quarto, na cama de dosséis, embaixo dos lençóis enquanto o sol ia embora. Porém as imagens estavam borradas o intrigando ao ponto de deixá-lo nervoso. Não deveria ter tomado aquela garrafa de whisky, mas agora era tarde para lamentar algo, o estrago estava feito e o resultado estava dormindo à sua frente.

– Droga – Exclamou lembrando-se dos gemidos.

Seus gemidos. Baixos e raros, mas seus.

Seus olhos não desgrudaram do menino mesmo quando as imagens clarearam em sua mente lembrando-se de quando tomou Harry em cima da mesa da cozinha mordendo o ombro do garoto, deixando-o marcado ao sentir-se novamente derramando-se dentro daquele corpo. Devagar Snape se aproximou do menino deitado de bruços e tocou o ombro direito, estava nítida ali a marca de seus dentes, quase perfurara a carne. Ficaria vermelho a princípio, roxo depois, doeria, mas ele não faria nada para amenizar a dor dele, não, o deixaria sofrer. O faria se lembrar que antes de seus gemidos vinha a dor.

Uma nuvem se afastou no céu deixando a mostra uma lua quase cheia, sua luz era fraca, mas forte o bastante para lembrá-lo que a hora de partir chegava cada vez mais perto. Deveria acordar o garoto, mas então teria que tocá-lo novamente e somente o fato de pensar nisso o levava para a outra lembrança de poucas horas antes, naquela mesma cama. Ele tomara Potter ali, olhara em seus olhos verdes enquanto entrava em seu corpo. Lembrava-se, de suas mãos passeando pelas costelas dele, segurando seu quadril e seus olhos devorando-o enquanto o via arquear o corpo de prazer. Mais gemidos, dessa vez um pouco mais alto, saindo do fundo de sua garganta direto para os ouvidos atentos do grifinório.

O sorriso, lembrava-se do sorriso dele também.

“Adorei esse som.” Ele dissera em meio ao gozo que o sujava.

Mas o que mais irritava e intrigava o professor era o depois do sexo, aquele momento em que as mãos pequeninas o puxavam para um abraço e ele, cansado, aceitava e descansava sua cabeça no ombro do menino sentindo-o respirar rápido.

Por que ele aceitara aquele abraço? Por que não rejeitou e apenas se afastou? Ele não tomou a poção de fertilização, não estava sob influência de seus ingredientes fortes. O fato é que ficara deitado sobre aquele corpo sentindo uma mão acariciar seus cabelos negros e outra esfregar suas costas suadas até que finalmente pudesse controlar seu corpo e se levantar.

Para sua sorte Potter dormia rápido o deixando livre para vagar entre seus pensamentos sem se preocupar com um grifinório cheio de desejos atrás de si.

Snape respirou fundo e se levantou indo até a varanda, ele abriu a porta e deixou que o vento frio da noite recém chegada entrasse no aposento quente queimando seu rosto. A camisa que vestia era fina e não bloqueava o ar que o açoitava. Tudo bem, ele queria sentir os arrepios involuntários, os pelos eriçados e a pele esfriando. Era bom.

Era maravilhoso deixar o vento do mar gelado varrer qualquer pensamento e sentimento quente que ele, involuntariamente, tivesse naquele momento. Ele queria o frio, o ardor e a sombra. Queria sentir-se como si mesmo, trazer à superfície da mente as imagens que o acompanharam durante anos, justamente aquelas que doíam em sua alma. Sim, ele pedia para sofrer, pois o sofrimento era a única forma de lhe mostrar que ainda estava vivo.

Ele não entendia o motivo das pessoas não gostarem de fazer isso, deixar-se a mercê da dor. Dor, palavra curta, mas que carrega um significado enorme demais para ser entendida pelos ingênuos, somente quem era quebrado entendia o quanto a dor podia ser quente, o quanto sofrer podia trazê-lo à vida. O inverso, o fim, o contrário. Tudo resumia a vida de Snape. Os olhos negros só conseguiam visualizar as sombras e pelas sombras ele caminhava procurando a luz que jamais vinha, jamais se aproximava. Ele aprendeu a viver na sombra, na escuridão e na dor. O carinho o incomodava, não estava acostumado e talvez por isso não conseguia olhar para o menino com gratidão pelo carinho oferecido, só com mais ódio.

Voltando para o quarto ele viu Harry encolhido embaixo do lençol tentando se proteger do frio que deixara entrar. Os olhos verdes estavam cerrados embaixo das pálpebras, o menino ainda dormia.

– Potter – Chamou Snape aproximando-se devagar – Acorde.

Harry resmungou algo e apertou mais o rosto no travesseiro, seu corpo começava a tremer com o frio que aumentava no quarto. Snape suspirou com raiva e se aproximou mais, ele estendeu a mão para tocar no ombro do menino, mas antes que seus dedos encostassem na pele branca ele recuou lembrando-se dos toques que ofereceu de bom grado ao grifinório. Uma sombra passou pelos olhos negros fazendo o professor estremecer.

– Potter – Chamou mais alto recebendo um murmúrio de resposta enquanto via os olhos verdes se abrirem aos poucos – Temos que ir.

Harry balançou a cabeça e esfregou o rosto no travesseiro novamente, queria dormir e alguém o impedia, por quê? Estava gostoso ali, confortável. Tudo bem, não tão confortável quanto pensava, estava frio e esfriava cada vez mais. O menino sentia o vento passar pelos seus cabelos esvoaçando-o logo após atingir suas costas arrepiando seus pelos e fazendo tremer seu corpo.

Ele se ergueu cobrindo-se até os ombros e olhou para a porta da varanda aberta, um vinculo em sua testa mostrou a pergunta muda que se fazia enquanto tentava entender por que aquele vento gelado entrava no quarto. Sem esperar uma resposta de seu cérebro sonolento ele se levantou e fechou a porta quase gritando ao ver o reflexo de Snape no vidro.

Ao se virar viu o professor parado do outro lado do quarto, perto da porta que dava para a sala, ele vestia suas habituais vestes negras e o olhava firmemente sem dizer uma única palavra. Somente após sentir seu coração se acalmar Harry percebeu que estava quase grudado na porta de vidro, só de cueca. Com embaraço ele se aproximou da cama e puxou o lençol cobrindo-se novamente. Uma mancha vermelha apareceu nas maçãs de seu rosto e ele sentia as bochechas esquentarem, seus olhos tentavam permanecer olhando para o homem, mas era quase impossível, principalmente pelo modo com que Snape o observava.

– Eu...er... – Tentou dizer apertando mais o lençol no corpo.

– Não sabia que eu era tão bom a ponto de deixar o salvador do mundo bruxo sem palavras. Acho que devo me sentir lisonjeado por isso – Disse Snape olhando sarcasticamente para o garoto que tentava disfarçar a vergonha que sentia.

Ao contrário de Snape que fora abençoado pela ressaca que o impedia de se lembrar corretamente de todo o acontecido, Harry via tudo passar em seus olhos com exatidão. Cada palavra saída de sua boca parecia agora rouca e pesada. O menino levou a mão à boca quando se lembrou da sala, de quanto pediu, quase implorou para ser comido por Snape. Seu peito inflou com a lembrança do pênis vermelho em suas mãos sendo levado aos poucos para sua boca, ele não concluiu o que queria, pois Snape não deixou, deveria agradecer-lhe por isso, mas no momento do ato ele sentiu raiva, como se o professor tivesse tirado de si um doce que há muito tempo ele queria provar.

– Ah meu Deus! – Exclamou quando sua mente jogou em seus olhos o exato momento em que sentiu dentro de si o membro do professor e ele mordeu os lábios em êxtase.

O gozo, ou melhor, os gozos, em todas às vezes, altos e intensos, sujando-os, melecando-os e os deixando cansados e completos.

A contemplação após o ápice, o observar do rosto do homem relaxando os traços, o puxar para seus braços, os carinhos entregues sem pedido de retorno, as juras ditas ao pé do ouvido, o sono quente que o puxou para o inconsciente. Tudo, exatamente tudo, claro e limpo diante de seus olhos, matando-o de vergonha.

Harry levantou o olhar do chão e se achou sozinho no quarto. Snape fora para a sala, não sem antes deixar a roupa do menino em cima da cama em uma clara mensagem de que ele precisava se arrumar.

Ele sabia o que devia fazer, mas era tão difícil se mover, por um momento ele apenas se deixou sentar no chão e pensar em tudo que fizera. Era ele, mesmo sob influência da poção, era o Harry Potter cavalgando com força em cima do mestre de poções. Ainda nervoso com tudo que se lembrava e com mais imagens vindo em sua mente recordando-o de momentos intensos na cozinha e no quarto, Harry esfregou as mãos no rosto e se levantou.

Estava tudo bem, estaria tudo bem. Ele esteve sob influência da poção e Snape tinha entendido isso, ele tinha que entender, por isso não faria comentários ferinos sobre seu estado depravado na noite anterior e nem naquele mesmo dia. Ele era seu marido, não podia gozar de sua cara, ou zombar de seu comportamento.

Com essa idéia na cabeça ele se aproximou da cama e pegou sua roupa levando-a para o banheiro. Mas o banho não foi nada bom, pois mais e mais lembranças o atacavam, inclusive uma naquela mesma banheira, onde o corpo do homem o pressionava na beira da banheira enquanto ele se mexia formando ondas na água quente que derramava no chão. Dentes mordiam sua pele, inclusive deixando uma marca dolorosa em seu ombro, mais uma além das diversas que descobriu em seu peito, ombros e quadris. Era possível sentir as unhas arranharem suas costas e os dedos longos apertarem sua cintura. Era estranho, vergonhoso, mas extremamente estimulante e logo Harry teve que diminuir a temperatura da água para evitar sentir as sensações estranhas que afloravam.

Logo ele saiu do quarto já arrumado e se dirigiu à sala, Snape lia um livro, o mesmo livro que Harry tirara de sua mão antes de...

– Estou pronto – Disse por fim evitando olhar nos olhos do professor que continuava lendo o livro.

Snape mais uma vez pediu que Harry aguardasse e após alguns minutos fechou o livro devolvendo-o a estande com um floreio da varinha.

– Então terminou de seu afogar em auto piedade? – Perguntou Snape aproximando-se.

– Eu não estava fazendo isso – Retrucou Harry sentindo raiva subir em suas veias.

– Com certeza não – Disse Snape rindo baixinho antes de apertar o braço do menino com sua mão gelada.

– Está me machucando – Gritou Harry sentindo os dedos cravarem em seu braço – Solte-me.

– Não me lembro de você pedindo para eu largá-lo quando estava em cima da mesa.

Harry arregalou os olhos, mas não teve tempo para retrucar, Snape aparatou diante dos portões de Hogwarts e sem nem ao menos olhá-lo soltou Harry que quase caiu na grama molhada. O professor retirou os feitiços de proteção e abriu o portão entrando sem esperar por Harry. Sentindo a raiva inflar em suas veias o menino correu para segui-lo e quando estava ao lado do homem segurou em seu braço fazendo-o parar e olhá-lo. Rapidamente Harry afastou a mão, os olhos negros queimavam com um fogo gelado e perigoso, parecia um predador se preparando para atacar a presa.

– Você não pode me tratar assim – Reivindicou Harry.

– Eu o tratarei como achar adequado tratá-lo, não ache que por ser meu marido terá privilégios com a minha pessoa, você continua sendo o menino mimado e insuportavelmente arrogante de sempre e assim será tratado.

– Mas...

– E restrinja seus contatos apenas aos momentos de obrigações com nosso contrato nupcial, fora isso fique longe de mim.

Snape continuou andando em direção ao castelo deixando Harry engolindo as palavras que não quiseram sair na hora apropriada e que agora seriam ouvidas como palavras de uma criança implorando atenção. Engolindo a raiva que se plantara em sua garganta ele correu atrás de Snape e o acompanhou até uma entrada lateral na escola.

– Pode pelo menos me dizer onde estamos indo? – Perguntou Harry.

Snape não respondeu, apenas acendeu sua varinha e continuou por um trajeto escuro até encontrar uma porta escondida que Harry não conhecia. Ele apontou a varinha para a porta, recitou um feitiço e a mesma se abriu revelando uma sala vazia com algumas carteiras quebradas no canto e um armário velho no outro. Porém o que Harry olhou após entrar foi McGonagall e Dumbledore observando-os perto de outra porta.

– Diretor, professora McGonagall? Por que estão aqui? – Perguntou Harry franzindo a testa.

– Harry, meu caro – Cumprimentou Dumbledore sorridente – Como foi o final de semana.

– Foi... – Iniciou Harry sem saber o que dizer exatamente.

– Foi extremamente encantador, Alvo – Disse Snape ironicamente salvando Harry de sentir mais vergonha do que já sentia, porém mesmo com a resposta do professor satisfazendo Dumbledore, Harry não deixou de sentir que o velho diretor já sabia o que acontecera – Será que podemos ir logo para o essencial e levar Potter à Ala Hospitalar.

– Ala Hospitalar? Mas eu estou bem – Disse Harry arregalando os olhos.

– Não tem nada errado com você, Potter – Disse McGonagall – Mas precisamos que você durma na ala hospitalar para que a história inventada seja verdade. Os alunos acham que você foi seqüestrado por comensais da morte ontem na hora da visita em Hogsmead e que só conseguiu fugir hoje de manhã aparecendo nos portões da escola com graves ferimentos causados por um veneno que teve que tomar.

Harry franziu a testa achando aquela história meio absurda, mas fora o diretor que dissera então deveria funcionar. Certo?

– E quanto tempo terei que ficar lá?

– Até amanhã de manhã. Depois poderá ir para seu quarto nos aposentos de Severus.

– Tudo bem.

Sem dizer mais nada Harry seguiu o diretor, McGonagall e Snape até a Ala Hospitalar onde Madame Pomfrey já o estava esperando com um leito arrumado. Harry trocou de roupa em um biombo colocado para ele e depois se deitou em uma maca fria perto da porta. Dumbledore disse que no dia seguinte de manhã Harry poderia ir tomar café com seus amigos, mas que era necessário confirmar a história inventada. As aulas de DCAT permaneceriam normais sem alteração de professor para não gerar suspeitas e a noite ele teria maiores informações com Snape em seus aposentos. Harry suspirou sabendo que pelo menos poderia ficar com seus amigos na sala comunal até o toque de recolher, após isso teria que ir dormir nas masmorras.

– Daqui há uma semana poderemos saber se você está grávido ou não – Disse Dumbledore sorrindo, Harry começava a ficar nervoso com aquele sorriso.

– Uma semana? Não é pouco tempo? As mulheres não ficam sabendo só quando estão de um mês?

– Incrível como sua mente pequena ainda consegue pensar que bruxos e trouxas são iguais. Não sei como conseguiu passar do primeiro ano – Disse Snape olhando-o ferozmente atrás de Dumbledore.

– Chega crianças – Disse Dumbledore antes de Harry retrucar – Harry nós conseguimos saber com uma semana se a pessoa está ou não grávida, pois temos feitiços específicos para isso. Mas agora não é hora de se preocupar com isso, no momento você deve descansar.

Harry sentiu suas bochechas ficarem vermelhas ao se lembrar o motivo de dever estar cansado. Constrangido ele abaixou o olhar e contemplou o cobertor feio com que se cobria.

– Vamos deixá-lo descansar. Boa noite.

– Boa noite, diretor – Disse Harry levantando o rosto e vendo Dumbledore e McGonagall saindo da ala hospitalar. Snape já havia saído.


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Na manhã seguinte Harry foi acordado por Madame Pomfrey lhe dizendo que já podia se arrumar para ir tomar café da manhã no salão principal. Harry rapidamente colocou seu uniforme e desceu. Aos poucos ia encontrando os alunos nos corredores, muitos deles puxavam os amigos e cochichavam apontando para ele. Mas aquilo não era nada se comparado com sua entrada no salão principal. Parecia que todo o mundo havia parado para vê-lo entrar, todos os olhares focalizaram em sua pessoa e muitas perguntas estavam sendo feitas nas mentes dos adolescentes afoitos por notícias.

– Ele está vivo.

– O que será que aconteceu de verdade?

– Ele vai morrer?

– Ele viu os comensais que o envenenaram?

– Como ele fugiu?

Perguntas, perguntas e perguntas que entravam em sua mente e o faziam sentir raiva, odiava ser noticia, odiava ser o centro das atenções. Ele sabia que era tudo mentira e que a mentira era necessária para cobrir seu casamento com o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas que estava sentado em seu devido lugar na mesa dos professores olhando diretamente para seus olhos, quase rindo de seu embaraço. A raiva que sentiu ao vê-lo tranquilamente sentado inflou sua alma e tapou seus ouvidos, ele firmou o pé no chão e rumou para a mesa da grifinória, mas os comentários dos sonserinos eram como mosquitos irritantes que furavam qualquer barreira de proteção que Harry tentava erguer em seus ouvidos.

– Que droga, ele ainda está vivo.

– Espero que tenham brincado bastante com ele antes de jogá-lo fora.

Os comentários pioravam a cada palavra e causavam um calor em Harry, um calor ruim que fazia suas mãos fecharem em punho, seu rosto estava vermelho, ele sentia que estava prestes a explodir em cima dos sonserinos, mas um detalhe fez sua mão se abrir e seu peito respirar com mais calma. Intrigado ele olhou para a mesa da sonserina procurando os cabelos loiros de Draco, mas por mais que procurasse entre todos os alunos de caras feias não encontrava.

Onde estaria Draco Malfoy? Ele se perguntou antes de balançar a cabeça e ir para sua mesa embaixo de risadas dos sonserinos que não entendiam seu olhar intrigante.

Rony e Hermione abriram espaço para que Harry sentasse e o olharam atentamente sem dizer uma única palavra. O menino agradeceu pela pomada que Snape lhe deu, caso contrário não conseguiria sentar e isso causaria mais embaraço ainda. Os amigos continuavam calados e a princípio Harry agradeceu por isso, não queria falar nada, somente comer. Ele pegou um copo de suco de abobora, um pedaço de torrada com geléia e ovos com bacon. As primeiras garfadas foram gostosas, mas a partir da quarta a comida começava a ficar sem gosto. Era difícil comer com tantos olhares em cima de si. Rony o olhava estranho, Hermione tentava analisá-lo, os outros alunos procuravam alguma marca de tortura e os olhos negros o olhavam sem definição.

– Parem de olhar para mim – Disse Harry fazendo todas as vozes se calarem.

Olhando ao redor o menino percebeu o quão alto havia dito aquilo quando viu o olhar irritado de Snape para si. Rapidamente baixou a cabeça e começou a colocar a comida na boca de uma vez, mas ainda assim sentia o olhar raivoso. Harry respirou fundo e engoliu a comida querendo sair dali o quanto antes, ele estava prestes a levantar quando ouviu uma voz o chamando.

– Oi Harry.

Ao olhar para cima se deparou com os olhos gentis de Gina sorrindo. A menina tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo muito bonito e um leve rubor em suas bochechas brancas. Harry demorou para se lembrar como usar as palavras, mas depois de um olhar intrigado da menina ele conseguiu formular uma frase.

– Oi Gina.

– Espero que você esteja bem – Disse a menina pegando o garfo de Harry e roubando um pedaço de bacon.

– Por quê? – Perguntou não entendendo o motivo da pergunta.

De repente tudo ficou confuso, Harry viu o olhar confuso de Gina, uma dor no tornozelo pelo chute de Hermione, um aperto no braço pela mão de Rony e um arrepio na espinha pelo olhar de Snape.

– Acho que o Harry ainda não está muito bom – Disse Hermione sorrindo falsamente para a amiga – Ele teve que passar o dia na ala hospitalar, ainda deve estar confuso com tudo, não é Harry?

– O que? É...é...eu estou cansado por tudo que ocorreu. Desculpe Gina.

– Não tem problema não – Disse a menina pegando a mão de Harry – Espero que esteja bem – A menina sorriu e saiu da frente dele indo se sentar com Luna que também lhe sorriu.

– Obrigado, Hermione – Disse o menino largando o garfo e olhando para a amiga.

– Presta atenção, Harry. Você poderia colocar tudo a perder. O Snape estava te olhando com raiva, acho que ele ouviu você falando com a Gina.

– Eu só espero que ele não desconte na gente durante a aula – Comentou Rony após engolir um pedaço de torrada.

– Vou tentar prestar mais atenção, desculpa.

O restante do café passou com Harry pensando onde estava Malfoy que não estava no café da manhã. Hermione não queria ouvir suas suspeitas e Rony não sabia se ouvia ou dava apoio a Hermione. No fim Harry achou melhor chegar mais cedo na aula de História da Magia, pegou seus materiais e rumou para a sala do professor fantasma.

As aulas foram chatas e desgastantes. No final do período Harry jantou com os amigos e rumou para o salão comunal da Grifinória tentando aproveitar os últimos minutos em que podia ficar naquele lugar. Ele jogou snap explosivo com Rony, Neville e Simas, riu com Lilá abraçando Rony por trás enquanto o amigo olhava constrangido para Hermione que estava com o olhar enterrado e um livro emprestado da biblioteca. Porém dentre todas as coisas acontecendo na sala comunal o que mais o irritou foram os olhares de Gina para Dino Thomas, ela não devia olhar daquela forma para ele, muito menos se esgueirar para fora do salão comunal depois dele. O que estariam fazendo?

– Vou descer – Disse Harry para os amigos.

– Nos vemos amanhã – Disse Rony.

Os amigos se despediram dele, Neville lamentou a tragédia dele ter que ir para as masmorras, e Harry saiu do salão comunal com sua mochila nas costas. Ao sair no corredor viu um pedaço da capa de Gina virando a próxima esquina, faltavam vinte minutos para o toque de recolher, havia tempo. Tentando não fazer barulho ele seguiu pelo mesmo corredor seguindo para a escada que levava para o andar de baixo. Havia uma porta entreaberta, Harry sabia que não deveria olhar, mas queria tanto saber o que estavam fazendo e mais ainda porque aquilo o incomodava. Mas ao olhar percebeu que deveria ter descido direto para as masmorras.

Gina estava encostada na parede e Dino a beijava com fome, suas mãos passeavam pelo corpo da menina descendo e subindo na perna dela, passando pelas costelas devagar e encaixando-se em seus cabelos ruivos. Harry mordeu os lábios com raiva e saiu dali indo para as masmorras quase correndo. Ao parar na frente do escritório de Snape teve que respirar fundo duas vezes antes de bater em sua porta. Demorou um pouco para o professor atendê-lo, mas no fim ele abriu a porta e permitiu que Harry entrasse, não antes de ver os olhos injetados de raiva do menino.

Harry não olhou nos olhos de Snape, olhou para algum ponto acima do ombro do professor, evitou-o de todos os modos, pois eram muito confusos os sentimentos que ardiam em seu corpo. Ele acabara de ver Gina Weasley e Dino Thomas quase transando em uma sala de aula e logo depois de sentir raiva por não ser ele atacando o corpo da jovem, bateu na porta do escritório de seu marido para saber onde era seu quarto após o casamento com o homem a sua frente.

– Onde é meu quarto? – Perguntou Harry querendo ir dormir.

– Espere, ainda não terminei meu trabalho – Disse Snape sentando em sua mesa e lendo o trabalho que não terminara.

Harry se sentou em uma carteira e ficou observando o escritório do professor. Já estivera ali várias vezes para cumprir detenções ou para fazer aulas de oclumência, Snape não desocupou seu escritório e por esse motivo tudo estava no mesmo lugar, os mesmo vidros com gosmas e vermes, as mesmas ervas, tudo igual, inclusive o professor que mantinha uma veia tremendo na têmpora enquanto corrigia os trabalhos. Provavelmente estava dando nota baixa e lendo muita resposta absurda, pois a veia pulsava cada vez mais rápido. Achou melhor não perturbá-lo, então passou os últimos minutos olhando para a parede e lembrando-se de Gina.

– Potter!

Harry saiu de seu transe e olhou para Snape, os olhos negros estavam intrigados, provavelmente o professor o chamara mais de uma vez e ele não ouviu. Claro, não havia como ouvir enquanto imaginava os lábios de Gina dizendo coisas românticas em seu ouvido. Mas mesmo que estivesse em transe naquele momento, qualquer imagem da menina fugia ao se ver diante de Snape. Em sua mente só via os momentos na Grécia.

– Pare de me contemplar e me siga.

Snape saiu do escritório e seguiu até o final do corredor, Harry foi atrás. O professor parou diante de uma porta de madeira, sacou a varinha e recitou alguns feitiços.

– Agora essa porta irá reconhecer você.

O professor a abriu e entrou esperando que Harry entrasse também. O menino obedeceu e se viu em uma belíssima sala. A decoração era simples, apenas um tapete vinho, um sofá e duas poltronas de couro branco, uma lareira grande, um bar ao canto e uma estante de livros perto da porta. Mas por mais simples que fosse era muito bonita e aconchegante.

– O corredor está protegido por feitiços que impedem os alunos de se aproximarem. Eles não conseguem passar de onde está meu escritório – Explicou Snape parado perto da porta vendo o menino olhando atentamente o aposento – Os alunos vão lhe ver passando pelos feitiços, mas não conseguirão ver onde são seus aposentados.

– E onde são?

– Naquela porta – Apontou para uma porta no fundo da sala – Aquela ao lado é a do meu quarto. Há um banheiro no seu quarto, as refeições são feitas no salão principal então não há necessidades de outra dependência aqui.

– Certo – Disse Harry se sentindo estranho ao ver dois quartos separados. Casais não dormem juntos?

– Alguma pergunta? Ou seu cérebro foi capaz de finalmente arquivar alguma informação.

Harry respirou fundo para não responder a provocação e apenas fez a última pergunta que precisava.

– E meus pertences?

– Já estão no quarto.

– Ótimo – Respondeu indo em direção a porta.

– Uma última coisa, Potter – Disse o professor fazendo-o se virar com a mão na maçaneta – O senhor está terminantemente proibido de entrar em meu laboratório que fica na porta ao lado de meus aposentos.

– Tudo bem, não tenho vontade de entrar em seus aposentos, senhor.

– Então estamos entendidos – Disse Snape seguindo para a porta de seu quarto – Não se esqueça dos dias de cumprimento do contrato – Finalizou entrando no quarto e fechando a porta sem ouvir a resposta de Harry.

– Como eu iria esquecer?

Harry entrou no quarto e abriu a boca ao se ver dentro de um magnífico aposento com uma cama de dossel, não tão grande quanto o de sua lua de mel, mas maior que a do dormitório na Grifinória, um guarda roupa grande, um lustre com velas encantadas e cortinas vermelhas enfeitando as paredes de pedra. Havia uma lareira em frente a cama e uma porta que dava para um banheiro grande.

Esquecendo-se do motivo de estar naquele quarto Harry se jogou na cama e pulou no colchão rindo pela primeira vez por ser agora um Snape.


Próximo capítulo: Os primeiros sintomas