Notas iniciais
Aqui se acaba mais um ciclo. Vou sentir saudades das postagens de sexta-feira, mas é a vida. Obrigada pela companhia! Nunca pensei que essa fanfic e esse casal seriam tão bem acolhidos!! Felicidade total aqui. Talvez eu demore um pouco para responder reviews, porque estou na estrada. Voltando pra casa respondo com carinho. Boa leitura!

Epílogo

A menina esperou com calma sua vez de ser atendida. Pouco a pouco a fila foi diminuindo e logo ela pôde comprar uma montanha enorme de takoyaki coberto com molho shoyu e peixe desidratado.

Assim que pôs as mãozinhas na bandeja, tomou o rumo de onde sua família estava fazendo o piquenique para comemorar o Hanami.

Era dia nove de abril e Aburame Masako completava dez anos de vida. Apesar da pouca idade, era alta e parecia ter pelo menos uns dois a mais. Os cabelos negros e lisos vivam presos em uma longa trança. No rosto sério as marcas vermelhas eram a coisa mais vibrante em contraste com os olhos estreitos e os lábios finos. Mistura interessante dos traços dos pais.

Logo viu seu Papai sentado em um dos bancos de metal, esparramado e pesado com o barrigão de oito meses. Uma visão que sempre a impressionava.

— Aqui está — ela disse sentando-se ao lado de Kiba.

— Obrigado!! — ele agradeceu, empolgado com os bolinhos.

— Tsunade sama disse que precisa comer a cada duas horas — Masako espetou um bolinho no palito e o ergueu para que seu Papai o abocanhasse.

Aqueles dez anos tinham sido bem generosos com Inuzuka Kiba. Ele terminara a adolescência e entrara na vida adulta com alguns centímetros a mais. Perdera aquele ar infantil que lhe era característico, apesar de manter o jeito selvagem e impulsivo.

Havia entre ele e Masako um laço muito forte de carinho. A menina era extremamente próxima ao Papai, com quem conseguia demonstrar mais seus sentimentos. Kiba não sabia dizer se pelo fato dela ser uma Alpha e seu jovem instinto já torná-la mais perceptiva aos cuidados com Ômegas ou se aquele laço era resultado de tudo o que passaram juntos, quando ela ainda estava dentro de sua barriga. Talvez fosse por ambos os motivos. Em contrapartida, era danado de engraçado vê-la sentada ao lado de Shino, ambos igualmente eretos, sérios e constritos. Parecidos de muitas formas e maneiras, tanto físicas quanto psicológicas.

— Bom pra caralho — Kiba suspirou de felicidade. Desejos por takoyaki já eram uma tradição durante a gestação.

— Tá parecendo! Yo, Kiba — a voz de Naruto atraiu a atenção de pai e filha. O rapaz veio chegando com um sorrisão, pouco mudado naqueles dez anos. Agora usava o cabelo mais curto, e seu corpo estava mais forte e alto, resultado das missões que executava até hoje. O comportamento baderneiro era o mesmo de sempre.

— Yo, Naruto! Veio ver o Hanami?

— Sim, as flores estão lindas. Masako chan, omedetooouuuu!! Tudo bem? Me dá uns bolinhos desses aí? — pediu só pra provocar.

— Não, ojiisan — Masako herdara o jeito comedido de Shino — São para o meu Papai e o meu irmãozinho.

— Oooooooo-O-O-jiisan?!!! — Naruto arregalou os olhos — Só tenho vinte e oito anos! Sou muito novo para ser chamado assim!

E por desaforo moveu-se feito um ninja classe A e roubou todos os takoyaki restantes, jogando-os na boca. Ainda gargalhou alto com a boca cheia. Kiba ergueu as sobrancelhas, notando a explosão de Chacra assassino que pareceu emergir de Masako.

— Naruto, corre pela vida — foi o que conseguiu dizer antes que a filha saltasse do banco na voadora, tentando acertar o peito do homem que ousara roubar os precisos takoyaki de seu Papai. Masako tinha o gênio controlado de Shino, exceto quando alguém mexia com sua família!

— Bor fabor me berdoa! — Naruto gritou se divertindo um bocado, antes de correr parque a dentro, saltando toalhas de piquenique enquanto fugia da garotinha furiosa.

— Morra!! — ela rebateu sem hesitar, correndo ágil como uma pequena e feroz predadora.

A certo ponto um novo rosto com marcas vermelhas surgiu de um grupo de crianças e juntou-se a corrida em perseguição a Naruto. Um pequeno Beta que parecia ter menos do que seus oito anos, pois era baixinho e parrudo, dono de abundantes cabelos negros e olhos indômitos. Aburame Kaoru, segundo filho do casal e um pestinha de marca maior, cujas traquinagens sempre levavam os pais ao colégio para ouvir reclamações dos professores. Não sabia o motivo de sua irmã estar atrás de Naruto, mas se uniria a ela contra um inimigo em comum. Era isso o que irmãos faziam!

— Pobre Naruto — Kiba falou sem sentir muito de verdade, assistindo seus filhos caçarem o adulto. Pensava naqueles takoyaki deliciosos que ele lhe roubara.

— O que houve? — Sakura perguntou vindo pelo lado baixo do parque.

— Nah, o besta do Naruto foi mexer com vespeiro... — Kiba respondeu rindo baixinho. Olhou para a mulher que chegava ofegante. Sakura estava com aparência mais madura, ainda usava os cabelos curtos que caiam bem com o rosto sempre maquiado. Abandonara as missões e atendia no hospital como especialista em jutsu medicinal. Era mãe de duas meninas tão idênticas que pareciam gêmeas.

— Ah, pensei que fosse algo grave.

— E o Rock Lee?

— Tá em missão. Volta sábado. Vão brincar — Sakura liberou as meninas.

— Hikaru está ali — Kiba apontou a terceira filha, uma menininha Beta de seis anos que montava um castelo na caixa de areia. O rosto redondo marcado em vermelho, o nariz escorrendo e os longos cabelos negros soltos e cheios de galhinhos de árvore. Aquela garotinha era espevitada que nem um moleque. Volta e meia tirava bolotas do bolso do vestido e jogava para Kisemaru, filhote do falecido Akamaru, um grande cão de pelos castanho claro, deitado perto, como se a vigiasse.

Yume e sua irmã disparam naquela direção, felizes em poder brincar.

— Como você está? — Sakura sentou-se ao lado dele — Masako adora comemorar o aniversário no parque. Sabia que viriam aqui hoje.

— Hn! Shino fará um bolo pra ela hoje a noite pra fechar a data, como todos os anos. Minha mãe deve aparecer por lá. Leve as meninas também, Masako vai adorar — então coçou a nuca, preguiçoso — Eu to bem. Tsunade san vai marcar o parto pro final desse mês. Ainda bem, acho que não aguento chegar em maio.

— Sua barriga tá enorme — ela passou a mão com carinho sobre o barrigão de oito meses, encantada.

Kiba suspirou. Aquela gestação não fora planejada, diferente das outras. Amava a família grande, mas cada vez era mais penoso para si. Por uma brincadeira do destino, um único dia que ficara sem tomar o hormônio, resultara em mais um Aburame para povoar Konoha. E o bebezinho seria bem vindo, claro. Seus irmãos estavam eufóricos.

— Meus pés também. Adoro calor, só é uma bosta nessas condições.

— Ah, olha seu marido ali — Sakura apontou, fazendo Kiba olhar para o outro lado.

Aburame Shino vinha com um garotinho adormecido nos braços, Aburame Arashi, o até então caçula na sequencia de quatro crianças. Tinha quatro anos e um gênio oposto do que seu nome indicava. Vivia sonolento cochilando por aí, usando Kisemaru como travesseiro.

Os anos também foram gentis com Shino. Ao atingir a vida adulta, ganhara muitos centímetros mais e o corpo desenvolvera-se bem ao executar inúmeras missões no passado. Atualmente aceitara um cargo na Academia e dava aulas no corpo docente com Kakashi sensei e Iruka sensei. Era o Aburame sensei e enchia Kiba de orgulho, estar casado com um professor.

Ao lado dele vinha Uchiha Sasuke, a expressão tediosa de quem tem mil coisas para fazer ao invés de estar ali. Mascara que usava no passar dos anos e só enganava as crianças, que morriam de medo dele. Não era de frequentar o Hanami, só estava ali por ter se afeiçoado a família Aburame tanto quanto Naruto (ainda que negasse o fato) e estar preocupado com eles. Não era segredo que Yamanaka Ino saira em liberdade alguns dias atrás, partindo de Konoha em seguida. A noticia podia ter abalado o casal, principalmente a Kiba em suas derradeiras semanas da gestação. Apesar disso, o Ômega seguia bem. Todas as pessoas que o animavam tinham razão: o tempo amainava a dor, quando olhava Masako não via perda ou sentia tristeza. Via apenas uma menina linda e inteligente, que crescia forte e decidida. Via a vida vencendo. E guardava no fundo do coração o amor pelo irmãozinho dela que não teve a menor chance de conhecer o mundo.

— Seu marido vai ser morto — Kiba apontou Naruto correndo pelo parque, quase sendo alcançado pela dupla de irmãos.

— Não se preocupe, ele aguenta o baque — Sasuke respondeu. Não sabia o motivo da perseguição, porém conhecia seu companheiro bem o bastante para deduzir que ele provocara as crianças. Principalmente Masako, que não era de se exaltar por pouca coisa.

— Ah, Hinata e Chouji mandaram lembranças e um abraço para Masako — Sakura contou — Encontrei com eles e os três meninos ontem enquanto iam viajar para aperfeiçoar o treinamento culinário. O restaurante deles cresceu muito, vão abrir uma filial na vila vizinha.

— Obrigado — Kiba agradeceu. Moveu-se desconfortável.

— Tudo bem aí? — Shino perguntou.

— Sim, só a velha azia de sempre — Kiba resmungou — To ficando velho demais pra isso, marido.

Shino concordou com um gesto de cabeça. Sabia que Ômegas seriam férteis durante o período propicio, que para alguns podia passar dos quarenta anos, por isso a necessidade de hormônios para controlar a alta possibilidade de natalidade para os com vida sexual ativa. Embora um descuido resultasse em mais um filho! Shino conversara com Tsunade sama e descobrira sobre um procedimento que agia nos Alphas ao invés dos Ômegas. Ele faria algo chamado Vasectomia, e Kiba não precisaria se preocupar com mais nada.

Tsunade hesitara em falar sobre essa pequena cirurgia, pois a maioria dos Alphas não gostava sequer de ouvir no assunto. Passar por aquilo diminuía o poder de dominação sobre as demais castas, principalmente sobre os Ômegas e ouvir isso quase fez Shino rir. Ele nunca precisou dominar seu parceiro de jeito algum. Não faria falta na relação deles, em contrapartida, tirava o peso dos ombros de Kiba, libertando-o da preocupação de se entupir de hormônios todos os dias.

— O que você acha que vai ser agora? — Sakura perguntou curiosa.

— Beta, com certeza — Kiba respondeu — Só não consigo sentir se será menino ou menina. Temos duas meninas e dois meninos... o que vier vai desfazer um pouco o equilibro, mas é coisa do destino. Se bem que... — pensou um pouco — São dois Betas meninos e uma Beta menina. Então eu arriscaria outra menina.

— Já pensou no nome?

— Não. Isso vem na mente quando o bebê nascer — suspirou — Shino, as crianças estão se divertindo, mas eu to com fome. Podemos comer algo e depois voltar aqui?

— Claro — Shino assentiu — Querem ir também? — convidou Sakura e Sasuke.

— Não, obrigada — a mulher declinou — Acabei de chegar.

— Vou ver se sobrou algo daquele idiota — Sasuke resmungou observando Naruto caído no chão, levando uma surra dos garotos Aburame — Depois encontramos vocês no restaurante.

— Combinado — Kiba sorriu, então levantou-se com dificuldade e gritou — EI CAMBADA!! HORA DE COMER!!

Shino colocou o filhote adormecido sentado no próprio pescoço. Arashi cruzou os bracinhos sobre a cabeça do pai, ajeitando as perninhas sobre os ombros largos, sem nem sequer acordar, mantendo-se firme com um equilíbrio fantástico. Então o Alpha segurou a mão de Kiba para se afastarem dali.

A certo ponto os outros três os alcançaram. Masako grudou na mão livre de Kiba. Kaoru agarrou uma ponta da blusa de Kiba, andando atrás dele. Hikaru imitou o gesto do irmão, pelo outro lado. Ambos cantarolando uma canção aprendida no colégio, tendo Kisemaru de backvocal com os latidos animados.

Todos se obrigando a seguir no ritmo lento e compassado do Ômega, que não conseguia ir mais veloz do que aquilo, caminhando calmamente pela calçada do parque florido rumo ao restaurante.

Não uma família perfeita. Mas a melhor que poderiam querer.

Notas finais
Significado dos nomes: (Masako) https://i.imgur.com/4Vv1JRC.png (Kaoru) https://i.imgur.com/VzePyFK.png (Hikaru) https://i.imgur.com/txMwCSL.png (Arashi) https://i.imgur.com/npUtxuS.png —---------- Mais fanfics desses dois: (31 Dias no Inferno) https://goo.gl/jt3vzh (A Chantagem) https://goo.gl/X37LPo (Momentos) https://goo.gl/Bj5Xpn —----- Obrigada por chegar até aqui! Espero que a gente se esbarre outra vez :D
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!