A Lei do Amor
11 Capítulo 11
Notas iniciais

Capítulo 11
Na segunda-feira cedo Shino saiu de casa para cumprir as orientações dadas pelo Conselho e encontrar-se com Uzumaki Naruto e Uchiha Sasuke para a nova configuração de time.
Deixou o café da manhã pronto, em quantidade suficiente para que sobrasse pro almoço e Kiba pudesse se virar. Sabia que ele era um desastre na cozinha. Não, um Desatre na Cozinha... ou DESASTRE na cozinha.
Enfim...
Não sabia que horas retornaria, por isso achou melhor prevenir.
Kiba acordou um pouco depois, aproveitando para esticar o sono e recuperar-se da noite anterior mal dormida. Apesar disso, acordou com um animo abaixo do normal. Não gostara nem um pouco de ser afastado das missões, porque isso o lembrava do papel que precisava desempenhar. Konoha queria que ele tivesse um filho, quando acontecesse, logicamente não poderia aceitar nenhum trabalho perigoso.
Precisava ser mãe? Logo ele que nem filho direito sabia ser?!!
Sorte que tinha alguém como Shino para ajudá-lo a passar pelo processo. Queria aprender a ser tão ponderado e calmo na hora de analisar as situações. Se fosse assim, não teria se precipitado no sábado e causado a primeira briga entre eles.
Depois, no decorrer do domingo, quanto mais matutava no assunto, mais entendia como Shino se sentira. Odiava quando alguém se precipitava e o avaliava sem conhecê-lo direito. Por fizera exatamente isso, com o agravante de conhecer o alvo de julgamento.
Acabou de tomar o café e quase saiu da cozinha. Desistiu a um passo de escapar, voltou atrás e limpou as louças empilhadas na pia. Aproveitou para fuçar um pouco mais nos armários e gavetas, e começar a memorizar onde ficava cada coisa.
Foi para o quarto e abriu a porta do seu lado do guarda-roupa. Teve que mover como um verdadeiro ninja para evitar que a pilha de roupas caísse sobre si. Esbravejou frustrado pela própria desorganização, por mais que tentasse socar as peças de volta, elas não paravam!
Sem opção, dobrou uma a uma arrumando tudo do jeito certo. Demorou a vida inteira para terminar (na verdade, pouco mais de uma hora). Como último cuidado, pegou as revistas escondidas no fundo da gaveta de cuecas, levou-as para o quintal dos fundos e usou um jutsu elementar de fogo para queimar todas. Era melhor se livrar de uma vez, para evitar a tentação de recorrer ao método mais fácil de resolver um problema (e acabar criando dez).
Akamaru saltou ao lado dele o tempo todo, numa festinha cheia de saudades que deu a Kiba a sensação de ter negligenciado o companheiro desde que se mudara de casa.
— Vamos passear, amigão!
Usou a agilidade notória para saltar em uma das árvores do quintal e dela para a próxima e para a outra, como costumava fazer nos bons tempos antes da guerra. Akamaru o seguiu sem dificuldade alguma, latindo feliz.
Logo estavam na floresta, rumo ao lado. Um lugar pacifico e silencioso em que passara grande parte do seu dia.
Desde que podia se lembrar era amigo de Shino. A conveniência de ficarem no mesmo time apenas o deixou feliz além da conta. Hinata também tornou-se uma grande amiga e companheira de missões. Então, ou estava com os amigos ou correndo por aí com o cachorro.
Sentia falta dessa liberdade! Mal se dera conta, primeiro tragado para um redemoinho caótico trazido pela guerra, a incerteza constante sobre o dia seguinte, que poderia nunca vir graças as invasões suicidas dos inimigos. Depois, quando a rotina surgia timidamente, trazendo consigo algum conforto e segurança, a noticia bombástica sobre a Marriage Law.
Kiba acabou passando o resto da manhã jogado na gramínea fofa de perto do lago, outro recanto adorado em sua infância. Akamaru, pelo contrário, não parava quieto, saltando de um lado para o outro, cavoucando o chão, caçando pequenas lebres e roedores que se arriscavam a beber das aguas calmas do lago.
O garoto só lembrou de casa quando o estomago deu o primeiro sinal de fome, reclamando com um ronco impressionante. E ele percebeu pela posição do sol que passava e muito do meio-dia.
— Akamaru! — chamou — Hora de voltar para casa, amigão!
Voltaram do mesmo jeito: usando as árvores como inusitada plataforma para os saltos quase acrobáticos.
Na casa silenciosa, deixou de lado as sobras do café da manhã, preferindo devorar onigiris que encontrou na geladeira. Ainda arremessou um pela janela, para o que cachorro o comesse.
Já ia pensar no que fazer para preencher as horas enquanto esperava a volta de Shino, quando alguém bateu na porta da frente. Jogou o último onigiri na boca, fazendo uma careta ao descobrir o recheio de brócolis (ele preferia os de carne com maionese) e foi atender a porta.
— Ino! — não escondeu a surpresa ao encontrar a ex-colega de academia.
— Eca, Kiba. Engole isso, to vendo todo o arroz dentro da sua boca, que nojo — ela resmungou com uma careta. Em troca Inuzuka mostrou a língua cheia de comida, todo desaforado.
— To na minha casa, faço o que eu quiser.
— Mas é um pirralho mesmo. Vê se cresce.
O garoto arrepiou-se.
— Você quer o quê aqui? Só veio me encher o saco?
Antes de responder, ela exibiu a vasilha que tinha nas mãos, colocando-a em evidência. Então abriu a tampa e mostrou grandes pedaços de bolo de chocolate com suculentos morangos em cima.
— Vim ver como você está — desviou os olhos pro lado, aborrecida.
— To muito bem, obrigado — Kiba respondeu com os olhos brilhando. Aquele doce parecia ótimo! — E você?
— Mais ou menos. Tem certeza que está bem? A gente ser afastado dos times me deixou com um bocado de raiva.
A declaração atraiu a atenção de Kiba. Ele encarou a visita, entendendo que Ino viera atrás do seu “negócio de Ômega”, um pouco de conforto para a situação que tirava inclusive ele de seu lugar comum.
— Entra — ele deu acesso, movendo-se para o lado.
Ino sorriu um pouquinho, em forma de gratidão. Foram direto para a cozinha, lugar onde poderiam ficar mais a vontade. A garota colocou a vasilha aberta sobre a mesa, e tirou uma garrafinha térmica da pequena mochila. Enquanto Kiba buscava xicaras e pratinhos para a sobremesa.
— Tem certeza que você tá bem com nossa suspensão? — foi Ino quem iniciou o assunto que a levara até ali. Soprou o chá quente antes de tomar um gole.
Kiba paralisou no ato de dar uma generosa garfada no bolo. Refletiu na pergunta por alguns segundos.
— Eu fiquei bem chateado, isso sim. Hoje de manhã estava tão irritado! Agora não to mais assim, até entendo a intenção do Conselho em afastar a gente desde já.
Ino cruzou os braços.
— Pois eu não entendo nada. Vou lançar o vínculo com Shikamaru na quinta-feira e eles me tiram do time desde hoje? Não vi sentido nenhum.
Kiba lambeu um traço de chantilly da ponta do dedo e engoliu o bolo que estivera mastigando.
— Vai ver eles padronizaram e suspenderam todos na mesma época. Pra ninguém ficar mais tempo que ninguém. Sei lá, essas coisas de lei não entram fácil na minha cabeça.
Ino riu.
— E como foi? Lançar o vínculo?
— Foi tranquilo. A gente só coloca o dedo em um pergaminho e sela com um jutsu de compromisso. Pensei que seria uma cerimônia tipo... nah nem sei de que tipo. Eu estava cheio de fantasias.
— Só um jutsu de compromisso? Tentei sondar com o Chouji, mas ele não lançou ainda. Nem a testuda da Sakura quis falar comigo direito, acredita que ela vai sair em lua de mel? Kiba!
O garoto ergueu os olhos, parando de devorar o bolo. Estava claramente mais interessado em comer do que em ouvir as reclamações da sua visita. Ninguém podia rotulá-lo como um anfitrião exemplar.
— Quê? Isso aqui tá bom pra caralho...
— Da próxima vez não trago nada.
— E eu não deixo você entrar — ele rebateu de pronto.
— Interesseiro!
— Claro! To usando meus poderes de Ômega pra curar as feridas da sua alma. Mereço um pagamento, não acha?
— Tá o que...?
Kiba riu, mal lembrando da frase que dissera. Acabou por largar o garfo sobre a mesa e pegar a xicara de chá com as duas mãos, assumindo para si uma (falha) tentativa de transparecer sabedoria.
— O negócio todo foi muito rápido. A gente chegou, esperou um pouquinho e foi chamado. O Hokage deu um pergaminho pra gente ler com as regras e perguntou se tava tudo bem seguir em frente. Mas até agora não senti nada de diferente, nem parece que to vinculado ao Shino.
Pois nesse ponto os olhos de Ino brilharam e ela inclinou-se para a frente, apoiando os braços sobre a mesa.
— Ne, ne... e os boatos são verdade? — questionou de um jeito sugestivo que intrigou Kiba.
— Que boatos? — ele indagou levando a xícara aos lábios.
— Oras, que o Shino ó... — e moveu as mãos, querendo indicar algo de bom tamanho.
Dois segundos. Kiba demorou dois segundos para entender a insinuação e engasgar, de tal modo que um tanto de chá lhe escapou pelo nariz.
— QUÊ?!! — ele esfregou o braço no rosto, incapaz de acreditar que entendera o que ele achava que entendera.
Ino descansou o queixo na mão espalmada e apoiou o cotovelo na mesa.
— Na época da escola sempre terminava em briga. A gente achava que o Shino e o Shikamaru iam dar uma disputa boa pelo primeiro lugar. Aquele cara do time 3 também parece bem servido... esqueci o nome dele.
— ‘Cê... cê tá falando do tamanho do... do...
— Pau? Pinto? Pênis? Caralho? Piroca? Bilau? Carinhoso? Escolhe o que preferir.
O queixo de Kiba despencou.
— As meninas ficavam discutindo o tamanho dos... hum... pênis dos meninos?
Ino girou os olhos, mostrando enfado. Espetou um pedaço de morango e o mastigou com gosto.
— Tá julgando? Como se os meninos não ficassem medindo os peitos das meninas... pensa que a gente não sabe?
Kiba calou-se. Aquilo era verdade, já ouvira alguns colegas ranqueando as garotas com letras de acordo com a variação de tamanho dos seios. Mas na época ele estava mais preocupado em correr por aí e treinar do que ficar reparando na chata da Sakura, na grossa da Ino ou, pior, na Hinata, sua amiga de time.
— Tem razão. Não to julgando, só fiquei meio chocado. E... ei, eu ficava em que lugar da lista? — a curiosidade foi maior do que a vergonha.
Ino riu, divertida.
— Geralmente em quarto. Esse seu ar selvagem te deu uns pontos. Veja o Sasuke, ele é lindo e perfeito, mas não sei se é tudo isso onde importa... — ela voltou a rir, notando que Inuzuka estufava um pouco ao ouvir que era considerado bem dotado pelas garotas — Mas você não respondeu. O Shino vale a fama ou não? O Shikamaru com certeza vale...
— Como você sabe? Nem lançaram o vínculo ainda.
A visitante ergueu as sobrancelhas.
— E daí? A gente transou sábado a noite, porque eu não... eu... Não importa — ela suspirou — Não foi tão ruim assim. Shikamaru foi bem gentil e... Kiba, você está bem? Ta ficando roxo...
— Ino... que merda! Não quero saber de detalhes! De repente tá todo mundo falando sobre... hum... esses assuntos com uma facilidade!
— “Esses assuntos”? Kiba, você tem quantos anos? Dez? Todo mundo fala sobre sexo, qual o problema? Em que mundo você vive?
— Acho que no mundo da lua — ele respondeu aborrecido.
— Por essa sua reação... não vá me dizer que você e o Shino ainda não...
— NÃO! — ele cortou aborrecido, dando um gole enorme no chá — E não é da sua conta, intrometida.
Ino não ficou ofendida. Ao invés disso riu um tanto afável.
— Mas é uma criança mesmo. A testuda te chamava de mascote, agora vejo que ela tem toda razão. Posso apertar suas bochechas?
— Nem ouse — Kiba rosnou, meio feroz. Ino só riu um tanto mais.
— Continue o mascotinho da nossa geração! — depois da frase ela tornou-se um tanto mais séria — Sexo é parte natural de toda relação, não tem motivo pra ser tabu, desde que seja consensual entre as partes. Pois se não for... Enfim, todo mundo tem o momento certo. Shino é um cara legal, ele vai saber lidar com o seu jeito. Talvez umas revistas ajudem...
— Nem pensar — Kiba cortou logo a sugestão.
— Uns filmes? É um jeito de esquentar as coisas.
— Filmes? E com que cara de pau eu vou arrumar uns filmes desse tipo?
— Ué, como assim? Aposto que o Naruto tem um monte, ainda mais agora que eu descobri que ele se engraçou com o Sasuke. Pede pra ele, mal não vai fazer.
Kiba ponderou a oferta por alguns segundos. Não parecia assim uma ideia tão ruim. Prometera não recorrer a revistas e estava cumprindo a palavra dada.
— Eu... eu decidi que vou viver minha vida da melhor forma, vou colocar uma pedra sobre o passado e evitar pensar na guerra e em tudo o que aconteceu de ruim. Recomeçar é um desafio e tanto. Fiquei com muita raiva de ter que fazer sexo com alguém que não planejava porque isso é... não, esquece. To falando besteira — Ino falou em um tom estranho. Pela expressão em seu rosto, Kiba deduziu que coisas ruins passavam pela mente dela — Poderia ser pior, não?
— Ino...? — o garoto entendeu foi nada daquelas palavras. Ino soou como uma completa bagunça.
— Nada, nada! Crescer é difícil.
— E como! — isso era inegável.
— Um passo de cada vez, Kiba — Ino falou pensativa, a ponta do garfo brincando com um pedaço de morango — Mas a gente precisa dar o primeiro, ou nunca vai sair do lugar. Já pensou em começar com um beijo?
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