A Lenda

25 Enfim, o fim.


Notas iniciais
Como muitos me pediram quero presenteá-los com esse capítulo, espero que gostem..... Beijos.....Feliz Natal

Capítulo 25 – Enfim, o fim.


Arms (Braços)

I never thought that you (Eu nunca pensei que você)

Would be the one to hold my heart (Seria aquele a segurar meu coração)

But you came around (Mas você apareceu)

And you knocked me off the ground from the start (E me tirou do chão desde o começo)

You put your arms around me (Você colocou seus braços ao meu redor)

And I believe that it's easier for you tolet me GO (E eu acreditei que é mais fácil você me soltar)

You put your arms around me and I'm home (Você coloca seus braços ao meu redor e eu estou em casa)



Dumbledore sempre lhe dissera que o amor era perigoso e que quando nos invadia causava a perda de todos os controles e ai não haveria mais regra que o prendesse ao certo. Era perigoso, mas ao mesmo tempo era certo. Certo porque era o que deixava vivo, o que fazia o coração bater nervoso indicando a chama que o aquecia.

Snape sentia essa loucura, esse calor, a pressa e desespero. Se iria perder tudo então que tivesse tudo uma última vez. Não erraria novamente deixando um amor ir embora sem saber a sua verdade, não guardaria mais esse segredo. Lilian se foi sem que pudesse dizer-lhe. Não deixaria Harry ir também.

Apressando os passos na escada que levava as masmorras Snape nem mesmo se importou com os dois sonserinos escondidos no escuro, não queria saber do boquete que Pansy fazia em Blaise, eles que se danassem. Naquela noite Snape se livraria de tudo que o prendia a seu arquétipo, esqueceria das normas, do que é certo e o que é errado. Naquela noite ele responderia somente ao seu instinto e alma, ninguém mais além daquele sentimento seria seu mestre.

Ao adentrar os aposentos Snape retirou a capa negra e a jogou no sofá sem se importar que tivesse caído ao chão. Sem nem mesmo hesitar um segundo abriu a porta do quarto e entrou encontrando o menino dormindo e Dobby ao seu lado velando seu sono.

- Saia. – Disse Snape sem olhar para o elfo que sumiu em um estralar de dedos.

Por um momento Snape ficou só parado na frente do menino observando-o dormir enquanto lutava com as indecisões. Sabia que o certo era ir embora, se esconder e esperar até o dia seguinte onde tudo finalmente terminaria. A raiva que o menino sentiria cobriria toda a tristeza e permitiria que seguisse com sua vida, odiando-o. No entanto se ficasse poderia desfrutar do menino mais um pouco, ver seu sorriso antes que ele se apagasse para sempre.

Ainda inseguro do que fazia Snape retirou seus sapatos e subiu na cama sentando-se ao lado do menino. Harry dormia profundamente devido as poções tomadas e só acordaria algumas horas mais tarde. Tudo bem, pensava Snape, não fugiria mais e se o preço para ter o menino em seus braços era entrar no mais profundo inferno então ele pagaria, entraria de cabeça erguida se fosse necessário. Tudo para sentir o amor dele antes de se tornar ódio.

Quando o sono se dispersou e Harry abriu os olhos encontrou-se novamente naquele quarto sem graça e solitário, mais uma vez estava jogado no divã do tormento. Suspirando pela desgraça que se tornara sua vida tentou se mover para poder ir ao banheiro, mas ao levantar o braço o sentiu pesado. Assustado olhou para o lado e viu a mão de Snape segurando seu braço enquanto o homem dormia estirado ao seu lado. Harry piscou algumas vezes garantindo que aquilo não era uma mera ilusão. Snape realmente estava ao seu lado ressonando lentamente e lhe segurando como se tivesse medo de o perder.

Com receio de acordá-lo Harry apenas o admirou de longe, mas depois de alguns minutos a vontade falou mais alto que a razão e ele esticou a mão tocando levemente nos negros cabelos. Seus dedos tremeram com o medo de que o homem o negasse justamente agora que seu coração explodia com a emoção de mais uma vez estar perto dele. Com cuidado desceu os dedos pela têmpora passando pelo maxilar e parando no queixo. A barba estava por fazer e a pele estava áspera ao seu toque, mas ainda assim era perfeito. Suspirando Harry desceu a mão pelo pescoço e chegou até o peito que subia e descia lentamente. Através da camisa branca era possível sentir a pele fria e por baixo dela se sentia o coração batendo lentamente.

Os dedos jovens apertaram de leve aquele local quando foram tomados pelo súbito entendimento de que estavam tocando em Severus Snape. Harry tomou um susto quando a mão grande e fina de Snape pegou a sua rapidamente o surpreendendo. Os olhos negros estavam abertos e o olhando firmemente, não havia, contudo, uma única gota de raiva, não havia nada, estavam claros e vazios sem qualquer tipo de sentimento. Harry não conseguia decifrá-lo daquela forma, não havia no que se prender para pensar no que iria dizer. Jamais vira Snape tão livre como estava naquele momento enquanto olhava, apenas olhava.

- Me desculpe. – Disse Harry. – Não tive a intenção, eu só queria...queria...

Respondendo mais aos seus sentimentos do que a razão Harry jogou todo o medo para o céu e puxou a nuca de Snape para perto selando seus lábios aos dele. Seria empurrado, expulso daqueles braços, humilhado e rechaçado. Que se foda tudo, o que importava naquele segundo eram os lábios que estavam nos seus, o que aconteceria depois seria deixado para depois, porém Snape não fez o que pensava que faria, ao invés de o empurrar o professor postou suas mãos em seu rosto e o prendeu enquanto sua boca se abria e recebia a língua esfomeada do menino.

A sensação que Snape sentia naquele momento era a mesma sensação de quem viajou por obrigação para um lugar muito distante e ruim, algum lugar que fosse como uma desgraça e tornava a vida uma miséria e que depois de meses voltou para casa, para seu lar. Harry era seu lar, o certo era estar ao lado daquele menino cuja as mãos apertavam-lhe os ombros quase rasgando a camisa.

Ah, como era doce o sabor daquela boca fina. Jamais imaginara que sentiria tanta saudade de beijá-lo avidamente, sorver seu gosto e brincar com sua língua, mas sentira. Cada pedaço de seu corpo, cada centímetro, cada mínimo pelo gritava por Harry, implorava por ele.

- Senti tanto a sua falta Severus. – Disse Harry quando a língua de Snape deixou um rastro em seu pescoço. – Tanta, você nem imagina.

- Imagino sim. – Respondeu Snape mordendo o queixo do menino.

Harry gemeu quando as mãos finas o empurraram de volta para os travesseiros e sua boca foi novamente tomada pela dele em um beijo calmo. Todas as preocupações. Toda a dor e confusão que sentira nesses dias negros que passaram estavam agora enterrados em algum lugar perdido, nada mais importava, ele estava com Severus de novo. Suas mãos passearam pelo cabelo negro matando a saudade daquela textura, colocou o cabelo atrás da orelha dele para sentir sua pele, acariciar sua bochecha com o dedo enquanto se perdia em sensações deliciosas com a boca fina a lhe sugar a língua. Poderia ficar daquela forma o tempo que fosse, a eternidade inteira.

- Que foi? – Perguntou Snape ao ouvir Harry gemer baixinho e fazer careta. – Te machuquei.

- Oh Deus, não. Seus beijos nunca me machucariam. – Respondeu Harry sem deixar de acariciar o rosto do homem. – É que eu preciso ir ao banheiro.

- Então por que não vai?

- Estou com medo. – Disse Harry e logo emendou a resposta aover a clara interrogação nos olhos negros. – Tenho medo de que você não esteja aqui quando eu voltar.

Snape sorriu de leve e mais uma vez beijou os lábios do menino sentindo sua insegurança.

- Então eu vou com você.

Snape saiu da cama e a contornou ficando ao lado de Harry que mantinha os olhos arregalados vendo o homem estender a mão para ajudá-lo. Sentindo sua mão tremer a estendeu e colocou sobre a do homem sentindo-a ser levemente apertada enquanto se levantava.

- Por que está tremendo? – Perguntou Snape levando a pequenina mão até seus lábios e beijando os dedos.

- Porque ainda não acredito que você está aqui comigo.

- Eu estou aqui, com você. – Respondeu Snape plantando um beijo calmo na palma de sua mão. – E nesse momento estou te ajudando a ir fazer xixi.

- Eu não preciso de ajuda. – Disse Harry caminhando para o banheiro. – Mas não saia de perto de mim.

Snape sorriu torto e caminhou atrás de Harry vendo-o soltar o elástico da roupa e se sentar no vaso sanitário para fazer suas necessidades com mais facilidade. Sem dizer uma única palavra se sentou na cadeira ao lado da banheira e ficou observando-o ficar com as bochechas vermelhas.

- Você poderia ficar de costas, por favor? – Pediu o menino. – Eu não consigo fazer com você me olhando.

- Já te vi em situações muito mais constrangedoras.

- Eu sei, mas ainda assim.

Snape bufou, mas se levantou e ficou de costas esperando que o menino terminasse. Assim que terminou Harry se adiantou e postou suas mãos nas costas do homem, Snape se virou e o encontrou com as bochechas vermelhas.

- O que foi agora?

- Eu não consigo abraçar você. A barriga não deixa.

- Não se preocupe com isso, logo logo ela vai nascer.

- É, e ai sim eu te darei muitos abraços Severus Snape, para compensar todo esse tempo em que fiquei longe de você. – Disse Harry sorrindo para o homem, mas logo o sorriso sumiu e deu vazão a uma expressão triste. – Eu nunca faria aquilo com você.

- Eu sei. Agora eu sei, Potter.

- Eu sofri vendo você longe de mim, não me faça sentir isso de novo, por favor. Ficar longe de você é muito ruim.

- Shh, está tudo bem. Eu estou aqui.

- Promete que não vai embora.

Harry viu uma sombra estranha passar atrás dos olhos de Snape preenchendo-o de algo que era indecifrável. O homem hesitou por um momento como se pensasse na resposta.

- Eu prometo.

Snape se adiantou e deu um beijo na cabeça do menino sentindo-o se esforçar para abraçar sua cintura. Snape postou a mão sobre a grande barriga e ouviu Harry suspirar antes de colocar as suas em cima das dele entrelaçando seus dedos.

How many times will you let me (Quantas vezes você vai me deixar)

Change my mind and turn around? (Mudar de idéia e dar meia volta?)

I can't decide if I'll let you save my life (Não consigo decidir se deixo você salvar minha vida)

Or if I'll drown (Ou se me afogo)

I hope that you see right through my walls (Espero que você veja além das minhas barreiras)

I hope that you catch me 'cause I'm already falling (Espero que você me segure, pois já estou caindo)

I'll never let our love get so close (Nunca vou deixar o nosso amor se aproximar tanto)

You put your arms around me and I'm home (Você coloca os seus braços ao meu redor e eu me sinto em casa)



- Que tal um banho? – Perguntou Snape.

- Seria ótimo. – Respondeu Harry. – Vou encher a banheira.

- Não, não vamos tomar banho de banheira. Quero realizar um desejo seu, um que você me pediu meses atrás. Pegue sua capa.

Snape saiu do banheiro do menino e foi até seu quarto, colocou sua habitual veste negra e voltou encontrando Harry na soleira da porta com a capa pendurada no braço aguardando com expectativa no olhar.

- Vamos.

Harry colocou a capa nos ombros e viu Snape abrindo a porta e a segurando para que passasse, assim que passou o homem trancou seus aposentos e passou a sua frente mostrando o caminho por onde iriam. Snape andava devagar e Harry teve que o empurrar levemente dizendo que não estava tão pesado assim e que não era preciso andar como uma lesma. Snape bufou e andou rápido pelos corredores das masmorras indo em direção a saída. Por sorte não havia alunos dentro do castelo, porém o jardim estava repleto deles, todos sentados nagrama verde aproveitando o dia de calor. Os raios de sol estavam ainda tímidos atrás de algumas nuvens, mas algumas vezes se atreviam a aparecer. Harry invejou os casais que podiam curti-los agarradinhos. Snape apressou os passos e rumou para a orla da floresta, Harry o seguiu até quando não era mais possível ver o castelo.

- Pode tirar a capa. – Disse Snape parando.

- Onde vamos? – Perguntou Harry ao tirar a capa e entregar ao homem que a dobrou e guardou no bolso do casaco.

- É uma surpresa.

- Você não gosta de surpresas.

- Hoje eu gosto.

- Hoje?

- Sim, hoje. E é melhor irmos.

Sem dizer nada Snape pegou na mão de Harry e entrelaçou seus dedos antes de continuar caminhando e o guiando para dentro da floresta. Pelo que percebera estavam indo para oeste onde ficava a parte de trás do castelo. As árvores começaram a ficar mais apertadas e o ar estava rarefeito. Tudo era sombrio, mas como a mão de Snape estava segurando firmemente a sua, o medo que na certa o assolaria se entrasse ali em qualquer outro dia não se fizera presente, somente uma ansiedade tremenda.

- Feche os olhos. – Pediu Snape parando. – Confie em mim.

- Eu confio.

Harry fechou os olhos e sentiu os lábios finos nos seus roubando um beijo doce antes do homem se postar atrás de si e o empurrar levemente pelos ombros fazendo-o caminhar reto até que seus pés deixassem de tocar o caminho de terra com raízes de árvores e tocasse em uma grama macia. Devagar Snape o parou e enlaçou seus ombros mordendo seu lóbulo antes de sussurrar-lhe.

- Abra seus olhos.

Ao abrir os olhos Harry achou estar no paraíso, jamais havia visto algo tão bonito como aquilo. O sol não estava tímido ali, pelo contrário, parecia querer que seus raios caíssem exatamente naquele pedaço da floresta que continha uma grama verde oliva e flores silvestres espalhadas nos cantos ao redor das grandes pedras que enfeitavam a cachoeira. O rio era calmo com algumas pequenas marolas dos peixes que ali viviam. O céu azul banhava o local com seu esplendor. Se fechasse os olhos novamente poderia ouvir o canto dos pássaros ali perto, nas árvores ao redor. Era divino.

- Que lugar é esse?

- É uma das cachoeiras que existem na floresta. Há algumas, os alunos não sabem da existência delas.

- Como você sabe desse lugar.

- Alguém me trouxe aqui quando eu era criança. Venho aqui quando preciso...pensar.

- É lindo.

Snape se aproximou do menino e segurou-lhe o rosto olhando o sorriso aberto que estava em seus lábios. Fechou os olhos por um momento gravando aquela imagem em sua memória para revivê-la quando tudo fosse demais para si, para se lembrar do motivo de fazer o que fazia e o que faria. Sentiu uma mão acariciar-lhe o rosto e não pode evitar inclinar a cabeça ao encontro dos dedos carinhosos que desenhavam seus traços e o puxavam para mais perto, para mais um beijo.

- Eu disse que iríamos tomar um banho. – Disse Snape se afastando.

Harry viu o homem tirar a grande capa negra e a colocar estendida no chão, depois o sobretudo e a camisa foram colocados no chão. Sem tirar seus negros olhos do menino Snape retirou os sapatos e a calça, quando retirou a cueca e se mostrou completamente nu na frente de Harry ouviu nitidamente o suspiro do menino. Snape se aproximou e desabotoou a camisa dele jogando-a no chão. Se ajoelhou e retirou os sapatos antes de retirar a calça e cueca do menino. Antes de se levantar levou os lábios até a perna de Harry e a beijou subindo para suas coxas, passando em sua virilha causando um gemido involuntário e subindo até a barriga grande. Beijou cada lugar daquela barriga sentindo Harry tremer, quando se levantou viu lágrimas saindo dos olhos verdes e um sorriso sincero nos lábios vermelhos.

Sem dizer nada pegou a mão do menino e o puxou em direção ao rio. A água estava morna devido o sol que batia constantemente nas pedras deixando-as aquecidas. Harry soltou algumas exclamações quando os peixes roçaram suas pernas fazendo Snape sorrir ao ver se sorriso mais uma vez.

- Sabe mergulhar?

- Sei.

- Então prenda sua respiração.

Snape e Harry respiraram fundo e mergulharam. A água era clara possibilitando que ficassem com os olhos abertos e se vissem rodeados de peixes coloridos nadando perto sem nem ao menos se importar com eles. Snape segurava a mão de Harry e o fazia nadar cada vez mais longe indo em direção a cachoeira. Quando voltaram para a superfície Harry percebeu que estavam atrás da cascata e que ali havia uma caverna com estalactites lindas que refletiam nas paredes fazendo tudo brilhar como diversos diamantes.

Sorrindo de leve Snape mergulhou novamente e o puxou fazendo-o nadar de novo, dessa vez Snape o abraçou por trás e virou sua cabeça beijando-o levemente nos lábios. Foi o beijo mais mágico que Harry já dera, embaixo d’água e com um cardume completo de lindos peixes nadando em volta como uma platéia de seu amor. As mãos de Snape postaram em sua barriga antes de subirem para a superfície.

- Vamos fazer de novo. – Pediu Harry rindo.

- Vamos, mas depois. Agora eu quero você. – Disse Snape mordendo o pescoço do menino.

Harry sentiu todas as suas forças se esvaírem quando a língua de Snape traçou uma linha pelo pescoço até seu ombro enquanto sua mão descia pelas suas costelas e postavam-se em seu quadril. Sentindo-se atrevido Harry pegou a mão de Snape e a levou até seu membro semi-ereto.

- Calma.

- É saudade.

- Eu também estou com saudades de seu corpo, Potter. – Disse Snape apertando a mão no membro do menino e o fazendo ofegar.

- Então me foda, Severus, como nunca antes.

- Jamais gostei tanto de suas palavras malcriadas.

Snape segurou o menino pelo quadril e o preparou cuidadosamente antes de o invadir com seu pênis intumescido. Harry quase perdeu os sentidos quando se sentiu preenchido. Estava em casa finalmente.

Quando abriu os olhos encontrou Snape apoiado sobre os cotovelos e o observando cuidadosamente, estava pensando em algo importante devido sua concentração.

- Quanto tempo dormi?

- Alguns minutos apenas.

- Que bom, não quero perder nem um único momento com você. Me abraça.

Snape não deixou de obedecer a ordem e se deitou abraçando os ombros do menino entrelaçando suas pernas.

- Gostou? – Perguntou Snape.

- Claro que gostei, foi a melhor transa que já tivemos, jamais esquecerei.

- Que bom. – Disse o homem pegando sua varinha na capa onde estavam deitados e a agitando. Borboletas saíram das flores em volta e pássaros voaram no alto céu azul cantando. As flores se balançaram conforme as borboletas voavam acima dos dois homens nus e abraçados.

- É lindo.

- É para você.

Harry olhou-o e viu seus olhos tristes o observarem, havia ali todo o entendimento, toda a entrega de uma vida. Snape estava lhe entregando tudo o que podia lhe dar, era a sua verdade.

- Por quê?

- Porque eu quero que se lembre desse dia, sempre.

- Nunca irei me esquecer desse dia, Severus.

O beijo dado embaixo da dança das borboletas era o mais puro que Snape daria, talvez o último, era o mais triste.

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Ao voltar para o castelo Snape pediu o almoço no quarto, Dobby o entregou rapidamente e saiu. Harry não parava de sorrir enquanto Snape lhe dava garfadas de comida de seu próprio prato. Harry se sentia mais do que feliz, ele estava inteiro. Severus estava com ele, o amou em um campo aberto no meio da floresta, se entregou completamente dentro de um delicioso rio e agora acariciava sua barriga com carinho enquanto pensava.

- Anda muito pensativo. Está acontecendo alguma coisa?

- Não, só as mesmas coisas de sempre. Alunos chatos com que tenho que lidar.

- Bobo.

Harry se inclinou e beijou o homem com devoção.

- Vou sair um pouco, preciso ir a um lugar.

Harry não gostou do tom com que o homem falara aquilo, parecia que ele jamais voltaria para casa.

- Quando você volta?

- Logo. — Snape nada mais disse apenas se dirigiu ao guarda roupas e pegou sua capa de viagem. – Me acompanha até a porta. – Pediu estendendo a mão.

Harry estranhou completamente esse pedido, jamais Snape o pedira algo assim, era independente demais para isso, mas jamais negaria algo para aquele homem, sendo assim ele segurou a mão de Snape e o acompanhou até a porta sentindo pela primeira vez naquele dia que algo estava errado.

- Sorri para mim, uma última vez.

- Não será a última vez que sorrirei para você. – Disse o menino abrindo o sorriso que Snape tanto amava. – Sorrirei todos os dias, até o fim da minha vida.

Snape olhou uma última vez para aquele rosto angelical e sentiu uma dor indescritível em seu peito. Jamais veria aquele sorriso mais uma vez, ou aquele olhar brilhando para si, muito menos ouviria aquelas palavras doces saírem de seus lábios de mel. Era o último momento junto com Harry, ali na soleira da porta de seus aposentos. Quando seus lábios se juntaram aos dele foi para dar o ultimo beijo, aquele da despedida, do nunca mais nos veremos, o beijo do adeus.

Harry sentiu dentro de si muito mais do que em seu rosto a lágrima singela que caiu dos olhos negros enquanto o beijava. Snape chorava antes de ir embora. O menino não conseguiu processar o término do beijo, só se deixou levar pelo torpor da realidade quando os mesmos lábios finos que se desgrudara dos seus se aproximou de novo e sussurrou em seu ouvido com desespero.

- Eu te amo, Harry.

E então ele se foi.


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Dumbledore olhava pela janela o jardim de seu castelo sempre verde e convidativo, o lago negro estava tranqüilo sem nem mesmo uma única marola feita pela lula gigante, a floresta estava tão negra quanto seu nome com os animais perigosos andando junto com os inocentes como os unicórnios que eram tão bem cuidados por Hagrid. Uma batida na porta o retirou de seus devaneios, mandou a pessoa entrar e viu com olhos tristes um homem derrotado pelo amor adentrar ao seu escritório.

- Severus, pensei que não o veria hoje, achei que iria ficar longe até a hora.

- Mudei de idéia.

- Vejo que seguiu meu conselho.

- E como sempre fiquei pior.

- Dar chance ao amor não é ficar pior.

- Que seja, não vim aqui para ouvir suas baboseiras, vim para lhe pedir um favor. Quero que entregue essa poção para Potter e diga que é essencial que ele dê para a menina beber assim que ela nascer. Eu daria, mas ele não irá acreditar que é para o bem dela.

Dumbledore olhou para o frasco que Snape estendia e seus olhos arregalaram com o conteúdo.

- Você fez a Ligatis Invisibilis Sanguis. – Disse maravilhado. – Pensei que essa poção fosse um mito.

- Pode perceber que não é.

- Uma poção capaz de esconder a ligação de sangue entre parentes primários sem de fato retirar a ligação, algo tão poderoso que foi escondido por civilizações muito antigas. Os pergaminhos devem ter mais de dois mil anos.

- Foram escritos antes de Cristo, na época dos egípcios. Foi escondido quando o filho do faraó fugiu com uma empregada do palácio e tomou a poção impedindo que o encontrassem. Uma busca se iniciou e com ela houve uma chacina, mataram todas as crianças que se pareciam com o herdeiro do trono e somente quando descobriram que o menino já estava longe demais foi que perceberam a quantidade de mortes ocorridas. Os sacerdotes esconderam os pergaminhos. Eu os encontrei na biblioteca da Itália.

- Tem certeza que deseja que ela tome essa poção.

- Sim, ela precisará de proteção, essa é a que posso dar à ela. Entregue ao menino.

- Sim, eu entregarei.

- Obrigado, tenho que sair. Voltarei assim que sentir o chamado.

- Tudo bem, obrigado Severus.

Snape assentiu com a cabeça e saiu rapidamente do escritório do diretor indo diretamente para os portões do castelo. Quando passou pelos limites dos feitiços concentrou-se no destino. Godric’s Hollows.


***********************

Harry passou as horas seguintes no limite entre o sonho e o medo. Sonhava relembrando os lindos momentos que tivera com o homem naquele lugar maravilhoso e escondido, mas tinha medo da frase dita na soleira da porta, medo do que ela significava. Era muito mais do que uma confissão, parecia uma despedida. Mas Severus prometera ficar sempre ao seu lado, não poderia ir embora agora, tinha que ficar ao seu lado amando-o como prometera.

- Harry! – Gritou Hermione ao entrar na sala comunal da Grifinória. – Você está com uma cara bem melhor. Que bom.

- É, eu e Severus nos reconciliamos.

- Acho que isso é bom, cara. – Disse Rony dando espaço para que o menino se sentasse.

Harry nem ao menos teve tempo de contar como foi sua reconciliação, Gina apareceu na sala e lhe estendeu um bilhete saindo sem lhe dizer nada.

- O que é isso? – Perguntou Rony.

- É de Dumbledore. Ele quer me ver, agora.

Não foi preciso os amigos mandarem ele ir, Harry já estava fora da sala comunal assim que terminara de falar. A caminho do escritório do diretor esbarrou com a professora Trelawney, descobrira que Malfoy conseguira finalmente terminar alguma coisa que estava fazendo e que Snape era o garçom no Cabeça de Javali quando a profecia fora dita.

- Era ele! – Quase gritou ao entrar no escritório do diretor. – Era Severus, foi ele quem disse a Voldemort sobre minha mãe. Ele a matou?

- Harry se acalme.

- Como quer que eu me acalme? O meu marido, pai da minha filha foi o causador da morte da minha mãe. Como pode me pedir calma?

- Peço calma porque agora não é o momento de se pensar e nem conversar com ninguém sobre isso.

- E quanto a Malfoy?

- Chega. Temos coisas a fazer nesse momento, Harry. Quero sua ajuda.

Harry se calou, mas a raiva e duvida revirava dentro de si só esperando a hora de sair.

*************************


Snape caminhou lentamente pelas ruas daquela cidade, seus pés moviam-se sozinhos enquanto sua mente estava distante dali, estava em Hogwarts e no menino que a essa hora já devia ter saído com Dumbledore para fazer algo que o diretor não estava confortável para lhe contar. Tudo bem, no entanto que cuidasse de Harry e da menina. Suspirando empurrou o enferrujado portão e entrou no recinto silencioso. Não havia ali um único ser vivo para lhe atrapalhar, estava completamente sozinho com ela. Caminhou lentamente em sua direção e ao chegar diante de si ajoelhou-se olhando para o nome cravado na lápide de pedra. Lilian Potter.

- Me desculpe, Lily. Eu não poderei cumprir com minha promessa, não estarei do lado dele. Talvez não consiga protegê-lo como disse. Eu falhei e falharei novamente. Mas eu o amei, eu o amo, espero que isso sirva.

Com carinho beijou a flor branca em sua mão e a colocou embaixo do nome da mulher. Fechou os olhos e novamente se desculpou antes de se levantar e respirar lentamente esperando o chamado que veio alguns minutos depois através de uma dor em seu braço esquerdo.


Harry voltou correndo para seus aposentos e de lá para a sala comunal, entregou o mapa do maroto e a poção Felix Felicis para os amigos fazendo-os prometer tomar a poção aquela noite, pois algo iria acontecer. Após os planos de vigília serem postos em prática Harry rumou para o escritório do diretor e se preparou para sair em busca de uma Horcrux, em busca de um pedaço da alma de Voldemort. Ele só não sabia que essa saída o traria de volta para um inferno.


The world is coming down on me (O mundo está desmoronando sobre mim)

And I can't find a reason to beloved (E não consigo encontrar motivo para ser amado)

I never wanna leave you (Eu nunca vou querer te deixar)

But I can't make you bleed if I'm alone (Mas não posso fazer você sangrar se eu estiver sozinho)

I try my Best to never let you in (Eu faço de tudo para nunca deixar você entrar)

To see the truth (Para ver a verdade)

And I've never opened up (Eu nunca me abri)

I've never truly loved till you (Eu nunca amei de verdade até você)



Dumbledore estava fraco e seu próprio corpo estava dolorido. Seus olhos ainda se lembravam da experiência de quase morte que ambos tiveram, Dumbledore ao beber a poção e ele ao ser puxado para o lago com aqueles inferes o arrastando cada vez mais para baixo, lembrava-se de que naquele momento a única coisa que era importante era a imagem de Snape chorando e a frase dita em seu ouvido.

“Eu te amo, Harry”

Mas agora ele estava vivo, graças a Dumbledore que voava ao seu lado em direção a torre de astronomia com a marca negra no alto. O coração de Harry apertou, como será que estariam Hermione, Rony, Luna, Neville, Gina e principalmente Severus. O medo estava naquele momento encoberto por umasede de proteção. Queria chegar logo ao castelo para poder saber do paradeiro de todos eles e protegê-los de qualquer mal que estivesse lá.

Assim que pousaram Harry soube que algo estava muito errado. A marca sempre fora colocada sobre um local onde tivesse alguém morto pelos comensais, mas não havia ninguém ali, exceto...

- Expeliarmus.

Tudo foi muito rápido, Harry se viu preso ao chão e embaixo de sua capa enquanto Draco Malfoy apontava a varinha para Dumbledore. O desespero tomou conta de Harry por não conseguir se mexer. Queria muito poder ajudar o diretor, mas somente seus olhos conseguiam ir de um lado ao outro. A única coisa que poderia fazer então era rezar para que Dumbledore conseguisse fazer Draco desistir de sua missão e ele estava conseguindo, viu com alivio o menino loiro, desesperado pelo medo, abaixar aos poucos a varinha, mas quando a porta da torre se abriu ele a levantou de novo, pois por ali passaram os comensais da morte e Belatriz Lestrange.

- Vamos Draco, faça o que deve fazer.

Dumbledore não aparentava ter medo dos comensais, mesmo estando em tal desvantagem. Ele brincava com os homens e mulheres de alma negra. Conversava como se ainda fossem os antigos alunos que estiveram sobre sua proteção. Harry queria bater nele por isso.

- Faça, Draco.

- Não!

Aquela voz grossa reverberou pelos ouvidos de Harry causando-lhe um arrepio e fazendo-o tremer mesmo estando paralisado. Snape andou devagar pelo chão de pedra e parou diante do diretor. Seus olhos estavam tão negros quanto as almas dos comensais a sua volta, havia mais luz em Belatriz do que no olhar daquele homem. O ódio era tocante e medonho. Harry teria se encolhido de medo se pudesse, mas não podia, ele tinha que ficar ali, parado, escondido embaixo da capa de invisibilidade de seu pai, apenas olhando e esperando pelo momento em que Snape ajudaria Dumbledore como deveria fazer. Seu coração bateu mais forte quando ouviu a voz fraca do diretor suplicando ao homem a sua frente.

- Severus, por favor.

Snape hesitou por apenas um milésimo de segundo antes de erguer a varinha e recitar o feitiço que acabaria para sempre com a vida do homem que acreditou em si e com sua própria.

- Avada Kedavra.

Notas finais
É o seguinte, eu já escrevi o próximo capítulo..... já tenho o nome da menina..... hahahahahaha..... mas só postarei depois do ano novo e para isso quero muito reviews.... noss que chantagista eu neh..... bjusssss