A Ladra

6 Chuva, luz e uma dor nas costelas daquelas!


Notas iniciais
Oiii, desculpa pela demora :( Finalmente está aí, #iseeyoulater Kisses

Onde eu estou?

Como cheguei aqui?

As luzes estão fracas.

De repente, tudo ficou tão escuro.


Algumas horas mais tarde.


Hoje ao amanhecer percebi que o céu permanecia nublado e frio, assim como ontem. Provavelmente as estradas, perigosas em razão disso, e minha dor de cabeça não facilitariam nem um pouco meu percusso até o internato. Ainda sim insisti e, agora que estou a caminho, como se já não fosse óbvio antes, fica quase estampada no retrovisor do carro a tremenda idiotice, porque eu não chego nem tão cedo.

Desisti de sair ontem, um motorista descuidado derrapou no capô de um Mercedes modelo utilitário estacionado ao lado da minha BMW, que além de deixar todos os outros carros interrompidos ainda gerou uma enorme confusão entre os envolvidos. Aliando isso à chuva desmoronando lá fora e a vontade avassaladora de me enrolar nos lençóis quentinhos da suíte em que eu estava, foi muito fácil decidir voltar a ela e ainda pedir um bom café pra acompanhar.

Pensando positivo, eu devo entrar em WilsPatrick daqui a duas horas, entre o fim das oito e o início das nove horas do dia. Miranda ainda estará dormindo uma vez que, de acordo com novo horário, as primeiras aulas além de opcionais são aquelas que ela considera inúteis e não frequenta. Vai ser tranquilo, contanto que ela não venha me encher o saco com aquelas perguntas chatas.

Como se isso não fosse acontecer.



O grande portão de ferro do internato estava escancarado, batendo costantemente na laje de pedra que adornava suas laterais, o que, prestando atenção nos diversos recursos tecnológicos presentes aqui, pra dizer o mínimo, é bastante estranho. Pra chegar ao primeiro prédio das instalações é preciso subir adiante em um longo caminho de asfalto que é contornado por algumas árvores. No verão e na primavera elas parecem majestosas e permanecem salpicadas por pequenos frutos e flores, deixando o trajeto agradável e perfumado. O que não é o caso do inverno, tudo ficava enevoado e o cheiro de terra molhada é enjoativo. Meu olfato se mostrou realmente incomodado quando passei por ali. E então, como se para me irritar, a chuva voltou. Bem a tempo do segundo posto de segurança, e do passe de identificação que eu teria que mostrar pra continuar, e o digo porque os aparelhos que servem exatamente pra isso não estavam funcionando. Eu tive que sair do meu carro pra mostrá- lo pessoalmente ao guardinha de meia idade que sempre fica por lá. Mais tarde, e eu sei porque não parei de verificar o relógio no meu pulso, apenas para entrar, estacionar e trancar o carro no depósito, o qual, ao contrário do que muitos pensam, só poderei guiar no próximo final de semana graças as regras rígidas deste lugar, devo ter levado uns trinta minutos. E pra chegar até o andar do quarto, então.

Destranquei e abri a porta e, como eu sempre faço, não bati antes, nem fiz questão de me identificar. Obviamente que é porque o quarto é meu e dividí- lo com Miranda não vai me privar de fazer o que eu bem entender com ele.

O quarto em si é consideravelmente grande. O ambiente de entrada se faz a partir de uma saleta de visitas ermetica e cuidadosamente projetada para comportar todos os caprichos de suas donas, bem, nós. Posso dizer que eram muitos, como o quadro de petúnias cor de abacaxi absolutamente contrastante destacado na divisória de concreto que tinha ali, havia sido construída na metade do quarto para dar privacidade à nossas camas, ou a escada em espiral no fundo dele que escondia um banheiro e um closet, os quais, por exigência de Miranda, detêm um conjunto de luminárias que acendem ao soar de dois estalos.

Estava escuro. E quando digo escuro, quero dizer suspeito e escuro.

Circulei a saleta e me mantive quieta perto da divisória, até escutar o soar de duas respirações vindas de muito perto. Eu poderia ir até o outro lado do quarto e pressionar o interruptor ou bater palmas freneticamente pra talvez em uma hipótese remota a luz do closet se acender como num passe de mágica, mas não me atrevi a tanto. A curiosidade estava latejando e meu abajur estava por perto.

Ao longe, duas pessoas na cama de Miranda. Se não me engano, ela e... e...

GAVIN? Gavin!

Opa! Eles estão acordando. Alguém do redemoinho de fronhas em que eles estavam deitados se levantou, suponho ser… Bom, talvez seja Miranda. O ser não identificado permaneceu parado, possivelmente tentando fazer as pupilas se acostumarem com a claridade da luz que eu segurava. Ela/ele se dirigiu ao interruptor.

Amém! Não sei ela/eles, mas a situação já estava ficando no mínimo constrangedora.

Com a luz acesa, não sei o que ficou mais claro. As nossas peles pálidas e recentemente envergonhadas ou que a situação realmente tinha se tornado constrangedora.

– MeuDeus! O que é que está acontecendo aqui? – a verdade é que sempre quis que os dois ficassem juntos, será que o criador escutou minhas preces? – Finalmente ouviram meus conselhos e pularam os encontros?

– Kath? – disse Miranda sonolenta, em um misto de surpresa e susto – Como é?

– Mia, por favor, apague logo essa droga de luz, tem alguém tentando dormir aqui.

– Tá na hora de acordar, seu aproveitador! Pisco os olhos uma única vez e já vai se esconder embaixo do meu edredom! – cuspiu Miranda, enquanto levantava as alças caídas do vestidinho APC já velho que usava.

– Como se tivesse sido tão fácil assim – replicou Gavin, parecendo se divertir com tudo aquilo.

– Mia? Já estão de apelidinhos carinhosos? O lance está ficando sério. Em uma noite passaram de primos congênitos pra uma transa. Gavin... minha nossa, o que fez com ela? – realmente ele está merecendo meus créditos.

– Bem, pra que servem os amigos homens se não para serem usados quando elas querem, não é? – disse ressentido voltando- se pra Mia, que engloliu em seco.

– Ouwnn... que pena que estão vestidos. Estou com o celular na bolsa, daria um belo cartão de natal, não acham?

– Eu e Miranda, soa bem. Quem diria, não é? – ironizou Gavin, era claro que sabia que eu diria. Ele erguiu- se de pé, encontrando uma certa dificuldade em se livrar daqueles lençóis. Okay, Gavin está sem camisa. E, é sério que eu estou gostando disso? Estou sim, pior que sim – A propósito, se bem me lembro temos um jantar hoje, lembra?.

Ele falou olhando rapidamente para Miranda, logo depois, notei que me olhava com aquele sorrisinho estranho, claro que eu não tinha percebido que estava olhando sem o menor pudor para ele, pelo visto, Gavin é bem rápido quando se trata desses assuntos. Permaneceu assim por alguns milésimos de segundos quando voltou- se para Miranda. O sorrisinho maldoso agora era uma resposta lasciva a bela expressão dela que dizia, do início ao fim, um grande e simpático NÃO.

– Hum, oba, isso é um encontro?. – disse animada fitando Miranda, aquela seria uma ótima oportunidade para me ver livre de suas perguntas.

– Sinceramente, Gavin. As chances de sair sozinha com você ficam entre improváveis e inexistentes, como sempre foram. Você é estúpido, ou o quê?

– Ela vai. Horário?

– Passo aqui às oito. – ele já estava saindo – Ounw, essas buchechinhas, ela não fica linda de manhã? – mais um segundo e teria levado um hidratante corporal nas fuças.

– Miranda, se não tivesse visto com os próprios olhos jamais adivinharia que seu apetite sexual era tão voraz. Robert, Adam, GAVIN!

– Como é que é? Voraz? – ela rebateu – É simplesmente ridículo você acreditar que eu, logo eu, dormiria com Gavin, francamente.

– É óbvio que é – disse em ironia – E que mal lhe pergunte, vocês dormiram na mesma cama, sim?

– É, mas...

– A noite inteira?

– Sim, isso nã...

– Meu deus! Chamem as autoridades! Miranda Griffiths não sabe mentir! – gritei escandalosa, ela estava parada no mesmo lugar me olhando fixamente. – Porque não me conta logo, assim podemos fofocar se ele é bom ou não de, bem, você sabe, o resto do dia?

– Conversamos por um curtíssimo tempo e então adormecemos e, pra sua tristeza, foi só isso. Só isso!

– Sei, chama isso de não acontecer, – falei apontando para a cama desfeita e ao avesso em que eles “não” aconteceram – e se acontecesse, então? Teriam derrubado o prédio ou algo do tipo?

– Não pode nem sequer se meter, ficou fora três dias. TRÊS DIAS! Não sabe o que aconteceu e... Aliás – e aí vem bomba – onde"diabos" esteve todos esses d...

– Então está admitindo que rolou alguma coisa?

– Tudo bem, se quer tanto conversar, porque não começa dizendo onde se enfiou esses dias, heim?

– Deixe- me ver, – levei o indicador ao queixo – Não... não, e... não. Acabei de chegar e, infelizmente, você não vai encher meu saco com isso agora. Vamos, vamos, você vai voltar a dormir na minha cama porque a sua... – ela me olhou com cara feia – vai sonhar com lindos vestidos Prada, e com... seus futuros filhinhos frutos de um romance quente de escola com Gavin Wilkinson! – gritei, ela me olhou estranho e cerrou os punhos. Tenho exatamente dez segundos cronômetrados pra desaparecer no ar antes de Miranda avançar no meu pescoço. Ao menos ela estava sorrindo. Como uma psicopata, mas sorrindo.

Corri para fora do quarto fingindo desespero dramaticamente, enquanto ela vinha atrás. Ambas rindo e gargalhando, até que não a vi mais. Desistiu, eu pensei. Me obriguei a continuar e, de repente, fiquei ofegante, meus passos diminuíram cada vez mais, respondendo a falta de fôlego que eu teria se continuasse.

Mas aquela sensação de ausência de ar pareceu piorar quando o fiz. Me senti enjoada e um pouco tonta, uma dor estranha começou a tentar escapar do meu abdômen, e ficou mais forte a medida que eu respirei, em poucos segundos havia se transformado em enormes contrações de dor latejando e pendendo em todas as regiões do meu tórax, cambaleei e me pus de joelhos no meio do corredor, apoiando uma das mãos no piso e a outra na parede, enquanto algumas das minhas lágrimas ousavam cair. Tudo que eu queria era gritar à plenos pulmões por socorro.

Mas a dor havia sugado cada parte de mim, minha voz, minha energia.

E agora?

Notas finais
Gosstaaramm?? Por favor digam que sim! Espero seus comentários Kisses
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.