A Lenda

21 Arco 5 As 12 casas/ Ino-Shika-Chou


Notas iniciais
Desculpem a demora para trazer esse capitulo, mas tive varios problemas pessoais e com meu pc. Sinto muito pela demora. Aos leitores fieis que me acompanham a tanto tempo. Obrigado. Bom capitulo.

O mestre das sombras suspira

O Príncipe Mecânico sorri

A partida está em um impasse

A Plateia Vaia

A Plateia Vibra

As sombras dançam

As máquinas rugem

E tudo que resta e o fim de jogo.

SHIKAMARU

Por que existem lutas?

Por que devo lutar?

Não seria mais fácil simplesmente ter ficado em casa tirando um cochilo?

Não. Claro que não.

A vida de um Shinobi dificilmente é fácil, e certamente não existem Shinobis sem lutas, então por que diabos fui me meter nesse tipo de vida?

Estes são os questionamentos que me atormentam todas as vezes que encosto minha cabeça ao travesseiro, nem sabendo se um dia encontrarei tais respostas.

Suspirei pesado enquanto observava criticamente o enorme ferro velho que se estendia infinitamente diante de mim.

Gigantescas torres de dejetos metálicos subiam a alturas formidáveis mantendo de alguma forma seu equilíbrio. Havia dos mais variados objetos nas pilhas: Espadas, Lanças, Kunais, Clavas, Kusarigamas entre outros tipos de armas. Algumas eu jamais havia visto antes, pareciam atemporais... A maioria das armas apresentava sinais claros de ferrugem tomando conta, porém havia armas esplendidas ali e algumas eram tão novas que pareciam ter sido deixadas recentemente. Mas não havia apenas armas, havia armaduras, placas de metal, jóias, carroças metálicas com rodas de borracha e outra infinidade de objetos que levariam muito tempo para listar.

Todo esse conjunto de lixo metálico formava um intricado labirinto opressor. Apenas de olhar para aquele lugar eu sentia um arrepio percorrer minha coluna em um prenúncio de mau agouro. Me virei para trás vendo tristemente que a porta que eu havia vindo tinha desaparecido por completo, meus companheiros haviam seguido em frente por uma escadaria ao lado da porta, porta essa que continha meu nome escrito.

“Eis meu desafio.” Sussurrei ao vento. “Um caminho para a liberdade.”

A questão que pairava era onde estava meu oponente? A resposta era óbvia. Escondido em algum lugar do Labirinto me esperando para uma armadilha. Duzentas possibilidades passavam por minha mente, nenhuma realmente boa ou viável naquele momento. Só me restava avançar para dentro do labirinto. Querendo ou não, era parte do desafio. Eu podia sentir isso. Mas não iria avançar cegamente por aquele lugar, havia algo simples que eu podia fazer para ao menos minimizar os riscos....

Iniciei a lenta caminhada para dentro do labirinto.

O chão estava lamacento e escorregadio, tomei nota disso e prossegui minha marcha lentamente. Não demorou para as minhas sandálias Ninjas ficarem sujas, suspirei desanimado e segui em frente. As paredes de sucata me cercavam de ambos os lados, o ar parecia mais pesado ali, como se estivesse repleto de toxinas. Observei o céu a procura de uma bela nuvem, mas tudo que encontrei foi tom um cinza depressivo. Parecia que a fumaça tomava conta de todo o céu, ocultando totalmente o sol.

“Minhas sombras....”

Com tudo o que tinha visto ali eu já podia montar um padrão de comportamento. Ao que parecia cada Arena visava usar nossas fraquezas contra nós mesmos. O que significava que meu oponente seria, na melhor das hipóteses, alguém com vantagens sobre mim. E a arena visa ajudá-lo e me prejudicar. O mesmo deve estar acontecendo com os outros nesse instante.

Tão problemático...

As paredes pareciam começar a ficar mais estreitas conforme eu avançava, o ar ficava mais pesado, assim como a sensação que a emboscada estava se aproximando. Tal sentimento me trouxe certo conforto, aguardar o movimento de seu adversário era a pior parte nesse jogo. Uma vez que ele tivesse feito sua jogada eu estaria livre para analisar e fazer a minha jogada e essa era sem dúvidas a melhor parte. Porém a espera era irritante e frustrante, eu criava todos os cenários catastróficos possíveis, assim evitava surpresas desagradáveis.

O corredor começava a ficar ainda mais estreito, suas paredes mais e mais próximas. Eu não diria que era claustrofóbico, mas aquilo já estava se tornando desconfortável. Ansiava por um lugar aberto. Acelerei meus passos numa meia corrida mesmo sabendo que isso poderia vir a ser fatal. A sensação de perigo gradativamente aumentava e um breve sorriso de expectativa se formou em meus lábios.

Tal corredor terminava em uma colossal arena circular. Os dejetos metálicos subiam a alturas formidáveis ali, porém possuía um padrão quase artístico diferente do que eu havia encontrado até então. Observando friamente, podia ver os assentos para o público entalhados discretamente em meio a pilha metálica. Contudo o mais assustador eram que quanto mais eu observava, mais detalhes eu conseguia absorver. No que antes não passava de uma clareira cercada de metal agora era claramente uma arena, minha arena. Centenas do que pareciam ser seres de metal em formas humanoides se esgueiravam cada vez mais para os assentos, fazendo ruídos baixos e irritantes. Toda essa confusão de sons lembrava estranhamente o som de uma máquina, uma grande máquina.

“Uma plateia. ” Sussurrei desanimado. “ Tudo que faltava mesmo.”

Padrão de comportamento identificado: meu oponente gostava de teatralidades.

Isso de certa forma era bom para mim: tendo esse tipo de comportamento, uma emboscada era totalmente fora de cogitação, meu oponente iria me enfrentar cara a cara e fazer toda nossa luta ser apenas um espetáculo para seus súditos metálicos. Tudo que me restava era aguardar e esperar a peça começar.

Do lado oposto ao que eu havia entrando, vindo de um corredor igual ao meu, surgiu o oponente. Caminhando a passos lentos e calculados, ele avançava com imponência e elegância e os súditos de metal gritaram em êxtase ovacionando seu líder.

Ele é uma daquelas coisas.

Vestindo um longo manto negro com um capuz cobrindo o topo de sua cabeça, o ser metálico avançou até parar diante de mim em uma distância relativamente segura. Como eu havia observado ele realmente era um daqueles seres de metal.

A única parte visível de seu corpo era o rosto. Totalmente de metal prateado, a coisa possuía um terrível sorriso congelado, enquanto dois orbes tão vermelhos quanto sangue me fitavam malignamente.

"Shikamaru Nara." Rosnou o ser de metal diante de mim. A voz dele era pesada e arranhada. "Sou Mashin, Guardião Do Terceiro Portão e Senhor da Arena de Ferro. Serei seu adversário, então, quais suas últimas palavras humano?"

Posso ir embora? Foi o pensamento que me ocorreu naquele instante. Porém, era óbvio que isso não era uma opção, então simplesmente dei de ombros e fiquei em silêncio. Os orbes vermelhos dele me fitaram com uma fúria pura e insana. Suspeitava que era por eu não ter seguido o script que ele queria.

Saltei para trás aumentando nossa distância e deixei minha mente afundar em um mar de tranquilidade. Uma estranha, porém, ao mesmo tempo familiar, frieza tomou conta de mim enquanto eu deixava minha mente se focar em tudo ao meu redor. O Jogo havia começado.

Juntei minhas mãos e fiz o selo caraterístico de meu jutsu e deixei meu chakra fluir.

“Ninpou — Kage Mane No Jutsu (Arte Ninja — Técnica de Imitação das Sombras) ” Bradei com tranquilidade.

Minha sombra se alongou e disparou em direção a Mashin, o homem de metal não perdeu tempo e correu para esquerda, minha sombra mudou de direção seguindo ele. Mastim saltou e pegando impulso nas paredes da Arena de metal avançou em minha direção em alta velocidade. Desfiz meu jutsu e rolei rapidamente para meu lado direito desviando dele. Sem perder tempo saquei duas de minhas Kunais e fiz um X com elas, o golpe da Lamina dele me arrastou alguns centímetros para trás, mas pude resistir. Saltei para trás e arremessei uma das Kunais em direção ao topo da cabeça dele que se inclinou para o lado desviando de meu projétil. Assim que coloquei meus pés no chão, Mashin já estava em cima de mim, sua lâmina prateada avançando rapidamente na direção do meu peito. Senti ela o atravessar com facilidade saindo pelas costas, gosto de sangue inundou minha boca por um momento, antes de meu corpo explodir em uma nuvem de fumaça.

Saltei nas costas dele com minha Kunai banhada em chakra e desci meu golpe na direção da cabeça dele, ele se virou rapidamente e deu um passo para trás. A Kunai deslizou de leve pela pele metálica dele abrindo uma pequena fenda. A Torcida vibrava. O Braço do homem de metal disparou novamente em minha direção visando me empalar, era hora de minha jogada surpresa.

“Ninpou — Kage Kyasshu (Esconderijo de Sombras).” Falei com calma.

Antes que ele atingisse meu clone, saltei da sombra do mesmo e desviei o curso da lamina para o lado, sem perder tempo pisei na sombra do Homem Maquina. A lamina desceu em direção ao topo de minha cabeça e subitamente parou.

“Kage Mane No Jutsu completo. “ Falei tranquilamente.

Joguei meu braço direito para trás sendo imitado por Mashin, tal movimento afastou a lamina afiada de perto de minha cabeça. Saltei para trás aumentando nossa distância, nossas sombras agora conectadas. Meu clone observava impassível a cena, esperando o próximo movimento. Fora correto minha ideia de ter criado dois clones antes de entrar na Arena e ter me escondido na sombra de um deles. Meu clone se aproximou de Mashin lentamente, eu podia sentir o Homem Maquina fazendo resistência a minha técnica, mas eu tinha que manter apenas mais um pouco. Meu clone parou diante de Mashin e sacou duas Kunais com tarjas explosivas e cravou no peito dele. A explosão que cercou ambos, silenciou a torcida mecânica e o silêncio deles foi bem-vindo. Tudo que eu queria era acabar com isso e tirar uma boa soneca, mas não seria tão fácil assim não é? Nunca era.

Mashin estava curvado com seu rosto metálico voltado para baixo. Um de seus joelhos tocava o chão lamacento. O Manto negro que cobria seu corpo anteriormente havia se reduzido a meros farrapos devido à explosão, assim como o rosto dele. Todo o restante de seu corpo era revestido de metal prateado, não havia ondulações ou relevos a pele prateada era totalmente lisa e uniforme. Observei com atenção uma breve luz vermelha pulsar no centro do peito dele por um segundo antes de desaparecer.

Curioso.

“Como ousa?” A voz áspera e metálica dele rosnou. ”Como ousa?”

O ar pareceu vibrar por um momento, enquanto uma pesada sensação opressora crescia espontaneamente.

“Como ousa?” Repetiu Mashin, a voz ressoando furiosa. “Você entra em meu palco...” Um zumbindo baixo e constante começou a surgir, aumentando cada vez mais. “E ousa estragar minha apresentação?” Uma gota de suor escorreu por minha testa. ”Imperdoável... totalmente imperdoável.”

Ele ergueu seu rosto e me encarou com seus terríveis olhos vermelhos, ardendo de ódio como duas enormes fornalhas. Seu horrível sorriso metálico congelado na face. Era uma visão totalmente horripilante.

E agora que ele ataca.

A torcida vibrou.

Mashin voou em minha direção. O punho direito fechado e estendido a frente de seu corpo visando me golpear com tudo.

Minimize os danos.

Eu não conseguiria desviar do ataque, isso para mim era algo claro. Eu não era ágil o suficiente para isso, infelizmente, mas não era por isso que deixaria ele me acertar sem tentar algo. Tudo que eu tinha que fazer era minimizar os danos. E me mover na hora exata.

Inclinei a parte superior do meu corpo levemente para o lado, apenas o suficiente. O soco de Mashin acertou meu ombro com violência o suficiente para tirar meus pés do chão e me arremessar para trás. Meu corpo voou para trás por vários metros até parar ao se chocar contra as paredes de metal da Arena. Senti o ar fugir de meus pulmões devido ao impacto e uma dor lancinante percorrer meu braço direito, do ombro a ponta dos dedos. Ainda bem que eu havia desviado parcialmente, se não certamente teria algumas costelas quebradas agora. Não tinha tempo a perder, ignorei a dor de meu corpo e fiz meu selo caraterístico. Mashin surgiu em minha frente com uma Lamina saindo de seu pulso, seus olhos vermelhos me fitaram com fúria antes dele desferir uma investida violenta contra meu pescoço. Seu corpo parou onde estava, antes que ele pudesse completar seu movimento, o braço estendido e congelado no ar e a lamina a poucos centímetros de mim.

Kage Mane realizado com sucesso.

Mashin me fitava com seus olhos vermelhos ardendo em fúria, suspirei aliviado, essa havia sido por bem pouco.

“Você vai morrer humano nojento.” Rosnou ele.

Raiva.

Comportamento estranho para uma Máquina, a teatralidade também não combinava. Analisando tudo isso eu conseguia chegar a apenas uma conclusão...

“Desculpe.” Falei calmamente. “Por mais tentadora que seja a ideia de dormir eternamente, isso não está nos meus planos atuais.”

Desfiz meu selo e fechei meu punho direito, levei ele lentamente em direção ao meu rosto com uma tranquilidade fria me dominando. O braço estendido de Mashin se voltou para trás imitando o meu movimento, porém a diferença era a Lamina acoplada ao pulso dele. Parei meu punho a uma distância razoável de meu olho direito, Mashin estava com seu próprio braço voltado para trás com o punho com lamina parado a centímetros de seus olho direito.

“Xeque-Mate.”

Encostei meu punho contra o meu rosto sendo imitado por Mashin. A lamina acoplada em seu pulso atravessou com facilidade a cavidade ocular do homem-máquina saindo pela parte de trás da cabeça. A torcida mecânica gritou em agonia, um ruído tão longo e lamentoso que chegou a parecer humano. Afastei rapidamente meu punho do rosto e joguei meu braço pro lado ao mesmo tempo que desfazia minha técnica. O corpo de Mashin caiu para trás atingindo o chão lamacento. A torcida se silenciou, observei atentamente como todos pararam de se mover e congelaram em seus assentos.

Acabou.

Caminhei lentamente na direção do corpo de Mashin sentindo a tranquilidade fria que havia se apossado de mim desaparecer lentamente. Queria confirmar minha suspeita. E a cada passo dado uma estranha certeza se formava em meu ser. Me agachei ao lado do corpo metálico de meu adversário e observei tristemente que o brilho vermelho de sua outra cavidade ocular havia se apagado. Tateei o rosto metálico habilmente a procura dos pontos que sabia que existiam, assim que os encontrei os pressionei com calma e gentilmente retirei a mascará que cobria o rosto do verdadeiro Mashin.

O rosto era magro e pálido. Nem bonito nem feio. Seu olho direito estava totalmente destruído pela lamina que ali havia atravessado, o olho esquerdo era escuro como carvão e estava aberto e congelado em surpresa. O nariz era longo e torto, obviamente quebrado no passado, talvez mais de uma vez. A boca era fina e rosada e um pequeno filete de sangue descia pelo canto dos lábios. Mas não era isso que era o pior. O pior era a juventude dele, ainda mais novo que eu, apenas uma criança que não deveria ter mais de dez anos. Senti lagrimas de raiva descerem por meu rosto e me sentei no chão lamacento. Uma fina chuva começou a cair quase como se fosse um deboche de tudo. Enterrei minhas mãos no chão e travei o maxilar contendo um grito.

Eu havia matado uma mera criança.

“Por favor Naruto, quando encontrar Pegasus acabe com ele lentamente. Faça ele sofrer por estar jogando conosco. Faça ele pagar por tudo isso. Acabe com a vida dele por mim.” Falei mentalmente essas palavras tendo a estranha certeza que elas de alguma forma chegariam a Naruto.

INO

Dança da mulher molhada

Ao vento o galho

Orvalho nas pétalas

Sangue na água.

Primeiro Shikamaru havia sido escolhido.

Agora era minha vez.

Eu quase podia ouvir o barulho de meu coração batendo. Eu estava nervosa, não iria negar. Estava sem Shikamaru e Chouji para me dar ajuda e isso era o mais assustador de tudo, o medo de não saber se conseguiria resolver tudo sozinha, relaxe Ino lembre dos ensinamentos de Asuma e de seu pai. Seja mestre da sua mente.

Respirei de forma lenta, controlando as batidas de meu peito a um ponto aceitável e segui em frente. Após me separar de meus companheiros que continuaram a subir nessa maldita torre, eu havia entrado em uma sala que dava a um belo Jardim, ali havia dos mais variados tipos de flores, um local perfeito para um encontro. Uma Lua minguante brilhava no céu noturno. Mas não me deixei enganar, tudo ali era uma ilusão criada para dar vantagem a nossos adversários além de nos iludir. Parei minha caminhada em um quadrado de gramado onde não havia flores, era uma área espaçosa onde uma fonte de granito jazia. Uma mulher segurando um Jarro de onde fluía água dava um toque artístico a fonte. Aproximei-me da fonte e notei que sob a superfície da água inúmeras pétalas de Sakura boiavam suavemente. Meus instintos apitaram em urgência e recuei surpresa água foi jogada para todos os lados e senti uma fisgada na pele de minha bochecha abrindo um corte raso ali. As pétalas de Sakura flutuavam no ar enquanto a água da fonte circulava artisticamente por entre elas.

E assim, ela apareceu.

Alguém com uma beleza que poderia ser invejada.

Só que não por mim, claro que não.

Os cabelos eram lisos e rosas iguais ao de Sakura, porém em um tom mais escuro, além de serem ondulados nas pontas, criando um volume quase que perfeito para modelar seu rosto. A franja que cobria toda sua testa também parecia que também estava a cumprir esta única função.

Sua pele era clara, e seu nariz era tão fino, que poderia até ser descrito como pontudo, mas bem... Não poderia ser como feio. Seus olhos eram azuis, mas o tom era mais escuro que o meu, como o mar em dias de tempestade. Revoltoso.

Por fim, seus lábios são rosados e carnudos, e seu queixo, fino.

Seus olhos me desafiavam, queriam mostrar que eram superiores a mim. Eram frios, era como se tivessem certeza do que eram capazes. Para alguns, os de mentes mais despreparadas, poderiam sozinhos ser o motivo de fuga, ou de paralisia.

Eles não eram olhos de amadores. Eram olhos de assassina.

Ela usava um vestido preto com saia em forma de sino, anáguas brancas, colarinho aristocrático branco com uma fivela, passando abaixo do símbolo ômega, afivelada ao espartilho preso ao avental marrom com os símbolos astrológicos de Mercúrio e Saturno; luvas negras cobrindo todo o seu braço várias fivelas marrons nelas. Uma roupa sem dúvidas luxuosa que caia perfeitamente no corpo esbelto dela.

Passei a ponta do dedo no rosto e senti o sangue fluindo pela bochecha, não era profundo e não seria de nenhum incomodo para a luta que me esperava, mas era irritante saber que essa Vadia de cabelo Rosa havia conseguido me ferir com tamanha facilidade.

“Meu nome é Ayame.” Falou ela com serenidade, a voz calma e controlada e, sem dúvidas, sedutora. “Bem vinda, intrusa, ao meu Jardim.” Um sorriso de escarnio surgiu nos lábios dela antes da mesma executar uma reverência claramente debochada. “Como se chama?”

“Ino Yamanaka de Konoha.” Falei com toda a tranquilidade que consegui reunir, rezando a Kami que minha voz não aparentasse medo naquele momento.

“Prazer Ino Yamanaka de Konoha.” Falou ela de forma polida e educada. “É realmente um prazer conhece-la. “ A forma educada que ela falava de certa forma me arrepiava, era um tom tão obviamente falso e venenoso que fazia todos meus sentidos apitarem em alerta.

Ayame sorriu novamente, um sorriso astuto. De alguém que sabia o que estava acontecendo comigo. Franzi a testa em concentração, não podia deixar ela me dominar dessa forma, precisava manter o foco e estudá-la exatamente como Shikamaru faria. Observei a fonte de onde ela havia surgido, de alguma forma na hora em que ela surgiu algo afiado havia me atingido. Tudo havia sido rápido demais para eu pudesse ver, mas minha intuição dizia que as coisas estavam conectadas. Talvez a melhor tática fosse recuar e atrair ela para uma emboscada na área das flores que eu tinha vindo.

“Creio que isso não será possível. “ Comentou Ayame suavemente.

“O que?” Questionei fitando ela atentamente.

“Se afastar deixou de ser uma opção Ino Yamanaka.“ Os lábios dela se curvaram em um sorriso afiado. “Você não sairá desse local.” O sorriso se abriu ainda mais mostrando todos os perfeitos dentes brancos dela. “ Pelo menos não sairá desse local com vida.”

Virei-me para trás e vi que a passagem por onde eu havia vindo tinha sido completamente fechada por uma enorme cerca-viva, ela se entendia ao redor da fonte, prendendo eu e Ayame ao redor da fonte, a cerca-viva era altíssima e não parecia que seria derrubada facilmente.

“Não deveria baixar sua guarda dessa forma.” Sussurrou Ayame rente ao meu ouvido, seu hálito cheirava a menta e flores.

Ela estava a centímetros de mim, curvada com a boca quase encostada em meu ouvido, recuei surpresa tentando aumentar a distância entre nossos corpos o mais rápido possível. Água e pétalas se agitaram no ar.

Ela e rápida.

A água e as pétalas se agitaram novamente se circundando no ar formando pequenas torres ao redor do corpo de Ayame enquanto flutuavam suavemente a luz do luar, senti o dorso de minha mão esquerda arder e quando fitei o local não fiquei surpresa ao ver um filete de sangue começar a escorrer. Ergui a mão e lambi o ferimento lentamente provando o gosto de meu sangue, não havia veneno ali pelo menos. Cuspi o sangue que havia lambido no chão aos pés dela que franziu as sobrancelhas de forma divertida.

“Quando você surgiu da fonte eu não pude ver com clareza seu ataque.” Comentei fitando ela com seriedade. “ Mas dessa vez eu pude ver ele com clareza.”

“É mesmo?” O tom dela era levemente divertido.

“A água e as pétalas de Sakura são sua técnica. “ Falei com calma me dominando. “A água envolve as pétalas como uma corrente e as pétalas são as laminas dessa corrente. Tudo que você faz e conduzir essas correntes de aguas finíssimas e atacar com as laminas presas na água.“

“Bravo.” Ayame começou a bater palmas lentamente, o sorriso desaparecendo de seu rosto. “ Conseguir entender a natureza de minha técnica vendo a mesma apenas duas vezes. Realmente espantoso.”

“Suponho que terei que agradecer a Shikamaru mais tarde.” Falei dando um breve sorriso. “Se ele não me chateasse tanto para observar mais as coisas eu não teria conseguido ver isso tão rapidamente.”

“Infelizmente você não terá a oportunidade de agradecer esse tal de Shikamaru.“ Falou Ayame com calma e suavidade. “Compreender como funciona minha técnica não irá lhe ajudar em nada. E antes do fim você irá entender a diferença entre nossos poderes.”

Antes que eu pudesse perceber ela iniciou uma rápida de sequência de selos e quando terminou apontou sua mão direita em minha direção. O Chakra dela crescia rapidamente, arregalei os olhos surpresa. Toda a água da fonte circulava ao redor do corpo dela enquanto centenas de pétalas de Sakura dançavam harmonicamente ao redor da água.

“Ichiji Hou-Jinkei (Primeiro Ato- Misericórdia)” Bradou ela com suavidade.

A água se agitou e formou exatas dez colunas, as pétalas adentraram dentro das colunas desaparecendo no fluxo de água ali presente. Engoli em seco e observei fascinada e aterrorizada aquela majestosa técnica.

“Vamos ver como se sai contra três torres.”

Com um gesto de mãos três das colunas de água serpentearam no ar e dispararam em minha direção como jatos de alta pressão. Eu não podia deixar aquelas colunas de água me atingirem ou estaria em sérios apuros. Usei o Shunshin tentando me esquivar das colunas indo para a esquerda, mas não fiquei nada surpresa ao ver elas mudarem de direção a um breve aceno de mão de Ayame, executei uma rápida sequência de selos segundos antes das colunas envolveram meu corpo. Meu corpo trocou de lugar com um tronco de madeira, ainda bem que o Kawarimi No Jutsu (Técnica de Substituição do Corpo) havia sido a tempo.

Reapareci as costas de minha oponente e saquei cinco Kunais as arremessando, precisamente, em cinco áreas diferentes das costas de Ayame. A mesma não se deu ao trabalho de se virar em minha direção, simplesmente duas das outras sete colunas restantes se colocaram na frente de minhas Kunais ao mesmo tempo que as três colunas inicias voltavam a me atacar. Corri para direita concentrando chakra nos meus pés para aumentar minha velocidade. Um plano começava a se formar em minha mente, seria arriscado e se falhasse minha vida podia estar em sério risco. As colunas de água avançavam em minha direção como cobras rastejando prontas para dar o bote, corri o mais rápido que podia tentando me esquivar daquela técnica.

Não vai dar, maldição.

Senti o choque da água envolver meu corpo me jogando capotando para a frente, senti as outras duas colunas de água se chocarem contra meu corpo me envolvendo completamente, se isso continuasse eu iria e me afogar. A água recuou, enquanto eu me coloco de joelhos tossindo. Ergui meus olhos para Ayame que me fitava com seu olhar frio e seu sorriso superior. Meu corpo doía, mas não era o que eu esperava. Eu esperava que ao ser envolvido pelas colunas meu corpo fosse retalhado pelas pétalas escondidas, ao invés disso meus braços e pernas estavam cheios de pequenos cortes, incômodos, mas nem um pouco profundos.

Estranho

Me pus de pé lentamente sem tirar os olhos dela, meus cabelos se soltaram do elástico que os prendiam e caíram soltos e úmidos por minhas costas. Minhas roupas estavam encharcadas e grudada na minha pele, elas também tinham pequenos cortes, mas haviam protegido a pele por baixo.

“Está curiosa?” Falou ela me fitando com calma. “Por que não me cortou mais profundamente? É só isso que essa técnica pode fazer?” O sorriso superior estampando no rosto dela era irritante. “Permita-me explicar. Ichiji Hou-Jinkei (Primeiro Ato- Misericórdia) faz com que quem seja atingido pela água e pétalas sofra cortes rasos pelo corpo. ”

“Só isso então?” Perguntei irônica. “Só arranha o inimigo como um gatinho?”

“Sim ela faz apenas isso.” Falou Ayame ainda sorrindo. “Niji Hou-Jomei (Segundo Ato- Clemência)” Sussurrou ela.

Senti meu corpo inteiro explodir em agonia enquanto sangue chovia diante de mim. Cai de joelhos chocada, enquanto sangue escorria em abundância dos cortes em meu rosto, mãos, braços e pernas. Meu corpo tombou para a frente enquanto eu sentia a agonia dos ferimentos percorrer meu corpo.

“Jinkei abre cortes rasos na pele do inimigo.” Explicou ela caminhando lentamente em minha direção. “ Enquanto Jomei aprofunda todos os cortes feitos por Jinkei. “ Ela parou diante de mim e me forcei a erguer o rosto para ela. “ Acabou para você Ino Yamanaka de Konoha.” Ela apontou a mão para baixo como se segurasse uma espada invisível. “Saigo Hou-Shinjin (Ultimo Ato- Piedade).”

A água e pétalas ao nosso redor se reuniram ao redor da mão dela e formaram uma estaca azul e rosa, era uma técnica bela sem sombras de dúvidas. Observei Ayame com aquele olhar superior e isso doeu mais que todos os cortes em meu corpo. O olhar dela me trazia a recordação de Sakura. Ela havia mudado tanto desde que tinha entrado no time 7 que eu não sabia mais se a reconhecia. Nos poucos meses desde a seleção de times ela tinha se tornado tão forte, tão confiante, tão grande. Eu sentia que um abismo se abrira entre nos duas, um enorme e desesperador abismo. O olhar de Ayame me trazia essa recordação, do quanto Sakura havia se distanciando de mim em tão pouco tempo.

MERDA.

Eu não posso perder para essa Vadia. Não posso morrer aqui sabendo que Sakura me superou tão facilmente, eu iria vencer. Sim, eu iria vencer. Então avançaria em direção ao sol, me tornaria verdadeiramente forte, então pularia o abismo que se abrira entre nós e poderia caminhar ao lado dela como uma igual. Só assim eu poderia chamar ela de amiga novamente.

A Lamina desceu em direção a minha cabeça pronta para o golpe final, rolei para o lado no último instante, tomada por uma sensação de paz e tranquilidade, eu não iria murchar aqui. Era a hora de crescer e florescer como a mais bela flor do jardim. A lamina atingiu onde eu estivera segundos antes, Ayame olhava incrédula para mim como se não acreditasse em minha resistência. Meu corpo protestava em agônia, todo ele ardia em dor, a perda de sangue me deixara tonta e nauseada, mas de alguma forma me sentia com mente perfeitamente limpa e vazia de emoções. Uma estranha voz masculina parecia gritar bem ao fundo de minha mente em apoio. Estranhamente a voz se parecia com a de Naruto.

Arremessei as Shurikens tendo plena ciência que elas seriam inúteis como de fato foram. Ayame riu em desprezo e com um gesto de mão suas colunas de água surgiram novamente a protegendo. Levei a mão direita ao meu cabelo e arranquei um punhado deles ignorando a dor que veio em seguida, avancei correndo o mais rápido que podia na direção dela ciente que os próximos minutos seriam decisivos.

“HAHAHAHA, VOCÊ É TOLA.” Falou ela com desprezo. “Irei ensina-la o total desespero agora. O que me diz de dez colunas?”

Cumprindo com sua palavra dez colunas de agua e pétalas surgiram e avançaram em minha direção furiosamente. Respirei profundamente e aguardei o momento exato. As colunas cada vez mais próximas e prontas para me acertarem....

No último segundo usei o Shunshin e desviei da torrente água violenta reaparecendo as costas de Ayamae, ela imediatamente se virou com suas mãos trabalhando em gestos frenéticos, a água já começava a volta pronta para proteger sua dona e retalhar a ameaça. Arremessei o punhado de cabelos que havia arrancado de minha cabeça presos por uma Kunai em direção aos pés dela, ao mesmo tempo comecei a executar uma rápida sequência de selos. Senti o golpe da água me envolver meu corpo, mas meu corpo se transformou em um tronco de madeira. Reapareci de pé em cima da fonte agora vazia já executando uma nova sequência de selos.

“Te peguei.” Falei sorrindo.

Ayame se virou em minha direção confusa, enquanto minha técnica era ativada. Dos cabelos que eu havia jogado na direção dela, chakra azulado começou a brilhar e linhas de chakra envolveram os pés de Ayame a imobilizando onde ela estava.

“SUA PUTA INUTIL PODE ME PRENDER COM ESSE SEU CABELO SE QUISER.” Gritou ela com raiva. “TUDO QUE EU PRECISO É DE MINHAS MÃOS PARA MATAR VOCÊ.”

“Você não terá tempo para isso.” Sussurrei.

Apontei meu braço direito na direção dela com minha mão formando uma espécie de pistola apontada diretamente na testa de Ayame. Meu braço esquerdo apoiava o braço direito.

“Seishin Taisan (Mente Dispersa)” Pronunciei calmamente.

Um pequeno barulho se ouviu como se vidro se quebrasse. A cabeça de Ayame foi jogada para trás como se atingida por uma pedra, toda a água que ela controlava desabou em uma onda no chão.

”Só isso?” Perguntou ela com desprezo. “Sua última técnica era apenas um mero impacto em mi..n..ha te..ss..ta?”

A voz dela oscilou confusa por um momento como se ela não conseguisse mais formular palavras corretamente. O olhar dela completamente perdido, vago como se a mente dela estivesse perdida. O que de fato estava.

“Essa técnica confunde os pensamentos de quem é atingido por ela.” Expliquei enquanto avançavam na direção dela. Meus ferimentos ardiam terrivelmente, minha cabeça girava, o efeito da adrenalina estava baixando, eu sentia que podia desmaiar ali mesmo, mas ainda assim me forcei a caminhar na direção dela. “Pelos próximos três minutos sua mente não conseguira pensar com clareza em nada, basicamente sua mente está em branco nesse momento.” Mais próxima dela saquei uma Kunai de minha bolsa, mais um passo, mais um passo. Minha visão começava a embaçar. “Mas não sei por que estou te falando isso, afinal você não irá conseguir entender nada não é?” Uma curta risada saiu de minha boca. “Eu tenho uma promessa a cumprir, não perderei para alguém como você. Eu gostaria muito de ver seu olhar de compreensão ao se ver diante da morte, mas acho que terei que me contentar com o atual. Adeus.”

Minha Kunai deslizou facilmente pela pele macia abaixo do queixo se enterrando profundamente no pescoço branco de Ayame. Puxei a Kunai na garganta dela um jato de sangue escorreu como uma cascata vermelha, o corpo de Ayame desabou no chão lentamente no chão enquanto a vida dela terminava, um sorriso vitorioso cobria meus lábios.

Eu havia vencido. Foi meu último pensamento antes da escuridão me envolver.

CHOUJI

Queria ser frio como uma pedra

Então eu não sentiria medo

Gostaria de não ter esse coração gentil

Assim poderia ficar firme e forte

E matar sem hesitar...

Parecia que eu caminhava naquela floresta havia horas. Era um lugar estranho, com árvores velhas e retorcidas pelo tempo, uma névoa esverdeada tomava conta do local dando ao mesmo um tom sombrio e assustador, o silêncio sepulcral era apenas quebrado pelos sons de meus passos e isso fazia meus pelos se arrepiarem de medo. Continuei caminhando sem rumo naquele lugar à espera de algo. Meu inimigo não havia aparecido ainda. Não que eu estivesse ansioso para lutar ou algo do tipo. Mas essa floresta já estava me dando nos nervos, tudo nele parecia podre e decomposto.

Levei a mão a bolsa onde encontrei meu saco de batatinhas ainda fechado, meu estômago roncou de fome, mas tratei de ignorá-lo, esse não era o lugar nem a hora de ter um ataque de gula. Retirei a mão do saco de batatinhas e agarrei a Kunai guardada ali e em um movimento simples a arremessei contra uma árvore enorme e escura a uns 20 metros em frente a mim. Eu tinha certeza que havia visto um movimento ali, uma sombra um leve relance. Ergui minha guarda atento a qualquer ataque.

De repente, saindo de trás da árvore com passos lentos e calculados apareceu uma figura colossal segurando um barril, e cidra escorria pelas bordas. Era a encarnação de um Guerreiro ancestral, sua pele era repleta de cicatrizes de batalhas passadas, tinha uma barba ruiva e trançada presa por um anel de ferro e um longo bigode com anéis de ferro no final.

Ele era tatuado — tinha um círculo branco no ombro esquerdo, uma listra branca contornando o antebraço esquerdo, duas listras pela metade no braço esquerdo e dois raios brancos na barriga. Ele andava descalço e usava uma tanga azul e uma corda que amarrava seus tornozelos, seu punho esquerdo e seu antebraço esquerdo um pouco acima do cotovelo e abaixo do ombro. Possuía também uma cicatriz em forma de cruz do lado direito da barriga, próxima à tatuagem de raio, outra no braço esquerdo e uma em cada pé.

“HA, então me mandam crianças agora?” A voz dele potente e grossa, uma voz acostumada a dar comandos. “Quanta decadência...“ A expressão no rosto dele era furiosa. “PEGASUS SEU INFELIZ.” Trovejou ele balançando a cabeça.

“Quem é você?” Perguntei hesitante.

“GRAGAS.” Rugiu ele satisfeito com minha pergunta. “E o seu?”

“Chouji Akimichi.” Falei com cautela. Havia algo estranho nele.

“Parece que somos oponentes garoto.” Falou ele com sua voz poderosa em um tom lamentoso. “Não me agrada matar crianças, mas ordens são ordens. Bem-Vindo a Floresta Do Silêncio, onde seus gritos de agonia não podem ser ouvidos por mais nenhuma alma a não ser a minha.” Um sorriso cruel se formou nos lábios dele dando a aquele rosto uma expressão assustadora. “Você é bem grande.” Murmurou como se fosse para si mesmo. “ Me diga garoto, já provou o gosto de carne humana?”

Arquejei surpreso e com nojo pela pergunta, quando subitamente Gragas se ergueu diante de mim com o punho fechado avançando pesadamente na direção de meu rosto, cruzei meus braços diante do rosto e deixei meu chakra fluir por eles. O soco acertou meus braços com a força de um elefante. Senti meus pés abandonarem o chão por uns momentos antes do meu corpo encontrar a terra capotando vários metros para trás. Minhas costas atingiram uma árvore que imediatamente tombou pelo impacto. Ergui-me lentamente e encarei meu oponente que caminhava lentamente em minha direção.

“Baixou a sua guarda por um breve instante.” Rosnou ele furioso. “Em um combate isso pode se tornar fatal.”

Gragas avançou correndo em minha direção como uma montanha gigantesca, imediatamente rolei para o lado agarrando três Kunais de meu estojo ninja, vendo ele se chocar com violência contra uma árvore. Aproveitando disso, arremessei as Kunais na direção dele, todas elas se chocaram contra a pele dele como se tivessem acertando uma parede, sendo jogadas para trás inutilmente. O Gigantesco guerreiro rugiu e avançou novamente em minha direção correndo a uma velocidade enorme para alguém daquele tamanho. Seus passos faziam o chão tremer.

“Baika no Jutsu (Técnica de Expansão)” Bradei o mais firme possível fazendo um selo.

Meu corpo se expandiu ficando duas vezes maior do que antes no formato de uma enorme bola de carne. Gragas se chocou contra mim com violência me arrastando para trás, agarrei as laterais do corpo dele enterrando minhas unhas em sua pele. O impacto de sua investida cessou e ficamos ali medindo forças por uns instantes.

“Nada mal criança, você está quase do meu tamanho agora.” Rosnou ele alegremente.

“Você ainda não viu nada.” Rosnei enquanto gotas de suor escorriam pelo meu rosto. ”ARRRRRGRG”

Usando toda minha força icei o corpo de Gragas do chão jogando seu corpo maciço por cima de minha cabeça. Minhas costas se chocaram contra o chão e então senti o pesado impacto do corpo de Gragas afundando no chão em uma explosão de poeira. Meu corpo voltou ao seu estado normal, aproveitando disso me levantei e saltei para trás tomando distância segura da cratera formada por Gragas. Minha intuição dizia que não havia acabado.

“HAHAHAHAHAHHAHA.” A risada potente dele quebrou o silêncio da floresta. “Nada mal, nada mal mesmo.”

Gragas se ergueu lentamente, um pequeno filete de sangue escorria de sua testa devido ao meu golpe, não pude ficar muito satisfeito com isso, a expressão dele era severa e assustadora. A intenção assassina liberada fez meus joelhos tremerem devido a sua grande intensidade. Respirei fundo e me preparei para a segunda rodada.

“Haratemi(Barrigada).”Rosnou ele.

Com uma velocidade assustadora Gragas surgiu diante de mim e me acertou com sua enorme barriga. Meu corpo foi jogado para trás como se tivesse sido atingindo por um pedregulho, ele se chocou contra inúmeras árvores as atravessando como se fossem papel até atingir uma mais resistente que parou meu longo impulso. O ar havia fugido totalmente de meus pulmões, cai de joelhos e vomitei tudo que havia comido até então. Assim que pus tudo para fora, levantei o olhar e observei assustado a distância percorrida por meu corpo devido ao golpe. Uma trilha de árvores destruídas se estendia em linha reta por uma longa extensão. Eu nem ao menos conseguia ver Gragas.

Antes que eu pudesse pensar muito no assunto uma sombra surgiu acima de mim, saltei para o lado imediatamente desviando do pesado Barril de carvalho que havia caído onde eu estava segundos antes. Do topo do barril um pequeno pavio queimando rapidamente.

“Merda.”

A explosão novamente me jogou para trás, mas dessa fui mais rápido e executei meu selo expandindo meu corpo novamente. Cravei meus pés firmemente no chão e deixei a onda de impacto cessar. Gragas surgiu da fumaça gerada pela explosão caminhando lentamente, sua expressão era ainda mais assustadora que antes.

“Garoto tolo.” Rosnou ele com sua voz potente. ”Em uma batalha não se espera para ver se seu golpe teve efeito. Você se aproveita da brecha gerada por ele e finaliza o oponente. VOCÊ PERDEU SUA CHANCE, IDIOTA.”

Trinquei os dentes furioso. Não deixava de ser verdade, se eu tivesse o atacado logo após joga-lo no chão... não, não iria pensar nisso agora.

“Você é muito mole garoto.” Falou ele com logica fria. ”Você não tem o sangue frio necessário para matar nem ao menos um inseto não estou correto?”

Senti um arrepio correr por minha espinha. Era bastante próximo da verdade. Tantos já haviam me dito isso. Asuma, meu Pai, Shikamaru. Todos diziam que eu tinha um coração gentil e bondoso demais para um Shinobi. Eu tentava negar isso para mim, mas no fundo eu sabia que era verdade, eu simplesmente não tinha a frieza necessária para matar outro ser, quando havia me tornado Shinobi sempre foi com o intuito de formar um time com Shikamaru e Ino como nossos pais haviam feito antes de nós e supera-los. Orgulhar eles. Mas sempre existe o choque de realidade não?

“Você é muito inocente.” O tom de voz dele era frio. “Corra e eu irei mata-lo. Fique e eu irei mata-lo, lute e eu irei mata-lo. ESSA É A FILOSOFIA QUE UM SHINOBI DEVE SEGUIR.” O Grito dele ecoou como um lamento no silêncio sepulcral daquela floresta. “Agora o que você vai fazer?”

Fechei os olhos e trinquei o maxilar tensamente. Podia sentir as batidas de meu coração acelerado como um tambor, ressonando e quebrando o silêncio da floresta. Gotas de suor escorriam pelo meu rosto, minha garganta seca. Soltei o ar lentamente controlando meu nervosismo, Gragas não fez nenhum movimento apenas aguardava como se esperasse minha resposta. Abri os olhos e o encarei.

Shikamaru, Ino, Pai, Sensei.

Eu prometo para vocês não hesitar mais.

A hora de lutar chegou.

A hora de crescer chegou.

Quebrarei o casulo que me cerca.

“GRAGAS.” Gritei com força e senti a felicidade em ver que minha voz não tremeu. ”É HORA DE LUTARMOS COMO VERDADEIROS SHINOBIS.”

Um sorriso enorme tomou conta do rosto dele antes do mesmo assentir de leve em apreciação as minhas palavras. Subitamente o chakra dele explodiu para todos os lados em ondas massivas de poder. Em resposta concentrei todo meu chakra fazendo o mesmo circular insanamente pelo meu sistema de chakra. A quantidade de poder que me preencheu foi suficiente para quebrar o chão aos meus pés. Um sorriso satisfeito tomou conta de meu corpo, eu ainda não havia chegado ao nível de poder máximo e despertado minhas asas. Mas não precisaria das pílulas eu podia simular o poder concedido por elas por conta própria.

Uma lagrima solitária escorreu por meu rosto antes de Gragas e eu avançarmos correndo um contra o outro.

“Obrigado.” Sussurrei baixinho.

Nossos punhos se encontraram causando uma onda de impacto forte o suficiente para jogar nossos corpos em direções opostas. Rolei no chão e me repus de pé rapidamente. Gragas trotava rapidamente em minha direção com um olhar assassino e um barril em sua mão. O gigantesco homem arremessou o barril em minha direção, sem perder tempo rolei para o lado o mais rápido possível. Uma explosão quebrou o silencio da floresta. Ignorei a explosão e me foquei em Gragas que descia um potente soco na direção da minha cabeça.

Segurei o potente soco dele com uma mão, mas ainda assim a força descomunal dele me forçou a recuar alguns passos. Com meu braço livre acertei um soco em sua enorme barriga com toda a potência que podia reunir. Senti o mesmo arfar de dor e recuar alguns passos, antes que eu pudesse comemorar senti ele puxar meu corpo em sua direção e acertar uma potente cabeçada contra a minha me jogando para trás.

Rolei no chão sentindo todos meus sentidos confusos após tamanho golpe. Gragas agarrou meu pé e me jogou como um boneco para longe. Meu corpo se chocou contra a árvore decadente quebrando a mesma com facilidade, cuspi sangue no chão e me ergui sabendo que o gigante já avançava furiosamente em minha direção. Desviei do primeiro soco dele me abaixando ao mesmo tempo que avançava pela guarda dele e acertava um potente soco em baixo de sua mandíbula que estalou de modo nauseante, Gragas grunhiu de dor e sua cabeça foi jogada para trás com violência, me aproveitando disso passei minhas duas mãos ao redor de seu pescoço e puxei a cabeça em direção ao meu joelho.

A sensação do nariz se partindo foi como música, porém o gigantesco Shinobi se recuperou mais rápido do que podia julgar e acertou um poderoso golpe em meu joelho, senti meu corpo fraquejar e cai ajoelhado em frente dele. Se aproveitando disso Gragas agarrou o topo de minha cabeça e a chocou contra o chão. Senti uma dor inimaginável tomar meu corpo da cabeça aos meus pés e a escuridão ameaçar me abraçar mas resisti a tentação com fúria.

“BAIKA NO JUTSU.” Gritei com força executando minha técnica.

A súbita expansão de meu corpo pegou ele de surpresa fazendo ele recuar um momento e me soltando. Voltando a minha forma saquei várias Kunais de minha bolsa e arremessei contra seu rosto, ele ergueu seu braço aparando todas com indiferença ao fato delas se enterrarem em sua carne. Saltei novamente em sua direção com uma Kunai em mãos e desferi um corte contra seu rosto, o gigante aparou o golpe indiferente com sua enorme mão e me acertou um soco no rosto me jogando para trás novamente. Me ergui cuspindo sangue e sentindo todo meu corpo arder em protesto. Observei fascinado Gragas agarrar seu maxilar quebrado e o colocar no lugar com uma indiferença fria. Da mesma forma ele procedeu com seu nariz.

“Nada mau.” Rosnou ele estranhamente. Provavelmente devido ao maxilar. ”Muito melhor se comparado a antes, mas ainda sim suas chances de vitória são nulas.”

“Continue pensando assim enquanto amasso sua cara.” Falei correndo na direção dele sem hesitar.

“ESSE É O ESPÍRITO. ” Rosnou ele avançando também.

Nossos corpos se chocaram novamente enquanto trocávamos socos e chutes de forma cada vez mais furiosa e violenta. Recuei novamente tomando espaço. Não estava ganhando nenhum terreno e apesar de ferir Gragas, o mesmo parecia indiferente a dor. Já no meu caso, eu estava praticamente no limite, os ferimentos impostos por ele pesavam cada vez mais a cada minuto.

Gragas agarrou uma árvore enorme e a arrancou do chão com uma facilidade surpreendente, girou ela como se fosse um brinquedo e apontou diretamente para mim.

“Oh merda.” Murmurei espantando.

O gigante arremessou a árvore como um projetil em minha direção. O míssil, se é que podia ser chamado assim, voou cortando a distância entre mim e ele a uma velocidade impressionante. Rolei para o lado o mais rápido que meu corpo podia, desviando daquilo. Gragas se aproveitando da distração cortou a distância entre nós e desferiu um poderoso soco em minha direção, sem outra alternativa recebi o impacto todo do potente golpe em meu rosto me mandando para trás, cuspi sangue novamente. Meus sentidos estavam quase se esvaindo completamente tudo teria que ser decidido no meu próximo golpe.

“Gragas.” Falei lentamente por causa da dor em todo meu corpo. “Acabemos com isso em nosso próximo ataque. O que acha?”

“Você se demonstrou um adversário digno no final das contas.” Murmurou ele. “Faremos do seu jeito então. Dê o seu melhor, jovem.”

Concentrei todo meu chakra restante ao redor de meu braço que tomou uma intensa cor azulada com leves tons verdes. Fechei meu punho firmemente me preparando para desferir o golpe.

“BOA QUANTIA DE CHAKRA GAROTO.” Rugiu ele satisfeito. “MAS SERÁ O SUFICIENTE?”

“ Vamos ver...” Comentei dando um sorriso curto.

“Saigo Haratemi (Ultima Barrigada)” Falou ele antes de voar em minha direção com sua enorme barriga apontada em minha direção.

“Sentou Aomushi (Soco Da Lagarta).” Falei firmemente enquanto avançava correndo contra ele.

Meu punho envolto em chakra se chocou contra a enorme barriga, também envolta em chakra de Gragas, causando uma explosão de energia. Sentia o estranho golpe dele pressionando o meu golpe para trás, rugi em fúria e aumentei ainda mais a intensidade do chakra ao redor de meu punho. Eu não havia chegado até ali para perder.

Urrei em fúria, explodindo todo meu chakra restante no meu punho, no que provavelmente seria meu ultimo e derradeiro golpe. Uma intensa explosão ocorreu me cegando por um momento, sentia o ar pesado e opressor devido ao chakra usado no encontro de nossas técnicas. Arfei de dor e surpresa e cai de joelhos no chão, olhei para meu braço agora coberto de sangue e retorcido em um ângulo estranho e totalmente fora do normal. Sentia minha vista embaralhada devido a falta de chakra e a dor. Ainda sim me forcei a olhar ao meu redor a procura de meu inimigo.

Gragas estava alguns metros adiante com as costas apoiadas em uma arvore morta. Um enorme buraco circular havia sido criado na região de sua barriga onde meu soco o havia atingido. Os olhos dele estavam baços e vidrados, eu o havia matado. Nauseado desviei meu olhar do cadáver dele. Aquela era a primeira vez que eu tirava a vida de outra pessoa. Senti a bile subir por minha garganta mas resisti a ânsia bravamente.

Precisava manter meu estomago em controle, afinal essa vitória merecia uma comemoração. Sim uma bela e longa comemoração. Repleta dos mais variados pratos de comida existentes. O sim, um banquete digno de um vencedor.

Tal pensamento me fez sorrir antes de meu corpo ser envolvido por uma luz branca e minha consciência desvanecer.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Sua avaliação e importante. Beijos e abraços s2
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.