Notas iniciais
Olá!! Você me é familiar... vem sempre aqui? *desvia da pedrada* Que estresse, pessoa xD Eu costumo fazer essas piadinhas nas minhas longs. Toda vez. Virou meio que uma tradição, tipo aquelas piadas de tiozão no almoço de família. Hehe. Que? Só Deus pode julgar u.u Falando sério. Divirtam-se com a falta de noção do Kiba ♥

Capítulo 22

Dois meses se passaram com rapidez impressionante, levando consigo o calor abafado do verão. Setembro chegava ao fim, os dias se tornavam mais curtos, o ar cada vez mais gelado anunciava que aquele ano teriam um outono pouco ameno, prólogo que prometia rigores no inverno.

Muitas coisas haviam mudado na rotina de Inuzuka Kiba, e ele precisou adaptar-se a elas, a medida em que surgiam no caminho. Alguns momentos soavam como verdadeiros desafios, outros nem tanto. De longe, ficar sem participar das missões era o que mais desanimava. Por isso, costumava sair por aí de manhã, para treinar com Akamaru. Ou com Shino, quando ele estava em casa. Assim evitava enferrujar-se e ter mais dificuldade ao voltar para o time.

Naquela manhã em especial, acordara muito motivado. A noite tinha sido... bem incrível, sim senhor. Depois agradeceria a Naruto pelos filmes que ele emprestara e que deixaram a noite quente, em um sentido que Kiba jamais pensara ser possível. O que lhe lembrou dos lençóis sujos de chantilly e... hum... certos fluídos corporais bem parecidos com o creme branco. Lençóis estes que estavam na área de serviço esperando para serem lavados.

Faria isso depois, quando voltasse, como parte das tarefas domésticas. Era a sua vez, pois Shino saíra em uma missão com o time provisório.

Mas a motivação acabou lhe abandonando no decorrer da manhã. Cada vez gostava menos de ficar sozinho em casa. Sentia uma espécie de intuição ruim, algo quase instintivo... primitivo.

Não tinha reclamado para Shino ainda (apesar de desconfiar que ele já sabia, por causa da porcaria do vínculo). Porque quanto mais pensava sobre o assunto, mais concluía que era um pouco de despeito por não participar das missões. E o que seu companheiro poderia fazer? Desistir do trabalho pra ficar com ele em casa? Ir buscar alívio na casa da mãe? Inuzuka Tsume arrancaria suas duas orelhas se fosse assim tão fresco.

Todos os adultos, em algum momento, enfrentavam a solidão na vida. Ele precisava ser forte também, não? E não falava de rotina diária, era apenas durante as missões que o companheiro recebia ocasionalmente. Logo Shino voltaria, e a sensação ruim passaria!

Agora estava correndo pela floresta, seguido de perto pelo cachorro, indo em direção ao lago para treinar um pouco, para as horas passarem mais depressa. A inquietação de ficar sozinho em casa era a pior agonia que enfrentava nos últimos dias. A casa parecia pequena e abafada! Quando saia ao ar livre, melhorava bastante!

Qual foi a sua surpresa ao chegar ao lago e descobrir que lá não estava vazio. Viu Haruno Sakura sentada à beira d’água, enquanto um rapaz contornava as margens de um jeito meio bizarro: com as mãos espalmadas no chão e os pés balançado no alto. Rock Lee andava plantando bananeira!!

— Yo!! — Kiba cumprimentou, aproximando-se da garota.

— Ah, Kiba! Tudo bem?

— Tudo sim, e você? — ele acabou sentando-se no chão ao lado dela, com Akamaru colado a si — Faz muito tempo que não te vejo!

Não que fossem próximos ou grandes amigos, mas como colegas de classe tinham certo contato ocasional. Na época do colégio, Kiba a achava irritante. Sakura gritava muito com todo mundo, vivia obcecada pelo Sasuke e não tinha paciência com ninguém, nem com ele próprio. Perdera a conta de quantos tabefes ela lhe dera como retaliação das suas... hum... “gracinhas infantis”. Verdadeiro exagero em sua humilde opinião. Mulheres estressadas eram as piores! Menos sua mãe, claro. Balançou a cabeça para afastar os pensamentos. Foco.

Apesar da falta de intimidade na escola, ali, naquele momento, o contato foi bem-vindo. Talvez o distraísse do mal-estar crescente que enfraquecia lhe o corpo.

— Eu ando meio sem tempo — ela explicou — Ser dona de casa não é nada fácil.

Kiba olhou para Sakura, notando então que ela parecia meio cansada, com olheiras. Por que estaria assim? Ele também bancava o dono de casa e não estava tão acabado! Quer dizer... bancava o “meio” dono de casa, já que uma parte das tarefas era responsabilidade de Shino, principalmente cozinhar. As outras dividiam bem, então nenhum deles ficava sobrecarregado. Claro, quando Shino recebia uma missão não podia ajudar, então ficava por conta de Kiba, mas não era nada que o levasse a exaustão. O mal-estar que sentia não podia ser associado aos trabalhos domésticos, podia?

— Tá fazendo alguma coisa? — Sakura franziu as sobrancelhas — Ah... isso é o que a cara de porco chama de “mágica do Kiba”?

— Quê?

— A Ino comentou sobre se sentir bem quando está perto de você — Sakura girou os olhos. Por fim admitiu: — É bom.

Kiba inclinou a cabeça para o lado. Ainda se espantava um pouco com a sensação que causava nos outros. Prestou mais atenção em Haruno, sentindo alguma coisa errada com o Chacra dela. Uma intuição estranha, que nunca experimentara antes e que ia além da expressão cansada. Algo como... uma falta de equilíbrio no Chacra, talvez? Não...

Confuso, estreitou os olhos e foi abaixando a visão, analisando-a melhor, até que firmou a mirada na barriga da garota. Quase sem poder evitar, em um ato inconsciente, estendeu a mão e estava a um passo de tocá-la, quando Sakura se deu conta do que ele fazia e afastou-lhe a mão com um tapa sonoro e dolorido.

— O que é isso, focinho de cachorro?! — a garota quase cuspiu fogo de tanta raiva pela ousadia — Tentando me assediar?!

O próprio Kiba levou um choque ao compreender que ia passar a mão no corpo de Sakura. Era falta noção demais!! (Até para os seus padrões Kibanos).

— Não! Não é isso! Desculpa... eu... sua barriga tá estranha!! — ele engasgou-se com a explicação, sem conseguir se expressar do jeito certo.

— Quê?! — ela praticamente rugiu feito um leão. Aquele pirralho estava botando defeitos no seu corpo?! Que ousadia!! Com raiva, ela mostrou o motivo de ser uma ninja tão respeitada e grudou na orelha de Kiba, dando-lhe um belo puxão.

— Aiaiaiaiaiai — o Ômega choramingou, com lágrimas juntando no canto dos olhos — Desculpa!

— Você não pode sair tocando os outros sem permissão — ela o libertou — Nem ficar chamando o corpo das pessoas de estranho.

Kiba esfregou a orelha vermelha e dolorida, sentindo-a latejar.

— Não disse que é estranha. Eu disse que está estranha. É diferente, besta. Eu to sentindo um Chacra fraquinho aí, como se... — ele arregalou os olhos — Sakura, você engoliu alguém?!

— Eu engoli... vou te mostrar o quê, sarnento! — furiosa, tentou alcançar a orelha do garoto pela segunda vez.

Mais esperto, Kiba ergueu-se de um salto, se pondo a salvo. Mostrou um palmo de língua para Sakura.

— BRUXA! — gritou antes de sair correndo, com Akamaru indo logo atrás.

— SACO DE PULGAS!! — ela não deixou barato. Toda a sensação boa esvaindo-se com esse desenrolar inesperado. Agora ela se lembrava do motivo de não ser tão próxima de Kiba na escola, porque não tinha um pingo de paciência para a infantilidade e as besteiras que ele dizia e fazia.

Seu dia estava estragado! Que pergunta imbecil era aquela? De que jeito ela ia engolir alguém? E que história era aquela de sentir um Chacra fraquinho na... na... sua...

Ela arregalou os olhos. O coração falhou uma batida.

— Novecentos e oitenta e dois... novecentos e oitenta e três... novecentos e oitenta e quatro... as coisas estavam animadas aqui, Sakura san! — Rock Lee veio dando a volta no lago a todo o pique.

— Lee... — Sakura soou meio perdida — Aquele vira-latas do Kiba... ele... ele disse que... eu estou grávida. Isso é possível?

— Claro, Sakura san. Ômegas são muito sensíveis e sentem quando há vida nova. Tive uma tia avó Ômega que não errava nunca. Parabéns — Rock Lee soou divertido, então caiu para trás. Literalmente.

Haruno mal notou o marido desmaiando. Sua condição dos últimos dias fez todo o sentido do mundo: as noites insones, a indigestão e um ou outro enjoo matinal. Sua menstruação vinha normalmente, porém sabia que algumas mulheres continuavam com a regra mesmo durante a gestação.

Felicidade plena a dominou e ela chorou de alegria.

—--

Kiba voltou para casa sentindo-se muito azedo, obrigado. Sakura era uma idiota, nunca mais queria vê-la na vida! Tudo bem que certa parte da culpa era sua mesmo, por quase ter feito uma besteira! De onde saíra a ideia de querer colocar a mão na garota?!! Não tinha intenção nenhuma de assediar! Apenas se deixara levar, pois havia um desiquilíbrio ali... algo fraquinho, mas... tão bonito! Isso que lhe deu o impulso irresistível para tocar.

Não entendia bem o porquê...

Mas não pensou muito na questão. A casa vazia e silenciosa o deixou aborrecido. A sensação recente de incomodo voltou, tornando desconfortável ficar sozinho ali, pois logo uma inquietação brusca o tornava sem sossego.

Queria que Shino voltasse logo!

Ou talvez que Ino viesse visitá-lo e conversassem um pouco. Diferente de Sakura, ainda que fosse meio dura às vezes, Ino não o maltratava que nem a outra garota. Eles tinham se aproximado pela época em que a lei dos vínculos provisórios foi clamada. Mas no decorrer daqueles dois meses se afastaram um pouco. As visitas dela se tornaram algo um tanto raro. Apenas uma vez a recebera naquele mês.

Concluiu que o encontro com Sakura o abalou mais do que o normal. Além da sensação de inquietação, passou a sentir uma pressão esquisita na nuca e tensão nos músculos do pescoço.

Foi com esforço acima da média que deu conta das tarefas domésticas. Lavou os lençóis e algumas peças de roupa e estendeu no varal. Não teve nem animo para brigar com Akamaru quando o cachorro roubou uma blusa e saiu arrastando pelo chão, antes de sumir com ela em direção à floresta.

Shino preparara café da manhã em quantidade maior, para que sobrasse alguma comida no almoço e Kiba não tivesse trabalho. Acordara muito cedo pra isso, e o Ômega era grato. Mas não sentia fome alguma, o corpo todo reclamando de algo que ele não sabia bem o que era. Nem os onigiri com recheio de carne e maionese, seus preferidos, tiveram o poder de lhe abrir o apetite.

Cansado, tentou deitar-se no sofá, agora cheio de almofadas coloridas que quebravam a antiga sobriedade da sala. Foi impossível ficar quieto um segundo sequer, assim que apoiou a cabeça no móvel, ela girou e uma estranha náusea agitou seu estomago. Acabou levantando-se antes que o enjoo piorasse, pondo-se a andar de um lado para o outro, sem saber lidar com as sensações ruins que o acometiam.

E foi exatamente assim que Aburame Shino o encontrou ao voltar para casa algum tempo depois. Mal adentrou o genkan e flagrou Kiba andando em círculos, uma expressão ruim na face.

— Tadai... Kiba? O que foi?

— Shino! — o alívio do garoto foi gritante, algo de dar pena — Que bom que voltou. Não to me sentindo muito bem, marido... não tava aguentando mais...

Shino foi até ele.

— Sente dor? — perguntou com preocupação.

— Não — Kiba balançou a cabeça e logo voltou a andar, esfregando as mãos suadas na roupa. Ficar parado lhe deu tanta angústia que quase o sufocou — Não sei explicar. É só... um treco esquisito pra caralho. Tipo... sei lá. Mas só tá piorando — colocou uma mão sobre o olho e esfregou — Eu queria que você chegasse logo, tá horrível ficar aqui sozinho. Mas... acho que sua presença intensificou...

Talvez apenas o medo de perder os sentidos sozinho e sem ajuda o mantivesse firme até então. Com a chegada do companheiro, Kiba não precisava mais tentar ser forte. Foi isso o que o garoto pressentiu, foi o que fez sentido para a piora que roubou mais e mais de suas forças.

— Kiba! — o Alpha ficou horrorizado quando Kiba afastou a mão do rosto. Havia sangue na palma suada, sangue escorrendo dos olhos, das narinas, dos lábios.

— Que merda, hein... — Inuzuka sussurrou um segundo antes que a fraqueza o dominasse por completo e ele desfalecesse nos braços de Shino.

Notas finais
Agora segura na minha mão e vamos juntos ladeira abaixo. Só um pedido: se chegou até aqui, confia na autora um pouco mais e bora lá ༼ つ ಥ_ಥ ༽つ Até sexta-feira que vem!!