Notas iniciais
Olá!! Fiquei muito feliz com a resposta dos leitores pelo capítulo anterior!! :D Era o único que eu estava apreensiva para postar. Agora é só alegria...er... não literalmente, claro. Já vão preparando o coração pros tiros! E boa leitura!!

Capítulo 18

Assim que deram entrada no hospital de Konoha, um enfermeiro aproximou-se para ver o que estava acontecendo. Enquanto Kiba, que carregara inconsciente nas costas até ali, era atendido; Shino era chamado pela recepcionista que lhe fez uma série de perguntas preenchendo um formulário, para que descobrissem mais rápido o que acontecia com Inuzuka.

— Vocês fizeram exames pré-nupciais recentemente, não foi? — a mocinha indagou.

— Sim.

— Me lembro de vocês. São o casal de Alpha e Ômega que a Tsunade sama faz questão de acompanhar — Shino ficou surpreso com a informação — Vou mandar avisá-la. Já que preenchemos tudo aqui, você quer esperar junto com Inuzuka kun na sala de observação?

— Sim, por favor — claro que ele queria ficar ao lado do companheiro. A pergunta deixou Shino um tanto impaciente, mas não era de sua natureza responder grosseiramente.

Um segundo enfermeiro indicou o caminho para Shino. Quando ele chegou à sala, encontrou Kiba desperto, meio encolhido deitado em uma maca.

— Melhorou? — perguntou parando ao lado dele.

Recebeu um balanço de cabeça como resposta. Foi uma pergunta desnecessária, o vínculo entre eles tornava claro o desconforto físico do companheiro. Sensação pior do que a própria dor: ver uma pessoa querida sofrendo sem poder fazer nada.

Minutos depois um dos médicos de plantão passou por ali para assegurar que a vida de Kiba não corria perigo. Pediu desculpas por não prescrever nenhum remédio para o garoto, mas ele não era especialista em casos assim. Esperar a chegada de Tsunade era a melhor solução.

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— Gomen, gomen — Tsunade foi dizendo ao entrar na sala de observação. Vinha ofegante, provando que a chegada rápida custara um bocado de esforço. Passou os olhos superficialmente pela prancheta que tinha em mãos, antes de acenar um sinal claro para que Shino saísse de lá — Preciso consultar Inuzuka kun e prefiro que nesse momento seja a sós.

— Mas...

— Depois converso com você, Aburame kun. Seja um bom garoto e espere lá fora. Use o vínculo para acompanhar seu companheiro.

O tom incisivo não permitiu protestos. Shino lançou um olhar para Kiba, deitado na maca enquanto cobria parte do rosto com o braço para esconder o choro, mergulhado em uma dor tão grande, que tornara-se alheio ao que acontecia ao seu redor.

Sem opção, Shino saiu do quarto e voltou para área da recepção.

Sentindo-se solidária ao garoto desesperado a ponto de sair de casa de pijamas, a funcionária deixou o balcão e voltou com um copo de café quente, foi até a poltrona onde Shino estava sentado e entregou para ele.

— Aqui, Aburame kun. Não se preocupe, Tsunade é a maior especialista em jutsu medicinal de Konoha. Vai ficar tudo bem.

Shino agradeceu com um aceno de cabeça, aceitando o copo de café.

O lugar estava vazio e silencioso naquela madrugada abafada. Pelo menos tinha o conforto do vínculo, elo que lhe trouxe os mais variados sentimentos no lento e agoniante passar do tempo. Até que, finalmente, o incomodo desapareceu e restou um “silêncio” caloroso, coisa que sentia apenas quando Kiba estava dormindo. A dor havia passado.

Tsunade apareceu na ponta do corredor e chamou-o de volta. Quando entrou na sala de observação, encontrou a mulher sentada em uma cadeira, indicando que ele deveria sentar-se na outra. Obedeceu tão somente depois de dar uma boa olhada em Kiba, que ressonava tranquilo sobre a maca, com um lençol branco cobrindo-o quase todo.

— Boa noite, Aburame kun. Desculpe não ter falado com você da forma certa, mas a minha prioridade era cuidar de Inuzuka kun.

— Claro.

— Não é muito comum termos a gestação de um Ômega macho, por isso fiz questão de acompanhar o caso de vocês. Serei a médica do casal até o final do processo — ela sorriu — Acompanhei duas gestações similares desde que me tornei médica. Não posso responder a todas as dúvidas, pois mal começamos a explorar esse terreno. Mas garanto que pesquisarei à exaustão para ajudá-los por todo o percurso.

— O que aconteceu com Kiba? Por que ele estava com tanta dor?

— Pelos exames que fiz descobri que começou o processo de adaptação corporal. O corpo dele está se preparando para gerar uma nova vida, Aburame kun. Tudo começou depois do primeiro ato sexual.

A informação entristeceu Shino. Todo aquele sofrimento era culpa de uma noite de amor?

— Não sabia que seria tão ruim... — ele sussurrou.

— Não deveria ser! — Tsunade garantiu — A natureza é sábia, Aburame kun. Ela não impõe castigo a algo que ela mesma possibilitou. Nenhum dos casos que acompanhei passou por isso. Nos exames descobri que o fluxo de Chacra de Inuzuka kun estava desestabilizado. Ajudei a voltar ao normal e a dor passou. Acredito que não vá acontecer de novo, apesar de não descobrir o que causou essa anomalia.

— Talvez estresse?

— Possível, mas não provável — a mulher soou reflexiva.

— Ontem à tarde nós discutimos — Shino revelou mortalmente sério. Culpa quase palpável pontuava cada uma das cinco palavras ditas.

— Não, Aburame kun. Você não entendeu. Ômegas são a representação da harmonia entre shifters. Onde os Alphas tem a força, Ômegas tem consonância. Não é uma briga ou discussão que consegue mudar isso. Quando digo que estresse pode interromper o Chacra de um Ômega, me refiro à situações pesadas, hediondas como tortura — Tsunade explicou com paciência — Não creio ser o caso de vocês.

— Absolutamente. Nós discutimos um pouco, mas resolvemos a questão.

— Isso é normal em todo relacionamento, não é motivo para desestabilizar a energia de Inuzuka kun do jeito que estava, embora não me sinta mais perto de entender o que houve. A energia do nosso corpo é uma maravilha que não foi desvendada por completo. Meus exames não encontraram uma causa específica, mas garanto que agora Inuzuka kun está bem. Durante a consulta ele não estava em seu estado de consciência normal, por isso vou conversar melhor antes de assinar a alta.

— Obrigado.

Ela balançou a cabeça descartando a gratidão.

— Serei a médica de vocês, caso algo estranho aconteça ou essa dor se repita, não hesite em voltar. Não vou receitar nenhum remédio, pois o Chacra está fluindo muito bem, então medicamentos são desnecessários. Quer ir descansar um pouco? Nosso pequeno Ômega não vai acordar tão cedo — ela sugeriu, já sabendo a resposta.

— Prefiro ficar aqui — Shino decidiu.

Tsunade sorriu simpática. Obviamente um Alpha não sairia de perto do companheiro em situações assim. Mesmo sendo uma Beta, ela sabia disso.

— Vou guardar os resultados dos exames no prontuário de Inuzuka kun. Estarei no hospital de prontidão até que ele esteja bem pra voltar para casa. Eu ia mandar levá-lo para um dos quartos, mas como ele adormeceu tão bem é melhor deixá-lo descasar sem incomodar.

Shino meneou a cabeça e assistiu enquanto ela saia da sala. Por fim levantou-se da cadeira e foi espiar Kiba. O garoto ressonava tranquilo, o rosto pálido e as olheiras eram nada mais do que resquícios da noite terrível.

Com carinho passou a mão pela franja castanha que grudava em fragmentos de suor já quase completamente seco. Foi atingido por uma súbita onda de desvelo que sentiu em relação ao Ômega, marca do amor que nutria por ele e lhe causara tanta tristeza por vê-lo sofrer sem que conseguisse amenizar de algum jeito. Se pudesse, teria sugado toda a dor e padecido no lugar de Kiba.

Mas não podia. Não podia trocar de lugar com ele e... e... e...

Um insight atingiu Shino com o poder de um raio iluminando uma noite escura. Certas palavras de Tsunade voltaram, causando a percepção aguda da realidade. A ponto de o rapaz ter que voltar para a cadeira e sentar-se dada a fraqueza nas pernas.

O corpo de Kiba estava se adaptando.

Adaptando-se para o filho deles.

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Quando Kiba acordou a manhã já ia pelo fim. Ele suspirou meio desanimado e olhou ao redor. Primeiro viu Shino sentado na cadeira ao lado da maca, depois notou a mãe parada perto da janela, observando o pátio interno do hospital.

— Yo, pessoas — cumprimentou.

Shino levantou-se ao responder:

— Ohayou. Como se sente? — sabia a resposta, só precisava ouvir para se convencer de vez.

— Meio moído. Mas a dor acabou.

Tsume aproximou-se da cama para fazer um cafuné nos cabelos do filho. Era um gesto de carinho tão atípico que mostrou a Kiba quão preocupada sua mãe estava.

— Trouxe mudas de roupa para você e pro Alpha ali. O desnaturado só lembrou de me avisar agora pouco — alfinetou um tanto irritada.

Kiba notou que Shino vestia antigos trajes de seu pai, trazidos na pressa por Tsume. Talvez porque nenhuma das roupas que largara na casa da mãe serviria em Aburame.

— Suman — o rapaz pediu pela enésima vez. Nem passara pela cabeça dele informar a mãe de Kiba durante a madrugada.

Tsume resmungou e continuou com os carinhos, propositadamente não dando espaço para que Shino chegasse perto.

— Quero voltar pra casa. Podemos ir?

— Ainda não. Tsunade san vai verificar sua condição antes de dar alta. Você está com fome? Quer comer alguma coisa?

As perguntas funcionaram como cura para o desanimo de Kiba, que no mesmo instante sentou-se na maca exibindo um sorrisão.

— Seria ótimo!

Shino apreciou o gesto, seu coração cobriu-se de uma grata sensação, que era de puro alívio. Agora tinha certeza de que o garoto estava bem.

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Quando Shino voltou, encontrou Tsunade dominando o quarto com sua forte e não ignorável presença.

— Ohayou, Aburame kun — terminou o cumprimento olhando pra caixinha cheia de onigiri e o copo de suco de laranja que ele trazia nas mãos.

— Comprei na cantina do hospital — Shino explicou com receio — Ele tem alguma restrição alimentar?

A mulher acenou depressa com a mão.

— Pelo contrário. Como Inuzuka kun perdeu o café da manhã é bom que se alimente para compensar.

Depois dessa autorização, Shino entregou o lanche para o companheiro e Kiba não se fez de rogado, ficando ainda mais feliz ao descobrir que os bolinhos de arroz vinham recheados com carne e maionese. Seu preferido.

— Enfim, eu estava explicando a situação no geral para Inuzuka kun e Inuzuka san. Repassei todos os exames pela segunda vez e não encontrei nada de anormal que justificasse o desequilíbrio do Chacra. Não é esperado que a adaptação de um Ômega cause tamanho sofrimento, agora que o fluxo de energia estabilizou, acredito que a dor não se repetirá.

— Que bom! — Kiba exclamou com a boca cheia.

— Olha os modos, moleque — Tsume ralhou.

— Você sentiu alguma coisa estranha antes da dor? Um sinal de que algo estava errado? — ela repetia algumas perguntas feitas na noite anterior por garantia, já que agora Kiba estava com a consciência estabilizada.

Dessa vez Kiba engoliu toda a comida, lançando uma olhadinha precavida na direção da mãe, só então respondeu:

— Nadinha. Estava tudo muito que bem.

Tsunade virou-se para Shino, ganhando um aceno de confirmação. Ele sentiria qualquer anormalidade através do vínculo. Fora pego de surpresa tanto quanto Kiba.

— Entendo. Esse é um acontecimento sem precedentes, mas não vou tratar como caso isolado. Continuarei pesquisando na literatura medicinal Ômega. Também irei até a vila da Areia, pois eles tem uma maior tradição com gestação masculina. Acredito que os registros documentais por lá são mais completos que os nossos.

Ela era fascinada pelo assunto. Por isso fez questão de acompanhar aquele casal. Queria garantir que dali pra frente não houvesse mais nenhum incidente doloroso. E a melhor forma de se prevenir era buscando informação.

— Já posso ir embora? — Kiba soou ansioso.

— Assim que terminar esses bolinhos — Tsunade sorriu.

— Alguma recomendação? — a voz de Shino revelou sua preocupação.

— Para o nosso pequeno Ômega, não — a médica respondeu — O fluxo de Chacra está fluindo como deve, agora a adaptação corporal deve continuar sem incidentes. Já para o senhor Alpha aí, recomendo que chegue em casa e descanse um pouco. Madrugada em claro pesa bastante. Mais alguma dúvida?

Kiba levantou a mão.

— Pode falar Inuzuka kun.

Entretanto ele deu uma olhadinha sem graça na direção da mãe. Tsume entendeu o recado, resmungou algo sobre pegar café e saiu do quarto, dando liberdade pro casal tratar de qualquer assunto com a médica.

— Ainda é complicado falar certas coisas na frente da minha mãe — Kiba sussurrou meio que se desculpando.

Tsunade riu concordando.

— Pode perguntar, Inuzuka kun.

— Esse... hum... lance de adaptação... é aquilo que Iruka sensei me explicou? Que vai mudar as coisas aqui dentro? — terminou a pergunta colocando a mão sobre a barriga.

— Exatamente! A natureza vai reescrever seu corpo em alguns detalhes fundamentais. O processo dura em média três meses, mas não falamos de uma ciência exata. Alguns Ômegas engravidam antes, alguns engravidam bem depois. Como a vida sexual de vocês foi ativada, pode acontecer a qualquer momento. Por via das dúvidas, marque no calendário uma consulta preventiva para daqui a três meses — terminou sorrindo com certa ternura — Vocês devem começar a se preparar para ser Papai e Papai.

Notas finais
Hohoho Até mais!! ♥