A Ladra

4 E que soltem os leões.


Notas iniciais
oii, eu realmente não sei se vou postar mais capítulos essa semana então decidi ( de novo), postar dois capítulos seguidos. Agora a história começa de verdade, a coitadinha da Katheryn minha personagem incompreendida, começa a pensar, e as coisas começam a ficar mais claras pra quem está lendo (você). Espero que gostem.

Início de 2013.

Ainda posso sentir o gosto do ar.

É delicioso.

Tem sabor de vodca, caviar e limão.

Minha bebida predileta.

POV Miranda.

– O que faz aqui?

– Ah querida, talvez seja mais adequado que eu faça essa pergunta: O que você faz aqui?

– E-eu...

– Você sabe quem eu sou? Miranda Griffiths. Está vendo aquela cama ali? É minha. E aquela logo ali? Pertence a Katheryn Hewitt e, bem, a menos que queira dormir em baixo de alguma delas ou dentro de uma caixa de sapatos, eu recomendo que se retire daqui imediatamente.

– Bom – ela engoliu em seco apertando um papel que tinha nas mãos – Meu nome é H-Har...

– Por acaso, eu perguntei? Não quero saber se é caloura, seu nome muito menos de onde veio, me entendeu? É algum déficit de atenção? Entende minha língua?

– E-eu, eu só queria...

– Sabe o que está fazendo? Eu acho que não me ouviu bem, não é? Agora, eu quero você do lado de fora dessa porta pra que eu possa batê- la na sua cara – disse pausadamente, a garota tinha um semblante assustado, parecia chocada. Tudo bem, talvez eu tivesse despejado informação demais, quem se importa se a simpatia não é meu forte?

– Certo, deixe- me ajudá- la – disse empurrando- a para fora – Xô!

Okay. Não tenho tempo suficiente pra gastar prestando auxílio à gente desinformada– ainda mais se estiver mal vestida. Hoje é meu grande início, minha oportunidadesinha de vingança. De olhar com desprezo para os novatos da mesma maneira que fui olhada quando cheguei. Só que pior.

Levei a garota para fora, ela ainda parecia em choque enquanto saia, olhando para trás em pequenos intervalos de tempo. Fiquei observando, só pra ter certeza que ela não se atreveria a retornar. Já estava um pouco longe, então me preparei pra finalmente voltar ao quarto, girei nos calcanhares pronta pra trancar a porta e lá estava, um par de olhos rabugentos e intolerantes me fitando como se vissem a suspeita de um crime gravíssimo. Meu corpo enrijeceu com o susto.

–Posso saber o que está acontecendo aqui senhorita Griffiths? – Merda. Inspetora.

– Nada, não é nada Madam...

– Quem era a garota? – os olhares desconfiados se revezavam entre a garota ao longe e eu.

– Ninguém em especial, receio que é nova por aqui. Só pedia informação, nada demais.

– Espere, aonde ela está indo? – a garota estava correndo, com medo eu acho – Não! Espere senhorita! Moçinha! Esse é o masculino! Setor quatro masculino! – Me livrei a tempo, até que essa sem jeito ajudou. Francamente, eu devo ter cara de santa ou algo assim.

Aquela era Constância Bennett. A inspetora mais rigorosa do internato, também a mais antiga. As rugas davam voltas ao redor de seus olhos azuis castigados pelo tempo, surpreendentemente ábeis quando se trata de alunos imprudentes quebrando regras. Uma simples observação dela na sua ficha liquidaria qualquer chance de continuar aqui, sendo assim, todos os alunos se portam respeitosamente na sua presença. Quase todos.

[…]

Preciso estar impecável perto das garotas. Perfeita.

Só queria saber onde está Kath. As aulas começaram à pouco, mesmo sendo o primeiro dia o qual ninguém está nem aí pra absolutamente nada, isso quer dizer que tecnicamente estamos atrasadas. Calma, provavelmente ela só está com Emery, e deve ter dormido em seu quarto ou coisa do tipo. Só existe essa explicação.

Kath não tem jeito, sempre some. Somos amigas há pouco mais de um ano, não consigo me imaginar sem sua presença. Como meu oxigênio. Tudo que eu tenho devo a ela.

Os garotos, minhas roupas, isso sem mencionar até mesmo meu vocabulário.

– Oi. Bom dia, como está? — falou Lindsay entrando no meu quarto, mordia uma maçã. Enquanto desfilava despreocupadamente com um vestido de seda branco em cortes laterais e um lenço de tinturaria amarrado na cintura.

– Sabe onde está Kath? Ela não dormiu aqui. Viu Emery?

– Não e... não – arfou separando as respostas, depois de um certo tempo eu já a imaginava se sufocando com a própria língua.

– Hum... O que vai usar? Além dessa roupinha sadomarzoquista gótica, eu diria, super sexy. – estranhei e olhei pra baixo. Isso. Estava de pijamas.

– Um gucci é bom o bastante pra você?

P.O.V Katheryn

Estou atrasada. Meus olhos estão com dificuldade de assimilar a luz do sol. Estão doloridos e inchados depois de expelir tantas lágrimas. Minha vida acabou. Parte dela, na verdade.

Eu sem pre me julguei forte, capaz, mas agora, naufraguei em minhas próprias lembranças.
Esse ano vai ser diferente. No que poderia ter sido se...

Um toque e serei expulsa da minha atmosfera, arrancada da órbita. Basta uma ligação e não poderei mais ser Katheryn Hewiitt. Não poderei mais brincar de rainha em Saint WilsPatrick.

Bem, digamos que eu fui contratada contra a minha vontade. Minhas dívidas prestaram um belo auxílio.

No entanto, contra toda essa angústia, tenho que admitir, meu salário é mais que o necessário, não serão tantas ligações assim e Katheryn pode agir como um belo disfarçe. E do que estou com medo, então?

Vou usar o que tenho de melhor à meu favor. Pena que não sejam dons de que possa me orgulhar tanto quanto eu queria.

Vou deixar algumas pessoas caídas no caminho e meu trabalho é certificar que elas não respiram.

Me levantei, se não me engano antes de sair pensei em trazer uma roupa que pudesse usar no meu primeiro dia, caso eu ainda não tivesse retornado.

Um lindo vestido preto, com detalhes transversais no decote fabuloso que vou unir a botas, meias fio 40 e um casaco bem quente, já que hoje o frio está destroçando a cidade. Acendi as luzes e peguei tudo de que precisava.

Todos devem estar pensando que passei a última noite com Emery. Quem dera. Passei a noite em um hotel. Sozinha e longe de todos pra que pudesse ao menos refletir.

Meu fim de ano havia sido deslumbrante. Uma despedida e, agora, estou fora há três dias. Aposto que está sendo uma eternidade para eles.

Mas já chega! Chega de lágrimas, de me fazer de coitada, isso não faz meu estilo. Recuperar minha personalidade sólida, já é um passo. Preciso ir ao internato observar minhas quase concorrentes e ensinar a outras como se portar, adequadamente.

Hewitt está de volta ao topo.

As máscaras estão ficando pesadas tanto quanto barras reluzentes de ouro.

Notas finais
Aí está, eu pretendo postar capítulos maiores e ainda mais claros em relação a narrativa dos personagens. Até o próxima. Kisses!