A Lenda

16 Arco 4 Intrigas/Capítulo 16: Jogos De Poder


Notas iniciais
Me pergunto se tem alguém ai para ler isso, mas vamos lá fiquei quase 1 ano parado. Sim 1 Ano, levei um tiro, comecei em uma nova função em meu emprego terminei meus estudos, comecei um curso e sei que isso não e desculpa mas aqui estamos nós.Pretendo voltar a ativa definitivamente e postar pelo menos 1 capitulo por més por que acho que um tempo justo para eu fazer algo legal para vocês, então chega de embromeishow e vamos a Leitura.

NARUTO


Respirei fundo e fitei meus companheiros, todos estavam sérios, esperando eu dar início a reunião. Observei Kurama pelo canto dos olhos e o vi acenar positivamente com a cabeça, acenei de volta e fitei primeiramente Kaori com atenção.

“Relate as novidades Kaori.“ Falei suavemente.

“Kusagaruke(Vila oculta da Grama) caiu nas mãos do inimigo.” Falou ela seriamente.

Apertei os punhos de leve, isso realmente não era uma boa noticia.Madara e Kurama também pareciam preocupados com isso, mas não falaram nada. Sem nenhuma objeção Kaori voltou a falar:

“Raziel trouxe o povo para seu lado e conseguiu derrubar o KusaKage sem resistência, depois disso o KusaKagefoi executado em praça publica. “ Falou ela seriamente enquanto batucava na mesa com o dedo indicador. “Raziel foi proclamado como novo KusaKage e como primeiro ordem declarou guerra a Takigaruke(Vila oculta da Cachoeira).“

“O que?” Exclamou Madara surpreso. “Por que diabos ele faria algo assim?”

“Não faço ideia“ Falou Kaori seriamente.

“Algo mais a relatar?” Perguntou Kurama em um tom entediado.

“Apenas que ele tem em seu poder duas das seis relíquias do Rikudou.” Falou ela dando um suspiro pesado.

Arqueei as sobrancelhas com aquela informação, antes de lentamente começar a sorrir,Kuram apareceu pela primeira vez interessado,se inclinando de leve para mais perto da mesa.

“Ele está na nossa frente nesse quesito.” Falou Madara seriamente.

“Sim, mas não podemos nos deixar abalar por isso.” Replicou Kurama serenamente. “Temos o colar e agora o cetro do nosso lado.”

“Madarao cetro deve ficar com você, ele será mais útil pra você do que pra mim.” Falei seriamente, enquanto Madara assentia com a cabeça. “E quanto ao que Raziel esta planejando ao atacar Taki,acho que tenho uma hipótese do por que...”

“...que seria?” Questionou Madara seriamente.

“Pelo que Akiko me contou sobreTengu.” Comecei calmamente “Ele possuiu um Sharingan e um Rinnegan ambos Doujutsus necessários para controlar os Bijuus. E também está atrás do Hikariton outra linhagem capaz de controlar Bijuus.”

“E o que isso tem haver com a guerra entre Takie Kusa?” Questionou Kaori curiosa.

“Calma chegarei lá.” Falei seriamente. “Raziel e Tengu parecem ter um tipo de aliança e também parecem compartilhar dos mesmos planos, o que nos remete a essa guerra declarada por Raziel.“ Falei enquanto me servia de uma garrafa de Saqué. “Eles estão atrás dos Bijuus.É isso o que acho.”

“Faz sentido.” Ponderou Kurama seriamente. “Por que outro motivo ele iria reunir tantas linhagens se não fosse esse?”

“Concordo com sua ideia Naruto.” Falou Madara seriamente. “Também não vejo o motivo dele querer tantas linhagens com a mesma habilidade especial” Falou ele fechando seu único olho visível enquanto cruzava as mãos sobre o colo. ”Porém se ele quisesse apenas controlar todos os Bijuus ele só precisaria de uma linhagem. O Sharingan.”

“Por que diz isso?” Perguntou Kaori curiosamente.

“Por que um Uchiha pode controlar os nove Bijuu sao mesmo tempo usado o Sharingan, ele não precisaria de nada além disso.” Falou ele abrindo seu únicos olho que agora brilhava no vermelho vivo do Sharingan.

“E se não for apenas os nove Bijuus que ele quer?“ Falou Kurama arranhado a mesa de leve com suas garras “E se ele tiver atrás de um único ser, formado a partir do chakra dos nove ?”

“Você não estaria cogitando o retorno do...” Falou Kaori assustada.

“Meu pai, o Juubi.” Falou Kurama friamente enquanto fitava o chão e deixava as mexas vermelhas do seu cabelo caírem sobre os olhos. “É uma possibilidade sim.”

“ Se for realmente isso... “ Falou Madara surpreso. “... significa que o meu antigo plano caiu nas mãos daquele bastardo. “

“TsukeNo Me(Olhos Da Lua) ?” Falei bufando em desprezo. “De todas as ideias retardadas que você já teve Madara enquanto estava doido, essa com certeza foi a pior.” Terminei abrindo um pequeno sorriso.

“Não é algo que eu me orgulhe.” Falou ele seriamente. “Foi apenas mais um erro dos muitos que já cometi em minha vida.”

“Mas nós aprendemos e amadurecemos com nossos erros.” Falou Kaori Firmemente, enquanto enlaçava sua mão a de Madara. “E você não cometerá novos erros, nos não deixaremos.”


“Belas palavras menina.” Falou Kurama sorrindo sinistramente. “Por que se ele cometer, não haverá Sharingan, ou Susanoo que o protejam.”

“Isso é uma ameaça?” Perguntou Madara sorrindo divertido.

“Não.” Falou Kurama sorrindo mais ainda. “Apenas um aviso, velhote.”

“Como se você pudesse fazer algo em mim.” Falou Madara sorrindo “Raposa adestrada.”

“Chega crianças.” Falei debochadamente. “Não precisam demonstrar que se amam aqui.”

“Ora seu...” Falaram os dois juntos enquanto pulavam pra cima de mim.

“Calma rapazes, sem brigas” Falou Kaori sorrindo enquanto segurava as roupas de Madara e Kurama impedindo eles de me atacarem. ”Afinal, não queremos mortes no recinto.”

Eu ri em divertimento e tomei um gole de Sake enquanto observava as expressões emburradas de Madara e de Kurama. Assim que Kaori acalmou os dois desmanchei meu sorriso e voltei a falar:

“Brincadeiras a parte, acho que devemos investigar se realmente existe um Jinchuuriki emTaki.” Falei calmo. “Madara você pode fazer isso não é?”

“Claro.” Falou ele simplesmente. “Mas desse modo não poderei procurar a próxima relíquia.”

“Isso não é tão urgente.” Falou Kurama seriamente. “Pelas informações que tenho uma das relíquias esta aqui mesmo em Konoha.”

“Qual delas?”Questionou Kaori.

“Coroa Real.” Falei sorrindo friamente.

“Interessante.” Falou Madara pensativo. “Pergunto-me onde esteja, já que em meus tempos de Konoha nunca sequer ouvi falar dela.”

“Não onde esteja, mas sim com quem esteja.” Falou Kurama sorrindo.

“Está dizendo que a Coroa está em posse de um clã de Konoha?” Questionou Kaori surpresa.

“Qual deles?” Perguntou Madara interessado. “Posso pensar apenas em quatro clãs antigos o suficiente para ter algo como a Coroa em sua posse.”

“Clã Hyuuga.” Falei sorrindo. “E já tenho uma maneira de conseguir a Coroa, só terei que ter paciência.”

“Entendo.” Falou Madara pensativo. “Pergunto-me como eles vieram a conseguir algo desse tipo.”

“Sendo um clã antigo e de sangue nobre não é de se espantar.” Comentou Kurama enquanto começava a se servir da comida disposta na mesa.

“De fato.” Falou Madara. “Se puder descobrir como eles vieram a obter essa relíquia ficarei grato Naruto.”

“Hai” Falei começando a me servir assim como Kurama.

“Por que o interesse nisso ?” Questionou Kaori.

“Nada demais, apenas curiosidade. ”Falou Madara sorrindo de canto.

“Eu diria orgulho ferido.” Falou Kurama debochado. “Por ter deixado essa informação passar.”

“Tsc, não me provoque Kurama, ou te faço correr em circulo atrás do próprio rabo.” Falou Madara lançando um olhar assassino para Kurama.

“Quero ver tentar.” Falou Kurama estalando os dedos enquanto fechava os olhos. “Menino que apanhava pro Mokuton.”

“Basta vocês dois“ Falou Kaori irritada. “Parecem duas crianças birrentas.”

Ri baixinho vendo Madara e Kuramas e desculparem com Kaori. Balancei a cabeça negativamente, esses dois nunca tomariam jeito. Acho que estava na hora de voltar aos assuntos importantes, de novo.

“Kaori.” Falei chamando a atenção dela para mim.

“Sim?” Falou ela arqueando as sobrancelhas interrogativamente.

“Preciso confirmar uma informação que um dos meus lobos me passou.” Falei pensativamente. ”De que modo Raziel estava vestido no dia da Rebelião?”

“Você tem um dos seus lobos na região?” Questionou ela surpresa. “Bem isso não importa, é bem sua cara fazer algo desse tipo sem avisar ninguém.” Falou ela assumindo uma expressão mais pensativa. ”Lembrei, um sobretudo totalmente negro, com uma faixa vermelha e nuvens negras amarrada na cintura, e por baixa dessa faixa uma outra faixa branca.” Falou ela terminando a descrição das roupas de Raziel. “Creio ser isso.”

“Confere com a descrição que recebi.” Falei pensativo. “Essas roupas não lembram nada a vocês?” Questionei para Kurama e Madara.

“Akatsuki” Falaram os dois juntos.

“Sim.” Falei seriamente. “Mas é apenas parecido, a roupa da Akatsuki é um sobretudo negro com nuvens vermelhas estampadas nele.”

“Parece-me um espécie de distração pra quando eles começarem a agir abertamente.” Falou Madara pensativo. “A Akatsuki já vem agindo há mais tempo, seus objetivos ainda são incertos para o resto das grandes nações, porém se alguém com uniformes parecidos começassem a sequestrar Jinchurikis, as nações atacariam a Akatsuki ao invés do alvo certo.”

“O que é essa Akatsuki?” Perguntou Kaori curiosa.

“Você não contou pra ela Naruto?” Questionou Madara surpreso. ”Nem quem está por trás dela?

“ Não.” Falei seriamente.

“Do que estão falando?” Questionou Kaori irritada. “O que você escondeu de mim,Naruto?”

“ Que o líder da Akatsukié um Uzumaki.” Falei seriamente fitando ela nos olhos. “E meu tio.”

“O que ?” Falou ela perplexa por um momento, antes de seu olhar ficar irritado. “Por que nunca me contou? Passei minha vida inteira achando que era a última dos Uzumakis, até encontrar você. Por que não contou que havia mais um? Eu tinha o direito de saber.”

“Kaori acalme-se” Falou Madara tocando na mão dela de leve. “Naruto deve ter seus motivos não é?” Falou ele me lançando um olhar indagador.

“Tenho sim.” Falei calmamente. “Não contei por que te conheço Kaori, sei que seu sonho é reunir a maior quantidade possível de Uzumakis possíveis para reviver nosso clã. Porém se eu te contasse sobre Nagato era provável que você fosse até Amegaruke atrás dele para tentar falar com ele, não é?” Perguntei retoricamente fitando ela, como ela não falou nada pra rebater meu argumento, voltei a falar. ”Mas se você fizesse isso, acabaria morta.”

“Por que?” FalouKaori seriamente.

“Nagato é um extremista que tem sua própria visão para alcançar a paz” Falei seriamente. “Ele acredita que a paz só pode ser obtida através da Dor, e além do mais apesar de ter o Rinnegan ele não faz nem idéia que é um Uzumaki.”

“E por que não informamos isso para ele?” Perguntou ela.

“Como se ele fosse acreditar não é? “ Falou Kurama com ar debochado. “Eu sou seu parente não me mate, por favor.”

“Não me tome por tola Kurama.“ Falou Kaori vermelha de raiva.

“Então não aja como uma” Falou ele friamente. “Não acha que se pudéssemos ter convertido Nagato a nossa causa já não teríamos feito isso? Madara já tentou negociar duas vezes com ele, ele insiste em não nos receber amistosamente.“

“Ele está certo Kaori” Falou Madara seriamente. “Nas duas vezes Nagato me atacou, eu não ataquei ele para não causar mais estragos a ele ou a Aldeia, mas acredito que a única maneira seja força-lo a nos ouvir.”

“Isso agora é irrelevante, devemos cuidar de Nagato assim que estabelecermos nossa irmandade com firmeza em Konoha.” Falei seriamente. “Espero formalizar o clã Uzumaki como parte de Konoha em breve, a reunião está marcada com os lideres dos clãs para daqui a três dias, se aceitarem isso trará grandes benefíciosa nossa causa.”

“Benefícios a serem usados em nossa futura base não é?“ Perguntou Madara calmamente.

“Naturalmente.“ Falei no mesmo tom que ele. “Pretendo mostrar a Deidara, Akiko e Sasuke nossa área de treino”

“Isso seria expor parte de nosso plano a eles” Comentou Kaori preocupada. “São dignos de confiança?”

“Sim” Falei fechando os olhos em reflexão. “Precisamos de aliados em Konoha, ter mais alguns olhos e ouvidos a disposição não é má ideia.“

“Como queira.“ Falou Kaori suspirando. “Agora vamos a um assunto mais urgente.”

“Que seria?” Perguntou Madara enquanto se servia de alguns bolinhos de arroz.

“Orochimaru.“ Falou ela sem rodeios. “Ele está vindo para Konoha.“

“Finalmente.“ Falei sorrindo largamente. “Venho esperando por isso desde que pisei em Konoha.”

“Ansioso?“ Questionou Madara.

“Sim, não tenho um desafio à altura desde que enfrentei Saitou nas guerras Mandolarianas” Falei lambendo meus lábios. “Deidara foi um desafio divertido é verdade, mas ainda sim...”.

“... não o divertiu bastante.“ Comentou Madara sorrindo.

“Exato.“ Falei dando uma curta risada.

“Lembre-se que deve extrair a localização do esconderijo dele, antes de tira-lo de nosso caminho“ Falou Kaori seriamente.

“Já temos um plano menina” Falou Kurama. ”Relaxe um pouco“.

“Extrair informações dele é vital para descobrimos mais sobre Tengu e Raziel.” Falou ela seriamente, enquanto tomava um gole de sake.

“Orochimaru é um Sannin, virtualmente imortal” Falei calmamente. “Capturar ele vivo pode ser mais difícil do que simplesmente matar ele.”

“Tudo bem” Falou ela exasperada. “Capture ele vivo, se não conseguir pode mata-lo.”

“Obrigado.” Falei sorrindo para ela.

“Bem acho que está na hora de eu ir.” Falou Kaori se levantando. “Não posso me ausentar muito tempo, e meu jutsu pode ser descoberto a qualquer momento.”

“Você não comeu nada.” Falei apontando para o prato dela.

“Desculpe, mas estou meio enjoada.” Falou Kaori balançando a cabeça.

Kurama e eu apenas sorrimos um para o outro antes de olharmos para Madara sorrindo maliciosamente.

“O que estão olhando” Perguntou ele confuso.

“Nada amigo, nada.” Falei balançando a cabeça.

Após isso Madara e Kaori se despediram e sumiram no vortex dimensional do Kamui, deixando apenas eu e Kurama sozinhos, ele me lançou um sorriso divertido enquanto se servia de mais sake.

“Você gosta dessas reuniões não é?” Perguntei calmamente.

“Gosto, me faz lembrar que posso ser civilizado se eu quiser” Falou ele pensativamente. “Faz parecer que tenho uma família” Falou ele em um murmúrio.

Não falei nada, apenas sorri e bebi mais um pouco, ele estava certo era como ter uma família, uma boa e animada família.

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Sasuke

Abri meus olhos lentamente, enquanto tentava me localizar, rapidamente percebi que estava na biblioteca secreta que havia descoberto e que no fim acabará por adormecer sobre a mesa da sala. Levantei minha cabeça e me sentei ereto enquanto massageava o pescoço de leve, a luz do lustre já havia se apagado há tempos deixando a sala em total escuridão, a não ser pelos escassos raios de luz que entravam pela entrada da passagem, provavelmente vindos pela janela do Dojo. Levantei-me calmamente e observei a mesa que continha diversos pergaminhos e livros jogados de qualquer jeito, observei-os por um momento antes de balançar a cabeça de leve. Precisava ver Naruto o quanto antes, ele provavelmente teria as respostas para minhas perguntas, ele sempre tem.

Caminhei pela escadaria voltando para o andar superior, para minha surpresa uma figura alta estava de pé perto da janela observando o céu, vestia um manto negro e seus longos cabelos dourados caiam soltos pelas costas, não precisei pensar duas vezes para reconhecer quem era.

“Naruto” Falei em voz baixa.

“Bom dia Sasuke” Falou ele sem se virar. “Perguntava-me a que horas iria levantar.“

“O que está fazendo aqui?“ Questionei curioso.

Naruto ficou em silêncio por um momento fitando o céu pela janela, o silêncio dele me incomodava e uma pequena semente de dúvida surgia em minha mente, ativei meu Sharingan e o fitei friamente.

“Ontem à noite.“ Comecei a falar devagar. “Foi você?”

“Que te atacou?” Terminou ele ainda sem se virar. “Não, mas sim uma pessoa sob minhas ordens.”

Arregalei os olhos surpreso por um momento pela sinceridade de Naruto, de todas as respostas que ele poderia me dar essa era a que eu menos esperava, mas sendo ele eu já deveria saber.

“Por quê?” Perguntei sentido minha ira vir à tona. “Por que nunca me contou, ou mostrou esse lugar antes?”

“Por que não sabia se deveria ou podia confiar em você.” Falou ele simplesmente se virando pra me fitar. “Existes coisas mais importantes a serem tratadas no momento, e você não estava pronto para receber a verdade do seu clã, bem não estava pronto até agora.“

“Como você sabia desse lugar?” Questionei ele fitando friamente atento a qualquer traço de mentira em seu olhar.

“Sei de muitas coisas...” Falou ele fazendo um gesto de desdém com a mão. “... como sei, bem, isso não é da sua conta. O que importa agora é o que pretende fazer já que sabe o segredo dos Uchihas.”

Olhei pra ele por um momento irritado antes de desativar meu Sharingan, dei um longo suspiro antes de fitar o teto por um momento, todos os segredos de meu clã vindo à tona, a real missão de Itachi, tudo o que ele sacrificou pela Aldeia, tudo o que a aldeia havia feito para meu clã, tudo o que meu clã havia feito e planejado fazer contra a Aldeia. Eram tantas suposições. Apertei meus punhos irritado, então tudo o que eu havia acreditado até agora é uma mentira? Uma grande e estúpida mentira.

“Então é verdade?” Perguntei respirando profundamente. “Os Uchihas realmente queriam tomar o controle da vila?”

“Sim e não” Respondeu Naruto calmamente.

“Explique” Pedi, me sentando no chão e cruzando as pernas.

Naruto saiu de perto da janela e se sentou na minha frente da mesma forma que eu, tirou um pequena garrafa branca de um bolso interno de seu Kimono e deu um longo gole antes de estender a garrafa para mim, peguei a garrafa com cautela e cheirei seu conteúdo.

Saké.

Dei de ombros e bebi o conteúdo da garrafa de uma vez, senti minha garganta arder como o inferno, tossi uma ou duas vezes e entreguei a garrafa de volta para Naruto olhando para ele com uma sobrancelha erguida.

“ Saké sempre tem esse gosto horrível?” Perguntei calmamente.

“Só ate você se acostumar.” Falou Naruto tomando outro gole.

Sorri brevemente, antes de voltar a ficar sério novamente, fiquei em silêncio observando Naruto enquanto organizava meus pensamentos, precisava escolher as perguntas certas, mas quais seriam elas?

“O que quis dizer com o sim e não de antes?” Questionei curioso.

“Bem como posso dizer... seu clã realmente planejava uma rebelião e eles queriam colocar um Uchiha como Hokage.” Falou Naruto pensativo. “Porém não eram todos que tinha esse pensamento, era apenas um grupo seleto de conselheiros velhos, gordos e arrogantes” Naruto parou por um tempo para beber mais um gole de saké antes de me oferecer a garrafa novamente. “Seu pai Fugaku foi esperto o bastante para juntar esse grupo para manipular o resto do clã.”

“Porém ele estava sendo manipulado também.“ Falei antes de tomar outro gole de saké.

“Sim” Confirmou Naruto fechando os olhos por um momento.

“Quem?“ Perguntei seriamente.

“Não sei” Falou Naruto pensativamente. “Apesar de ter minhas suspeitas.“

“Suas suspeitas quase sempre estão certas.“ Observei com um leve sorriso dançando em meus lábios.

“Hunf” Resmungou Naruto “Esse é o problema de sempre estar certo.” Falou ele revirando os olhos. “Enfim suspeito que o homem que controlou seu pai também tenha ajudado Itachi a eliminar seu clã.”

“O que?” Perguntei surpreso. “Por que ele faria isso?”

“Eu lhe ensinei a analisar qualquer tipo de situação.” Falou Naruto calmamente. “Pense no que ele ganharia com o fim de seu clã e o porquê Itachi aceitou a ajuda desse cara.“

Fechei os olhos por um momento pensando nas palavras de Naruto e no que esse cara ganharia com o fim dos Uchihas, havia varias possibilidades, mas nenhuma delas se encaixava a não ser...

“Sharingans“ Falei pensativo “Com o fim de meu clã ele poderia obter quantos olhos pudesse pegar. E Itachi aceitou a ajuda desse cara por que ele precisava de ajuda para eliminar a Elite policial do clã, nem mesmo ele sozinho poderia dar conta de uma tarefa dessas.“ Analisei enquanto recebia novamente a garrafa de Saké de Naruto. “Itachi também aceitou a ajuda desse estranho por que não queria o envolvimento da vila correto?”

“Exatamente“ Confirmou Naruto. “Assim Itachi levaria toda a culpa consigo, o Clã Uchiha era a vitima, e a vila inocente do genocídio. Konoha também espalhou a noticia que Itachi havia queimado todos os corpos, desse modo evitava que outras vilas enviassem espiões para desenterrar corpos atrás dos olhos de sua família.“

“Entendo” Falei pensativo enquanto absorvia tudo o que Naruto havia me dito e tudo o que eu havia concluído.

Passei vários minutos em silêncio refletindo enquanto mirava o chão aos meus pés, respirei fundo enquanto preparava uma nova pergunta com cuidado.

“Por que Itachi escolheu a Vila ao invés do próprio clã?” Perguntei seriamente.

“Itachi viveu os efeitos da guerra muito cedo.” Começou Naruto calmamente. “Tudo o que ele queria era evitar uma guerra civil em Konoha.”

“Guerra civil?” Perguntei surpreso “Ia chegar a tanto?“

“Sim, se o golpe tivesse sido dado à aldeia ficaria dividida em duas.” Explicou Naruto apontando um dedo para mim. “De um lado o Hokage e seus aliados e do outro os Uchihas e seus aliados.“

“E isso levaria Konoha a ruína.“ Observei pensativo. “Com Konoha dividida, as outras aldeias iriam ter a oportunidade de esmagar Konoha de uma vez por todas”.

“Correto“ Falou Naruto seriamente. “Você começa a entender o peso das decisões de Itachi?“

“Sim, dividido entre a lealdade pela aldeia e o seu amor pela família. “ Falei olhando para o teto do Dojo. “ Ele escolheu a Aldeia. “

“E você sabe o por quê?” Perguntou Naruto me olhando firmemente.

Balancei a cabeça negativamente, eu não fazia ideia do que levaria Itachi a proteger primeiro a vila ao invés da própria família.

“Por quê?” Perguntei parra Naruto depois de uma longa pausa.

“Você sabe para que serve uma vila ? “ Perguntou ele. Franzi as sobrancelhas em duvida. O que isso tinha a ver com a decisão de Itachi?

“Cumprir missões?” Arrisquei.

“Não, o real propósito de uma vila é proteger as crianças.“ Explicou Naruto sorrindo de leve.

“Está falando realmente serio?“ Questionei duvidoso.

“Sim.“ Falou Naruto acenando positivamente com a cabeça. “Como deve saber Konoha foi fundada por Uchiha Madara e Harishama Senju ambos cresceram em meio a guerra de clãs que reinava antigamente e muitos jovens lutavam em batalhas de vida ou morte.” Explicou Naruto seriamente. “Madara e Harishama se tornaram amigos mesmo com os Senjus e Uchihas estando em guerra, futuramente ambos se tornaram lideres de seus próprios clãs e firmaram um acordo fundando a atual Konoha.”

“E onde entram as crianças nisso?” Questionei curioso.

“Como disse cresceram na guerra e por causa dela perderem seus respectivos irmãos cedo” Falou Naruto bebendo mais um pouco de saké. “E eram apenas crianças, e isso fez eles terem uma visão diferente dos outros ambos pretendiam criar um novo sistema Shinobi, como de fato fizeram.”

“Então por causa da guerra eles criaram as Aldeias?” Perguntei arqueando uma sobrancelha.

“Sim.” Afirmou Naruto. “Assim crianças não teriam que marchar para a guerra antes de estarem preparadas para isso. Os níveis de qualificação foram criados e a distribuição de missões também, assim a expectativa de vida dos Shinobis cresceu e vendo o sucesso de Konoha outras vilas surgiram e o atual mundo Ninja foi criado, com vilas em seus respectivos países.“

“Então foi por isso que Itachi escolheu a vila...” Falei suspirando pesado e fitando chão.

“Sim” Falou Naruto simplesmente.

“Agora entendo” Comecei falando devagar “Se ele tivesse escolhido o clã varias das crianças da aldeia teriam sido mortas no conflito, mas escolhendo a Aldeia ele protegeu a todos, incluindo a mim...”

“Vejo que percebeu” Comentou Naruto com um tom de voz satisfeito.

“Sim, agora entendo o porquê fui poupado.“ Falei calmamente. “Eu era a única criança no clã Uchiha na época, se tivesse me matado Itachi estaria jogando no lixo seus princípios e crenças.“

“Exatamente“ Falou Naruto “Itachi implorou para o Hokage e o conselho que você fosse poupado, no fim eles aceitaram.“

“O Hokage e o conselho” Falei devagar antes de continuar “ Qual o papel deles no fim do meu clã “

“O Hokage queria um acordo diplomático com os Uchihas, porém Danzou e o conselho queriam medidas mais radicais. E sem apoio, o Sandaime viu o destino dos Uchihas ser traçado sem que ele pudesse fazer nada.“ Falou Naruto enquanto brincava com a garrafa de Saké a jogando de uma mão para outra. “Pessoalmente acho que ele conseguiria a paz com os Uchihas se fosse dado mais tempo a ele, porém Danzou se antecipou e fez a proposta da missão para Itachi.“

“Não precisa dizer mais nada.“ Falei me levantando lentamente. “Já tomei minha decisão, irei reerguer os Uchihas e mudar a ideologia arrogante que nos levou a ruína, irei limpar o nome de Itachi e fazer com que todos saibam o herói que ele é e por fim... irei fazer todos os responsáveis pelo sofrimento de meu irmão pagarem por seus atos. Danzou, os conselheiros e principalmente aquele homem.” Falei Determinado.

“Vingança?” Questionou Naruto.

“Não” Falei firmemente. “Justiça. Não irei me perder nesse caminho de novo.” Falei olhando para Naruto com firmeza. “Irei mostrar para todos o quão podres eles são”

“Você está confiante.“ Falou Naruto sorrindo. “Mas já pensou que se limpar a imagem de Itachi, estará sujando o nome de seu clã?”

“Não me importo com o que pensaram de meu clã.“ Falei firmemente. ”Eu criarei uma nova imagem para ele, que apagara a mancha que a antiga deixou. Além disso, não pretendo reconstruir meu clã em Konoha. “

“Não?” Falou Naruto arqueando uma sobrancelha.

“Não.” Falei calmamente. “Se pretendo reconstruir meu clã precisa ser longe daqui, longe dos fantasmas do passado.“

Naruto me encarou, e por um momento eu naqueles olhos azuis um brilho de satisfação e orgulho pelas minhas palavras, mas logo a sensação passou e os olhos dele estavam frios e cansados novamente como sempre eram.

“Entendo” Falou ele após um minuto de silêncio. ”Tenho coisas a fazer, então vou deixa-lo com seus pensamentos. “

Naruto se levantou e guardou a Garrafa de Saké no bolso interno do Kimono, e passou por mim caminhando lentamente, me virei na direção que ele andava e curvei a cabeça em sinal de respeito para ele.

“Arigato.” Sussurrei.

Naruto sem se virar ergueu a mão e acenou, antes de sumir como se nunca tivesse estado na sala. Suspirei satisfeito e olhei ao meu redor observando as paredes cheias de desenhos com os emblemas Uchihas. Estava na hora de mudar.

Sandaime

Finalmente havia conseguido reunir os sete lideres de tribais de Konoha e o conselho civil para discutir o assunto do momento: Clã Uzumaki.

De alguma forma a ambição de Naruto em reconstruir seu clã no solo de Konoha havia chegado aos ouvidos de Danzou, segundo ele eu havia, acidentalmente, deixado a noticia vazar para as massas populares da aldeia a informação. Como se eu fosse acreditar em uma mentira ridícula dessas. Uma semana depois toda a aldeia sabia e alguns conselheiros declaravam abertamente sua desaprovação tendo o apoio de muitos aldeões. Tudo estava indicando que não seria uma reunião fácil e muito menos uma reunião rápida.

Saco.

Suspirei pesado diante dessa perspectiva, com certeza a reunião iria ocupar horas e mais horas de discussão. Peguei meu cachimbo e enchi com erva-de-fogo acendendo logo em seguida, dei uma longa tragada enquanto apreciava a maravilhosa sensação do Tabaco se espalhando pelo meu organismo, meus músculos relaxaram imediatamente e pude sentir minha mente divagar por um momento.

Caminhei satisfeito pelos corredores ate encontrar Danzou parado me esperando perto da entrada do salão de reuniões, Danzou parecia ainda mais sombrio que o normal, com suas ataduras e bengala, algo o incomodava e eu podia sentir isso pela sua postura corporal.

“O que houve?” Perguntei sem rodeios parando na frente.

“Meus batedores tem más noticias” Sussurrou ele puxando uma pasta do interior da roupa e me entregando. “Ao que parece a Grama e a Cachoeira estão em guerra.”

Franzi as sobrancelhas, e peguei o relatório lendo ele rapidamente, qualquer satisfação que eu tinha recebido ao acender meu cachimbo foi exterminada e transformada em fumaça, literalmente falando.

“Uma guerra.” Falei expelindo fumaça pela boca. “E tão perto de nossas fronteiras, isso não é nada bom.”

“Você sabe que é apenas uma questão de tempo para que ela alcance o País do Fogo e Konoha também” Falou o Velho falcão de guerra seriamente.

“Sim, mas por hora devemos dobrar o efetivo de Shinobis nas fronteiras com ambos os Países” Falei seriamente “Não devemos tomar nenhuma medida precipitada, isso poderia nos arrastar para uma quarta guerra ninja.”

“Sou obrigado a concordar” Falou Danzou calmamente. “Devemos deixar que ambas as aldeias se desgastem com a guerra e por fim teríamos nossa chance.”

“Não iremos discutir isso aqui e agora” Falei irritado “A pauta dessa reunião é outra”

“De fato” Falou Danzou sorrindo de canto. “Mas não pode negar que essa é a oportunidade de ouro para nossos Shinobis”

“O que quer dizer?” Perguntei seriamente.

“Estamos em paz há muito tempo” Começou ele calmamente. “Já Faz quatorze anos desde o ataque da Kyuubi, nesse tempo nossos Shinobis se tornaram desleixados. As missões de Rank mais alto estão diminuindo cada vez mais, nossos Jounnins estão ficando preguiçosos, os Chunnins estão mal preparados e nossos Gennins são incapazes de se defender sozinhos.”

“Tudo o que diz é verdade.” Concordei relutante. “Mas uma guerra? Isso é algo extremo demais Danzou.“

“Você é muito mole Sarutobi. “ Falou Danzou com desdém. “É claro que um confronto em larga escala seria tolice, mas um ataque rápido seria eficiente. Entrar, pegar e sair, já fizemos isso vários vezes no passado. “

Olhei para Danzou analiticamente, a ideia não era de toda ruim, ele estava certo sobre os Shinobis de Konoha terem se tornado preguiçosos e desleixados, a falta de missões perigosas era a principal causa disso, os Jounnins mais bebiam, fumavam, usavam drogas e frequentavam Bordeis do que treinavam suas habilidades. E um ataque concentrado e rápido poderia por os Shinobis experientes na linha, quanto aos mais novos, fracos e desleixados teriam um destino não muito agradável no campo de batalha, o plano era bom, porém havia uma grave falha nele.

“A ideia não é de toda ruim” Falei balançando a cabeça conformado. “Mas existe uma pequena falha nela”

“Qual?“ Questionou Danzou

“Nosso senhor feudal é um pacifista“ Apontei calmamente antes de dar mais uma tragada em meu cachimbo.

Danzou fez uma careta e praguejou baixo pela falha que eu havia encontrado. Lorde Bali, Senhor Do Fogo, era um pacifista conhecido em vários países do continente preferindo sempre entrar em um acordo diplomático ao invés de armas. Fazer Bali aceitar era o mesmo que escalar uma montanha com as mãos nuas e sem usar chakra.

“Pensaremos nisso depois” Falei firmemente. “Agora temos outros assuntos para resolver.”

“Como queira” Falou Danzou simplesmente.

Caminhei em silêncio ao lado de meu antigo companheiro e melhor amigo, não pude deixar de pensar em como as coisas mudavam com o passar dos anos. Chegamos às portas do salão de reuniões, algo me dizia que essa não seria uma reunião nem um pouco fácil.

[.........]

E mais uma vez essa sala é palco de uma reunião decisiva para Konoha, uma sala oval na qual o conselho se reúne para decidir tudo que é preciso para o futuro de nossa vila. Dirijo-me a minha cadeira que está disposta no meio da sala, objeto impotente e lustroso como se fosse um trono, mostrando o poder que apenas o Kage exerce sobre os demais observadores que estão dispostas em duas arquibancadas. Uma delas destinada ao conselho civil, a do lado esquerdo, composto por anciões populares, eleitos por toda a população não ninja de Konoha. Arquibancadas compostas por nove lugares com uma cadeira ao meio destinada ao líder do conselho civil ao lado da mesma foram dispostas nove cadeiras para os demais conselheiros cada uma indicando o seu nível de poder. Yorem líder comercial, Alastor líder dos transportes, Torok líder agrícola, Kasumi líder dos transportes navais, Misani líder do Banco de Konoha, Malaki líder dos negócios estrangeiros, Sora líder da construção civil, Maika líder da saúde e saneamento, Baku líder da comunicação e Tirosh líder geral do conselho civil

No lado direito outra arquibancada, essa mais complexa e divida em dois níveis, exatamente hierarquizado. O nível mais alto está à parte ninja mais influente, ou seja, os clãs de elite de Konoha, estes apresentam votos bastante decisivos para o conselho. Nesse nível cada cadeira apresenta o símbolo do clã a que foi destinada. Sendo eles, O clã Hyuuga, no primeiro assento, liderados por Hyuuga Hiashi, seguidos pelo clã Sarutobi, a qual eu pertenço, tendo como líder Sarutobi Asuma, o clã Nara, com o Nara Shikaku como representante, clã Yamanaka, com o Yamanaka Inoichi, o clã Akimichi, com o Akimichi Chouza, seguido pelo clã Inuzuka, tendo como líder Inuzuka Tsume e por fim o clã Aburame com o Aburame Chibi como líder.

O segundo nível desta arquibancada é composta pelos seis representantes dos clãs menores, eles tem o direito de votar, mas não são influentes como os líderes das elites. Krassenis líder do clã Komori, Kaisa líder do clã Arashi, Chang líder do clã Gakido, Arasi líder do clã Ihai, Shinji líder do clã Tanken e por fim Madoka a líder do clã Gosuto. Uma bela e perfeita hierarquia.

Embaixo dessas arquibancadas, existe um local destinado a outras pessoas que são requisitadas nas reuniões, estas não apresenta nenhum poder de voto, apenas serão ouvidas pelo conselho que poderá ou não decidir o destino do veredito dado por nós.

Do meu lado, tão ou mais importante que a disposição de hierarquia nas arquibancadas, estão os conselheiros do Kage, estes tanto podem votar quanto podem ajudar o seu líder, o Hokage, a dar o seu voto. Do lado esquerdo ficam o Homura e Koharu, enquanto do lado direito o meu rival de adolescência, e acredito que até hoje, Danzou.

Sussurros enchiam o aposento enquanto os conselheiros trocavam confidencias e segredos uns para os outros, alguns provavelmente já preparando seus votos antes mesmo da reunião começar. Bando de parasitas, porém parasitas necessários para o funcionamento de Konoha como centro militar do País do Fogo. As portas de ferro do salão se abriram com um leve ruído, porém isso fez com que todos os senhores do salão se calassem no mesmo instante, adentrando a sala a passos lentos vinha Naruto acompanhando de perto por Deidara e Nakiko. Todos os três se vestiam com vestes de sedas e vinham com varias jóias , mas quem realmente chamava a atenção entre os três era Naruto. Ele andava com segurança e tranqüilidade, vestia-se com um Kimono negro de seda, com o símbolo dos Uzumakis desenhado no peito, o longo cabelo dourado caia solto pelas costas, em seus dedos 10 anéis com pedras preciosas podiam ser vistos de longe, na cintura levava sua Katana negra em uma bainha igualmente negra, mas com leves fios de ouro desenhados na superfície. Observei a reação surpresa dos conselheiros diante do luxo das roupas de Naruto, a mensagem que ele trazia vindo dessa maneira era clara. Poder.

“Boa noite cavalheiros.“ Falou Naruto após um longo minuto de silêncio “Podemos começar ?” Falou ele se sentando na cadeira reservada a ele e lançando um olhar de puro desdém para todos as pessoas presentes.

Deidara e Nakiko ficaram de pé as costas de Naruto, como duas estatuas de mármore, com os rostos inexpressivos, observei Naruto por um momento, um breve sorriso zombateiro brincava em seus lábios, ele parecia estar se divertindo com toda essa situação.

“Uzumaki Naruto, o conselho de Konoha atendeu seu pedido e hoje estamos reunidos aqui para deliberar sobre suas reivindicações“ Falei calmamente enquanto fitava Naruto com atenção, o mesmo virou seu olhar para mim e sorriu ferinamente. “Por qual tema deseja começar?“

“Pelo mais simples“ Falou ele calmamente. “Minha emancipação e a adoção da menina Nakiko.”

“Pois bem, o conselho ouve“ Falei entoando a frase que indicava que Naruto deveria tomar a frente e iniciar as negociações.

“Peço o direito de ser emancipado, para obter completamente minha herança.” Falou ele sem rodeios. “Já se passou o tempo de eu receber tudo o que Konoha tirou de mim nesses quatorze anos. “

“Konoha não lhe tirou nada garoto” Falou Alastor irritado. “A lei é clara.“

“A lei que vocês criaram para impedir que o Jinchuriki da Kyuubi obtivesse os segredos de sua família?” Falou Naruto olhando friamente para o conselheiro.

Todos na sala arregalaram os olhos em surpresa, para eles isso não deveria ser do conhecimento de Naruto, não pude deixar de sorrir internamente com as expressões idiotas que alguns conselheiros fizeram.

“Não me importo com suas leis estúpidas e preconceituosas, eu quero a herança que o meu pai, o Yondaime Hokage, e a minha mãe, Uzumaki Kushina, deixaram para mim “ Falou ele fitando todos com desprezo.

“Como ousa....“ Falou Alastor corando de raiva.

“Eu ouso, por que está no meu direito como filho deles” Falou Naruto. “E se eu fosse o senhor controlaria sua língua ao falar comigo conselheiro.“

“Basta de discussão“ Falei firmemente. “ De fato Naruto, você tem o direito a sua herança completa, porém a lei diz que apenas quando atingir a maioridade poderá obter tudo.”

“E eu não estou aqui para obter esse direito Sarutobi? “ Perguntou Naruto sarcasticamente. “Eu desejo essa herança, por que e a única coisa que sobrou de meus pais. A única lembrança que me sobrou deles. E eu irei obter isso de uma maneira ou de outra. Nem que para isso, eu tenha que passar sobre as leis de vocês.” Conclui ele sorrindo friamente.

“Está nos ameaçando?” Questionou Torok o conselheiro agrícola irritado.

“Deidara se o conselheiro Torok falar novamente mate-o.” Falou Naruto calmamente enquanto fitava o conselheiro. “Isso sim é uma ameaça, percebeu a diferença?”

Vi o conselheiro se encolher como se tivesse levado um tapa, Naruto se virou e fitou a todos sorrindo amistosamente, não pude deixar de fitar aquele jovem admirando, como ele era maduro demais para a idade, frio demais, poderoso demais.

“Não desejo conflitos com nenhum de vocês.” Falou Naruto cordialmente. “Você estão negando à única herança de uma criança ?”

“Todos sabemos que você não é criança coisa nenhuma.” Falou um conselheiro mercantil se erguendo. “Ouvimos historias que esteve em todas as grandes nações e visitou suas respectivas aldeias. Andou contando segredos de Konoha para eles traidor?”

“Não” Falou Naruto fazendo uma expressão confusa. “Achei que esse era seu trabalho conselheiro Yorem.“

Arregalei os olhos surpreso e virei para onde Yorem estava, o velho mercador havia ficado pálido como a morte, suor escorria pela sua testa, os olhos arregalados em um pânico silencioso. Todos na sala o fitaram quando o mesmo se sentou fitando o nada, não era preciso uma inspeção maior para ver que o homem era culpado, porém sem provas concretas as palavras de Naruto nada valiam.

“Chamam-me de traidor, mas o que dizer da conselheira Kasumi que contrabandeia escravos do País do Fogo para a região de Mandaloria? Ou do conselheiro Hataro que trafica Ópio para nossos Shinobis? Ou do conselheiro Malaki que desvia dinheiro de nossos cofres? “ Falou Naruto sorrindo vitoriosamente. “Será que viajar pelo mundo e um crime tão grande assim?”

A sala estourou em gritos e acusações furiosas, enquanto os conselheiros civis discutiam, os conselheiros Shinobis permaneciam em um silêncio inexpressivo, porém a tensão e o desconforto de alguns deles era visível.

“Você fez acusações serias Naruto.” Falei seriamente. “Tem alguma maneira de prova-las ?”

O jovem loiro não falou nada, apenas retirou uma pasta de dentro do Kimono e a jogou displicentemente para cima da minha mesa. Abri a pasta com cuidado e li rapidamente o texto observando em seguida alguma das fotos contidas no arquivo, não havia como contestar tais provas.

“Danzou” Sussurrei calmamente.

O velho falcão de guerra não falou nada, apenas estalou os dedos para que cinco ANBUS Raizes aparecessem às costas dos conselheiros acusados por Naruto.

“Tirem eles daqui e os joguem na prisão de Kuroi Mizu, Ibiki vai adorar conversar com os novos convidados.“ Falei firmemente.

Os ANBUS acenaram positivamente e sumiram em uma nuvem de fumaça levando consigo os prisioneiros. Virei meu olhar para Naruto e o fitei friamente.

“Acho que nos desviamos do tema principal dessa reunião” Falei asperamente para ele.

“Talvez” Falou Naruto com descaso. “Mas o lixo tinha que ser posto para fora” Falou ele sorrindo. “Agora senhores por que não decidem se devo ou não devo ser emancipado?“

Esse garoto era astuto, muito astuto. Ele havia intimidado a todos com as acusações contra os outros conselheiros e agora todos eles estavam na palma da mão dele, sem perceberem isso. Uma estratégia perfeita.

“Se não tem mais nada a declarar que se inicie a votação.“ Falei dando três socos leves na minha mesa.

Colocar o polegar para baixo indicava um voto negativo, porém colocar o polegar para cima indicava um voto positivo. Não precisei de uma contagem para ver que a petição de Naruto havia sido aprovada com louvor. Quase todos haviam votado positivamente, apenas alguns conselheiros de clãs Shinobis menores haviam votado negativamente. Nenhum líder tribal da elite ou do que sobrara do conselho civil haviam votado contra. Estão todos com medo de terem seus segredos revelados, por isso não ousam ir contra ele.

“Ao que parece a sua petição foi aprovada.“ Falei calmamente. “Amanha comparecerá ao meu escritório para assinar os papeis e receber o que falta de sua herança.”

Naruto acenou levemente com a cabeça enquanto um sorriso satisfeito crescia lentamente em seus lábios.

“Qual tema deseja abordar agora?“ Questionei fitando ele atentamente.

“Meu vassalo Deidara.“ Falou ele firmemente. “Desejo que ele se junte as fileiras de Konoha.”

Não pude deixar de notar o desagrado de alguns conselheiros diante da escolha de Naruto, eles estavam ficando impacientes para pular para o ultimo tema e isso os faria apressar a votação atual, uma jogada realmente inteligente da parte de Naruto, eu era obrigado a admitir.

“Como saberemos se ele é confiável?” Questionou Hiashi pela primeira vez.

“Ele é um estrangeiro” Apontou Krassenis calmamente. “E era Shinobi de uma aldeia inimiga de Konoha, como iremos saber se ele não e um espião enviado por Iwa?”

“Bem, primeiro fui eu que propus para Deidara se tornar meu Vassalo, ele nunca cogitou algo do tipo antes.“ Explicou Naruto calmamente. “Além do mais ele era um Nukenin de Iwa procurado há alguns anos.”

“De fato, mas acredito que todos nós ficaríamos mais tranquilos se esse garoto deixasse sua mente ser sondada. “ Falou Inoichi. “Mesmo Ibiki pode ter deixado passar algo em seu interrogatório.“

“Se ele estiver limpo não tem nada a temer.” Falou Kaisa calmamente.

“E também iríamos nos assegurar que ele não é uma ameaça para Konoha” Falou Asuma dando uma tragada em seu cigarro.

“Deidara” Falei olhando pra ele firmemente. “Está disposto a deixar sua mente ser sondada por Inoichi ?” Perguntei seriamente.

“Minha mente é meu ultimo santuário“ Falou o vassalo de Naruto “Porém se for o desejo de meu Suserano, farei o que pedem. “

Fiz uma leve careta de desconforto diante dessas palavras, Deidara era leal apenas a Naruto e se obedecesse as minhas ordens seria por que Naruto deixou que ele obedecesse isso quebrava toda a cadeia de comando.

“O que diz sobre isso Naruto?“ Perguntei calmamente .

“Sim.“ Falou ele simplesmente.

Acenei de leve para Inoichi que sumiu em um shunshin de folhas e reapareceu na frente de Deidara, Inoichi colocou sua mão direita sobre a testa de Deidara que fez uma leve careta de desconforto quando a sondagem mental começou. Passaram alguns minutos em que a sala ficou em profundo silêncio enquanto Inoichi prosseguia com a sondagem, por fim ele retirou a mão da testa de Deidara e se virou para mim.

“Está limpo” Falou ele calmamente. “Apenas algumas memórias de infância que ele guardou para si, mas não vi nenhuma ameaça nas intenções dele.”

“Entendo, pode voltar para seu lugar Inoichi” Falei observando Deidara e voltando logo depois meu olhar para Naruto.

“Bem já que está limpo o que acham desse jovem ser integrado as nossas forças?” Perguntei calmamente para os conselheiros.

Levantei a minha mão para cima em voto positivo, assim como todos os outros conselheiros da sala, Deidara era um ninja habilidoso e já que aparentemente não apresentava nenhum risco não havia por que nega-lo nas fileiras da Vila, tirando o fato dele responder diretamente apenas a Naruto.

“Está decidido, amanha criaremos sua ficha Shinobi e lhe daremos uma qualificação digna de suas habilidades.“ Comecei calmamente, enquanto planejava minhas próximas palavras. “Durante três meses você ira servir Konoha sobre o acompanhamento de perto de um de nossos Jounnins, ele ira vigia-lo para garantir que você não é nenhuma ameaça, afirmativo?“

“Sim” Respondeu Naruto sorrindo secamente.

“Sim” Respondeu Deidara monotonamente.

“Ótimo” Falei mexendo nos papeis a minha frente ”Vamos ao próximo tema.”

Aguardei uns momentos observando os rostos dos presentes com atenção, olhares ansiosos e famintos, agora tínhamos chegado ao verdadeiro núcleo da Reunião onde qualquer palavra dita sem cuidado poderia gerar uma grande rixa entre os clãs.

“Naruto Uzumaki é seu desejo restaurar o clã Uzumaki em Konoha?” Perguntei calmamente, mas observando de forma atenta os conselheiros presentes.

“Sim“ Falou Naruto firmemente.

A sala ficou em silêncio por um momento antes de explodir em gritos, alguns de desdém outros de raiva, suspirei pesado e observei tudo com uma expressão impassível enquanto começava a liberar minha intenção assassina pela sala, os conselheiros se calaram um a um e viraram seus rostos para mim esperando eu dá continuidade.

“Não vamos a lugar nenhum com gritos e ofensas” Falei de forma suave. “Naruto você sabe que criar e manter um clã requerem responsabilidades e além de tudo para seu clã ser aceito como parte da vila ele precisa oferecer um tributo.” Falei fazendo um breve pausa para fumar meu cachimbo. “Um tributo de armas, terras e ouro.”

“Sarutobi” Falou Naruto sorrindo com desprezo. “Você acha que eu não possuo essas besteiras de tributos que a Aldeia cobra ?” Perguntou ele friamente. “Mas já que desejam tanto isso, farei como pede. Seu tributo em armas está em minha duas linhagens sanguíneas o Doujutsu ancestral do próprio Rikudou.... o Rinnegan. “

A sala ficou em um silêncio chocado por um breve antes que um dos conselheiros tomassem corajem para falar.

“Isso só pode ser piada” Falou Kaisa “Todos sabem que o Rinnegan desapareceu com o próprio Rikudou, isso é se qualquer um deles realmente chegou a existir.”

“Ah mais ele existiu sim conselheiro “ Falou Naruto calmamente. “Assim como sua linhagem, os Uzumakis existiam para provar isso, isso é claro antes das cinco nações os queimaram”

“Como pode provar que esse mito não e mentira?“ Perguntou Hiashi seriamente.

“No momento não posso provar nada.” Falou Naruto asperamente. “Minhas linhagens não foram despertadas ainda.” Falou antes de se virar para mim. “Mas nosso bom Hokage pode provar a verdade das minhas palavras não é?”

O tom de voz de Naruto soava com desafio, como se ele esperasse que eu negasse a existência da linhagem dele, mas se eu fizesse isso seria declarar guerra pessoal a Naruto e ele era poderoso demais para ser chamado de mentiroso na frente de tantos lideres importantes. Era como andar numa fina camada de gelo que poderia se partir a qualquer instante.

“O que Naruto diz é verdade.“ Falei cuidadosamente. “Os Uzamakis derivam de uma miscigenação entre os clãs Uchiha e Senju e dessa união, ao que parece, o Rinnegan é despertado.”

Um breve silêncio se instalou enquanto os conselheiros absorviam as palavras ditas por mim. Não gostava do rumo que as coisas estavam tomando, Naruto com um clã ia ganhar influencia demais dentro da vila. Influencia para coagir clãs menores e seus lideres corruptos.

“Você citou apenas uma linhagem” Observou Shikaku ”Qual seria a outra?”

“A Linhagem Namikaze” Falou Naruto seriamente. “Kami No Chi, creio que essa já tenham ouvido falar não é cavalheiros?”

“Essa linhagem infame é conhecida por todos nós” Falou Chang “Mas o Yondaime nunca mostrou que possui a habilidade de utiliza-la.”

“Isso por que meu pai selou a própria linhagem para não sofrer de seus efeitos colaterais.” Explicou Naruto calmamente.

Os lideres assentiram com a cabeça, satisfeitos com as explicações dadas por Naruto, o que eu podia fazer?

“Quanto a terras, cederei para as plantações de Konoha 30 % das terras pertencentes aos Namikaze para os camponeses fazerem suas plantações.” Falou Naruto sorrindo vitoriosamente. “Outros 30 % doarei para áreas de treino da Raiz de Konoha, já que ambas áreas são próximas.” Falou Naruto fitando Danzou friamente, enquanto o mesmo observava Naruto com curiosidade. “E os outros 40% usarei para proveito próprio e claro.“ Naruto deu um breve pausa antes de continuar. “E quanto ao tributo em dinheiro e ouro. Creio que isso deva ser o suficiente.“

Com uma rápida sequencia de selos e um toque no chão Naruto invocou uma enorme arca dourada que ao ser aberta revelou inúmeras pedras preciosas e barras de ouro, a fortuna dentro daquela arca deveria ser maior que a de muitos clãs.

“Creio que seja o suficiente não é?” Perguntou ele Ironicamente. “Agora chega de enrolarmos sou uma pessoa ocupada, então por que os senhores não terminam com isso de uma vez.”

As mãos começaram a se erguer e algumas a baixar negativamente, porém eu percebi que não havia mais o que fazer. Naruto havia conquistado a maioria dos conselheiros civil com a doação de terras e mostrando parte de suas riquezas e o conselho Shinobi estava nas mãos dele, afinal qual clã não gostaria de um casamento com um clã com linhagens tão poderosas quanto as que Naruto estava oferecendo? Ate mesmo Danzou, Homura e Kohaku levantaram seus polegares aceitando a criação do clã que Naruto desejava, por fim sem outras opções levantei meu polegar.

“Eu assim declaro a fundação do clã Uzumaki em Konoha.” Falei firmemente. “Como líder de clã ganhara direito a participar de nossas reuniões e terá direito de voto como todos os presentes aqui.” Pausei por um momento. ”Amanha passará no meu escritório para assinar os papeis referentes a suas obrigações e propriedades. Eu declaro essa sessão terminada, dispensados” Falei com um suspiro cansado.

Naruto sorriu largamente para mim antes de fazer uma reverencia debochada, após isso se virou e saiu com seus dois companheiros com toda a graça e dignidade de um rei. Suspirei pesado, Minato e Kushina teriam que me perdoar, mas esse garoto não era alguém confiável e eu precisava agir o quanto antes, mas o que fazer? O que fazer?

A Assassina maculada

Naquela profunda escuridão que ali tomavam conta de mim, me fizera esquecer em pouco tempo quem eu era e como era sentir a luz, na realidade não me recordava como era à luz, como era ver a luz, pois tudo agora era a mais densa e profunda escuridão que resoava infinitamente a minha volta, o som da inexistência da luz alimentava ainda mais a minha abdicada da mesma, os demônios da escuridão, os quais muitas pessoas temem e tremem deles, agora brincam infinitamente no meu jardim, que antes inundado pela luz, agora já jazia morto pelas trevas que ali me cercavam. Fui abdicada da luz e entregue nas mãos densamente frias das trevas. Além de ter sido inserida naquela completa escuridão que ali me cercava, que ali me fazia ser emersa pelas trevas, além de tudo isso, eu me encontrava completamente imobilizada, me encontrava jogada num dos cantos daquele lugar escuro, me encontrava presa a uma camisa de força a tanto tempo, que já não me recordava qual era a sensação de poder mexer os braços, na verdade já ate me esquecerá de como era ter braços, pois nem lembrava mais quando eles formigavam, e agora o máximo que eu quase podia sentir às vezes, era o meu sangue circulando estranhamente pelas veias e artérias dos meus braços. Eu não conseguia ouvir qualquer tipo de som ali naquela cela, não conseguia ouvir passos, ou qualquer outro tipo de som. Os únicos sons que eu podia ouvir nitidamente, os sons que me enlouqueciam com o passar do tempo, sons que me deixavam completamente atormentada, eu podia ouvir claramente o som do meu coração batendo, o som dos meus pulmões se enchendo de ar e principalmente o som que mais me alienava, era o som do meu sangue circulando por todo o meu corpo, era o som que me levava ao mais completo delírio de loucura, era agonizante ouvir o próprio sangue circulando pelo seu corpo, era o único som que continuava e continuava infinitamente me levando cada vez mais fundo ao poço da loucura.

Estava quieta como sempre, sofrendo com a abstinência da minha própria lucidez, não fazia mais ideia de quanto tempo mais iria aguentar aquela sinfonia de sofrimento, não sabia quanto tempo eu ainda tinha antes de me perder na eterna alienação, realmente não fazia mais ideia de nada, de nada mesmo.

Estava ali apenas delirando com o silencio eminentemente abundante que ali me cercava, quando pude ouvir uma simples porta se abrindo, o simples som repetido do click ressoando inúmeras vezes ali estava apenas piorando ainda a minha sanidade. Eu me encolhi no canto da cela por não aguentar aquele som que me atormentava naquele momento, a única coisa que eu estava implorando era para aquele som parar, eu suplicava a tudo o que eu me recordava no momento para aquele som se cessar.

Quando aquele som infernal se cessou, quando eu achei que os demônios haviam parado de me atormentar, algo pior que o som do click da porta ressoando finitamente ali, a luz surgiu no instante que tudo pareceu melhorar, mas apenas piorou meu atual estado, aquela luz queimava meus olhos, os sentia arderem como se estivessem pegando fogo, queimavam tanto que eles começaram a lacrimejar como forma de diminuir a ardência constante que estavam sofrendo. Fechei minhas pálpebras como tentativa de diminuir um pouco mais a ardência dos meus olhos, porém mesmo com eles fechados eu ainda os sentia arderem muito, ainda caiam lagrimas deles e o pior de tudo eu conseguia ver a claridade ainda, podia ver aquela luz mesmo estando com os olhos fechados. Queria tanto, mas tanto levar minhas mãos aos olhos apenas para tapar, ou se possível escurecer aquela claridade. Encolhi-me o máximo que eu pude no canto da sala, encostei o máximo que eu podia minha cabeça no canto inferior da parede para tentar fazer aquela luz incandescente parar de me cegar, tentava de todas as maneiras de ofuscar ela, porém ela continuava cada vez mais intensa, cada vez mais forte, parecia como se eu olhasse constantemente direto para o sol ao meio dia, sempre ia fazer meus olhos arderem.

Comecei a me debater por causa da luz, pois estava tão aderida a escuridão, que enxergar novamente a luz estava me causando crise convulsiva ao meu corpo, tanto que a cada minuto eu me debatia cada vez mais e mais. Senti uma mão gelada alisar a minha cabeça.

“Era de se esperar que você fosse reagir assim, por causa do som e da luz.” Mesmo eu ainda me debatendo, eu pude reconhecer o dono daquela voz fria, era a voz do demônio que havia me prendido naquela cela, mesmo eu não ouvindo a voz dele há bastante tempo, mesmo eu tendo agora problemas de sanidade, eu ainda me recordava da voz dele. “Você me parece...” Eu não queria ouvir a voz dele, ela era tão desprovida de sentimentos, que mais parecia à voz de um demônio sussurrando. “... tão mais saudável, do que há cinco anos.” Era completamente evidente o sarcasmo na frase dele, afinal de contas, eu devia estar em péssimo estado.

“...” Eu tentei falar que ele era um mentiroso, mas eu estava há tanto tempo sem beber água e sendo apenas hidratada com soros, que a minha voz não saiu, apenas saiu um ruído mais parecido com um vento adentrando uma caverna.

Mesmo estando de costas para ele, eu conseguia ver o sorriso cínico dele pelo reflexo da parede branca que de tão branca e limpa que era refletia perfeitamente ele e eu. Para ele o estado que eu me encontrava praticamente o alegrava.

“Ora, ora minha pequena criança, tente não fazer tanto esforço antes que seja necessária minha cara criança!” A falsa preocupação dele era visível. Vendo pelo reflexo na parede, vi quando ele ficou de costas para mim. “Sabe criança, ultimamente ando refletindo bastante sobre a possibilidade de finalmente lhe tirar desta sua cela.”

Arregalei meus olhos ao ouvir as palavras de talvez poder sair dali, sair da cela era a palavra que mais ressoava em minha mente nos últimos cinco anos. Comecei a ranger os meus dentes, meu corpo todo tremia apenas pelo fato de talvez, mas bem talvez mesmo eu pudesse ter a mínima possibilidade de ver livre deste pesadelo que tem durado cinco longos anos.

“Embora...” Ele começou a falar. “Como você mesma deve saber minha cara, existe aquele velho ditado de que uma mão lava a outra.” Um sorriso macabro se formou em seu rosto, eu apenas via o sorriso formado em seus lábios pelos reflexos dele sob as paredes brancas transparentes. “E como diz o ditado, para que eu possa lavar a sua mão, você devera lavar a minha antes, ou seja, para que você possa talvez sair desta cela, você deve fazer algo essencial para mim, se você aceitar fazer o que eu estarei te propondo, em parte poderei te tirar daqui.”

Ele ficou em silêncio por alguns instantes, mas mesmo ele ali estando em silêncio era mais aterrorizante do que ouvir a voz fria e rouca dele, na realidade só dele estar ali presente na minha frente, para mim era como estar na frente do próprio diabo, pois por mais que ele te prometa as maravilhas do mundo, tudo o que ele quer na verdade é se aproveitar das minhas fraquezas e me usar para os seus próprios propósitos obscuros dele.

"Se você puder remover uma pedra que surgiu no meu caminho, se você remove-lá com sucesso, lhe garanto que está cela não será mais a sua casa." Ele virou-se e exibia um terrível falso sorriso singelo em seu rosto. “Vou lhe mostrar a pequena pedra no meu caminho.” Ele me virou, fazendo-me olhar diretamente para ele. Ele pós a mão dentro do bolso de onde tirou uma fotografia, ele deixou a fotografia bem próxima a meus olhos.

Mesmo não querendo olhar, mesmo eu desviando o olhar da foto, ele seguia apontando a fotografia na direção do meu olhar, ele insistia em que eu olhasse para a foto, ele insistiu por mais de quinze minutos para que eu pudesse ver quem estava na fotografia, e mesmo que não, eu pude reparar que era a fotografia de um garoto com um cabelo louro meio arrepiado na parte de cima ele tinha um pequeno rabo de cavalo que ia até um pouco abaixo do seu pescoço, ele tinha uma expressão séria, tinha três bigodinhos de gato em cada lado da bochecha, usava um kimono simples, laranja. Em sua cintura havia uma katana de cabo negro embainhada numa bainha da mesma cor do cabo e possuía olhos de cor azul.

“Ele se chama Uzumaki Naruto. Antes ele não representava perigo nenhum a mim, porém o tempo passou e ele de um ser insignificante passou a uma grande ameaça para os meus planos.” Não, ele não queria que eu fizesse aquilo novamente, queria? Eu prometi a mim mesma que jamais voltaria a fazer isso novamente.

Entrei novamente em choque, lagrimas caiam mais ainda de meus olhos pelas lembranças passadas de cometer tal ato, respirava tão rápido que nem parecia que o ar adentrava e saia de meus pulmões. Pude ver o sorriso maligno que se formou nos lábios daquele homem por ver o meu desespero pelo o que ele queria que eu fizesse.

“Você já fez isso uma vez minha cara, depois que matamos pela primeira vez, as outras vezes ficam muito mais fáceis de se fazer.” A satisfação dele por querer que eu mate-se mais uma vez era nítida. “Aceita a oferta minha cara? Aceita matar Uzumaki Naruto em troca da sua saída definitiva desta cela?” Ele esboçou um simples sorriso de canto. A palavra matar ficava ressoando em minha mente, era isso que ele queria desde o começo, que eu mate alguém novamente, que eu derrame sangue mais uma vez. “Não tenho o dia todo, você aceita, ou prefere ficar mais tempo nesta cela?”

Mesmo esta sendo minha única chance de sair dali, mesmo esta sendo a chance de acabar com todo este sofrimento e dor que eu venho sentindo neste malditos cinco anos, mesmo assim... mesmo assim eu não queria derramar sangue novamente. “...” Tentei falar um não para ele, porém minha voz não saia ainda. Então entre todas as lagrimas que caiam de meus olhos, em meio ao meu conflito interno, ali no momento, eu apenas sacudi minha cabeça para os lados, dizendo com o aceno que eu não aceitava a proposta dele.

Ele fez uma cara séria de mais para mim, porém ela durou apenas alguns segundos, e logo ele começou a rir. “Hahahahahahaha.” A forma como ele ria, era como se tivessem contado uma piada engraçada para ele. “Sabe minha pequena, eu já espera que você iria dizer não para a minha proposta, era de se imaginar que isso aconteceria.” Pausa. “Por isso, vamos fazer algo diferente!” Ele exclamou sério, e logo deu uma forte batida no chão com a sua bengala, fazendo um som enorme ocorrer dentro da minha cela. Logo apareceu atrás dele um homem com roupa branca usando óculos, ele tinha um sorriso tão sinistro quanto aquele demônio a minha frente.

“Ela não cooperou, não é Danzou-Sama?” O homem falou como se aquilo também não fosse novidade para ele.

“Não Akio.” Ele confirmou, olhando para mim novamente. “Minha cara, este é Akio, um dos meus mais brilhantes cientistas da Raiz. Ele desenvolveu algo especialmente e principalmente para você. Algo que te fará não somente atrair a atenção do Uzumaki, mas também como ferir as pessoas mais próximas a ele caso for necessário. O que eu creio que será necessário para você conseguir matá-lo.” Ele deu alguns passos para trás, ficando alguns poucos metros longe de mim. “Pode começar a fazer o selamento Akio!” Ele ordenou.

“Hai Danzou-Sama!” Ele exclamou animado.

Eu o vi se aproximando de mim com um colar e um sorriso macabro, logo ele se agachou perto de mim e fez uma sequencia de selos e pós o colar em volta da minha cabeça. “Uurrrrrrrrrrrrrmmmmmm.” Grunhir de dor foi a ultima coisa que eu fiz antes de apagar completamente.

Notas finais
Se Puderem comentar ficaria grato :)Abraços pessoal.Desculpes pelos Bugs,foi coisa do Nyah.Agradecimentos ao Vah por ter escrito o Povs Assasina Maculada.Valeu fera