A Lenda

4 O contrato


Notas iniciais
Pessoal, estou feliz que estão gostando da história, fico muito feliz. Aqui esta o proximo capítulo, espero que gostem.
Bjus

Capítulo 4 – O contrato


Pânico.

Essa era a palavra que resumia o estado de Harry naquele momento. Aquela frase sussurrada com ódio reverberava em sua mente, dava eco em sua cabeça e o fazia querer vomitar.

O homem ainda o segurava firmemente pela blusa, mas ele nem ao menos conseguia vê-lo, já não sabia quem era, seus olhos, mesmo com os óculos, não conseguiam focalizar seu rosto, parecia apenas um borrão a sua frente. O menino piscou algumas vezes, mas era inútil, nada entrava em foco, só piorava, agora tudo estava rodando.

Antes que pudesse cair Harry segurou nos braços do homem e tentou respirar, mas o ar não queria entrar, ele tentou de novo e mais uma vez o ar lhe faltou. Fechou os olhos e começou a se desesperar com a falta de ar. Suas mãos apertaram com força os braços que lhe seguravam, era seu único ponto de apoio, se soltasse aqueles braços, cairia.

Alguém chamara seu nome, mas era um som tão longe que era mais fácil ignorar do que tentar atender ao chamado. Ouviu seu nome ser pronunciado novamente, porém dessa vez foi bem próximo de sua orelha, em uma voz arrastada e baixa, ainda assim não conseguia se prender ao que era dito. Sabia que alguém comentava algo e que o tom da voz dizia que estava preocupado, talvez até mesmo bravo, mas não conseguia distinguir nada além de seu nome.

Tentou abrir os olhos, mas só o que viu foi um borrão preto.

- Concentre-se, Potter!

Harry ouvia a frase saída da boca do homem que o segurava e ele parecia estar com raiva. Mas por quê? O grifinório tentou se controlar e parar de tremer, precisava que o ar voltasse aos seus pulmões e por isso concentrou-se somente em respirar. Quando sentiu que a visão começava a melhorar arriscou olhar para cima, diretamente para os olhos negros e raivosos de Snape. O menino percebeu que suas mãos apertavam com força os braços do professor, ele por sua vez segurava Harry na altura das costelas, mas suas mãos não o apertavam, na verdade mal queriam tocar-lhe.

Por um momento Harry pensou que conseguiria manter a calma e se controlar, mas no outro a vertigem e o enjôo o atingiram com força o fazendo se inclinar para o lado e despejar seu almoço no escritório do diretor. Enquanto tentava se controlar sentiu que as mãos de Snape ainda o seguravam, dessa vez com mais força afastando sua capa da sujeira que fez.

Harry sentiu ódio daquele toque, nojo daquelas mãos.

- Tire suas mãos de mim! – Disse rispidamente levantando-se e encostando-se à parede oposta.

Somente naquele momento Harry se lembrou que estava no escritório do diretor e que havia outras pessoas no lugar. Rony e Hermione estavam ao seu lado parecendo esperar ele ter um novo ataque para poder ampará-lo, Hermione exibia preocupação, mas Rony demonstrava preocupação, surpresa e até mesmo um pouco de repulsa.

Mas Harry não escolhera aquilo, muito menos que Rony estivesse ali. Ele não tinha culpa do que lhe fora sugerido, ou melhor, imposto. Ele não desejou nada daquilo, só queria continuar a ser ele mesmo, um sextanista grifinório com preocupações simplórias e fúteis. Por que tudo tinha que ser mais difícil para Harry Potter?

Era melhor não pensar naquilo.

Olhou para as outras pessoas. O homem estranho permanecia a um canto olhando para ele sem interesse aparente. Madame Pomfrey estava com a varinha na mão e acabara de limpar a sujeira que Harry fizera. McGonagall não olhava para ele, olhava para Dumbledore e seus olhos estavam tão frios e acusativos como jamais havia visto, se a professora o olhasse daquela forma ele teria muito medo. Mas Dumbledore apenas continuava sentado olhando para o teto, suas mãos estavam apoiando o queixo. Parecia que nada de mais acontecia.

Aquela despreocupação ferveu em Harry e ele mais uma vez não pensou, apenas deixou seu corpo ir para frente, ele queria chegar ao diretor e tirar aquele ar sonhador dos olhos azuis.

Mas as mãos de Rony o impediram.

- O que está fazendo? – Perguntou o ruivo.

- Pode soltá-lo, senhor Weasley. Muito obrigado. – Disse Dumbledore.

Harry soltou-se das mãos do amigo e olhou para o diretor, ele trincou os dentes. Como podia Alvo Dumbledore agir daquela forma tão calma e tranqüila quando ele tinha que fazer tais tarefas? Ele acabara de propor que Harry tivesse um casamento e um filho com Snape, o professor que o odiava pelo passado conturbado com seu pai, não era igual a uma detenção, era uma coisa para sua vida inteira e Dumbledore conseguia sorrir para ele.

Seus pés se colocaram em movimento, mas não correu, apenas caminhou até a frente e olhou pesadamente para o professor. Abriu a boca para falar, mas tudo que queria dizer foi engolido, sua voz sumiu. Sem que percebesse uma lágrima caiu de seus olhos e somente no momento em que o pergaminho em cima da mesa recebeu a gota salgada e repleta de angustia conseguiu pronunciar uma palavra:

- Por quê?

Foi a única palavra que saiu de seus lábios grifinórios. Eram nada mais do que seis letras, mas para Harry era o peso de uma vida.

Dumbledore piscou seus olhos intensos e suspirou encostando-se a sua cadeira de shintz. Olhou para Harry como se quisesse ler seus pensamentos, mas não iria fazer isso, jamais lançara mão de suas habilidades para ler o menino, não faria isso agora e nem precisava, Harry era a pessoa mais transparente que ele conhecera.

Era cruel ter que pedir isso a ele, Harry era apenas um garoto, nem ao menos começara a engatinhar na vida, aos seus olhos era apenas uma criança e agora seria uma criança com responsabilidades de adultos, responsabilidades que se Dumbledore pudesse pegaria para si. Mas não podia e por isso precisava dele.

- Peço que saiam por alguns minutos, preciso falar por um instante com Harry. Aguardem-me lá fora.

Todos saíram assim que ordenado e Harry permaneceu sozinho com o diretor. No corredor em frente à gárgula Rony puxava Hermione para o canto.

- Mione, isso é absurdo. – Disse o ruivo. – Eles querem obrigar Harry a ir para a cama com o seboso do Snape.

- Eu sei, mas o que está em jogo é muito maior do que isso. Acho que Dumbledore não pediria uma coisa assim para Harry se não fosse extremamente necessário e nem acredito que Snape esteja feliz em aceitar, ele odeia o Harry.

- Exatamente por isso que eu acho loucura.

- Eu também acho Rony, mas pelas leis bruxas, se o Harry aceitar, não poderemos fazer nada. É a lei, um bruxo menor de idade pode se casar com outra pessoa, no entanto que a outra pessoa seja maior de idade. Só não pode haver casamento entre menores de idade, de resto, praticamente tudo é aceito.

- Não sabia disso.

- Não é uma surpresa, a maioria não sabe, eu sei por quê...

- Leu em algum livro. – Completou Rony. O ruivo cruzou os braços e olhou para Snape a alguns metros de distância. — Espero que ele não aceite.

- Rony! Sei que é cruel pedir isso a Harry, mas pense o que pode ocorrer se o que Dumbledore falou acontecer realmente. Por mais que eu deteste isso, acho que, se é mesmo a última saída, Harry tem que aceitar.

- É, mas pense no que ele precisará fazer. Imagine quando ele souber que...

- Eu já pensei nisso. – Disse Hermione levantando a mão e impedindo que o amigo continuasse. – Na verdade não queria ter pensado, mas é um processo natural, ele teria que passar por isso.

- Aposto que ele se imaginou com outra pessoa. Bom, eu sei que eu não vou explicar nada a ele sobre isso.

- Deixe isso comigo, agora pare de fazer cara feia, se Harry realmente tiver que ter um filho com Snape, por mais repulsivo que seja, teremos que dar força para ele.

- Está bem, vou tentar. Mas ainda não consigo acreditar. Harry só se ferra.

- Eu já percebi isso também.

Os dois se calaram e apenas observaram a professora McGonagall conversar com Madame Pomfrey. As duas pareciam concordar que era tudo um absurdo, mas se Dumbledore disse que era a única forma, então provavelmente era o único jeito mesmo.

O homem que até agora não fora apresentado estava parado ao lado da gárgula e estava tão quieto quanto Snape. O professor de Defesa Contra as Artes das Trevas olhava o campo verde da escola banhados pelo sol vespertino. A única diferença dos olhares entre ele e o homem era que Snape não demonstrava nada em suas feições.

Alguns minutos se passaram até que a gárgula se afastou e eles voltaram para o gabinete do diretor.

- Onde está o Potter, Alvo? – Questionou McGonagall.

- Ele está na sala adjacente. Nós conversamos bastante, ele me disse como estava se sentindo quanto a isso e eu lhe expliquei novamente a situação. Respondi os questionamentos dele e tirei muitas dúvidas que estavam em sua cabeça, no fim ele concordou em fazer o casamento e a gestação, no entanto que possa conversar sozinho com você, Severus.

Todos olharam para o professor, porém Snape não se interessou com os olhares, nem mesmo se incomodou, apenas se dirigiu a uma porta no fundo do gabinete. Ele virou a maçaneta e adentrou a uma sala suntuosa com sofás vermelhos envolta de uma mesa pequena com um pote de balas, a decoração era simples, mas muito bonita.

Snape fechou a porta com um aceno de varinha e se dirigiu ao sofá mais próximo parando atrás dele e olhando para Harry no fundo da sala. O menino estava somente com sua camisa branca, sua capa e seu suéter estavamjogados na poltrona ao seu lado direito, ele olhava quase enfeitiçado para as chamas que dançavam umas com as outras.

- Potter. – Chamou Snape parado do outro lado da sala, próximo a porta.

- Por que você aceitou? – Perguntou Harry sem se virar.

Snape ouviu a pergunta quase sussurrada e saboreou o gosto amargo da verdadeira resposta, do motivo real pelo qual estava naquela sala conversando com aquele menino sobre o laço permanente que estavam prestes a selar.

- Porque é necessário.– Respondeu Snape secamente. – Não sei se o diretor lhe explicou, mas infelizmente...

- Você é o bruxo mais poderoso dentro do pequeno ciclo de pessoas que sabem sobre o plano, por esse motivo você é a melhor escolha. – Completou Harry ainda olhando para as chamas. – Seus poderes juntamente com os meus seriam suficientes para fazer nascer a princesa. – Harry se virou olhando nos olhos indecifráveis de Snape. – Dumbledore já me disse tudo isso.

- Professor Dumbledore. – Corrigiu Snape.

- Que seja, o importante agora é o motivo, o porquê. Qual foi a razão que lhe fez aceitar isso. Você me odeia, nós dois não nos suportamos e, no entanto você aceitou se casar e ter um filho comigo. Por quê? Eu exijo saber.

Snape olhou para Harry e viu o menino tremer.

- Então ficará exigindo, meus motivos não dizem respeito ao senhor.

- Tudo bem, se é assim então não tem trato algum, nem casamento. Não haverá princesa.

Harry vestiu seu suéter e sua capa, rapidamente adiantou-se para a porta, mas antes que tocasse na maçaneta ele ouviu a voz de Snape.

- Eu pensei que o arrogante do seu pai fosse egoísta, mas vejo que eu estava errado, o filho dele o superou. Nem mesmo teu pai teria negado. Mas o santo Potter não pode parar de pensar em si mesmo.

- Eu não estou pensando em mim mesmo, eu não sou egoísta. – Disse Harry afastando a mão da maçaneta e olhando para as costas do professor.

- É sim.– Snape se virou e o olhou furiosamente. – Sua mente só consegue pensar em você mesmo, em como você irá sofrer, como isso é injusto com você, como você é a vitima.

Dessa vez Harry não se afastou, permaneceu no mesmo lugar enquanto Snape se aproximava.

- Sabe por que eu aceitei fazer isso? Porque é necessário, porque é preciso, porque se o Lord tiver a guerreira haverá muitas mortes, mais do que sua mente infantil pode imaginar. No momento de dizer sim eu não pensei em mim, senhor Potter. Acha que quero ter um laço dessa magnitude com você? Eu não sonho com o dia em que terei que te tocar, eu não quero que meu primeiro herdeiro tenha o seu sangue. Mas eu vou passar por cima das minhas vontades e fazer o que é necessário.

Harry olhou para Snape e sentiu suas bochechas corarem. O professor não disse mais nada, apenas saiu esbarrando no ombro de Harry deixando-o sozinho com seus próprios pensamentos. De certa forma saber que Snape não queria aquilo o confortou, não era somente ele que faria uma coisa forçada.

O menino esperou alguns segundos onde respirou fundo algumas vezes e saiu da sala entrando no gabinete onde todos o esperavam. Ele olhou uma última vez para Snape, que estava a um canto olhando para fora, e se virou para o diretor.

- Eu faço.

- Certo. – Suspirou Dumbledore sentindo outro peso abandonar suas costas. – Então daremos continuidade no processo. Harry, quero que conheça o senhor RodolfhusClain, ele é do Ministério da Magia e um grande amigo meu. – Disse Dumbledore indicando o homem desconhecido. O senhor Clain se aproximou e apertou a mão de Harry. – Ele será o responsável por oficializar o casamento dentro das leis bruxas. Claro que tudo será escondido e o Ministério jamais terá conhecimento desse fato. Eu chamei Minerva para ser testemunha juntamente comigo, Madame Pomfrey está aqui, pois será ela quem vai cuidar do seu filho durante a gestação e seus amigos vieram para poder lhe fazer companhia, afinal amigos devem estar conosco em todos os momentos. A senhorita Granger em especial irá lhe passar algumas informações adicionais.

Harry olhou para trás e viu Hermione concentrada em ler um documento. Não queria saber o que era, mas tinha a impressão de que logo logo saberia.

- Harry, Severus. – Chamou Dumbledore. – Se aproximem.

Os dois se adiantaram e ficaram parados na frente da mesa do diretor. Snape era bem mais alto que Harry e isso era visível, Harry não queria pensar nesse tipo de coisa.

- Senhor Clain. – Chamou Dumbledore levantando-se e ficando ao lado de McGonagall.

- Certo. – Disse o homem ficando onde Dumbledore estava, mas não se atrevendo a sentar na cadeira do diretor. – Por agora iremos fazer a primeira parte do contrato nupcial que é o contrato em si. – O homem tirou um pergaminho da bolsa, postou na frente de Harry e de Snape, bateu com a ponta de sua varinha duas vezes transformando o pergaminho marrom em uma linda folha prateada onde se lia:

Contrato de Casamento

Harry Thiago Potter Severus Prince Snape


Harry sentiu sua mão tremer, estava cada vez mais perto de concretizar aquele casamento. Aquilo o aterrorizava. Mas ele mostraria que não era egoísta e que era corajoso para fazer o que era preciso.

- Antes de assinarem o documento preciso acrescentar quem dará o dote e preciso que estejam cientes dele.

- Dote? – Questionou Harry.

- Às vezes me esqueço que você cresceu no mundo trouxa Harry. – Disse Dumbledore dando um sorriso. – O dote é uma tradição nos casamentos bruxos e nos trouxas também. Mas nas regiões trouxas que tem essa tradição é o pai da noiva quem dá uma quantia ao noivo para concretizar o casamento. No mundo bruxo o dote era dado pelo noivo diretamente para a noiva, após o casamento entre pessoas do mesmo sexo ser aceito foi acordado que quem daria o dote seria o mais velho. No seu caso será Severus.

- Eu não quero o seu dinheiro. – Disse Harry virando-se para Snape.

- Essa não é uma questão de querer e sim de obrigação, senhor Potter.

- Mas...

- Sem mas, apenas siga o contrato.

Harry ia protestar, mas um toque de Hermione em suas costas o indicou que naquele momento seria melhor ficar calado.

- Certo, então assim que assinarem o documento a quantia correspondente será encaminhada para o cofre do senhor Potter. Apenas algumas informações adicionais. O casamento bruxo é um contrato muito importante, uma vez aceito não poderá ser desfeito. Por mais que para o mundo os dois permanecerão com seus sobrenomes, no papel o nome de quem recebe o dote muda e ele passa a ter o último nome de quem pagou o dote. Nesse caso o senhor Potter será Harry Thiago Snape.

Harry mais uma vez abriu a boca para protestar, não queria perder o nome de seu pai, mas Hermione o cutucou novamente. Aquela não era a hora certa para reclamar.

- Se tudo está esclarecido e ninguém tem perguntas a serem feitas, então peço que assinem o contrato.

Harry viu Snape pegar uma pena muito bonita que o senhor Clain lhe deu e se curvou assinando seu nome na linha correspondente. O menino viu uma assinatura muito bonita com uma letra fina e alongada e sentiu vergonha quando assinou seu nome em uma caligrafia feia e garranchada. Quando Harry se afastou e olhou as duas assinaturas não pôde deixar de pensar que a sua parecia muito infantil, pior que isso, ele se lembrou que era uma criança de dezesseis anos casando com um homem de trinta e sete, com certeza Snape tinha experiência na vida em muitos aspectos, inclusive...

Era melhor não pensar naquilo, mas era muito difícil afastar a mente de certas coisas. Harry piscou os olhos e os fixou no homem a frente.

- Pronto. – Disse o senhor Clain guardando o contrato. – O contrato foi selado, mas para que seja magicamente oficializado será necessário ocorrer alguns critérios.

- Se me permite, senhor Clain. – Interrompeu Dumbledore. – Eu já pedi para a senhorita Granger passar todas as informações adicionais, acho que uma amiga é a melhor opção nesse momento.

- Verdade. Nesse caso vejo vocês daqui a duas semanas. Dumbledore.

- Senhor Clain. – Cumprimentou Dumbledore levando o homem até a lareira. – Nos vemos em duas semanas.

- Claro. – O homem jogou o pó de flu na lareira e desapareceu.

Madame Pomfrey e McGonagall foram embora atender alguns alunos doentes e dar as últimas aulas respectivamente.

- Harry, quero lhe agradecer, não sabe como sua colaboração é preciosa. Antes que vá se deitar e descansar sua mente bagunçada, preciso apenas lhe dar alguns últimos avisos. O casamento ocorrerá no dia nove de novembro, no sábado. Será um evento fechado apenas para poucas pessoas, a senhorita Granger passará os maiores detalhes, após o casamento os dois terão um final de semana para desfrutarem juntos. – Snape fez um barulho baixo indicando que dificilmente iriam desfrutar esse final de semana. – Você mudará para os aposentos de Severus, pois precisará estar perto dele para honrar o contrato e por causa da gestação. Claro que continuará tendo acesso a torre da Grifinória, mas após o horário especulado pelas regras da escola, você irá para as masmorras ao invés do seu dormitório.

- Mas senhor, como conseguirei guardar segredo de onde vou?

- Não precisará guardar segredo, poderá dizer que está vivendo nas masmorras, iremos inventar que no final de semana que terão de lua de mel... – Harry sentiu seu estomago revirar.– ...você foi atacado por um grupo de comensais e foi envenenado causando-lhe um dano permanente, por esse motivo você precisa estar perto do mestre de poções da escola, mesmo que Severus seja professor de DCAT ele continua sendo o mestre de poções da escola, ele é o único capaz de fazer o antídoto com rapidez.

- Certo.

- Bom, por hora acho que é só. Podem ir os três, Severus, por favor, sente-se, precisamos conversar.

Harry não olhou para Snape quando saiu, apenas desceu a escada junto com Rony e Hermione. Somente quando estavam bem longe do escritório que Rony conseguiu expressar alguma coisa.

- Cara, como é que você se meteu nessa encrenca?

- Não sei. – Respondeu Harry subindo as escadas e desviando de um fantasma. – Mas não me surpreendo, eu nunca tive um ano de paz após vir para Hogwarts. Esse ano eu só tinha a desconfiança com Malfoy e agora terei um casamento e uma gravidez com um dos homens que mais odeio.

- E você fala assim? Com esse tom despreocupado? – Perguntou Rony. – Isso não está te incomodando?

- Acho que Harry ainda está no meio de um torpor, ele ainda não conseguiu processar tudo.

- Quero ir dormir. – Disse Harry calmamente. – Estou com dor de cabeça.

- Ainda tenho que te passar algumas informações Harry, vamos para seu dormitório, os alunos ainda estão na aula e poderemos conversar.

Os três subiram e só quando Rony fechou a porta e Harry se jogou em sua cama foi que o moreno falou novamente.

- Diga logo Hermione. O que mais vai foder minha vida?

Hermione iria protestar contra o linguajar do amigo, mas Harry recebera uma notícia tão bombástica que a menina achou que ele merecia o direito de xingar.

- Bom, segundo esse relatório que Dumbledore me deu, o casamento será organizado por mim e pela professora McGonagall. A cerimônia ocorrerá na Sala Precisa, você terá que ter um padrinho assim como Snape. Pelo menos isso já está arranjado, Rony será seu padrinho.

- Por quê? – Perguntou Rony sentando em sua cama.

- Porque você é o melhor amigo de Harry. – Disse Hermione dando um ponto final em qualquer reclamação posterior do ruivo.

- Se quiser trocar de lugar comigo fique a vontade. – Disse Harry ainda deitado bagunçando o cabelo.

- Acho que ficarei bonito de padrinho. – Comentou Rony.

- Continuando. – Disse Hermione. – O casamento será realizado pelo senhor Clain. Dumbledore será o padrinho de Snape. Haverá a cerimônia onde um feitiço será usado para a união e depois terá a dança.

- Dança? – Perguntou Harry sentando. – Eu não sei dançar. O baile de inverno foi um desastre.

- Ele terá que dançar com Snape? – Dessa vez Rony abriu um sorriso travesso ao invés de sua expressão de nojo. – Agora eu quero ser seu padrinho, Harry. Eu não perco isso por nada.

- Comparado ao que terei que fazer com ele depois do casamento, uma dança chega a ser convidativa.

- Chegaremos a essa parte. – Disse Hermione. – Dumbledore já lhe explicou sobre os dormitórios. Eu estou incumbida de ver sua lua de mel. Agora vamos para a parte mais chata.

- Queria poder pular isso.

- É, mas infelizmente não pode, então agüenta firma, pois os termos de um casamento não são tão legais. – Disse Hermione. – Antes de começar preciso te perguntar Harry, você tem algum conhecimento sobre sexo?

Harry sentiu as bochechas vermelhas e quentes. Hermione sempre fora muito direta sobre qualquer assunto, mas jamais tocou em um assunto tão intimo. Harry soltou a respiração e tentou responder da melhor forma, suas bochechas ainda queimavam.

- Eu acho que sei, eu fui para as aulas de orientação que Madame Pomfrey deu.

- Sim, mas a aula foi muito teórica, eu quero saber se você tem conhecimento de como é o ato em si e como é o sexo entre homens.

Rony se mexeu desconfortável e Harry afastou o olhar.

- Eu acho que vou esperar na sala comunal. – Disse Rony tentando não olhar para Harry e fazendo cara de quem acabara de comer algo muito ruim.

- Ronald Weasley! – Gritou Hermione ficando em pé. – Seu melhor amigo está passando por um momento difícil, você vai ficar exatamente onde está.

- Deixe-o ir. – Disse Harry finalmente sentindo o torpor o deixar e a raiva o consumir. – É melhor do que ver a cara de nojo que ele faz para mim.

- Harry, eu não estou com nojo de você. – Rony tentava se explicar, o olhar de Harry o incomodava.

- Se está com nojo dessa situação, está com nojo de mim também, porque eu estou bem no meio de toda essa porcaria. Você acha que eu quero isso? Acha?

- Não Harry, eu...

- Pois eu não quero! – Gritou Harry sentindo as lágrimas acumularem em seus olhos. Ele viu Hermione trancar o quarto e colocar um feitiço silenciador. Ótimo, ele precisava gritar. – Eu não pedi, nem desejei isso, mas eu terei que fazer. E VOCÊ está fazendo cara de nojo?

- Harry, você entendeu errado.

- Eu entendi tudo, porque eu também sinto nojo de mim, cada vez que eu penso nisso sinto vontade de vomitar, meu estomago revira sempre que penso que serei comido por um homem. Não será em você que vão entrar, será em mim. Eu que terei que fazer isso após o casamento com Snape e você está com nojo?

Harry sentia que finalmente o que estava entalado saia e o deixava livre daquela angustia, mas isso custou gritos, lágrimas e um abajur quebrado. Finalmente Harry se sentou na beirada da cama e respirou fundo.

- Harry. – Chamou Rony. – Me desculpe, sério, eu não queria te deixar assim. Será difícil para mim, eu imaginava você com alguma menina, nunca passou pela minha cabeça você e Snape, mas eu vou estar ao seu lado sempre e se aquele seboso fizer alguma coisa eu serei o primeiro a arranjar alguém para bater nele.

Não havia como permanecer calado após essa demonstração de “coragem” de Rony. Harry riu e tacou o travesseiro no amigo.

- Continue Hermione. – Ele pediu. – Termina logo com a parte do sexo.

- Aqui diz que será necessário tomar uma poção especial que o próprio Snape irá fazer, essa poção será tomada todos os dias a partir de amanhã, ela ajudará a crescer um útero em você e a te deixar fértil para a fecundação. As tentativas deverão ser feitas a cada dois dias após a lua de mel, quando você já estiver grávido a freqüência pode diminuir para dois dias por semana. Normalmente não é necessário tomar essa medida, pois os casamentos são feitos por pessoas que se gostam, mas quando é feito como o seu, é necessário manter essa meta para que o contrato permaneça. No seu caso, como essa gravidez é diferente, será necessário que jamais se perca esse contato entre você e o Snape, mesmo enquanto estiver grávido, pois é a união dos dois que irá fortalecer o bebê.

- Acho que posso pensar nisso depois, quando já estiver... grávido.

Harry pegou o relatório e leu, tudo que Hermione dissera estava ali, sem tirar nem por. Mas por um momento a mente de Harry viajou para fora de seu dormitório. Será que Snape também recebera um relatório igual a esse? Será que ele também estava lendo os mesmos termos e os achando um absurdo igual Harry? Será que ele também estava revoltado? Será que ele sabia os termos quanto ao sexo? Será que ele já...?

Melhor não pensar nisso.

Harry colocou o relatório ao lado e olhou para os amigos.

- Eu não vou para o jantar, preciso ficar um pouco sozinho.

- Está bem. – Disse Hermione.

Ela e Rony saíram do quarto e Harry se deitou pensando que de manhã ele era apenas Harry Potter, agora era Harry Snape. Algumas vezes ele se perguntava se seria melhor não ser bruxo. Ele adormeceu antes de pensar na resposta.



Notas finais
E ai, gostaram?