Notas iniciais
Relou mai pipou!! Hoje lança o álbum de Saint Seiya. Estou surtando, sim ou com certeza? Alguém aí vai colecionar também? Por falar nisso, a DeAgostini ta lançando uns figures do Shippuden, fui dar uma bizoiada na esperança de montar o ship, mas só vi o Kiba. Parece que não tem o Shino na coleção. Juntei os cacos do coração, sequei uma lágrima de sangue e vida que segue T^T Boa leitura.

Capítulo 19

Voltar para casa foi uma alegria imensurável para o casal. Kiba não acreditou em como foi agradável pisar na residência e ser bombardeado pelos cheiros familiares, recebido pela festa de Akamaru (que aproveitou para invadir a sala, mas logo teve que sair). Já considerava aquele lugar como o seu lar! E morava ali a cerca de um mês...

Outra sensação incrível foi deitar na grande cama e envolver-se nos lençóis, abraçar-se a Shino e descansar a cabeça sobre o peito do rapaz, acompanhando as batidas tranquilas do coração que aos poucos combinaram com a respiração suave, prova de que o Alpha adormecera, cansado da tensa madrugada.

Logo Kiba o imitava, seduzido pela oportunidade de descansar de verdade, aproveitando o resto do domingo para recuperar-se do susto.

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Na segunda-feira pela manhã, pouco antes da hora do almoço, eles receberam uma visita um tanto inusitada. Ao ouvir batidas na porta, Aburame tomou para si a missão de atender. Deu de cara com Naruto e Ino.

— Vim visitar Kiba — a garota informou, desviando os olhos para o lado.

— Eu estava de bobeira por aí e resolvi vir também — Naruto, cara de pau como sempre, falou com um sorrisão. Encontrara com Ino na rua e viera no rastro de uma provável boca livre.

Shino abriu mais a porta e deu passagem para os dois.

Naruto tirou os sapatos e entrou de meia na casa, deixando o surippa disponível para Ino. Notou Kiba acomodado no sofá e foi sentar-se ao lado dele sem esperar convite.

— Yo, Kiba! — cumprimentou, felizinho.

— Yo... — pois ele não entendeu a alegria.

Ino não perdeu tempo, sentando-se no outro lado, tão colada a Kiba quanto Naruto, deixando o Ômega entre os dois.

— Vou checar se Akamaru tem ração — Shino informou em seguida, saindo da sala e deixando os três sozinhos na casa.

— Que que vocês tão fazendo? — Kiba olhou de um para o outro.

— Nah — Naruto balançou a cabeça — Você não imagina como essa coisa é boa. Qualquer dia você e o Shino vão jantar lá em casa. Quero que o Sasuke sinta bem isso, mas ele nunca virá aqui...

— Ah — Kiba rolou os olhos — A coisa de Ômega. Você também veio por isso, Ino?

— Claro que não — ela respondeu — Não totalmente... soube que ficou doente e vim ver como está.

Ela mostrou a mochila, puxando de lá uma vasilha cheia de sanduiches cortados em pequenos triângulos e a garrafinha de chá.

— Ah — Kiba farejou o ar — Querem ir pra cozi...

— Não! — tanto Naruto quanto Ino cortaram a oferta. Estava muito confortável ficar ali na sala, dividindo o sofá e a presença do Ômega.

— Posso ir lá e pegar umas xicaras — a garota se ofereceu — Dai a gente conversa aqui mesmo.

Kiba concordou e explicou onde ficavam as peças de cerâmica. Quando ela voltou, distribuiu as xicaras e o chá, apesar de lançar um olhar feio para Naruto, resmungando um “folgado” ao mesmo tempo. Depois colocou a vasilha com os sanduiches sobre o colo de Kiba, assim os três poderiam comer.

— Huuummm — Inuzuka suspirou após a primeira dentada. Recheio de cavalinha, maionese picante e alface. Uma delícia.

— O que aconteceu com você? Já está melhor? — Ino perguntou.

— Ah, é um... processo de adaptação que acontece com Ômegas — Kiba respondeu, então soprou o chá e deu um gole no líquido quente e doce — Tsunade san me ajudou, rolou um desiquilibro de Chacra, passei uma madrugada de merda.

— Mas já tá melhor? — Naruto perguntou com a boca cheia, de olho no próximo sanduiche.

— Sim. Ela garantiu que não vai acontecer de novo, agora o meu Chacra está normal.

— Que bom! — Ino suspirou. Então sua face assumiu um ar intrigado — Mas isso veio do nada?

— Não exatamente do nada... — Kiba falou misterioso, sem detalhes. Quase praguejou ao sentir o rosto esquentando, sabia que aquilo daria uma pista e tanto, pois Ino era muito perspicaz.

— E por que você tá ficando todo vermelho? — quem perguntou foi Naruto — Tá passando mal de novo...?

— Não!

— Kiba... não vá me dizer que seguiu o meu conselho e você e o Shino se beijaram...?! — a garota soou surpresa, como se estivesse analisando algo impossível.

O Ômega abaixou a cabeça e mostrou a xicara, pedindo um pouco mais de chá. Enquanto virava o líquido, Ino tentou entender a atitude envergonhada. Kiba costumava fazer tempestade em copo d’água, mas precisava mesmo tanto floreio só por causa de um beijo...? A não ser que...

— Puta merda! Vocês transaram?! — Ino quase gritou. Seu rosto revelou um traço de choque, segundos antes que a expressão voltasse a neutralidade — Vocês fizeram, não foi?!

Kiba apenas balançou a cabeça confirmando.

— Oh não. Nosso mascote tá crescendo... — Ino resmungou. Então mudou de assunto — Naruto, para de ser esganado! Esses sanduiches não são pra você!

Uzumaki devolveu um dos dois lanches que tinha surrupiado, conformando-se em ser menos voraz.

— Queria ser um Ômega também! Pra ganhar comida — Naruto falou, meio audacioso.

— Aff. Só você mesmo pra ser tão besta — Kiba esbravejou. Desde quando comida era vantagem em alguma coisa? Se pudesse, ele queria ser um Alpha! E ficar no topo da cadeia alimentar. Se bem que... se ele fosse um Alpha, talvez não tivesse a oportunidade de estar ali com Shino. Então... ser um Ômega não era assim tão ruim.

— Sabe o que eu não entendo? — Naruto mordiscou o sanduiche devagar, depois da bronca de Ino — A gente estudou junto desde o começo! Não era tão bom ficar perto de você.

— Oe! — Kiba se arrepiou — Claro que ficar perto de mim sempre foi ótimo!! — então assumiu um ar analítico um tanto engraçado, tentando parecer didático — Iruka sensei me explicou. Ele disse que a guerra deixou todo mundo marcado, e o papel dos Ômegas é ajudar os shifters a se curarem, mas não fisicamente.

— Entendi — Naruto viu muito sentindo naquilo.

— Não é só isso — Ino voltou a participar da conversa — A gente era filhote antes, minha mãe disse que crianças não tem experiência suficiente pra compreender algumas coisas. A gente pode ter percebido de um certo modo, por isso Iruka sensei é tão popular entre os alunos, mas a gente não tinha capacidade de ver como está vendo agora. Ou sentir como estamos sentindo.

— Daí veio a guerra...

— E nós nos vimos em uma situação horrível, sem precedentes — Ino ergueu a cabeça e fixou os olhos no teto — Fomos obrigados a deixar a infância pra trás e a amadurecer mais rápido. E todos nós temos feridas pra curar, feridas na alma. Então tirar algo bom de um Ômega é mais do que natural, é fundamental pra todo mundo poder seguir com a vida.

— E Iruka sensei me disse que a gente responde a isso — Kiba lembrou-se da conversa — Como Alphas e Betas precisam de conforto, Ômegas atendem essa necessidade sendo... Ômegas. Não é algo que dá pra controlar, apenas acontece. Tipo manter o equilíbrio. Sei lá.

Ino voltou os olhos para o sanduiche em suas mãos, subitamente sem fome.

— A guerra quase destruiu minha vida — ela falou baixinho — Eu pensei que não teria forças para seguir em frente. E essa merda de lei veio só pra acertar o último golpe. Me senti desesperada e sem saída, até que a gente se encontrou aquele dia na rua. Foi um milagre voltar a pensar direito e poder ver alguma esperança no futuro.

— Ino...

— Bem isso aí — Naruto tomou a palavra — A guerra por pouco não levou o que eu tenho de melhor. Sasuke e eu ainda somos muito diferentes e inexperientes para acertar nossa relação. Mas a gente tá tentando. Brigar faz parte, mas não é como se eu gostasse disso. Controlar nossos gênios é complicado. Discutir com o Sasuke me deixa mal, e aquele dia foi um dos piores, Kiba. Mas você passar por lá ajudou e não foi só eu que senti isso. Sasuke também sentiu um pouquinho, mesmo que ele não admita.

— Naruto...

— Depois que cumprir o tempo obrigatório da lei eu vou investir no meu direito de ser livre — Ino falou de repente.

— Você e o Shikamaru não estão se dando bem? — Kiba perguntou curioso.

— Nem bem, nem mal. É apenas indiferente — a garota deu de ombros — Ele já gosta de alguém e eu também já gosto de outra pessoa. Então é vantajoso pra gente, mas não tem afetividade nenhuma entre nós.

— E de quem você gosta?!

— Você gosta de quem?!

Tanto Kiba quanto Naruto revelaram a dúvida ao mesmo tempo. Principalmente porque ela vivia gritando seu amor pelo Sasuke pra quem quisesse ouvir (e pra quem não quisesse também). Naruto não desejava entrar em disputas por seu companheiro, nem criar um clima ruim com Ino. O que não significava abrir mão do que conquistara tão arduamente.

— Se-gre-do — ela riu maldosa — Gosto de um cara incrível. Mas ele está cumprindo a lei por amizade, apenas pra proteger uma pessoa. Depois dos dois anos ele também estará livre e a gente pode ficar junto!

— Então depois de ter um filhote você vai mesmo se separar do Shikamaru? — Kiba não queria pensar no futuro ainda. Mas a possibilidade de ficar longe de Shino incomodou um bocado.

— Não sei se teremos filhos — Ino revelou em tom misterioso — Minha mãe disse que a natureza é sábia. Quando shifters são totalmente incompatíveis, a gestação não acontece. O Hokage explicou que o período é prorrogável por um ano, e depois se analisa caso a caso. Ele não deixou claro que a gente pode pedir a nulidade do vínculo com base em incompatibilidade natural.

— Não tem essa opção no contrato! — Kiba desconfiou da informação que Ino compartilhava. Ela apenas girou os olhos com enfado.

— As opções do contrato são para quebrar o vínculo antes dos dois anos, idiota. Alegar incompatibilidade natural só pode acontecer depois de cumprir o tempo mínimo. Os adultos não explicam isso, pra gente pensar que tem que tentar engravidar pra valer. Minha mãe pesquisou e me deu umas dicas. Desse jeito vou ficar livre e correr atrás da minha felicidade. Paciência é a chave do negócio.

Kiba perdeu alguns segundos observando a face de Ino. Como ela era calculista! E um tanto fria. Porém, quem podia julgar? Cada um agarrava a chance de ser feliz com as ferramentas que o destino dava, não?

Nesse caso... seria a sua situação com Shino uma chance de ser feliz? Estava somando cada pecinha, devagar e constante, montando um cenário em que o futuro com Shino era uma possibilidade real e agradável? Bem... aceitara o vinculo, descobria que tinham compatibilidade acima da média (tipo almas gêmeas!), que podia beijá-lo e... fazer amor! Seu corpo respondia aos toques gentis, à preocupação quase palpável, aos cuidados e carinhos.

Gostar de Shino, corresponder aos sentimentos que ele lhe dirigia já não era uma opção impossível. Pelo contrário.

Pois foi ali, sentando naquela sala, enquanto Ino se abria da amargura que sentia e compartilhava seus planos; e Naruto voltava a roubar os sanduíches, mais preocupado em encher a barriga e aproveitar da presença confortante de um Ômega, que Kiba se permitiu ser sincero e honesto com os próprios sentimentos, admitindo algo que se recusava até então. Por motivos que agora pareciam bobos, infantis, risíveis.

Admitir pra si próprio algo que sabia lá no fundo, apenas fingia não ver, foi fácil. Inacreditavelmente fácil.

A verdade que garantia que com eles seria diferente. Jamais poderia alegar qualquer tipo de incompatibilidade; afinal, seu corpo já reagia ao corpo do Alpha. Já se adaptava e se mostrava disposto a acolher a semente que lhe era oferecida. Reações de duas almas gêmeas...

Admissão emergiu cristalina como os fragmentos através do vinculo, contudo não eram de uma pessoa para outra. Era a percepção fluindo-lhe do coração, e atingindo sua mente. Razão e emoção se encontrando e se entendendo, chegando a um acordo.

Kiba sorriu, ignorando a discussão que se iniciou entre os dois visitantes. Alheio a tudo o mais, a não ser à sensação que experimentava pela primeira vez, de permitir que o véu caísse e lhe possibilitasse enxergar tudo nitidamente.

Ele gostava de Shino.

Notas finais
Até que enfim, hein, Kiba? Coitado gente, o menino é enrolado, mas a autora é mais. Por favor, discordem da minha auto-acusação e salvem a minha dignidade. Nunca pedi nada. Sexta-feira que vem tem mais :D Abraços.