A Legião

1 Capítulo 1 - Um mundo maravilhoso


Capítulo 1 — Um Mundo Maravilhoso



Quantas vezes em sua vida já ouviu aquele velho ditado que as aparências enganam? Na situação do titulo do capitulo que conto hoje, não é muito diferente, pois é exatamente este o caso.

De fato, o nosso mundo está, literalmente, caindo aos pedaços, indo direto ao colapso, se assim preferir. Entre tudo que está acontecendo posso facilmente citar as guerras e milícias, a fome, mas o que parece a pior de todos elas: Os meta humanos.
Em minha opinião, talvez tenha sido o maior motivo para o começo de tudo isso, mas talvez também não devo descartar a ignorância humana, em acreditar que são seres divinos, completamente evoluídos e perfeitos, os próprios deuses encarnados. Geração após geração o pensamento foi igual, até surgirem que eles surgiram;


Milhares de alienados, milhares de talentos desperdiçados, contudo não apenas coisas ruins vieram com eles. Como dizem por aí: A mudança sempre vem de um punhado de homens que tentam fazê-la acontecer.


E é assim, que podemos realmente começar esta história.



Meu nome é Viktor Paladin. Agora você já sabe o meu nome, entretanto deseja saber quem sou, quem fui e todos aqueles segredos que são guardados no canto mais escuro e podre de minha existência, não é? Pois bem, sinto muito, mas não sou idiota de contá-las;
Posso dizer apenas que sou o homem mais poderoso, e se não o mais rico também, do mundo, não que, de fato, o título que recebi ganhe a devida importância de minha pessoa, já que para que serve tanto dinheiro senão para tornar o mundo um lugar melhor, não é mesmo?

Nesse exato momento, estava na frente de meu computador, selecionando os melhores meta humanos. Por que? Bom é tudo parte de meu plano. Aposto que outra dúvida surge em sua mente: Por que os meta humanos, se citei que eles eram a causa do mundo está andando para o buraco? Por que eles, que sofrem tanto preconceito nesta sociedade? A resposta é mais simples do que a anterior, mesmo que possa parecer um pouco sentimental, como meu pai me ensinou: Ninguém pode criar um novo início, mas todos podem começar hoje a criar um novo final.


Posso concluir que passei cerca de cinco horas ali, pesquisando, nada parece me satisfazer. Levanto-me e olho para a janela ao meu lado, me perdendo em pensamentos, onde a minha esperança estava quase sendo perdida. E se não houvesse alguém bom o suficiente? Meu olhar então vagou até uma imagem realmente comum, que usei de inspiração durante anos, a imagem do Paladino, um dos maiores heróis que a história já conheceu, aquele que o nome estaria eternizado até o fim dos tempos.

Mas existe algo me incomodando.

Solto um suspiro estressado, minha boca está seca e meus olhos ardem, é só então que paro para perceber, o quanto posso estar esquentando a cabeça um pouco além do que deveria com isso. O chão do escritório está forrado por jornais, páginas da web de fichas e mais fichas, notícias e mais notícias, as quais datam desde o ano 2000, estão apenas abertas em um computador. Havia deixado o vice-presidente cuidado de meus negócios por dias, litros de cafeína haviam sido ingeridos. Corri minha mão por meu rosto, minha barba nunca esteve tão comprida como agora. Estava na hora de voltar para meu mundo, de volta para os negócios. Me viro, sentindo claramente minha perna manca reclamando, quando ao esticar os músculos uma aguda e incômoda dor tomou conta, provavelmente tanto tempo parado na frente de um computador não tinha me feito bem. Embora tal fato, de ser manco, não me fosse um verdadeiro grande mal, havia me impedido de treinar, mas não de juntar a Legião. E é exatamente isso que vou fazer.

São exatamente 15:00h de uma sexta feira, sem hesitar ou pensar duas vezes, inclui em meus planos jantar fora, talvez em Nova Orleans. Particularmente sempre gostei de seu toque francês, por alguns segundos, fico delirando com milhares de possibilidades, pensando em cada uma delas como um sonhador em seu sonho preferido.

— Michel! Prepare meu jato, vamos passar a noite em Nova Orleans. — Grito, mesmo que minha voz parece cansada, ainda sim mostrar todo meu entusiasmo, anúncio sem mas a meu criado suas ordens; Michel sempre me foi leal, não era dos mais competentes, mas me alegrava lhe ver, tem em torno de minha idade, apesar de estarmos em posições sociais totalmente diferentes e distantes, ele sempre se esforçou para tudo, sem corpo mole.

— Se sairmos agora, chegaremos em algumas horas, senhor Paladin. — Ele disse, surgindo na porta, a qual ele mesmo abriu depois de bater duas vezes. — Já posso ir marcando sua reserva em seu restaurante favorito?

— Não. — Lhe respondi com uma suave risada. — Gostaria de ir a um lugar mais simples, afinal, tenho que me disfarçar de vez em quando.

Ele concordou, indo cuidar de alguns preparativos, fiquei até surpreso que nada comentou sobre minha aparência.

Tudo certo, agora só necessitava de um banho, porém, mesmo quando entro, e sinto-me relaxar, não posso evitar de notar que não deixo de pensar sobre a Legião. Algo ainda parece fora do lugar, principalmente ao momento que minha vontade de ir para Nova Orleans se torna um estranho receio, a cidade calma onde eu encontrava alguma paz fora do mundo caótico. O medo começava a me consumir, ao sentir meu coração acelerar, fechei meus olhos por meros segundos.

Segundos que foram suficientes para que veja a imagem de uma criança. Uma criança em estado de putrefação.

Oh Deus, tamanho horror que aquela imagem trouxe me fez rapidamente abrir meus olhos, hesitante ao olhar ao redor, nada, estava sozinho.Suspirei algumas vezes, me encostando contra a parede fria, tomei alguns momentos para me acalmar, aquilo tinha sido horrendo, estranho e terrível. Preciso tirar um tempo para mim, acalmar meus pensamentos sobre tudo aquilo que estive emergido por dias.

Logo após me trocar e me arrumar, entrei no carro, rumo ao aeroporto. A cidade de Washington não é a mesma faz anos, agora, é uma cidade dominada por vândalos, políticos corruptos e homens desperdiçando talentos, tempo e sonhos. Um pequeno suspiro saiu de minha boca, quando me encontrei no banco e fechei os olhos, a cidade em si é desgastante.

— Mestre Paladin? — Saio de meus devaneios, ouvindo Michel me chamar. — Deseja mesmo ir à Nova Orleans?

E com isso, acabou me tirando de meus pensamentos. Por que tal questionamento agora? Podendo notar minha clara expressão de dúvida, ele logo se prontifica a continuar:

— Ouvi dizer que há meta humanos a solta por lá, é como um submundo que estão usando para se esconder depois dos últimos acontecimentos . — Me explicou, franzi a sobrancelha levemente. -... e a cúpula não tem poder para ir atrás deles, nessas condições.

—Meta humanos? — Questionei, mas logo então abri um grande sorriso. — Creio que isso pode ser interessante, Michel! Aliás, isso pode ser perfeito para minha busca!

Me empolguei com aquilo, mas logo em seguida me veio uma dúvida, como eles tinham descoberto tal coisa?

— Mas... O que houve com a cúpula? — Estranhei, desde 2003 nenhum meta humano saiu de lá, porque agora havia de sair?

Explicando: A cúpula surgiu em 2003, desde que o Soberano destruiu Londres, a notícia se espalhou como uma gripe viral, todos ficaram aterrorizados. Não os julgo, não era para menos.

O Supremo, um Herói, que se rebela e decide destruir uma cidade inteira e seus habitantes por motivo algum. Se bem que, nunca fui com a cara dele de qualquer forma, mas não esperava isso dele, mesmo sendo um egocêntrico com complexo de deus, talvez sua própria ignorância tenha feito isso.

Sempre ouvi aqueles que o defendiam, teóricos da conspiração que dizem que o único motivo para ter feito aquilo, era por estar possuído. Porém, concluindo, todos foram punidos pela arrogância dele, punidos com a cúpula.

Cúpula era de fato uma organização que criou, em meio ao deserto australiano, para todos os meta humanos, sejam crianças, adultos ou idosos, uma cadeia. É claro que nunca iriam admitir que aquele lugar era uma cadeia, em sua propaganda diziam ser um lugar seguro, para que eles fossem livres para usar seus poderes. Literalmente falando, tudo mentira.

Sua risada me tirou de meus pensamentos novamente.

— Você leu tantas notícias do passado que se esqueceu do que aconteceu no presente, senhor? — Perguntou animado mas logo em seguida deu um suspiro, mantendo seus olhos nas ruas enquanto dirigia. — Esta manhã, a cúpula teve uma falha em seus sistemas de segurança, o que permitiu que alguns meta-humanos mais rebeldes fugissem, claro, tem gente que diz que foi algo provocado por meta-humanos de dentro ou de fora de lá, mas são apenas teorias


— Incompetentes... — Reclamei, não lhe permitindo continuar quando comecei a ficar nervoso sobre aquele assunto. Talvez fosse perigoso, tinha que estar pronto. — Pois então, creio que, ao menos, devo estar armado.

Ele então parou o carro no semáforo, se inclinando quando tirou uma Magnun do porta-luvas, minha favorita.
Provavelmente me sentiria bem melhor sabendo que tinha ela comigo para me proteger, nunca se sabia quando seria necessário, mesmo usando roupas mais comuns, alguém poderia me reconhecer e tentar me usar como refém ou pior, me matar.

Após uma longa discussão sobre a cúpula, chegamos finalmente ao aeroporto, não pareço tão animado com a ideia ao lembrar de todas as burocracias do aeroporto. Mesmo eu, tinha que passar por elas para conseguir chegar a meu avião particular. Deixo Michel cuidar de nossas coisas e adentrei no local, com a pistola em minha cintura por baixo de minha camiseta, que por ser larga não marcava a arma que escondia.

Noto a correria no local, alguns chegando, outros fugindo, não me importei quando caminhei até um banco vazio e me sentei, não demorou muito para que uma garotinha, de aparentes 7 anos, vir e se sentar ao meu lado, suspirando um pouco tristonha. Ela me pareceu possuir uma extraordinária inocência, raro de se ver em uma criança que crescia nesse mundo. Eu a vejo nitidamente, aparência e pureza, mas ela não me vê. Claro, tem a visão de um homem alto, magro, cabelos escuros e olhos claros, talvez de aparência cansada devido aos últimos dias de pesquisas, mas não vê meus pecados, e nem os deduz. Pode até achar engraçado minha perna manca, o que de fato achou, pude perceber uma fraca risadinha que ela tentou esconder entre as mãos quando notou.

— Algo engraçado, mocinha? — Perguntei, dando uma suave risada, com uma sutil ironia em minha voz.

— N-Não senhor! — Prontamente se adiantou, não escondendo o sorriso em seus lábios. — Me desculpe, moço!

— Não se preocupe, também acho engraçado sabe? — Respondi a ela, segurando minha perna manca — Uma verdadeira mancada.

Ao que pareceu minha tentativa de ser divertido funcionou, ela pareceu um pouco mais tranquila, decidi então perguntar, afinal ela estava bem vestida, mas estava sozinha e não via nenhum responsável ao redor.

— Então, posso perguntar o que faz desacompanhada? Crianças não devem ficar sozinhas.

— Aé? — Ela me perguntou com um voz, havia uma pitada de brincadeira em sua frase. — Então, posso perguntar o que um senhor rico faz desacompanhado?

Tive que rir, deveria ter esperado por essa.

— Não estou sozinha, senhor. — completou após um momento. — Minha mãe está falando com meu papai, lá fora.

Apontou, notei que era a mesma entrada por onde tinha vindo, uma mulher muito parecida com ela lá estava, gesticulando, aparentemente gritando e fazendo um grande escândalo. Talvez ela tenha visto o carro que desci, por isso teria me chamado de senhor rico.

— Tá uma briga bem feia, sabe? — Disse para mim tristemente, olhando para seu colo como se estivesse com vergonha. — E eu acho que a culpa é minha...

— Sabe, não é sua culpa. Adultos brigam por coisas bestas o tempo inteiro. — Suspirei ao correr os dedos pelos cabelos. Pensei por alguns segundos antes de continuar. — Eu também não estou sozinho, estou com o Michel, meu melhor amigo, e estamos a procura de super heróis.

— Sério?! — Ela me olhou, com os olhinhos brilhando em admiração. Mas logo então algo lhe abateu, um olhar melancólico tomou conta de suas íris antes de novamente abaixar o olhar — E-Eu... queria ser chamada de heroína, mas minha mãe só me chama de aberração.

Notei que ela estava quase chorando, suavemente baguncei seus cabelos, tentando acalmá-la de alguma forma. Era uma criança, uma esperança para o mundo e a sociedade no futuro, a esperança de algo melhor.

—Todos podemos ser heróis, mocinha, seja estudando ou se esforçando, se pudermos melhorar a vida de alguém, podemos todos ser chamados de heróis — Aconselhei, já me sentindo melhor comigo mesmo por ter feito tal. Porém me surpreendeu quando negou com a cabeça, estranhei ao franzir o cenho levemente.

— Mas não é por isso, senhor, que estou sendo chamada de aberração. — Me diz, hesitando por um momento, olhou ao redor então pegou minha mão entre as dela, encostando gentilmente sobre sua testa. De um instante para o outro há uma pequena pedra triangular e um poder que aparentava ter todo um novo significado. Talvez até fosse medo, uma meta humana, uma criança. Mas talvez o medo fosse do desconhecido, não sabia o que aquele poder dela podia fazer comigo, poderia me matar, poderia me levar para outro universo, quem sabe?

Em um momento de pânico me levantei, me afastando dela, notando que quando abriu os olhos novamente me olhava triste, quase que arrependida. Obviamente, de olhos arregalados e respiração ofegante devido ao susto. Porém, não era nenhum desalmado, respirei fundo algumas vezes, para me acalmar e entender o que estava acontecendo ali. Não podia contar a ninguém, a segurança de uma criança dependia disso.

— Você também me acha uma aberração, não é mesmo? – Ela então se pronunciou, com voz trêmula. Parecia agora ter medo.

Aberração? Na verdade não, rapidamente tratei de recompor minha postura e minha educação, parecia um garotinho assustado agindo daquela maneira. Então sorri, o que pareceu surpreendê-la

—Sinceramente? Eu acho extraordinário, e entre nós? Isso foi incrível. — Lhe disse, ela pareceu se alegrar um pouco. — Você se lembra do que lhe disse?

— Sobre ser uma heroína? — Me pergunta com curiosidade, assenti para ela.

— Sim, pois então lembre-se que você irá decidir se tornar uma heroína, mas posso te dar um conselho? Não agora, não tenha pressa.


— Quando então? — Perguntou em um tom de curiosidade infantil, parecia determinada a isso. O que eu não condenava, achava muito interessante. Porém tive que rir com toda aquela inquietação.

— Quem sabe podemos conversar novamente quando você for mais velha? — Peguei minha carteira e tirei meu cartão dali. — Você até pode entrar em um time de heróis, não seria legal?

Ela assentiu, parecendo aprovar minha ideia, então lhe estendo meu cartão ela logo pegou, curiosa e confusa.

— Entregue para sua mãe, ela saberá o que fazer. Por hora, não deixe se magoar por bobeiras daqueles que são diferentes, eles não entendem. — Lhe disse, estendendo a mão para e lhe mostrei o mindinho, ela entrelaçou o dela com o meu. — É uma promessa então.

Ela assentiu sorrindo e logo se afastou ao notar a mãe desligando o telefone. Mas logo notou algo e se virou para mim.

— Mas senhor! Não me disse seu nome. — Ela me disse, quase em uma bronca, apenas lhe ofereci um sorriso educado.

— Pode me chamar de Paladin. — Lhe disse, vendo ela assentir, após repetir o meu sobrenome para si mesma. E então, foi em direção a mãe saltitante, assim que a mulher recebeu o cartão, pareceu espantada, mas não fiquei para ver o resto, me virei e prossegui meu caminho, indo diretamente para a revista de bagagens, onde Michel me esperava.

Mostrei meus documentos aos seguranças, então mostro a arma que estava por baixo do paletó, sem medo algum da reação que poderiam ter.
E ele pareceu bem assustado, mas após uma breve explicação, e seu companheiro lhe apontar quem era minha pessoa após checar meus documentos, me deixou passar.

Michel parecia incrédulo, nunca havia visto isso, ele se aproximou de mim assim que nos encontrávamos sozinhos.

— Senhor, ele é um segurança treinado, ele poderia ter te atacado! — Me disse em voz baixa, pude notar sua preocupação, a qual ele não fazia questão de disfarçar.

— Você me conhece Michel — Disse para ele com um sorriso irônico. — Além de um nome, eu tenho meus métodos. Não os questione, eles sempre funcionam.

Deixei ele pensativo enquanto me aproximei da da escada de meu jato, o piloto rapidamente bateu continência, o cumprimento e entro em meu jato, vendo Michel vindo atrás de mim assim que se recuperou do choque.

Em algumas horas estaríamos em Nova Orleans. Eu mal podia esperar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.