Notas iniciais
Bom dia!! Podem ler sem medo. Esse é um capítulo de amarração importante pra relação deles, não tem sustinho. Até mais!

Capítulo 20

No decorrer da semana, o jovem casal recebeu um número surpreendente de visitas, de ex-colegas preocupados com a saúde de Kiba. A visita de Hinata e Chouji deixou o garoto muito feliz, afinal, ela era uma amiga querida.

Iruka sensei e Kakashi sensei também passaram pelo local, para se assegurar que tudo estava bem. Se Kurenai sensei estivesse em Konoha, com certeza os visitaria.

A sensação de se sentir tão querido fez muito bem para o ego de Kiba. A animação tradicional redobrou. Ele não parava quieto! Bem, talvez não fosse apenas pelas visitas. Shino já tinha notado a ansiedade acima da média, como só acontecia quando Kiba estava encafifado com alguma coisa. O que estaria ocupando a mente dele? Quais problemas e entraves criava na cabeça para se comportar daquele jeito? Pois Shino não perguntava. Já desenvolvera experiência o bastante para saber que, no tempo certo, Kiba viria confessar o que o incomodava nos últimos dias.

O momento mais marcante foi, sem dúvidas, a vinda de Inuzuka Tsume e trouxe um novo significado a vida dos garotos. Ela chegou em um final de tarde, quando a semana terminava, sem aviso.

— Mamãe! — Kiba a recebeu com a animação costumeira.

— Vim ver como está — a mulher aceitou convite para entrar e sentar-se ao sofá. Depois acenou com a cabeça para Shino, que vinha do andar de cima. Ainda estava meio bicuda com o Alpha — Olá.

— Boa tarde — Shino respondeu com reservas. Irritar a sogra nunca era uma coisa boa!

— Eu estou bem — Kiba sorriu, alheio a qualquer clima ruim. Sua mãe tinha o poder de mudar o ambiente com seu ar selvagem. Já estava acostumado a sentir na pele, desde a mais tenra idade.

— Trouxe isso — ela abriu a bolsa que levava a tiracolo e mostrou três porta-retratos. O primeiro, era uma foto da família completa, com os quatro membros bem mais jovens, pouco antes do patriarca falecer em missão. O segundo, trazia uma foto de Kiba bebê! Todo gorducho, já com os cabelos espetados e as marcas vermelhas inconfundíveis na face. Por último, uma das fotos em que estavam apenas Hana e Kiba.

— Posso mesmo ficar com elas? — Kiba emocionou-se.

— Claro. Comece a transformar isso aqui em um lar de verdade — Tsume cruzou os braços, olhando em volta. A casa era muito limpa e organizada, não questionava tal fato. Mas era tudo absolutamente metódico e simétrico, austero. Provavelmente, cada detalhe da casa carregava traços marcantes do Clã Aburame. Faltava algo sim. Faltava o toque Inuzuka.

Talvez porque o vínculo provisório desse a impressão de menos compromisso, ou compromisso passageiro, e Kiba se conformasse em viver numa casa que considerava seu lar ainda que não tivesse a ousadia de mudar nada de lugar. Tudo inconsciente, claro.

Depois daquela manhã no hospital, Tsume percebera uma mudança no filho. O conhecia bem o suficiente para notar o novo comportamento, ainda que sutil. Ao despedir-se de Kiba e Shino, parada à entrada do hospital e assistindo-os se afastar, Tsume teve uma intuição, quem sabe coisa de mãe. Ela compreendeu com toda certeza do mundo que seu menino não voltaria depois de dois anos para a casa em que havia crescido.

— Vou levar esse pro quarto! — Kiba fez uma careta, observando sua foto de bebê. Acabara de colocar os outros porta-retratos sobre a lareira — Não quero que as visitas fiquem vendo isso.

E subiu os degraus de dois em dois, desaparecendo das vistas.

— Ele dá trabalho — Tsume lançou um olhar enviesado para Shino.

— Eu sei — O Alpha virou o rosto em direção à escada.

Tsume sorriu de leve, um gesto que não oferecia com frequência. Foi tão rápido que Shino sequer viu. Quando ele voltou a face, já havia desaparecido. Apesar disso, havia algo afável na expressão madura que despertou a atenção do rapaz.

— Você é um bom garoto, Shino kun — ela o tratou com certo carinho pela primeira vez — Vai roubar meu Kiba, mas é um bom garoto.

Shino olhou para ela, sem saber o que responder, impressionado com as palavras que ouvira.

Tsume podia dizer que o momento não era do jeito que imaginara. Nada, na verdade, vinha acontecendo como imaginara. Nunca pensou que perderia o marido tão jovem, nem que criaria duas crianças praticamente sozinha. Jamais passara por sua mente que assistiria sua filha mais velha ser tirada desse mundo em meio a uma guerra. Muito menos que seu caçula iria embora obrigado a se unir a um Alpha por uma lei abrupta e ancestral. Por fim, não esperava que o cumprir da referida lei fosse mais do que algo temporário. Agora, já não tinha mais esse consolo.

E a quem queria enganar?

Tão logo seu filho aprendera a andar e começara a correr com os coleguinhas, aquele Alpha surgira e clamara um lugar ao lado do Ômega, um lugar do qual jamais abrira mão. A relação infantil era pura e inocente, como todos os pequeninos devem ser. Tsume não viu maldade, pois não havia maldade. Mesmo enquanto cresciam, não sentia ameaça alguma vinda do Alpha. E, quando notara evidências um tanto suspeitas, a guerra veio e desviou todo o foco.

Agora refletia sobre o momento atual. E, ainda assim, não havia ameaça no presente.

Desde sempre, aquele Aburame não estava destinado a diminuir a família Inuzuka, e sim a fazê-la aumentar, era o que Tsume sentia agora. Podia visualizar o final da história.

Kiba dava trabalho? Vinte e quatro horas por dia, sete dias na semana. Era um moleque enérgico, que não parava quieto nem dormindo. Pensava pouco e agia muito. Um completo desastre ambulante. Tinha perguntas idiotas e sacadas óbvias na ponta da língua. Tão bocó que podia matar até o mais preparado de profunda vergonha alheia. Cheio de vida, caloroso, brilhante. Preenchia a casa com sua presença. Deixava um profundo vazio quando não estava por perto.

Tsume levaria um bom tempo pra se acostumar a casa silenciosa. Para se adaptar a ausência que já desconfiava não ser mais temporária...

— Quer ficar pra jantar com a gente? — Shino perguntou quando o silêncio tornou-se incomodo.

— Demorou pra convidar, hein? — ela alfinetou, secretamente satisfeita.

Shino não soube o que responder. Por sorte, Kiba o salvou, voltando para a sala, escandaloso saltando os últimos degraus. Forte cheiro de perfume chegou junto com ele.

— Hum... Shino... eu fui colocar o porta-retratos na cômoda e derrubei a sua colônia. Dai quebrou o frasco — ele foi explicando como quem não quer nada — Tentei secar com papel higiênico, mas não deu muito certo. O quarto tá todo cheirando a Shino... Desculpa.

Estava justificada a demora. Shino ergueu as sobrancelhas, sentindo o olhar de Tsume fixo sobre si. O que ele podia dizer? Kiba dava trabalho? E como! Mas também dava todo o sentido à sua vida. Então os benefícios eram muito maiores. Sempre seriam maiores.

— Sua mãe vai ficar para jantar — ele não deu importância ao perfume quebrado — Quer algum prato especial?

— Curry! — Kiba respondeu depressa.

— Então curry será — Shino concordou com a oferta. Sua sogra provisória gostava de comida estrangeira. Talvez isso a fizesse perdoá-lo pela gafe na noite em que o filho fora hospitalizado.

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O jantar não podia ter corrido melhor. Curry não era a especialidade de Aburame Shino, mas ele se saiu bem no preparo, com a ajuda que Kiba insistiu em oferecer.

Evidentemente, o auxilio resultou no dobro de panelas sujas, um dedo cortado (tente adivinhar o dedo de quem,dou-lhe uma...) e alguma manha na hora do curativo, nada que as repreensões de Tsume não dessem um jeito. O molho ficou picante demais e o arroz branco cozido de menos.

Resultado final: três pessoas se divertindo bastante com tudo, terminando a refeição com a barriga bem cheia, obrigado.

Tsume recusou a sobremesa e deu um senhor sermão em Shino, quando ele sugeriu dividirem um pouco de sake. Horrorizada (talvez até demais), a mulher deixou claro que ele tinha apenas dezoito anos!! Como se atrevia a ingerir bebida alcoólica?!! Não teve outra solução, a não ser beber tudo sozinha, ignorando veementemente os argumentos de que: se eles podiam ir pra guerra, sobreviver, se casar e ter filhos, qual o problema em tomar um golinho de sake de vez em quando? Não adiantou, Tsume foi irredutível.

Já passava das nove horas quando ela foi embora.

— Nah, minha mãe estava muito social hoje, não achou? — Kiba perguntou, fechando a porta da sala.

Shino franziu as sobrancelhas, refletindo no assunto. Tirando todas as alfinetadas que levara durante o jantar, e aquela acusação interessante sobre “roubar” Kiba, achara a mulher exatamente como sempre. Talvez um pouquinho mais assustadora. Preferiu não responder, ao invés disso foi fechar o resto da casa.

Kiba decidiu ir tomar banho e se ajeitar para dormir.

Shino esperou a vez dele, também lavando-se rápido para poder descansar do longo dia.

A primeira coisa que notou ao entrar no quarto foi o forte cheiro de colônia. Quase ficou tonto.

— Eu avisei — Kiba falou de um jeito meio defensivo, certo de que viria uma bronca. Já estava bem acomodado na cama, debaixo de um lençol.

— Vou deixar a porta da sacada aberta — Shino decidiu. Talvez ajudasse a arejar o ar durante a noite.

Finalmente, Shino pode ir para a cama, pronto para dormir. Mas assim que se ajeitou sobre o colchão macio, Kiba sentou-se e recostou-se contra a guarda da cama, mostrando que não queria acabar a noite ainda.

Shino ficou deitado, observando o outro daquele ângulo de baixo, esperando que ele jogasse a granada do que quer que estivera perturbando-o nos últimos dias, pois só podia ser esse o motivo que o mantinha acordado.

— Eu gosto — Kiba começou, voltando os olhos para Shino, surpreendendo-se no quão atento o Alpha o ouvia. O rosto cobriu-se de vermelho — Do seu cabelo. Muito.

— Quê? — com certeza não era o que estivera esperando. Okay, sinceramente não estivera esperando algo específico, apesar de saber que Kiba estava incomodado com alguma coisa. Mas aquela do cabelo tinha sido de lascar.

— É estiloso — e Kiba estendeu a mão para fazer um cafuné de leve, enquanto desviava os olhos para outro lado.

— Obrigado... — Shino soou incerto. Apreciava o elogio e o carinho. Contudo, não entendia o porquê do seu cabelo deixar Kiba inquieto.

Ambos ficaram em silêncio por algum tempo, até Kiba balançar a cabeça de um lado para outro, sem interromper o afago em Shino, e exclamar:

— Não é isso! — respirou fundo — Eu gosto... eu gosto... muito... dos seus óculos!

Ah... Shino compreendeu tudo. A questão ali não era seu cabelo, muito menos os óculos que usava. Kiba tentava dizer alguma coisa, muito provavelmente sentia-se constrangido com o que pretendia fazer, por isso tanto rodeio. Concentrou-se um pouco no vinculo, confirmando que por baixo das ondas de ansiedade e receio, havia uma boa dose de embaraço. Suspirou.

— Obrigado. Vou tentar usá-los mais.

— Não! — o Ômega soou meio horrorizado — Assim não vai tirar nem pra tomar banho!

— Tudo bem, se você gosta tanto deles...

— Não, não, não — Kiba parou de acariciar os cabelos de Shino e coçou a própria nuca — Não é isso que eu quero dizer! Eu... andei pensando esses dias, sabe? Porque eu comecei a me dar conta de umas coisas e eu tenho que te dizer — finalizou respirando fundo.

Aburame resolveu sentar-se direito na cama, também apoiando-se na cabeceira, assumindo uma pose gêmea a do outro garoto.

— O que andou pensando?

— Que... hum... o futuro... você sabe... cada um tenta ser feliz do jeito que dá... e... hum... eu era meio besta. Não, ainda sou meio besta, mas não sou cego. Até era, admito. Mas todo mundo cresce um dia... olha só pra mim, até tenho uma “coisa de Omega” que as pessoas valorizam e... eu... percebi... caralho do inferno... eu... eu... acho... acho, não! Tenho certeza... eu... gosto...

Shino não aguentou. Não chegou a sorrir, mas diversão fluiu através do laço que os unia. Kiba tentando se expressar, em momentos de constrangimento, era uma das coisas mais cativantes de se ver. E totalmente fofo.

— Tá debochando de mim, maldito? Acha que é fácil dizer que eu gosto de você??!

O divertimento de Shino morreu no mesmo instante. Ele cravou os olhos em Kiba, traindo toda a surpresa que sentiu.

— O quê...?

Kiba levou as duas mãos ao rosto, sentindo as bochechas esquentarem. Embora não desviasse os olhos ou fugisse. Depois de dizer a primeira vez, foi como se uma represa se abrisse, fluindo todos os seus sentimentos. A intensidade atingiu Shino através do vinculo, deixando-o sem reação.

— Gosto de você. Gosto de te ter ao meu lado. Gosto da paciência que tem comigo e de como me trata tão bem. Gosto quando faço uma burrada, mas isso não te afasta! Gosto de me sentir seguro ao seu lado. Gosto de pensar no futuro e imaginar que estará lá comigo! Nem consigo pensar em outro futuro, um que a gente fique separado. Gosto de você, Shino, muito mesmo. E não é gostar de amizade. É gostar tipo de namorado mesmo.

— Kiba...

A resposta do garoto foi afastar os lençóis e ajoelhar-se na cama, obrigando Shino a olhar para cima, para manter o contato visual. Então sorriu, segurando no rosto do Alpha com as duas mãos.

— Me desculpa ser tão lerdo. Tem coisa que não entra fácil na minha cabeça, mas você me aceita como sou. Isso é outra coisa que gosto em você.

Terminou a declaração aproximando-se do outro e unindo os lábios de ambos. O primeiro gesto concreto de afirmação do que sentia. Ato bem recebido por Shino, que o segurou pela cintura, enquanto as línguas se tocavam. Ato que os guiou naquele momento e culminaria na segunda noite de amor, dessa vez como amantes voluntários. Não como pessoas obrigadas por uma lei.

Notas finais
Eu não ia conseguir fluir a história antes deixar o sentimentos desses dois bem claros e definidos. Agora sim, tá tudo bonitinho. Então o próximo é o último! Isso mesmo que você leu: o próximo é o último... do primeiro ciclo da história! Hehe. Dividi em dois grandes arcos: o vínculo e o desenvolvimento da relação no primeiro e... o "resto" no segundo arco!! Bom final de semana!