A Lei da Amizade

7 Capítulo 7 - "Quando a Tempestade Ganha um Nome"


Notas iniciais
A chegada de Asami acaba mexendo com todos.

Paris — Aeroporto Charles de Gaulle.

O céu já estava tingido por um tom alaranjado quando o voo vindo do Japão pousou. A multidão se espalhava pelas portas de desembarque, mas no meio dela, uma figura caminhava com postura firme, passos seguros e expressão determinada.

Asami Hoshino.

Seu cabelo estava perfeitamente preso em um rabo de cavalo alto; a roupa, elegante; o olhar, calculado. Não havia sinais de cansaço pela longa viagem — apenas um brilho intenso e inquietante nos olhos.

Ela passa pelas portas automáticas e respira profundamente o ar frio de Paris.

— Kousei… esperei tempo demais — murmura para si mesma, ajeitando a alça da bolsa no ombro. — Desta vez, ninguém vai ficar no meu caminho.

Um sorriso leve — quase perigoso — surge em seus lábios.

Porto de Paris

Kousei permanecia sentado na beira do cais, abraçando o violino quebrado de Kaori, como se aquilo fosse a única coisa que ainda o mantivesse ligado ao mundo. O vento soprava forte, fazendo o casaco balançar em seu corpo curvado.

Nanaka estava ao lado dele, atenta, ansiosa, preocupada. A presença dela parecia ser sua âncora mais fiel nesses dias sem cor.

— Kousei… está começando a esfriar muito. Quer ir para o hotel descansar um pouco? — Nanaka pergunta, tentando ser gentil.

Ele balança levemente a cabeça.

— Não… e se ela aparecer? Se eu não estiver aqui… Eu… eu não posso… — sua voz falha.

Nanaka sente o coração apertar.

Tsubaki observa de longe, abraçando seus próprios braços, com o peito pesado — não apenas pela dor pelo que Kaori significava, mas pelo desespero silencioso de ver seu amigo destruído.

Hidaka, por sua vez, está encostado em um poste, encarando Nanaka com uma mescla de preocupação… e algo escuro demais para ser só tristeza.

Shuri e Watari conversam baixinho.

Shuu tentava organizar algo para que o grupo se revezasse durante a noite.

De repente, o celular de Nanaka vibra.

Ela olha a tela.

Seus olhos se arregalam.

— É… é a Asami. Ela já chegou. — sua voz sai trêmula.

Todas as atenções imediatamente recaem sobre ela.

— O QUÊ? — Shuri arregala os olhos. — Mas tão rápido?

— A Asami não perde tempo… — murmura Tsubaki, já imaginando a confusão.

Hidaka muda de postura, como se recuperasse o fôlego.

— Ela disse onde está? — pergunta Shuu.

Nanaka engole seco.

— Está pegando um táxi… vindo direto pra cá.

O silêncio que se instala é tenso, pesado, quase sufocante.

Aoi se aproxima.

— Kousei… precisamos te avisar. A Asami está vindo.

Ele pisca devagar, cansado demais para reagir de imediato.

— A-Asami? … por quê?

Nanaka abre a boca para responder, mas não tem tempo.

Minutos depois

O táxi amarelo para em frente ao porto. A porta se abre devagar.

O salto preto toca o chão.

Depois o outro.

Asami emerge elegante, impecável, como se estivesse chegando para um ensaio fotográfico.

Ela olha ao redor… e encontra o grupo.

Encontra Nanaka.

E abre um sorriso caloroso.

— Nanaka! — diz ela, caminhando rápido e estendendo os braços.

Mas ao se aproximar, seu abraço não é espontâneo: é calculado, proposital, teatral.

Nanaka retribui automaticamente.

— A-Asami… que bom que veio… — mas sua voz está instável.

Asami segura o rosto da prima com as mãos.

— Você está tão abatida… deve ter sido horrível para você. — Depois, sem perder o tom dramático: — Não se preocupe. Eu vim mudar isso.

Nanaka não sabe o que responder.

Shuri, Tsubaki e Aoi trocam olhares desconfortáveis.

Watari cochicha:

— Isso vai dar problema. Anota aí.

Então Asami vê Kousei.

Sentado no cais. Curvado sobre o violino queimado.

Cabelos desgrenhados, olhos profundos e vazios.

Asami inspira rápido, como se tivesse sido atingida por uma onda repentina de emoção.

— K-Kousei… — ela dá dois passos à frente, a voz quebrando como se fosse sincera. — Eu vim assim que soube…

Nanaka observa.

Algo no peito dela aperta — um aperto estranho, desconhecido.

Kousei levanta o rosto devagar.

Os olhos dele passam direto por Asami, como se ele estivesse olhando através dela, e não para ela.

— Asami… — murmura, fraco.

Ela corre até ele e se ajoelha ao seu lado.

— Eu estou aqui agora. Não vou deixar você sozinho.

Ela tenta segurar a mão dele.

Mas Kousei recua, quase imperceptivelmente.

— Eu… eu não posso ficar longe do mar… — ele diz, olhando novamente para o horizonte.

Asami força um sorriso, tentando esconder a frustração.

— Eu entendo. Claro que entendo. Você amava a Kaori… muito. Mas agora, mais do que nunca, você precisa de alguém ao seu lado que compreenda você.

Nanaka sente algo se retorcer dentro do peito.

Hidaka percebe — e por dentro, sorri.

Aoi corta o momento.

— Asami, obrigada por ter vindo. Mas por favor… entenda que o Kousei está extremamente fragilizado. Ele não precisa de pressão agora.

Asami se vira devagar, mantendo a compostura.

— Pressão? Não, querida. Eu estou aqui para ajudar. Coisa que alguns deveriam ter feito antes, talvez.

Nanaka sente o golpe indireto e seus olhos arregalam.

Tsubaki avança um passo.

— Ei. Aqui ninguém veio para competir. Todo mundo está sofrendo.

Asami dá um meio sorriso afiado.

— Competir? Eu? Jamais. — ela olha para Kousei. — Só vim fazer o que sempre deveria ter feito. Ele sempre precisou de mim.

Nanaka engole seco.

Hidaka percebe.

E se aproxima dela, tocando seu braço de leve.

— Nana… fica calma. Ela só quer provocar.

Nanaka afasta o braço sutilmente — não por raiva de Hidaka, mas por estar perdida nos próprios sentimentos.

— Eu sei… — diz ela baixinho.

Mas saber não ajuda muito.

Mais tarde

Os amigos resolvem sair um pouco para comer.

Kousei não quer ir.

E Nanaka insiste em ficar com ele.

Asami também insiste.

— Eu fico com você, Kousei — diz ela, com firmeza. — Nanaka está cansada. Ela precisa descansar.

Nanaka arregala os olhos.

— Eu estou bem. É melhor que eu fique com ele.

Asami dá um sorriso doce — falso.

— Não, prima… deixa comigo. Ele precisa de alguém que saiba lidar com essa dor. Você é muito sensível.

Nanaka sente a cutucada.

Mas respira fundo.

— E você é muito ousada — responde, pela primeira vez encarando Asami com firmeza.

Asami sorri ainda mais.

— Talvez seja isso que falte aqui.

Kousei levanta a cabeça.

— Eu… prefiro que vocês duas não discutam… — murmura, cansado demais.

Aoi decide intervir.

— Nanaka fica com ele. Asami… você acabou de chegar. Descanse um pouco.

Asami só não explode porque percebe o olhar de Shuu, firme, sério, de quem não toleraria nenhum show.

Ela então suspira teatralmente.

— Tudo bem. Vou ao hotel. Mas volto depois. — Ela lança um último olhar para Nanaka. — E eu não vou desistir tão fácil.

E vai embora.

Nanaka observa enquanto a silhueta da prima desaparece entre as luzes da cidade.

Hidaka se aproxima.

— Nana… você está bem?

Ela não responde de imediato.

Depois diz:

— Não sei… algo nela me assusta.

Hidaka toma coragem e diz:

— Eu prometo que vou te proteger dela.

Nanaka respira fundo.

— Não é de mim que ela quer se aproximar, Hidaka…

Ela olha para Kousei…

— …é dele.

Hidaka engole seco.

E percebe que aquela guerra emocional só estava começando.

E o mar…

ainda não trazia respostas.

Só silêncio.

Um silêncio pesado demais.

Kaori seguia desaparecida.

E com a chegada de Asami, os laços de amizade começavam a ser testados como nunca antes.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.