A Ladra

1 Menina veneno.


Notas iniciais
Ess é o começinho da saga.Eu adoro esses personagens e espero de verdade que vocês gostem.A gente se vê daqui a pouco.

Mentiras.

Essa é minha vida agora.

É como um vício, não consigo mais parar.

Mas, eu adoro isso.

Você sabe o que é desejar uma coisa e não poder tê- la, nem se você se esforçar, nem se você querer com todas as forças? Eu cresci sonhando com um mundo que nunca seria meu. Até que eu decidi que ia ser diferente.
Comigo não. Eu vou ter tudo que eu quero.
E quando eu conseguir, ninguém mais vai me tirar nada.

Foi tudo planejado, cada segundo. Minhas metas, meus objetivos, secretamente arquitetados. Enquanto as garotas da minha idade se divertiam indo à festas e arrumando namorados eu me aperfeiçoava e desenvolvia minhas habilidades. Antes do fim do ensino fundamental eu já era magra, alta, bem vestida e muito encantadora.

Livre de suspeitas. E é claro, antes que eu me esqueça, uma ladra profissional. Eu roubava pra manter meus caprichos. Mas não era o suficiente. Eu sempre quero mais.

Até que surgiu uma oportunidade: o acampamento de férias, ao sul das colinas ao lado da minha cidade. Um lugar de bons contatos e de gente bilionária. Mas minha família era pobre demais pra gastar dinheiro com diversão. Eu tive que dar um jeitinho.

Elevei o nível dos roubos, agora eu só precisava de joias, arrumei um empreguinho qualquer pra disfarçar e venci alguns concursos de beleza. Já estava com quase toda a grana mas eu só tinha que fazer mais uma coisa. Alguns documentos falsos e um desaparecimento forjado. Nunca tive vergonha da minha família ,tampouco vou esquecer que um dia fizeram parte da minha vida. Mas e se eu ficasse? Meus pais não tinham condições de pagar uma faculdade, e se um dia tivessem, pagariam a da minha irmã, Kayla. Eu não ia me opor. E depois? Casaria com um homenzinho ignorante como meu pai e trabalharia numa loja merda de conveniência? Não. Eu mereço mais. Eu quero mais.

Com o dinheiro dos furtos eu saí da cidade, comprei mais roupas e fiz a matrícula no acampamento. Eu precisava de muitos amigos. Amigos pra toda a vida. Mas não era tão fácil assim convencer aquela gentinha estúpida. E tudo que eu tinha eram dois meses.

Até que eu a vi.

Miranda Griffiths. A garota mais solitária e menos atraente do lugar. Felizmente pra mim, a mais rica também. Só juntei nossas necessidades. Em poucas semanas eu a tinha feito perfeita. Um clone exato das outras bonequinhas de luxo. Popular mas com um bônus, insuportavelmente melhor que todas elas. Nos tornamos melhores amigas, simplesmente inseparáveis. Mas fazer o quê? Ela tinha uma dívida comigo.

O acampamento chegou ao fim, mas foi tão doloroso pra Miranda sequer imaginar me ter longe que ela fez uma proposta. Internato Saint WilsPatrick. O melhor lugar pra se conhecer futuros membros da elite nacional. Pessoas de alta classe. Certamente com muitos segredos, prontos para serem descobertos e causarem certos prejuízos financeiros à seus donos.

Ela sabia de parte dos meus segredos. Sabia que minha família não era bilionária.Mas não sabia que nem chegávamos a classe média.

De acordo com meus novos documentos meu nome era Katheryn HeWitt. Emancipada. Filha de um investidor de petróleo promissor da Croácia. Popular e excepcionalmente bonita. Que passou maior parte de sua vida viajando e que passando na cidade, resolveu ficar e perder seu tempo com ela e com o resto dos idiotas. Era só isso que importava pra ela e pra todos os outros. Eu tinha o mundo, ao contrário deles, que obedeciam aos pais cegamente, mas eu preferia estar ali.

E se eu fosse embora? Afinal, eu tinha muito dinheiro e coisas incríveis pra fazer longe dali.Foi uma questão de tempo, ameaças de ida e citações das minhas supostas viagens pra Miranda implorar à seu papai que pagasse minha anuidade. Ela não se imaginava sozinha de novo, sem ter a quem confessar suas dúvidas e segredos insignificantes.

Foi tão fácil! Esse era meu preço. E Miranda comia na minhã mãozinha recém pintada. Fazendo tudo que eu queria sem perceber.

Um ano se passou, e eu me mantive aqui, intacta. Com meus novos amigos, no pedestal da sociedade dentro do internato. Dylan, Gavin, minha amiguinha de compras Kemillin, meu namorado de faixada Emery, Lindsay, Chloe e a bobinha da Miranda no centro. Entre outros tantos. Um bando de manipulados.



Sábado à noite. 22 de dezembro de 2012. Festa casual de apresentação dos futuros formandos. Internato Saint WilsPatrick. Dezenove horas e meio minuto.

– Kath? Mas o que é que você ainda está fazendo aí? Desse jeito?! – a voz soava incrédula e disfarçadamente debochada.

– Não me sinto muito bem, não sei, podem ter sido aqueles cappuccinos.

– Como assim?!? Vai mesmo perder a festa do ano por causa de cappuccinos ???

– Tenho certeza que vai fazer tudo que eu faria por mim, não vai?

( Ouçam Factory girl – The Pretty Reckless )

Vinte e duas horas e dezessete minutos. Todos estão na festa. A música está uníssona, graças à isso, fora do saguão não é possível ouvir nada. Mas se prestar atenção, em algum lugar, alguém esfregou as mãos usando luvas de couro pretas, depois, com um potente equipamentosinho de metal, arrombou uma porta, examinou a fio cada uma das roupas, e logo mais tarde o usou para abrir um cadeado. Um cadeado que trancava itens valiosos de uma caixa de joias.

Minutos mais tarde, saiu.

Ninguém viu e ninguém, considerando o tipo de pessoa vivendo ali, notaria a falta dos pertences. Totalmente à prova de falhas.

Notas finais
O que acham? Será que foi ela que entrou no quarto? Vocês sabem que se comentarem vão arrancar um sorriso meu, não é? Então comentem e eu posto mais.